Um tsunami está sendo criado, e provavelmente vamos ver uma nova onda de valorização cambial em alguns meses (quiçá semanas). Três notícias dos últimos dias: i) o Citigroup agora publica na bloomberg taxas de empréstimo e captação, de dólares, mas denominadas em reais (qualquer um com conta no citi em qualquer lugar do mundo pode agora fazer um depósito a prazo denominado em reais); ii) o Société Genéralé comprou o Banco Cacique, ou seja, uma plataforma para vender ativos brasileiros para seus clientes (é só mais uma aquisição de uma longa lista neste ciclo, que talvez comece com o UBS comprando o Pactual… certamente não será a última!); iii) A Merrill Lynch vai emitir divida própria denominada em Reais… ou seja, vai captar lá fora a 10.5%, internar o dinheiro e aplicar aqui dentro a 12%. Estamos com 100bi de reservas: onde vai parar a brincadeira?
Curioso que ninguém parece se lembrar mais da lição elementar de economia internacional: não é possível ter política monetária autônoma com câmbio fixo e livre fluxo de capitais. Estamos vendo ao vivo e a cores o que isto significa. Apertem os cintos!
PS: Na época pouca gente entendeu o que era este negócio do UBS comprando o Pactual. Pareciam estar pagando uma fortuna. Qdo o UBS acabou vendendo algumas dezenas de bilhões de ativos brasileiros para seus clientes, cobrando “fees” de 1% ou mesmo 2%, caiu a ficha: em meses já tinham pago todo o investimento… os outros bancos começaram a correr atrás. Literalmente Brasil está à venda… de graça!
Há três tipos de investidores apostando no bioetanol. Usineiros tradicionais estão investindo fortemente na expansão das suas empresas. Há novos investidores, como o ex-presidente da Petrobrás Felipe Reichstull, que fez captações gigantescas para ampliar a produção brasileira. E há os muito ligeiros, comprando usinas com escassa viabilidade, para vestir a noiva e passar o mico para frente.
Nesse último grupo há um aventureiro manjado, inclusive na área editorial.
Na aba de ECONOMIA (clique aqui) a Coluna Econômica analisa um dos truques mais utilizados pela retórica dos economistas: as correlações com falsas relações de causalidade.
(…) Em alguns segmentos bem específicos, nosso produto serve como referência mundial, e em outros tem todo o petencial para ser. Mas a política trabalhista e tributária brasileira e seus altos encargos o deixa 80% mais caro que nossos concorrentes, como por exemplo,o sempre citado e também destacado software indiano.
E pensando nisso, o setor trabalha incansavelmente não só pela revisão da legislação mas atacando também um ponto basilar da questão : a qualificação.
O exemplo mais recento disso é que em 22 novembro de 2006, no Palácio Piratini, em Porto Alegre (RS), foi assinado convênio para implementação do Programa de Formação de Capital Humano em TI, pelo qual as escolas estaduais de Ensino Médio e Escolas Técnicas passam a contar com cursos pós-médio de qualificação em Tecnologia da Informação e assim revolucionar o setor e a vida destes alunos, com a possibilidade de concorrer no mercado de trabalho e, paralelamente, garantir às empresas de TI, a formação de novos talentos.
Estamos coordenando esforços para que outros Estados realizem ações do mesmo tipo. Além disso, nossa Entidade, em parceria com o Ministério do Trabalho e ABDI, está contribuindo com o PLANSEQ (plano sequencial de formação de capital humano), que visa a formação emergencial e de médio prazo de profissionais na área de TI, que este ano implementará projetos em 10 Estados brasileiros.
Também em nível Federal, a entidade concentra esforços , e com a legitimidade conferida pelos 30 anos de existência e mais de 1200 empresas associadas por intermédio de doze regionais, na luta para que haja a compensação de investimentos em treinamento, qualificação de funcionários e inovações tecnológicas por meio de redução da carga tributária às empresas. Essa é nossa meta : o desenvolvimento de nossas Empresas, do mercado brasileiro e o aumento das contratações. Mais ainda, consideramos fundamental divulgar as ações em prol de nosso setor e contamos com o apoio de formadores de opinião da sua estatura, talento e abrangência.
Recentemente, a Secretaria de Direito Econômico (SDE), resolveu se insurgir contra decisões do MDIC (Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior), de estabelecer barreiras à produção de importados. Alegou que prejudicava a concorrência. Defesa da produção nacional, em caso de flagrante distorção econômica (como é a apreciação do câmbio) é estratégica nacional. Há uma interferência indevida na questão.
Aliás, é o fim da picada o SDE defender fabricantes chineses de pneus de bibicleta contra os fabricantes nacionais.
A consagração de Al Gore, na cerimônia do Oscar, pode mudar o destino dos EUA e do mundo. Al Gore foi vice de Bill Clinton. Sempre foi considerado mais brilhante e preparado. Perdeu as eleições para George W. Bush por manipulação de votos, e pela postura considerada prepotente pelo eleitor médio. Mas é um visionário que coloca o próprio Clinton no chinelo. E possui enorme prestígio no Partido Democrata.
Aliás, enquanto vice de Clinton, Al Gore foi o primeiro a identificar as infinitas possibilidades trazidas pelas vias digitais. Foi um grande estimulador da expansão da Internet nos Estados Unidos, da inclusão digital. Sua eventual eleição para a presidência dos Estados Unidos, poderia devolver ao país uma responsabilidade para com o mundo perdida há muitas décadas, praticamente desde a era Kennedy.
A Bolsa de Valores da China sofreu uma queda de 8%, influindo em várias bolsas do mundo. Apesar do soluço, não há nada de mais grave nisso. A Bolsa chinesa tem pouca relevância para a economia chinesa. E o solavanco foi em função do boato de que as autoridades chinesas irão tributar o excesso de ganho dos investidores. No ano passado, a Bolsa proporcionou lucros de mais de mil porcento.
A posição do presidente do Banco Central Henrique Meirelles, de que o soluço chinês obrigará o Banco Central a ser mais cauteloso na política de juros, é oportunismo. Alguns dos maiores bancos estrangeiros no país minimizaram o episódio. A troco de quê o presidente do BC tenta dramatizá-lo? Enquanto isto, o próprio mercado sinaliza para a necessidade de uma queda maior na taxa Selic.
Essa é a oitava maravilha brasileira! Há um tremor na China. Como capitais especulativos entram e saem do Brasil livremente, como se dá o ajuste da economia brasileira? O Banco Central eleva ou mantém os juros elevados. Assim o ajuste a um movimento financeiro na China se dá pela queda do PIB brasileiro. O Dr. Meirelles já está com sangue pingando dos dentes caninos.
É esse o resultado da terceirização da política econômica.
ESTADO ECONOMIA 09/10/1997
Título: A bola da vez
Autor: DIONÍSIO DIAS CARNEIRO
Com essa chamada foram anunciadas, em artigos e entrevistas, opiniões de economistas ilustres e respeitáveis, alguns com escasso conhecimento do tema, acerca da fragilidade externa da economia brasileira. Bola da vez quer dizer, na linguagem cifrada, que o autor da expressão entende que o Brasil será o próximo alvo de um ataque especulativo ou, mesmo se os especuladores não aproveitarem o conselho gratuito, que o País entrará em crise por falta de financiamento para seu déficit em conta corrente.
Quando a chamada funciona, ou seja, está associada a um nome suficientemente sério para merecer uma leitura mais do que diagonal, vemos que as qualificações feitas desqualificam a chamada como previsão útil. É claro que a imprensa pode sempre registrar mais um “alerta” para autoridades distraídas, e opositores do governo (ou no governo) utilizam logo o apoio à causa da cautela como um apoio à causa da mudança de rumo. É uma feliz coalizão a dos que não têm o que dizer com os que não têm a responsabilidade de fazer. Mas faz parte do trabalho dos que analisam o cotidiano da economia procurar ângulos novos para críticas antigas, defesas originais para ataques desgastados e tentar ver nas opiniões que circulam o que é fato, opinião ou mesmo ponto de vista novo do que é mero material reciclado no debate sobre as possibilidades da política econômica.
(…) No âmbito dos ataques especulativos há duas teorias dominantes: a primeira é que ataques especulativos ocorrem quando o governo perde reservas além de certo limite crítico. Ao tentar defender a paridade cambial com vendas suficientes para adiar os ganhos esperados, aumenta o prazo (e os custos da espera) e termina fazendo com que alguns apostadores desistam da aposta, mudem de lado e vendam moeda estrangeira, contribuindo para pôr fim ao ataque.
(…) Um segundo tipo de teoria apóia-se mais na possibilidade de enfraquecimento da confiança em políticas que poderiam até ser sustentáveis, mas se tornam inviáveis porque ondas de pessimismo financiadas por apostas do setor bancário encurtam drasticamente o prazo de financiamento disponível para o governo, tornando inviável qualquer desequilíbrio na conta corrente do balanço de pagamentos.
(…) Desnecessário dizer que todos os governos atacados acreditam, ou afirmam acreditar, estar no segundo caso, enquanto todos os especuladores decididos ao ataque crêem estar no primeiro caso.
O que fazer? (…) Ao mesmo tempo em que os especuladores profissionais estão sempre tentando descobrir a bola da vez, os analistas de política econômica nos governos e nas instituições multilaterais estão decidindo qual é a bola da vez das políticas cambiais: mais controles ou mais transparência e atenção aos mercados? Os países asiáticos cujos mercados incipientes desmoronam há três meses já afirmaram seus pleitos por mais controles, enquanto os latino-americanos se beneficiam das diferenças cada vez mais palpáveis em termos de convicção de seus governos e sistemas políticos quanto aos rumos a seguir.
A iniciativa do governo brasileiro de dar novo ânimo à tramitação das reformas institucionais de profundidade, reabrindo, em meio ao tumulto das pré-candidaturas, as discussões sobre as reformas fiscal e da Previdência, é um exemplo de como escolher a bola da vez e permitir à sociedade discutir os rumos que deseja seguir nos próximos anos.
Dionísio Dias Carneiro é professor do Departamento de Economia da PUC-RJ
Faria melhor o jornal “Globo” em admitir o erro que cometeu, ao lançar suspeitas sobre o fato do Ministro da Fazenda Guido Mantega não ter dado queixa à polícia sobre o seqüestro de que foi vítima em Ibiúna.
O “Globo” entrevistou o Delegado de Polícia de Ibiúna, que informou que, como Mantega não fez a denúncia pessoalmente, a própria polícia preparou o Boletim de Ocorrência. Disse que o caso era “não usual”. Como se fosse usual Ministros serem seqüestrados.
Na carta da assessoria de Mantega, que o jornal publica hoje, fica claro qual foi o erro do jornal.
Na condição de Ministro da Fazenda, Mantega comunicou o seqüestro a mais alta autoridade do estado, o governador José Serra, que acionou seu Secretário de Segurança, que acionou o delegado. Tudo de acordo com os conformes.
O repórter do “Globo” só tinha acesso ao fim da fila, o delegado.
Bastaria um pouco de discernimento para não cair nessa. Por exemplo, perguntar como os Ministros Ellen Gracie e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, procederam após terem sido assaltados. Ela foi à delegacia fazer um BO, ou as próprias autoridades estaduais se incumbiram disso?
O problema não é nem o erro em si, mas insistir no padrão “Não Erramos”. A Nota da Redação responde que as informações são da Polícia de São Paulo, “prestadas oficialmente”. E daí? O erro não foi da fonte, foi do jornal que consultou uma fonte que não tinha informações completas. E, com base no que ela disse, lançou insinuações de primeira página.
Depois, insiste que Mantega deveria ter comunicado imediatamente à Polícia Federal, desconhecendo que apuração de seqüestro é atribuição da Polícia estadual. Continua insistindo que demorou muito para informar às autoridades, ignorando as explicações de que Mantega passou a noite sob a mira dos seqüestradores, isto é, sob profundo stress, foi libertado de manha, como não é de ferro deve ter dormido um pouco e às 14 horas tinha audiência com o presidente da República.
O “Globo” já é o jornal de maior tiragem aos domingos. É o que tem praticado o melhor jornalismo. Para se tornar o melhor jornal, terá que aprender que o “Erramos” enobrece o jornalismo.
Como tenho sido submetido a uma inquisiçao constante, e vcs receberam uma parte da mesma, me permito mandar um artigo de autor inteligente, que recoloca as questoes nos seus devidos lugares.
atenciosamente,
Renato Janine Ribeiro
Folha de S. Paulo, 24/2/2007
MANUEL DA COSTA PINTO
O carrasco e sua cena
“RAZÃO E SENSIBILIDADE”, ensaio de Renato Janine Ribeiro sobre o assassinato do menino João Hélio Fernandes, publicado no Mais! do último domingo, provocou reações virulentas de adesão e repúdio.
Seria insensato, contudo, ver na intervenção do filósofo uma apologia da pena capital. O texto pode levar água para o moinho da imprensa sensacionalista ou dos defensores de esquadrões da morte. Mas esse é um efeito possível da reflexão de Janine -não seu objetivo.
Escrito sob o impacto do crime, o ensaio revela um impasse. “Algo que é muito importante no exercício do pensamento”, diz ele, “é que atribuamos aos sentimentos que se apoderam de nós o seu devido peso e papel. Não posso pensar em dissonância completa com o que sinto. A razão, sem dúvida, segura muitas vezes as paixões desenfreadas. (…) Mas isso vale quando a dissonância, insisto, não é completa. Se o que sinto e o que digo discordam em demasia, será preciso aproximá-los.
Será preciso criticar os sentimentos pela razão -e a razão pelos sentimentos, que no fundo são o que sustenta os valores.”
O argumento foi severamente criticado na própria Folha por Vinicius Torres Freire, que viu nele uma legitimação da fúria emotiva como plataforma de revisões indiscriminadas da lei penal. Entretanto, a intenção do ensaio não é convocar reformas jurídicas. “Não consigo, do horror que sinto, deduzir políticas públicas”, diz Janine.
O texto é assumidamente hesitante: expõe o horror diante da brutalidade mas também diante do sentimento de vingança, dessa fantasia lúgubre de ver os criminosos supliciados. Se há algo questionável aí, é o fato de explicitar contradições interiores -atitude que não condiz com o papel que o senso comum espera do intelectual.
A melhor resposta a suas ambigüidades, portanto, seria buscar um correlato desse episódio abominável. Pois a execução legal também pode ser um crime hediondo, como sugere o livro “Reflexões sobre a Pena Capital”, publicado há 50 anos, reunindo ensaios de Arthur Koestler (”Reflexões sobre a Forca”) e Albert Camus (”Reflexões sobre a Guilhotina”).
O volume traz discussões sobre os sistemas penais da Inglaterra (onde o húngaro Koestler se radicara) e da França. O foco, porém, são as vivências desse ritual macabro. O autor de “O Zero e o Infinito”, que esteve no corredor da morte durante a Guerra Civil Espanhola, mostra o aspecto grotesco dos enforcamentos e reconstitui casos de carrascos que tentaram suicídio. E Camus lembra a náusea incontrolável de seu pai após assistir a uma decapitação -cena que seria retomada em chave ficcional em “A Peste” e “O Primeiro Homem”.
O livro nos ajuda a materializar mentalmente a cena da execução -cujo calculismo é, a seu modo, tão repugnante quanto o crime que acabamos de testemunhar- e a repelir assassinos e verdugos. “Reflexões sobre a Pena Capital” deveria ser publicado urgentemente no Brasil. Mas, como sabemos, há urgências mais capitais.
Tem gente minimizando as possibilidades de um acordo entre Brasil e Estados Unidos em torno do bioetanol. As possibilidades são imensas, e os riscos também. Hoje em dia, o Brasil tem a faca e o queijo na mão: tecnologia, terras e capital. Os EUA têm o maior mercado do mundo e o maior poder diplomático. Ao mesmo tempo, o maior interesse em reduzir a dependência do petróleo. Esse conjunto de fatores dá jogo.
Se houver clareza sobre nossos interesses, o Brasil poderá aproveitar a oportunidade para ter acesso a uma montanha de recursos, e se tornar um associado de igual para igual, podendo articular seus interesses de forma autônoma. Caso contrário, se converterá em mais um México, com um mero centro secundário, maquiador de produtos. Talvez seja o maior desafio já encarado por nossa diplomacia comercial.
Um dos maiores problemas enfrentados pelas prefeituras é a indústria dos precatórios, especialmente em casos de desapropriação. O Judiciário acaba incluindo o preço desapropriado, a correção monetária e juros pelos atrasos. Depois, aplica arbitrariamente 12% ao ano por conta de lucros cessantes. Com isso, as dívidas assumem proporções gigantescas. Há um movimento de algumas prefeituras para enfrentar o monstro.
Enviado por: Marcelo Sobral, comentando o artigo de Pastore
Bem, os posts até o momento já têm comentários valiosos. Mas um detalhe que me deixou curioso aparece no trecho: “No gráfico anexo comparamos as exportações líquidas com a soma do consumo das famílias e a formação bruta de capital fixo, todos medidos com relação ao PIB. É muito claro que uma curva é o espelho da outra, e que um aumento no superávit nas contas correntes tem como contrapartida uma queda no consumo e nos investimentos”.
Não sou economista, mas tenho formação na área de exatas. E esta afirmação sobre a correlação entre duas variáveis (que me parecem de formação bastante complexa … nada como relacionar temperatura e pressão parece temerária. Pode estar ali escondida uma ou mais outras variáveis, que têm uma relação de causalidade com as duas escolhidas. Por exemplo, o câmbio (apenas uma provocação …).
Postado em 27/02
Enviado por: Renato
Marcelo Sobral, relaxa. Qualquer economista medianamente educado sabe dar os devidos descontos às correlações do professor Pastore. Procure nos textos do professor apenas os conceitos mais amplos, que no geral são bons.
“A reportagem “Trabalhador rural “foge” do registro em carteira no NE” (Dinheiro, págs. B1 e B3, de ontem) confirma as declarações de um bispo católico feitas neste jornal há alguns meses. Está se criando uma geração de vagabundos que vivem à custa do trabalho alheio. É inadmissível que numa das regiões mais pobres do país o empregador tenha que substituir homens por máquinas por falta de trabalhadores. Os “programas sociais” não só incentivam a ficar numa praça “olhando um para a cara do outro”, como foi declarado, como também as mulheres que vivem abaixo da linha de pobreza a procriarem mais e mais para terem direito às bolsas famílias/escolas. Aliás, quando foram criadas as chamadas vulgarmente de “bolsa-esmola” era previsível que isso acontecesse.”
MARIA DARCI DE FARIA (Praia Grande, SP)
Comentário
É importante para que se entenda o poder da manchete e do lide sobre a percepção do leitor. A matéria não é apenas o conteúdo, mas o conjunto, com destaque para a manchete e o lide – que são os elementos que mais influenciam a formação de opinião do leitor.
O Fernando Canzian, que é um repórter competente, escreveu sobre bóias frias que vão trabalhar, mas recusam a carteira assinada por apenas três meses de trabalho, para não perder o direito futuro à aposentadoria rural e à Bolsa. Não estava falando em preguiçosos. Bastou uma manchete e lide incompletos e enviezados, mais uma carta de uma leitora que não entendeu nada, para se criar essa percepção.
Na aba de ECONOMIA (clique aqui) o nosso modelo de contraponto ao artigo dos professores Affonso Celso Pastore e Maria Cristina Pinotti no “Valor” de hoje.
Importações e crescimento
Affonso Celso Pastore e Maria Cristina Pinotti
No “Valor” de hoje . Clique aqui.
Nas discussões sobre os problemas da economia brasileira freqüentemente nos deparamos com afirmações sem nenhum respeito às evidências empíricas.
Belo lide, que será aproveitado para analisar algumas afirmações do artigo.
Como disse Thomas Huxley, a grande tragédia da ciência é o assassinato de uma teoria muito bela por fato muito feio, e no Brasil há uma grande revolta contra meros fatos que jogam por terra belas teorias. Uma destas “teorias” é que o crescimento das importações reduz o nível de atividade econômica.
Muitos não gostam de apoiar-se em Milton Friedman, porque temem ligar suas idéias às de quem ousou enfrentar Keynes, e fundou o monetarismo. Mas Friedman entendia profundamente o funcionamento do sistema de preços e não se cansava de repetir que o grande benefício econômico do crescimento das exportações é permitir o crescimento das importações. São as importações de bens de produção mais baratos e com um conteúdo tecnológico mais avançado que ajudam a baratear o custo do capital e elevar a produtividade, e são as importações de matérias-primas que reduzem os custos dos produtos exportados e vendidos no mercado doméstico, elevando o bem-estar da população e as exportações.
Uma afirmação genérica, onde um mísero “que” atrapalha a universalização. Toda importação “que” resulta em bens de produção mais baratos e conteúdo tecnológico avançado é benéfica. Os autores suprimiram o “que” para generalizar o princípio. E há pontos que vão muito além da máquina, que é a capacidade do país desenvolver sua própria tecnologia, princípio fundamental da China e de todos os países que se tornaram grandes do século 18 para cá, a começar pela Inglaterra. Se, com duas empresas no mesmo nível, o câmbio faz o diferencial em favor da empresa externa, está matando capacidade de desenvolvimento interno. .
Estes argumentos bastariam para colocar um freio ao impulso de criticar o crescimento recente das importações brasileiras, mas mesmo assim essa crítica tem sido repetida, principalmente porque o crescimento mais acelerado das importações ameaça baixar os superávits nas contas correntes.
Como bastariam? Generalizou um princípio que não deve ser generalizado e já resolveu a questão?>
Se não bastasse o fato de que já no século XVIII, no mesmo momento em que lançou a pedra fundamental da ciência econômica, Adam Smith destruiu a visão mercantilista de que os países enriquecem quando acumulam superávits e reservas (antigamente era o ouro), há outros fatos que não podem ser ignorados.
O professor desenhou uma caricatura para facilitar seus argumentos. O que se está falando é em destruição de setores produtivos nacionais por conta de um câmbio mal ajustado. Primeira potência moderna erigida quando a economia se tornou ciência, no século 18 a Inglaterra jamais admitiu que produtos têxteis da Índia fossem vendidos internamente, para não matar sua indústria têxtil.
O primeiro deles é que, ao contrário do que prega a “falsa teoria”, o aumento dos saldos nas contas correntes acarreta a redução do consumo e da formação bruta de capital fixo.
No gráfico anexo comparamos as exportações líquidas com a soma do consumo das famílias e a formação bruta de capital fixo, todos medidos com relação ao PIB. É muito claro que uma curva é o espelho da outra, e que um aumento no superávit nas contas correntes tem como contrapartida uma queda no consumo e nos investimentos (somamos consumo e investimentos porque o comportamento isolado de cada uma destas variáveis é igual ao da sua soma).
Uma depreciação cambial que eleve os superávits contas correntes acarreta uma queda na formação bruta de capital fixo em proporção ao PIB, e com isso, retarda em vez de acelerar a acumulação de capital e o crescimento da economia. A única alternativa possível para que um país aumente os superávits comerciais sem provocar uma redução na formação bruta de capital fixo é o governo cortar seus gastos, hipótese muito distante da realidade brasileira, que tem se caracterizado por vigorosos aumentos nos gastos do atual governo.
O segundo fato que não pode ser ignorado é que o aumento das importações abre um espaço maior para a queda da taxa real de juros, e com isso produz um segundo estímulo à formação bruta de capital fixo e ao crescimento da economia. A razão é simples: se tudo o mais permanecesse constante, o aumento das importações líquidas contrairia a demanda agregada, mas o Banco Central reage a isto baixando a taxa real de juros.
Taxa de juros é meio; crescimento é fim. Aqui, os autores admitem que (”tudo o mais permanecendo constante”), o aumento das importações líquidas “contrairia a demanda agregada”, isto é, reduziria o crescimento. Reduzindo o nível de atividade, o BC pode reduzir os juros para trazer a atividade ao nível anterior. Nem entram na conta as empresas que forem fechadas nesse movimento, os empregos perdidos, a receita tributária que virou fumaça. É como se fechamento de empresas, redução da produção doméstica não tivessem impacto nenhum sobre o PIB.
Este fato pode ser facilmente reconhecido por quem utilizar um mínimo de intuição econômica, mas passa despercebido por quem ficar apenas com a aritmética dos fluxos da demanda agregada.
Mais uma vez recorre a um dos argumentos preferidos da retórica econômica: na hora de avaliar a relação custo/benefício, dê destaque aos pontos de benefício. Importar sempre é bom porque aumenta o investimento; importar sempre é bom porque permite reduzir os juros. Os adversários que tratem de levantar os pontos de custo, como destruição de empresas e emprego provocando queda na atividade econômica.
O terceiro é que o Brasil ainda tem um grau muito elevado de protecionismo.
É de cabo-de-esquadra. Há dois custos diretos na importação: as tarifas propriamente ditas e o câmbio. Suponha um produto que custe 100 dólares com imposto de importação de 20% e dólar a R$ 2,50. Quando o dólar cai para R$ 2,08, o efeito no preço equivale à eliminação total do imposto de importação. Onde está o “elevado grau de protecionismo”?
Diante disso, o país ganharia se as importações fossem estimuladas através de uma baixa adicional das barreiras tarifárias e não tarifárias. Se alguém equivocadamente medir o grau médio de proteção tarifária no Brasil simplesmente dividindo a arrecadação de impostos sobre as importações pelo valor das importações, ficará com a falsa impressão de que o grau de proteção é baixo. Mas esse é um argumento falacioso pois ignora que existem barreiras não tarifárias tão ou mais eficazes do que as próprias tarifas, e que em muitos casos, as tarifas são suficientemente elevadas para simplesmente impedir as importações.
Nada sobre o efeito câmbio que praticamente significou zerar grande parte das tarifas.
Ou seja, são importados os produtos que não sofrem (ou sofrem menos) as conseqüências das barreiras não tarifárias, ou somente os que têm as tarifas mais baixas, produzindo uma tendenciosidade naquela medida do grau médio de proteção.
O professor poderia ser mais específico sobre qual o produto que está tendo a importação dificultada.
A redução de tarifas abriria um espaço adicional para a redução da taxa real de juros, e deveria preferencialmente (mas não exclusivamente) atingir bens de capital e matérias-primas, baixando o custo do capital. A segunda grande vantagem da queda das barreiras seria reduzir um pouco a tendência à valorização do real. Embora no Brasil seja freqüente atribuir-se a valorização cambial apenas às taxas domésticas de juros elevadas, é preciso lembrar que independentemente das taxas de juros, os superávits nas contas correntes contribuem para a valorização do câmbio real. Mesmo reconhecendo o peso que as taxas de juros elevadas têm nesta trajetória de valorização, é preciso também reconhecer que os superávits nas contas correntes valorizam o câmbio real, e que importações mais elevadas contribuem para a redução da taxa de juros e para reduzir a valorização. Longe de reduzir a atividade econômica, o aumento das importações ajuda a expandi-la.
Parafraseando o professor: “Nas discussões sobre os problemas da economia brasileira freqüentemente nos deparamos com afirmações sem nenhum respeito às evidências empíricas”. Ele próprio admite lá em cima que o aumento das importações reduz a demanda agregada. Qual o fator novo? A possibilidade de reduzir os juros, compensando a queda anterior. Nada sobre o espaço para reduzir os juros, independentemente dessa contrapartida. Quem tem um mínimo de intuição econômica saberia o desastre que essa dupla combinação, de câmbio apreciado e desoneração das importações acarretaria, mesmo com juros caindo. Mas resolve-se isso valorizando o argumento de benefício genericamente, sem confrontá-lo com o custo, já que tudo é genérico.
Das caminhadas ouvindo música, três recomendações, que abordarei com mais tempo em outra oportunidade:
1) Ouvi muitas gravações de composições de Scott Jopplin, o pai do ragtime. É uma delícia. Mas não se equipara ao nosso Ernesto Nazareth, seu contemporâneo. Seu repertório de sons, de passagens, de sincopados não chega ao que produziu Nazareth. Até encosta, mas não chega. Sem contar as valsas, que Jopplin não compunha. Mas em Jopplin fica muito mais clara a influência do dobrado sobre o ragtime e, depois, o dixieland.
2) Sabe aquela sensação de seda se abrindo no palco e se estendendo por toda a platéia que a gente sente quando ouve Martha Argerich? Pois a sensação é a mesma ouvindo Guiomar Novaes. Só o Brasil para que a lembrança de uma pianista como a Guiomar Novaes ficar restrita à sua cidade natal, São João da Boa Vista.
3) Ouvi o Agostinho do Santos cantando Tom Jobim e Fernando César, na fase samba-canção de ambos. Em breve vou tentar escrever sobre Agostinho, um senhor cantor, uma das estrelas do concerto da bossa nova no Carnegie Hall, e que faleceu no acidente da Varig em Paris no início dos anos 70. E sobre Fernando César, um grande compositor de samba canção, hoje praticamente desconhecido. Sobre Jobim, nem precisa. Apenas para constatar que sua produção samba-canção é, talvez, mais rica do que a produção do período da bossa-nova — para aqueles que ainda teimam em separar os dos gêneros.
Quando articulou a renúncia, Jânio Quadros pretendia ganhar poderes semelhantes aos de Mendès-France na França. A idéia era uma delegação de poderes, que permitiria aprovar um conjunto de medidas sem necessariamente passar pelo Congresso. Obviamente o presidente teria que se ater aos limites aprovados previamente pelo Congresso.
Esse tema é bem interessante, e muitas vezes sujeito a incompreensões. A democracia é o pior dos sistemas, excetuando todos os demais, mas procedimentos e rituais são lentos, e muitas vezes acabam emperrados na difícil busca do consenso ou da maioria. É o que Lula declarou no famoso jantar com empresários, e que acabou interpretado como desejo secreto de ser um ditador.
A delegação de poderes é um instrumento válido, desde que restrito e desde que o presidente tenha idéias claras sobre como proceder. É o que o Congresso dos EUA confere a seu presidente, algumas vezes, para acelerar acordos comerciais, por exemplo.
Quando Jânio tentou recorrer a esse expediente (esse capítulo consta da biografia que estou escrevendo), a renúncia seria apenas um álibi para criar um fato político que colocasse as massas nas ruas, e o fizesse voltar nos braços do povo, arrancando do Congresso esse poder.
Seria um desastre, mesmo porque, de acordo com relatos de pessoas muito próximas a ele, nos últimos meses de seu governo ele já estava em pleno processo de piração.
O instituto da lei delegada, em todo caso, foi utilizado algumas vezes, inclusive por Jango. Consultando meus arquivos, dei de cara com uma proposta de Jorge Bornhausen, quando assessor de Fernando Collor, de trocar a renúncia por projetos de modernização que seriam aprovados pelo Congresso, conferindo poderes de lei delegada a Collor.
Em um dos momentos de impasse do governo FHC, sugeri que houvesse algo semelhante para acelerar as reformas e tirar o governo e o país de um impasse que ameaçava levar para uma crise brutal. Fui acusado de estar planejando um golpe de estado, pelo moderadíssimo pensador político Valtinho Pomar.
Não estou propondo nada agora – aviso. Mesmo porque o governo Lula não dispõe de projetos claros que necessitem de delegação. Estou propondo apenas aos nossos historiadores que tragam mais subsídios ao tema.
Vale a pena uma leitura nos dois depoimentos de Casemiro Ribeiro ao CPDOC. Casemiro fez parte da “turma da Sumoc”, os monetaristas do início dos anos 50 que , na década seguinte, assessoraram o Dr. Bulhões na criação do Banco Central. É um grupo que se organiza em torno de Bulhões, de Campos, mais à frente de Delfim.
É chocante a diferença em relação aos cabeções das últimas diretorias do Banco Central. Primeiro, pelo pragmatismo. Casemiro foi afastado do governo quando entrou Delfim, por pressão de Costa e Silva — cuja mulher, dona Iolanda, interferia em todos os atos do marido. Delfim assume uma postura francamente desenvolvimentista, em contraposição à ortodoxia rígida do período anterior. Quando os entrevistados tentam arrancar crítica à mudança de estilo, Casemiro é simples, direto e racional: antes, precisava organizar a economia; feito isso, era hora de crescer mesmo.
Ele ajudou a preparar as medidas monetárias do Plano Trienal, que Celso Furtado apresentou no final do governo Goulart. Sua opinião sobre Celso era que se tratava de uma pessoa racional, cuidadosa. O oposto dos monetaristas era Ignácio Rangel, o economista do BNDE não filiado a escolas econômicas, que tinha uma imaginação luxuriante. Casemiro elogia as idéias de Rangel, mesmo não tendo sido adotadas por Celso em função da desorganização da economia.
Mostra claramente os malefícios que a apreciação cambial trouxe ao país. E dá uma aula sobre as diferenças entre modelos teóricos e a arte de governar.
Principalmente, mostra a importância fundamental de uma elite esclarecida no âmbito do serviço público nacional, algo que foi mantido com os incentivos à formação de funcionários pela Petrobrás, BNDES, Banco Central e Banco do Brasil.
Na aba de ECONOMIA (clique aqui) um artigo do Yoshiaki Nakano com um dos temas fundamentais do modelo econômico atual: até que ponto é verdade ou mito a história de que se necessita de poupança externa para o investimento interno.
A TEORIA econômica convencional proclama que os capitais fluem dos países ricos, onde são abundantes, para os países pobres, onde são escassos e, portanto, mais bem remunerados. A restrição ao crescimento está do lado da oferta, e só a elevação da poupança total, recorrendo à poupança externa, poderia acelerar o crescimento.
Nós, “pobres latino-americanos”, tendemos a acreditar que, para acelerar o crescimento, precisamos atrair recursos externos, pois a poupança doméstica é escassa. Portanto países como o Brasil precisam se endividar para crescer. Nada mais longe da verdade.
Os dados empíricos contrariam essa crença e, há muito tempo, os economistas encontraram uma correlação quase perfeita entre taxa de investimento e poupança doméstica. É óbvio. Quem faz dívida tem de pagar. Portanto o país que recorre à poupança do exterior para consumir mais, em algum momento, terá de aumentar a poupança doméstica e consumir menos. E quem só pode se endividar em moeda estrangeira terá de pagar com moeda estrangeira. Daí a nossa história ser uma sucessão periódica de crises cambiais.
O único país que pode crescer indefinidamente expandindo o consumo -portanto poupando menos- é o país que emite moeda com valor de reserva internacional, tem um mercado financeiro desenvolvido e pode atuar como o banqueiro do mundo, pagando taxa de juros menor por seus passivos emitidos na sua moeda do que rendem seus ativos no exterior, em moeda estrangeira. Esse é o caso, há muitas décadas, dos Estados Unidos. Daí o espantoso déficit dos EUA em transações correntes, financiado, em grande parte, por superávits dos países emergentes, inclusive do Brasil. Ou seja, países pobres financiando o consumo e o investimento do mais rico do mundo!
Essa perversa e paradoxal situação tem uma lógica financeira da qual os países pobres, que queiram crescer sustentadamente e com estabilidade, não têm como escapar.
Países pobres, ao contrário dos desenvolvidos e ricos, têm mercado financeiro restrito e pouco profundo e, portanto, têm poder muito limitado de emitir ativos financeiros com aceitação no mercado. Quando emitem, pagam juros mais altos e emitem em moeda estrangeira, e as variações da taxa de câmbio podem trazer impactos negativos. Assim, os países pobres não têm o mesmo acesso às poupanças externas e, quando a elas recorrem, tornam-se muito vulneráveis a variações na taxa de juros internacional, de câmbio ou ainda à mudança na aversão ao risco dos investidores. Dessa forma, mesmo países com situação financeira externa e interna saudável podem, de uma hora para outra, sofrer forte restrição de liquidez internacional, tornando suas economias sujeitas a instabilidades e a crises.
E esse é exatamente o quadro global. Países emergentes que crescem rapidamente poupam mais, têm enormes superávits em transações correntes e financiam o déficit dos EUA, que têm taxa de poupança declinante e passivo externo líquido crescente. Esses emergentes, quando recorrem ao mercado financeiro internacional para contornar seu ineficiente e pouco desenvolvido mercado financeiro doméstico, constituem garantias em forma de reservas internacionais e, dessa forma, contornam as instabilidades e pagam taxas de juros baixas. O Brasil tem de aprender essa lição.
YOSHIAKI NAKANO , 62, diretor da Escola de Economia de São Paulo da FGV, foi secretário da Fazenda do Estado de São Paulo no governo Mario Covas (1995-2001).
Comentário
Um dos temas do meu próximo livro, “Os Cabeças de Planilha” é esse mito do crescimento com poupança externa.
O Vista tem avanços sobre o XP – o primeiro Windows estável que veio ao mundo. Mas consome muita memória e não conseguiu, ainda, resolver problemas de compatibilidade com alguns campeões de bilheteria.
No meu caso:
* com a Suite do Zone Alarm
* com o Hotsync do Palm
* com o gravador digital da Panasonic.
* com programas de e-mail da linha Atomic.
O sistema de busca continua séculos atrás do Google. Consigo encontrar mais rapidamente e-mail com o Google Desktop do que com o buscador do próprio Outlook.
De vez em quando dá um pau (até com o próprio Internet Explorer)que passa a ocupar em 100% o uso do HD.
Em compensação, houve melhoras no Windows Mwdia Player, que ficou mais leve e rápido. A organização dos comandos, dos sistemas e outros mais, finalmente ganhou organização de leigo. Antes, pareciam códigos de programação.
Tem um comando que parece muito interessante, embora ainda não tenha experimentado: o que permite agregar computadores que estão nas imediações, compartilhando arquivos em tempo real.
Direito e Economia são duas áreas em que é comum primeiro apresentar a tese a ser defendida; depois, desenvolver os argumentos.
A Filosofia caminha na mesma direção, depois que a filósofa Olgária Matos escreveu hoje na “Folha”, reinterpretando o artigo do Renato Janine Ribeiro, em que ele propõe a pena da tortura aos assassinos do menino João. Segundo ela, nem os que defenderam o artigo, nem os que o criticam, entenderam sua mensagem. Por sua regra, apenas os indiferentes entenderam.
Na verdade, o que mais deve ter incomodado foi o nível dos que passaram a tratar Janine por “companheiro”, comungando (perdão pela palavra sagrada) com seus princípios de defesa da tortura.
É de cabo-de-esquadra a manchete principal da “Folha” de hoje -”Benefícios Sociais afastam trabalhador do emprego formal” (clique aqui).
Segundo a reportagem de Fernando Canzian, “por medo de perder benefícios sociais pagos pelo governo, ou na esperança de conquistá-los, trabalhadores rurais no Nordeste estão se recusando a aceitar empregos com a carteira de trabalho assinada”.
Pronto, conseguiu as provas para confirmar as suspeitas do economista José Márcio Camargo, para quem esses pobres calculistas preferem ficar fora do INSS porque sabem que aos 65 anos de idade receberão automaticamente a aposentadoria rural.
Qual o emprego que estão recusando? Segundo o jornal, “são necessárias iniciativas como anúncios em rádio e em carros de som em feiras para arregimentar gente disposta a ter a “carteira assinada por três meses ou mais e ganhar, como base, um salário mínimo por mês“.
Ou seja, está-se falando de emprego temporário, de carteira assinada por três meses por ano. A partir daí, acusar a Bolsa Família de impedir a formalização do emprego é um exagero inversamente proporcional aos “privilégios” recusados pelos trabalhadores.
Estou experimentando o programa Limewire, de downloads. É bem mais leve e funcional que o Emule. Tem a vantagem dos arquivos baixados irem automaticamente para a biblioteca do iTunes.
Cuidado apenas com arquivos que peçam algum complemento adicional para o tocador. Não fossem as ferramentas adicionais de segurança do novo Windows, eu teria caído no conto e baixado um virus.
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.