23/01/2007 - 23:29
Um dos personagens mais constantes de minha infância tinha nome de gente, mas era banda: a “Banda Municipal Maestro Azevedo”, de Poços de Caldas, que tocava e ainda toca todo domingo de manhã no coreto do jardim do Pálace.
Algumas vezes, adolescente, eu ficava planejando com Wilson Danza, meu colega de pífaros na fanfarra dos Marista, o que iríamos fazer depois de aposentados. Voltaríamos para Poços e comporíamos dobrados para a banda. Wilson morreu cedo, em 1974, de morte besta quando cursava medicina em Belo Horizonte. Nos vinte anos de sua morte foi homenageado pela faculdade e, só então, soube que ele tinha deixado vários dobrados compostos, que nem sei se foram incorporados ou não ao repertório da nossa “furiosa”.
O Brasil tem uma legado rico de dobrados e marchas militares. Anos atrás a coleção “Revivendo” reeditou alguns desses clássicos. Mas a história dessa música ficou restrita às corporações de bombeiros e das Forças Armadas, ou às bandinhas municipais. E, no entanto, muitas delas têm o vigor das composições clássicas do luso-americano John Phillip de Souza, o mais conhecido dos autores de dobrados do mundo.
Outro dia mencionei aqui a banda e recebi uma carta de Joaquim Edmar Azevedo Zagatti, neto do maestro Joaquim Lourenço de Azevedo Filho, o “maestro Azevedo”, com vários recortes de jornais da região sobre sua morte, em 1952. Por elas, fico sabendo que o maestro foi autor de uma canção de ninar fulminante -”Dorme, dorme filhinho / meu anjunho inocente / dorme, queridinho / que a mamãe fica contente”. Havia uma segunda parte tristíssima: “O mundo é mesmo triste / eu bem sei, posso afirmar / Ainda há quem resiste / dores de não suportar”.
Lembrei-me de imediato dos meus 5 anos, resistindo ao sono, minha vó Martina me pegando no colo e cantando essa canção. Eu só balbuciava “essa não, vó, que eu durmo”, e cataplum! -dormia na hora.
Maestro Azevedo era de Santo Antônio do Pinhal, vizinha de Poços. Nasceu em 1872, filho de um comerciante português. Aos 16 anos entrou para o exército e teria feito carreira, não tivesse aderido à revolta federalista e monarquista do primeiro tenente Isidoro Dias Lopes, em 1893. Os federalistas foram esmagados pelos florianistas, o maestro Azevedo ficou alguns meses prisioneiros da fortaleza de Santa Cruz, no Rio, e desistiu da carreira. No curto período em que permaneceu no Exército, o maestro dirigiu a famosa Banda do Corpo de Bombeiros do Rio, substituindo o maestro Anacleto Freire.
Deixou um repertório apreciável de composições, incluindo polcas, tangos, e uma opereta – a “Sabiá do Sertão”espalhada por todo o estado pela Companhia Sebastião Arruda. A canção de ninar de minha avó fazia parte dessa opereta.
Mas o forte eram mesmo as marchas e dobrados. Em 1920 compôs a marcha “Rei Soldado” , em homenagem ao rei Alberto Primeiro, da Bélgica, que visitava o Brasil.
O maestro também venceu concursos na Espanha, na Grande Exposição de Sevilha, que prendeu a atenção do mundo inteiro. A delegação brasileira compareceu com composições da nata dos músicos eruditos brasileiros, de Carlos Gomes, Leopoldo Miguez, Alexandre Levy, Lorenzo Fernandes a Alberto Nepomuceno, entre outros. E com duas obras do maestro Azevedo, entre as quais o “Sabiá do Sertão” e o “Dobrado à moda paulista”. Foi o vencedor da competição.
Lá pelos anos 20, o maestro entrou em um concurso de piano no Rio de Janeiro, que provocou o maior rolo na época, pela desclassificação de inúmeros candidatos regionais. Seu Aguirre, meu ex-sogro, já tinha me contado essa história, mas eu não havia ligado ao maestro. Era voz corrente que o vencedor havia sido o maestro Azevedo. Mas o prêmio havia sido feito de encomenda para o pianista Arnaldo Estrela, o mais famoso da época. Daí a grande polêmica que se seguiu.
O maestro morou também muitos anos em Mogi Mirim, em São João da Boa Vista, Santos, e, finalmente, em Poços, onde se tornou regente oficial da Banda Municipal, funcionário do governo do estado, aposentando-se no posto.
Que tal as três cidades se reunirem, recuperarem a história, e juntarem as obras do maestro?
Autor: luisnassif - Categoria(s): Música
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23/01/2007 - 22:52
Recebendo as primeiras contribuições de dobrado. O Carlos Henrique enviou o clássico Dois Corações de Pedro Salgado.
Na aba de MINHAS MÚSICAS, uma crônica sobre um grande e desconhecido autor de dobrados, o Maestro Azevedo.
Para não lotar a home do Blog, levei o post para a aba MINHAS MÚSICAS. Lá dará para incluindo os demais dobrados que estou recebendo.
Atenção, colecionadores: o José de Almeida Bispo enviou um dobrado de Jorge Americano, pai do Luiz Americano, um dos nomes mais importantes do choro.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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23/01/2007 - 10:35
Na “Folha”, dois enfoques corretos sobre o PAC;
1. O de Jânio de Freitas identificando o calcanhar de Aquiles nos juros e câmbio. O investimento corre atrás do crescimento, e não o contrário. Se não houver perspectivas duradouras de crescimento -que poderão ser abortadas pela política monetária e cambial em vigorvai tudo por água abaixo.
2. A de Cláudia Trevisan, constatando que o PAC representa um corte nas políticas econômicas passivas, e retoma a tradição dos planos econômicos, mas em outra conjuntura, com o Estado sem condições de investir e tendo de estimular o setor privado. Apenas uma retificação na entrevista do professor Mário Holland, da Escola de Economia da FGV: o Plano de Metas não foi inflacionário. Havia uma definição precisa de projetos e recursos. O que inflacionou foi a meta não prevista no Plano, a famosa meta 21, de construção de Brasília. E o estado também não tinha a menor condição de investir. Ricardo Carneiro, da Unicamp, aponta o paradoxo de se manter as políticas ultra-ortodoxas do Banco Central.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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23/01/2007 - 10:26
A entrevista do sociólogo Leôncio Martins Rodrigues ao “Estadão” é típica de uma praga antiga da imprensa: a fonte em permanente disponibilidade, o pau para toda obra. Se não souber sobre o assunto, se não deu tempo de estudar, sem problema: apele para exemplos históricos e analogia, e tudo será resolvido.
Perguntado sobre o PAC, Leôncio vislumbra intenções de criar condições para o terceiro mandato do Lula. Razões? Veja só:
(…) Pode-se, pelo menos, apontar algumas áreas onde o PAC pode dar a Lula bons dividendos políticos?
A única coisa garantida é o conjunto de medidas que beneficiam diretamente os pobres. Não só porque é uma meta mais simples, que ele pode estimular diretamente, mas porque, creio eu, está no âmago de sua estratégia futura.
Não há nenhuma medida que beneficie diretamente os pobres. Se implementadas, terão relevância os incentivos ao saneamento e habitação popular. Mas, nesses casos, o governo federal é apenas o fornecedor de recursos. Os dividendos políticos sempre são de quem executa a obra, no caso,m os estados. Está óbvio, na resposta, que Leôncio não teve tempo de ler o PAC. Se não leu, porque essa ansiedade em dar a entrevista?
Que estratégia é essa?
A que, no decorrer do governo, crie e mantenha condições para que o presidente, no devido tempo, comece a trabalhar por um terceiro mandato. As propostas voltadas para o lado social, que mantenham simpatia e apoio entre os mais pobres, têm mais probabilidades.
Por esse princípio “científico”, todo governante em último mandato não pode adotar nenhuma política destinada a melhorar o desempenho de seu governo.
Mas desta vez ele faz um grande barulho, para um projeto que se estende por vários anos.
Ainda assim, politicamente ele vai depender de quanto o plano vai funcionar, de quanto isso vai significar em benefícios visíveis e diretos. Quero lembrar que, no início do primeiro mandato, eu fui dos primeiros a dizer que todo aquele discurso presidencial era só teatro. E o que vimos depois? Que não havia estratégia nem planos coordenando diferentes áreas, que o País não cresceu. Foram quatro anos de teatro. Não estou dizendo que vai ser igual, mas que no mandato anterior foi assim e não será surpresa se tal processo se repetir.
Aqui ele diz que, se no primeiro governo não havia estratégia nem planos coordenando diferentes áreas, logo não será surpresa se tal processo se repetir.
Então, em sua opinião, o PAC é uma estratégia destinada a garantir o continuísmo?
(…) me parece lógico que o presidente esteja preocupado – ele nunca dirá isso em público – com a inoperância dos primeiros quatro anos. Ele é esperto, um grande comunicador e tem um instinto de sobrevivência notável. Sabe que precisa apresentar alguma coisa. Aqueles mapas, com números e linhas, o tom seguro da ministra Dilma, tudo aquilo dá uma aparência séria e passa uma idéia de profissionalismo dos governantes.
Aqui diz que os planos apresentados passam idéia de profissionalismo. Assim como quando critica o plano, o elogio aqui é meramente em cima do show dos gráficos que viu sem analisar.
Isso já é um impacto político bom para o Planalto.
Sim, o plano começa com impacto. Mas, resumindo minha impressão, vamos esperar pelo menos uns dois anos e ver o que vai acontecer. O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), anunciado com alarde no início de 2003, também parecia uma coisa instigante, promissora, e não deu em nada.
O início da mudança de linha do governo Lula se deu através do CDES que em praticamente toda reunião questionava a política econômica de Palocci e alertava para as questões do investimento e da política econômica pró-ativa. Foi no CDES que nasceu o crédito consignado, um dos pontos fortes do governo Lula.
O PT sabe que não tem candidato presidencial para 2010. O plano ajudaria Lula a ser um grande eleitor nas eleições de 2010?
(…) Não é fácil acreditar que, dispondo de uma aprovação, digamos, de 60% ou 65% no seu último ano, e tendo uma quantidade tão grande de subordinados na máquina petista e aliada, gente que não quer perder o conforto do poder, ele mande parar as campanhas em favor de sua permanência. E ainda o discurso de movimentos populares e sindicais, de que se ele sair o neoliberalismo volta e estraga todo o progresso obtido… Volto a dizer: não estou prevendo que isso acontecerá. Estou advertindo para que os analistas e os eleitores pensem nisso com seriedade. Um político competente nunca mostra as cartas que tem na manga.
Mas para isso seria preciso mudar a Constituição.
(…) Sim, e havendo condições e votos no Congresso, por que ele não o faria? (…) A história está cheia de golpes dentro da lei, mesmo em regimes parlamentares. Não apenas os casos célebres, como os de Hitler ou Mussolini, que montaram suas ditaduras depois de chegar legalmente ao poder.
Mais uma descoberta “científica” do professor. Hitler e Mussolini recuperaram as finanças de seus países, chegaram populares ao final do mandato e se tornaram ditadores. Logo, todo presidente que recuperar as finanças e chegar popular ao final do mandato, será comparável a Hitler e Mussolini. Se é assim, também quero ser sociólogo, porque é facinho.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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23/01/2007 - 07:00
O FGTS tem R$ 21 bilhões de patrimônio líquido (isto é, a mais do que os créditos dos seus depositantes). Desse total, cerca de R$ 5 bi serão destinados a um fundo de infra-estrutura a ser administrado pela Caixa Econômica Federal. O Conselho Gestor opinará sobre os projetos a serem apoiados. O risco final será do Tesouro, que tem a obrigação de cobrir eventuais rombos do FGTS. Nada sairá a fundo perdido.
Os trabalhadores poderão utilizar até 10% de seu saldo em aplicações adicionais nesse fundo. Como o FGTS rende TR mais 3% ao ano, espera-se que, oferecendo mais que 12% ao ano, o novo Fundo consiga atrair parte dos depósitos voluntários do FGTS. Confia-se no exemplo das ações da Companhia Vale do Rio Doce e Petrobrás, que renderam bem mais que o FGTS. Tudo será aplicado nesse mesmo fundão.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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