O urbanista grego do Rio
Enviado por Arnaldo Carrilho
Meu caro Luis, de preciosa pena,
o Kostantin Doxíadis, notável arquiteto e urbanista, cuja indicação provocaria repulsas de profissionais patrícios, inclusive a do grande Dr Lucio (Costa), que, nesse caso, errou. Doxíiadis deixou seus planos na Guanabara, os quais, hoje, quero crer, se encontram na Prefeitura do Cesar Maia, talvez no Arquivo Municipal. Sei que a secretária-assitente do Secretário “das Culturas” é filha do arquiteto municipal que lidava com o Plano Doxíadis.
Tal como Le Corbusier em 1929, o grego propôs mudanças draconianas, sempre voltadas à ZS (Zona Sul) – é uma constante desde Pereira Passos: os melhores planos são para o Centro-ZS -, tais como acabar com as artérias de tráfego à beira-mar, pois de fato são aberrações. As Avenidas Atlântica e Vieira Souto seriam apenas “vias à beira-mar”, relativamente tranqüilas, como em todas as cidades litorâneas que se prezam. O grosso do tráfego passaria por debaixo da Visconde de Pirajá e N.S. de Copacabana, portanto subterraneamente, com inclusive parkings para automóveis de passageiros e cargas-descargas. Você chegaria à superfície por escadas-rolantes.
Tal como o Plano Agache de também fins dos anos 20, ficaram apenas “resíduos” do Plano Doxíadis, o primeiro com o ensaio de urbanização, pesadote sem dúvida, da Esplanada do Castelo; o segundo, pelos sucedâneos mal-construídos das Linhas Vermelha e Amarela, pois que o projeto previa vias com serviços. As de outras cores ninguém mais pensou em construir, pois havia a Verde, a Lilás, a Azul etc.
É o drama brasileiro da descontinuidade administrativa, como, ainda no Rio, o genocídio educacional praticado pelo Moreira Franco, acabando com os CIEPS do Brizola-Darcy-Niemeyer e anos depois, os centro-escolas do Collor, projetadas pelo Filgueiras Lima, o Lelé, também deixados ao léu. Falta-nos ainda muito raciocínio cívico, para que novos governos dêem continuidade ao que anterior(es) executava(m).
Somos os únicos que conheço que falamos de “políticas públicas” e as praticamos “impublicamente”.
Um melhor Ano Novo, para você e para esse nosso País, oxalá!
Outro abração do seu fiel admirador (por vezes discordo, mas você é imbatível em MPB; em audiovisual falha, às vezes, como quase todos os escritores patrícios)
Arnaldo C.
de Jerusalém-Ramállah-Ghazaa (TPOs: Territórios Palestinos Ocupados por Israel)
P.S.: ainda sobre arquitetura, não deixe de mencionar o Olavo Redig de Campos, autor da mansão da Gávea, ensaio racionalista-italianizante, com quem trabalhei no MRE. Tenho dados bons sobre ele, arquiteto esquecido pelos “oitenteiros”.
Enviado por: Dante Caleffi
Plano Agache, se adotado fosse,teria poupado o Rio, de seu maior flagelo.
Previa, o urbanista usar a topografia da cidade,os seus morros,como vias de ligação entre os bairros, economizando os investimentos nos túneis, que se multiplicariam com os anos.Temos hoje uma pequena amostra do que seria esse projeto.
A estrada da Floresta da Tijuca,que liga o Alto da Boa Vista à Gloria,ou Santa Teresa,ou Lapa. Considere,agora, os morros todos que circundam a cidade. Seria um outro Rio…
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica Tags:

Algum dia se fará um apanhado geral dos projetos urbanísticos que foram produzidos para algumas cidades desta santa terrinha.
Com ênfase nos conceitos, condições ambientais, tecnologias e materiais disponiveis, expansões previsíveis e possíveis e futuros admissíveis. Assim, se verá que uma vez concebido o que se determinou tem que ser observado, se não o bicho pega e ficamos nessa incurável síndrome de apinhar disparates, loucuras e abjeções. Mesmo quando há um planejamento urbanistico razoável para ocupação de uma área a desgraça descamba para os projetos arquitetônicos e aí temos a histería das ereções obcenas. Junte-se aos disparates técnicos a corrupção, a sofreguidão a insensatez política e os torrenciais desatinos de infelicitação do viver metropolitano serão, como já o são, o clima permanente. A largura da rua determina a altura da edificação, condicionando o adensamento possível. O tamanho do terreno vinculado ao afastamento mínimo determinado para o que se pretenda edificar é a segunda imposição a altura da mesma. Para não fazer a rememoração de tudo para o que está determinado em lei deve-se acrescentar que as dimensões dos ambientes tem que se fazer respeitar levando em conta as dimensões físicas das pessoas. O êrro está nas concessões que são concedidas ao novo edificar em áreas que anteriormente o foram segundo disposições diversas vinculadas ao urbanismo original.
Caminhamos, portanto, para ter um viver razoavelmente aceitável apenas se nossa disposição for de estabelecermo-nos no mato e estarmos prontos a metralhar qualquer coisa que se aproxime e não zurre, relinche ou muja.
Plano Agache, se adotado fosse,teria poupado o Rio, de seu maior flagelo.
Previa, o urbanista usar a topografia da cidade,os seus morros,como vias de ligação entre os bairros, economizando os investimentos nos túneis, que se multiplicariam com os anos.Temos hoje uma pequena amostra do que seria esse projeto.
A estrada da Floresta da Tijuca,que liga o Alto da Boa Vista à Gloria,ou Santa Teresa,ou Lapa. Considere,agora, os morros todos que circundam a cidade.Seria um outro Rio…
É o caso, basta rolar algum dinheirinho que se engavetam coisas que poderiam, em muito melhorar a vida em nossa cidade. Não moro na Barra, não gosto do estilo pseudo-norte-americano de viver que lá impera, mas os moradores bem que poderiam ter um excelente aeroporto sem saírem de lá para engarrafarem o trânsito na Zona Sul. Era só respeitarem o traçado das pistas de saída do Aeroporto de Jacarepaguá, que seria um aeroporto com muito mais capacidade que o Santos Dumont, facilitando enormemente a vida dos morasdores da Barra que precisassem viajar a lazer ou a negócios. Estragaram tudo dando licença para a construção de condomínios que, à época, poderiam ter sido construídos em qualquer outra localidade da própria Barra sem inviabilizarem a expansão futura do aeroporto que já lá estava muito antes de se pensar em dividir a Baixada de Jacarepaguá em Barra, Recreio e Jacarepaguá de hoje.
Agora, vai descobrir quem deu a licença! Para beneficiar meia dúzia de empresários gananciosos se prejudicou a cidade
No Brasil, talvez o Rio de Janeiro seja a cidade mais estudada sob o prisma urbanístico, dispondo de boa bibliografia.
Sugiro aos interessados a leitura de “Evolução Urbana do Rio de Janeiro” de Mauricio de Almeida Abreu.
A biblioteca do Instituto Pereira Passos possui um excelente acervo, com obras que mostram a complexidade da questão urbana.
Os planos encomendados e/ou parcialmente executados refletem as condições políticas existentes.
Os planos Passos, Agache, Doxiadis e e o PUB-Rio são conservadores, com enfoque predominantemente estético e viário.
Questões difíceis e essenciais – como a moradia e a infra-estrutura necessária para as camadas menos privilegiadas – são postergadas constantemente.
Celso
Oi Nassif:
Biscoito fino !
( )s Paulo