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31/12/2006 - 09:18

O entrevistado do ano

Na entrevista na “Folha” de hoje à Mônica Bérgamo, o quase ex-governador Cláudio Lembo mostra, mais uma vez, porque mereceu o título de “o entrevistado do ano”. Bom senso, clareza, sinceridade, visão histórica.

Sobre o ataque do PCC

Os americanos conhecem o 11 de setembro [dia do ataque ao World Trade Center, em 2001], os espanhóis conhecem o 11 de março [ataque terrorista a trens, com 191 mortos, em 2004]. E nós conhecemos o 12 de maio [de 2006, dia inicial dos ataques do PCC]. Não podemos esquecer. E eu tenho sentido que a sociedade já jogou aquele episódio para debaixo do tapete. É um grande equívoco.

Sobre as penas alternativas

O Poder Judiciário precisaria começar a aplicar penas alternativas. São 140 mil presos, um número imenso, trágico. Nós estamos querendo adotar o modelo americano e não temos capacidade financeira para sustentá-lo. Isso cria um caos financeiro para o Estado. (…) Mas o Judiciário não tem cultura da pena alternativa. É a visão brasileira: prende, bate!

A minoria branca e a lei de Talião

Na crise do PCC, figuras da minoria branca queriam a lei de talião. Queriam que se matassem todos, para preservar a eles, da minoria branca. Isso foi o que me irritou mais.

A alienação da universidade

Esse é um grande defeito da nossa universidade. Ela fica estudando coisas absolutamente platônicas, românticas, estuda Antônio Conselheiro e não estuda a realidade social das grandes cidades brasileiras. Por que nenhum sociólogo foi entrevistar os presos para entender a origem e a motivação para o crime?

O governo Lula

Estou convicto hoje de que sem o Lula nós teríamos conflitos sociais muito violentos no Brasil. Ele nasceu na sociedade mais pobre, tem empatia e raiz social profunda. Está procurando afastar as grandes diferenças sociais e, assim, consolidando a democracia.

O dinheiro público e os lambuzados

O PT foi muito pouco cuidadoso com o dinheiro público, portou-se mal. Mas o Lula, pessoalmente, não. O PT trouxe para a política atores novos, o que é muito bom. (…) Agora, a representação popular tem um risco: quem nunca comeu melado, quando come se suja, né? A elite sempre se lambuzou, viveu das benesses do Estado. Mas eram mais “cuidadosos”. Agora chegou a vez de todos. Mas precisa pôr ordem nisso. É preciso ter ética, senão a sociedade fica muito frágil.

O vulcão

Direita eu nunca fui. Fui sempre um conservador. Mas não burro. Vejo o que está aí. Vivemos uma situação social próxima de um vulcão.

Sobre Lula e FHC

Suas entrevistas (de Fernando Henrique Cardoso) mostram um certo desamor ao Lula, e desamor e inveja são coisas comuns.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:

62 comentários para “O entrevistado do ano”

  1. Paula disse:

    Nassif, sua análise de Lembo é precária, mas o difícil é fazer se por falta de visão ou por desonestidade intelectual tendo em vista esconder segundas intenções. O pensamento de Lembo repisa, de maneira simplista, todos os clichês do senso-comum e você ainda aparece com termos como “clareza” e “bom senso” para se referir aos pensamentos dele. Minha dúvida é: será que vc faz isso por inocência mesmo?

  2. Luis Nassif disse:

    Não, Paula, por pretensão, que nem você.

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