Arquivo de dezembro, 2006
31/12/2006 - 16:07
Não adianta querer entender Cláudio Lembo a partir de uma ótica política. Os critérios de julgamento do professor Lembo são a partir de uma análise de costumes e de caráter. Como autêntico classe média que circulou por todos os andares, Lembo nunca abandonou suas raízes, tem desprezo pelos deslumbrados e admiração pelos que conservam as ligações com sua origem.
Submeta todas suas implicâncias e admirações a este critério, e se entenderá a sua lógica.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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31/12/2006 - 15:14
Enviado por: Paulo de Tarso Soares
(…) O movimento das demonstrações matemáticas não pertence ao conteúdo do objeto, é antes uma operação exterior à coisa, atinge um verdadeiro sem realidade efetiva. Não é demais insistir, a matemática não explica coisa alguma (insisto, explicar não é a mesma coisa que estabelecer e medir correlações).
PS – A íntegra do comentário está no post abaixo.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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31/12/2006 - 13:26
Na aba de CRÔNICAS, o leitor Arnaldo Carrilho manda informações preciosas sobre Kostantin Doxíadis, o urbanista grego contratado por Carlos Lacerda, que planejou uma nova urbanização para a cidade.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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31/12/2006 - 13:25
Enviado por Arnaldo Carrilho
Meu caro Luis, de preciosa pena,
o Kostantin Doxíadis, notável arquiteto e urbanista, cuja indicação provocaria repulsas de profissionais patrícios, inclusive a do grande Dr Lucio (Costa), que, nesse caso, errou. Doxíiadis deixou seus planos na Guanabara, os quais, hoje, quero crer, se encontram na Prefeitura do Cesar Maia, talvez no Arquivo Municipal. Sei que a secretária-assitente do Secretário “das Culturas” é filha do arquiteto municipal que lidava com o Plano Doxíadis.
Tal como Le Corbusier em 1929, o grego propôs mudanças draconianas, sempre voltadas à ZS (Zona Sul) – é uma constante desde Pereira Passos: os melhores planos são para o Centro-ZS -, tais como acabar com as artérias de tráfego à beira-mar, pois de fato são aberrações. As Avenidas Atlântica e Vieira Souto seriam apenas “vias à beira-mar”, relativamente tranqüilas, como em todas as cidades litorâneas que se prezam. O grosso do tráfego passaria por debaixo da Visconde de Pirajá e N.S. de Copacabana, portanto subterraneamente, com inclusive parkings para automóveis de passageiros e cargas-descargas. Você chegaria à superfície por escadas-rolantes.
Tal como o Plano Agache de também fins dos anos 20, ficaram apenas “resíduos” do Plano Doxíadis, o primeiro com o ensaio de urbanização, pesadote sem dúvida, da Esplanada do Castelo; o segundo, pelos sucedâneos mal-construídos das Linhas Vermelha e Amarela, pois que o projeto previa vias com serviços. As de outras cores ninguém mais pensou em construir, pois havia a Verde, a Lilás, a Azul etc.
É o drama brasileiro da descontinuidade administrativa, como, ainda no Rio, o genocídio educacional praticado pelo Moreira Franco, acabando com os CIEPS do Brizola-Darcy-Niemeyer e anos depois, os centro-escolas do Collor, projetadas pelo Filgueiras Lima, o Lelé, também deixados ao léu. Falta-nos ainda muito raciocínio cívico, para que novos governos dêem continuidade ao que anterior(es) executava(m).
Somos os únicos que conheço que falamos de “políticas públicas” e as praticamos “impublicamente”.
Um melhor Ano Novo, para você e para esse nosso País, oxalá!
Outro abração do seu fiel admirador (por vezes discordo, mas você é imbatível em MPB; em audiovisual falha, às vezes, como quase todos os escritores patrícios)
Arnaldo C.
de Jerusalém-Ramállah-Ghazaa (TPOs: Territórios Palestinos Ocupados por Israel)
P.S.: ainda sobre arquitetura, não deixe de mencionar o Olavo Redig de Campos, autor da mansão da Gávea, ensaio racionalista-italianizante, com quem trabalhei no MRE. Tenho dados bons sobre ele, arquiteto esquecido pelos “oitenteiros”.
Enviado por: Dante Caleffi
Plano Agache, se adotado fosse,teria poupado o Rio, de seu maior flagelo.
Previa, o urbanista usar a topografia da cidade,os seus morros,como vias de ligação entre os bairros, economizando os investimentos nos túneis, que se multiplicariam com os anos.Temos hoje uma pequena amostra do que seria esse projeto.
A estrada da Floresta da Tijuca,que liga o Alto da Boa Vista à Gloria,ou Santa Teresa,ou Lapa. Considere,agora, os morros todos que circundam a cidade. Seria um outro Rio…
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica
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31/12/2006 - 09:18
Na entrevista na “Folha” de hoje à Mônica Bérgamo, o quase ex-governador Cláudio Lembo mostra, mais uma vez, porque mereceu o título de “o entrevistado do ano”. Bom senso, clareza, sinceridade, visão histórica.
Sobre o ataque do PCC
Os americanos conhecem o 11 de setembro [dia do ataque ao World Trade Center, em 2001], os espanhóis conhecem o 11 de março [ataque terrorista a trens, com 191 mortos, em 2004]. E nós conhecemos o 12 de maio [de 2006, dia inicial dos ataques do PCC]. Não podemos esquecer. E eu tenho sentido que a sociedade já jogou aquele episódio para debaixo do tapete. É um grande equívoco.
Sobre as penas alternativas
O Poder Judiciário precisaria começar a aplicar penas alternativas. São 140 mil presos, um número imenso, trágico. Nós estamos querendo adotar o modelo americano e não temos capacidade financeira para sustentá-lo. Isso cria um caos financeiro para o Estado. (…) Mas o Judiciário não tem cultura da pena alternativa. É a visão brasileira: prende, bate!
A minoria branca e a lei de Talião
Na crise do PCC, figuras da minoria branca queriam a lei de talião. Queriam que se matassem todos, para preservar a eles, da minoria branca. Isso foi o que me irritou mais.
A alienação da universidade
Esse é um grande defeito da nossa universidade. Ela fica estudando coisas absolutamente platônicas, românticas, estuda Antônio Conselheiro e não estuda a realidade social das grandes cidades brasileiras. Por que nenhum sociólogo foi entrevistar os presos para entender a origem e a motivação para o crime?
O governo Lula
Estou convicto hoje de que sem o Lula nós teríamos conflitos sociais muito violentos no Brasil. Ele nasceu na sociedade mais pobre, tem empatia e raiz social profunda. Está procurando afastar as grandes diferenças sociais e, assim, consolidando a democracia.
O dinheiro público e os lambuzados
O PT foi muito pouco cuidadoso com o dinheiro público, portou-se mal. Mas o Lula, pessoalmente, não. O PT trouxe para a política atores novos, o que é muito bom. (…) Agora, a representação popular tem um risco: quem nunca comeu melado, quando come se suja, né? A elite sempre se lambuzou, viveu das benesses do Estado. Mas eram mais “cuidadosos”. Agora chegou a vez de todos. Mas precisa pôr ordem nisso. É preciso ter ética, senão a sociedade fica muito frágil.
O vulcão
Direita eu nunca fui. Fui sempre um conservador. Mas não burro. Vejo o que está aí. Vivemos uma situação social próxima de um vulcão.
Sobre Lula e FHC
Suas entrevistas (de Fernando Henrique Cardoso) mostram um certo desamor ao Lula, e desamor e inveja são coisas comuns.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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30/12/2006 - 23:26
Olha que preciosidade, inédita. Alzira Vargas, filha de Getúlio, com seu professor de tênis, Astolfo Delgado, no Country Club. Obtive a cópia com a filha de Delgado.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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30/12/2006 - 23:01
Na aba CRÔNICAS, cenas do “café society” carioca, em um período em que o Rio de Janeiro era uma das capitais do mundo.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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30/12/2006 - 23:00
No “Globo” da semana passada, ma edição de 50 anos atrás, a lista dos livros mais vendidos apresenta, em segundo lugar, “O Café Society”, do mineiro José Mauro Gonçalves.
A sociedade da época foi dividida em seis grupos por um cronista social interessante, que tinha como particularidade detestar a vida mudana, e cobrir a crônica com olhos de sociólogo – José Mauro Gonçalves, um mineiro de Barbacena, que trabalhou durante ano e meio como cronista, aposentou-se da função por enfado e por pressão, e lançou um livro na época, “O Café Society”, que chegou a vender 5 mil exemplares.
O primeiro grupo era dos “horse-ligne”, os pequenos círculos dos estabilizados, altas figuras dos meios sociais, políticos e econômicos, que perduram duas ou três gerações.
O segundo era o “café-society”, os colunáveis de hoje, composto de alguns filhos dos “horse-ligne”, ou candidatos a genros e noras, chegados a uma euforia permanente.
O terceiro grupo era dos “salon société”, linha paralela do “café-society”, grupo mais austero, com pretensões artísticas e filosóficas, físicas e metafísicas, com anseios e devaneios, menos ostensivos, descrevia o cronista.
O quarto grupo era dos “big shots”, o pessoal da livre iniciativa e larga visão, aceitos em todos os demais grupos, mais voltados para a ação, para a realização, com pouco tempo para os folguedos.
O quinto grupo era o da intelectualidade, escritores, pintores, escultores, jornalistas, alguns advogados, médicos, profissionais liberais, intimamente desejosos de servirem aos “horge-lignes” e integrarem o “café-society”.
O sexto e perigoso grupo era dos “interlopes”, cabotinos, aventureiros, arrivistas, chantagistas.
Os “horse-ligne” em geral se reuniam em pequenos grupos de 6 até no máximo 16 pessoas, em jantares hieráticos, com lugares marcados, garçons de casaca comandados por um “maitre d’hotel”. Seguiam a velha etiqueta britânica ou francesa, com grande preocupação sobre quem ficava à esquerda ou à direita de quem. Os jantares sempre eram servidos com bebidas importadas, com preponderância para a champagne, pelo cognac, armagnac, vinhos franceses, caviar e fois grãs. Os temas das conversas eram as altas finanças, economia, situação internacional. O cronista colocava nesse time E.G. Fontes (banqueiro), Raimundo Castro Maya, João Borges Filho e Eugênio Gudin. Incluía Raul Fernandes, tratado como “famoso internacionalista que se enriqueceu sobretudo com causas nacionais”, o embaixador Maurício Nabuco, o empresário têxtil Guilherme da Silveira (que havia sido presidente do Banco do Brasil), os três Guinle – Guilherme, Carlos e Otávio. Entre as mulheres, Celina Guinle de Paula Machado, viúva de Lineu de Paula Machado, que se tornou popular na presidência do Jockey Club.
Mantinham-se no comando do país, independentemente dos ventos políticos. Eram incluídos na lista, mas compondo também as do “big shot”, Jules Verelst, da Belgo Mineira, o jurista San Tiago Dantas, candidato a “horse ligne”, Gilberto Amado, Assis Chateaubriand e Paulo Bittencourt, do “Correio da Manhã”
Já o “café-society” carioca começou a ser moldado nos tempos do Cassino da Urca. Até sua criação, a sociedade carioca se restringia ao Cassino Copacabana, sem shows, em um ambiente austero. Joaquim Rolla, um mineiro de São Domingos do Prata, construiu o Cassino da Urca, e inaugurou a era dos grande shows. Com suas roletas, bacarás e campistas, fornecia a trilogia imbatível de dinheiro, bebida e mulheres, dizia o cronista. Depois que o jogo foi fechado, essa fauna se mudou para as boites que comandaram o Rio até os anos 60.
Sem a formalidade dos “horse-lignes”, o “café-society” gostava de cocktails, de jantares em mesinhas pequenas e separadas, para conversas rápidas e descontínuas. Seguiam todas as modas. Na cozinha, o “strogonoff”, trazido pelo histórico Barão Von Stukart. Bebiam bastante, preferindo o uísque à champagne. A moda da época era a dança e também sessões privadas de cinema.
Os “café-societys” mais proeminentes eram Álvaro Catão, Carlos Eduardo “Didu” de Sousa Campos, Vicente Galliez, Horácio Klabin, Otacílio Gualberto de Oliveira, João Saavedra. Jorge Guinle, Teodoro Eduardo Duvivier e Fernando Delamare. Misturavam-se de grandes industriais e incorporadores imobiliários, médicos, fazendeiros, banqueiros.
Havia uma leva enorme de aspirante a “café-society” Esse grupo festivo, descompromissado, passou a influenciar os hábitos de toda a sociedade. O cronista via na juventude aspirante “a ânsia do gozo ou do brilho publicitário”. Já havia o fenômeno de mães de filhas bonitas, caitituando para que virassem capas de revista, ou que fossem apresentadas ao “café-society”.
O “salon société” era formado pelos herdeiros das tradições dos cafés literários da França. Gostavam de se reunir quando a cidade recebia algum intelectual europeu ou americano, ou para comemorar aniversários, lançamentos de livros. As festinhas eram, em geral um soupé froid, um pouco de champagne, uísque, docinhos da Colombo, salgadinhos de cozinheiras particulares.
A figura maior do grupo era Osvaldo Teixeira, seguido de um tal “Viana dos perus” e “dona Georgina das flores”. Cultivavam as esculturas de Rodin, do brasileiro mestre Bernardelli, os poemas franceses de Aluisio de Castro, os discursos acadêmicos de Rodrigo Otávio Filho, e os artigos anônimos de João Neves da Fontoura. Ignoravam solenemente os modernistas.
O auge dos saraus eram os recitativos, cantos, execuções ao piano, muito raramente ao violão. Eram mencionadas a Senhorita Rosita Fonseca e Senhoras Olga Fráguer Coelho como “expoentes canoros”, cantando canções folclóricas com edntonação operística. Mas ainda brilhavam o diplomata Vasco Mariz, Gabriela Benzanoni Lage, e Maria de Sá Erp . E intelectuais mais conhecidos, como Celso Kelly, Pedro Calmon.
O colunista se permitia citar alguns valores reais nesse gruo, como Jorge Dória, Manuel Ferreira Guimarães, Austregésilo de AThayde, Geraldo Mascarenhas entre outros.
Vinham, depois, os “big shots” ou “tycoons”, conhecidos por seu poder econômico, pela liquidez de suas finanças e, alguns, também pelo charme. Em suas reuniões comparecem representantes de todos os grupos. Suas reuniões eram eslendorosas e o sabor estava na mistura de pessoas de todos os grupos.
Dois dos mais ilustres “big shots” eram o paulista José Carlos de Macedo Soares (que indicou Walther para a Diretoria de Crédito do Banco do Brasil) e Horácio Lafer, que tinha fundas divergências teóricas com Eugênio Gudin. Ainda mencionava o mineiro Tristão da Cunha, monetarista convicto daqueles que “lutam contra a inflação e pelo desaparecimento do dinheiro e almejam o retorno de uma sociedade de escambo”. Havia também o banqueiro José Maria Whitaker.
Entre os de prestígio eminentemente político, constavam Apolônio Sales, Israel Pinheiro, Francisco Negrão de Lima, senador Juracy Magalhães, senador Lourival Fontes, Ministro José Maria Alckmin.
Havia “big shots” de outros estados, como Othon Bezerra de Mello Filho, que, com seus irmãos Artur e Luis, dominava setores como hotelaria, tecidos, usinas de açúcar.
Nos setores de terraplanagem e rodoviarismo, imperavam os Cincinato Braga e Mário Tamborindeguy.
Na época, o empresário com melhores relações com os Estados Unidos era Valentim Bouças, ligado ao grupo Holleryth, que recebia polpudos royalties do serviço público. Bouças também tinha ligações com a Panair do Brasil, editoras, empresas de loteamento.
Outro “big shot”, genro de Valentim, era Oiama Pereira Teixeira., de Barbacena, filho do banqueiro José Pereira Teixeira, muito ligado ao grupo da Loteria Federal.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria era o baiano Augusto Viana, o de Minas era Lídio Lunardi, do Rio era Zulfo de Freitas Mallmann.
Os Klabin já se destacavam por sua produção de celulose no Paraná. São Paulo, Rio e Minas.
Havia também editores, como Leão Gondin de Oliveira, diretor de O Cruzeiro, e os Blochs, Adolfo, Boris, Arnaldo e Oscar., da Manchete.
O presidente da Panair era Argemiro Hungria, ligado à Murray e Simonsen, que detinha representações de automóveis, máquinas em geral, papéis suecos e finlandeses.
A.J. Peixoto de Castro era o líder do seu grupo, cuja origem estava na concessão da Loteria Federal. De lá investiram na Refinaria de Manguinhos, conseguiram quase o monopólio do fornecimento para o Distrito Federal. Do grupo faziam parte duas figuras influentes, Pedro Raggio e Batista Pereira.
Havia também Antonio Sánchez de Larragoitti Júnior, da Sul América.
Os Monteiro Aranha – sociedade dos Monteiro de Carvalho e do Olavo Egydio de Souza Aranbha -tinham ligação com capitais franceses, investimento em vidro, automóveis (Volkswagen).
Um dos grupos mais poderosos eram os Soares Sampaio, donos da Refinaria Capuava, a maior do país, além de fábricas de cimento, de pneus. O líder era Alberto. Mais os irmãos João, Álvaro e Bento. Ligados aos Soares Sampaio havui Nelson Batista e Aluisio Salles, também com ligações com o grupo Moreira Salles.
Os três nomes femininos de maior destaque desse grupo eram Niomar Muniz Sodré, Rosalina Coelho Lisboa de Larragoitti e Adalgisa Néri. Havia representantes de multinacionais, como Sigmund Weiss, da Mannesman. Três outros big shots eram Samuel Wainer, Baby Bocaiúca Cunha e João Etcheverry.
O cronista culminava sua relação com o grupo Moreira Salles. Mencionava seu Salles, que fundou o banco. Depois, Valter que ampliou as atividades para os setores industriais, agrícolas, dono de uma liquidez monetária imensa, “grandearte da qual em dólares em bancos norte-americanos”.
Eram pessoas ligadas ao grupo Eduardo Ramos (casado com uma filha de Antonio Prado Junior), diretor da Vidraria Santa Marina, Pedro de Perna, Aluisio Sales e Nelson Batista, além de San Tiago Dantas e outros “big shots” famosos.
Entravam, finalmente, os big shots da hotelaria, entre os quais os Guinle, Joaquim Rola, do Quintandinha, e Alberto Bianchi, dono de cassinos, inclusive em Poços, que associou-se ao Cassino Atlântico. Rola era considerado por Assis Chateaubriand um dos dez homens mais importantes do país.
Do grupo dos intelectuais faziam parte Manuel Bandeira, Ciro dos Anjos, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, João Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto, Vinicius de Moraes, Orígenes Lessa, os pintores Portinari, SantaRosa, Di Cavalcanti, os pintores, José Pancetti, Oscar Niemayer, Lúcio Costa. Entravam ainda os caricaturistas e humoristas Millor, Borjalo, Carlos Estevão
Os grandes anfitriões da cidade eram o casal Charles Bob Winans e Naná Dinah Winans, e sua casa no Largo do Boticário. Bob era de Boston, “horse-ligne” de lá, filho de diplomata e banqueiro, Capitaneou seu grupo na Bélgica. No Rio, foi o intermediário do empréstimo que permitiu ao prefeito Antonio Prado Jr, arrasar com o morro do Castelo.
Sua casa era ponto obrigatório para visitantes estrangeiros. A Grã Duquesa Maria, da Rússia, Lord Chancellor, da Inglaterra, o Secretário de Estado norte-americano Dean Acheson.
Hoje em dia, José Mauro vive em um apartamento do Flamengo, tendon a vizinhança vários sobreviventes desses tempos, ectoplasmas esquecidos de um tempo que já morreu.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica
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30/12/2006 - 18:28
Enviado por: Antonio Carlos A. Telles
Caro Nassif,
Mintzberg é um brilhante e polêmico professor do Insead que gosta de questionar conceitos de gestão tidos como consagrados. Desperta indignação e admiração. Numa pesquisa da Harvard Business Review ele apareceu em quinto lugar na lista dos “gurus que os gurus seguem”. Embora este termo guru esteja um tanto desgastado creio que Mintzberg é uma autoridade que merece ser ouvida.
Em 2002, ele assinou um artigo com mais dois professores (de Harvard e Oxford), publicado na Fast Company e na MIT Sloan Management Review, em que afirmava: “Nossa obsessão pelo sucesso e resultados levada ao extremo levou a glorificação da ganância. É hora dos executivos abraçarem um novo conjunto de verdades”. Na época o mundo acabava de assistir uma catástrofe empresarial histórica: a quebra abrupta da Enron e outros gigantes corporativos antes reverenciados por seus padrões de excelência, inovação e resultados.
Mintzberg também questiona a excessiva ênfase que se dá ao lado racional da Gestão. Para ele gestão tem um outro lado “não racional”, que não é sinônimo de “não inteligente”.
Mas, afinal, Gestão é Ciência ou Arte? Será que temos mesmo resposta segura para esta questão? Como Ciência Social a Administração é sobretudo Gestão de Pessoas, e as pessoas não tem comportamento tão previsível como as máquinas projetadas e operadas por engenheiros e técnicos. É necessário ter muita sensibilidade e intuição associada à razão para liderar pessoas com sucesso. O comandante Rolim era respeitado por ter essa sabedoria. Para gerir aviação num mercado marcado por crises o líder precisa mesmo dar “asas” a imaginação. Aliás, para Eisntein a imaginação era mais importante do que o conhecimento.
Embora pareça óbvio, nem sempre se tem consciência de que são as pessoas que fazem as coisas acontecerem, transformando idéias, estratégias e objetivos, em ações / resultados. Quem teve clara e profunda percepção disso foi Jan Carlzon. Ele foi presidente da Scandinavian Airlines, subsidiária do SAS Group, maior empresa aérea da Escandinávia e 15a do mundo, com 21 milhões de passageiros por ano. Em 1985, Carlzon escreveu um livro sobre gestão – A Hora da Verdade, que se transformou num clássico em Administração. Carlzon dirigiu a SAS durante 12 anos (1981-1993) e tirou a empresa da crise (no vermelho) praticando gestão centrada nas pessoas, que totalizavam 20.000.
Ele definiu um plano estratégico surpreendente. Poderia ser visto como “não racional” por alguns diante do desafio: sair do prejuízo de 20 milhões de dólares. Pois bem, ao invés de cortar despesas, ele propôs um plano de um investimento de 45 milhões de dólares e um aumento de 12 milhões de dólares anuais nas despesas de operação para 147 projetos, que incluíam o lançamento de uma ampla campanha de pontualidade, cursos de serviços para mais de 12.000 funcionários e a volta da azeitona aos martinis dos clientes.
Numa reunião realizada na Dinamarca, em 1981, a diretoria aprovou o plano por unanimidade. Carlzon afirma que “a mudança nas atitudes dos empregados foi um dos resultados mais significativos da nova estratégia da SAS. Ao declarar que teríamos lucro tornando-nos uma empresa aérea orientada para serviço, provocamos uma mudança radical em nossa cultura organizacional.”
Em agosto de 1983 a respeitada publicação Air Transport World escolheu a SAS como a Empresa Aérea do Ano. Carlzon avalia que o “resultado líquido não foi só o aumento de 80 milhões de dólares nos resultados do negócio, mas milhões de clientes satisfeitos e milhares de empregados motivados”. Para Carlzon o líder para ser bem sucedido, não poderá mais ser alguém que toma decisões de forma isolada e autocrática: deverá ser um visonário, um estrategista, um comunicador, um professor e alguém que inspira. Passaram-se 25 anos e hoje a SAS ainda é vista como uma história de sucesso em gestão. Mas nem sempre o que é considerado “boa gestão” é sinônimo de êxito.
Em 1982, dois consultores da Mckinsey e professores da Stanford Business School, fizeram ampla pesquisa sobre os princípios-chave que orientavam as Melhores Práticas de Gestão nos EUA e resumiram isso no livro Vencendo a Crise. O que aconteceu com as 43 empresas apontadas como “excelentes” nessa pesquisa? Cinco anos depois 50% delas enfrentava problemas, e 20 anos depois somente cinco delas se mantinham à tona.
É provável que fatos como este expliquem o crescente interesse científico em decifrar os mistérios da intuição, inclusive na gestão. Em entrevista concedida há dois anos, à revista Exame, Mintzberg fala sobre Estratégia e toca neste ponto.
Pergunta: “O que é estratégia?
HM: (…) A definição mais popular é um plano deliberado, trabalhado, calculado. Isso ignora outro lado da estratégia, que é o de um processo de aprendizado, de padrões que se desenvolvem a partir do comportamento das pessoas, em que elas mais ou menos aprendem o caminho. O processo tem os dois lados, mas a parte emergente tem sido ignorada.
Pergunta: Ou seja, o senhor frisa a importância da intuição. Como isso ajuda as empresas?
HM: Fazendo-as reconhecer que nem tudo é plano formal. Ajudo-as a construir processos em que elas capturam o aprendizado das pessoas. (…) Quando se reconhece que a estratégia emerge de dentro da organização, então se constrói outro tipo de empresa, para escutar as pessoas.”
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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30/12/2006 - 13:20
Porque aumentou a carga tributária após o Plano Real? A mudança das explicações, ao longo do tempo, mostra a inacreditável facilidade dos economistas mais ouvidos pela mídia, de alterar a versão dos fatos, a sua própria visão do processo impunemente. Não há um repórter que rebata com dados, com declarações anteriores, que chegue à fonte e lhe diga: “O senhor está desrespeitando meu jornal e meus leitores”.
Alguns exemplos:
Maílson da Nóbrega, na “Folha” de hoje
Para o ex-ministro (Maílson da Nóbrega), o grande problema são os benefícios sociais criados pela Constituição. Ele diz que a evolução da carga tributária sob Lula seguiu um padrão conhecido desde o Plano Real, de julho de 1994.
No primeiro mandato de FHC, a carga fiscal subiu para atender basicamente ao aumento de gastos resultante da implementação final dos benefícios sociais criados pela Constituição de 1988.
Maílson da Nóbrega, artigo de 22/09/95
(…) Diz-se que ela (a dívida pública) estaria explodindo. O combustível seriam os juros altos (que aumentam o endividamento) e a correspondente atração de capitais externos (que aumenta as reservas internacionais e a dívida interna). Não há dúvida quanto ao efeito dos juros atuais sobre a dívida pública. Mas foi a única alternativa, de caráter temporário, para quebrar um perigoso “boom” de consumo (…).
Na realidade, a dívida pública líquida do setor público diminuiu. É o que mostra o recente estudo de Fabio Giambiagi (”Evolução e Custo da Dívida Líquida do Setor Público: 1981-1995″, mimeo.).
Depois de atingir o máximo de 53,3% do PIB em 1984, a dívida caiu para 38,9%, em 1989, e de novo para 24,3%, em 1994. Teria caído mais se a dívida dos Estados e municípios não tivesse aumentado (de 5,8% para 9,2% do PIB, entre 89 e 94).
Causas básicas: 1) corrosão do valor real dos estoques, via correção monetária inferior à inflação e mudanças na paridade cambial; 2) redução substancial das necessidades anuais de financiamento do setor público; 3) crescimento do PIB em ritmo superior ao da divida.
O que determina a expansão da dívida (estoque) são as necessidades de financiamento (fluxo). De 90 a 94, estas atingiram somente 0,4% do PIB (5,2% de 81 a 93). Além disso, os juros altos influenciam basicamente a dívida mobiliária, que representa pouco mais de 50% do endividamento total.
(…) Não há, pois, razão para alarme, a menos que os juros atuais sejam mantidos por anos, o que não é plausível. Tudo indica que o ritmo de crescimento da dívida pública será nulo nos próximos anos.
Observação: cadê o tal impacto da Constituição de 1988?
Fábio Giambiagi, em artigo de 1995 na “Folha”
(…) A tese de que “o Banco Central é obrigado a praticar juros elevados porque o MPO deixou as contas fiscais escaparem ao controle” lembra a crença das crianças em Papai Noel.
(…) Do déficit de 4,4% do PIB, 2,7% do PIB são de Estados e municípios, e 0,9% do PIB são das empresas estatais, sendo os restantes 0,8% do governo central.
(…) “Mas, então, o que foi que piorou as contas do governo central?”. Resposta: as despesas com juros, com as transferências constitucionais a Estados e municípios, com benefícios previdenciários e com pessoal, que tiveram aumentos reais de 49%, 43%, 32% e 30%, respectivamente.
(…) Note-se que: (i) a despesa de juros aumentou em função dos problemas de balanço de pagamentos e do desejo do governo de reduzir a velocidade de crescimento da economia; (ii) as transferências são determinação constitucional; (iii) os benefícios cresceram devido ao aumento do salário mínimo e à decisão política de estendê-lo a todos os benefícios previdenciários; e (iv) o gasto com pessoal subiu pela combinação de aumentos concedidos em 1994, do reajuste de janeiro definido nas regras de criação do Plano Real, da queda da inflação e do crescimento vegetativo associado à incorporação de novas vantagens definidas em lei. Todos esses, enfim, fenômenos alheios à responsabilidade estrita do MPO.
Observação minha: nenhuma questão diretamente relacionada com a Constituição de 1988. Como as transferências constitucionais são um percentual da receita tributária, se aumentaram as transferências, é sinal de que aumentaram as receitas.
Edmar Bacha, artigo de fevereiro de 1997,
Um terceiro impacto da política de juros elevados foi sobre o déficit público. (…) No conceito operacional, o resultado consolidado do setor público passa de um superávit de 1,34 % do PIB em 1994 para um déficit de 4,99% do PIB em 1995, uma piora de 6,33 pontos percentuais do PIB. Três quartos dessa deterioração se deveram ao impacto dos aumentos de salários e aposentadorias antes mencionados sobre o resultado primário, que passa de superávit de 5,16%, em 1994, para apenas 0,37% do PIB, em 1995. Mas é também significativo o impacto da conta de juros, que aumenta de 3,82% para 5,36% do PIB entre 1994 e 1995.
De uma coluna minha na “Folha” de 14/06/2002
Maílson diz que “é muito provável que (…) venha a se juntar um outro factóide, qual seja o construído por analistas para os quais a culpa da grave situação fiscal brasileira caberia à política cambial do primeiro mandato de FHC. A causa teriam sido os juros, cujo nível se explicaria apenas pela necessidade de atrair capitais externos”.
“Informações recentes do Tesouro desmistificam o primeiro factóide. A dívida pública mobiliária federal passou de R$ 61 bilhões, em 30/6/1994, para R$ 624 bilhões, em 31/12/2001. (…) Acontece que R$ 298 bilhões são explicados pela federalização das dívidas dos Estados e municípios, e R$ 128 bilhões, pelos “esqueletos”, que incluem R$ 40 bilhões de reestruturação de bancos federais. Os “esqueletos” superaram a receita das privatizações (R$ 59 bilhões). Sem esses fatores, a dívida seria de R$ 198 bilhões.”
Uma mera passada de olhos nos números exibidos, alguma sensibilidade financeira e noção de proporção permitiriam indagar se nos números de “esqueletos” incorporados pela União foram considerados ou não os juros que incidiram antes da sua federalização.
Foi o que fiz sem conhecer o trabalho da STN, baseado no exemplo do maior “esqueleto” incorporado pela União: o do Estado de São Paulo. Em 30 de março de 1996 a dívida paulista era de R$ 93,7 bilhões. Quando foi concluído o acordo, em maio de 1997, saltara para R$ 157,5 bilhões, exclusivamente por conta dos juros. Se se aplicasse o mesmo percentual no período anterior, de 1995 até a data do acordo, em 1996, a dívida original não passaria de R$ 55 bilhões. O que supus? Em vez de considerar que R$ 102,5 bilhões se deveram aos juros pagos pela dívida (influenciados pela política monetária do BC), provavelmente o trabalho lançou integralmente os R$ 157,5 bilhões na conta de “esqueletos”, sendo que 75% eram apropriação de juros.
(…) A resposta de Mailson (…): “Indiquei duas fontes: um artigo de um de nossos melhores especialistas em finanças públicas, o economista Fabio Giambiagi e um documento oficial do Tesouro Nacional. Ambos desmentem, como afirmei, os factóides. A menos que deseje também desmoralizar essas fontes, é o sr. Nassif quem tem de se adaptar, estudando melhor os temas sobre os quais escreve”.
Ontem consegui obter o tal trabalho da STN mencionado por Mailson. Os R$ 298 bilhões, da rubrica “refinanciamento de Estados e municípios”, se referem não apenas aos valores que foram refinanciados (e fortemente engordados pelos juros de 1995 e 1996) como aos juros de mercado posteriores, que foram rolados até dezembro de 2001.
No Tesouro, o coordenador-geral das Operações Financeiras e Leilões, Paulo Valle, admite que “a gente mesmo reconhece essa crítica, a de que não se considerou o impacto dos juros sobre os “esqueletos”. Diz mais: que no valor final de R$ 298 bilhões estão incluídos os juros de mercado pagos pelos títulos da dívida mobiliária incluídos na federalização.
Assim é Mailson.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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29/12/2006 - 10:46
Enviado por: Caiçara
Maravilha este tema Nassif!!
A nossa socialite chinfrin é francesa por natureza. Como diz o pessoal do morro, “comédia”. O burro burguês e seus dourados vive dando espetáculo de mau gosto, no vestir, no falar e, principalmente, quando é interpelado num American pub sobre seus conceitos diante dos problemas sociais. Geralmente anda em bando, dois figurões bem-sucedidos, meio bicheiro, meio empresário, acompanhados a braços laçados com suas ilustres patroas, fazem a festa nas mesas redondas para os seus puxa-sacos.
Em geral são muito grosseiros, não servem como parâmetro para nada. Já estão classificados, por uma parte da sociedade com um mínimo de critica, como caricatos.
Tem também a segunda categoria: dos chics emprobrecidos. Este tipo é facilmente encontrado circulando em livrarias e cafés, desculpe, “bistrôs”, entre o centro da cidade do Rio de Janeiro e o Leblon. Frequenta até roda de choro. Sua principal especialidade é frequentar a Lapa e passar então a discutir o, classificado por eles, “samba de raiz”. O que é, na prática, samba de raiz? É uma espécie de samba extraído da raiz do pé de chuchu, uma coisa sem gosto que se distancia e muito da naturalidade do samba que nasce do coração, como dizia Noel. É um samba discutido que bate à porta ou aos ouvidos só dos chics, disso o Rio está cheio. Já viu né, como diz o ditado, este chuchu no Rio dá mais que na serra.
Este sujeito pós-Brasília se sentiu abandonado, mas guarda com ele os requintes de outrora. Sonha com o estado da Guanabara e repudia, principalmente, o morador da Barra. É daí que sai o termo “emergente”. Na cabeça desse cara chic empobrecido, filho ou neto de algum bem-aventurado, o morador da Barra é um açougueiro grosso, sem cultura, que gosta de pagode de praia e sonha em ser amigo de algum jogador famoso, mesmo não estando mais em cena. Geralmente mora na Barra.
A coisa não para por aí. Por mais fragmentado que tudo isso pareça, o grosseirão emergente sonha com Miami. E o chic falido que anda pelas bandas de Laranjeiras, Flamengo e Ipanema, sonha com Paris, inda mais quando vê Chico Buarque caminhando na cidade-luz em seu novo DVD. Aliás, este novo pobre remediado que já teve alguma posição, se acha um pouco parceiro de Chico, de Chico só não, de Vinícius, de Tom, diz aos outros que frequentava a casa de Nara e por aí vai.
Em todos os sentidos, habita sim, uma empáfia social na cabeça de boa parte do mediano remediado ao rico herdeiro. O tal francesismo que você diz continua, é cômico? Sim, e como! Mas existe.
Está vindo uma sociedade bonita, muito bonita, cheia de brios, acompanhando o couro de D. Ivone Lara, aquela coisa que vai chegando aos poucos, de brilho inigualável. Esses meninos e meninas empacotadores de supermercado, balconistas de pequenas lojas, essa gente que cruzamos a toda hora, está se reciclando, está estudando, está querendo muito entrar de cabeça na condição de cidadão.
Você, que inúmeras vezes, fala dos butecos que servem deliciosos pães com pernil “manjar dos deuses” com um limãozinho, percebe nitidamente Nassif que há um mundo extremamente rico, cheio de histórias, original, alegre, de uma auto-crítica de extremo bom gosto neste universo que o preconceito não vai. Azar o deles. Não serão avisados dessa sociedade que está surgindo, serão atropelados como foram todos aqueles que acreditaram piamente na capacidade de manipular um resultado eleitoral através de clichês panfletáros como o exacerbamento dos escândalos e o linchamento público.
Esta sociedade que é feito uma rocha, que não mexeu sequer uma palha, xinga a outra de preguiçosa e acomodada com o benefício do bolsa-família. Mas não se preocupe, esses peroás de fim de festa chic que entraram de penetra na festa, vão desaparecer com o tempo. O empresário brasileiro, digo, o empresário sério, já percebeu que sua relação em torno do seu universo e seu universo é a sua empresa, seus funcionários e sua sociedade é que vão lhe dar suporte para a prosperidade. O preconceito é só uma questão de dias. Virou garrafa de boliche, estão caindo de maduros.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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29/12/2006 - 10:00
Na aba de ECONOMIA, a Coluna Econômica trata de um tema que retorna periodicamente para assombrar o país: o preconceito social, do mesmo nível dos fazendeiros do começo do século que só falavam em francês em casa, ou do ridículo atroz do “café society” carioca dos anos 50, templo da futilidade e deslumbramento, que os grandes empreendedores do período recusavam-se a frequentar.
Os velhos tempos voltaram
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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29/12/2006 - 07:00
Coluna Econômica – 29/12/2006
Um dos fenômenos mais lamentáveis surgidos nos últimos anos foi a volta do elitismo rastaquera, preconceituoso, no bojo da crise política. Houve outros exemplos históricos. No início do século, o afrancesamento da elite cafeeira era de um ridículo atroz, visto agora, e provavelmente visto na época por estrangeiros.
O próprio Rio de Janeiro criou um tipo elitista preconceituoso na fase do famoso “café society”. Esse elitismo de colunas sociais nada tinha a ver com os verdadeiros empreendedores, Augusto de Azevedo Antunes, Walther Moreira Salles, João Pedro Gouvêa Vieira, que a rigor o desprezam como fútil.
Essa identidade elite-povo é fundamental para qualquer projeto de país. Foi ao conseguir promover a aproximação nação-povo que Franklin Delano Roosevelt consolidou o maior país capitalista do século.
Por aqui, esse elitismo desagregador, irresponsável, retorna como um drácula permanentemente ressuscitado. Nos últimos anos ficou patente esse processo nas loas que a imprensa paulista tecia à Daslu, ao Edemar Cid Ferreira, do Banco Santos. Pergunte ao Márcio Fortes quem era Edemar. Um tremendo malandro, conhecido desde antes do governo Collor, que de repente foi incensado pelo “neo-elite” paulistana. Os convites para seus jantares eram disputados a tapa, mesmo sabendo-se quem ele era. Nem o primeiro dos sistemas de controle social – o meio repudiar práticas condenáveis de seus membros – foi armado para conter a esbórnia de Edemar.
No Rio, esse elitismo passou a se manifestar através de alguns colunistas que transformaram a necessária crítica política ao governo Lula em fonte de preconceito. Passaram a caçoar das festas juninas, da falta de modos da primeira dama, da falta de estudos do presidente, do nordeste “atrasado”, da falta de cultura das classes D e E, com uma prepotência absurda. A crítica não era apenas aos métodos políticos questionáveis do PT, mas a todo um conjunto de hábitos e tradições populares. Como se fosse possível construir uma nação sem povo.
E não se pense em um quadro melhor do lado do PT. Grande parte dos quadros que se infiltraram na máquina pública acalentava o sonho de poder entrar para essa “elite”.
A classe média, há doze anos esmagada por um modelo econômico espúrio -inaugurado por Fernando Henrique Cardoso, aprofundado por Lulade repente foi desviada do foco central dos problemas graças ao ferramental do preconceito. O Ministro Antonio Palocci matou a chance de recuperação da economia em 2003 e 2004. Mas manteve juros escorchantes, tentou aumento de impostos e concentrou mais a renda. Mas sua imagem – passada pelos colunistas, principalmente através desse preconceito de classeera a do sujeito moderno em meio a uma tribo de trogloditas.
Nesse meio tempo houve a ascensão das classes populares. De repente, passou-se a atribuir as intempéries da classe média às políticas sociais, ao salário mínimo, deixando de lado juros e câmbio, numa demonstração escandalosa de falta de pesos e medidas.
Como dizia Nelson Rodrigues, o subdesenvolvimento é um trabalho de séculos.
Para incluir na lista Coluna Econômica
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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28/12/2006 - 10:01
O artigo de Alexandre Schwartsman na “Folha” de 27/12/2006. Sublinhadas, minhas observações. Fui obrigado a publicar de novo por problemas de configuração no post anterior. Quem colocou comentários lá, solicito repetir aqui.
Resposta a Almotásim
ALEXANDRE SCHWARTSMAN
RECEBO muitas mensagens por e-mail. Afora insultos ocasionais, a interação com os leitores enriquece meu trabalho e sugere novos tópicos para os artigos. Um tema que tem aparecido com certa freqüência -de onde imagino que há uma fonte, o Almotásim, disseminando essa idéia equivocada- diz respeito à relação da taxa de juros a que o Brasil pode tomar recursos no mercado externo e a taxa de juros que prevalece no país. Por que, perguntam, se o Brasil pode emitir títulos de dez anos no exterior com rendimentos em torno de 6% ao ano, a taxa doméstica de juros é tão maior?
No questionamento anterior que fiz aos artigos de Schwartsman, essa questão da diferença de remuneração entre títulos expressos em dólares e reais era a parte menos relevante (clique aqui). O ponto central era seu questionamento de que economias com superávit nas contas externas e internas dificilmente são afetadas por pressões de preço. Primeiro, ele questionou sob a alegação de que a demanda total era função da interna mais a externa. Nesse artigo, voltou atrás sem fazer a devida autocrítica, e passou a admitir que demanda interna mais aquecida absorve parte das exportações. Esse era o ponto central: mas, seguindo os princípios do bom sofista, ele escolheu um tema mais ameno para discutir.
Antes de entrar no caso brasileiro, peço ao leitor que considere dois exemplos. Os EUA têm uma avaliação de risco de crédito algo melhor do que o Japão, e poderiam, portanto, emitir títulos denominados em ienes a taxas, no máximo, iguais àquelas pagas pelo Tesouro japonês.
Tomando como referência um título de dez anos, os EUA poderiam emitir um papel denominado em ienes a uma taxa ao redor de 1,6% ao ano, enquanto a taxa dos Fed Funds (o equivalente à Selic) é de 5,25%.
Por outro lado, as taxas de juros da Alemanha e da França, países com risco de crédito similar, são praticamente idênticas, desde a taxa de curtíssimo prazo àquela que baliza os títulos públicos de dez anos.
Por que, quando tratamos de Japão e EUA, as taxas diferem tanto, mais altas para o país com crédito melhor, enquanto no outro caso as taxas são idênticas? A resposta passa pelos regimes cambiais vigentes nesses países.
Alemanha e França escolheram um regime extremo de fixação da taxa de câmbio: a adoção da moeda única. Nesse contexto, diferenças entre as taxas de juros que não sejam associadas a diferenças de percepção de risco de crédito não podem persistir. Se as taxas de juros fossem mais baixas na França do que na Alemanha, especuladores tomariam recursos na França e os emprestariam na Alemanha, embolsando a diferença. Esse processo -conhecido como “arbitragem”- faz as taxas de juros convergirem para o mesmo patamar.
Por que, então, a “arbitragem” não parece funcionar no caso EUA-Japão? Porque a taxa de câmbio entre esses países é flutuante: se alguém toma recursos no Japão para emprestar nos EUA, faz com que o dólar se aprecie em relação ao seu nível de equilíbrio (pois o arbitrador vende ienes e compra dólares), gerando uma expectativa de que o dólar vá, à frente, se depreciar. Em tese, a “arbitragem” cessa quando a apreciação corrente chega a um ponto no qual a depreciação esperada corresponde exatamente à diferença entre as taxas de juros americanas e japonesas. Note-se que, nesse caso, a “arbitragem” afeta a taxa de câmbio, mas não as taxas de juros.
É um bê-a-bá de arbitragem, que passa por cima de aspectos mais sofisticados da questão cambial (clique aqui).
Assim, se no Brasil a taxa de câmbio fosse fixa (como é entre Alemanha e França), a taxa de juros doméstica não poderia ser muito diferente da taxa de juros paga pelos títulos brasileiros no exterior, dado que o risco de crédito em ambos os casos é praticamente o mesmo. Como, porém, a taxa de câmbio é flutuante, não há nenhuma força de mercado que faça essas taxas de juros se igualarem, como no caso das taxas americanas e japonesas.
Dito isso, um leitor mais insistente poderia questionar se o BC não poderia desempenhar esse papel, trazendo a taxa de juros doméstica para o patamar das taxas a que o país toma recursos em dólares, reduzindo a Selic para cerca de 6% ao ano?
A resposta para essa questão é a mesma que o leitor receberia se perguntasse ao professor Bernanke por que ele não reduz a taxa dos Fed Funds para o mesmo nível das taxas japonesas: porque essa taxa não é consistente com a manutenção da inflação em patamares próximos às suas metas. Nem o Fed mantém a taxa dos Fed Funds acima da taxa hipotética a que os EUA poderiam se financiar no mercado japonês, nem o BC mantém a Selic acima das taxas pagas pelo Brasil em dólares por ignorância, sadismo ou má-fé, mas porque têm razões para crer que essas taxas domésticas são aquelas consistentes com os objetivos que seus mandatos lhes conferem -no caso, com as metas de inflação.
Sobre juros e sadismo, confira no link anterior o Sofisma 2. Os juros não são altos por sadismo, mas por interesse.
Na verdade, quem fez a pergunta inicial aparenta desconhecer que: (1) uma taxa é em moeda estrangeira e a outra é em moeda local; e (2) que a taxa de câmbio no Brasil é flutuante, não fixa. Esclarecido o assunto, espero que os leitores levem a resposta a Almotásim.
1. O Tesouro colocou em setembro o Global BRL 2002, com vencimento em 2022. É título soberano, expresso em reais, com um yeld de partida de 12,875%. Hoje deve estar menor. O risco do devedor é o mesmo de quem aplica internamente, o risco cambial igual, o prazo muito maior. Quem está errado: o mercado ou o Banco Central?
2. Se o nosso Bernanke explica que as taxas de juros internas só tem a ver com as metas inflacionárias, porque desperdiçou um longo artigo tentando justificar a equivalência entre as taxas internas e externas da dívida brasileira? E explicando errado, já que desconsiderou os títulos externos em reais?
3. Quem garante que a taxa de juros do BC é compatível com as metas inflacionárias? O fundamentalismo islâmico certamente não. O professor Bernanke, cujo nome não é Schwarstman, certamente teria a resposta: são os cabeças de jabuticaba.
4. Ao contrário da coluna anterior, Schwartsman não taxa os críticos de desconhecedores dos “fundamentos básicos da economia”. Ficou mais civilizado, mas o nível de argumentação continua o mesmo.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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28/12/2006 - 07:00
Na aba de ECONOMIA, a Coluna Econômica trata da questão da mistificação da gestão, dos MBAs e o trabalho polêmico dos “headhunters”.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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27/12/2006 - 23:18
Enviado por: januario
Nassif (Califa de Bagdá?),
(…) O`q artigo de Schwartzman tem como objeto explícito a resposta à seguinte pergunta:
“É justificável o Tesouro Nacional pagar juros consideravelmente maiores pelos títulos domesticamente emitidos face aos pagos pelos títulos emitidos pelo Tesouro no exterior ?”
Como objeto implícito, a seu turno, Schwartzman coloca a resposta à seguinte indagação:
“É justificável o Banco Central manter a taxa Selic tão acima da taxa de remuneração oferecida pelos títulos denominados em dólar emitidos pelo próprio Tesouro Nacional?”
1. Quanto ao objeto explícito do artigo, Schwartzman basicamente se coloca no lugar do investidor que parametriza as suas aplicações de acordo com o retorno gerado em moeda conversível.
Assim, o investidor que compra uma LFT em reais esperaria na verdade um certo retorno em moeda conversível para esse título. Se ele comprasse uma LFT por X dólares convertidos em reais, esperaria, por exemplo, que essa LFT lhe retornasse depois de um ano os mesmos X dólares mais 6 por cento desses X dólares.
Schwartzman então atribui ao fato da LFT ser denominada em reais a aplicação de uma taxa adicional de juros à remuneração do título, que serviria para cobrir satisfatoriamente um risco de desvalorização do real frente ao dólar.
Basicamente, se o investidor, pagando X dólares, quer comprar Y reais em LFTs, ele, na sua visão, para ter X dólares mais seis por cento de seis dólares, só compraria as LFT se fosse grande a probabilidade de seu rendimento em reais ao menos igualar o rendimento desejado em dólares.
Ainda na visão de Schwartzman, essa possibilidade aumentaria na razão direta do diferencial entre a taxa de juros oferecida pelas LFT e a taxa de 6% considerada.
Schwartzman acha que isso poderia justificar uma taxa de 12, 13% remunerando as LFT em reais e uma taxa de 6.5% remunerando os títulos do Tesouro em dólar. Mas essa é uma consideração relativa e de dificílima comprovação, eis que também há muitos fatores que poderiam apontar justamente para a direção contrária. Eu cito apenas alguns:
Ora, o prêmio pedido pelo investidor, conforme o próprio Schwartzman defende, seria decorrente da expectativa de desvalorização do real frente ao dólar. Com isso ele está admitindo implicitamente que a taxa atual de câmbio está fortemente sobrevalorizada em decorrência da própria SELIC.
A expectativa atual de desvalorização do real justamente com a redução de juros, entretanto, não implica que num contexto de redução da SELIC o Tesouro não conseguiria rolar a sua dívida.
Insisto: Ainda que boa parte dos investidores procurasse efetivamente parametrizar o seu retorno em moeda conversível, a redução na Taxa SELIC não necessariamente prejudicaria a demanda pelos títulos denominados em reais. Poderia até incrementá-la.
Primeiro porque o risco de desvalorização cambial num determinado patamar de taxa básica, num contexto de orçamento equilibrado, tende a ser diretamente proporcional à taxa atual: Se a taxa atual é reduzida, e o espaço para futuras reduções diminui, a taxa de câmbio atual não tem muito espaço para se depreciar – O contrário acontece quando a taxa básica é elevada.
(veja a íntegra no comentário do post abaixo)
Enviado por: André Araujo
Observo que o Fed tem dois mandatos distintos: manter o equilíbrio de preços e manter o emprego pleno na economia. Portanto a política monetária do Fed não visa simplisticamente manter a inflação baixa e tampouco tem metas quantitativas de inflação, como sugere o artigo de Schartsman. Em segundo lugar, o Fed não opera por manuais acadêmicos que sugerem arbitragem de taxas de juros em situação de desalinhamento de taxas como ocorre entre os EUA e o Japão. A historia de 93 anos do Fed mostra uma consistente defesa ds expressão política e estratégica da moeda americana.
O Tesouro americano emitir títulos em yen seria um desprestigio para a força política do dólar, inaceitável sob o ponto de vista geopolítico e estratégico. O Fed não e uma instituição técnica, é uma entidade com larga visão política a serviço dos objetivos dos Estados Unidos. Não e só isso. As próprias corporações americanas deveriam ser as maiores interessadas e emitir títulos em yen a custos um quarto do mercado americano e não o fazem, com poucas exceções.
Economia não consiste só nos resultados de uma calculadora HP, existem fatores fora da economia que nela interferem e quando se fala na política monetária dos EUA há que avaliar essas múltiplas variáveis.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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27/12/2006 - 11:28
“O Globo” de hoje bate na velha tecla que foi o aumento do salário mínimo que irá comprometer o investimento em 2007.
Melhor ler o excelente Luiz Sérgio Guimarães, no “Valor” de hoje:
“A inflação brasileira é uma função da taxa de câmbio. E quem faz esta é a taxa de juros. O salário mínimo não mexe com o câmbio. Não irá provocar uma explosão generalizada de demanda capaz de afetar a cotação do dólar. O consumo adicional suscitado pela intuitiva prodigalidade presidencial provocará cócegas nas importações. É o juro real mais alto do mundo que aprecia o real. Os exportadores antecipam todo o câmbio que conseguem para ganhar o juro real médio de 12% que prevaleceu em 2006. Isso equivale a conceder um desconto de 12% no preço da mercadoria artificialmente apreciada pelo câmbio fictício”.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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27/12/2006 - 10:10
O caso TAM propiciou uma boa discussão, nos comentários, sobre as distorções desses cursos de MBA e do papel dos “headhunters” (empresas de colocação de executivos).
Quem quiser poderá conferir nos comentários dos posts sobre a TAM. Amanhã vamos ampliar esse debate, que é atualíssimo.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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27/12/2006 - 07:00
Duas notícias, uma boa, outra ruim. A boa é que rompeu-se a unanimidade em torno dos juros altos, e o governo já pode mudar a política monetária. A ruim é que Lula não sabe disso. Leia na aba de ECONOMIA, na Coluna Econômica.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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26/12/2006 - 20:48
Prezados,
Nos últimos meses vem circulando um spam atribuído a mim, sob o título “Elite Privilegiada”. Vai contra tudo o que eu penso. Meus leitores habituais sabem disso; os não leitores, não.
Por isso, solicito a quem puder que divulgue a resposta abaixo aos seus conhecidos. E que sites e publicações em geral, que quiserem, publiquem a resposta como uma maneira de rebater o spam.
Um abraço,
Luís Nassif
Elite Privilegiada
Por Luís Nassif
Foi em novembro, enfim,
Pouco após as eleições
Que circulou um spam
Eivado de imperfeições
No começo, meio e fim.
Com dose de preconceito,
De arrogância e mal feito
Escrito sem muito jeito
Mas atribuído a mim.
Como a asa da graúna
Falava mal do nordeste
Terra de João Pernambuco
De Patativa do Agreste
Do choro que vem dos Turunas
Do frevo pernambucano
Do batuque afro-baiano
De Bomfim, o sergipano,
Dos sons do sertão e das dunas.
De quem era o palavreado?
Pus-me então a imaginar
Talvez o ectoplasma
De um rentista secular
Um dandy afrescalhado
Que nasceu escravocrata
Que abusava da mulata
Que gastou toda a prata
E terminou estropiado.
Ou então um senhor de engenho,
Sem fazenda e compostura
Guardando dos velhos tempos
A arrogância e a usura
E total falta de empenho
Para assuntos do trabalho,
Que sempre achou ato falho
Quem na vida dava o malho
Atrás da boa procura.
Lembrei do deslumbramento
Com que tratavam o Edemar
Sujeito esperto e tinhoso,
Um malandro secular.
De como era um tormento
Quando dava suas festanças
Ócio, deslumbre, gastança
Malandragem e lambança
De um tempo crepuscular.
A elite mega-store
Saia atrás do convite
Disputando a boca livre
Arroz de festa de extirpe
Como um penetra-mór
Edemar fez muito mais
Palácio nas marginais
Rei da elite, ex do cais,
Soberano do “offshore”
A elite deu Edemar
E os esquemas da Daslu
O povo deu dona Ivone
Maxixe, choro e lundu
E o poder de sonhar
Com uma terra irmã
Sem essa febre malsã
Que corrói o amanhã
Desse elitismo sem par.
Mas a elite eficiente
Prescinde da arrogância
É o empresário e o empregado,
Que buscam a relevância
A melhora permanente
Programas de qualidade,
Eficiência, lealdade,
Trabalho e brasilidade
Olhando sempre em frente.
Por isso, aqui, nessa hora
Solicito ajuda vossa
Para que espalhe o poema
Esclarecendo a quem possa
Que esse spam é uma desforra
Escrito baixo, rasteiro,
De quem não é brasileiro,
E passa o ano inteiro,
Querendo sempre ir à forra.
Por certo é leitor de “Veja”,
Um viúvo da Daslu,
Que arrota camembert
Depois de comer angu.
E que o bom Deus o proteja
Pois sendo tão recalcado
Só consegue andar de lado
Falando mal do empregado
Por mesquinho que isso seja.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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26/12/2006 - 09:16
Na aba de ECONOMIA, a Coluna Econômica fala sobre a urgência de se enquadrar o Banco Central nas normas de responsabilidade fiscal.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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26/12/2006 - 07:00
Coluna Econômica – 26/12/2006
Uma das características mais marcantes de sociedades em desenvolvimento costuma ser a incapacidade da opinião pública em geral de estabelecer relações corretas de causalidade.
Desde o início dos anos 90, sabia-se que a questão social caminhava para uma situação explosiva. Vários alertas foram feitos, em vão. Hoje em dia, tem-se no Rio de Janeiro uma praça de guerra, na periferia de São Paulo várias guerrilhas urbanas.
Quando a guerra explode, desvia-se a análise da causa para questões periféricas, como a falta de leis punitivas.
A inclusão social tornou-se prioridade nacional por várias razões. Uma delas, é para permitir um combate efetivo à criminalidade. Outra, é para fornecer os alicerces para políticas educacionais universalistas e includentes.
Sem elas, não haverá mão de obra suficiente para futuros processos de crescimento acelerado, nem mercado para sustentar a oferta, nem cidadania para garantir a constituição de uma nação forte e justa. Ou seja, a inclusão social é pré-requisito para resolver a questão da violência, do desenvolvimento e da coesão nacional.
A decisão de Lula de seguir a sua intuição para conceder o reajuste adicional do salário mínimo, e não reduzir nenhum programa social, muda completamente a discussão econômica – conforme salientei na coluna de ontem.
É evidente que se terá que cuidar da responsabilidade fiscal. Mas, observando as repercussões do episódio, de repente cai a ficha sobre quão ridículo é o terrorismo em cima de qualquer aumento de gasto que reverta para a população – justamente aquele gasto que garante avanços definitivos no processo civilizatório brasileiro.
O que Lula fez foi redefinir as prioridades orçamentárias. Antes, o Banco Central definia uma fatia ilimitada para os juros. O que sobrasse era rateado pelas demais despesas. O que salvou o país de uma hecatombe social foi a sensibilidade da classe política na Constituinte de 1988, ao definir recursos carimbados para educação, saúde e Previdência. A política salvou o país, enquanto o mercado teimava em destruí-lo.
Agora que se voltou ao primado da política. É essa nova realidade que terá que ser absorvida daqui para frente. Não se venha com acusações de populismo contra Lula. Não se venha com a história de que o salário mínimo vai impedir o crescimento. Não cola, não tem respaldo nos grandes números da economia. Não tem respaldo na visão histórica sobre o desenvolvimento nacional.
Daqui para frente, inclusão social passa a ser a determinante; os juros pagos, a variável de ajuste. É evidente que essa guinada na política econômica não poder ser feita de orelhada.
Agora, mais do que nunca, será necessário balizar o investimento social com indicadores de eficiência. Ao mesmo tempo, se terá que tratar com cuidado redobrado as contas públicas. E Lula não conseguirá segurar a peteca se mantiver no Banco Central a ortodoxia cômoda de quem não tinha limites de responsabilidade fiscal para tratar com juros.
Para a obra ficar completa, Lula tem que olhar com atenção redobrada o BC, e colocar à sua frente pessoas comprometidas com a responsabilidade fiscal.
Para incluir na lista Coluna Econômica
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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26/12/2006 - 01:19
Não há lógica empresarial que explique o desmonte ao qual foi submetida a TAM na gestão Marcos Bologna, em um momento em que a empresa registrava os melhores resultados da sua história — não por seus méritos mas pela concentração de mercado e queda do dólar.
Os ganhos desses anos poderiam ter sido utilizados para consolidar um novo patamar da companhia. Em vez disso, o que se viu foi uma busca sôfrega por resultados imediatos a qualquer preço, comprometendo o futuro da companhia.
Qual a lógica por trás desse suicídio? Só pode estar na perda de controle dos acionistas sobre os atos dos executivos. Sempre que uma diretoria tem consciência de suas limitações, não tem segurança sobre seu futuro e não tem respeito pela companhia, ocorre esse processo de canibalização da imagem da companhia, buscando o melhor resultado no prazo mais curto possível. Garante-se o bônus e os sucessores que descasquem o abacaxi da imagem prejudicada, dos sistemas de controle e de qualidade arrebentados.
A história empresarial recente está repleta de exemplos semelhantes.
Essa história de, em pleno incêndio, a companhia continuar sofregamente a vender passagens é um desespero que não se justifica pela situação financeira da empresa. O desespero é dos executivos, não da companhia.
Do lado de fora, dá para se ver o desmonte dos controles naquilo que chega até o consumidor. Se a parte mais visível está esse estado, como estariam os controles internos?
Que a família Rolim abra os olhos enquanto é tempo. A empresa está claramente passando por uma crise de governança de proporções consideráveis.
PS – Alguns leitores solicitam o link da coluna que escrevi em 22 de agosto passado sobre a decadência da TAM. Clique aqui.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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25/12/2006 - 10:58
Entrevista com Paulo Lacerda, diretor geral da Polícia Federal, na “Folha” de hoje:
FOLHA – A PF foi usada como bandeira eleitoral pelo governo.
LACERDA – A minha visão é de que a PF foi também muito criticada politicamente. Então, se em determinado momento setores do governo usaram as boas ações da PF em prol da imagem do governo, eu acho isso natural. Se o governo sofre críticas por eventuais erros da polícia, por que não deveria usar aquilo quando ela acerta? Acho natural. Nunca entrei nesse jogo político. O uso da imagem da PF na cena política foi com base nos trabalhos que a PF realizou. Ninguém veio aqui dentro da PF para pegar entrevista minha para dizer “este governo é muito bom”. O que se usou foram trabalhos da PF que eram públicos. Percebi que foram usados na campanha como uma demonstração de um órgão no qual o governo investiu e que produziu resultados que estavam patentes.
Manchete: “Lacerda admite que governo usou imagem da PF na eleição”.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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25/12/2006 - 07:00
Na aba de ECONOMIA, a Coluna Econômica antecipa o tema que passará a integrar definitivamente as discussões sobre economia: inclusão e promoção social.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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24/12/2006 - 17:38
Alguma boa alma natalina, com conhecimento de web, saberia me passar os comandos para colocar os links de vídeo em uma janelinha aqui no blog?
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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24/12/2006 - 17:16
Enviado por: Alan Romero
BliG: http://www.alanromeromusic.com.blig.ig.com.br
Nassif,
Braguinha foi e deixa saudades. Já viu esse video do Bando dos Tangarás, onde ele aparece tocando pandeiro? (clique aqui) Mas o destaque vai para o Noel, pois se trata do único filme conhecido registrando sua imagem.
Abs
Nassif,
Complementando a dica do video do Bando de Tangarás: A canção é “Vamos Falá do Norte” e a gravação é do remoto ano de 1929! Quem canta é Almirante. Nos violões Noel Rosa, Alvinho e Henrique Brito. No pandeiro João de Barros, o Braguinha. Só falta identificar o percussionista.
Abs
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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24/12/2006 - 15:02
Enviado por: Henry Burnett
Caro Nassif, assistindo um vídeo indicado por você cheguei em um site que imagino que ninguém conheça (http://www.luizluagonzaga.com.br); em resumo: aí estão todos os discos do Gonzaga disponíveis para audição na íntegra! De resto, pesse no meu blog uma hora dessas e ouça umas canções do meu recém lançado “Não Para magoar”
Autor: luisnassif - Categoria(s): Música
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24/12/2006 - 14:28
Com a morte de João de Barro, o Braguinha, hoje, aos 99 anos, o Brasil perde o penúltimo de duas grandes referências musicais históricas. Resta, agora, Dorival Caymmi.
Foi autor de clássicos como “Pastorionhas”, “Touradas de Madri”, e de uma coleção de desquinhos infantis que alegrou várias gerações, Na aba de MÚSICAS, um pouco de Braguinha.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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24/12/2006 - 14:26
Com a morte de João de Barro, o Braguinha, o Brasil perde a penúltima de suas referências musicais históricas. Dorival Caymmi resiste. A história de Braguinha está ligada a infância, adolescência e maturidade de gerações de brasileiros.
Na minha infância, Poços de Caldas era cidade de pouco mais de 30 ou 40 mil habitantes, mas com especial apreço pelas artes. Na música, tivemos o maestro Guido Rocchi, violinista, que chegou ao Brasil na excursão histórica da orquestra italiana ao Rio de Janeiro, na qual Arturo Toscanini iniciou sua carreira de maestro, e decidiu ficar em Poços. Tinha também a professora Itália, que ensinava balé clássico, e o professor Fábio, que ensinava piano.
A família sempre foi muito artística. Entre os primos, todo menino tinha que aprender piano. Toda menina, piano, balé e, se tivesse tempo, aulas de tricô com minha mãe. Mas houve dois episódios que, por assim dizer, mancharam um pouco nossa reputação. O primeiro episódio, digamos controverso, foi no recital de balé das alunas da professora Itália. Quando uma das primas entrou no palco, houve um certo “frisson”. Ela tinha inúmeras virtudes, uma inteligência viva, mas faltava-lhe o tipo físico ideal para uma bailarina, para dizer o mínimo. Para sua apresentação, imprudentemente dona Itália ensaiou um trecho da “Morte do Cisne”, que terminava com um pas de deux seguido daquele outro passo, que consistia em cair com a perna aberta e as mãozinhas trançadas sobre a cabeça. Quando as pernocas da prima desabaram sobre o palco, parecia que o vulcão de Poços tinha entrado em erupção. Tia Matilde Monassa, uma turista que de tão amiga da família virou tia, soltou uma risada daquelas que ninguém resiste, e o público inteiro foi atrás.
Meu vexame não foi menor. Na apresentação dos alunos do professor Fábio, no Cine Vogue, para umas quinhentas pessoas, fui tocar Musette. Tinha seis anos e era o caçula do elenco. Quando entrei no palco e vi aquele mundaréu de gente, fiquei tão nervoso que não achava o dó. Aí gritei um “professor Fábio, onde está o dó?”. O povo ficou rindo durante toda minha apresentação.
Mas dei essa volta toda para falar do presente que ganhei pela apresentação de piano. Foi uma coleção de disquinhos coloridos, de histórias infantis, produzidos por João de Barro, o Braguinha. Aquelas musiquinhas iluminaram não só minha infância, mas de todas as crianças do meu tempo. Eu ficava triste com a história da dona Viúva (”dizei senhora viúva / com quem quereis se casar / se é com o filho do conde / se é com seu general, general, general”). Vibrava com as estripulias da banda do Cazuza, à medida que o moleque ia crescendo e incorporando mais instrumentos ao seu grupo.
Sem falar no “Chapeuzinho Vermelho”, com duas músicas que entraram para a história da MPB. Uma, a do próprio Chapeuzinho (”pela estrada afora / eu vou bem sozinha / levar esses doces / para a vovozinha”). Outra, o hino dos caçadores, mais emocionante que a chegada da cavalaria americana (”nós somos os caçadores / e nada nos amedronta / damos mil tiros por dia / matamos feras sem conta”).
Nos anos 70 essas historinhas atingiram cinco milhões de gravações -provavelmente o maior fenômeno da indústria fonográfica brasileira de todos os tempos. E o livro me ajuda a relembrar que os autores da maioria das músicas eram o próprio Braguinha e o maestro Radamés Gnatalli, um dos músicos brasileiros mais importantes do século.
Foi nesse período, lá por 78 ou 79, que conheci o Braguinha, no bar do Alemão, ali no viaduto Antárctica, em São Paulo. Era um sábado. Nosso grupo estava no mezanino quando o vimos entrar, saindo de uma gravação na TV Cultura. Espontaneamente explodiu uma salva de palmas em sua homenagem. Braguinha subiu as escadas e sentou-se com a gente. Já septuagenário, não perdia uma oportunidade de jogar charme em cima das moças. Lá pelas tantas indaguei: “Mas o senhor é casado, não?”. E ele: “Muito bem casado, meu filho, adoro minha mulher, mas essas mocinhas são tão bonitinhas”.
O papo evoluiu para a questão do purismo na MPB, uma discussão sobre as concessões de Waldir Azevedo, em relação ao rigor de Jacob. O velho mestre, um dos últimos pais vivos da MPB interrompeu o papo: “Parem com isso. A música popular tem que ir onde o ouvinte quiser, e viver o momento apenas”. E levantou-se para mostrar sua última composição: “A Marcha do Jegue”, que terminava com ele simulando o coito enquanto zurrava, para espanto do Dagô, o dono do bar. Quando ouço as críticas a esse autêntico samba de roda baiano do grupo Tchan e assemelhados, penso que os críticos deveriam ouvir um pouco mais mestre Braguinha.
Foi autor dos maiores clássicos da música popular mais rica do planeta. Compôs “As Pastorinhas”, com Noel Rosa, “Carinhoso”, com Pixinguinha. Com Alberto Ribeiro compôs “Touradas em Madri”, que propiciou o maior espetáculo de público que o país já conheceu, que foi a torcida da Seleção Brasileira cantando a música para caçoar dos espanhóis, que estavam sendo goleados na copa de 50. Sem falar de “Cadê Mimi” (”Cadê Mimi, cadê Mimi / Mimi que fugiu prá Shangai / Mimi que partiu me deixando assim / do meu pensamento não sai”), também com Alberto Ribeiro, com quem compôs “Yes, nós temos banana”, “Copacabana” (”princesinha do mar”), “Tem Gato na Tuba:” (”todo domingo / havia banda /, no coreto do jardim”), “Chiquita Bacana”.
Ao lado de Caymmi, era das derradeiras figuras reverenciais, de uma música que -ao contrário do paísaprendeu a amar e reconhecer os seus velhos.
Para incluir na lista de CRÔNICAS
Autor: luisnassif - Categoria(s): Música
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