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30/11/2006 - 15:56

O novo tempo político

O incidente entre o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissatti, e o deputado federal Jutahy Magalhães Júnior era facilmente perceptível a quem acompanhava o rumo da correnteza do rio, sem se contaminar pelo clima beligerante eleitoral. E é mais um capítulo relevante no redesenho político do país.

Desde a campanha eleitoral, estava claríssimo que a partir do final das apurações, chegaria ao fim o tempo de validade dos senhores da guerra e o fim da era FHC.

A reforma do PSDB passaria, necessariamente, por exorcizar as lembranças da era FHC, aposentar a banda mercadista-carlista-carbonária, que tinha em Tasso seu maior expoente, e abrir espaço para os novos comandantes, negociadores e donos de uma visão mais sofisticada de país e de sociedade.

FHC sobrevive provisoriamente nos jornais. Desde ontem, Tasso é presidente deposto pelas circunstâncias. Poderá permanecer no cargo, mas não passará de um presidente simbólico.

Começou o segundo grande movimento de recuperação da política, que é a tentativa do PSDB de se reescrever e se livrar dos fantasmas da era FHC. O primeiro grande movimento é a tentativa do governo Lula e do PT de se livrarem do fantasma dos “operadores”.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:

29 comentários para “O novo tempo político”

  1. LIno disse:

    Nassif,
    Boa Noite!
    O regime militar cortou nosso processo histórico de avanço político e o atrasou profundamente, além de ter ampliado o tempo de permanência das “capitanias hereditárias”.
    O PT deveria ser fator de renovação, sob esse aspecto histórico e perde-se por não ter visão estratégica.
    FHC paga por ter cortado a evolução natural do PSDB, seja com a releição, seja com o despropósito de imaginar Malan como presidenciável. Faltou-nos o nosso Mário Soares, também Mário, Covas. Apenas mais um grande político podado pelo governo dos militares.
    Lula deveria mirar-se nessa figura e apostar mais alto em ações afirmativas de nossa nacionalidade e criatividade. Como Bernardinho e Muricy, deve fazer cara feia para as coisas erradas de seu governo. O PMDB é apenas “uma das coisas que podem dar errado”.
    A História será dura com ele se não ousar mais e melhor.
    Saudações

    .

  2. Leão Machado Neto disse:

    Interessante Tasso afirmar que Jutahy é representante de uma dinastia baiana.
    O que ele e Ciro representam no Ceará?
    Agora, Nassif, não sei se é impressão minha, mas você está se tornando um exímio vendedor de livros.

  3. Luis Nassif disse:

    E a editora no meu pé querendo a versão final.

  4. Edison Bittencourt disse:

    Quem procurou dividir politicamente o Brasil foi Luis Ignácio, jogando nordestinos contra o sul , mais diretamente contra os paulistas e SP , onde fez carreira- muito mais política do que como trabalhador . Politicamente , o nordeste de nada serviu para o PSDB, renegando-o Esta foi uma atitude política nordestina- delivre escolha . Então politicamente , dada a escolha do nordeste , o PSDB deveria concentrar seu esforço político no sul , buscano maiorias nomairo colégio eleitoral . Isto sem esquecer, é lógico, o nordeste.

    O Li tinha munição mais pesada ainda para “apelar” jogando “pobres” contra “ricos” e “nordeste” contra “sul”. Como cidadão do sudeste e de classe média que trabalhou a vida toda – desde janeiro de 1962 eu não me identifico com LI e nem com os que o apoiaram . Quanto as regiões menos desenvolvidas , a solução é trabalho para eles. Mas não tem como dar trabalho aos permanetemente excluídos ,agradando ao mesmo tempo ao capital especulativo. Na minha análise , como presidente , LI age como o “sindicalista” LI: agrada os patrões, e faz cena para a plebe ignara. É um vídeo-presidente como foi um vídeo-sindicalista. Ajudou a prostituir a esquerda. O caminho para o nordeste é o trabalho, não a esmola queperpetua a desigualdade. Alguns aqui tem que ler com mais atenção.

  5. Marcos Ribeiro disse:

    Uma pergunta: o que é esse PSDB que ser livraria da herança fernandista? Certamente não é o do Alckmin, uma espécie de Lula com o sinal trocado – hoje, estou convencido de que piorado. O do Serra? O do Aécio? Convenhamos, Nassif: o PSDB é um partido de quadro, predominantemente de corte liberal-social a liberal econômico. Serra é quase persona non grata no partido. O Aécio faz parte daquele centrão mineiro que tomba para o lado onde há sombra. Afinal, QUEM VAI ENCABEÇAR esse novo PSDB? Para mim, isso é miragem.

  6. Luis Nassif disse:

    Se não reciclar, vai dançar.

  7. Marcos Ribeiro disse:

    Nassif, o Brasil entrou atrasado na onda liberal. FHC achou o país repleto de estatais mal geridas. O país vivia anestesiado por causa da inflação. O programa de estabilização não previu um arrocho fiscal porque FHC temia que isso o desestabilizasse. Quando veio a valorização, ele se espantou como pôde aumentar a carga fiscal e “nada aconteceu”. Esse mea culpa é antigo. O raciocínio do Lula é outro, e bem mais tosco: ele sabe que elevar o padrão das classes D e E dá voto. Suas políticas públicas são voltadas para essas áreas. Acertou em cheio. Conseguiu avançar com o conhecimento empírico de quem se vê como classe D e E. Porém, ao ter de ir além, a falta de preparo vai lhe pesar. Pode anotar: o país não cresce, vem novo apagão na infraestrutura – como você já noticiou – e serão mais quatro anos de governo ruim.

  8. j.hamilton disse:

    PSDB: o último a sair que apague a luz.

  9. Paulo Celso disse:

    Gostaria de fazer um pequeno reparo ao comentário de Mônica. O avanço (pequeno que seja) na educação, tanto no gov FHC quanto no gov Lula é, muito mais resultado do processo de longo prazo do que o resultado de uma política propriamente. A universalização do acesso ao ensino fundamental é obra de governadores e prefeitos que, são eleitos democraticamente (e por isso são cobrados) a partir de 1982. Aliado a isso, a partir de 1983, por conta da emenda à Constituição apresentada pelo Senador João Calmon, tivemos a vinculação do recursos para a educação. Tivemos, então, melhora na gestão e recursos para iniciar o processo. O tão falado Fundef foi uma mini-reforma fiscal que não teria sido possível sem a emenda Calmon (mantida na Constituição de 88 e tão atacada pelas diferentes equipes econômicas). Há que se destacar, também, que o processo de redemocratização levou a maior participação, mais divulgação dos problemas pela mídia, sem falar no papel do Ministério Público exigindo que a obrigatoriedade do ensino fosse cumprida.
    Não vamos colocar os louros (pequenos que sejam) nas cabeças de Paulo Renato, Cristovam, Tarso ou Haddad. Os avanços na educação são fruto do trabalho de equipes regionais (para não falar de dirigentes de ensino e de unidades escolares).
    Se precisamos de um ícone, talvez o velho João Calmon seja mais apropriado.

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