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30/11/2006 - 16:03

O “apagão” da infra-estrutura

O apagão da infra-estrutura não é tema para se brincar. O governo está cochilando com essa questão, ainda mais depois que a ANEEL divulgou novas projeções de oferta de energia, aumentando para 33% a vulnerabilidade brasileira.

O “apagão” liquidou com o governo FHC e custou alguns anos de crescimento no país. Lula está paralisado pelo medo do mercado de reduzir superávit e outros quetais. Mas não pode vacilar nessa área.

É hora de montar uma Câmara de Gestão da Crise, nos moldes da que foi adotada na crise de energia do “apagão”. Não dá para brincar mais. Nessa área os investimentos levam tempo para maturar. Quando a crise vier, será um vagalhão desmontando a economia.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:

18 comentários para “O “apagão” da infra-estrutura”

  1. Márcia Ruiz disse:

    E pode mexer com as exportações, um ponto tão positivo do governo Lula. Conversei com pessoas do ramo e, em condições normais, eles são muito mais exigidos do que os estrangeiros em impostos e burocracia. Agora que os portos não estão dando conta e não foram preparados para o crescimento, todo o progresso pode ir para o ralo.
    É sempre assim, a gente dá um passo à frente e dois para atrás.
    A operação tapa buraco foi nosso dinheiro indo para o ralo. Deveria haver uma lei de responsabilidade civil sobre dinheiro público. Fazê-los pagar pelos seus erros, tenho certeza de que seriam menos irresponsáveis. A conta dos prejuízos pela incompetência administrativa é sempre da união: união de otários como nós que pagamos impostos e ainda achamos chato falar de política.
    Só meditando….e muito.

  2. rodrigo' disse:

    Dilma tem essa visão, furlan tb, mantegna deve ter, pq raios que nada acontece… Será que o presidente parasila tudo, impede mudanças, teria Dirceu razão qdo disse q ele era muito mais arrojado que Lula, e Lula era extremamente conservador???

    O conselho de economistas não saiu do papel, não arejou a acbeça do presidente???

  3. Luis Nassif disse:

    Aguardando para saber.

  4. Henrique Silva disse:

    Nassif,se ja existe essa paralisia agora,imagine quando estiver nos ultimos dois anos de mandato
    Vai ser um clima de fim de feira total

  5. João Bosco disse:

    Caro Nassif

    Creio que estamos caminhando para alguns “apagões” no governo Lula.
    Temos crise na gestão do trafego aéreo, buracos nas estradas, problemas nos portos, agora provável crise de energia se o país crescer como o resto do mundo.
    E não nos enganemos a saúde não vai bem, e temos programas assistencialistas, os quais devem existir, porém sem vislumbre de melhora real de melhora nas condições do povão.
    E o pior: eterna busca de culpados em outros lugares, ou governos anteriores.
    Será um apagão de projetos, ou de desculpas?

  6. João França disse:

    Nassif:

    Só a título de curiosidade: de onde saiu este número de 33% de vulnerabilidade?
    Reportagem de hoje (30.11.2006) de O Estado de S. Paulo intitulada “Governo vai testar fornecimento de gás às térmicas” relata que um “documento da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) enviado à Aneel em outubro apontava que o risco de racionamento na Região Sudeste em 2007 poderia aumentar de 6,95% para até 16,75% com a exclusão das termoelétricas sem gás”.
    Ademais, se o cronograma do Ministério das Minas e Energia constante da Tabela 3-25 – Expansão Hidrelétrica – Configuração de Referência (ver link http://www.mme.gov.br/download.do;jsessionid=1AC931CD6BCDB7BC092B7FB072600FEB?attachmentId=8057&download) for cumprido, não deverá faltar energia.
    Além disso, a interligação do sistema tem aumentado e o investimento privado – inclusive estrangeiro – tem existido ao longo dos últimos dois anos, conforme duas reportagens abaixo:

    I) “…os investidores privados, sobretudo os espanhóis, têm revelado grande apetite por participações no mercado de transmissão – comprovado pelos altos deságios registrados nos leilões de linhas de transmissão realizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).” (Fonte: O Estado de São Paulo – 28/2/2005 )

    II) “Duas empresas espanholas, uma colombiana e duas brasileiras foram as vencedoras. O governo vendeu na sexta-feira concessões para construção e exploração de linhas de transmissão de energia elétrica que devem somar investimentos de aproximadamente R$ 1,1 bilhão. Duas empresas espanholas, uma colombiana e duas brasileiras levaram os sete lotes, e o deságio médio das operações foi o maior já registrado nos leilões de transmissão realizados desde 2000. ” (Gazeta Mercantil de 27.11.2006)

    Há um problema, no horizonte, contudo. Trata-se do preço a ser pago pelo gás boliviano – que deve ser parte da fonte para as termoelétricas a gás.
    O projeto inicial de termos 49 termoelétricas a gás para atuar em situações de pico de demanda – projeto do tempo de FHC – não avançou no início. Ao final da gestão FHC – salvo engano de minha memória – somente 14 daquelas usinas tinham saído do papel, sendo que 11 tinham a Petrobrás como única acionista.
    O Brasil pretende alcançar auto-suficiência em gás já em 2009 ( o que garantiria oferta firme de gás, além de afastar o risco de choque de preço). Acho que é possível falar em um risco chamado “choque de preço”, mas até que ponto este risco existe e se a Petrobrás vai absorvê-lo, eu realmente não sei.
    Finalmente, não é demais citar o Ministério das Minas e Energia a respeito da questão – surgida em setembro, quando ocorreram dificuldades de suprimento de gás : “As mencionadas dificuldades referem-se a um montante de 3,9 mil MW, num parque gerador da ordem de 100 mil MW instalados e 53 mil MWmédios de energia assegurada.
    Esse montante representa cerca de 7% da oferta total disponível.
    Atribuir a possibilidade de haver risco de déficit de 25% ou até 50% como foi mencionado é uma grave distorção. Para que isso viesse ocorrer, o manancial hidrelétrico precisaria experimentar um regime de ausência de chuvas jamais verificada. ”
    (Fonte: http://www.mme.gov.br/site/news/detail.do;jsessionid=9ACA1A5BC998B17E4E26BC358506D8C9?newsId=10634)

    Abraços

    João França

  7. Luis Nassif disse:

    João, esse número me foi passado, em conversa telefônica, por uma fonte do Rio, ligada à área de infra. Vou conferir com ela de onde saiu.

  8. Mário Mendonça disse:

    Caro Nassif

    Me tire uma duvida.
    Para se ter um maior crescimento, que o ” Nosso Guia ” anda pregando ( parodiando o Caro Elio ) o País não requer uma oferta maior de Energia…Infra estrutura…..Ou o Pedrão, é um amigão…

  9. Luis Nassif disse:

    O FHC confiou no amigo Pedro, e dançou.

  10. Carlos Wagner Pachec disse:

    Meu tema cabe em mais de um de seus temas, mas vamos neste aqui.
    Sempre defendi que a ELETROBRÁS exercesse um papel de maior relevância na expansão da oferta de energia(vide Função Financeira da Eletrobrás-monografia de minha autoria incorporada por vc. no Projeto Brasil). Mas as notícias publicadas pela grande imprensa ontem são desanimadoras. O presidente da ELB fala em a União vender sua participação acionária e colocar os recursos no caixa da Eletrobrás, isto é sério? Sendo sério é financeiramente plausível vender ações cujo valor de mercado variam entre e 30 e 40% do valor patrimomial? Falo com conhecimento de causa que a ELETROBRÁS tem umproblema seríissimo de geração de caixa. Sem desatar este nó, ela não acrescentará nada em termos de energia. Coloco à sua disposição minha análise para desatar este nó e depois partirmos para a ELETROBRAS como o principal agente alavancador da expansão de oferta de energia.. Desculpe-me o tamanho do texto.

  11. Luis Nassif disse:

    Carlos, pode mandar para luisnassif@ig.com.br

  12. Ricardo Fernandes disse:

    Você não tinha dito que a Ministra Dilma tinha mudado o modelo e realizado um excelente trabalho. Será que ainda não vieram os frutos? Gabinete da Crise para um modelo bem sucedido? Não entendi. Perdoe-me a ignorância.

  13. Luis Nassif disse:

    Ricardo, o modelo funciona sim. Mas os atrasos na implementação dos projetos, a demora no licenciamento ambiental, exige medidas de guerra.

  14. Leão Machado Neto disse:

    Nassif,
    você usou a palavra mágica:energia.
    É o nosso principal problema de infra-estrutura.
    O governo não autoriza as geradoras, privatizadas, a repassar seus custos.
    Está errado. Desestimula o investimento privado.Governo e livre iniciativa devem estar juntos na elaboração de um programa energético eficiente.

  15. Fernando Beça disse:

    Este tema é complexo e bem técnico, que pena que não tenha decolocado no blog.
    O não existem problemas ?
    Por exemplo , o BNDES não financia estatais para participar dos leilões mas financia o setor privado. Isto não me parece adequado.

  16. Luis Nassif disse:

    Fernando, por conta de uma maneira torta de contabilizar as contas das estatais, mesmo as superavitárias.

  17. Fernando Beça disse:

    Nassif, vc explicou que era por conta de uma maneira torta de contabilizar as contas das estatais.
    Podes explicitar o assunto? Sinceramente não entendi.

  18. Luis Nassif disse:

    Fernando, financiamento a estatal é considerado déficit público.

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