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Arquivo de outubro, 2006

31/10/2006 - 20:33

O navegador Ópera

Acabo de experimentar o Ópera. Só uma experimentadinha. Mas é a jato. Impressionante.

Observações adicionais

O BitTorrent é facílimo de usar. Até me reconciliei com ele.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
31/10/2006 - 18:21

Imperdível a entrevista de Cláudio Lembo a Paulo Moreira Leite, no “Estadão” de hoje. Um craque, irônico na medida certa, divertidíssimo, sábio.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
31/10/2006 - 18:17

A companheira

Uma das cenas bonitas dessas eleições foi a entrevista de Geraldo Alckmin reconhecendo a derrota, e sua declaração de amor à sua esposa, Lu Alckmin.

Na viagem que fiz com ele a Juiz de Fora, para uma entrevista, na volta Alckmin era todo orgulho e paixão pela mulher. Ela tinha estado em Belo Horizonte, e visitado o Mercado Central acompanhado da família de Aécio Neves. Alckmin mostrava a primeira página de diversos jornais destacando a cena. Piedosamente, os mineiros esconderam a maldade do “Estado de Minas”: a manchete “Da Daslu ao Mercado Central”.

Pouco importa. Apesar do escorregão dos vestidos que recebeu, na solidão que caracterizou a campanha do marido, sem correligionários, sem confidentes políticos, até por suas características pessoais, dona Lu mostrou ser uma grande companheira.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
31/10/2006 - 15:11

Gestão das florestas

Prezado Sr. Luis Nassif,

Agradecemos por colocar em discussão o tema da gestão de florestas públicas.

A grande marca da Lei de Gestão de Florestas Públicas – Lei nº11.284, de 02 de março de 2006 – é a transparência.

Gestada a partir de intenso processo de construção participativa que colheu sugestões entre os povos da floresta, representados pelos movimentos sociais, entre os empresários do setor florestal, com assento na CNI, entre os integrantes do setor técnico/acadêmico representados pela Embrapa, SBS, SBEF, MCT e outros tantos. O MMA catalisou o processo que conseguiu reunir também vários entes governamentais federais, estaduais e municipais durante 1 ano de discussões como decorrência das tratativas para a redução do desmatamento na Amazônia.

Depois o processo de negociações para a tramitação legislativa durou outro ano de convencimentos e defesas qualitativas do projeto de lei. Se uniram em defesa do texto legislativo parlamentares dos mais diversos partidos e representantes da sociedade tão díspares como o Greenpeace e a CNI.

Aprovada a lei em março desse ano deu-se início aos processos executivos dela decorrentes com a instalação da Comissão de Gestão de Florestas Públicas – CGFLOP – formada por 24 representantes dos 3 setores de organização da vida pública, que já tendo se reunido em 3 ocasiões, aprovou o seu regimento interno e produziu um texto base para a regulamentação legal. Estamos completando hoje – 31/10 -em Belém/PA o processo de audiências públicas em 8 cidades para aprimorar o decreto de regulamentação da lei. O texto final do decreto sairá da reunião conjunta da CGFLOP com a CONAFLOR-Comissão Nacional de Florestas do PNF – Programa Nacional de Florestas/MMA nos dias 7 e 8 de novembro.

Paralelamente à regulamentação da lei estamos formatando os Contratos de Transição para dar continuidade ao manejo florestal sustentável que haviam sido interrompidos em 2.003, pela quantidade de irregularidades apontadas pelo IBAMA naquela ocasião. Nossa expectativa é a de que em meados do ano que vem procedamos às primeiras concessões licitadas para o manejo florestal sustentável das áreas destinadas no Plano Anual de Outorga Florestal – PAOF – um instrumento da lei, bem como o é o Cadastro Nacional de Florestas Públicas. Uma condição e pré-requisito para a concessão será o lançamento das áreas das florestas públicas nesse cadastro de acesso público.

Todos os documentos e fases do processo relativos à Lei 11.284/06, à regulamentação da Lei e aos Contratos de Transição estão disponíveis, com toda a transparência necessária, no sítio www.mma.gov.br/sfb

Atenciosamente,

José Ivan Mayer de Aquino.

Gestor Governamental/MMA e Coordenador do Comitê-DF da Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida (Campanha do Betinho)

Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia Tags:
31/10/2006 - 14:35

Dicas do Mozilla Firefox

Meu lado micreiro é compulsivo.

Vou abrir esse post para que os amigos informáticos coloquem ficas de extensão do Mozilla Firefox. Depois, junto tudo em um post maior, para dar mais visibilidade.

Peço o seguinte:

Nome da extensão, o que faz e qual o endereço onde baixar.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
31/10/2006 - 14:21

O INSS e a perícia médica

Enviado por: Cleber Rodrigues

Nassif, em relação a Previdência, há um decreto recente (de agosto) que instituiu o nexo epidemiológico, que poderá ser uma revolução, pois racionaliza as perícias médicas e na prática poderá vir a torná-las obsoletas, servindo-se de critérios coletivos (epidemiológicos) e acabando com a obrigatoriedade da perícia, que poderia ser feita por amostra (como na Receita) e por junta multidisciplinar. Vamos ver se o governo tem coragem de enfrentar o lobby das empresas e dos médicos. É preciso refundar a gestão pública que ainda tem bases no império.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
31/10/2006 - 11:41

Gerdau e a Qualidade

A eventual indicação de Jorge Gerdau para um Ministério de Lula – de preferência, um ministério que possa atuar sobre a gestão de todos os demais – significaria um salto extraordinário no ponto mais fraco do atual governo: a gestão pública.

Gerdau é um dos pais dos programas de qualidade na área privada e pública do país. O Movimento Gaúcho pela Qualidade e o Movimento Fluminense pela Qualidade empolgaram milhares de empresas de todos os tamanhos e órgãos públicos.

Coube a ele convencer o então presidente eleito Fernando Collor a abraçar a idéia. Na gestão Luiz Carlos Bresser Pereira no Ministério da Administração, passei bom tempo buzinando na orelha do Ministro para abraçar a idéia. Bresser-Pereira só se convenceu quando assistiu a uma cerimônia de premiação do Prêmio Gaúcho de Qualidade.

Imediatamente convidou um grupo de pessoas para integrar o Prêmio de Qualidade do Setor Público. Convidou-se e fui obrigado a aceitar, depois de ter recusado fazer parte do Conselho da Reforma do Estado, também na sua gestão.

Faziam parte do Conselho outros guerreiros da Qualidade, o Antonio Maciel, na época na Ford, o Mangels, o Élcio de Lucca, da Serasa. Esse pessoal, ao lado do Musa, ex-Rhodia, do Carlos Salles, ex-Xerox, do Falconi a Godoy e tantos outros, mudaram a face do país com os programas de qualidade. Primeiro, espalhando a boa nova nas suas empresas, depois nas pequenas empresas, depois na área pública.

No final do governo Fernando Henrique Cardoso, por iniciativa de Gerdau, o Conselho foi transformado em uma OSCIP, o Movimento Brasil Competitivo, com recursos do governo e da iniciativa privada, incumbida de levar programas de gestão para a área pública.

As duas últimas contribuições de Gerdau têm sido para a Previdência e para o Bolsa Família. Na Previdência, sua ajuda tem sido essencial para o que o Ministro Nelson Machado leve a cabo a primeira reforma gerencial consistente da Previdência, provavelmente em toda a sua história. No governo FHC houve algumas tentativas pontuais, mas que não tiveram prosseguimento.

Em relação ao Bolsa Família, no ano passado, o Ministro Patrus Ananias veio me visitar. No meio da conversa lhe falei dos ganhos que os programas de gestão pela qualidade permitiam. E aconselhei-o a procurar Gerdau e o MBC. Um mês depois o Ministro me telefonou dizendo que já tinha assinado um convênio com o MBC.

O Bolsa Família hoje é o principal exemplo de que modelos de gestão e indicadores de acompanhamento, são ferramentas indispensáveis para dar eficiência ao social.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
31/10/2006 - 11:16

Muito aquém do Jardim

“O Globo” converteu-se no melhor jornal do país, hoje em dia. Mas às vezes incorre em ironias desnecessárias. A foto de primeira página de Lula, hoje, com o título “Muito além do jardim” (o filme em que Peter Sellers é um jardineiro que se torna personalidade repetindo frases chavão de televisão) é uma piada, mas contra o autor da manchete.

O homem é reeleito presidente com votação maciça enfrentando praticamente toda a grande mídia, os escândalos do seu próprio partido, os erros da sua política econômica. E é comparado a um jardineiro sonso? Quem seria o esperto, então? O mancheteiro?

O primeiro passo para uma crítica eficiente, se se quer tomar alguém como inimigo, é saber dimensionar seu verdadeiro tamanho. Para o bem ou para o mal, a dimensão política de Lula é enorme.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
31/10/2006 - 11:07

O manejo florestal

Do leitor Thiago

Do site Instituto Floresta Tropical:

“Fotos tiradas pela Fundação Floresta Tropical – FFT das duas áreas que fizeram parte do estudo de caso, onde foi desenvolvido o trabalho de “Custos e Benefícios Financeiros da Exploração de Impacto Reduzido em Comparação a Exploração Convencional na Amazônia Oriental”, livro publicado no ano de 2002, pela Fundação Floresta Tropical, com reimpressão em 2004. Em ambas as áreas foi extraído o mesmo volume de madeira; 25m3/ha”.

Para quem não entendeu as fotos: a da esqueda a extração foi com sistema de manejo florestal; a segunda, foi pelo método comum.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
31/10/2006 - 07:00

O projeto Amazônia

Na aba de ECONOMIA, a Coluna Econômica de hoje, consolidando algumas informações de leitores sobre o projeto de ocupação ordenada da Amazônia.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
30/10/2006 - 23:11

Gente Humilde

Essa história me foi contada por Baden Powell, em 1995.

Ele tinha 15 anos, fazia bico na rádio Nacional, e se encantava com os estudos de Anibal Sardinha, o Garoto. Muitos anos depois, Ângela Maria o procurou pedindo um tema para Vinicius colocar letra. Baden lembrou-se do tema de Garoto e passou para Vinicius.

Pouco tempo depois, Vinicius preparou a letra, com um adendo de Chico, e a música estourou na voz de Ângela.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Música Tags:
30/10/2006 - 22:49

Os símbolos na política

Do leitor André Araújo

Nassif:

Estou impressionado com o nivel dos leitores que contribuem para o seu blog. É um forum de excepcional qualidade, como não há outro no País, dedicado aos grandes temas de politica e politica economica.

Para sintetizar vejo na reeleição do Lula a renovação das mesmas esperanças do mesmo eleitorado de 2002, praticamente idêntico em percentual. É como se o eleitorado conferisse uma segunda chance para a mesma bandeira porque na alternativa do PSDB o eleitorado não via esperança alguma para a bandeira do desenvolvimento. Cabe ao Lula a leitura dessa renovação de esperanças.

Se fraquejar e continuar empinando esse monetarismo fajuto terá um papel menor na História, que registra tantos personagens depositários de esperanças não alcançadas.

A votação contra a extraordinária pressão da mídia e dos bem-pensantes é um recado claríssimo na renovação de uma bandeira que está colada no personagem Lula, apesar de não ter sido hasteada entre 2002 e 2006, da mesma forma que no PSDB está colada, aos olhos do povo, a bandeira do mercadismo egoista e excludente.

Os símbolos são tudo em politica, demoram para nascer e mais ainda para morrer.

Observação

André é autor de “Moeda e Prosperidade” (Topbooks), um dos mais amplos levantamentos sobre o conjunto de circunstâncias e de autores que serviram de base para o monetarismo pós anos 70.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
30/10/2006 - 12:34

Manejo florestal

Estou juntando material sobre a questão do projeto Amazônia. Sempre fui a favor da tese de que a melhor maneira de preservar uma determinada área seria permitir o manejo controlado. Vi o que ocorreu no Litoral Norte de São Paulo. Em áreas trabalhadas por empresas conscientes, houve preservação. As áreas que o Ministério Público da Baixada cismou em preservar (sem desenvolver) foram vítimas de ocupação desenfreada.

No caso da Amazônia, a possibilidade de concessões, desde que bem definidas, seguindo regras internacionais de preservação ambiental, é a melhor maneira de trabalhar. Qualquer abuso que ocorra na área, há uma responsabilidade jurídica definida, do concessionário. Hoje em dia, o que existem são madeireiras atuando ao arrepio da lei e dos fiscais.

É uma opinião inicial. Até amanhã vamos colocar as informações e os temas de discussão na aba da ECONOMIA.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
30/10/2006 - 12:28

O balanço do leitor

Enviado por: Marcelo Luiz

Nassif,

Ainda é difícil delinear o que ocorrerá em 2010, mas algumas conclusões são óbvias:

Sobre o PSDB:

1- Enquanto tinha Aécio e Serra (1 turno), Alckmin teve a transferência de votos natural desses, estes eleitos, os efeitos dissiparam (e não foi por culpa dos mesmos frise-se);

2 – Parte dos radicais tucanos paulistas já culpam pela derrota é Aécio (apesar de paulista tenho que a inveja mata);

3 – FHC vai querer tornar Serra refém de sua visão política até pelo medo de perder para Aécio a indicação a presidente;

4 – Parte do staff de serristas, vindo do PMDB parece compartilhar da ótica que Serra é visto como o único que tem um projeto a contrapor-se a Lula;

5 – Acredito que seja Serra inteligente a ponto de ver que o ano de 2010 está longe e o que o povo quer é um político que traga desenvolvimento ao país com desenvolvimento social, só será possível governar o país quem enterrar de vez a influência de FHC, já que para o povo ele é ex-presidente e ninguém votou nele para FHC mandar;

6 – Aécio sai sem sombras de dúvidas como a alternativa mais palatável para grande parte da nação, mesmo quem não o tem como primeiro candidato, o vê como segunda alternativa, até por ser mais simples passar como o candidato que irá continuar a política social e mudar a economia para um viés desenvolvimentista;

7 – Alckmin deve tentar sair para prefeito de São Paulo para manter seu recall e tentar voltar em 2010 para governo. Um ponto que não vi tocado até o momento, como Serra deve mudar a equipe de primeiro, segundo, e terceiro escalão, deve haver fraturas, já que alguns têm postos a pelo menos 12 anos e quem perder verá Alckmin como traído pelo antigo PSDB uspiano e difundirá a lenda que o PSDB entregou as eleições desse ano para ganhar 2010 (nem preciso dizer que já li tal asneira);

8- A minha conclusão é que dentro do futuro quadro eleitoral Serra seja o que tem mais desafios, mas concordo se conseguir impor suas idéias (e mostrar que são suas) será um dos nomes fortes em 2010, mas a vida de Aécio parece-me ser mais fácil;

PT

9 – Jacques Vagner terá enormes dificuldades na Bahia, ACM não deixará barato, e utilizará da mesma tática que fez com o PT quando este governou a prefeitura (breca qualquer medida ou via assembléia legislativa ou judiciário e propaganda negativa em seus meios de comunicação);

10 – Dilma e Tarso terão que lutar contra os quadros paulistas que nitidamente perderam – Mercadante, Dirceu, e Palloci (o único quadro paulista vitorioso do PT daqui foi Marta, só ver os eleitos para deputado federal e estadual e a mudança da campanha aqui em São Paulo);

11 – Será um partido importante em 2010, mas que demorará a forjar unidade para um nome (é quase impossível se você colocar o número de dirigentes sob suspeita ou que vão ter que trabalhar muito para não naufragarem como na Bahia e Pará), mas se Lula seguir a sua cartilha econômica Nassif será (PT) o grande eleitor, talvez cresça em termos de capilaridade pelo país, o que pode levá-lo a tornar-se um novo PMDB – Mas, se tiver um candidato Marcelo Deda é o nome aqui;

PSB

12 – Eduardo Campos, este é o grande nome do Nordeste para o futuro;

13 – Ciro Gomes deve ser a carta anti-paulista da eleição, uma pessoa competente, mas talvez numa eleição com Serra para parte do eleitorado seja visto como semelhante, terá forte apoio de parte do PT, podendo se tornar até o líder da coligação no primeiro turno;

PPS

14- Blaigi pode surpreender pode ser um centro de atração para as idéias do moderno agro-business atraindo o PFL, rompeu com o passado que é Roberto Freire, tem idéias próprias e é desenvolvimentista;

Garotinho

15- Garotinho começou a sua arrancada, esta fazendo uma série de acordos com rádios em todo país diz que é para pregar (??), é um outsider;

PFL

16- Tornou-se o grande derrotado da eleição deste ano por ter diminuído o número de deputados federais e governadores;

17- Tem nomes jovens, mas será que com novas idéias, será que terá coragem de defender as idéias pró-mercado contra os desenvolvimentistas?;

17ª – Kassab que via com bons olhos, assinou o atestado de óbito no momento que propôs o aumento do IPTU e as mudanças do ISS, não terá chances contra Alckmin, poderá ser um político importante, mas sem grandes perspectivas a um cargo maior;

18- Sofrerá a influencia dos novos centros de gravidade da política brasileira: Anti-lula, Serra, Aécio, Eduardo Campos, Blaigi;

PMDB

19 – Continua sendo o maior partido do país e continuará a refletir as contradições nacionais (apesar dessa leva de governadores ser melhor que a anterior);

Desenvolvimentistas x mercado -

20 -A grande imprensa já exige que a política continua, espero logo ler um movimento fica Meirelles com apoio de figuras impar como Pedro Malan, Palloci etc;

21 – Se Lula não seguir seus conselhos, seguirá o mesmo fim de FHC, será considerado um ex-presidente que todos temem que tenha poder de novo;

22 -Se Lula não fizer agora, o próximo presidente fará, o eleitorado exigirá que o Brasil caminhe com uma pequena inflação, juros baixos, queda dos tributos e desenvolvimento de 4% no mínimo;

Eleições

23 – Finalmente acabou, nunca vi tanto ódio destilado e falta de idéias como essa campanha.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia Tags:
30/10/2006 - 11:43

Desenvolvimento e distribuição

Pessoal,

peloamordedeus, não cometam o erro de demonizar o desenvolvimento, como se fosse fonte da concentração de renda. É possível crescer e distribuir. É possível crescer sem distribuir em termos relativos.

Mas distribuir sem crescer é sonho, dura pouco. O crescimento permite gerar emprego, melhora a arrecadação sem aumentar impostos, permite gerar mais recursos para políticas sociais.

Só faltava, agora, essa anorexia com o crescimento, que já contaminou o mercado, passar a contaminar também outros setores.

Nos anos do chamado “milagre” aumentou a concentração de renda, mas melhorou a vida de todos. Aliás, se o crescimento no “milagre” tivesse se dado com distribuição de renda e melhoria dos serviços públicos, não teria se esgotado na primeira crise internacional.

Adendo

De tanto os cabeções insistirem que não se pode crescer sem cortar saúde, educação e previdência, o pessoal acabou acreditando que o mal está no crescimento. Esses economistas nunca pensaram em desenvolvimento. Sua única meta é a “solvência das contas públicas”, isto é, cortar todos os gastos, para que haja mais espaço para a irresponsabilidade monetária do Banco Central.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
30/10/2006 - 09:55

Os caminhos do 3o turno

Na aba ECONOMIA, a Coluna Econômica abordando as perspectivas políticas após a reeleição de Lula.

Clique aqui.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
30/10/2006 - 09:54

Os caminhos do 3o turno

Coluna Econômica – 30/10/2006

Nesse período eleitoral, procurei trazer o que considerava que seriam os pontos-chaves a marcar o terceiro turno das eleições. Sempre é difícil, em meio ao tiroteio, tentar extrapolar para momentos futuros.

O momento atual é de guerra. Se acredito que a principal combustão dessa guerra são as eleições, tenho que fazer um exercício prospectivo para imaginar o que seria o cenário político pós-eleições. Sem esse combustível principal, o incêndio permanece, ou as forças pró-pacificação se imporão?

No caso dos cenários prospectivos, há um conjunto infinito de alternativas, de eventos e situações. É impossível colocá-los a todos em uma planilha e tirar a resultante final. Por isso mesmo, só resta recorrer a uma dose de análise e uma grande margem de intuição, apostar em algumas variáveis que você julga serem as mais relevantes, mas sabendo que há componentes aleatórios sobre os quais não se tem controle.

Em minha opinião, deverão se impor as seguintes tendências:

1. As eleições expuseram de forma clara a ausência de bandeiras novas por parte dos dois candidatos. E há um movimento que cresce a cada dia, em torno da bandeira desenvolvimentista, que até agora não tem dono. Ao mesmo tempo, esgotou-se o movimento do pêndulo que facilitava medidas de arrocho nas aposentadorias e gastos sociais. Esses dois movimentos mudam totalmente o cenário de idéias que garantiu a era FHC. A partir do terceiro turno, a bandeira do desenvolvimentismo com inclusão social toma lugar do mercadismo, no campo das idéias políticas hegemônicas.

2. O PSDB teria dificuldades em empunhar essa bandeira, devido aos impasses internos, e porque o partido está irremediavelmente marcado pela imagem de FHC e das escolhas que fez. Para os desenvolvimentistas do partido, a única alternativa seria José Serra inaugurar o “serrismo”. Aparentemente, o caminho escolhido será a proposta de uma reorganização partidária que permitirá o surgimento de um novo partido com clareza programática, e com a bandeira do desenvolvimentismo. No dia seguinte às eleições, Serra e Aécio assumem definitivamente a liderança da oposição, encerrando-se oficialmente a era FHC.

3. Os governadores serão pontos relevantes em um novo pacto político, ainda mais com um time em que despontam Serra e Aécio, Jacques Wagner e Marcelo Dedá. Não conheço direito Sérgio Cabral, mas ouço dizer que tem visão política.

4. No governo, haverá a tentativa dos grupos mineiro, gaúcho e nordestino de ocupar o lugar das antigas lideranças paulistas -Antonio Palocci e José Dirceu. Mas, sem um pacto mais amplo, não conseguirão esquentar a cadeira no PT.

5. Para Aécio, Serra, Tarso, Dilma interessa a paz; para FHC, Tasso Jereissatti, e os remanescentes dos “operadores” do partido, interessa a guerra. Os pacificadores têm cargos executivos; os guerreiros, não. Dentro desse quadro, só o fracasso completo dos pacificadores, ou a incrível capacidade do PT em arrumar rolos, dará combustível para uma crise política. Se bem que, depois de cuecão, dossiê e Waldomiro, tudo é possível.

Para incluir na lista Coluna Econômica

Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia Tags:
30/10/2006 - 00:01

Firefox e Excel

Virei fã de carteirinha do Firefox. É um navegador que deixa o último IE no chinelo.

Mas o Excel, o Excel… Que me perdoem os guerreiros do Santo Graal, que querem decapitar o Steve Ballmer, mas o Excel é campeão. Só aquela função de importar dados externos de página XML e poder atualizar a qualquer momento, vale todas os bugs e virus que tive que enfrentar com os produtos Microsoft.

Aliás, instalei a versão 2.0, mas estou enfrentando um problema. Quando entro em uma página em que já entrei (como na aba ECONOMIA), a memória cachê mantém a página anterior, não atualizada, e não tem reload que funcione.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/10/2006 - 23:04

Uma análise exemplar

Clique aqui para ler uma análise exemplar das eleições, de Marcos Coimbra para o Blog do Ricardo Noblat.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/10/2006 - 20:38

Gente humilde

Lula ganhou a segunda chance.

A partir de amanhã as maiores cobranças não partirão dos carbonários, mas de seus eleitores. Com esse segundo voto de confiança, não poderá mais falhar, seja no plano ético ou no econômico.

Ele não foi eleito pela mídia, nem pelos coronéis. Foi eleito por pessoas que, de norte a sul, mesmo ante escândalos concretos, acreditaram que ele poderia ter a segunda chance e melhorar o Brasil.

Não tem mais o direito nem de errar, nem de se acomodar, nem de empurrar a política econômica com a barriga.

Como diria Chico Buarque, em “Gente Humilde”, “eu que não creio / peço a Deus por minha gente / é gente humilde / que vontade de chorar”.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/10/2006 - 19:48

Bandeiras de Lula

Para o próximo mandato, as seguintes bandeiras serão prioritárias para o governo Lula:

1. Consolidação da Bolsa Família.

2. Programa da Bioenergia que, se bem tocado, poderá mudar o país.

3. Redução da ortodoxia da política econômica.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/10/2006 - 19:44

Planilha com tilt

Pessoal,

suprimi as notas anteriores porque montei uma planilha importando dados de um site (com o comando Importar Dados Externos do Excel). Acontece que, a cada atualização, a página muda os dados de lugar.

Desse modo, ficou impossível atualizar em tempo real o DataNassif.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/10/2006 - 11:46

A Bolsa Avon

Prometi o iPod Nano para quem apresentasse uma idéia criativa de um dos candidatos no debate de sexta. Por isso ninguém leva nem o Ipod, nem a Ferrari, nem o bandolim do Jacob nem a flauta de Pixinguinha.

Mas o prêmio de criatividade vai para o leitor Antonio Campos e sua “Bolsa Avon”

“Nassif, acho que o mais inovador foi a idéia do Alckmin de que no seu governo “as mulheres vão poder ganhar seu dinheirinho…” Deve ser a bolsa-avon! A emancipação definitiva das mulheres! Vão poder fazer suas “comprinhas”, sozinhas…”

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/10/2006 - 11:28

O Terceiro Tempo

Essas eleições são as mais importantes dos últimos 17 anos, por marcar definitivamente o fim da era Fernando Henrique Cardoso.

O estilo FHC, da dubiedade programática, significava acenar com algum espaço para os desenvolvimentistas, fazer o jogo interno do partido, com a clara intenção de anulá-los como força autônoma, e mantê-los debaixo da asa do mercadismo avassalador da PUC-Rio.

Esse mesmo estilo foi adotado por Lula, ao apostar na polarização Palocci-Dirceu. A Dirceu era permitida a retórica; a Palocci, a caneta. Nos dois casos, FHC e Lula, terceirou-se a política econômica para essa entidade mística chamada Mercado, acreditando que qualquer outra forma de gestão econômica significaria populismo, desequilíbrio fiscal, volta aos anos 80 (bordão predileto desse pessoal).

Terceirizou-se, mas a política econômica não entregou o que prometeu: desenvolvimento.

Do lado da oposição, segunda-feira FHC vestirá o pijama, assumem José Serra e Aécio Neves, e poderá haver a recuperação do primado da Política sobre o Mercado.

Até agora, Aécio tem tentado brandir a bandeira gerencial. O que fez em Minas Gerais é importante do ponto de vista de gestão, mas insuficiente do ponto de vista de projeto nacional. Aécio entendeu uma das pernas do novo modelo político – a gerencial –, mas não tem nenhuma definição conhecida sobre todas as demais – a dimensão da política econômica, das políticas sociais, inserção do Brasil no mundo etc.

De seu lado, há muitos anos José Serra já era visto como o quadro mais preparado do PSDB. Tem história, idéias, quadros e, desde 1994, era o lado do PSDB que representava a modernização com responsabilidade fiscal e engajamento social.

Em 1994, a eleição de FHC jogou Serra para segundo plano, e congelou o que se poderia chamar de “serrismo”, que crescia a olhos vistos desde fins dos anos 80.

A árvore e o parasita

Desde então, desenvolveu-se essa relação política entre ele e FHC que, um dia, ainda será dissecada por algum especialista em psicologia pública (se é que existe a matéria).

Enquanto presidente, FHC deu “oportunidades” a Serra, no início como Ministro do Planejamento sem voz; depois, como Ministro da Saúde, sem voz política, mas com visibilidade nacional.

O cargo de Ministro garantiu a Serra o cacife para manter-se como o grande homem do partido, após o próprio FHC. Mas garantiu a FHC manter por perto – e sem voz política – a pessoa que ele sabia ser o único em condições de ser uma alternativa de poder muito mais completa e consiste que o fernandismo.

Quando o reinado FHC foi chegando ao fim, em 2002, FHC passou a adotar uma relação parasitária explícita com Serra. Este se tornou a árvore; FHC o parasita, a planta que orna a árvore, deixa-a mais bonita até, mas suga as suas seivas. (Atenção: não estou desrespeitando FHC chamando-o de parasita; o termo se refere a um tipo de relação pessoal, muito associada ao fenômeno biológico).

Lançou-o candidato à sua sucessão em 2002, mas operou insistentemente contra sua candidatura. Agora, dá entrevistas e lança iscas em direção à árvore, admitindo-o como o melhor quadro do partido. Ao mesmo tempo, acena com a guerra como estratégia política. Em quadro de guerra, o parasita comanda a árvore; em quadro de negociações políticas e redefinições programáticas, a árvore comanda. Caindo na armadilha da relação parasitária, e da guerra, a árvore seria subjugada pelo parasita.

Mais ainda. A dubiedade programática de FHC já sugou todas as energias do galho PSDB. Depois de deixar o governo, FHC deixou de ser o includente, o que juntava todas as forças debaixo da sua asa, e conseguia com seu pragmatismo e habilidade anular todas as idéias, pasteurizar todas as posições. Sua imagem ficou indelevelmente ligada a um estilo de elitismo superficial, mas suficientemente poderoso para estigmatizar quem se aproxime politicamente dele.

Parece claro que haverá a reorganização partidária — que antecipei aqui há algumas semanas. Mas será com um novo partido, pela impossibilidade de dissociar o PSDB da pesada herança fernandista.

Não há maneira da árvore sobreviver, se mantida essa relação com o parasita. Homem de lealdades, Serra vacilará até o último instante em aceitar um rompimento, ainda que político, com o amigo. Mas não acredito que haja outra alternativa.

A volta do pêndulo

Os próximos anos serão indelevelmente marcados pela volta do pêndulo, pelo fim das simplificações programáticas e pela compreensão do país como um todo.

As idéias-força do próximo tempo terão, como ponto central, a reconciliação da política com o povo, o primado da Política sobre o Mercado, a visão do país como uma realidade complexa em que já nos tornamos, com algumas idéias-força que terão que ser compatibilizadas.

1. A campanha atual mostrou o extraordinário divórcio entre princípios de modernização e o pensamento da opinião pública majoritária. A privatização foi demonizada, em si, princípios de gestão desmoralizados junto a grande parte da população eleitora. Esses valores terão que ser recuperados, mas dentro de uma nova ótica. As novas lideranças terão que demonstrar que modernização e eficiência são ferramentas para melhorar a vida de todos.

2. O primado das políticas sociais. A inclusão social é peça central na recuperação do conceito de Nação. Não se pode permitir essa falsa dicotomia entre carga de impostos e gastos sociais. Tem que ser entendida como possibilidade de ampliação do mercado interno, de passo essencial para a construção de uma futura grande nação, não apenas por seus aspectos econômicos, mas por permitir o exercício da solidariedade nacional.

3. Projeto nacional de desenvolvimento. A nova bandeira precisará casar a idéia do desenvolvimento nacional juntando crescimento, solidariedade social e eficiência gerencial. Terá que haver um projeto nacional suficientemente abrangente para juntar trabalhadores e empresas, grande empresariado nacional e multinacional instalado aqui com pequenas empresas, movimentos sociais e projetos modernizadores. A maneira de romper com essa divisão que marcou as eleições, entre ricos e pobres, é acenar com um projeto de desenvolvimento suficientemente claro, que permita a cada ator se ver nela, saber onde contribuir e como ganhar.

Se o novo partido em gestação que vem por aí conseguir empunhar essa bandeira, mudará a história do país. Pela primeira vez em doze anos se terá um partido com clareza programática. A força dessa clareza programática permitirá à oposição criar uma alternativa real de poder político; e empurrará o governo Lula para romper com o estilo FHC que marcou os últimos quatro anos.

Enfim, o país entrará no terceiro tempo podendo, pela primeira vez, reunir condições concretas para romper com o pacto da estagnação que marcou oito anos de governo FHC e quatro de governo Lula.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/10/2006 - 11:12

O Projeto Brasil

Clique aqui para ler, no site do Projeto Brasil, os principais pontos para uma agenda de desenvolvimento, dentro do trabalho desenvolvido com a Associação Paulista dos Jornais (APJ).

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/10/2006 - 10:29

Temas para o 3o turno

Enviado pelo leitor weden

Anime-se. A patologia acaba hoje na maior de todas as campanhas eleitorais da face da terra. Afinal, começou há quase 18 meses.

Falou-se muito de que PT sairá das urnas. E do que restará do PSDB. Mas ninguém está discutindo, por enquanto, que mídia será a nossa daqui em diante. Deixo aqui algumas questões, um pouco fora da ordem.

1) Se o establishment midiático foi derrotado, ela irá se repensar, num refluxo do engajamento, ou fará uma oposição ressentida?

2) A internet destruiu de vez a possibilidade acordos tácitos dos jornalões?

3) Depois de perder o controle absoluto do “mercado de opinião” (ver Nassif…), como os grandes grupos empresariais tentarão cooptar a web?

4) O esforço supremo (o maior de todos na história do país, superando aquela contra Getúlio) de uma campanha anti-governista deu em nada. Há energia para outro desse?

5) Jornalistas que ousaram ser críticos poderão serão execrados ou patrulhados?

6) Como ela vai negociar com o governo as novas tecnologias que passarão por momentos cruciais nos próximos quatro anos?

7) Com o desgaste da cobertura engajada, a mídia será repensada na sociedade brasileira? Haverá a criação de fóruns para isso?

8) O ressentimento pela derrota prejudicará a cobertura e discussão das principais questões nacionais?

9) Se blogs e fóruns foram o fato novo da mídia nestas eleições, qual será a importância dela daqui a quatro anos? Sua posição será potencializada pela convergência com a TV?

10) Os blogs resgataram o papel de jornalistas sem organizações por trás . Qual será o jornalista mais importante daqui a quatro anos? Os empregados ou livre-opiniadores?

Abs.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/10/2006 - 00:22

A Globo e o Legacy

Recebo o seguinte e-mail:

Os jornalistas da Rede Globo envolvidos diretamente na cobertura do acidente entre o avião da Gol e o Legacy – e colegas que testemunharam nosso trabalho naquela noite no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, e das afiliadas da Globo em Campo Grande, Cuiabá, Belém e Manaus – encaminham este abaixo-assinado e agradecem sua publicação.

Mônica Maria Barbosa
chefe de produção do Jornal Nacional

Para ler,clique aqui.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/10/2006 - 21:18

Bambino, de Nazareth

Clique aqui para ouvir uma gravação de “Bambino”, de Ernesto Nazareth, que solo ao bandolim acompanhada pelo conjunto Nosso Choro.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Música Tags:
28/10/2006 - 21:14

O samba-choro e o sincopado

A moderna música popular brasileira nasceu em Recife nos anos 20. Mas apareceu para o público e historiadores do sul no início dos anos 30, através da marchinha e do samba cariocas.

No carnaval em Recife, tive a oportunidade de ouvir um frevo inédito de Raul Moraes, composto por volta de 1920. Estava lá, com todas as cifras e notas a marchinha carioca, na forma moderna que só começaria a se desenvolver no Rio a partir de 1930 -quando Lamartine Babo lança “O Teu Cabelo”, em parceria com os compositores de frevo Irmãos Valença.

Tome-se o livro de Zuza Homem de Mello e Jairo Severiano com a relação das músicas brasileiras do século, ano a ano, e se verá que as primeiras músicas caracterizadas como marchinhas, no ano de 1930, eram autênticos frevos pernambucanos. Até meados dos anos 40, a marchinha atinge o seu auge. Nos anos 30, foi mais relevante que o próprio samba.

Nesse período se desenvolvem dois gêneros primos-irmãos, que pouco foram analisados separadamente: o samba-choro e o samba sincopado, com sua variante samba-de-breque. Em geral se colocam ambos no mesmo baú do samba.

Há muitos anos minha turma toca um repertório específico, de músicas de natureza muito semelhantes, com as mesmas características, que formam uma linha musical continuada e com identidade própria. Na minha roda chamamos de samba-choro e samba-sincopado.

Exemplos de samba-choro: “Marambaia”, do Henricão (”eu tenho uma casinha lá na Marambaia”), “Minha Palhoça”, de J. Cascata e Leonel Azevedo (”se você quisesse / morar na minha palhoça”), “Sou Bom Chefe de Família” (Joel e J. Batista), “Maria Madalena dos Anzóis Pereira” (Pedro Caetano), “Pra que discutir com madame” (Janet de Almeida). De samba-sincopado se tem a vasta produção de Geraldo Pereira, como “Escurinha” (”escurinha / tu tens que ser minha / de qualquer maneira”), “Foi uma pedra que rolou”, de Pedro Caetano (”levava jurando / ter grande afeição por mim”). Wilson Batista tem um samba-sincopado composto nos anos 20, em parceria com Sinhô.

Os intérpretes favoritos desses gêneros foram os conjuntos vocais dos anos 40, alguns sambistas excepcionais -como Luiz Barbosa, Vassourinha e Ciro Monteiro. Mas os intérpretes que melhor personificaram esse balanço foi a dupla Joel e Gaúcho. São imbatíveis, com uma produção vasta e de qualidade superior a de qualquer conjunto vocal do período, dos Anjos do Inferno aos Garotos da Lua. Já escrevi sobre eles em 2001.

O curioso é que nenhum dos dois gêneros costuma ser identificado na maioria absoluta dos escritos sobre a música brasileira. E, no entanto, conquistaram uma legião de compositores de primeiro time, que formaram uma das mais brilhantes, modernas e irreverentes discografias da música popular -onde João Gilberto foi beber direto.

Desse grupo brilhante participaram Gadé e Walfrido Silva (”Estão Batendo”), Nássara e Rubens Soares (”Batuque na Cozinha”), os grandes Roberto Martins (”Cai, Cai”) e Antonio Almeida, J. Cascata, Haroldo Lobo, Pedro Caetano, e o próprio Noel, com o pioneiro “Conversa de Botequim”, um samba-choro.

Da longa discografia da dupla Joel e Gaúcho, há apenas uma música identificada como samba-choro, o “Mais um Episódio” (Braga Filho e Pedro Caetano), música divertidíssima, mas que sumiu no tempo.

Para cadastrar na Crônica Semanal

PS — No post da Izabel Padovani, dois exemplos brilhantes de sincopado, um do clássico Janet de Almeida, o que ensinou João Gilberto a sincopar.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Música Tags:
28/10/2006 - 21:09

Fim de Semana

Na aba de MÚSICA, links para duas músicas interpretadas por Izabel Padovani, vencedora do Prêmio Visa de Interpretação no ano passado, é uma nova rainha do sincopado. Um link para “Bambino”, de Ernesto Nazareth, que gravei ao bandolim com o Nosso Choro. Também uma crônica sobre o samba choro e o samba sincopado, os pais esquecidos da bossa-nova.

Na aba CRÔNICA, “Conversas com dona Teresa”.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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