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30/09/2006 - 19:33

O dia seguinte

Após as eleições, se vitorioso Lula, haverá três grupos políticos em sinuca.

O primeiro, o próprio grupo do presidente da República. Mal terminadas as eleições, terá que dar provas concretas de que conseguirá mudar a gênese de seu governo, despoluir o Estado das infiltrações espúrias, enquadrar as milícias do PT e acenar com um projeto legítimo de desenvolvimento.

O segundo grupo será o próprio PSDB, que, assim como o PT, sairá rachado da atual campanha. Como se reconstituirá? Aceitará o canto de sereia do radicalismo de direita e da visão preconceituosa e elitista, que emana de Fernando Henrique Cardoso? Ou conseguirá reconstituir-se como um autêntico partido social-democrata, de classe média, de intelectuais e empresários progressistas, recuperando valores que marcaram sua fundação? Será Casa das Garças, Tasso, FHC, ou ressurgirá no legado de Covas, Sérgio Motta e Montoro? Essa será a segunda grande incógnita.

O terceiro grupo é a chamada grande mídia. Como se comportará em caso de vitória de Lula? Terá fôlego jornalístico e assunto para guerrear 365 dias por ano o governo, ou entenderá seu papel de fórum de discussão de saídas para o impasse nacional?

Trata-se, sem dúvida, do fim de um ciclo em que três agentes centrais terão que rever seu papel. E, nos três casos, parece haver carência de definições e de lideranças.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:

25 comentários para “O dia seguinte”

  1. Gonzaga disse:

    Augusto,

    você então parece que não teve consciência do tema em discussão no meu comentário. Você desvirtuou o assunto. Em nenhum momento defendi ou vou defender as falcatruas do PT e do governo Lula. Me referi à cobertura da mídia. Não pelo que ela apresentou, mas pelo que deixou de apresentar. Um dos papéis da mídia é fiscalizar o Estado. Só que nesta eleição, das centenas de repórteres fazendo reportagens investigativas, quase nenhum foi atrás da oposição. A mídia nessa eleição foi de uma parcialidade atroz. Cruel. Não é que não deveria falar do dossiê nem que deveria esconder os petistas corruptos. Deveria buscar um tratamento mais equilibrado. Correr também atrás das falcatruas no PSDB. Foi o que eu disse. Nesse sentido me ecoou um clima pré-64. Não que vá ocorrer algo. Mas essa mobilização da classe média estimulada unilateralmente pela mídia tá esquisita. Os 4 grandes da mídia poupando descaradamente os tucanos. Sem falar de todo o resto..TSE, TREs…delegado dando várias versões, mentindo, e depois ligando pras redações pra passar fotos de um processo em sigilo…etc.

  2. marcelo ribeiro disse:

    Não concordo que o ex-presidente FHC seja radical e elitista. Seu histórico de calma e tolerância com mídia e a oposição durante as crises políticas de seu governo e sua política social com o bolsa escola não respaldam sua opinião Nassif.

  3. Luis Nassif disse:

    Marcelo,
    elitista e democrático. Não radical no sentido de endurecer com a oposição, mas no desprezo às opiniões divergentes.

  4. j.hamilton disse:

    Portanto, quando foi, efetivamente, exercer o poder, colocou de lado seu ideário. O que me parece ser o mais relevante.

  5. Marisa disse:

    Caro Augusto

    Tenha um pouco de paciência. Deixe o tempo passar. O PT está passando por um processo de depuração. Por linhas tortas, o PT irá trazer mais ética para a política, não como um bom exemplo a ser seguido, mas como um mau exemplo a não ser seguido. A crise do PT foi muito útil porque desvendou práticas que eram realizadas por todos os partido e que ocorriam às escondidas Será inevitável que no próximo governo ocorra uma reforma política, o que será muito bom para o Brasil. De uma maneira tortuosa o PT está sendo muito importante para melhorarmos a nossa democracia. Não focalize muito de perto, olhe a situação de longe, e você verá que estamos progredindo.

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