Arquivo de setembro 8th, 2006
08/09/2006 - 10:01
Outro dia fui a um evento em que havia um deputado do PP de Maringá. Não guardei o seu nome, mas registrei o que falou. Reeleição é plebiscito. Não importa quem é o adversário, mas quem é o candidato à reeleição. Por isso mesmo, qualquer campanha de oposição, para ser eficiente, teria que desconstruir o candidato, levantar as promessas e confrontar com o que foi feito. Como a oposição não avançou nessa direção, Lula ficou dono do discurso e sozinho no campo para enfatizar o que fez.
Se se for avaliar ao pé da letra, foi um governo sofrível. Havia bons ministros em algumas áreas. Em outras, houve loteamento amplo, como nas Comunicações, com Hélio Costa, na Saúde, nos Transportes.
Mesmo o trabalho da banda eficiente do ministério foi fundamentalmente comprometido pela administração desastrosa do orçamento, nas mãos de Antonio Palocci e do Ministro do Planejamento Paulo Bernardo. A política ultra-conservadora do Banco Central elevou a dívida pública, obrigou a superávits crescentes. Alma de qualquer governo, a estrutura de gastos foi arrebentada pelo contingenciamento irresponsável, que comprometeu a inclusão digital, a vigilância sanitária, o combate à aftosa, os fundos setoriais e a política tecnológica.
O governo Lula não avançou em pontos essenciais, como na política de saneamento, nos investimentos em infra-estrutura, na agilização das PPPs (Parcerias Público Privadas), na Saúde,.
Houve uma profunda desorganização inicial do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e a Casa Civil, no tempo de José Dirceu, envolveu-se em dezenas de projetos, e não conseguiu dar seguimento à maioria deles. Embora tenha projetado o país como liderança entre os emergentes, a atuação do Itamarati ainda não mostrou resultados práticos no campo comercial.
Quando se confere os comentários dos blogs, no entanto, percebe-se que os defensores de Lula têm argumentos na ponta da língua em favor de seu governo, quase como se tivessem sido ensaiados, tal a uniformidade deles. Já os adversários não conseguiram avançar nas críticas consistentes à sua gestão. O único discurso uniforme é na questão ética.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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08/09/2006 - 09:59
Nos seus últimos anos, Raphael Rabello, atormentado pela tragédia que se abateu sobre ele, enveredou por um malabarismo angustiante, correndo demais ao violão, misturando notas.
Mas, quando interpretava, não tinha para mais ninguém. Confira essa preciosidade de interpretação de “Luiza”, de Tom Jobim ( clique aqui), e de “Garoto”, também de Tom ( clique aqui). O requinte do som, a dosagem da emoção, a capacidade de improviso mostram claramente que, não fosse o destino, Raphael caminharia para ser o maior violonista da história.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Música
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08/09/2006 - 09:52
Uma de minhas músicas internacionais prediletas é “Just a Gigolo”. Ouvi a primeira vez em um vídeo louquíssimo interpretado por David Lee Roth ( clique aqui), aliás um dos melhores vídeos de música que já assisti. Mais tarde, conheci a versão original e descobri um músico portentoso, Louis Prima, um ítalo-americano de Nova Orleans, uma espécie de Louis Armstrong branco (guardadas as devidas proporções), com um balanço fantástico. Não foi possível colocar a gravação no Youtube, mas você pode conferir o balanço dele em outra música (clique aqui). Repare na cara da “crooner” Keely Smith, cantora muito boa e que, nas encenações de Louis Prima, sempre fazia um divertidíssimo ar de saco cheio. A cena dela e Prima esfregando o nariz, em uma das canções, é de rolar de rir.
Tenho mais de uma dezena de gravações da música, uma delas com Marlene Dietrich, voz de idosa, cantando lentamente. Uma das mais curiosas é com a Betty Boop ( clique aqui), de 1932, em cima do personagem em quadrinhos. E também uma fraquíssima dos Menudos (
clique aqui) com Rick Martin adolescente.
Talvez nenhuma música tenha dado margem a tantas interpretações histriônicas quanto “Just a Gigolo”. Aqui, uma versão do conjunto Leningrado Cowboys (Clique aqui).
E aqui um outro clássico de Louis Prima, “Basin Street Blues” (clique aqui).
Outra preciosidade de Louis Prima, “Isle of Capri”, de 1937 (clique aqui).
Essa interpretação de Lou Bega é balançadissíma (clique aqui), meio rumba meio samba. Bega tem outra versão embalada e divertida do “Tico Tico no Fubá”.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Música
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08/09/2006 - 09:51
Segundo a Folha Online, Eduardo Azeredo acusou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de “desleal”, por seu discurso em que faz a “autocrítica” da defesa que o PSDB fez de Eduardo – cuja campanha se envolveu com Marcos Valério ( clique aqui) — e lembrou que ele sequer compareceu a Belo Horizonte na campanha.
As mágoas de Azeredo vêm de longe. Na época, FHC se permitiu fotografar em Minas Gerais ao lado de Hélio Costa, adversário de Azeredo, e em São Paulo ao lado de Paulo Maluf, adversário de Mário Covas. E, no Espírito Santo, abandonou à própria sorte Paulo Hartung e Luiz Paulo Velloso Lucas.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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08/09/2006 - 09:50
A discussão econômica continua presa a dois paradigmas superados: o modelo desenvolvimentista que se esgotou nos anos 80; e o chamado modelo neoliberal, de políticas públicas passivas, que se iniciou em 1994.
Já existe massa crítica de diagnósticos para que se dê um salto nessa dicotomia. Conto com a contribuição de vocês para sugerir temas ou interpretações.
Indústria nacional
Desenvolvimentismo: Protecionismo
Neoliberalismo: Abertura e apreciação cambial
Novo Modelo: Criação de um ambiente competitivo, com câmbio favorável.
Estado Nacional
Desenvolvimentismo: Estatização ampla
Neoliberalismo: Estado mínimo
Novo Modelo: Estado Gerencial
Responsabilidade Fiscal
Desenvolvimentismo: Sem regras
Neoliberalismo: Metas quantitativas de déficit
Novo Modelo: Acompanhamento qualitativo das despesas
Políticas Sociais
Desenvolvimentismo: Paternalistas
Neoliberalismo: Impessoais, mas sem escala
Novo Modelo: Com escala e com indicadores
Capital externo
Desenvolvimentismo: Restrições
Neoliberalismo: Abertura incondicional
Novo Modelo: Ênfase no capital produtivo e na transferência de tecnologia.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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08/09/2006 - 09:50
Vamos a um balanço semanal dos CDs e DVDs que recebi esta semana:
“Tom Jobim ao vivo em Montreal”: um DVD maravilhoso da Biscoito Fino, com a gravação da inesquecível temporada de 1986. Minha filha Luizinha, hoje mocinha, nunca me perdoou não tê-la levado a esse show, quando aconteceu em São Paulo. Nem adianta explicar que não aceitavam crianças de três anos no show. Conseguir assistir de novo, em DVD, ao maior show que assisti na vida, é um prazer indescritível.
“Suzana Salles, Ivan Vilela e Lenine Santos”: lançamento precioso, cantando clássicos da música caipira. Lenine é tenor, Ivan é violeiro, Suzana é cantora. No repertório, clássicos da música caipira. Algumas inéditas para mim, como o lindíssimo “A Dor da Saudade”, de Elpídio dos Santos. O dueto dos dois cantores é belíssimo, emocionante, de arrepiar, e o violeiro é clássico e discreto. Ou “Beijinho Doce”, de Nhô Pai, cantado à moda de Cascatinha e Inhana. “Flor do Cafezal”, de Luiz Carlos Paraná, que me emociona toda vez que ouço. Imperdível.
“Radamés Gnatalli, por Olinda Allesandrini” – um CD com 23 peças do mestre, cinco choros, dez valsas, uma sonatina com quatro partes, e um batuque com outras quatro. A pianista é muito boa.
“Melosofia”: uma mistura curiosíssima do melô de Luiz Caldas com as letras filosóficas de César Rasec.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Música
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08/09/2006 - 09:49
Passadas as eleições, todos os quadros técnicos do PSDB tenderão a se dividir entre os próximos governadores presidenciáveis, José Serra e Aécio Neves.
Fernando Henrique Cardoso continuará atraindo os intelectuais militantes -Arthur Gianotti, Boris Fausto, Bolívar Lamounier–, e os políticos carbonários -Tasso Jereissatti, Arthur Virgílio, e parcelas do PFL.
Só que programas partidários dependem de propostas objetivas, não apenas da vã ideologia.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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08/09/2006 - 09:49
O manifesto de Fernando Henrique Cardoso, divulgado hoje pelos jornais, tem três enfoques: nenhuma auto-crítica em relação ao seu governo; “auto-crítica” em relação a erros de terceiros do PSDB; e “fogo no palheiro” contra o governo Lula. Os dois primeiros são típicos FHC; o último é o novo FHC.
Com ele, FHC não visa as próximas eleições, mas o próximo mandato. Não visa Lula, mas José Serra e Aécio Neves. Não visa fortalecer Geraldo Alckmin, mas puni-lo (faz a “auto-crítica” na questão da segurança de São Paulo) por tê-lo esquecido.
Porque o destempero? A partir de 1º de janeiro, o quadro político muda. Em cenário de paz, o espaço político é ocupado pelos governantes estaduais e federais. Na guerra, é transferido para a mídia e para o parlamento.
A pacificação interessa Lula, Serra e Aécio, ao PT e ao PSDB. Para Lula, para garantir condições de governabilidade. Para os governadores, para garantir uma parceria administrativa com o Governo Federal. Esse pacto de governabilidade será favorecido pelo fato de, ao menos por enquanto, o PT não ter um candidato forte à sucessão de Lula.
As parcerias serão relevantes para os governadores porque as próximas eleições presidenciais serão fundamentalmente em torno do que os candidatos fizeram, não do que falaram.
Além disso, a partir do próximo ano o PSDB terá que ser refundado, para perder a cara de FHC. No fundo, a falta de discurso na campanha de Alckmin reflete a falta de definições do PSDB e o incômodo de ter sua imagem associada a um ex-presidente rejeitado por parcelas expressivas do eleitorado.
Em ambiente de paz, Aécio tem a oferecer os valores da gestão e da concórdia; Serra, os valores da coerência, de políticas públicas pró-ativas e mais equilibradas entre eficiência, responsabilidade fiscal e o social. E FHC? A privatização já aconteceu, a estabilidade já ocorreu. De gestão, ele nunca gostou; a reforma administrativa, ele abandonou, assim como não racionalizou as despesas públicas, não definiu estratégias comerciais, não recorreu à diplomacia comercial, foi tímido na criação de um ambiente competitivo –os valores que deverão vigorar, daqui para a frente, na área pública.
Já como comandante da guerra, tem espaço assegurado em parte da mídia, junto aos carbonários do Senado e a uma parcela da elite paulista.
A grande incógnita dessa história é como se comportará Serra nesse jogo. Remeto ao comentário que o leitor Sérgio de Souza colocou em um dos posts, sobre o papel nacional dos novos governadores: “Quércia, como governador, foi pífio em sua inserção nacional. Serra foi submisso a FHC e continua sendo. Não conseguiu liderar nem mesmo seu partido na oposição à Lula. Mercadante tem sido garoto de recados de Lula. Não é liderança (com luz própria) nem mesmo no PT. A última vez que tivemos, nos estados, governadores desse porte, foi na safra de 82 (Tancredo, Montoro, Brizola e outros). Morreram. (…) A mais forte liderança poderá ser, infelizmente, Aécio. Mas isso é outra história”.
No fundo, ou Serra decifra esse enigma, de como se libertar de FHC, ou será devorado.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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