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Arquivo de setembro, 2006

30/09/2006 - 21:36

RSS e atualização

Alguns leitores se queixaram de que o Blog ainda não tem RSS (sistema que permite receber as postagens em um software especial). Enquanto não é colocado, há um botão do lado esquerdo (Aviso de Atualização) que permite cadastramento para receber todas as atualizações diariamente.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
30/09/2006 - 20:59

A pesquisa Datafolha

O ponto mais relevante da pesquisa Datafolha é a situação do segundo turno: Lula com 49% das intenções de voto contra 44% para Geraldo Alckmin.

Com a tendência manifestada nos últimos dias, se não der primeiro turno, o segundo começará praticamente empatado, mas com Lula em processo de queda e Alckmin de alta.

Em caso de segundo turno, espero que a polítia econômica entre, finalmente, em discussão.

Dos leitores

Há muitas variantes a serem consideradas aqui.

A primeira é as duas pesquisas são estimuladas: o voto, ao contrário do papel, não é por listagem. Mas por número certo.

Sinceramente, não sei porque Data Folha e Ibope pararam de fazer pesquisas espontâneas. Nesses casos, a diferença sempre foi “muito” favorável a Lula.

Há um segundo aspecto a ser considerado: Lula e HH perderão uma quantidade significativa de votos. O primeiro pelo voto “inutilizado” que alcança os mais pobres. E a segunda, pelo fato de mais de 50 por cento dos eleitores de HH não conhecerem o número dela até quinta feira à noite.

São variantes a serem levadas em conta, além evidentemente do jogo dos institutos do que podemos chamar de “margem ideológica de erro”.

Afinal, nenhum deles perde nada se não houver o segundo turno. Mas todos ganharão muito se houver, visto que teriam sido “os primeiros a apontar”.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
30/09/2006 - 19:33

O dia seguinte

Após as eleições, se vitorioso Lula, haverá três grupos políticos em sinuca.

O primeiro, o próprio grupo do presidente da República. Mal terminadas as eleições, terá que dar provas concretas de que conseguirá mudar a gênese de seu governo, despoluir o Estado das infiltrações espúrias, enquadrar as milícias do PT e acenar com um projeto legítimo de desenvolvimento.

O segundo grupo será o próprio PSDB, que, assim como o PT, sairá rachado da atual campanha. Como se reconstituirá? Aceitará o canto de sereia do radicalismo de direita e da visão preconceituosa e elitista, que emana de Fernando Henrique Cardoso? Ou conseguirá reconstituir-se como um autêntico partido social-democrata, de classe média, de intelectuais e empresários progressistas, recuperando valores que marcaram sua fundação? Será Casa das Garças, Tasso, FHC, ou ressurgirá no legado de Covas, Sérgio Motta e Montoro? Essa será a segunda grande incógnita.

O terceiro grupo é a chamada grande mídia. Como se comportará em caso de vitória de Lula? Terá fôlego jornalístico e assunto para guerrear 365 dias por ano o governo, ou entenderá seu papel de fórum de discussão de saídas para o impasse nacional?

Trata-se, sem dúvida, do fim de um ciclo em que três agentes centrais terão que rever seu papel. E, nos três casos, parece haver carência de definições e de lideranças.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
30/09/2006 - 14:00

O leitor propõe

Do leitor Carlos Manoel Marques

“Ao pessoal que aqui escreve :

Minha proposta economica para um país melhor : (Críticas são bem vindas)

1- Redução drástica da taxa de juros reais para valores equivalentes ao do Banco Central Europeu ou do FED norte-americano, incorporando nesta taxa o spread do risco país.

2 – Linha de crédito do BNDES (com custo real zero) para investimentos na infra estrutura de exportação/importação de uma maneira a baixar os custos dos bens
transacionados.
3 – Redução gradativa pelo BC na compra de moeda estrangeira. Este é um gasto no orçamento que deveria ser realocado para investimento interno. Ou seja, manter nivel de reservas num valor que seja internacionalmente aceitável e não mais.
4 – Fluxo de recursos externos permitidos somente para investimentos novos em produção.
5 – Permitir abertura de contas em moeda estrangeira, dentro do pais de uma maneira tal a permitir o deposito desses fluxos sem ter que passar pela autoridade do BC.
6 – Redução gradativa até “zero” do imposto de importação. Manter só o ICMS e IPI de uma maneira tal a manter equanaminidade com produtos nacionais.
7 – Redução gradual dos impostos incidentes na cadeia produtiva nacional de uma maneira tal a transferir renda para a população.
Prioritariamente em alimentos, medicamentos e vestuário. Bens da construção civil também.
8 – Aumento de impostos sobre combustíveis fósseis de uma maneira tal a incentivar desenvolvimento e comerciaização de bioenergias.
9 – Aumento gradual e significante sobre bebidas alcoolicas e fumo. Direcionar esse aumento de imposto para uso em melhorias do sistema de saúde.
10 – Imposto diferenciados para industria automobilistica priorizando menores impostos para os veículos de maior eficiencia energética.
11 – Incentivo para as industrias para que implemente projetos de cogeração jogando o excedente da energia na rede. Industria que investisse em projetos de cogeração ambientalmente responsáveis, receberiam um “selo verde” para seus produtos.

Srs, o acima disposto serve para ser criticado, comentado e acrescido com outras idéias. Vamos debater !

Ps – Pessoal, essa proposta é do leitor Carlos, não minha.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia Tags:
30/09/2006 - 12:34

Eternamente BB

Na aba CRÔNICAS, uma homenagem ao maior símbolo sexual dos anos 50 e 60: Brigite Bardot. Clique aqui

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
30/09/2006 - 12:20

Eternamente BB

Clique aqui para ler ao som de BB

Estava ouvindo um especial sobre a cantora Brigitte Bardot na rádio Cultura FM, no programa de Cervantes Júnior. Depois, um especial de Julie London, do programa sobre música americana do Antonio Adorno, ótimo jornalista e pesquisador.

Em uma das músicas, Brigitte tinha 18 anos de idade. Voz afinada, de cantora mesmo, não apenas uma carinha bonita com voz digitalizada. E aí me deu conta que na minha adolescência, nos anos 60, não houve símbolo sexual que se igualasse a Brigitte, ou BB, como era chamada.

Ela surgiu para o mundo no filme “E Deus Criou a Mulher”, de Roger Vadin, cineasta francês que se especializaria em descobrir símbolos sexuais em sua vida ativa, e a contar prosa depois que se aposentou. Com vinte anos, Vadin se apaixonou por uma Brigitte de 16 anos. Esperaram quatro anos para se casar.

Os americanos tinham MM, Marilyn Monroe, mas era típico produto de Hollywood, com um lado tão artificial quanto seus cabelos oxigenados. Calhou ter um final trágico, o que ajudou a alimentar a lenda. Mas o que significava ela na época? Admito que estou exagerando um pouco nas críticas, nesse vezo de cronista de valorizar o personagem do dia, desqualificando os concorrentes. Mas que MM nunca chegou a BB, não chegou mesmo.

Havia uma concorrência forte das italianas, mulheres mais sólidas, mais carnais, de uma sensualidade de camponesas fogosas. As primeiras que apreciei foram Sofia Loren e Gina Lollobrígida. Depois, veio uma geração de mulheres lindas, como Cláudia Cardinale, Laura Antoneli, Virna Lisa, que era minha fixação.

Já as francesas primavam por uma sensualidade sofisticada, cosmopolita, bastante reforçada pelo idioma. O sotaque francês era “chic”. Lembro-me particularmente de Milene Demongeot, que me despertou paixões desenfreadas na adolescência, de um jeito muito diferente daquele que, antes dos 12 anos, sentia por Ava Gardner e Kim Novak.

No Brasil, esse padrão francês foi bastante explorado na televisão, no teatro de revista e no cinema. Lembro-me até hoje de um especial da TV Tupi com Norma Benguel cantando em francês, provavelmente imitando BB. Anos mais tardes, Jaqueline Mirna e Anik Malvill deliciaram a minha e outras gerações já saindo da adolescência.

Mas o grande modelo, no qual se inspirava a malícia mundial, era mesmo BB. Tudo nela soava natural, dos bicos que fazia às poses em que se deixava fotografar.

Foi o início da erotização da adolescência, da descoberta que os jovens já não eram tão inocentes quanto os das gerações anteriores. Mas as atrizes adolescentes americanas da época eram completamente sem sal, como Sandra Dee, ou com aquele ar de quem está sempre prestes a ser castigada pelos pecados cometidos, como Natalie Wood.

Em plena descoberta do público juvenil, os setores mais intelectualizados celebravam Françoise Sagan; os boyzinhos se espelhavam em James Dean, Marlon Brando e Elvis Presley. Mas todos, indistintamente, tinham BB como o símbolo máximo. Ela encantava dos jovens politizados aos donos de borracharia.

Os passos de BB eram acompanhados pelo mundo todo. Foi uma comoção mundial quando ela se casou com Sacha Distel, guitarrista francês boa pinta. Mas quando ela começou a namorar o brasileiro-marroquino Bob Zagury, a auto-estima nacional atingiu seu ponto máximo. Mais ainda quando Zagury a trouxe para conhecer Búzios, na época uma praia quase selvagem, começando a ser descoberta pelos granfinos.

Depois de BB, algumas jovens atrizes chegaram perto, mas não se completaram. Como Jane Fonda durante “Barbarella”, esculpida pelo mesmo Roger Vadin que criou BB. Durante um bom período foi um dos símbolos femininos do cinema, como grande atriz, grande personalidade, não mais como símbolo sexual. Após o “Último Tango em Paris”, com Marlon Brando, Maria Schneider pintava como legítima sucessora de BB, mas acabou engolida pela vida.

Hoje, quando se vai ao cinema, todos os símbolos femininos são americanas. O cinema americano atingiu tal nível de predomínio que não sei o nome de nenhuma jovem atriz italiana, francesa, sueca.

É por isso que fico nessa recordação besta, celebrando as americanas, as italianas e as francesas do meu tempo, naquela que foi o sonho de todos nós, a eternamente BB.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica Tags:
30/09/2006 - 10:30

Sábado musical

Para desintoxicar um pouco da política, veja na aba de MÚSICA, uma seleção incrível de vídeos de Louis Prima, o Louis Armstrong branco de Nova Orleans. E uma seleção de vídeos de “Just a Gigolo”, seu maior sucesso.

Clique aqui.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
30/09/2006 - 10:28

Uma dupla do balanço

O ítalo-americano Louis Prima foi criado em New Orleans. Pistonista, cantor, chefe de orquestra, tornou-se um dos maiores balanços do jazz. Surgiu no início dos anos 30. Nos anos 50, formou uma dupla lendária com Keely Smith, cantora belíssima, da linhagem de uma Julie London, da egípcio-francesa Dalida e da nossa Maisa. Seu maior clássico foi a gravação de “Just a Gigolo”.

Veja aqui um Prima mais antigo, interpretando “Lazy River”. Repare no andamento da música e, principalmente, no fecho dela, que David Lee Roth utilizou em seu vídeo fantástico do “Just a Gigolo”.

Aqui uma de suas músicas mais conhecidas, de sabor italiano-com-dixieland, “Oh, Marie”. No fundo, o saxofonista Sam Battera, dos grandes do gênero, que encerra o vídeo com um solo de primeiríssima, em duo com Prima. A cara de desgosto de Keely fazia parte do show.

Aqui uma interpretação de “I’ve Got You Under My Skin”, com o balanço personalíssimo da dupla.

Neste vídeo um solo de Keely.

Just a Gigolo

Encontrei no Youtub várias gravações do clássico “Just a Gigolo”, imortalizado por Louis Prima, mas não a gravação dele. Tentei colocar, mas não foi aceito pelo Youtub.

Vão aí algumas versões famosas.

Os Leningrado Cowboys

O videoclip clássico de David LeeRoth

Lou Bega, um engraçadíssimo cantor, que mistura mambo e samba.

Até a heroína Betty Boop dá o ar da graça.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Música Tags:
30/09/2006 - 09:46

O marketing de Alckmin

Se a candidatura Geraldo Alckmin não decolou até agora (pensando exclusivamente no primeiro turno) não se deve a nenhum erro de marketing. A estratégia adotada pelo marqueteiro Luiz Gonzáles foi acertada.

Se todo o mundo, imprensa, políticos adversários, fala nos escândalos do governo Lula, a troco de quê Alckmin deveria bater na mesma tecla? Para se diferenciar teria que ser ainda mais agressivo do que os demais, o que não é de seu estilo. Agindo como agiu, caso a denúncia dos escândalos pegasse, por sua postura ele seria automaticamente identificado como o oposto de Lula. Se pancadaria desse voto, Heloisa Helena estaria na frente.

Teria sido mais eficiente, é verdade, se tivesse trabalhado em cima das promessas não cumpridas de Lula, analisando as deficiências de cada ministério. Mas, para isso, a equipe de marketing necessitaria do conteúdo fornecido por outro departamento.

E, aí, entra o coordenador da campanha João Carlos de Souza Meirelles. Ele juntou dezenas e dezenas de personalidades para enviar propostas, e não cuidou de sistematizá-las. Tratou muito mais da solenidade dos nomes do que da consistência das propostas.

Duas ou três semanas atrás -segundo pessoa diretamente ligada à campanha— Meirelles apresentou uma maçaroca, com vários documentos escritos em estilos diversos, e saiu atrás de alguém que pudesse consolidá-los em um documento único. Duas semanas atrás, quando viajei com Alckmin para entrevistá-lo, o documento ainda estava sendo revisado por ele, Alckmin. E era tão genérico quanto as propostas de Lula.

Além disso, o possível ponto forte das propostas de Alckmin -a mudança sem ruptura da política econômica—ficou perdido, não se tornou ponto central das suas propostas. Mesmo se tivesse se tornado, provavelmente não inverteria o resultado.

Em suma, o marketing foi eficiente, o conteúdo foi pífio. E o resultado final comprova uma falha que Alckmin terá que superar se quiser continuar tendo presença nacional: tem que saber se cercar de pessoas eficientes e não meramente solenes, como Meirelles.

De qualquer modo, mesmo na eventualidade de ser derrotado em primeiro turno, Alckmin sai das eleições com cacife para aspirar posição de destaque no PSDB. Justamente porque seguiu à risca sua intuição e os conselhos de Gonzales.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/09/2006 - 22:25

As Ruas

Na aba MINHAS MÚSICAS, postei uma valsa que compus com letra magnífica de Alexandre Lemos ( clique aqui). A cantora é Fabiana Cozza, em minha opinião e do Ivan Lins, a maior cantora brasileira. O acompanhamento é do Zé Barbeiro, um craque no violão de sete cordas.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/09/2006 - 22:05

As Ruas

Esta valsa (clique aqui) é uma parceria minha, com a música, e de Alexandre Lemos, com a letra.

A interpretação é de Fabiana Cozza com acompanhamento do sete cordas de Zé Barbero.

Em outubro estará no especial que gravei, com composições próprias, para o programa “Ensaio”, do Fernando Faro, na TV Cultura

AS RUAS
Alexandre Lemos e Luís Nassif

As ruas vão e vêm
E quem espera demais
As luzes vão deixando pra trás
As horas vão passando e o dia se desfaz

Pessoas vêm vão
Mas não conseguem chegar
Não saem do lugar
Enquanto as ruas passam porque vão voltar

Se as ruas dizem sim
Pra mim, que ainda sou eu
As luzes que ninguém acendeu
Brilhando vão mudando a cor do meu olhar

Se as ruas dizem não
Então você me perdeu
E desapareceu
O mapa que mostrava onde ficava o mar

II

As ruas da cidade são
Os sonhos que eu sonhei no chão
Os rastros que eu deixei
Desenhei, apaguei
E andei em vão

Quantas esquinas guardei dentro de mim
Quantas histórias terminam sem ter fim
Luz, as ruas pedem luz
Mais, as ruas querem mais

E você queria só
Ser capaz de ser feliz
Mas viver é tão maior
Que fazer o que se quis

Toda cidade é assim
Ilusão
E essas ruas que vêm e que vâo

As almas das pessoas são
As pedras dessa construção
O brilho dos metais
Os sinais, os jornais
E a contramão

Quantos destinos que não vão acontecer
Quantas histórias ninguém vai conhecer
Cruz, a rua é minha cruz
Paz, as ruas querem paz
E você queria enfim
Nem chorar e nem sofrer
Mas viver não é assim
Pra quem quer se proteger

Toda cidade é comum
Solidão
E essas ruas sem rumo nenhum

As ruas somos nós
E nós não somos ninguém
E as sombras das esquinas também
Procuram meu olhar e me conhecem bem

As ruas vão sem dor
Nem cor, sequer um luar
Pra nos iluminar
E convencer a vida de continuar

Autor: luisnassif - Categoria(s): Música Tags:
29/09/2006 - 15:05

Conhecimento em rede

Pessoal,

se quiserem conhecer de perto o poder fantástico do trabalho em rede, especialmente nas redes de conhecimento, dêem uma clicada na aba ECONOMIA e leiam os comentários colocados no post sobre a fruticultura de Petrolina.

Como jornalista, não tinha a menor idéia sobre os problemas apontados pelos leitores. Clique aqui

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/09/2006 - 10:45

Autores e dossiês

Alguns analistas políticos insistem que o envolvimento do chefe de campanha do Aloizio Mercadante é uma forma de afastar o tiroteio do Palácio do Planalto.

Vítima do dossiê, em particular José Serra não tem dúvida de que quem está por trás é mesmo Mercadante.

Depois de ler os leitores

O que comprova que, não havendo certeza de nada, não se pode ter certeza de tudo, como vem ocorrendo.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/09/2006 - 10:44

Perdendo mais ou menos

Não entendo essa história de que Lula perdeu não indo ao debate. Em termos absolutos, pode ter perdido alguns pontos. Mas a comparação relevante é em relação às perdas que teria indo, já que o debate aconteceria com ou sem ele.

A pergunta relevante é: perdeu mais do que teria perdido indo ou não?

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/09/2006 - 09:46

No Blog de Economia

Pessoal,

vou colocar dois post no Blog Economia. Um deles do leitor Fernando Perisse sobre o modelo de fruticultura de Petrolina (PE). Sempre tive para mm que se tratava de uma experiência vitoriosa, tanto do ponto de vista empresarial como para a economia local. Fernando traz outras informações. Quem tiver mais elementos, contra ou a favor, pode mandar.

O segundo post é sobre a política monetária e cambial atual, atendendo a pedidos de leitores que comentaram o posto sobre câmbio.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/09/2006 - 09:45

O porquê do real valorizado

Vou tentar explicar, didaticamente, os mecanismos que interferem na política monetária e de câmbio.

A primeira questão é: porque o câmbios se aprecia (o real se torna mais caro)? Alguns leitores julgam que é lei de oferta e da procura que não pode ser desrespeitada. O real de aprecia (e torna mais difícil exportar) porque muitos dólares estão entrando na economia. Quanto mais dólares entram, mais o real se aprecia.

Na verdade, há várias forças que interferem no câmbio. Do lado comercial, a relação entre exportação e importação, medida na conta saldo comercial. Quanto maior o saldo, mais dólares estão entrando e mais a moeda nacional se aprecia.

Primeira distorção: hoje em dia há um super-aquecimento nas cotações de alguns produtos minerais, como o ferro. O “preço” do exportador equivale às cotações internacionais mais a taxa de câmbio. Quando os preços de alguns produtos importantes aumentam substancialmente, há um ingresso maior de dólares apreciando o valor do real, prejudicando todos os produtos manufaturados ou aqueles que não se beneficiaram da alta internacional.

Na Holanda ocorreu fenômeno semelhante quando houve grandes descobertas de gás. Explodiram as exportações e gás, o câmbio apreciou e quebrou grande parte da indústria holandesa. Desde então esse fenômeno, batizado de “doença holandesa”, é evitado por qualquer país racional – menos o nosso.

A segunda maneira de os dólares entrarem é através da conta capital, no mercado financeiro. Essa conta é influenciada pela diferença entre a taxa Selic (aquela fixada pelo Banco Central) e uma taxa de equilíbrio externa, representada pela taxa de juros básica dos EUA, mais risco Brasil, mais um pouco, por conta de eventuais desvalorizações cambiais no Brasil.

Porque essa comparação? Porque os grandes fundos ou investidores, quando decidem investir no Brasil, tem duas possibilidades: aplicar em títulos externos brasileiros ou em títulos internos. Lá fora, eles recebem taxa básica mais o risco Brasil (que hoje equivale a pouco mais de 200 pontos, ou 2 pontos percentuais na taxa). Quando a taxa interna é muito maior que a taxa de equilíbrio, aumenta o ingresso de dólares. Quando se aproxima da taxa de equilíbrio, reduz o ingresso de dólares.

Esse fluxo de dólares também pode ser afetado por outros fatores, como aumento das taxas internacionais, aumento da percepção de risco na economia internacional etc.

Segunda distorção: uma taxa Selic substancialmente acima da taxa de equilíbrio provoca uma entrada exagerada de dólares. Sempre que cai o risco Brasil, o BC deveria reduzir a Selic para evitar a discrepância entre as taxas.

A segunda distorção leva a uma terceira. Muitos grandes exportadores, para driblar a apreciação do real, fazem venda antecipada de sua produção. Ou seja, tomam linhas de financiamento em dólares equivalentes a um, dois, até três anos de sua exportação. Depois, aplicam esse dinheiro no mercado financeiro ganhando na diferença de juros. Com isso, melhoram os seus ganhos, mas provocam uma apreciação adicional do real.

A quarta distorção é um volume considerável de apostas que são feitas em mercados internacionais em torno da cotação do real. Essas apostas influenciam diretamente o câmbio aqui dentro.

Repare que a maior parte dessas distorções decorre de uma taxa de juros fora do lugar, errada, imprudentemente errada.

Na China jamais entrariam nessa firula de nada fazer para “não desrespeitar as leis do mercado”. Primeiro, porque as leis estão sendo distorcidas. Segundo, porque quando o câmbio começa a apreciar e provocar quebradeira, tem que se impedir o prosseguimento da apreciação. Discutir razões e quetais é coisa de intelectual.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia Tags:
29/09/2006 - 09:44

Milagre ou tragédia

Do Leitor Fernando Perissé

A produção do feijão e milho alimentos tradicionais dos camponês caiu muito e seus preços subiram consequentemente..

O desastre ambiental é incrível e está conduzindo a desertificação de grandes áreas. Cabrobó, uma cidade vizinha é hoje um dos maiores pólos de desertificação da região.

Técnicas criadas (e já sendo abandonadas) para solos e climas totalmente diferentes estão provocando a salinização e erosão do solo, destruindo sua fertilidade e utilidade.

Com a perda da biodiversidade, as pragas e doenças infestam todas as culturas. Doses maiores de agrotóxico são empregadas e vão tornando o invasor resistente até não adiantar mais.

Então as culturas são abandonadas. Assim foi com o mamão, o melão, a melancia, o coco e está começando a ser com a manga.

O uso de agrotóxico está contaminando todo o meio ambiente e gerando doenças de todo os tipos. Petrolina tem hoje o maior índice de incidência de cancer do Nordeste.

Doenças desconhecidas para o camponês como a LER – Lesão por Esforço Repetitivo estão incapacitando as mulheres que passam 12 horas com os braços para cima colhendo uvas.

Todas as despesas do mal atendimento desses doentes recai sobre o SUS. E como não poderia deixar de ser, Petrolina é a cidade mais violenta de todo Sertão e uma das violentas de todo o Brasil.

Será sustentável um desenvolvimento assim? É possível instalar o capitalismo no campo sem desenvolver a pequena propriedade? É justo desenvolver um modelo exportador de alimentos onde a maioria da população passa fome?

Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia Tags:
29/09/2006 - 09:19

José Quem contra Chico

Não existe nada mais primário e oportunista que o patrulhamento. Aproveita-se um movimento de manada e malandramente tenta-se ganhar destaque malhando quem pensa diferente.

O PT sempre foi campeão nessa prática. O que se fez com Marília Pêra em 1998, com Regina Duarte em 2002, foi típico desse pensamento primário e inquisidor. Depois da patrulha petista, uma enxurrada de oportunistas de toda espécie usava Regina Duarte como “escada” para ter seu minuto de glória, colunistas, comentarista de rádio, todos em uma celebração mesquinha porque sabendo que o clima instaurado garantiria o seu show. Virou um festival “quem bate mais na atriz”.

Agora a roda inverteu e o oportunismo se volta contra pessoas públicas que declaram voto em Lula. Hoje no “Estadão” José Danon, “economista e consultor de empresa” ganha enorme espaço em página nobre (a 2), que comumente abriga o pensamento de Washington Novaes, de Gilberto de Mello Kujawvski, de José Nêumane Pinto, de Roberto Macedo, para quê… para mandar uma “carta a Chico Buarque” patrulhando suas declarações de que votaria em Lula.
“Chico, você foi e será sempre meu herói”, começa o patrulheiro deslumbrado. Depois, graças a esse expediente simplório do patrulhamento, se coloca em pé de igualdade com o ídolo e passa a despejar regras de conduta política para ele.

Em 2002 poucos dos valentes colegas que hoje em dia engrossam o coro das análises fáceis e do patrulhamento primário ousaram questionar o patrulhamento contra Regina Duarte.

Depois de ler os leitores

Pessoal,
vamos a algumas considerações adicionais sobre o patrulhamento.

“Patrulhar” não significa discordar do argumento, mas desqualificar o argumentador. Por exemplo, taxando fulano de petista ou de tucano, vendo “interesses inconfessáveis” ou coisa parecida. O problema é a desqualificação, sem entrar no mérito da questão.

Agora, é importante vocês se perguntarem porque Fagner ganhou entrevista de página amarela na “Veja”. Foi exclusivamente para poder atacar o Lula, atacar o Caetano (que estava em pinimba com a revista) e atacar a Maria Rita (que recusou-se a dar uma exclusiva para a revista). Da mesma maneira, o leitor que atacou Chico. Ou mesmo as minhas amigas comentaristas políticas que passaram a ter amplo espaço no Programa do Jô. Cria-se o ambiente que induz a pessoa a falar o que o veículo quer, para poder ter o espaço que o veículo proporciona. Ou então se intimidar em expor suas opiniões, para não sofrer o patrulhamento a que alguns veículos têm recorrido.

Ou seja, nesse mercado da opinião, são truques bastante utilizados, manjados pelos que são do meio, mas muitas vezes pouco percebidos pelos leitores. Se a declaração da Regina Duarte fosse hoje, certamente ela mereceria entrevistas de página inteira em muitos dos veículos.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/09/2006 - 07:00

Três presidentes e o novo

O Seminário “Mercado popular: o consumidor invisível”, ocorrido ontem em São Paulo, juntou representantes da Bolsa Família, consultores e estrategistas de grandes multinacionais, em uma comprovação do maior fenômeno econômico, político e social dos últimos 50 anos: a entrada da classe D e E em três mercados distintos, o do consumo, o da cidadania e o eleitoral.

Como mostrou Johnny Wey, responsável pela implantação da base de consumo popular da Nestlé no nordeste, são 136 milhões de habitantes que respondem por 72% do consumo de alimento e movimentam um mercado de R$ 43 bilhões.

Trata-se de um mercado basicamente heterogêneo. José Fuentes, da Phillips do Brasil, informa que o mercado brasileiro tem as características da Suíça, Portugal, Chile, Ucrânia, Filipinas e Malásia.

A questão mais relevante é a emergência desse consumidor como cidadão. Com o final da inflação, mesmo com a falta de dinamismo da economia esse consumidor começou a sair do limbo do sub-consumo. De lá para cá ocorreu um processo gradativo de redução da miséria. Segundo o Centro de Políticas Sociais da FGV, em 1992 35,16% das famílias tinham renda inferior a R$ 121,00 a preços de hoje da Grande São Paulo, ajustados por diferenças regionais de custo de vida; em 2003 esse percentual caiu para 28,17%; em 2005 para 22,77%.

Foi esse movimento que abriu espaço para o surgimento do novo consumidor, a nova menina dos olhos das empresas de varejo, e do novo eleitor, o novo foco preferencial dos partidos políticos.

Chama a atenção o comportamento de três atores políticos importantes dos últimos quinze anos frente a esse fenômeno. Primeiro, o instinto político fantástico de Lula, ao pressentir esse movimento. Em quatro anos praticou uma política econômica medíocre, políticas públicas atrapalhadas, seu governo meteu-se em sem-número de escândalos. Mas a aposta que fez nos desassistidos, primeiro com a retórica do Fome Zero, depois com a implantação competente da Bolsa Família, foi matadora.

O segundo ponto, foi a falta de visão histórica do sociólogo Fernando Henrique Cardoso. Semanas atrás, na carta ao PSDB, ele acordou com doze anos de atraso para o fenômeno que já estava pintando na época. Conclamou o partido a procurar o povo. Em seu período evitava demonstrações de solidariedade ao povo, para não parecer “populista”. Na semana passada, até em demônio começou a falar.

Finalmente, o fenômeno confirma o extraordinário “feeling” para o novo do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Antes de qualquer político brasileiro, ele identificou as grandes linhas de mudança da economia e da sociedade brasileiras nas décadas seguintes: os programas de qualidade e gestão (para os quais nem FHC nem Lula ainda acordaram); a integração competitiva com a economia mundial; a abertura comercial para o exterior; o novo papel das massas (os “descamisados”). Collor foi um desastre político, criou resistências enormes na classe média e não tinha um partido para lhe dar respaldo.

Mas teve uma intuição de gênio para o novo, um autêntico animal político.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/09/2006 - 22:57

O inferno do câmbio

A maior conta que será cobrada de Lula, após as eleições, não serão as ações judiciais, nem tentativas de impeachment. Será o câmbio.

Esse clima de euforia com índices medíocres de crescimento, acaba jogando para segundo plano uma destruição implacável de cadeias produtivas em várias regiões, um desastre monumental menos de doze anos após o desastre provocado pela apreciação do Real.

Nesse sentido, Deus Pai e Deus Filho poderão ir juntos para o inferno da história, devido ao mesmo populismo cambial que ajudou a matar algumas décadas de desenvolvimento brasileiro.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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