Arquivo de agosto 9th, 2006
09/08/2006 - 09:26
Coluna de 10/08/2006
Nas últimas três licitações para compra futura de biodiesel pela BR Distribuidora, apareceram dezenas de candidatos. Eram pequenas empresas, donos de postos de gasolina, até grandes empresários rurais. Foram adquiridos, para compra futura, 850 milhões de litros ao ano, pelo prazo de dois anos, 50 milhões a mais do que os 2% previstos para a mistura com diesel pelo governo federal.
Atenção: isso é apenas um prenúncio, O que vem por aí supera qualquer outro movimento da história econômica do país, desde a expansão da lavoura cafeeira para São Paulo no século 19, mais do que a expansão canavieira dos anos 70 ou o desbravamento do cerrado. É um movimento com implicações excepcionais na geração e distribuição de riqueza, na consolidação do agronegócios, na sustentabilidade da agricultura familiar e no crescimento do setor de máquinas e equipamentos, da pesquisa agrícola e tecnológica.
Com o biodiesel em uma ponta e o etanol na outra, o Brasil se preparará, pela primeira vez na história, para tentar conquistar e manter a liderança de um setor-chave para a economia mundial, me conta a Ministra-Chefe da Casa Civil Dilma Rousseff.
Desde que a Agência Internacional de Energia colocou definitivamente o etanol na matriz energética, as vantagens do Brasil se tornaram evidentes. Presidente da Única (a associação que congrega a cadeia produtiva do setor sucro-alcooleiro) explica que este ano os Estados Unidos produzirão 1,5 bilhão de galões (de 3,7 litros cada), passando o Brasil como maior produtor, mas com toda a produção destinada ao mercado interno. Só que seu álcool de milho consome uma unidade de energia fóssil para cada 1,3 de álcool. Nessa conta entra toda a energia consumida do poço à roda, na fabricação do aço dos tratores aos fertilizantes.
No Brasil, a relação do álcool de cana é de 8,3 unidades para cada unidade de energia fóssil consumida, porque aqui até o bagaço vira energia. Quando subir a pressão das caldeiras, a relação subirá para 10 ou 12. Quando se começar a aproveitar a palha da cana, se aumentará mais um terço.
Todo esse potencial explode no justo momento em que o mundo entra em novo ciclo histórico
1. O petróleo já é visto como um produto finito.
2. As áreas periféricas à OPEP diminuirão sua produção, fazendo com que aumente proporcionalmente a participação da OPEP no fornecimento global de petróleo.
3. O aquecimento global tornará gradativamente impossível continuar queimando energia fóssil, tanto o petróleo e carvão como o gás natural (que, ao contrário do que supõe o senso comum, é altamente poluente).
4. Há um brutal potencial de desenvolvimento que as fontes alternativas poderão dar aos países que forem capazes de se mobilizar. Nunca vai ser substituto total da gasolina, mas 10, 20% do consumo mundial.
Nas próximas semanas será anunciado um plano integrado para o biodiesel e o etanol. E, mais algum tempo, uma estrutura que poderá se lançar sobre a África, o sub-Sahara e a América Central, juntando os capitais de bancos de investimento, a tecnologia da Embrapa, a tecnologia de universidade buscando outros produtos, a indústria de base e grandes grupos empreendedores.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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09/08/2006 - 09:25
A pedidos, o link para o artigo de Ali Kamel, no “Globo”, com críticas a atuação dos países árabes no conflito com Israel. httpclique aqui. Há um razoável simplismo no Kamel, de reduzir a guerra à questão do atentado aos soldados israelenses. Notícias de hoje em alguns jornais mostram a desproporção do ataque, a falta de critério dos bombardeiros, a ponto de muitos pilotos israelenses regressarem à base sem disparar suas bombas, por ato humanitário ou por receio de incorrerem em crimes de guerra.
Solicito aos leitores — como a Guida — que sentem falta do contraditório em alguns temas, que remetam artigos com visão contrária, links de jornais estrangeiros ou de articulistas nacionais, ou coisas do gênero. Sendo de bom nível, serão publicados. E, por bom nível, não entendam critérios ideológicos, mas de argumentação.
Pelo ritmo de trabalho que tenho, fica difícil sair atrás de artigos e matérias que mostrem todos os lados. É por isso que os leitores estão aí para colaborar e ajudar nesse trabalho em rede, de prospectar as diversas visões sobre o tema.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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09/08/2006 - 09:24
Nos próximos dias, o governo deverá anunciar uma ampla ofensiva visando induzir o sistema bancário a reduzir os “spreads” (diferença entre custo de captação e aplicação). A recente reunião entre Lula e os presidentes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal foi apenas o início da história.
Lula já está de posse de estudos técnicos que o convenceram a agir mais duramente na matéria.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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09/08/2006 - 09:23
Com base em informações da leitora Maria da Conceição Quinteiro
Na 38º Vara do Trabalho de São Paulo corre o processo de número 1844/192. Tem como réus um casos de idosos, ambos com 79 anos, doentes, com enormes gastos com doenças crônicas. O marido é um homem rústico, ingênuo, trabalhador incansável. Três infartos e ainda trabalha no bar que lhe garante parte do sustento. Tem poucos imóveis, uma casinha com um cômodo e cozinha no fundo da sua, que é alugado para completar o orçamento. Sua esposa, quase cega e com sérias dificuldades para se locomover, precisa da assistência permanente de outra pessoa.
No passado, um empregado entrou com uma ação trabalhista para receber duplicadamente o que já havia recebido. Esse senhor, honesto ,ingênuo e burro, havia acertado as contas e nunca pediu um recibo
Anos depois foi intimado pela Justiça do Trabalho, contratou um advogado que lhe comeu o quanto quis e ainda o tapeou, dizendo que estava tudo acertado. Na semana passada, o casal de velhos soube que está com os bens penhorados, os dois aluguéis que recebiam têm que ser pagos na justiça.
Em 1° de maio de 2006 a dívida com o empregado (que trabalhava no balcão) ascendia a R$ 837.513,59. Supondo-se que o salário de um balconista de um pequeno bar seja de R$ 600,00, a indenização corresponderia a 107 anos de salário.
E são devidas por um casal de velhos, que T um bar capaz de ser tocado por apenas um empregado.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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09/08/2006 - 09:18
Enquanto isto, no reino do faz-de-conta, o inefável grupo de conjuntura do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas) sustenta que a atuação do Banco Central foi irrepreensível, e pouco prejudicou a produção e a atividade internas.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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09/08/2006 - 09:17
Enquanto isto, no reino do faz-de-conta, o inefável grupo de conjuntura do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas) sustenta que a atuação do Banco Central foi irrepreensível, e pouco prejudicou a produção e a atividade internas.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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09/08/2006 - 09:17
Do economista Antonio Correa de Lacerda, que trabalha na Siemens:
As filiais de multinacionais, no Brasil, estão perdendo sistematicamente todas as disputas para atração de investimentos, para filiais sediadas em outros países. Já perdemos disputas por plantas no setor automobilístico, de telecomunicações, de máquinas e equipamentos. As cadeias produtivas locais estão sendo substituídas rapidamente por produção da China.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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09/08/2006 - 09:16
De um executivo ligado à indústria automobilística e que pertence ao conselho mundial de uma das maiores empresas agrícolas do planeta, no encontro “Tornos e Planilhas” promovido mensalmente pela Agência Dinheiro Vivo:
Vendas de máquinas agrícolas: 40% abaixo do ano passado.
· Adubos: 25% abaixo
· Sementes selecionadas: 35% abaixo
· Área plantada: 10 a 12% a menos
· Níveis recordes de devolução de máquinas agrícolas para os bancos financiadores.
· A soja do Mato Grosso tinha o menor custo do mundo. Com o real apreciado, o custo de produção passou a superar o próprio custo dos EUA. Ainda se está exportando porque, mesmo tendo sido plantada a um dólar de R$ 2,40, não tem o que se fazer até terminar a safra. O tombo maior será no próximo ano, quando o impacto do aumento de custos e de apreciação do Real se fará sentir em uma plenitude sobre o setor.
· As exportações de automóveis ainda não despencaram porque da decisão até a exportação a empresa mais eficiente do mundo leva três anos. Tem que preparar o mercado comprador, levar peças de reposição, treinar revendas. E não pode interromper as vendas porque, nesse caso, cai o valor de revenda dos automóveis e destrói a reputação das marcas.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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09/08/2006 - 09:15
Uma das lendas nacionais favoritas do início do século foi a de que coube a Rui Barbosa a primeira defesa mundial de Andrés Dreiffus, o militar francês perseguido, vítima do anti-semitismo.
Na verdade, Rui enviou alguns artigos de Londres para a imprensa carioca. Escrevia a a partir do que lia nos jornais britânicos, todos eles críticos da perseguição movida a Dreiffus. No período em que escreveu, ainda não tinha sido identificado o anti-semitismo da campanha movida contra o oficial.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Música
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09/08/2006 - 09:12
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) entra em contato para informar que partiu dela a primeira manifestação a favor da mini-constituinte. Foi no ano passado, em um evento que contou com a participação e apoio dos deputados Alberto Goldmann e Roberto Freire, e do ex-presidente da OAB Reginaldo de Castro.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Música
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09/08/2006 - 09:11
Coluna de 09/08/2006
Nos últimos tempos, rompeu-se a unanimidade do mercado financeiro em relação às decisões do COPOM (Comitê de Política Monetária). Antes, seguiam ao pé-da-letra a máxima de Maílson: em qualquer circunstância a Selic sempre estará cinco pontos abaixo da taxa de equilíbrio da economia.
Agora, vozes sensatas se juntam aos não-ortodoxos para denunciar a falta de discernimento do Banco Central, e a demora em derrubar as taxas.
Não pense em inovações teóricas, em novas teses fundamentando a mudança de postura de parte do mercado. Obviamente, sempre houve economistas independentes, de primeiro time, denunciando os excessos do BC. Agora, há um fato novo: os bancos descobriram que podem ganhar muito dinheiro cumprindo sua função primordial: concedendo crédito.
Ao mesmo tempo, a queda do risco Brasil, no exterior, tem provocado uma pressão adicional sobre a taxa Selic. Se cai a taxa lá fora, e não há uma queda correspondente aqui dentro, aumenta a entrada de dólares, obrigando o BC a correr atrás do prejuízo, adquirindo dólares sem impedir a apreciação do Real.
Percebendo essa inevitabilidade, parte do mercado está se posicionando em fundos “equity” (de investimento em empresas), e, especialmente, se preparando para um “boom” nos investimentos imobiliários.
Com isso, dividiu-se o mercado em três grupos. Os economistas de Tesouraria seguem a máxima de Maílson. Os bônus que recebe depende do desempenho da Tesouraria, estreitamente ligado aos rendimentos da renda fixa. Um segundo grupo, de economistas de banco, obedecem à lógica econômico-financeira da instituição, que procura expandir a concessão de créditos. E um terceiro grupo, de economistas de bancos e atacado, começa a apostar na reciclagem da poupança para ativos reais. Como eles acreditam que, em um ponto qualquer do futuro, a renda fixa deixará de ser tão vantajosa, ocorrerá uma migração para ativos reais (imóveis, ações, aquisição de empresas), o que provocará uma elevação nas suas cotações e preços. Constituindo os fundos, eles se antecipam a esse movimento, apostando na alta dos ativos.
Contas públicas e bicicletas
O competente economista Fábio Giambiagi, em seu último artigo ao “Valor Econômico” produz uma afirmação retumbante: se nos últimos quinze anos o Brasil tivesse tratado com carinhos as despesas correntes, hoje estaria crescendo mais do que a Coréia. É uma frase da importância histórica de outra que ouvia na minha infância: “se minha avó fosse roda, eu seria bicicleta”.
A construção de um país passa por uma gama mito mais ampla de fatores, por educação, tecnologia, inovação, investimento em infra-estrutura, estratégias comerciais, integração continental. Mas sua especialidade são os números macro-econômicos, especialmente as contas públicas. Assim, ele procura supervalorizar o seu peixe. Relações políticas, diplomacia, governabilidade, fatores sociais, fatores de desenvolvimento, inovação? Bobagem.
Para economistas como Giambiagi o que vale é a sopa de pedras das contas públicas e a certeza de que, se minha avó era roda, eu só podia mesmo ser uma bicicleta.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Música
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