Arquivo de agosto 5th, 2006
05/08/2006 - 14:09
A análise abaixo foi coletada em conversa com alto integrante do Palácio do Planalto:
1. O fato de Lula ter 45% das indicações e 37% das espontâneas significaria consolidação de eleitores. Há um percentual alto que não trocaria Lula por nenhum candidato. Repare que, no caso da análise de Fátima Jordão, ela se baseia na pergunta “e se não votasse em Lula”.
2. Como os demais candidatos são fracos ou tendem a se desidratar, a candidatura de Alckmin só decolaria se tivesse um discurso suficientemente forte não apenas para conquistar os indecisos, mas para convencer o eleitor do Lula a não votar em Lula.
3. Escândalos não motivarão os eleitores – afirmação que coincide com a da Fátima. E Alckmin não dispõe desse discurso e, por suas alianças, não pode avançar sobre um ponto nas críticas à política econômica – porque herdada de FHC e porque nos setores do empresariado que o apóiam maciçamente, a política econômica é vista como virtuosa.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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05/08/2006 - 14:08
Recebo de Gildo Marçal Brandão, enviado por Derlei Catarina de Lucca, o “Manifesto Protestante”, de um conjunto de igrejas evangélicas protestando contra a situação atual da política, das próprias igrejas e seus políticos.
À sociedade brasileira,
Nós, membros do grupo de discussões Cristãos Reformados, evangélicos de várias confissões protestantes, por meio deste manifesto, expressamos publicamente a nossa indignação quanto ao recente escândalo da “CPI dos Sanguessugas” que envolve parlamentares da bancada evangélica. (…) Pedimos às autoridades competentes que exerçam, com justiça e responsabilidade, a punição dos indiciados. Esperamos também que, com o mesmo rigor, sejam disciplinados em suas igrejas.
Por isso, é preciso que a sociedade brasileira tenha conhecimento de que muitos dos herdeiros históricos da “Reforma Protestante” não observam passivamente essas denúncias (…)
Lamentamos que, assim como o cristianismo do século XVI estava em decadência, manchado pela imoralidade de seu clero, escândalos de simonia, venda de indulgências, sede de poder, distorção doutrinária e podridão espiritual, as igrejas evangélicas brasileiras padeçam, hoje, de males semelhantes ou até piores que aqueles. (…)
1. Sola Scriptura – somente pela Bíblia
(…) Reafirmamos que somente a Bíblia deve ser nossa única regra de fé e prática, a “carta magna” dos evangélicos. (…) Hoje, muitos evangélicos pregam, não a Bíblia, mas o personalismo, o materialismo, o curandeirismo, o profetismo, a auto-ajuda e o misticismo. (…)
2. Solo Christo – somente por Cristo
(…) Reafirmamos que a salvação de cada homem ocorre somente por meio da obra infalível de Jesus, o Cristo. Muitas igrejas evangélicas brasileiras não mais anunciam “somente Cristo”, mas sim a salvação mediante exorcismos, dízimos e uma obediência cega aos líderes, os quais, na verdade, são falsos mestres (…)
3. Sola Gratia – Somente pela graça
(…) Protestamos contra as mais variadas barganhas em troca de favores divinos. (…) Protestamos contra uma igreja que se preocupa mais com o marketing e outras formas de agradar sua clientela, do que proclamar a simples mensagem da maravilhosa graça por meio de Cristo Jesus aos pecadores. (…)
4. Sola Fide – Somente pela fé
(…) Protestamos contra a ressurreição de novas formas de indulgências que obscurecem a salvação somente pela fé. Exemplo disso é a compra de “objetos abençoadores”, aquisição de produtos ungidos e pregação de fórmulas de prosperidade financeira e emocional. (…)
(…) Reafirmamos que toda glória seja dada somente a Deus. Protestamos contra evangélicos que glorificam suas próprias obras, suas igrejas, seus templos, seus líderes e seus fiéis, mas não glorificam com suas vidas ao Deus Único e Verdadeiro. (…)
Final
(…) Suplicamos a Deus que tenha misericórdia de nossas igrejas, pois sabemos que o julgamento do Supremo Juiz começará na Sua própria casa. Suplicamos pelo Brasil para que tenha governantes dignos da imagem de Deus que carregam – sejam eles evangélicos ou não. (…)
A Deus somente toda a glória!
Respeitosamente ao povo brasileiro,
Cristãos Reformados
Brasil, Julho de 2006.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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05/08/2006 - 14:07
Um estupendo relançamento da gravadora MCD, o “Luiz Bonfá Solo in Rio”, com gravações de 1959 da da Emory Cook Collection, é a comprovação definitiva porque Bonfá é considerado dos maiores violonistas da história.
O CD traz 31 gravações doadas pelo engenheiro de som americano Emory Cook para o Smithsonian Institution. Constam dele as 17 faixas gravadas no LP “O Violão de Luiz Bonfá” mais meia hora de material inédito, com algumas composições jamais gravadas antes. E é a comprovação definitiva do gênio de Bonfá.
Acompanha uma introdução impecável de Anthony Welles sobre Bonfá. É nela que me baseio nessa crônica.
Assim como outros grandes violonistas que revolucionam o instrumento no Brasil e na América do Sul, Bonfá vem da formação erudita para a popular. Nasceu em 17 de janeiro de 1922, filho de brasileira com italiano imigrante. Começou a aprender violão aos onze anos de idade. Em uma festa no Rio de Janeiro conheceu o grande mestre do violão brasileiro erudito do século, o uruguaio Isaías Sávio (1902-1977) que freqüentava nossa casa em Poços de Caldas. Assim que ouviu Bonfá tocar, Sávio ofereceu-se para ser seu professor.
Sávio fora aluno do catalão Miguel Llobert, o mais destacado aluno de Tarrega. Por ele passaram grandes nomes do violão clássico, como Carlos Barbosa-Lima (apresentado por Bonfá), Paulo Bellinatti e Marcus Pereira, além de meu primo Oscar que, não fosse a Física, teria sido um dos grandes. Sávio permitia flexibilidade no aprendizado, não amarrava o aluno em métodos inibidores da criatividade.
Bonfá começou a ter aulas com Sávio aos 18 anos de idade. O mestre previa que Bonfá se tornaria um dos maiores violonistas clássicos do mundo, mas o apoiou quando decidiu se enveredar pelo violão popular.
Aí, Bonfá foi beber nas águas dos Cassinos e da evolução de música instrumental brasileira no pós-guerra, um período de extraordinária fertilidade, que forneceria as bases harmônicas para a futura revolução do samba-canção e da bossa nova. Foi violonista e cantor do Quitandinha Serenaders, sendo substituído depois por João Gilberto. Nesse período compôs “Ranchinho de Palha”, “Sem esse Céu”, “Canção do Vaqueiro” e “De Cigarro em Cigarro”.
Também caiu de cabeça nas composições para violão, com o “Sambolero” – uma homenagem a um ritmo que larga influência no que de melhor a música brasileira produziu no período, mas relegado a segundo plano por acadêmicos preconceituosos que tentaram se apossar das avaliações sobre a bossa nova–, “Uma Prece”, “Batucada” e “Dança Índia”.
Em 1946 Bonfá conheceu o pai de todos, o homem que reinventou o violão, o bandolim e o cavaquinho brasileiro, Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, sete anos mais velho do que ele. Foi Garoto que, além de influenciar no estilo de Bonfá, proporcionou-lhe o primeiro emprego na Rádio Nacional.
A primeira gravação-solo de Bonfá foi em 1945. Depois, mais 19 compactos até chegar ao LP de 1959.
Nas canções, Bonfá foi filho direto do samba-canção. Junto com João Gilberto, Tom Jobim, Carlos Lyra, Laurindo de Almeida e, logo depois, Baden Powell, integrou o primeiro time realmente internacional de instrumentistas e compositores brasileiros.
Em 1956, uma de suas músicas integrou a trilha sonora de “Orfeu da Conceição”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, que depois tornou-se filmes de Marcel Camus, vencendo a Palma de Ouro em Cannes, em 1959. Era “Manhã de Carnaval”, que depois se tornaria uma das músicas brasileiras mais gravadas de todos os tempos.
Em 1957 seguiu para Nova York, antes da bossa nova se firmar. Um encontro casual com Mary Martin, estrela e cantora da peça “Peter Pan”, na Broadway, abriu-lhe caminho para uma excursão por sessenta cidades norte-americanas. Nos EUA, sua composição “The Gentle Rain”, para o filme do mesmo nome, segundo Weller, tornou-se um marco na história do jazz.
Em 1971, Bonfá retornou ao Rio para ficar. Sua última grande gravação foi o LP “Introspection”, de 1972. Voltou em 1980 para os Estados, tocando em vários clubes.
Suas melhores gravações não foram lançadas em CD. Agora, graças a Emory Cook, falecido em 2002, parte da legenda de Bonfá vem à tona.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Música
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05/08/2006 - 14:07
As principais faixas do CD “Luiz Bonfá, Solos in Rio”, são:
“Night and Day”, uma versão soberba da canção de Cole Porter.
“Sambolero”, de Bonfá: uma melodia inesquecível, das mais belas já compostas menos conhecida. mas à altura de “Manhã de Carnaval”.
“Calypso Menor”, de Bonfá: outra demonstração da capacidade melódica de Bonfá.
“Bonfabuloso”, de Bonfá: uma valsinha linda, que depois assume o sincopado do jazz com uma classe à altura de Barney Kessel.
“Quebra mar”, de Bonfá: samba ao estilo clássico de Garoto, pré bossa nova, mas no formato assimilado pelo novo gênero.
“Luzes do Rio”, de Bonfá, mostra um balanço que em nada fica a dever a Baden.
“Perdido de Amor”, de Bonfá: um dos mais belos sambas-canções já compostos, consagrado por Dick Farney. Aqui, Bonfá canta e se acompanha.
“Amor sem Adeus”, com Tom Jobim.
“A Brazilian in New York”, de Bonfá, gravação inédita, uma gravação inédita de uma obra impressionantemente densa.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Música
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05/08/2006 - 14:06
Um dos personagens símbolos da época de ouro do Rio de Janeiro foi o empresário Horácio Carvalho Jr.. Elegante, amante da boa mesa e das mulheres bonitas, nos anos 40 dominou a cena do Rio, junto com sua esposa Lilly, com Walther Moreira Salles e Helene, Aloysio Salles e Peggy.
Cedo, se aproximou de José Eduardo Macedo Soares, até o advento de Carlos Lacerda e Samuel Wainer considerado o “príncipe dos jornalistas brasileiros”. Homem de coragem épica, Macedo Soares era homossexual, morava sozinho em um apartamento, e foi pai de Lotta Macedo Soares que, no governo Carlos Lacerda, faria grandes obras na cidade, como o aterro do Flamengo. Bem mais velho que Horácio, Macedo Soares o adotou como o filho que não teve.
Juntos, José Eduardo e Horácio deram início a uma empreitada jornalística que produziu um dos jornais mais influentes da República, o “Diário Carioca”. O jornal era francamente pró-Dutra e anti-Vargas. Quando Vargas foi reeleito em 1951, a dupla se desfez do jornal. Depois, o recomprou de Danton Jobim.
Horácio teve papel decisivo na eleição de Juscelino Kubitscheck. De JK, Délio Mattos (não confundir com o brigadeiro), executivo de empresas de Horácio, ouviu uma frase reveladora: “Eu devo a esse homem o governo de Minas e da República”.
Foram duas as contribuições de Horácio. JK tinha como vice-governador Clóvis Salgado, do PRM (Partido Republicano Mineiro), liderado pelo ex-presidente Arthur Bernardes. Se não houvesse acordo com o PR, JK sairia para a campanha presidencial deixando em seu lugar, no seu próprio estado, um adversário político.
Coube a Horácio costurar a aliança, que consistiu em JK apoiar a candidatura de Arthurzinho Bernardes (o filho do Arthurzão) para o Senado.
O segundo grande movimento de Horácio foi em uma conversa com Jango, que lhe comunicou que estava saindo para convidar Oswaldo Aranha para ser o candidato à presidência pelo PTB. Horácio foi incisivo:
– Então você, como político do Rio Grande do Sul, estará liquidado, porque a liderança será do Aranha. Porque não se liga a JK?.
Jango respondeu não ter a menor intimidade com Juscelino. Horácio resolveu na hora:
– Podemos marcar um encontro de você com ele. Vou ligar para Belo Horizonte e perguntar se Juscelino pode vir para cá imediatamente.
JK atendeu imediatamente ao chamado do amigo e, na seqüência, acertou a dobradinha com Jango, que lhe garantiu a eleição. JK deixou uma carta com Horácio, autorizando-o a compor com Jango o ministério que caberia ao PTB. Depois, ofereceu o Ministério da Agricultura e a embaixada de Paris para Horácio, que recusou ambos, alegando que a embaixada era cargo para gente rica.
Nos anos seguintes, se não era rico, rico Horácio se tornou. Junto com Raimundo Mello Vianna, adquiriu a Mineração Morro Velho, envolta em grandes problemas trabalhistas e, depois a CBMM. Foi um momento histórico, aquele da nacionalização de um símbolo nacional, a mina de ouro mais profunda do mundo.
Passado o governo Vargas, Horácio se voltou novamente para o “Diário Carioca”. Foi para a Europa, comprou uma rotativa alemã e abriu escritório na Avenida Rio Branco 25, Sobre Loja. Fez uma revolução, com uma equipe onde pontificavam Danton Jobim e Pompeu de Souza. Lançou o estilo das notas curtas, próprias para os novos tempos, em que as pessoas liam os jornais enquanto tomavam ônibus e bonde, lançou o Suplemento Literário e o Carioquinha, um suplemento infantil.
Quando veio a Revolução, constatou que o jornal não poderia sobreviver sem um clima de liberdade. Chamou Délio, mandou-o quitar todas as dívidas, pagar as indenizações, dispensar os funcionários e fechar o jornal. O DC tinha 35 mil assinantes espalhados por todo o Brasil.
No dia 31 de dezembro de 1966, data do fechamento do jornal, os jornalistas do Rio acorreram em massa à redação do jornal e choraram, juntos com os que saíam, a morte de parte da história da imprensa.
Horácio morreu em 1983.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica
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05/08/2006 - 14:04
Há um ponto em que há unanimidade sobre Fernando Henrique Cardoso, a ironia afiadíssima e o jogo de cintura excepcional, mesmo quando desafiado a falar sobre temas torturantes. Por exemplo, sobre o que pensa do candidato Geraldo Alckmin.
Confira na entrevista concedida a David Friedlander e Guilherme Faria, na cada vez melhor revista “Época” (clique aqui)
(…) ÉPOCA – Lula não é um líder?
FHC – Ele é. Foi o que aconteceu no PT. Sobrou o Lula, porque ele é líder. O Lula é grande tático, mas não é um estrategista. A liderança dele é tática. Ele sempre se sai bem taticamente, mas vai para onde? Ele é muito intuitivo. Mas, no mundo moderno, é preciso mais que intuição.
ÉPOCA – E o Geraldo Alckmin?
FHC – Ele tem tudo o que é necessário para ser presidente, ponto.
ÉPOCA – O senhor afirmou recentemente que José Serra era o mais preparado para ser presidente e pegou mal.
FHC – Não pegou mal. Todo mundo sabe que eu acho isso. O Geraldo também sabe. O Serra está preparado para ser presidente. É experiente. O Geraldo também tem experiência. Foi deputado e se saiu bem como governador. O mais difícil era o Lula, que tinha menos experiência e pagou um preço por isso. Agora, existem vários tipos de liderança. O Geraldo consegue, sem ter o carisma do Lula, manter uma boa conversa com a sociedade. (…) O grosso da população está mais interessado no jeitão da pessoa que no discurso. Você tira o som do Lula e vê que ele fala. A Heloísa Helena fala também. O Geraldo fala. Ele não fala com os mesmos públicos que ficam entusiasmados com a Heloísa Helena, mas fala.
Quando o assunto é complexo, com toda sua habilidade publicamente FHC fala. Mas não diz. Em particular, fala e diz.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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05/08/2006 - 13:22
Um dos personagens símbolos da época de ouro do Rio de Janeiro foi o empresário Horácio Carvalho Jr.. Elegante, amante da boa mesa e das mulheres bonitas, nos anos 40 dominou a cena do Rio, junto com sua esposa Lilly, com Walther Moreira Salles e Helene, Aloysio Salles e Peggy.
Cedo, se aproximou de José Eduardo Macedo Soares, até o advento de Carlos Lacerda e Samuel Wainer considerado o “príncipe dos jornalistas brasileiros”. Homem de coragem épica, Macedo Soares era homossexual, morava sozinho em um apartamento, e foi pai de Lotta Macedo Soares que, no governo Carlos Lacerda, faria grandes obras na cidade, como o aterro do Flamengo. Bem mais velho que Horácio, Macedo Soares o adotou como o filho que não teve.
Juntos, José Eduardo e Horácio deram início a uma empreitada jornalística que produziu um dos jornais mais influentes da República, o “Diário Carioca”. O jornal era francamente pró-Dutra e anti-Vargas. Quando Vargas foi reeleito em 1951, a dupla se desfez do jornal. Depois, o recomprou de Danton Jobim.
Horácio teve papel decisivo na eleição de Juscelino Kubitscheck. De JK, Délio Mattos (não confundir com o brigadeiro), executivo de empresas de Horácio, ouviu uma frase reveladora: “Eu devo a esse homem o governo de Minas e da República”.
Foram duas as contribuições de Horácio. JK tinha como vice-governador Clóvis Salgado, do PRM (Partido Republicano Mineiro), liderado pelo ex-presidente Arthur Bernardes. Se não houvesse acordo com o PR, JK sairia para a campanha presidencial deixando em seu lugar, no seu próprio estado, um adversário político.
Coube a Horácio costurar a aliança, que consistiu em JK apoiar a candidatura de Arthurzinho Bernardes (o filho do Arthurzão) para o Senado.
O segundo grande movimento de Horácio foi em uma conversa com Jango, que lhe comunicou que estava saindo para convidar Oswaldo Aranha para ser o candidato à presidência pelo PTB. Horácio foi incisivo:
– Então você, como político do Rio Grande do Sul, estará liquidado, porque a liderança será do Aranha. Porque não se liga a JK?.
Jango respondeu não ter a menor intimidade com Juscelino. Horácio resolveu na hora:
– Podemos marcar um encontro de você com ele. Vou ligar para Belo Horizonte e perguntar se Juscelino pode vir para cá imediatamente.
JK atendeu imediatamente ao chamado do amigo e, na seqüência, acertou a dobradinha com Jango, que lhe garantiu a eleição. JK deixou uma carta com Horácio, autorizando-o a compor com Jango o ministério que caberia ao PTB. Depois, ofereceu o Ministério da Agricultura e a embaixada de Paris para Horácio, que recusou ambos, alegando que a embaixada era cargo para gente rica.
Nos anos seguintes, se não era rico, rico Horácio se tornou. Junto com Raimundo Mello Vianna, adquiriu a Mineração Morro Velho, envolta em grandes problemas trabalhistas e, depois a CBMM. Foi um momento histórico, aquele da nacionalização de um símbolo nacional, a mina de ouro mais profunda do mundo.
Passado o governo Vargas, Horácio se voltou novamente para o “Diário Carioca”. Foi para a Europa, comprou uma rotativa alemã e abriu escritório na Avenida Rio Branco 25, Sobre Loja. Fez uma revolução, com uma equipe onde pontificavam Danton Jobim e Pompeu de Souza. Lançou o estilo das notas curtas, próprias para os novos tempos, em que as pessoas liam os jornais enquanto tomavam ônibus e bonde, lançou o Suplemento Literário e o Carioquinha, um suplemento infantil.
Quando veio a Revolução, constatou que o jornal não poderia sobreviver sem um clima de liberdade. Chamou Délio, mandou-o quitar todas as dívidas, pagar as indenizações, dispensar os funcionários e fechar o jornal. O DC tinha 35 mil assinantes espalhados por todo o Brasil.
No dia 31 de dezembro de 1966, data do fechamento do jornal, os jornalistas do Rio acorreram em massa à redação do jornal e choraram, juntos com os que saíam, a morte de parte da história da imprensa.
Horácio morreu em 1983.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
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