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30/05/2006 - 09:06

Aí, houve a necessidade mais premente.

de um mergulho fatal e inquietante

que permitisse decifrar num só instante

a árvore, o fruto, a polpa, a semente.

Não valia mais o grande enigma,

antes fascínio, agora, insegurança.

O que valia era a pronta resposta,

a comprovação de que a grande aposta

em vez de risco, era aventurança

E como doeu, meu Deus, como doeu,

desvestir cada véu, cada escama,

revolver cada lençol na cama,

farejar resquícios de paixão.

Como doeu espreitar a energia,

a vitalidade jovem e sadia

de quem aprendeu sem carregar as culpas,

que carregou a minha geração.

Como doeu decifrar as aventuras,

algumas vagas, outras muito duras,

umas antigas, outras invadindo,

o início tenso de nossa paixão.

Ao final do processo, eu exaurido,

não exaurido, diria bem mais sábio,

como leitor daqueles alfarrábios

que decifravam a condição humana,

entendi o início e o meio,

comprendi o desfecho e a conclusão.

E foi assim que esse amor tão louco,

encontrou-se como o barco ao porto

depois de noite de mil provações.

Hoje, a cada manhã que amanheço

A espreito no leito e me enterneço

Com o reencontro, o reinício.

E recomeço.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica Tags:

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