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14/05/2009 - 09:00

Live in Brighton e Popload Porn: 300 bandas, a pussy, o descarte da bunda brasileira. E o Marcos. E o Maccabees. E o Beirut no Brasil. E uma certa festa “cool” em São Paulo. E o Liam que não me esqueceu. E a nova do Noel

* Marcos.

* POPLOAD EM BRIIIIIIIIIGHTON, Inglaterra. Com a bênção do nosso amigo Fatboy Slim.

* Tinha me esquecido das famosas gaivotas de Brighton, as que você acha bonitinho no começo, mas depois você tropeça nelas na rua, elas trombam em você nas ruas, você vai dormir com o barulho delas, acorda com o barulho delas… Malditas gaivotas de Brighton!!!

* THE GREAT ESCAPE FESTIVAL - Se o gigante South by Southwest (Austin, Texas), brutal festival de música realizado não num ponto específico mas sim em vários clubes ao mesmo tempo, é o maior encontro de bandas novas do Planeta (ou de bandas com disco novo, ou bandas com novo gás, ou simplesmente bandas), o Great Escape, de Brighton, é o mais charmoso. Primeiro porque a cidade é de praia e tem clubes nos famosos arcos de Brighton, na famosa orla cheia de cafés, boates, galerias de arte, academia de ginástica, barraquinhas de alimentos orgânicos.
Segundo porque, afinal, o lugar está a uma hora de trem de Londres, o que é um diferencial significativo para qualquer ponto de vista.

O Great Escape 2009 é assim: 3 dias, 34 clubes, 300 bandas novas (tirando o Gang of Four e o Charlatans), shows ao ar livre, shows à tarde, festas pós-shows e, diferentemente do Sxsw, a madrugada bomba mais do que a noite. Não tem uma hora em que as aparelhagens estejam desligadas, parece.

Algumas das atrações do Great Escape deste ano em ordem de… sei lá: Dananananaykroyd (Glasgow), Vivian Girls (Brooklyn, NY), Bombay Bicycle Club (Londres), Kap Bambino (Bordeaux), Kasabian (Leicester), Maccabees (Brighton), Micachu and the Shapes (Londres), We Were Promised Jetpacks (Glasgow), The Charlatans (Manchester), Metronomy (parei com as cidades…), Liam Finn, Pipettes, Peter Bjorn & John, The Pains of Being Purte at Heart, Little Boots, Telepathe, Holy Fuck, Mistery Jets, Gang of Four, The Chapman Family, British Sea Power, Everything Everything, Black Lips, Patrick Wolf, Mae Shi, Just Jack, The Teenagers, We Have Band, Noah and the Whale, Lightspeed Champion, White Denim, Grammatics, Fight Like Apes, Casiokids, White Denim, Crystal Antlers, Hot Leg, School of Seven Bells, Metric e, claro, entre muitos outros, o ótimo…

e o incrível…

Tem os debates também, claro. Em 2009, o que será amplamente discutido no Great Escape são os seguintes temas, entre outros:
- “A cauda muito longa e fina do peer-to-peer”
- “Desde que você acabou… Os movimentos de mercado pós Great Escape 2008″
- “Atraindo a Geração MP3: uma tentativa de educação musical”
- “Soltando um milhão de spams antes de finalmente lançar: analisando o estado da indústria do entretenimento”
- “A evolução do dubstep na história musical multi-culturas de Bristol”
- “Live in the USA: o que o mundo tem a aprender com o sistema de shows nos EUA”

Ah. O Evan Dando toca neste ano no Great Escape. O Evan Dando!!!!

* THE GREAT ESCAPE, OS NOMES BIZARROS/BACANAS - 4 or 5 Magicians, An Experiment on a Bird in the Air Pump, Banjo or Freakout, The Bewitched Hands on Top of Our Heads, Come on Gang!, Die! Die! Die!, Come On Gang!, I Blame Coco, iLIKETRAINS, My Tiger My Timing, Ox. Eagle. Lion. Man., Kids Love Lies, Ou Est Le Swimming Pool, S.C.U.M., Sad Days for Puppets.

* THE MACCABEES, OS 4 MILHÕES E A MAIOR MÚSICA HOJE NO MUNDO - Tendo como “fonte” a Radio One, a XFM, uma rádio deliciosa de Brighton que até agora eu não entendi o nome, fora o que ouço em livrarias e lojas de disco, a música mais tocada no Planeta (sim, o que toca na ilha reverbera no mundo) é a lindona “Love You Better”, do Maccabees. Realmente impressionante. Me lembra Felt, sabe quem? É o melhor encontro de guitarras simples e ao mesmo tempo demolidoras do rock atual. Não entendi nada da letra, hahaha. Mas tem uma parte do tal “And the thought and the thought and the thought of you” para frente, na sequência final, que é de matar. Aqui tem a música, em apresentação deles ao vivo no estúdio de ensaios, pouco diferente da versão que foi para o disco recém-lançado.

Vale ver o vídeo oficial, também, bem bonito.

Atração desta quinta no Great Escape, o Maccabees lançou novo álbum faz poucos dias, “The Wall of Arms”, que está no Top 20 das paradas inglesas, mas fez a banda ultrapassar os 4 milhões de acessos no MySpace. Números bons para o tamanho do Maccabees.

* MAIS MÚSICAS QUE NÃO PARAM DE TOCAR - Tem essas duas, bem boas também, que tocam até em feira de rua na Inglaterra, tirando claro as novas da Lily Allen e “Bonkers”, dueto bem esquisitamente bom do Dizzee Rascal com o… Armand van Helden:
1. A bela “Back of the Van”, da Ladyhawke. O “van”, claro, significa o veículo, banco traseiro da van, tals, mas pelo começo da música não dá para deixar de lembrar do “Van”… Halen, hahaha. A letra é lindona, começando assim: “In the dark, in the back of the van/ Cautiosly, holding your hand/ Making eyes, making everything alright”.
2. E “Jump in the Pool”, maravilhosa, que abre o álbum de estréia do Friendly Fires, melhor disco indie do ano passado. O Friendly Fires, já escrevi aqui, vai…

* SNOW PATROL É COOL DE NOVO? - Veja só o Snow Patrol, banda que brilhava quando surgiu no levante indie escocês (eles são meio irlandeses também) que nos deu Belle & Sebastian, Arab Strap, Dawn of the Replicants entre outros, mas depois ficou tão grande, tão grande que virou um… Coldplay. Mas, apesar desse mal (hehe), a banda tem algumas músicas bem bonitas mesmo. E, mesmo com um disco novo mais ou menos recém-lançado, com toda a exposição que um disco de uma banda assim tem, umas antigas da “época boa” do Snow Patrol andam tocando. Tipo a espetacular “Run”, que é do terceiro disco deles, de 2003, mas que tem tocado sem parar nestes dias em que estou aqui no Reino Unido. Acho que eu sei o motivo. No ano passado, a canção foi regravada pela Leona Lewis, uma cantora britânica fabricada num desses programas de TV. A moça tocou a música num programa da Radio One e gostou tanto que resolveu lançá-la como single virtual. Virou a canção lançada na internet mais rapidamente vendida da história recente, batendo 70 mil downloads pagos em dois dias. Isso no final do ano passado. Só que “Run” na versão dela ficou tão chata que resolveram tocar a original do Snow Patrol sem parar, para tipo dar uma “limpada” na música. Bom, isso é o que eu acho…

* BEIRUT NO BRASIL - A cultuada banda-projeto do iluminado Zach Condon, a americana Beirut, toca no Brasil em setembro, em Salvador, São Paulo e Rio. Um quarto show, em Recife, pode acontecer, dentro de um grande festival indie que ocorre na mesma época. Se não acontecer, pelo menos deveria. Zach e seu Beirut vêm ao país trazidos pelas mãos do Perc Pan, o tradicional festival baiano de percussão.

* UMA CERTA FESTA COOL EM SÃO PAULO – Perdi nesta semana, por estar fora de São Paulo, a chamada “festa do ano”. Uma dessas festas de empresas “programadas para ser cool, style, modernas”, mas que acaba sendo “boa” exatamente por acaber sendo o CONTRÁRIO, hehe. Adoro estas. Curto mesmo, não é zoeira.
Curioso, fui tentar descobrir o que eu perdi nesta “balada do ano”, vindo viajar. Um “insider” na festa me contou que ela foi assim.

A festa era pra ser cool com gente cool, mas claro que festa que quer ser cool acaba sendo cafoooona. E FAKE. E gente que acha que é cool idem. E, óbvio, acabou sendo bacana muito por causa de tudo isso.
A mansão era IN-CRÍ-VEL. Mas sabe festa de novela da Globo quando eles pensam assim: “Fê Paes Leme na cena da festa moderna”. Daí colocam até o Cirque de Soleil pra fazer figuração? Haha, tipo isso.
Tudo forçado demais: área para skatista com skatistas dando sustos na galera a cada manobra; ambiente hip-hop com “hip-hoppers” em performance “dança de rua” (contratados, não?), ambiente indie com Holger tocando a turma do Holger vendo, ambiente putz-putz eletrônico com playboys etc.
Segurança: dois (2) bombeiros circulavam entre a gente na noite toda, mas a casa tinha “pontos de risco” para bêbados desavisados. Ao ir ao bar tinha que se equilibrar para não cair na piscina de um lado ou num vão do outro. Escadas lisas, molhadas e com confete grudado SEM CORRIMÃO.
Bebida de graça, ok. Mas o enérgetico acabou e os que ficaram nas geladeirinhas não podiam ser usados porque eram “enfeite”. Juro.
Banheiro: o povo esquece que festa em casa significa banheiro para quatro (4) pessoas tentando acomodar 1200. Fail.
Clima de “festa em casa”, aham. Parecia festa naquele clube The Pool, mas dividida em quartos.
Povo de firma um pouco, mas povo-de-firma-que-se-acha-alguém-da-naite, muito, muitos. Fora que a festa segmentou o povo de um jeito que você conseguia ver claramente (isso era brega): tinha o pessoal Hells da antiga, a turma indie, a turma hip-hop, as meninas Gossip Girl United etc. Cada um no seu quadradinho, quer dizer, quartinho.
Mas foi bom para encontrar os amigos.
Música? F-A-I-L também. Show do Holger foi bonzão, pelo menos. Não tinha muito para onde fugir para quem quisesse dançar e curtir um som “cool” (aka, menos genérico) de verdade. Era mais beber, circular, tirar foto. Beber, circular, tirar foto.
Balanço final: festa “ok”. Valeu pela bebidinha e amigos, mas enquanto “coolness is concerned”, como 99% acontece nessas ocasiões, foi “festa-em-casa para o povo da firma ver”.

* O LIAM NÃO ESQUECE A POPLOAD – Como vocês bem sabem, o Alisson, um dos poploaders, andou acompanhando a turnê do Oasis pelo Brasil e encontrou com o peça Liam Gallagher, que inclusive disse não tirar a Popload da cabeça. Digo, do pé. What? Segue o texto:

“O Oasis terminou sua turnê com grandes shows pelo Brasil e o que mais chamou a atenção foi a simpatia total do Liam com os fãs, imprensa, etc. Liam lembrou inclusive de um ‘momento sentimental’ com a Popload.
Lembra da história do Adidas surrado que o Lucio já contou aqui dezenas de vezes? Que o Liam ficou encanado, quase pedindo o tênis pra ele. Então. O Liam lembrou da história, mesmo 8 anos depois. Andando com seu sapato de oncinha por todos os lados – “It’s proper rock, man!”, dizia ele – tive a oportunidade de remeter o (ex?) invocado Liam à passagem dele com o Adidas do Lucio. “Eu lembro disso. Aquele tênis era muito foda. Ele (Lucio) me falou que era tipo tênis de futebol de ginásio. Procurei em todo lugar e não achei. Hoje eu ando é com isso aqui”, apontando pro sapato de oncinha, esse:

Juntando os quatro shows, o Oasis arrastou cerca de 60 mil pessoas para suas apresentações. Toda a banda curtiu o Brasil, até o Noel, que só saía do quarto do hotel para passagem de som e shows. Ele, que chegou a comentar que gostaria que tivessem apenas dois shows no Brasil – “pra ficar menos cansativo” – resolveu mudar de ideia e agradeceu em seu blog pessoal toda a movimentação dos fãs latinos. “Falo diretamente com vocês, pessoas da América do Sul. Vocês foram realmente maravilhosos. Foi um privilégio tocar para vocês. As memórias desta pequena turnê vão permanecer comigo por um longo tempo (…) Mucho gracias e obrigado”. Foi o recado do Noel, que viu a galera curtindo seu som assim em Porto Alegre:

Don’t look back in anger, Liam.

Para se ter ideia da saga Popload/Oasis, a gente entrega aqui uma música inédita do Noel Gallagher, que ele cantou sozinho na passagem de som no Rio de Janeiro. Baladinha ao estilo dele, ao violão. Nem nome tem. Escuta só:

* POPLOAD GOES “PORN”: A “VICE”, AS PUSSIES, A BUNDA - A revista mais foda do mundo (a “alcunha” não é minha), a “Vice”, que circula nas principais cidades do planeta e chega em edição brasileira agora em junho (mais detalhes abaixo), lançou seu “The Brazilian Issue” aqui no exterior.

O número dedicado ao Brasil (que entre outras coisas tem como reportagens especiais do Brasilzão um scrapbook “bonito” sobre o massacre do Carandiru, receitas de ficar doidão com chá de pilha velha e fita VHS e ainda a apresentação de uma certa modelo ruiva gaúcha tímida) serve para apresentar a “Vice” ao país, em que agora ela passa a circular.
No começo de junho, por volta do dia 2 (com festança em São Paulo com decantadas atrações gringas), aparece nas ruas de São Paulo, com esticadas ao Rio e a Porto Alegre, o primeiro número da edição brasileira da revista, distribuído nos chamados “lugares cool”, tipo lojinhas legais, restaurantes descolados etc.

Segundo o publisher da “Vice” tupi, Tony Cebrian, a revista em versão brasileira não vai aliviar sua pauta, sempre polêmica e recheada de textos bons e boa música. Enfim, uma espécie de “Trip” e “Rolling Stone” sem medo de ser feliz.

Cebrin descarta a já famosa capa da “bunda” no número 1, talvez porque a “Vice” gringa roubou a idéia, como “flagrou” a POPLOAD num bar de São Paulo, há algumas semanas, quando acontecia uma animada reunião da revista. A capa da “Vice” Brasil 1 deve surgir nos próximos dias.

Aqui na gringa as últimas “Vice” trouxeram matérias tipo a do cientista chinês bam-bam que jura através de suas fórmulas científicas que vamos todos morrer daqui a 30 anos (quem não for antes, né?). E sobre a onda de jovens japoneses nazistas que sacode Tokio e faz as melhores festas da cidade. Tudo permeado pela melhor “conexão musical”.

Uma reportagem séria que me chamou a atenção recentemente na “Vice” inglesa foi a da “busca da vagina perfeita”, assinada por uma médica cirurgiã plástica, contando a história da paciente que a procurou em seu consultório para ser operada “lá” e moldar nela a “perfect pussy”.

A pessoa se dizia infeliz sexualmente porque achava seu órgão muito “feio”, então resolveu buscar ajuda médica.
A doutora a alertou que não se procedia esse tipo de intervenção na medicina protocolar, porque, por exemplo, não se fazia “transplante de rosto” em pessoas feias para torná-las bonitas.
“And the same applies with bad genital luck”.
Mas a mulher nunca aceitava o “não” médico e sempre voltava à doutora com sua “ugly pussy” para operar.
Até que na terceira vez que a “Miss Vagina Whiner” apareceu em seu escritório a cirurgiã recomendou que ela frequentasse as aulas de “Learn to Love Your Vagina” (nem me pergunte…). Lá, segundo a doutora, “she would sit around with other woman visualising her genitals as a beautiful flower, touching her labia like they are delicate petals, and even talking to her vagina, saying, ‘Vagina, if you could talk, what would you say?’”.
E a médica nunca mais viu a Miss Vagina Whiner novamente.

A foto que ilustrava a “reportagem” bacana da “Vice” era esta:

* PROMOÇÃO POPLOAD/CONVERSE: ÚLTIMA CHAMADA PARA O ALL STAR DO KURT COBAIN – Mais uma chance. Por motivo de “força maior” (leia-se maratona insana de shows), segue a promo do incrível All Star do Kurt Cobain. A extrafamosa marca jovem americana de tênis Converse, aliada à nova revista “Vice”, presenteou a Popload com dois pares do Converse preto do Kurt Cobain lindão. Um é meu, que aqui não tem nenhum… O outro vai a sorteio no blog para meus leitores lindos, é só concorrer e, se ganhar, escolher a numeração: tem dos números 34 a 42. Vai lá. Aqui nos comentários (deixe seu email certinho) ou no email lucio_ribeiro@ig.com.br. Olha só as belezuras.

* Vou nessa. O ganhador do tênis sai no próximo post, provavelmente segunda, junto com a cobertura do Great Escape. Semana que vem também começa a serem vendidos os ingressos para os dois dias do Popload Gig, festival realizado por este blog que terá a honra de trazer ao Brasil as bandas No Age, Matt & Kim e The View. Não vá gastar todo seu dinheiro neste final de semana. Guarde um pouco para o Popload Gig. Semana que vem devo também falar sobre o projeto “Popload Party”. Wow, Brasil!

Autor: Lúcio Ribeiro - Categoria(s): Blog Tags: ,
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