* Popload em Reading. Popload em Londres. E, ufa, Popload em São Paulo.
* Lá e cá, risonho e… lííííímpido.
* Costas, check! Joelhos, check! Pernas, check! É, voltei inteiro.
* Soube na volta que acharam o Belchior, o “nosso Richey Edwards” (Manic Street Preachers). Com a diferença que o Belchior foi encontrado no Uruguai três meses depois de “desaparecer”, enquanto o Richey sumiu em 1995, foi “visto” desde o México até a Grécia e por fim foi declarado morto no final do ano passado. Só que agora, parece, o Brasil está envolvido com outro mistério pop: onde anda a Amelinha?
* Poploadmania. Think less but see it grow. Like a riot, like a riot, oh! I’m not easily offended.
* Lembra que eu falei que eu não achei a camiseta Reading-Oasis tipo a do Glastonbury-Michael Jackson? Então… Achei!
* QUEM NO PLANETA TERRA? – Antes de falar de lá, um papinho sobre aqui?
1) Eu sei que não dá para confiar em argentinos na semana de Brasil x Argentina
2) Tirando o Primal Scream, a gente acertou todos os nomes gringos da escalação do festival Planeta Terra até agora.
Posto isso, venho dizer o seguinte. Me bateram da Argentina que o headliner do PT 2009 pode sair destes dois nomes, ambos fortemente em negociação com os hermanos: Sonic Youth e Snow Patrol.
Kataplááá!!!
O primeiro é o primeiro, em atual gás de dar inveja os meninos do Bombay Bicycle Club, a atual banda mais energética do planeta.
O segundo, inédito no Brasil, e de um certo passado indie glorioso e em um atual perigoso caminho ao mainstream-novela das oito, devo confessar: eu gosto. Tudo bem?
* E OS MAIORES NO MAIOR DOS READING FORAM… – Vou dar uma geral neste post sobre o que está sendo considerado o maior dos últimos Reading Festival. Mais gente (150 mil), melhor escalação (Radiohead, Arctic Monkeys, Kings of Leon como headliners), melhores veteranos (showzaços de Faith No More, Prodigy, Ian Brown), maiores novidades (Big Pink, Bombay Bicycle Club, La Roux, The XX). Sobre o que eu vi, o que eu li, escutei, o que perguntei aos amigos, vou dizer quem foi os melhores, em um ângulo pessoal ou puxando para tal.
Antes, queria dizer, mesmo correndo o risco de parecer metido, arrogante, exibido e tal, que… Quem matou a pau, tenda absurdamente lotada, pista dançando do começo ao fim, clima total de festa, todas as músicas sendo gritadas, foi uma certa atração do último Popload Gig.
“Hellooooo, Reading. We are the Friendly Fires and you are the incredible second best audience we’ve played this month”
Mas então. Meu Top 5 de sete bandas do Reading 2009 foi:
1. Radiohead
2. Friendly Fires
3. Passion Pit
4. Big Pink e La Roux
5. Gossip, The XX
(1) É aquilo que a gente viu. Show lindo para os ouvidos e olhos. Mais modern jazz, electrojazz que indie ou rock, embora o começo com “Creep”, para os ingleses que não viam a banda tocá-la há séculos, foi matador. Vi só uma hora de show, pelos motivos óbvios, e porque ali do lado ia começar a La Roux.
(2) Foi a catarse coletiva já citada. E, independente de qualquer coisa, pensa: umas 10 mil pessoas gritando para uma banda que tocou há algumas semanas para 1000 no Circo Voador e 500 no Studio SP.
(3) Foi meu terceiro Passion Pit ao vivo. Uma no Sxsw, show cool mas caótico, bagunçado mesmo de banda parecendo tocar pela segunda vez na vida. Outra abrindo para o Franz Ferdinand em Londres em julho, show burocrático e chato, até. E esta no palco dois do Reading, abarrotado, vibe incrível, uma música boa atrás da outra.
(4) Big Pink começou irregular, como é o disco. Viajante sem sair do lugar, shoegaze mais climático que climáááático. Aí começaram a carregar na eletronice, a guitarra subiu, a atmosfera começou a ficar pesada e densa e pesada e densa… O final com as mágicas “Velvet” e “Dominos” matou. Como dizem no twitter, morriumpouquinho. A La Roux no mesmo palco, mas num outro dia e contexto, joga com o jogo ganho. A galera AMA a moça, canta tudo, eletropop quase vagabundo mas com muito charme, com uma parte chatinha, outra sensacional. Não há meio-termo. Mas as boas, tipo “In for the Kill”, “Bulletproof”, “I’m Not Your Toy”, “Quicksand”, fazem o local em que ela toca o melhor lugar do mundo para estar.
5) O Gossip é aquilo. Beth Ditto despachada, enlouquecendo num crescente, clima de show para amigos, músicas novas bem boas ao vivo, músicas “velhas” absurdas e o final com “Standing in the Way of Control” para o mundo acabar. A “nova sensação” XX é uma delícia ao vivo, para uma banda tão parada. Mistura de Cure com Pixies, jogralzinho ele-ela na medida, banda que explora os minimalismos quase silêncio com uma genialidade absurda para ver em um grupo tão novo. Thom Yorke deve adorá-los.
* ISTO FOI O READING:
- Outros shows bem bons: Horrors, Kings of Leon, Metronomy, Yeah Yeah Yeahs (perfeito se não fosse no palcão principal), Bombay Bicycle Club e, acredite, Bloc Party (a parte que eu vi).
- Show que confundiu: Arctic Monkeys. Na hora, achei alguns momentos bons, outros burocráticos. Ninguém muito empolgado com as músicas novas. Mas na hora em que ouvi, depois, no especial da Radio One, achei muito bom.
- Show que não rolou de jeito nenhum: Kaiser Chiefs.
- Show que eu não vi, mas amigos acharam o máximo: Faith No More, Florence & the Machine, White Denim, Dinosaur Pile-Up e… Them Crooked Vulture, a banda do Josh Homme + Dave Grohl + John Paul Jones que tocou de surpresa, sem ser anunciada, no palco 2, tipo sábado 4 da tarde.
- Várias: “Sex on Fire”, do Kings of Leon, e “When the Sun Goes Down”, do A.Monkeys, foram as duas músicas mais absurdamente cantadas alto pela galera no Reading. Parece que no Faith No More teve uma par delas. E “Death”, do White Lies, teve lá sua glória; Popload e a moda: camisa xadrez que um dia foi grunge e hoje é folk foi tendência. Pintura na cara teve mais no Reading deste anos do que quando o Collor sofreu impeachment. O “must” era fazer bigodes e focinho de gato no rosto. Homem e mulher. No show do Bombay Bicycle Club, pensei que ia rolar esmagamento de pessoas. Ou, pior, de adolescentes. Quando você achava que não havia espaço para mais ninguém, lá vinha uma orda de 20 teens raivosos querendo chegar perto do palco. Foi assim da primeira à última música. Medo.
* O READING 2009 EM TRÊS VÍDEOS
1) Beth Ditto fazendo dancinha na explosiva “Jealous Girls”
2) Um vídeo “especial” para “Heads Will Roll”, do Yeah Yeah Yeahs
3) A sensação Big Pink, japa girl na batera, mandando “Velvet”
* Mais Reading, com outros vídeos e fotos, logo mais.
* ALL YOU NEED IS (VAGNER) LOVE – Sumiço do Belchior, fim do Oasis, Reading Festival, disco novo da Scarlett Johansson, Popload em Londres? Nenhuma notícia pop foi tão importante nos últimos dias do que a contratação do Palmeiras para o campeonato brasileiro: o Vagner Love, o craque do amor, que passou cinco anos entre as russas e agora deve estrear sábado no Palestra Itália.
Além de uma Copa da UEFA e duas taças do Russão (?!?!), o atacante traz na bagagem a inspiração para duas bandas europeias batizadas com seu nome. A primeira é de Manchester e se chama isso mesmo, Vagner Love. A segunda é uma espécie de Village People alemão-anos-2000 e é batizada de Wagner Love, com W. Eu e meu amigo do Planalto, o Eduardo Palandi, somos os fãs oficiais brasileiros de ambas as bandas.
1. A primeira é um trio de moleques de Manchester que faz power pop de três minutos como se fosse 1993 (Sebadoh, Teenage Fanclub… Green Day?). A Popload ouviu e concluiu: se Vagner Love jogasse no Manchester United, perigava de “This Is Not a War” e “We Don’t Care” virarem hinos de arquibancada da maior torcida inglesa, tipo “Seven Nation Army” (White Stripes) na Itália. Veja e ouça com seus próprios olhos e ouvidos: myspace/vagnerloveband.
2. A Wagner Love surgiu na Alemanha em 2003 (a de Manchester é de 2007). Ao invés do popzinho underground, é um quarteto assinado com a EMI local, que faz uma mistura de Phoenix com Jorge Vercilo (!) cantando em inglês. Ficou com medo? Não se preocupe, é mais para o lado do Phoenix, já que o hit “I know”, emplacado na trilha do filme “Jogos de Amor em Las Vegas”, é muuuuito parecido com “Too young”, do primeiro disco dos franceses.
*** Agora uma pausa para os nossos comerciais ***
* POPLOADED 122 - Está em cartaz na Rádio Poploaded a edição 122 do programa co-apresentado por Lúcio Who e o gênio Fábio Massari. No playlist, só balas: Friendly Fires exclusivo ao vivo na passagem de som do Studio SP, Dwarves, Deerhunter, Eve & Benga, Electric 6, Decemberists, XX entre outras. Na famosa session ao vivo de banda nacional, a apresentação do grupo electrogrungesexy Brollies & Apples, em vídeos classe gravados na Rua Amauri, pelos mascarados. Tipo este.
* POPFELLAS APRESENTA NO PORN – O ótimo duo paulistano No Porn, dos festeiros Luca e Liana, se apresenta nesta quinta-feira em pocket show na balada rock Popfellas, com discotecagens deste aqui, de Rafa Urenha e do Focka. Mesmo se eu não tivesse a “obrigação” de tocar, eu jamais perderia esta balada. Wicked!
*** Fim dos nossos comerciais ***
* CARACA: ROCKBAND DO RADIOHEAD? - Hahahahaha.
* CARACA: MAS O DOS BEATLES É BEM SÉRIO - Rolou no final de semana passado, mas como eu estava absorvido no Reading, não tinha visto.
* CARACA: E O DO KURT? – Este é para o Guitar Hero 5, também old news, mas serve no “pacote” dos Beatles real e do Radiohead fake. Nesse jogo o Kurt Cobain pode tocar e cantar qualquer coisa: de “Smells Like Teen Spirit” a… Bon Jovi. Aí alguém aproveitou para fazer o Kurt cantar “You Give Love a Bad Name”, sendo que Love, neste caso, foi uma direta para a Courtney Love. Hehe.
* LOGO MAIS - Popload no cinema: Tarantino, ETs e o filme sensação de 2009. Popload na literatura: O Nick Hornby que veio parar na minha mão. E os sambistas do indie. Foram os prêmios ingleses. Só loucura.
A loooooooooooooooovesick. Quase 1100 pessoas na etapa carioca do Popload Gig, sábado à noite, no Rio de Janeiro. O Friendly Fires, atração principal, começou o show tipo assim:
* FRIENDLY FIRES E O BRASIL - “Derrubem aquela estátua do Cristo Redentor e botem uma nossa”.
* Já percebeu que eu vou gastar o post falando dos três festivais citados no título, né? Fora o resto. Mas vamos começar dizendo o seguinte:
* READING FESTIVAL 2009 - Daqui duas semanas. De Arctic Monkeys a Fight Like Apes. De Radiohead a XX. De Yeah Yeah Yeahs a Big Pink. De Kings of Leon a Dananananaykroyd. E a Popload, se nada der errado, estará lá.
* POPLOAD GIG 2 – Hoje vou falar menos do festival deste blog, que acontece neste sábado, dia 15, no Circo Voador (Rio), e na segunda, 17. Porque quem vai falar são os caras da atração principal, o grupo inglês suuuuuuuperbombado Friendly Fires. O FF toca com os brasileiros-cool Copacabana Club e Brollies & Apples.
Trazer o Friendly Fires hoje ao Brasil é tipo trazer o Arctic Monkeys uma semana antes de eles lançarem o primeiro disco, não? Ou o Nirvana uma semana antes de eles tocarem no Reading Festival 1991. O Libertines antes de o Pete Doherty brigar e ser expulso do grupo. O…
Está bem, eu paro.
Estou manchando a amizade com amigos importantes e com muita gente da imprensa, que não se agilizaram antes, porque está impossível botar uma pessoa magrinha a mais no Studio SP, na segunda. Já foi dificil conceder um passe para o povo do Channel 4 (Inglaterra) e da Fox latina, que vão cobrir o festival. Hihi. Agora, nem se o Jon Pareles (”NY Times”) pedir ele consegue entrar.
* O ótimo baterista do Friendly Fires, o Jack Savidge, andou retwittando o que eles vêm fazer no Brasil.
“jackbsavidge RT @xampucomx: @jackbsavidge Friendly Fires is coming to Brazil to fucking everything!!!!”
* Aí os sujeitos do Friendly Fires explicaram o lance do samba. E falaram que querem ir a um baile funk. Ai, ai.
* PERGUNTA: NO DIA 7 DE NOVEMBRO, VOCÊ… - Haha. Já que vamos experimentar uma guerra de megafestivais num mesmo sábado de novembro, essa questão vai ficar reverberando aqui no blog para eu tentar medir quem vai onde.
No dia 7/11, você vai ao Planeta Terra (Ting Tings, Yeah Yeahs, Green Day, Grizzly Bear, tudo não confirmado) ou vai no Maquinária (Faith No More confirmado, Jane’s Addiction e Deftones “confirmados” pela Popload.)
Jane’s Addiction twitta a Popload. Aliás, o Twitter do Jane`s Addiction, comandado por um site ligado à banda, mas não-oficial, parece, postou a data do Brasil e falou do Maquinária, linkando a Popload como fonte. Acho bom esse meu chute estar certo, hahahaha. Ainda não dá para assumir como verdade porque o festival não se manifestou. Eu, como “empresário do rock” (hihi), sei que essas coisas mudam em questão de horas. Até porque o Jane’s Addiction pode acabar no T…
Falando nisso, o Planeta Terra, que vai acontecer no Playcenter (conforme adiantou a Po…) divulgou que o festival vai ter 10 bandas internacionais e 10 nacionais. E que o ingresso custará R$ 140 (inteira) e R$ 70 (meia). E atenção: a entrada dará direito ao público a utilizar os brinquedos do parque.
Dos dez nomes nacionais, dois a gente já sabe. Macaco Bong e Killers on the Dancefloor.
* PURPLE HAAAAAAAAAZE: WOODSTOCK 40 ANOS - É isso aí, bicho! Não é exagero dizer que, se não fosse o Woodstock, não haveria hoje festivais gigantescos como o Reading Festival, o Glastonbury, o Popload Gig e o Gui Festival (vai, me deixa com minha piadinha…).
A princípio uma festinha numa fazenda de Nova York em um final de semana de agosto de 1969, o Woodstock fugiu do controle e acabou transformando o mundo.
Mais de 500 mil pessoas, há 40 anos, se juntaram para ver o que ainda hoje é o mais famoso evento jovem da história, revolucionário tanto na música em particular, na cultura no geral, e com fortíssima importância política e social. Então, para este blog que adora um festivalzinho aqui, na Inglaterra, EUA, Dinamarca, Espanha, onde for, fica esta pequena área dedicada aos três dias que abalaram o mundo (”rocked the world” fica mais… hum… “rock”).
Para começar, não quero dizer nada nem fazer previsões para o futuro, hahahaha, mas o Woodstock aconteceu entre os dias 15 e 17 de agosto de 1969. O Popload Gig acontece nos dias 15 e 17 de agosto de 2009. Tá bom, tá bom…
A foto lá em cima abriu um material do “New York Times” sobre os livros do Woodstock que estão sendo lançados agora. Um deles é o…
Saiu no Brasil o espetacular livro “Woodstock” (”Back to the Garden – The Story of Woodstock”), que conta a história oral do festival, construído dia a dia do evento, atração por atração, em depoimentos de quem tocou ou pelo menos “só” testemunhou o mais famoso encontro de jovens do planeta, como jornalistas, produtores, escritores, técnicos de som. “Woodstock”, de Pete Fornatale, editora Agir, tem narração escrita da época ou de agora de gente como Jimi Hendrix, Joe Cocker, Jerri Garcia, Santana etc.
Fornatale era um jovem radialista em Nova York, estreando na profissão semanas antes de Woodstock acontecer. Ele diz que, logo após a meia-noite do dia 27 de julho de 1969, ele fazia, estreando na rádio WNEW, seu primeiro comercial ao vivo. Antes, quando o vinil parou de rodar, ele primeiro anunciou o nome das músicas que tinha acabado de tocar: “Sing This Altogether”, dos Rolling Stones, “All Together Now”, dos Beatles, e “You Can All Join In”, do Traffic. Depois leu o seguinte texto:
“A Feira de Arte e Música de Woodstock é uma exposição aquariana em White Lake, na cidade de Bethel, condado de Sullivan, Nova York. Na sexta-feira, 15 de agosto, vocês verão e ouvirão Joan Baez, Arlo Guthrie, Tim Hardin, Richie Haens, The Incredible String Band, Ravi Shankar e Sweetwater.
“No sábado, 16, tocam Canned Heat, Creedence Clearwater, Grateful Dead, Keef Hartley, Janis Joplin, Jefferson Airplane, Mountain, Santana e The Who, o grupo mais quente da cena atual.
“No domingo, 17, The Band, Jeff Beck… Crosby, Stills and Nash, Jimi Hendrix… e isso não é tudo. Ingressos à venda pelo correio ou na agência local de venda de ingressos a 7 dólares para qualquer dia, dois dias a 14 dólares e 18 dólares para os três dias. Um passe especial de dois dias está disponível pelo correio a 13 dólares.
“Para ingressos e informações, escreva para a Feira de Arte e Música de Woodstock, caixa postal 996, Radio City Station, Nova York, um-zero-zero-um-nove ou ligue para Murray Hill 7-0700.
((agora a melhor parte)) “Lembre-se: a Feira de Arte e Música de Woodstock será realizada em White Lake, na cidade de Bethel, Condado de Sullivan, Nova York. Eles tiveram alguns problemas por lá, mas parece que vai ficar tudo bem”.
* Essa última linha, segundo Fornatale, foi um improviso bem ruinzinho. Ele segue, na introdução de seu livro. “Só que ninguém tinha a menor ideia da importância que o festival de três dias teria, não apenas para fãs de música, mas para colunistas, jornalistas, políticos, críticos, sociólogos, escritores e militantes do movimento jovem. Aqueles eram meus primeiros minutos no ar na mais importante das inovadoras FMs de rock dos EUA e eu auniciava um evento que logo redifiniria a cultura, o país e os valores de toda uma geração.”
* Outro livro recém-lançado no Brasil é “Aconteceu em Woodstock” (ed. Record), de Elliot Tiber e Tom Monte. Elliot Tiber foi o sujeito que apresentou o produtor do então “pequeno festival”, Michael Lang, ao dono da fazenda onde ocorreria a revolução toda, Max Yasgur. Eu imagino a conversa.
“Oi, Max, esse aqui é o Elliot. Beleza? Ele está a fim de fazer um festivalzinho com algumas bandas na sua fazenda. Coisa rápida, íntima. Pode ser?”
* O livro de Elliot Tiber serviu de base para o filme do famoso diretor chinês Ang Lee, de mesmo nome “Taking Woodstock”, que teve premiére no festival de Cannes, estréia nos EUA no final de agosto e vem ao Brasil apenas em janeiro do ano que vem. O trailer de “Aconteceu em Woodstock”, do Ang Lee, é assim:
Mais um livro que está sendo lançado, desta vez ainda só nos EUA. É “The Road to Woodstock”, de Michael Lang (que assina junto Holly George-Warren), outro documento fascinante sobre os tais três dias de agosto de 69, porém mais técnico e menos musical. Lang foi um dos quatro organizadores do festival e conta como o festival foi de “modesto” ao maior da história.
“Nobody killed anybody, nobody raped anybody, nobody shot anybody. In the history of humankind, I think it’s probably the only group of people that size that didn’t do any of that”, disse David Crosby of Crosby, Stills and Nash.
Reza a lenda que foram consumidas 26 toneladas de maconha nos três dias do festival. Se você levar em conta que rodaram pelo Woodstock, dá quase 20 quilos pra cada pessoa. Acho que não, né? Ou sim?!? O músico Henry Gross brinca com o número absurdo: “Quase 26 toneladas de maconha evaporaram em Woodstock e nenhum caso de glaucoma foi registrado”.
Para quem manja inglês e quer ver um vasto material sobre o festival, o “New York Times” trouxe ótimos textos nos últimos dias, a respeito do Woodstock. O bamba Jon Pareles escreveu um deles, onde aponta que nem tudo, na verdade, foi paz e amor sem nenhum custo para isso.
“Para realmente você entender o que foi o Woodstock, você tem que ver que, de várias maneiras, o festival foi incrivelmente difícil e desagradável. Primeiro que foi uma multidão de pessoas no meio de um lugar estranho e longe, circundados por um engarrafamento gigante de carros. O tempo estava horrível. As filas para comprar comida e bebida não tinham fim. O cheiro que saia dos banheiros portáteis era de matar num nível absurdo. E a lama. “Havia felicidade naquela lama. Estava todo mundo afundado, mas pareciam estar adorando. Me lembrou uns bufalos que você vê na Índia, submersos em lama”, lembrou Ravi Shankar no livro “Woodstock”, de Fornatale.
DVD. Está sendo lançado por aqui a versão em caixa bombada para o histórico “Woodstock, Três Dias de Paz, Amor e Música”, o filme-documento lançado por Michael Wadleigh em 1970, um ano após o festival, vencendo naquele ano o prêmio Oscar de documentário. São quatro DVDs, um com o filme original todo remasterizado, outro com a versão do diretor (cerca de quase quatro horas a mais de sobras), mais imagens nunca vistas de bastidores, entrevistas com quem esteve lá e performances de bandas que tocaram em Woodstock, mas não tinham entrado no filme, tipo The Who, Jefferson Airplane, Creedence Clearwater Revival e Grateful Dead. O documentário “Woodstock, Onde Tudo Começou” está também na caixa. Uma festa hippie. O filme original, não custa lembrar, teve um jovem Martin Scorsese como um de seus editores.
O lance do Woodstock, conclui Pareles, não é não ter havido estupros e assassinatos nos três dias em que 500 mil pessoas estavam aglomeradas no mesmo lugar. E sim todo mundo se tratarem de modo gentil mesmo sob essas condições ruins para um convívio pacífico.
Nick e Bobbi Ercoline fizeram história com uma das mais famosas fotos de Woodstock, essa aí acima. Eles se conheceram e se apaixonaram na época do festival. Quer ver como eles estão hoje?
O casal, ambos com 60 anos hoje, ainda mora na região de onde aconteceu o Woodstock, tipo menos de uma hora de distância do local.
O jornal carioca “O Globo” desta sexta-feira traz um apetitoso especial sobre Woodstock. O jornal até entrevistou um dramaturgo brasileiro que, fugindo da ditadura brasileira em 1969 e levando a vida como garçom, acabou caindo no Woodstock, a convite de um amigo que disse que “artistas importantes e novos” iriam se apresentar. “(Esse amigo) Falou ainda que tínhamos que nos fantasiar um pouco, porque éramos muito certinhos”, disse Luiz Carlos Góes, que para ser “aceito no meio das figuras estranhas que se encaminhavam para o festival” arrancou as mangas de uma camisa, botou colares e uma bandana no cabelo. “Todo mundo falava com a gente. A estrada estava tomada por tribos, que fumavam maconha sem medo. Logo, o congestionamento no trânsito fez com que os motoristas largassem seus carros e se juntassem à multidão”, lembrou Góes, que afirmou ter tomado seu primeiro ácido naquela noite de Woodstock. “Havia algo no ar, uma nova relação entre as pessoas. Foi como um batismo.”
* Outro evento musical importante a ser lembrado em seus 40 anos é o Harlem Cultural Festival, mais conhecido como Black Woodstock. Aconteceu mais ou menos paralelo ao famoso Woodstock (foi uma série de shows em julho e agosto de 1969), em Nova York, e celebrava a música negra em meio à gigantesca tensão racial que acontecia na época. O Black Woodstock, que teve como segurança os Panteras Negras, já que a polícia não quis se envolver na história, teve shows de B.B. King, Nina Simone, Stevie Wonder, Sly & The Family Stone, entre muitos outros. Escalação “fraca”, não?
* POPLOAD GIG 2 – OS VENCEDORES DO RIO - Já contactados e já confirmados, eis os dois ganhadores do ingresso do festival deste sábado, no Circo Voador, etapa carioca da Popload Gig 2.
- Thiago Pinto Sardenberg Gomes
- Caroline de Andrade Azevedo
O vencedor de São Paulo, solitário, recebe a notícia por aqui e por email na segunda cedo. Fica esperto.
* THANKS FOR NOT SMOKING - Todo o papo sobre o cigarro e a falta de (a nova configuração social das baladas de SP) vem no próximo post. Tive uma idéia…
Lúcio Ribeiro é jornalista. Edita o Popload e escreve sobre música e cultura pop para a Folha de S.Paulo. É colunista das revistas Capricho e Homem Vogue. Co-apresenta o programa de rádio Poploaded. É DJ residente do clube Vegas e viaja o Brasil tocando em festas de rock.