* Eu já falei aqui que o Nirvana foi o “meu Beatles”? Pois então. Nem é na comparação das músicas. Well, whatever, nevermind. O negócio é que, para lembrar os 15 anos da morte do gênio loser da geração 90, Kurt Cobain, que estourou os miolos em Seattle em 5 de abril de 1994, no fim do post vai ter uma certa homenagem pessoal ao Nirvana, numa espécie de intersecção da minha vida com a do Cobain: (1) um áudio exclusivo da polícia de Seattle falando do “corpo” encontrado na casa de Kurt Cobain, talvez do próprio, em apuração minha para o jornal “Notícias Populares”, um dos primeiros veículos no Brasil a saber do “assassinato-depois-suicídio” do guitarrista do Nirvana; (2) foto do incrível show do grupo em 1991, no famoooooso Reading Festival daquele ano, “the year that punk broke”, tipo duas semanas antes do lançamento do Nevermind e da consequente mudança de rumo da história da música; e (3) fotos também do “guia Nirvana de Seattle”, o chamado Nirvanapalooza, que eu fiz em 2007 depois de uma viagem à terra do grunge, mostrando os lugares tipo a casa onde o guitarrista viveu seus últimos dias e morreu, seu “túmulo”, o bar onde rolaria o primeiro show em Seattle se tivesse aparecido alguém para ver. O clube onde a SubPop fez a festa de lançamento do “Nevermind”, o bar onde “Smells Like Teen Spirit” foi mostrada pela primeira vez ao vivo etc. e tal.
* Chega às bancas nos próximos dias a edição brasileira da revista “Rolling Stone” com DUAS capas com Kurt Cobain, por ocasião do aniversário de 15 anos de sua morte. Uma capa “edição de colecionador”, com foto P&B. Outra “normal”, com chamadas. A tiragem é meio-a-meio para as capas. Dentro, o material de texto da revista traz originais da “RS” americana com a última entrevista do líder do Nirvana e outro escrito sobre os últimos dias de Cobain em vida.
Capa da “RS” americana na edição da morte do Cobain. A capa da “RS” brasileira é diferente dessa, mas a imagem é do mesmo ensaio do famoso fotógrafo texano Mark Seliger
* No próximo sábado, dia 4, o clube paulistano Outs dedica sua bombada noite para um “Tributo ao Nirvana”, com show da banda Delinquents 90, com participações de várias figuras indie cantando músicas do Nirvana, além de discotecagens especiais em homenagem à banda de Cobain/Grohl/Novoselic.
* MISSA PARA O KURT. EM MINAS GERAIS… – Em Formiga, Minas Gerais, em uma certa igreja da cidade, dois rapazes que eu conheço costumam rezar missas para lembrar o Cobain. Em missa católica, pelo menos no interior e até onde eu sei, você vai lá e paga 1 real para o padre rezar a missa em intenção da pessoa. Aí, logo no começo, o padre costuma falar “Essa missa é em memória de fulano, sicrana…”. E, no meio dos nomes que o padre fala, lá em Formiga, costuma ter um “Kurt Donald Cobain”. Eles dizem que vão rezar uma pelo aniversário de 15 anos da morte do Cobain. Como rezaram uma em 2004, nos dez anos. Acha que não? Eles mostram a prova. E, MELHOR: eles mostram o padre FALANDO. Genial.
* O áudio da missa de 2004. Sério, estou emocionado até…
* O CHILE E A CACHORRADA SOLTA – A história do post passado, em que nas ruas de Santiago tem quase tanto cachorro solto nas ruas do que cidadãos andando para lá e para cá na cidade, rendeu bastante. Fábio Carbone, paulistano que também foi a Santiago ver o Radiohead, também notou a cachorrada e fez fotos. Inclusive a de um cachorro solto no… SHOW DO RADIOHEAD. Vê isso, peloamordedeus.
Não dá para ver, mas este cachorro está chorando porque está tocando “Creep”. Até deu as costas para o palco…
Esta foto é do brother Bruno Granato, outro que foi ao Chile ver Radiohead/Blondie/Sonic Youth. Na imagem, cão que chegou cedo para ver o Radiohead. Mas deixou claro para a dona, a mina de azul, que quer ver o show sozinho
* O RADIOHEAD E O SHOW DE SÃO PAULO - Você aguenta maaaaaaais Radiohead neste blog? A última (de hoje), prometo. O “reservado” Thom Yorke, na folga, foi fazer uma visita à cidade de Valparaíso, cidade litorânea colorida na costa do Pacífico, onde o poeta Pablo Neruda tinha uma casa etc. Abordado por um brasileiro (claro…) na rua, Thom Yorke se viu diante da pergunta “Nos shows da América do Sul, qual o momento que você achou mais importante?”. Yorke respondeu: “A hora em que o público cantou ‘Paranoid Android’ em São Paulo”.
* Menti. Aquela não era a “última do Radiohead”. A derradeira vez que eu falo do Radiohead aqui por algum tempo é esta: agora no dia 1º de abril (não é mentira) saíram luxuosas “edições de colecionador” dos primeiros discos da banda inglesa. Tem a do “Pablo Honey”, do “The Bends” e do “OK Computer”. Todas com o álbum em si mais raridades, demos, radio sessions, ao vivo e o escambau. Tem essas “Collector’s Edition” com DVD, em tiragem limitada. No Japão, parece, saiu o “In Rainbows” com um DVD com as famosas “From the Basement”, conhecidas gravações ao vivo no estúdio aqui organizadas de modo bonito.
* Menti de novo. E esta sim, prometo, é a última do Radiohead por ora. No Chile eles fizeram dois shows. Vi o lindo segundo, o da sexta. E o primeiro, do dia anterior, foi tumultuado. Problemas técnicos deixaram o Thom York furioso. Ele parava de cantar e cruzava os braços durante algumas canções (”All I Need” foi terrível), abandonou a banda no palco. Voltava, ficava puto e saía de novo, essas coisas. Aqui tem uma amostra do chilique do Yorke, banda esperando o cara voltar ao palco, regendo a platéia no grito chamativo “Olê, olê, olêêêê, Thom Yooooooorke, Thom Yooooooooorke”. Veja o piti. E, de quebra, a performance de “Nude”, inteira.
* MAIS SONIC YOUTH: “100%” AO VIVO EM SANTIAGO - Já que voltei a falar do Chile, Radiohead e tal, toma mais um vídeo da espetacular apresentação “das antigas” do amado grupo nova-iorquino Sonic Youth, domingo passado. Começa com o Thurston Moore fazendo umas coisinhas com a guitarra…
* “VICE” BRASILEIRA SAI EM MAIO - O primeiro número da “Vice” brasileira, esperada edição nacional da talvez mais cool (e mais louca) revista jovem do planeta, mensal e gratuita, sai agora em maio. Parece que em maio, lá fora, vai ter uma edição “Brazil” da “Vice”, como parte da “política de estréia” da revista em um país.
* Para quem não conhece, a “Vice” é uma espécie de irmã malvada e nervosa da “nossa” revista “Trip”, com muito mais música esperta em suas páginas, em textos escritos por galera que manja bem. Vamos ver se a edição brasileira segue essa linha, hummm, ortodoxa de fazer revista boa.
A foto acima ilustra a reportagem “O Que Está Acontecendo com o País de Gales?”, importante investigação sobre o estado atual do pé na jaca dos galeses, com “complicados” resultados depois das madrugadas etílicas. Esse é o tipo de matéria que sai na “Vice”.
* Quem vai ser o editor-chefe da “Vice” brasileira é o Ademir Correa, ex-editor da “Rolling Stone” daqui, que deixa seu posto para o chapa Paulo Terron, do blog With Lasers, meu “vizinho” de iG. Dança das cadeiras no indie brazuca.
* KOOKS NO BRASIL - Acho eles legais, apesar dos cabelos de ursinho. Molecada boa, com banda feita por causa do David Bowie. O Kooks traz seu brit pop (atenção, é separado mesmo) ao Brasil em junho, parte de uma turnê sul-americana nada indie. Bastante dinheiro envolvido. Na Argentina é dia 10/6. Em São Paulo, por volta do dia 15.
* ENQUETE: O MAIOR SHOW INTERNACIONAL NO BRASIL EM TODOS OS TEMPOS (E UM CERTO PRÊMIO) – Continua a apuração da enquete mais famosa deste blog, feita de tempos em tempos, mas que agora parece completa, porque o Radiohead passou finalmente por aqui.
Uma parcial do que está dando, surpresa!!!!!!, é isto aqui:
- Radiohead liderando com quase o triplo de votos do segundo colocado
- Madonna e Pixies disputando o segundo lugar voto a voto; os fãs da Madonna votaram em bloco, levantando suspeitas de fraude no comitê apurador Popload
- mais atrás, boa disputa num bloco com: Franz Ferdinand, U2, Killers, Arcade Fire e Pearl Jam
- Sonic Youth e Foals fechando o top 10
Continue votando nos comentários ou no email lucio_ribeiro@ig.com.br. Quem mandar seu show predileto corre o risco de ganhar, no sorteio:
* UM ingresso para o show do Oasis em São Paulo, em maio, no “gostoso” Anhembi.
* A NOKIA E O CELULAR INDIE - Popload multimídia. O famoso serviço Nokia Comes With Music, lançado no ano passado em Londres com a presença da Popload (thank-you-very-much), chega ao Brasil em maio. Quem adquirir o celular último-tipo Nokia 5800 Express Music com tela de toque, segundo anuncia a mais poderosa empresa de celular do planeta, poderá baixar no celular ou no PC, por um ano inteiro, gratuitamente e sem limites, todo o acervo das quatro grandes gravadoras (Warner, EMI, Universal e Sony), fora as músicas de todos os artitas de cerca de 150 selos independentes brasileiros e mais de mil internacionais.
O “modelo de negócio” Nokia Comes With Music é uma tentativa da empresa finandesa de barrar o imbarrável poderio da Apple, seu iPhone, seu iTunes.
Vou repetir o que eu disse aqui quando a Popload cobriu o lançamento do Comes With Music em Londres, em outubro: “A maior empresa de celulares do mundo proporcionando a seus clientes baixarem quantas músicas quiserem das bandas que quiserem. E de graça. Não é bem assim, mas é mesmo assim. A Nokia festejou acordo incrível com as principais gravadoras do planeta, mais um monte de selos independentes, para disponibilizar por UM ANO aos clientes da empresa o download de qualquer canção de seus elencos. Para tal, a pessoa precisa comprar o celular específico da companhia nórdica, que sairá custando 218 libras (279 euros, 377 dólares, 818 reais sem os impostos). Quando o prazo de fidelidade acabar, em 12 meses, o dono do Nokia 5310 Express Music pode manter no computador ou no celular todas as músicas baixadas, para sempre. Com o ano completado, se o usuário do aparelho Nokia quiser manter-se como cliente da empresa, terá de pagar pelos novos downloads a partir da data. Mas as músicas já baixadas permanecem dele.
A Popload tentou à época respostas para as perguntas ‘Eu, enquanto cliente da Nokia, posso passar minhas músicas baixadas gratuitamente para um amigo que não tem celular nem usa serviço da empresa, via celular mesmo ou pelo computador? Posso queimar um CD virgem com essas músicas?’ Depois de muito custo, chegou uma resposta do tipo ‘Não pode. Haverá uma proteção para o uso exclusivo do cliente Nokia’. Mas deu para perceber que eles sabem bem o que acontece hoje em dia com ‘proteções’ e exclusividade’ assim que o produto aparece no mercado.”
* Pareeeeeeeeece que a Nokia no Brasil, para bombar seu lançamento e seu serviço de música, vai fazer uma história com “shows indies no Brasil”. Foi o que me falaram.
* DO SXSW PARA O GLÓRIA – Neste sábado todos os caminhos indies levam para o clube Glória (Bela Vista), se você estiver em São Paulo. A segunda edição da descolada festa IM//A\\PARTY (na primeira teve a francesa Yelle) traz o australiano Miami Horror, acompanhado da dupla conterrânea Bag Raiders. Rock de guitarras my ass. Miami Horror é um produtor dance de 22 anos, de Melbourne. Era um dos “tem que ver” no último South by Southwest, maior festival de música nova do planeta, que acontece em Austin, Texas. Já o Bag Raiders, da mesma linha synth-disco, se apresenta pela segunda vez no Brasil. Veio num evento do site Rraurl, no Vegas, no ano passado. Completa o line-up da festa o performer Bo$$ in Drama, o DJ Pomada e os produtores da festa, o WE//R\\DJS. Corrão!
* TRIBUTO A COBAIN: ÁUDIO EXCLUSIVO DA POLÍCIA DE SEATTLE ANUNCIA PROVÁVEL MORTE DE COBAIN – Texto da Popload de 2001, ainda na Folha Online na seção Pensata.
“História que eu já contei aqui algumas vezes, em abril de 1994 trabalhava na redação do ‘Notícias Populares’, chefiada pelos conhecidos Álvaro Pereira Jr e Paulo Cesar Martin (ambos do programa de rádio ‘Garagem’, hoje), também adoradores do Nirvana. Quando o Álvaro ligou para dizer que tinha uma conversa circulando sobre um suposto ‘assassinato’ de Kurt Cobain, ficamos malucos. Fui atrás do caso e cheguei à seguinte mensagem na secretaria eletrônica da polícia de Seattle.
Na gravação, uma voz feminina da polícia de Seattle conta que um sujeito telefonou para lá dizendo ter visto, na residência de Cobain, um homem com as características físicas de Kurt Cobain e que este havia sido ferido com um tiro na cabeça e estava desfalecido no chão de um dos aposentos na casa. E que a polícia estava investigando.”
* TRIBUTO A COBAIN: “COBAIN ME VENDEU UMA CAMISETA DO NIRVANA”, POR ÁLVARO PEREIRA JÚNIOR - Esta história é bem famosa entre os chegados. E além, até. O jornalista e amigo APJ, editor-chefe do “Fantástico”, colunista do “Folhateen” e testemunha ocular do levante do rock americano do rock do final dos 80/começo dos 90, conta à Popload sobre o dia em que Kurt Cobain o vendeu uma camiseta do Nirvana à beira do palco, logo após um certo show pequeno da banda em 1990. Show que nem gostou tanto assim, segundo ele. Mas a camiseta era legal.
“”Boa noite, bem-vindos ao Man Ray. Meu nome é Dwayne Bruce, da rádio WFNX. Por favor, deem as boas-vindas a esses sodomitas, viciados em crack, adoradores de Satã, filhos da puta do cacete da gravadora Sub Pop… NIRVANA!’
O dia é 18 de abril de 1990. O clube é o Man Ray, na cidade em que eu morava, Cambridge, região de Boston. Eu e meu amigo Jim Erickson, hoje um respeitado repórter especializado em astronomia, estávamos lá para ver qual era a do Nirvana.
Eu não sabia quase nada sobre a banda. Só conhecia ‘School’, que o Dwayne Bruce tocava no seu programa de domingo à noite na WFNX. E tinha recebido dicas de alguns amigos do Brasil, que escutaram o primeiro álbum, ‘Bleach’, e adoraram.
Já o Jim… Não era exatamente fã de rock alternativo. Tinha ido de alegre a alguns shows comigo, viu que eram lotados de mulher e começou a frequentar.
Era a turnê do album ‘Bleach’, ainda com Chad Channing na bateria. Duas faixas de ‘Nevermind’, que sairia só no ano seguinte, já faziam parte do setlist: ‘Breed’ e ‘In Bloom’.
Eu poderia dar uma de profeta e dizer que, ali no Man Ray, percebi que o futuro do rock estava a minha frente. Mas não foi assim. Nem gostei muito do show. Achei hard rock e Led Zeppelin demais, queria algo mais punk. Mesmo assim, algumas coisas eram óbvias. As principais: a energia monstruosa da banda no palco e a cartarse que provocava na plateia.
Mergulhado na vibe da loucura, cheguei perto do palco, depois do show, para comprar uma camiseta da Nirvana. Fui atendido pelo próprio Cobain, tão ‘cansado’ que não conseguia nem falar o preço da camiseta. Ele só mostrava as mãos espalmadas, indo e voltando: dez dólares. Comprei.
A estampa era uma paródia da capa de ‘Two Virgins’, de John Lennon. Sobre as fotos de Lennon e Yoko pelados, aplicaram as carinhas de Cobain e Novoselic.
A história teria terminado aí, se ‘Nevermind’ não tivesse vindo, se o Nirvana não tivesse se tornado maior do que a vida, se o muro entre ‘alternativo’ e ‘mainstream’ não tivesse sido definitivamente dinamitado.
Aí contei o lance da camiseta para amigos, contei na ‘Folha’, na ‘Bizz’, no ‘Fantástico’, na ‘Folha’ de novo…
O caso entrou para a história (para a minha história, pelo menos). E o melhor é que é verdade.
Se você se interessar, há mais detalhes desta apresentação do Man Ray e de TODOS os outros shows da vida do Nirvana aqui.”
* TRIBUTO A COBAIN: POPLOAD NO READING FESTIVAL 1991 – Texto da Popload de 2004, também ainda na Folha Online, por conta do aniversário de 10 anos da morte de Cobain:
“Naquele 23 de agosto de 1991, todas as luzes pop iluminavam a cidadezinha de Reading, leste de Londres, onde centenas de bandas de rock disputam anualmente a atenção de público, imprensa e gravadoras naquele que é considerado o principal festival de música pop do mundo.
O primeiro dos três dias de evento teve atrações como Iggy Pop, Sonic Youth e Pop Will Eat Itself, mas o aviso foi dado: ‘Chegue cedo para ver esse Nirvana’.
Para mim, não precisou falar duas vezes. Morava no Reino Unido na época e já ouvia sem parar o primeiro disco do grupo, ‘Bleach’ (1989), graças a uma fita cassete de um amigo.
Junte-se a isso a curiosidade sobre ‘Nevermind’, que chegaria às lojas em um mês, e pronto: lá estava eu cedinho para ver o Nirvana.
Da hora em que Cobain ligou seu instrumento até o pulo descabido de guitarra e tudo sobre a bateria, no final, deu cravados 32 minutos. Durante esse tempo, quatro ‘músicas novas’: ‘Drain You’, ‘Smells Like Teen Spirit’ (o que foi aquilo?), ‘Come As You Are’ e ‘Breed’.
Em meio a isso, Grohl tirando de gozação, na bateria, o começo de ‘Sunday Bloody Sunday’ (hino do U2); Cobain ’surfando’ na platéia em pleno solo de guitarra; cantando ‘The End’, dos Doors, com voz fúnebre, para anunciar a chegada da última música do show; Novoselic arremessando de longe seu baixo em Grohl.
O show acabou. A estática platéia viu Cobain, já sozinho no palco, levantar em meio ao que sobrou da bateria. Como se nada tivesse acontecido na última meia-hora, ele se abaixou para pegar uma garrafa de cerveja do chão e saiu andando.
Por mais imprevisível que fosse o estouro da banda, era difícil não acreditar que o rock depois daqueles 32 minutos seria diferente.”
A banda Nirvana se apresenta no Reading Festival inglês, em 1991; Kurt canta, os cabelos de
Novoselic, com camiseta do Dinosaur Jr., balançam ao vento; e um punk moicano, convidado
para dançar no palco durante o show, dá as costas ao público; Dave Grohl está sumidoatrás da bateria. Daria tudo para lembrar qual canção era tocada nessa hora
Foto: Lúcio Ribeiro (Hein?!)
* Indo além na lembrança desse Reading 1991, faltou dizer que parte do line-up do palco principal naquele primeiro dia, o da sexta, tinha Iggy Pop fechando, Sonic Youth, Dinosaur Jr (consegue ver o rock americano abalando?), Nirvana e as Babies in Toyland. O Nirvana, algumas semanas antes de lançar o “Nevermind”, tocou durante a luz do dia, para umas 2 mil pessoas. No ano seguinte, meses depois de lançar o tal CD, sozinho arrastou 120 mil pessoas para o Reading 1992. Isso dá mais ou menos a medida do que foi e quão rápido foi o “fenômeno Nirvana”. Simples assim.
* Lembro que na semana pós-show do Nirvana no Reading 1991 já tinha fita cassete da apresentação completa à venda em Camden Town, coisa bastante comum na época. Ouvindo a fita depois, na hora em que o Nirvana tocou a “nova” “Smells Like Teen Spirit” para os ingleses, na introdução da música o Kurt falou uns dois minutos de coisas que não davam para entender, de tão “loaded’ que ele estava. Reclamou do preço do ingresso do festival, chiou com algumas outras coisas e começou “Teen Spirit” de modo abrupto, a 200 km por hora.
* TRIBUTO AO NIRVANA: A NIRVANAPALOOZA – Em 2007 fui a Seattle pagar uma dívida pessoal com minha história. Finalmente consegui conhecer a cidade que projetou o Nirvana para o mundo, visitei a Sub Pop, os bares onde Cobain e turma percorreram na pindaíba de banda iniciante antes de explodir, rondei a casa onde Kurt se matou. Enfim, fiz uma pequena Nirvanapalooza. O especial, publicado na Popload e na “Folha de S.Paulo”, cai bem aqui, em republicação, nestes 15 anos sem Kurt.
Em 2007, a reportagem tinha esta cara:
ESPECIAL: A NIRVANA TOUR EM SEATTLE - Em meio a esse revival involuntário de Nirvana que ocorre de tempos e tempos e agora vem em forma do documentário “About a Son”, da cisma dos seriados de TV, do filme do Clive Owen e da Popload em Seattle (hehe), seguimos os passos da trajetória da banda na cidade do grunge, do bar em que iriam tocar pela primeira vez mas ninguém apareceu até a casa onde Kurt Cobain botou fim a tudo, com um tiro de espingarda na cabeça. Vem aí para o Nirvanapalooza. Agradecimentos ao “Washington Post”, que forneceu os endereços certinhos e o “como chegar”.
1. A casa de Kurt Cobain (171 Lake Washington Boulevard E) Esta é a casa onde Cobain se matou, na estufa da casa (greenhouse), quando resolveu acabar com sua agonia existencial estourando os miolos com uma espingarda. O suicídio aconteceu em abril de 1994, apenas três meses depois de o líder do Nirvana se mudar com Courtney Love e a filha para o casarão de três andares na região de Madrona e virar vizinho do dono da Starbucks e de Peter Buck, guitarrista do REM. A greenhouse foi derrubada depois, por Courtney Love. O corpo de Cobain foi encontrado três dias depois do tiro, por um eletricista
2. Viretta Park, o “túmulo” de Cobain (também na Lake Washington, ao lado da casa) O parque vizinho à casa de Cobain é mais ou menos o cemitério onde “está” o líder do Nirvana. Ele foi cremado e parte de suas cinzas foram jogadas no Viretta Park. Dois bancos do parque guardam em grafite e caneta as mensagens dos fãs, em várias línguas. No sábado passado, em um dos bancos, tinha um colar preso ao banco e um bilhete para Kurt, deixado por um francês. Comecei a ler, mas achei mancada (não era para mim) e devolvi no lugar onde estava.
3. Sub Pop Records, o endereço antigo (1932 First Avenue) Aqui foi o endereço da grande fase da Sub Pop na articulação da explosão do grunge, no final dos anos 80. O contrato do Nirvana para o album “Bleach” foi assinado aqui. A Sub Pop atualmente tem seus escritórios no 2013 da Fourth Ave.
4. OK Hotel Cafe (212 Alaskan Way S.) Aqui neste hotel à beira da baía, embaixo de um viaduto tipo o Minhocão, de SP, funcionava também no anexo um clube onde “Smells Like Teen Spirit” foi mostrada ao vivo pela primeira vez, em abril de 1991. Parece que um terremoto danificou a estrutura do clube e ele teve que ser fechado, só funcionando agora o hotel.
5. The Central Tavern (207 First Avenue.) Reza a lenda que este lugar ia ter o primeiro show do Nirvana em Seattle, em 17 de abril de 1988. Mas ninguém apareceu no bar, nem os três bêbados largaram o balcão para ir prestigiar a banda na hora do show. Então o Nirvana nem tocou. Alguns meses depois o grupo voltaria à Central Tavern e faria um showcase para executivos da Sub Pop, que renderia o famoso contrato com a gravadora.
6. The Vogue (2018 First Avenue) O Vogue mudou de endereço. Hoje no lugar original funciona uma loja de roupas com cabeleireiro (?!), chamada Vain. Uma semana depois de não tocar no Central Tavern, o Nirvana finalmente faz seu primeiro show em Seattle, agora com gente na platéia. O estacionamento que ficava ao lado do Vogue (hoje na 1516 11th Ave.) ficou famoso porque, conta a história, Kurt Cobain estava tão nervoso com o show que saiu dele direto para vomitar escondido entre os carros.
7. Moore Theater (1932 Second Avenue) O primeiro “grande” show do Nirvana, no entanto, aconteceu no Moore em junho de 1989, quando a banda abriu para Mudhoney e Tad, já heróis locais. Um ano depois, voltou ao Moore para abrir para o Sonic Youth. Logo depois ficou tão gigante que não iria ser mais possível para o Nirvana ter a honra de tocar no Moore fechando uma noite.
8. Crocodile Café (2200 Second Avenue) O mais charmoso clube indie de Seattle foi inaugurado no bairro de Belltown no meio (e por causa) da revolução grunge, em 1991, cerca de cinco meses antes de o álbum “Nevermind” ser lançado. Captou todo o buxixo em torno do Nirvana, embora a banda só tenha tocado lá uma vez, de surpresa, em 1992, já quando era a maior banda de rock do mundo. [O clube chegou a fechar suas portas em dezembro de 2007, mas foi reaberto agora em 2009]
9. Re-bar (1114 Howell St.) Casa de Cabaré que foi lugar da famosa festa de lançamento do “Nevermind”, em setembro de 1991. O Nirvana e sua turma de amigos tumultuaram o ambiente, armando uma guerra de bebida e, depois, de comida. Foram expulsos do lugar pelos donos do Re-bar, que, segundo a lenda, amaldiçoaram o tal disco novo. Não demorou muito daquele dia, o álbum iria bater nas 10 milhões de unidades vendidas.
10. Experience Music Project (325 Fifth Avenue, “embaixo” do Space Needle) O maior museu de rock do mundo, com uma parte dedicada ao grunge. Ali tem uma das guitarras de Cobain, xerox do contrato do Nirvana com a Sub Pop, o pôster original do show do Nirvana com Tad e Mudhoney no Moore, a folha onde ele escreveu a letra de “Downer” e outras nirvanices.
11. International Fountain (Seattle Center, também “embaixo” do Space Needle) Ali perto do museu do rock está o parque da International Fountain, área onde 5 mil pessoas se reuniram para “velarem” Kurt Cobain, assim que souberam de sua morte. Na área ao lado da fonte, dois dias depois da descoberta do corpo (8 de abril de 1994), foi veiculada em público uma gravação de Courtney Love lendo (e comentando) o bilhete suicida do marido, para milhares de fãs em vigília. Na fita, ela chama Kurt Cobain de “asshole” e “fucker”. Love acaba dizendo para os fãs não ouvirem as famosas palavras finais de Cobain, que estavam no bilhete: “It is better to burn out than to fade away”, inspirada em letra de Neil Young.
* Láááá in London. Por enquanto, pode ir chamando de Poplondres, hihi.
* Algo muito sério está balançando os bastidores da música e tudo está muito confuso. Quer dizer, não para nós, claro. O título deste post vale desde 1999 (Napster), mas está ganhando agora contornos dramááááticos.
* Já, já eu falo certinho por que a Nokia bancou a viagem da Popload a Londres.
* Tem uma propaganda muito boa aqui na TV inglesa, para a molecada que enche a cara na noite. Mostra um menino se preparando para sair para a balada. Se vestindo ouvindo música, olhando no espelho, dando um trato, aquilo de sempre. Vai botar a camisa e puxa com força, a rasgando. Vai fazer xixi e erra a privada, fazendo no pé. Vai botar o brinco e arranca metade da orelha, para o sangue jorrar. No caminho para a porta, dá uma bica no som, que explode na parede e pára de tocar. Aí sai pela porta. Vem a frase: “Você não gostaria de começar sua noite desse jeito, não? Então por que acabar ela assim?”
* IGLU & HARTLY - se fosse falar qual música eu mais ouvi aqui nesta semaninha na Inglaterra, não teria dúvida. A canção, que ganha até das da Katy Perry, acho, é essa “In This City”, que eu havia escutado aí no Brasil e não tinha idéia do quanto tocava por aqui. É o contraponto da atual e sombria “new grave” (hahahaha, desculpe!). A banda, a tal Iglu & Hartly, é baseada em Malibu, na Califórnia. Embora já tenham um certo nome por Los Angeles e foram faladinhos do último South by Southwest (Texas), nunca tinha ido atrás do som deles até setembro agora. É uma turminha de cabeludos que faz rap-rock como se fossem filhos reais dos Chili Peppers. Parece que só querem saber de mulher, cerveja e skate. O de sempre no lado Oeste americano. Não combinha naaaaaada com a cena inglesa atual e não estão nem aí para isso. Ouvi outras músicas desse Iglu & Hartly e nem curti tanto, como essa boa e ensolarada “In This City”, que de tão farofa e cantada irritantemente é legal. O fato é que os meninos estão fazendo extensa turnê britânica, inclusive abrindo para o Vampire Weekend. Mas o melhor é o título do álbum de estréia deles, que saiu agora no final de setembro: “& Then Boom”.
* CSS IN LANDAM - Seguindo a sina de que sempre “o pop will eat itself”, infalível lei que move a música pop principalmente na Inglaterra, o mais importante guia londrino não se entusiasma muito com o show que o grupo anglo-brasileiro CSS faz nesta segunda-feira no Shepherds Bush Empire, uma das principais casas de shows da cidade. A descrição da revista “Time Out” lembra que o primeiro disco do CSS fez deles os “queridinhos da nu-disco”, mas o recente segundo disco sugere que a banda está mostrando um rápido esgotamento de entusiasmo e idéias. Mas ainda assim a “Time Out” bota a estrelinha de recomendação da apresentação da banda brazuca. Quem abre para o CSS é a dupla belezura (porém ainda crua) Magic Wands, de Nashville.
* INGRESSOS EM SP - Não sei como andam as vendas dos ingressos para os shows do Tim Festival, no final do mês no parque do Ibirapuera (a parte paulistana). Estou achando esquisito que o REM ainda não esgotou nenhum de seus dois shows no Via Funchal de 10 e 11 de novembro, apesar dos preços malucos. Mas estou sabendo que o festival Planeta Terra, que acontece uns dias antes do REM, já vendeu quase metade das suas 15 mil entradas à disposição, o que está longe de ser pouca coisa.
* MARATONA POPLOAD DJ SET - Correria na volta ao Brasil. Tem discotecagem Popload nesta quarta-feira em dose dupla. A primeira no Clash Club, antes e entre os shows do esperto grupo britânico Young Knives e seu conterrâneo folky Johnny Flynn, na primeira edição do projeto Incubator de bandas novas. Na sequência, rola a residência da Funhell, balada hot da Funhouse, em parceria com Rafael Urenha (Party Íntima). E sexta-feira a Popload toca em Ponta Grossa, PR, na agitada festa All Music. Haha. Eu já toquei mais em cidades do Paraná que de São Paulo.
* QUEM É SEU PAPAIZINHO? - Você pode não acreditar, mas eu achei bacana a nova house-gritaria do Benny Benassi. Você se lembra dele, não? Produtor italiano que fez aquele hit dance m.u.n.d.i.a.l. “Satisfaction”, faz uns quatro, cinco anos, e esteve até no Skol Beats. Ele lançou um disco novo doido no meio do ano, “Rock’n'Rave” e dele tem essa música, “Who’s Your Daddy?”. A música é demente, mina possuída gritando, electrohouse insuportável para ouvir em casa, mas “uma coisa” se for numa pista louca. Tudo isso para dizer que Benassi juntou umas amigas italianas para fazer o vídeo, sob o pretexto de “homenagem aos filmes pornôs dos anos 70″. Hahahahahaha. Na TV daqui, bem de noite, nas escondidas, passa uma versão “leve” do vídeo. Mas já vi a “sem censura” na internet. Botaria o vídeo aqui, se esse blog não fosse de família.
* HEAVY METAL… NO IRAQUE - Vou falar mais depois, mas vi um documentário sensacional que precisa ser baixado já aí no Brasil ou comprado via Amazon americana (porque vai saber quando esse filme passa aí…). Chama “Heavy Metal in Baghdad”, é produzido pela revista cool “Vice” e passou já em alguns dos principais festivais do planeta, antes de algumas poucas apresentações em Nova York e entrar em cartaz em circuito restrito aqui em Londres. É a história da impressionante Acrassicauda, segundo seus integrantes a “primeira e única banda de heavy metal do Iraque”. A Mostra de Cinema de SP TEM QUE levar esse filme para São Paulo. Você acha que turnê de banda nova é um inferno? Imagina excursionar pelo Iraque do Saddam Hussein, tipo em 2001, quando chacoalhar a cabeça dançando rock era proibido no país, porque lembra judeu durante sua reza!!!!!! Dois diretores canadenses ligados à “Vice” foram ao Iraque em 2006 entrevistar os jovens fãs de Metallica que tinham que improvisar shows em hotéis que ainda não tivessem sua luz cortada pelos bombardeios, sempre sob o risco de um míssil explodir o lugar. A banda ainda existe, mas todos os seus membros vivem fugidos na Síria. O documentário deixou o grupo “popular” no Iraque. E ser popular no Iraque, antes com Saddam ou agora com os invasores americanos, é muito perigoso, disse seu baixista, o incrível Firas Al-Lateef, o que tinha um inglês razoável para contar a história. É de Firas também a ótima frase sob a situaçao Saddam-Estados Unidos que sai a horas tantas no filme e explica como vivem os jovens iraquianos agora que “a salvação chegou”: “Eles levaram o Ali Baba e deixaram os 40 ladróes”. No próximo post eu falo mais de “Heavy Metal in Baghdad”.
SENHORAS E SENHORES… OASIS - Em nome dos meus velhos tempos, nesta segunda vou a uma loja de discos aqui de Londres comprar três cópias do álbum novo do Oasis, bem no dia em que ele sai. Já fiz isso muitas vezes nos anos 90 (não me refiro a comprar três discos do Oasis, mas sim comprar no dia em que ele sai, hihi). Enfim, um CD é para mim, outro é para a pessoa que mais gosta do Oasis no Brasil e outro é para sortear para a galere leitora querida. E, já que é para comprar CD, coisa tão em desuso, vou logo levar a edição especial, com o DVD.
Vamos colaborar para os Gallagher subirem no chart, né não? Quando o Oasis era Oasis, lá nos anos 90, só não ajudei efetivamente a banda a chegar ao topo das paradas uma vez, na famosa “Guerra dos Singles” contra o Blur, um dos capítulos mais deliciosos da história do pop. Já contei essa história aqui 200 vezes. Em plena era do britpop, em 1995, o Blur achou de lançar o single “Country House” no mesmo dia que o Oasis iria botar nas lojas o single “Roll with It”, só para irritar os Gallagher.
A semana de lançamento dos dois singles foi um inferno pop na Inglaterra. Na segunda, no dia que saiu, todos os jornais e TVs e rádios cobriam o evento como se fosse a crise das bolsas. Imagine se a Mallu Magalhães e a Pitty resolvessem lançar um disco no mesmo dia e o “Jornal Nacional” desse grande destaque. Hahaha, nada a ver.
Enfim, o Blur ganhou a batalha. Em uma semana vendeu 274 mil cópias de “Country House” contra 216 mil de “Roll With It”, do Oasis, aproximadamente. Nem foi tão vergonhoso para os Gallagher, porque o Blur era super mais conhecido na época, porque estava na cena desde 1990. O Oasis tinha realmente aparecido no pop britânico no ano anterior. Tanto que, quando os discos dos respectivos singles saíram (”The Great Escape”, do Blur, e “What’s the Story (Morning Glory)?”, do Oasis), os dois venderam muito, mas o do Oasis muuuuuuuito mais, se tornando o terceiro mais consumido disco inglês de todos os tempos (”Greatest Hits”, do Queen, e o “Sgt. Pepper’s”, dos Beatles, são os campeões).
Voltando à batalha dos singles, a melhor coisa que aconteceu, nunca me esqueço dessa, foi a genial manchete do famoso tablóide “The Sun”, num daqueles dias. Era alguma coisa do tipo “Mãe do Oasis é fã do single do Blur”. O jornal tinha ido à Manchester, conseguido falar com a mãe dos Gallagher e arrancado dela uma frase assim: “A música do Blur é bastante alegre. Gosto de acompanhar ela batendo o pé”. Hahahaha.
Só para deixar claro. Quando digo sobre a única vez que eu não ajudei o Oasis a chegar ao primeiro lugar, naquela semana da guerra contra o Blur, foi porque na segunda-feira que os singles saíram eu comprei os dois.
* PLAYBACK - Me sinto tipo o Bloc Party fazendo playback. Essa história de Oasis x Blur já escrevi tantas vezes… Acho que ela só perde para o show do Nirvana no Brasil, que falei umas 189 vezes. E ganha por pouco do papo sobre meu passeio de limusine com o Noel Gallagher em Miami, umas 175. Depois eu fico aqui pegando no pé da farofada do Bloc Party na MTV, tadinhos.
* OASIS PERDE AGORA PARA O… KINGS OF LEON - E lá vêm os irmãos Followill botar banca para cima dos irmãos Gallagher. Tudo bem que o Kings of Leon vive um grande momento, lotando 20 mil ingressos rapidinho na Inglaterra, capa de revistas nos EUA e tal. Mas não esperava que o grupo americano fosse ganhar nas paradas britânicas do single novo do Oasis, banda “da casa” mais falada e falada e falada por aqui nas últimas semanas (como de hábito em época de lançamento). “Sex on Fire”, do KoL, cravou segundo lugar de singles mais vendidos na semana que passou, enquanto o “Shock of the Lightining”, do Oasis, pegou terceiro. Em primeiro? A música nova da Pink.
* LADYHAWKE E OS MONSTROS – Quase bobinhas, mas deliciosamente pop, as músicas da neozelandeza Ladyhawke estão com as garras bem fincadas no pop inglês. Este blog tempos atrás já festejou a fofa “Paris Is Burning”, a música que ela fez quando foi visitar a capital francesa pela primeira vez e ficou “encantada”, haha. Mas o (pouco) tempo passou, o disco de estréia acabou de sair e com ele também o terceiro single do CD. “Dusk Till Dawn”, a já “famosa” música do “bang bang bang”, lembra Bananarama e Go-Go`s, bandas femininas dance pop do comecinho dos 80, mais ou menos. A canção da Ladyhawke tem um vídeo em que a moça acorda assustada no meio da noite, porque a casa foi invadida por seres mascarados com camisetas de filme de terror. As “coisas” vão a aterrorizando, ela foge pela casa e só pára para cantar o refrão do “bang bang bang” e dançar de modo engraçado. É quase uma “new grave”, se o movimento fosse liderado pela Turma do Didi, hahahaha. No fim do vídeo era… Bom, vê aí.
* Para ficar no tema, você já viu o vídeo de “The Creeps”, da banda Freaks. O que está acontecendo no pop?
* NOKIA REMIX, A SANGRENTA GUERRA DA MÚSICA NO CELULAR E O QUE A GENTE TEM A VER COM ISSO - Na semana passada, a gigante de celulares Nokia juntou a imprensa mundial (Popload incluída thank you very much) no coração da cultura pop planetária para revelar sua mais nova “invenção”. Em Londres, no badalado clube indie Koko, com apresentação de Will.i.am (Black Eyed Peas), a empresa finlandesa (1) entrou oficialmente de cabeça na revolução musical, (2) mostrou as armas para o iPhone, o Google Phone e serviços como o Myspace Music, e (3) anunciou a chegada no próximo dia 16 às lojas britânicas de seu novo celular 5310 Xpress Music. A “arma de destruição em massa” referida é um aparelho touchscreen, lindão e prático tipo o über-desejado iPhone, que será suporte do (atenção para a cereja do bolo!) COMES WITH MUSIC, o serviço de música para computador e celular da Nokia que permitirá seu usuário/cliente baixar sem limite e de graça as músicas das principais bandas e artistas do planeta.
</pausa para respirar>
Vou repetir: a maior empresa de celulares do mundo proporcionando a seus clientes baixarem quantas músicas quiserem das bandas que quiserem. E de graça.
Não é bem assim, mas é mesmo assim. A Nokia festejou acordo incrível com as principais gravadoras do planeta (Sony-BMG, EMI, Universal, Warner), mais um monte de selos independentes, para disponibilizar por UM ANO aos clientes da empresa o download de qualquer canção de seus elencos. Para tal, a pessoa precisa comprar o celular específico da companhia nórdica, que sairá custando 218 libras (279 euros, 377 dólares, 818 reais sem os impostos). Quando o prazo de fidelidade acabar, em 12 meses, o dono do Nokia 5310 Express Music pode manter no computador ou no celular todas as músicas baixadas, para sempre. Com o ano completado, se o usuário do aparelho Nokia quiser manter-se como cliente da empresa, terá de pagar pelos novos downloads a partir da data. Mas as músicas já baixadas permanecem dele.
A music store da Nokia já funcionará em 11 países quando o aparelho do “Comes with Music” chegar às lojas. No Brasil, a previsão de lançamento do celular e do comércio de música no computador é para o primeiro semestre de 2009. A Popload tentou respostas para as perguntas “Eu, enquanto cliente da Nokia, posso passar minhas músicas baixadas gratuitamente para um amigo que não tem celular nem usa serviço da empresa, via celular mesmo ou pelo computador? Posso queimar um CD virgem com essas músicas?” Depois de muito custo, chegou uma resposta do tipo “Não pode. Haverá uma proteção para o uso exclusivo do cliente Nokia”. Mas deu para perceber que eles sabem bem o que acontece hoje em dia com “proteções” e “exclusividade” assim que o produto aparece no mercado.
Se não totalmente bombástico, o pacote todo anunciado pela Nokia botou extraordinariamente mais fogo na incendiária questão da música online e na irreversível mudança de hábitos do consumidor de canções. Mais: posicionou os finlandeses na linha de frente da briga com outras empresas de computadores/celulares/programas no que eles têm como principal objeto de desejo financeiro: o ser humano que ouve, compra, troca, empresta, deseja, pensa e sonha com música. É um terreno perigosíssimo que está se ampliando em dimensões absurdas, devido aos últimos acontecimentos (lançamentos). Ninguém sabe no mundo qual é o real conceito de “legal” e “ilegal” na música. Por isso que…
* VEM AÍ A LIGA DAS BANDAS - As notícias de movimentações musical-virtuais costumam ser sempre boas para os fãs de música. A empresas gigantes se animam em chacoalhar o cobiçado mercado musical cada vez mais e esfregam as mãos para contar os cifrões. Mas como fica a questão para quem faz essa tal música? Hein? HEIN?
Está sendo formada uma coalizão peso-pesado de artistas querendo sua parte no lucro. Encabeçada por Radiohead, Robbie Williams, David Gilmour (Pink Floyd), Iron Maiden, Verve, Kaiser Chiefs, DP Paul Oakenfold, Klaxons entre tantos, a “Liga da Justiça na Música” foi lançada oficialmente nesta segunda-feira em Manchester, com o objetivo de ajustar os contratos para a era da distribuição digital. Os correligionários não querem ter um líder ou um nome de atuação, necessariamente. Mas pleiteiam participar das reuniões com gravadoras, empresas de tecnologia, governo e com quem for na hora de decidir o futuro e os caminhos de seu trabalho. Um manifesto de seis “mandamentos” está sendo elaborado pela liga e vai vir à tona nos próximos dias.
Segundo o jornal “The Guardian”, o sonho utópico da era digital, o de remover todas as barreiras entre o artista e seu fã, está dando lugar cada vez mais a uma realidade mais complexa, que é a dos artistas temerem o perigo de serem cortados das mesas de negociações entre gravadoras e empresas de tecnologia, o que mais tem acontecido. Esse assunto ainda vai render…
* MORAL DA HISTÓRIA (?) - Como eu venho dizendo há teeeeeeeempos sobre essa mudança de costumes na música, a gente só está no começo da revolução… Como diz o REM, esse é o fim do mundo tal qual o conhecíamos (e estou achando tudo bacana).
* PREMIAÇÃO DA SEMANA: INGRESSOS – O sorteio dos ingressos não pára. Nesta semana, quando eu voltar ao Brasil, vou já entregar o resultado de tudo. Aproveite. Está valendo então:
1. Um ingresso para o Planeta Terra Festival
2. Um ingresso para o show do Tim Festival do dia 23/10, em São Paulo (Gossip, Klaxons, Neon Neon)
3. Um PAR de ingressos para o Mudhoney no Clash, em São Paulo, dia 16/10.
4. TRÊS ingressos para o show DESTA QUARTA-FEIRA do Young Knives + Johnny flynn no clube Clash. Acompanha cada entrada sorteada um CD do Young Knives.
* PREMIAÇÃO “INGLESA” - O CD+DVD+Livrinho “Dig Out Your Soul”, o novo trabalho do Oasis, comprado no dia de seu lançamento na loja HMV do West End, em Londres. Só para deixar tudo mais pomposo, hihi.
Todas as concorrências para os prêmios podem ser feitas no email e nos comentários aí embaixo. Manda bala.
* O próximo post vai ser escrito de São Paulo, Brasil. Até!
* A guerra mundial da música (Brasil incluído), a nova bebida da mulherada na balada, Belle & Sebastian no Brasil (kinda) e a confirmação do maior festival indie brasileiro, a facada do Glasvegas, Popload em Londres, o show gringo no Brasil mais bacana de TODOS OS TEMPOS, os shows do Kid Vinil, o Killers virou o A-ha, o Oasis ficou bom, a incrível session das (…preencha aqui com seu adjetivo predileto…) Plastiscines. Xi… a Popload está que está.
* ABSINTO NA BALADA - Êêê, beleza. O papo na galera que sai à noite para as baladas e shows ainda é sobre quem não vai beber para voltar dirigindo. Mas, pelo lado oposto da lei, está chegando às noitadas brasileiras, via Santa Catarina, o Absinto Ice. A bebida, mais um integrante dos chamados alcopops, é uma espécie de “refresco docinho” e mais amigo do famoso e estupidamente poderoso destilado de anis. É talvez a terceira tentativa de inclusão desta bebida nos bares de balada do Brasil, que atualmente tem feito das bombadas festas de Florianópolis, Joinville e Blumenau seu “teste de mercado”, para verificar a aceitação. E, pelo que se tem notícia, e com o perdão do trocadilho, o Absinto Ice está sendo bebido como água. É a versão de Smirnoff Ice para a vodka. Em vez de ter sua dosagem cavalar de álcool, o destilado pode até ter 90% de teor alcoólico. Mas o Absinto Ice tem até 5.5%, tal qual sua “prima” ice da vodka. Uma garrafa dá uma alegria, mas está longe de “derrubar”. Mas já serve como “introdução” ao Absinto real-deal. Famosíssimo na Europa e com certa entrada no mercado americano, o Absinto já foi muito absorvido e proibido na França, Suíça, Alemanha. O destilado foi legalizado só recentemente no Brasil, mas num teor mais “leve”, de 53%. O Absinto Ice já patrocina raves e shows em Santa Catarina. Segundo relato, sua garrafa cool e um certo gosto adocicado faz a bebida ser sucesso entre a mulherada catarinense. Numa pesquisa na internet sobre o Absinto Ice eu vi que algumas festas bancadas ou não pelo Absinto Ice em Florianópolis são chamadas de “A festa do beijo da fada verde”. O Absinto, andei lendo, é conhecido pela alcunha de Fada Verde porque, dizem, existe um efeito alucinógeno na bebida que faz as pessoas acharem que estão em alguma “terra encantada”. Não tenho notícias da chegada do Absinto Ice a São Paulo. Vem aí, Fada Verde.
* O CELULAR E A REVOLUÇÃO MUSICAL - Não sei se você notou, mas há nove anos vivemos uma gigante revolução dos costumes musicais. E essa revolução (longe ainda de seu fim) vai viver nos próximos dias, envolvendo o mercado brasileiro, um de seus capítulos mais… impactantes. E o aparelho de telefone celular será (for real) o veículo de tais transformações. Um verdadeiro “Beijo Me Liga” da música para a indústria. Nesta quinta-feira, na virada para a sexta, em grande evento privado da gigante da telefonia Claro, o primeiro iPhone brasileiro chegará as mãos do primeiro comprador. A Vivo também começa a vender o “aparelhinho” da Apple, que é celular + ipod + loja iTunes tudo junto, também na sexta, a preços que devem ir de R$ 900 a R$ 1790. A Samsung, também por estes dias, despeja no mercado o seu F480, que além de seu player para mp3 vem com rádio FM. Bom se você acredita na Oi FM e na Mitsubishi FM. E tem também, no da Samsung, o lance do Radio Data System, que fornece em tempo real informações sobre o artista que você está ouvindo. Mas o contra-ataque mais sério ao fenômeno iPhone vem da Nokia.
* COMES WITH MUSIC - A Popload foi convidada para uma festa em Londres na semana que vem, lugar no qual será mundialmente apresentado o aparelho Nokia 5310 e o serviço de compra de músicas Nokia Music Store, que inclui até o momento todo o catálogo das gravadoras Universal, Sony, Warner e está prestes a anunciar o da EMI e de vários selos independentes. A proposta é a seguinte: você compra o 5310, com o programa Comes with Music, e tem acesso ilimitado e gratuito, por um ano (esse detalhe é importante), a todas as músicas de todas essas gravadoras com contrato com a Nokia Music Store. Mesmo depois desse ano inteiro de acesso as músicas que você baixou continuam suas. Quando esse seu “contrato” com a Nokia acaba, você passa a pagar pelas canções novas baixadas.
* Repare. A revolução está se dando com celular com mp3 player e organizador-loja de música, o que, portanto, tem muito a ver com a compra legal dessa música, como manda o “figurino”. E o serviço da Nokia é o melhor amigo disso, se é que você se interessa por esse tipo de “legalidade”. Mas tem também as músicas que… A revolução portanto é muito ampliada. É como disse alguém do Metallica, a banda que um dia botou a Justiça americana toda para matar o Napster e com isso fez nascer um milhão de sites/programas similares. Quando questionado sobre o alto vazamento de seu disco novo, o metallico falou: “Essas coisas acontecem hoje. Estamos em 2008″. Mas acho que estou misturando os assuntos um pouco, então paro por aqui.
* O MAIOR FESTIVAL INDIE BRASILEIRO? - Se você tiver um olhar superindie, o festival Goiânia Noise, realizado pela rapaziada do selo Monstro Discos no Centro-Oeste do país, está melhor este ano que o colossal Tim Festival. Com essa edição de 2008, o Noise pede lugar junto aos encorpados Abril Pro Rock (Recife), Porão do Rock (Brasília) e ao mais ou menos novo No Ar Coquetel Molotov (Recife) como os principais eventos indies do país. A gente já falou dele aqui, mas vamos repetir com novidades. Com sua primeira realização também em São Paulo, o SP Noise Festival, o Goiânia Noise trará em novembro (de 21 a 23) a banda Helmet, o legendário Vaselines (com a banda formada por integrantes do Belle & Sebastian), o incrível Black Lips, o grande Black Mountain, os veteranos do hardcore californiano Circle Jerks (update: cancelaram a vinda), mais banda finlandesa, chilena, argentina e a brasileirada, estrelada pelos cultuados Frank Jorge, Mickey Junkies, Loop B, Gangrena Gasosa, Inocentes, fora Lucy & Popsonics, Dead Rocks, MQN, Guizado e a mais badalada formação indie brasileira do momento: Marcelo Camelo + Hurtmold. Mais? Duas das principais bandas indies para se ficar de olho hoje: Holger e Black Drawing Chalks, o primeiro paulistano, o último goiano.
* O SP Noise Festival, o braço paulistano do Goiânia Noise, ocorre na mesma semana com os gringos do Vaselines, Black Mountain, Black Lips, Flaming Sideburns (Finlândia), The Tormentos (Argentina), The Ganjas (Chile) e mais quatro dos brasileiros a confirmar. O local e a data estão sendo resolvidos nesta semana. O Helmet só faz show em Goiânia e Brasília, neste último dentro do Pílulas Porão do Rock.
* Black Lips, Black Mountain, Black Mekon (inglês), Black Drawing Chalks. É o maior festival “black” do planeta. Não seria uma má idéia trazer o Black Keys, o Black Kids, o Black Rebel Motorcycle Club, o…
* BELLE & SEBASTIAN NO BRASIL, MAIS OU MENOS – Os três integrantes do grupo escocês Belle & Sebastian que acompanham o Vaselines do grande Eugene Kelly são o vocalista e guitarrista Stevie Jackson (o lado pop do B&S e principal parceiro do líder Stuart Murdoch), o ótimo baterista Richard Colburn e o cabeludo baixista Bobby Kieldea.
* GLASVEGAS E A DEPRESSÃO BRITÂNICA - Deve haver uma explicação para o grupo escocês Glasvegas estar causando reboliço na música britânica com um som bacana de pop desgraçado. O primeiro álbum deles saiu faz alguns dias e tome som superdepressivo, desfilando pelas rádios, TVs e mp3 players letras de suplício amoroso, suicídio, sequestro, tortura e facada. Já falamos algumas vezes sobre o Glasvegas. No começo do ano, peguei essa molecada da alegre Glasgow em um show em Londres (abrindo para o Wombats) que me deixou transtornado. Ainda bem que tinha o Wombats para fechar a noite e afastar a névoa cinza daquela noite. O show do Glasvegas foi tão impiedosamente denso e carregado de dramaticidade espontânea que dava para cortar o ar do clube londrino com uma faca. Falando em faca…
* GLASVEGAS X METALLICA, A BATALHA DAS BANDAS - Tudo bem, pode ser uma fase inglesa mais negativa, sei lá. Mas o CD desse grupo indie-indie está com uma performance assustadora. Entrou direto em segundo lugar no chart “normal” inglês e nesta semana está vendendo ainda mais, a ponto de poder desbundar do primeiro lugar o CD novo peso pesado grupo Metallica, quando a contabilidade de vendas desta semana for fechada. Veja você o engraçado da coisa: Glasvegas x Metallica. Vou repetir: Glasvegas x Metallica. “Quase um Blur x Oasis”, disse o “Guardian”, lembrando a célebre disputa de singles sangrenta do britpop nos anos 90, uma das histórias mais saborosas da música jovem, das quais já devo ter falado (escrito) por aqui umas 200 vezes. O embate bizarro Glasvegas x Metallica é tão… bizarro que, dizem, o Metallica está se preocupando ultimamente em desmentir a conversa de que eles teriam adiado por uma semana o lançamento do disco novo deles para evitar a coincidência de datas e “fugir” da chegada às lojas do disco de estréia do pequeno Glasvegas.
* GLASVEGAS, SUICÍDIO, FACADA - Faixa a faixa, o bom CD do Glasvegas é só desgraceira, com uma sonoridade sinistra e por vezes fúnebre capaz de fazer o Interpol parecer uma banda ensolarada da Califórnia. Uma vez destaquei aqui a impressionante canção “Geraldine”, uma música sobre a assistente social que tenta convencer os desolados a não se atirar da janela. Pois bem. Não vou nem falar de um dos hits do disco, a faixa jesusandmarychainiana “It’s My Own Cheating Heart That Makes Me Cry”, música leve sobre “totally fuck the things up”. Nem vou comentar muito, também, sobre a abertura do CD, a espertíssima “Flowers and Football Tops”, que tem um minuto de introdução à lá velório e depois entra na história do sequestro, tortura e assassinato REAL de um garoto de 14 anos. Quase encerrando o disco de estréia tem a cabulosa “Stabbed”, que parece está sendo tocada em uma igreja do século 16. Fala sobre a iminência de ser esfaqueado, quando uma das mais preocupantes ocorrências na Inglaterra é o aumento dos crimes de faca, na periferia ou no centro de Londres. No Reino Unido inteiro, na verdade. Inclusive alguns crimes de faca por motivo algum, uma “mania” local. “Stabbed” (esfaqueado) do Glasvegas, na letra, relata o cara encurralado por uma gangue de rua (acho), tentando convencer o algoz a não esfaqueá-lo.
* GLASVEGAS E O NIRVANA - Óbvio, a rapaziada do Glasvegas ia chegar ao Kurt Cobain. Os escoceses, dados a uma cover, fizeram uma releitura tétrica de “Come As You Are”, a seu modo. Está no MySpace deles uma prévia, de 30 segundos. E aqui embaixo, a Popload entrega a versão full. Ouve só.
* O MAIOR SHOW GRINGO QUE O BRASIL JÁ VIU - Segundo você. O resultado da enquete que perguntou qual o show internacional mais marcante de todos os tempos no Brasil vem em forma de Top 20. Essas coisas são sempre polêmicas, não? O que eu achei bom foi que não ouve uma “ação” de fã-clubes na votação. Depois do Top 20, tem a sempre engraçada “leitura” completa da apuração. A brincadeira ficou assim:
1. Franz Ferdinand no Motomix – 46 votos 2. Arcade Fire no TIM Festival – 44 3. Pixies em Curitiba – 41 4. Iggy & the Stooges no Claro que é Rock – 38 5. Strokes no TIM Festival – 36 6. U2 2006 – 35 7. Nirvana no Hollywood Rock – 31 8. Pearl Jam – 29 9. Killers no TIM Festival – 28 10. Flaming Lips no Claro que é Rock – 27 11. Sonic Youth no Free Jazz – 24 12. Oasis debaixo de chuva em 2006 – 23 13. Nine Inch Nails no Claro Que é Rock
e Kiss 1999 – 21 14. Weezer em Curitiba – 20 15. Muse em SP – 19 16. Stones em Copacabana – 18 17. Ozzy Osbourne no Monsters of Rock – 16 18. Primal Scream no TIM Festival – 15 19. Ramones 1992 – 14 20. Guns N’Roses 1991 – 12 votos
- 115 turnês diferentes foram mencionadas;
- a galera do metal veio com tudo: Metallica, AC/DC, Guns and Roses, Slayer e Ozzy, dentre outros, foram mencionados no meio dos indies todos. E o Scorpions fez bonito, emplacando uma 21.a colocação;
- a Popload ficou com o coração partido com o relato de um leitor que, reclamando que nenhum show decente chegava à sua Sorocaba natal, votou no do The Calling, que tocou no aniversário da cidade e ainda no fim do show mandou um “Thank you, São Pauloooooo!”;
- o show mais antigo dentre os mencionados foi a turnê do Echo & the Bunnymen em 1987, e o mais novo, o do Hives, que teve 10 votos.
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* “MEUS PRINCIPAIS SHOWS INTERNACIONAIS NO BRASIL” – por Kid Vinil
- BELLE & SEBASTIAN – FREE JAZZ – 2001
“Eu estava na Trama nessa época e tinha lançado todos os discos do B&S, sempre fui fã dos caras e acompanhá-los durante essa vinda ao Brasil foi a realização de um sonho. Ensinei o Stevie Jackson a cantar em português “A Minha Menina”, do Jorge Ben, que ficou famosa para os gringos com os Mutantes. Como forma de gratidão eles me homenagearam no primeiro DVD deles, usando um trecho em que eu apresentava a banda no programa “Lado B”, da MTV. Foi um show maravilhoso!!!”
- STEPHEN MALKMUS NA CHOPERIA DO SESC POMPÉIA EM 2002
“Por falar em homenagens, nesse show Stephen Malkmus me dedicou uma música do Fairport Convention (banda folk britânica da década de 60, da qual eu e ele somos fãs). Depois da dedicatória ainda brincou, dizendo “Dont Mess with The Kid”. Sempre fui fã do Pavement e a carreira solo do Stephen Malkmus me agrada muito!!!”
Kid Vinil é músico, jornalista, radialista, DJ, escritor e blogueiro . Acaba de lançar o livro ”Almanaque do Rock” pela Ediouro.
* PREMIAÇÃO DA SEMANA – Segue a folia de ingressos da Popload para os principais eventos de São Paulo. Mas a lista de prêmios está turbinada com o show especial grunge do Mudhoney. Tome tento.
1. Um ingresso para o Skol Beats
2. Um ingresso para o Planeta Terra Festival
3. Um ingresso para o show do Tim Festival do dia 23/10, em São Paulo (Gossip, Klaxons, Neon Neon)
4. Um PAR de ingressos para o Mudhoney no Clash, em São Paulo, dia 16/10.
Vem nessa. Emails ou comentários estão valendo.
* Chega de post. Oasis e Plastiscines vêm na próxima. Vou ali fazer Justiça.
Lúcio Ribeiro é jornalista. Edita o Popload e escreve sobre música e cultura pop para a Folha de S.Paulo. É colunista das revistas Capricho e Homem Vogue. Co-apresenta o programa de rádio Poploaded. É DJ residente do clube Vegas e viaja o Brasil tocando em festas de rock.