E a capa do semanário indie “New Musical Express” que começa a circular hoje na Inglaterra e já estava anunciada desde a semana passada, portanto antes dos tumultos político-sociais que varrem o Reino Unido? Eles analisam o legado do Clash e retomam a turbulenta história do punk-76, um dos protestos mais importantes da história da música e não só. Época em que a juventude cara-feia era chamada às ruas para protestar contra a política e a situação econômica do período. E lá estava o Clash causando sua arruaça com músicas como “London’s Burning” (né?), “White Riot” (não muito o caso desta vez, mas também), “London Calling” (“London calling to the underworld/ Come out of the cupboard, you boys and girls“), “Career Oportunities” (sobre desemprego), “Police & Thieves” (“Police and thieves in the streets. Oh yeah! Scaring the nation with their guns and ammunition”).
Coincidência?
* Nem o Liam Gallagher, considerado um dos patrimônios do rock inglês, conseguiu fugir do caos britânico. Ele já contabilizou um prejuízo duplo com todo esse inferno que se transformou a Inglaterra nos últimos dias. Não bastasse a queima de estoque no galpão da Sony, que atingiu também álbuns do Oasis e do seu atual Beady Eye, o Gallagher caçula teve uma de suas lojas Pretty Green atacada. A filial de Manchester, terra natal de Liam, foi um dos alvos dos vândalos que saquearam produtos e quebraram toda a fachada.
* Quem ainda dá bola para o Liam Gallagher? Eu. E a NME também.
O semanário britânico em sua edição corrente estampa Liam Gallagher e os demais membros do Oasis – fora Noel Gallagher – falando não só do que promete o futuro da Beady Eye (novo nome da banda agora), mas também elucidando pela primeira vez como foi o fim do Oasis, ocorrido cerca de um ano e meio atrás, antes de um show em Paris.
O brother Liam disse que Noel não estava mais com “o coração” na banda, porque a briga definitiva em si nem foi tão grave assim. “Foi só mais uma discussão entre eu e ele, o de sempre. Ele sendo ele, eu sendo eu. Não foi nada fora do normal. Creio que foi o desgaste. Acho que o coração dele não estava naquilo mais. Ele não queria mais estar conosco e começou uma briga. Joguei nas mãos dele. Nos dias de hoje, nós não temos relação alguma”, disse Liam, que contou que a ideia de seguir em frente sem o irmão se deu na mesma noite. “Eu fiquei puto quando nos separamos. Mas é a vida, não é? Merdas acontecem e você tem que seguir em frente. Decidimos continuar na mesma noite. Voltamos pro hotel, putos. Daí foi como ‘ok, vamos fazer isso’. Noel deixou o Oasis, sacou? Ele decidiu, simplesmente deixou a banda e fim de história. Cada um na sua”.
A matéria da NME ainda destaca “Different Gear, Still Speeding”, álbum de estreia da Beady Eye que chegará às lojas dia 28 de fevereiro. De acordo com a publicação, o trabalho foi gravado em apenas sete semanas, tem uma produção crua assinada por Steve Lillywhite (U2, White Stripes, REM, Arctic Monkeys), foi gravado “ao vivo” (sem takes separados) e que ao menos duas músicas têm potencial para serem “hinos”: “Kill for a Dream” e “The Beat Goes On”. Além delas, a revista destacou “Wigwam”, uma música psicodélica de 6 minutos escrita por Liam, provavelmente “a melhor dele até hoje”.
Na última sexta-feira, o iTunes francês soltou “por engano” trechos de 30 segundos de todas as músicas. Horas depois, o link foi retirado do ar. Isso não é novidade para a banda. Em 2005, “Don’t Believe The Truth”, do Oasis, caiu na rede de forma equivocada um mês antes do lançamento por obra do iTunes da Alemanha.
Na ordem: Four Letter Word / Millionaire / The Roller / Beatles And Stones / Wind Up Dream / Bring The Light / For Anyone / Kill For A Dream / Standing On The Edge Of The Noise / Wigwam / Three Ring Circus / The Beat Goes On / The Morning Son / Man of Misery / Sons of the Stage
O semanário inglês “New Musical Express” divulgou sua tradicional e aguardada “Cool List”, a lista das pessoas mais bacanas, espertas, invejadas, iluminadas na música pop mundial. Os cool, enfim. Ou mais ou menos isso, porque achei a lista desse ano meio caída.
Foram listadas 75 personalidades que estão envolvidas com a cultura pop de alguma forma. O 75º da lista, por exemplo, é o Rivers Cuomo. Até aí tudo bem porque, convenhamos, o Weezer não está nos seus melhores dias.
Mas alguns bambas tipo o Julian Casablancas, a louquinha Lady Gaga e os gênios Jack White e Josh Homme estão apenas na casa dos 50. O Win Butler, mente brilhante por trás do Arcade Fire, ocupa o 35º lugar. Isso sem falar que gente como Beth Ditto, Alex Turner, Lovefoxxx e os irmãos Noel e Liam Gallagher, fichinhas de todas as listas, não estão nessa. Fora o Michael Cera, que mesmo não sendo necessariamente “da música”, poderia ingressar como “pessoa física” ou personagem mesmo, como Scott Pilgrim, herói indie do ano.
No Top 10, menção honrosa para Jonathan Pierce do ótimo The Drums e da bela Beth Consentino, que você viu no post anterior. A primeira colocação ficou com a não menos fofa Laura Marling, que foi nomeada na categoria “revelação” para o Mercury Prize ano passado e que é uma das grandes apostas da nova música inglesa.
Olha só a lista dos 75 “cool” da NME. 1. Laura Marling
2. Janelle Monae
3. Kanye West
4. Beth Consentino, Best Coast
5. Romy Madley Croft, The XX
6. Paul Weller
7. Jonathan Pierce, The Drums
8. Jack Barnett, These New Puritans
9. Carl Barât
10. Darwin Deez
11. Marcus Mumford, Mumford & Sons
12. Simon Neil, Biffy Clyro
13. Hayden Thorpe, Wild Beasts
14. Zola Jesus
15. Robyn
16. Yannis Philippakis, Foals
17. James Murphy, LCD Soundsystem
18. Theo Hutchcraft, Hurts
19. Kele Okereke
20. Ritzy Bryan, The Joy Formidable
21. Jay-Z
22. Jack Steadman, Bombay Bicycle Club
23. Dee Dee, Dum Dum Girls
34. Marina Diamandis, Marina & The Diamonds
35. Jonathan Everything
26. Giggs
27. Jenny Lee Lindberg, War Paint
28. Jamie Reynolds, Klaxons
29. Skream
30. Nicky Wire, Manic Street Preachers
31. Akiko Matsuura, The Big Pink/Comanechi
32. Dan Devine, Flats
33. Willow Smith
34. MNDR
35. Win Butler, Arcade Fire
36. Gerard Way, My Chemical Romance
37. Alex Hewlett, Egyptian Hip Hop
38. Lee Spielman, Trash Talk
39. Orlando Weeks, The Maccabees
40. Ariel Pink
41. Ethan Kath, Crystal Castles
42. Nicki Minaj
43. Honor Titus, Cerebal Ballzy
44. Andrew VanWyngarden, MGMT
45. Jack Donoghue, Salem
46. Dave Sitek, TV On The Radio
47. Alexis, Sleigh Bells
48. Plan B
49. Katy B
50. Lady Gaga
51. Josh Homme
52. Tim Harrington, Les Savy Fav
53. LoneLady
54. Julian Casablancas
55. Rose Elinor Dougall
56. Gucci Mane
57. Daniel Blumberg, Yuck
58. Jack White
59. Cee-Lo Green
60. Eva Spence, Rolo Tomassi
61. Ryan Olson, Gayngs
62. Glasser
63. Ernest Greene, Washed Out
64. Tom Hudson, Pulled Apart By Horses
65. Elizabeth Sankey, Summer Camp
66. Cher Lloyd off X Factor
67. Avi Zahner-Isenberg, Avi Buffalo
68. Nathan Williams, Wavves
69. Matt Bellamy, Muse
70. Soulja Boy
71. Bradford Cox, Deerhunter
72. James Blake
73. Caitlin Rose
74. Lewis Bowman, Chapel Club
75. Rivers Cuomo
* PLASTISCINES BITCHES – Talvez a “banda mais bonita do mundo”, a francesa Plastiscines, quatro roqueiras gatas (ou o contrário), que já foi conhecida como “Les Bébés Rockers”, está bem crescidinha. O quarteto, todas têm 21 anos ou perto disso, que se veste tão cool quanto toca, assunto aqui no post passado, se apresenta hoje em Londres no Barfly, em Camden, em show único para mostrar o disco novo, “About Love”, lançado tipo em setembro. Não tem data para mais performances na capital inglesa, pensa, porque a banda precisa voltar aos EUA para “compromissos fashion”. As Plastiscines, que cantam em inglês e francês, foram mostradas no muito visto seriado teen “Gossip Girl” semana passada, desempenhando o hit “Bitch” em que diz “Eu sou uma bitch quando escovo os dentes. Eu sou uma bitch quando eu me apaixono…”. Hit bitch! Hit, bitch!
Do outro lado do Atlântico, tirando o show de Londres e sem nem citar a França, ganharam remix do grande DJ e produtor suíço de dance punk Headman. Foi para a música “Barcelona”, do novo CD. “Barcelona” também já havia ganhado remix do extra-cool grupo inglês Chew Lips. Que eu conheça a música tem uns seis remixes “sérios”, já.
O mais legal das Plastiscines foi reportagem recente no diário inglês “The Guardian”. Contaram que no último festival Coachella tocaram antes do Iggy Pop. Assim que o show do roqueiro acabou, ele apareceu só de toalha no camarim delas e disse “Girls, you rocked. I love your music”.
Mas o melhor é a chamada para o mesmo texto delas no “Guardian”, escrito pela ótima Rebecca Seal: “As francesas do Plastiscines mal sabiam tocar seus próprios instrumentos quando começaram, não faz muito tempo. Agora dão rolê com o Dave Grohl. How cool is that?, pergunta Rebecca Seal”.
No ano passado elas estiveram no Brasil para um showzinho rápido naquele Orloff Five, festival que teve Melvins e Hives como atrações principais. O programa de rádio Poploaded, o mais bacana programa de rádio dentre os vários programas de rádios, co-apresentado pelo gênio Fábio Massari e um amigo dele, aproveitou as Plastiscines aí e arrastou as meninas para um session exclusiva no incrível estúdio do iG, na rua Amauri, mais conhecido como o Maida Vale brasileiro. Numa época em que elas ainda não sabiam tocar direito seus instrumentos, como mencionou o “Guardian”. Saiu essa maravilha aqui:
* ARCTIC MONKEYS E O SIGNIFICADO DE “CORNERSTONE” - Só para entendermos o que quer dizer o título da espetacular “Cornerstone”, talvez a melhor música do CD “Humbug” e single que está sendo lançado nesta semana, o site Stereogum explicou: “Cornerstone é alguém que só consegue fazer bom sexo quando está totalmente chapado”.
Os lados-B de “Cornerstone”, sobras de “Humbug”, já foram comentados aqui. Todas as canções são bem boas, incluindo a tarantinesca “Sketchead”. E a já “famosa” “Catapult”, que tem dedo produtivo do guru Josh Homme. O single traz ainda a dramática “Fright Lined Dining Room”.
E as três do lado-B de “Cornerstone”, tal qual está no single, você ouve aqui, assim:
* PROMOÇÃO ABOUT US F.A.I.L. - About who? About me?
Algumas coisas sobre o festival About Us, que tem a manha de no mesmo line-up colocar Sting, Carlinhos Brown, Lenine, Arnaldo Antunes e tal dizendo que é um evento para “melhorar o planeta”.
- Os organizadores do evento do domingão não gostaram muito que eu disse (de um modo bem-humorado, veja bem), que é o “pior line-up da história dos festivais” e suspenderam o sorteio de ingressos que este blog estava fazendo. Pena. Gente mais magoada. Não sabem trabalhar o “anti-marketing”, haha. Promoção abortada.
- Agora vai. A Sandy disse no Twitter que vai participar do festival, convocada para cantar uma música com o Jason Mraz, o Jamiroquai americano (foi uma amiga que falou! Nem acho. Nem acho nada).
- Estou começando a entender por que o mote do festival é tipo “um mundo melhor”. Quando o About Us aprisionar Sting, Brown, Lenine e Arnaldo Antunes na Chácara do Jockey, pelo menos por algumas horas todo o resto do planeta fora da Chácara do Jockey vai ser um mundo melhor para estar. Piaaaaaaaaaadinha.
- Notícias vindas de fora dão conta de que o About Us iria escalar, se a coisa tivesse rolado, a banda THEM CROOKED VULTURES. Parece que por um momento o show estava confirmado, mas caiu. Aí sim ia ser oooooooooutro festival. Dave Grohl + Josh Homme + John Paul Jones me fariam até assistir inteirinho a abertura do Lenine pela espera. Sem reclamar.
* KILLERS EM SP SÁBADO: “POR UMA BANDA MELHOR” - Na mesma Chácara do Jockey, sábado, depois que o About Us espantar a criançada da parte infantil de seu evento beneficente para a humanidade, entra o grande Killers para fazer show. Grande porque o Killers está se achando grande demais, então dá preguiça. A banda podia fazer um desses shows-de-um-disco-clássico e só tocar, de cabo a rabo, o “Hot Fuss”, né. Com menos decoração de cowboy no palco e com o Brandon Flowers não se achando o Bono. Se fosse só um show assim, dava para encarar a movimentação toda:
* PLASTISCINES, BITCH - Haha. Maaaaaais, Plastiscines. Nem ia falar mais delas neste post, mas não aguento. Saiu o vídeo de “Bitch”, música boa, muito close, imagens nova-york-bagaceira “mode”, algum néon, elas “lutando” com o sabre de luz, essas coisas à toa. Niiiiice!
* OS MELHORES DISCOS DA DÉCADA - Sai nesta quarta na Inglaterra a edição especial “O Fim da Década”, do semanário britânico “NME”, com os cem melhores discos lançados de janeiro de 2000 a dezembro de 2009, segundo voto de jornalistas da revista que trabalharam na publicação nos últimos dez anos, mais o pitaco de um monte de gente da música britânica e americana.
No top 10 da lista, temos o seguinte:
1 – The Strokes, “Is This It”
2 – The Libertines, “Up The Bracket”
3 – Primal Scream, “XTRMNTR”
4 – Arctic Monkeys, “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not”
5 – Yeah Yeah Yeahs, “Fever To Tell”
6 – PJ Harvey, “Stories From the City, Stories From the Sea”
7 – Arcade Fire, “Funeral”
8 – Interpol, “Turn On The Bright Lights”
9 – The Streets, “Original Pirate Material”
10 – Radiohead, “In Rainbows”
Gosto é gosto, lista é lista, cada um tem a sua, mas nem tenho muitos reparos aos dez primeiros da revista, não. Só empurraria um pouco mais para baixo os dicos do YYYs, da PJ Harvey e do Interpol para arrumar lugar para
- White Stripes, “Elephant”
- Queens of the Stone Age, “Song for the Deaf”
- LCD Soundsystem, “Sounds of Silver”
E botaria o “Echos”, do Rapture, em 11º. E também eu…
O primeiro álbum dos Strokes, segundo a “NME”, é o melhor disco da década. Concorda? Acha mesmo que é o “Illinois”, do Sufjan Stevens?
* SENHORAS E SENHORES, ESTAMOS FLUTUANDO NO ESPAÇO - A especialíssima e espacialíssima banda britânica Spiritualized, liderada pelo alienígena Jason Pierce, oriundo do mesmo planeta que veio o Thom Yorke, abriu mais quatro shows em dezembro na Inglaterra, dois em Londres, no incrível Barbican Centre.
Pierce e companhia voltam a tocar na íntegra o álbum “Ladies and Gentlemen, We Are Floating in Space”, delicada obra indie de 1997, bastante cultuada até hoje. Em outubro, o Spiritualized fez no Royal Albert Hall duas emocionantes apresentações do referido disco, cuja embalagem era uma caixa de remédio e vinha bula.
De um dos concertos do Royal Albert Hall, o vídeo abaixo mostra o Spiritualized tocando “Come Together”, um dos singles do grupo.
“Ladies and Gentlemen, We Are Floating in Space” pode hoje soar um disco datado, mas na época de seu lançamento, 1977, sua sonoridade etérea deixou de queixo caído o pop inglês. O disco conseguiu altos lugares nas paradas inglesas, ainda sob o domínio do britpop. E a “bíblia indie” do país, o semanário “New Musical Express”, elegeu o disco como melhor do ano, na frente, veja bem, VEJA BEM, de “Ok Computer” (Radiohead) e “Urban Hymns” (Verve).
* ARCTIC MONKEYS E O SIGNIFICADO DE “CORNERSTONE” – PARTE 2 - Alguns acham que o novo single tirado do CD “Humbug”, que está sendo lançado nesta semana, é a melhor música da banda inglesa Arctic Monkeys. E melhor letra também, deste grupo de ótimas letras.
E “Cornerstone”, nas palavras, é mesmo de morrer de boa. Mas, para decifrá-la de um modo mais eficaz, a Popload chamou um poeta paulistano de Brasília para explicar o que o menino do Arctic Monkeys quis dizer com “deixar o taxista fazer o caminho mais longo só porque estava sentindo seu (dela) cheiro no cinto de segurança”.
E o poeta de Brasília interpretou mais ou menos o seguinte:
“Essa ‘Cornerstone’ traz talvez o verso mais doloroso do ano, escrito pelo Alex Turner: ‘Please can I call you her name?’.
O sujeito procura a moça em todos os lugares que vai. Mas ela não está mais lá. Ela não está em nenhum lugar. Pois ela jamais esteve em lugar algum.
Na volta para casa, ele pede para o taxista fazer o caminho mais longo, para tentar encontrá-la. Nessa situação de total descompasso amoroso, invariavelmente fazemos o caminho mais longo. Como o sujeito diz, ‘guardamos os atalhos conosco’ (‘and I kept my shortcuts to myself’, na letra). Queremos sempre o modo mais complicado. Ele implora, desesperado: ‘Please can I call you her name?’. Afinal, é sempre isso o que fazemos no fim das contas. Mas elas sempre respondem: não, ‘You can’t call me her name’. Então, teme não se lembrar mais do rosto dela. E conclui: ‘I’m beginning to think I imagined you all along’.
Mas vem a salvação, nas palavras da irmã (?) da moça, que aparece no final do delírio do desencontro do protagonista: ‘I’m really not supposed to but, yes, you can call me anything you want’.
‘Cornerstone’ é uma bela canção sobre quando continuamos a amar quando já não há mais esperança. Essa é a pior dor de todas, talvez. É a melhor música de toda a carreira do Arctic Monkeys, e mostra que esse Alex Turner sabe uma coisa ou outra sobre tomar foras.”
Oh, Alex!
E, para sentir o drama ouvindo “Cornerstone”, boto novamente em post o ultra-simpático vídeo da música:
* IGNORE O IGNORANTE, COM OS CRIBS – Talvez a banda mais tosca e sonoramente desencontrada do rock atual, o grande Cribs é também a de formação mais bizarra dentre todas as bandas do planeta: é constituído por três irmãos, dois gêmeos, e por um ex-integrante dos Smiths, Johnny Marr.
Na semana passada, os Cribs se apresentaram no programa do entrevistador americano David Letterman. Tocaram para uma platéia de milhões (de telespectadores) a música “Ignore the Ignorant”, a faixa-título do novo CD, de difícil audição para quem não é familiarizado ao som da família Cribs. O vídeo está aí embaixo. Engraçado, no fim, o Letterman cumprimentando a galera da banda, apertando a mão do Johnny Marr, assim, como se ele fosse o, sei lá, baixista do Muse.
* MOVIMENTAÇÕES POPLOAD DJ SET – Semana agitada. Este blogueiro toca nesta quarta como convidado da semana de inauguração do novo e já bombado clube paulistano Hot Hot (Bela Vista). É a primeira edição da Hell on High Heels, a festa rock do Hot Hot, que acontecerá às quartas. Nesta semana, em meio ao Horror Show da Virgin Again, as discotecagens da noite HHH do clube HH ficam por conta de: Lúcio Ribeiro (who?), Clemente (Inocentes) e das residentes Lu riot e Fernanda Martini.
- Na quinta, tem Rockfellas vs. Popfellas em véspera de feriado no Vegas. Coisa séria. A Popfellas (Eu, Rafael Urenha e Focka), que nesta edição toca no infernoso porão do clube, traz como convidado o incrível DJ Goos (http://www.myspace.com/djgoos). Ba.la.da.
- Sábado, no put… casa de shows Babilônia, tem mais uma edição da “Fucking Songs”. Na noitada, Myself, Rafael Urenha e a grande revelação indie de 2009, DJ Fiervo. Fierveção.
* Popload em Manchester. Neve, neve & rock’n'roll. Brrrrrrrrock.
* MORRISSEY NO BRASIL - Simples assim. Fechado. Tudo o que eu sei é que a princípio tem um show em São Paulo. Não sei data, não sei locais, não sei a quantidade. Ê, povo regulado nas informações.
“Me espera aí, Brasil. Estou chegando!”
* Vamos agora aos esclarecimentos técnicos. O servidor do iG tem enfrentado problemas nos últimos dias, o que deixou impossível na maior parte do tempo atualizar, comentar, postar foto, vídeo. Ou até mesmo visualizar o blog, em muitos casos. Tem sido uma loteria, e não só com a Popload. Então, desta vez, e só desta vez, a “falha” não tem sido (só) minha, hehe. Mas parece que estamos ok, agora. Popload e iG: trabalhando para servi-lo melhor.
* Aí eu tava lá na neve e…
* NME TOUR 2009 - É engraçado olhar as escalações da turnê de bandas novas/promissoras/tendências que o famooooooso semanário “New Musical Express” escala todo começo de ano para rodar o Reino Unido com o mesmo line-up e em várias cidades, fazendo um barulho indie enorme, com intuito de promover sua grande festança de premiação, o “NME Awards”, que acontece em Londres no final do mês. Em 2007, o recado dado pelo novo rock para aquele ano era o da “alegria”. Klaxons, CSS, New Young Pony Club. Deboche, cor, loucurinha. No ano passado, era uma moçada mais nova, fazendo rock “com algo a dizer”. Tipo Cribs (não tão novo), Ting Tings, Joe Lean and Jing Jang Jong (esse não rolou). Este ano o tal aviso é bem sombrio: o da morte, desespero. Os britânicos vivem o novo dark. Isso já foi falado bastante aqui, mas o resultado está muito evidente agora.
Glasvegas, que no ano passado nesta mesma época eu vi abrir para o Wombats, ali, meio tímidos, hoje é o grande nome da noite, com um álbum (mais ou menos) recém-lançado que chegou a número dois da parada de discos do Reino Unido, só perdendo para o Metallica. Outra das atrações da tour do “NME” deste ano é o White Lies, cujo disco de estréia lançado agora em janeiro, esse sim, chegou a número 1, graças a músicas sorumbáticas como “Death” e “To Lose My Life”. Tem a fofa Florence and the Machine, representante do enorme hall de mulheres que cantam hoje no pop, quase sempre de modo igual. E o incrível Friendly Fires, membro da indie dance que é um sopro de alegria na cena inglesa da nuvem negra. Mas eles estão ofuscados pela penumbra pop. Vamos ver como o ano se encaminha nesse cenário britânico carregaaaaado da música jovem.
Então. E, em Manchester, dois dias esgotados no Academy, os shows dessas bandas foram assim:
- GLASVEGAS: O tom é funebre, ok. Então por que foi o show mais alto que eu ouvi nos últimos anos? Por que aquela altura para mostrar o desespero e a melancolia reinante, meldels? Fora a parte distorcida, que fazia às vezes parecer um Jesus & Mary Chain à beira do suicídio. Se bem que “Daddy’s Gone” a referência é um My Bloody Valentine torto saído de um cemitério. Entende? (Eu não…)
- FRIENDLY FIRES: Um dos melhores álbuns do ano passado, mas claramente com um show não a altura do disco. Essa fama sempre perseguiu o FF (não é Franz Ferdinand, hein. Nem Foo Fighters. Nem Fiery Furnaces. Nem Fleet Foxes… Nem… nossa, quanta banda FF!). Mas o show de agora está bem melhor que o que eu vi deles em 2008. Dance delícia, músicas boas, luzes cool, o melhor baixo do novo rock, vocalista rebolando “like he just doesn’t care”. Só alegria. Xô, tristeza indie.
- WHITE LIES – A banda nova número um das paradas graças à canção do cara que foge do pior dos pesadelos. O White Lies, talvez pela juventude e roupas pretas, caminha entre músicas iguais e hits bem bacanas, tipo “Unfinished Business”, “To Lose My Life” e esta aí em cima, que encerrou o show: “Death”.
- FLORENCE AND THE MACHINE – A imponente e vozeiruda Florence, dizem favorita a alguns Brit Awards graças a apenas dois singles, entrou já cantando “Hospital Beds”, do jovem grupo americano Cold War Kids. Florence grita tanto que abafa os instrumentos de sua banda Machine, mas sua garra nos singles “Kiss with a Fist” e “Dog Days Are Over” impressionam para um show de abertura em que as pessoas ainda estão chegando.
* PETE DOHERTY E O “NOVO AMOR” - O lost boy do rock é capa da edição do Dia dos Namorados do semanário “New Musical Express”, que todo mundo namora (hihi). Pete está mostrando na revista algumas de suas músicas novas, que estarão no seu primeiro disco solo, chamado, “Grace/Wastelands”. É o primeiro trabalho com assinatura solitária de Pete Doherty, ex-Libertines e fora do Babyshambles. O disco sai oficialmente em março e tem colaborações do guitarrista do Blur, Graham Coxon. A atormentada “New Love Grows on Trees” é bem lindona e está aí embaixo para audição. Mas o single do CD será “Last of the English Roses”.
Dizem que, com o coração rasgado de amor, as mensagens nas músicas são pouco para seu grande amor, a modelo Kate Moss, e muito para o seu grande amor, o parceiro de Libertines Carl Barat.
Dá para ouvir outras músicas no site do “NME”, inclusive o single. Dá para ouvir aqui “New Love…”.
* YEAH YEAH YEGGS - Na era da gastronomia, a banda cool nova-iorquina Yeah Yeah Yeahs ressurge com uma incrível capa para seu aguardado novo álbum. “It’s Blitz!”, o terceiro, que ficará disponível apenas em abril. Mas, nos próximos dias, a gente já ouvirá “Zero”, o primeiro single do disco.
* FALANDO EM LOVE - Beth Ditto, a dona da banda Gossip, na capa da revista “Love”, neste mês dos namorados.
* DEPECHE MODE NO SEGUNDO SEMESTRE - Outra turnê prometida, ensaiada, parece que vem mesmo ao Brasil em 2009. A histórica banda inglesa de Dave Gahan/Andrew Fletcher/Martin Gore, segundo os próprios músicos em entrevistas para a imprensa mexicana e chilena, estão alinhavando a turnê latina para setembro/outubro, mais provavelmente neste último mês.
* A QUESTÃO OASIS – Na briga dos grandes produtores de shows do Brasil, o bom da história é que a banda, pareeeeece, está mesmo assegurada. Não ligo muito para “quem está trazendo”, mas parece que a T4F levou essa da Mondo, que parece já tinha até pré-contrato assinado. E começam a pipocar concorrência de datas para maio em algumas capitais do país, cada um puxando a sardinha, ou melhor, a banda para seu lado. Na última vez que veio ao Brasil, no começo de 2006, o Oasis anunciou oficialmente seus shows no país com apenas 40 dias de antecedência. Então está valendo.
* PROMOÇÃO MONSTRO - Prêmios monstro da Monstro Discos, de Goiânia. Duas caixas gigantes da gravadora indie mais agitada do país estão a sorteio aqui, contendo o seguinte recheio:
- Um disco do incrível Black Lips em edição nacional com bônus
- Um CD da banda francesa Papier Tigre
- O ábum “Tributo ao Mudhoney”, com indies brazuca tipo Wlverdes, Autoramas, Holger, Superguidis, Lucy and the Popsonics, MQN, Macaco Bong entre outros
- O disco de estreia do Macaco Bong, considerado o disco de 2008 pela revista “Rolling Stone”
- Uma camiseta “crasse” da Monstro. Mais postais e bottons.
Está bom, né?
* QUITO? - Como assim? Popload indo para Quito, no Equador, neste domingo. Simples assim? Não me pergunte por quê. Ou pergunte. O próximo post, portanto, vai ser equatoriano. Não é uma mera cordilheira que vai nos parar. Mas ainda volto a este, acho.
Lúcio Ribeiro é jornalista de cultura pop. Edita o Popload e é colunista do “Caderno 2″ (Estadão), da MTV, das revistas “Capricho” e “Homem Vogue”. É curador do festival Popload Gig, já na terceira edição, e DJ residente dos clubes Vegas e Lions, além de viajar o Brasil tocando em festas de rock.