Esta foi boa. Recebi um email da Warner americana dizendo que o grupo americano REM escolheu a Popload para estrear uma música do próximo lançamento da banda, o “Live at Olympia”, registro ao vivo tirado de cinco shows-”ensaio” em Dublin em 2007. O disco, um álbum duplo com 39 músicas, chega às lojas dos EUA e Europa no final do mês.
Os “REM guys” querem saber se você está interessado em tocar “Wolves, Lower” para seus leitores, dizia a mensagem.
“W.h.y. n.o.t.?”, respondi.
O REM está selecionando blogs do mundo todo para fazer o avant-premiere do disco ao vivo. Para cada um a banda envia uma música diferente. A da Popload foi incrível: o clássico “Wolves, Lower”, a primeira música do primeiro EP do REM, de 1982. Esta que você ouve aqui, agora.
Em julho de 2007 o REM invadiu Dublin e fez do teatrão Olympia uma residência de cinco noites para testar ao vivo as músicas novas, misturadas às antigas, tocando apenas para familiares, amigos, membros de fã-clubes e adores da banda de várias partes do planeta. Muitas das músicas do álbum “Accelerate”, de 2008, apareceriam ao vivo nos shows do Olympia e também serviram de treino para a turnê mundial, que logo aconteceria e acabaria passando pelo Brasil (novembro).
Além da Popload, pelo que entendi, no Brasil outro blog foi escolhido para veicular uma música do “Live at the Olympia” em premiere. É o blog gaúcho Volume, que mostra em primeira mão a versão ao vivo da linda “These Days”, com uma historinha breve do Michael Stipe na introdução dizendo que fez a música depois de um “very dark period”.
Tanto a Popload quanto o Volume, soube, estavam entre os blogs sugeridos à banda por um publicitário brasileiro que conhece os REM.
************* BREAKING NEWS *************
* Listen!
Money talks, mmm-hmm-hmm, money talks
Dirty cash I want you, dirty cash I need you, woh-oh
* Ok, você deve estar ouvindo falar em certos espaços rockers virtuais por aí que minha “participação” no VMB 2009, que envolveu o Massacration e a Múmia, foi “combinada” e teria rendido até um “cachê” para mim, tudo mais.
O que eu tenho para dizer é que nada tenho para dizer.
E também sobre o próximo vídeo do Massacration não posso falar nada.
A música pop se vira como pode. Show da banda inglesa Prodigy na Bielorrússia, agora em outubro, foi anunciado em… ovos. Ovos de quitandas, supermercados, granjas. Por quê? Porque sim… O Prodigy toca em SP e Rio nos próximos dias 23 e 24, respectivamente. Engana-se quem acha que a banda electropunk “já deu”… Apresentação do Prodigy no Reading Festival deste ano foi incendiária e absurdamente lotada, pelo que eu li (não vi este)
* Falando em “dirty cash”, o termo da hora é este: “Dirtee Cash”.
* DINDIM SUJO - O Dizzee Rascal está muito perto do que a gente pode chamar de gênio do pop. O cara é fera. O rapper inglês se dá bem entre os grimes, os raggas, os indies, os eletrônicos. Toca com o Arctic Monkeys, em Ibiza, no Top of the Pops, é parceiro do Calvin Harris. Toca em rádio inglesa fuleira e é rei da Radio One.
Já fez um excelente show só no Rio, no Tim Festival 2005. Para ninguém. Estava ensurdecedoramente alto, quase punk. Grime mais ininteligível e sujo que o normal. Sem concessão.
Não só ninguém conhecia, como se apresentou tardão e no mesmo horário que alguma atração grande que não lembro agora (Wilco?).
No Reading Festival neste ano, era assim: Dizzee não estava na escalação do evento. Mas nas barraquinhas de bebida ou tenda de qualquer coisa nas cercanias do festival, perto do camping, com som bombando (tudo lá tem som bombando), se tinha uma galera dançando de mãos para cima, como se não houvesse amanhã, era Dizzee Rascal que estava tocando.
Dizzee Rascal lançou há poucas semanas seu quarto álbum, “Tongue & Cheek”. Para você ter idéia do impacto do disco no pop inglês, os três singles lançados antes do CD cheio (”Dance wiv Me”, “Bonkers” e “Holiday”) pegaram o primeiro lugar nas paradas. Essa recém-lançada “Dirtee Cash”, o quarto single, saiu para download no finalzinho de setembro e hoje é provavelmente a música mais tocada no Reino Unido.
“Dirtee Cash”, do Rascal, tem samplers de “Dirty Cash”, de Stevie V, hino dance do começo dos anos 90 que tocava num nível Madonna/Michael Jackson à época.
* ZUMBIS - Agora uma pausa para uma notícia importante, em relação ao último post. Pesquisadores de uma universidade de Ottawa, no Canadá, baseados em estudos sobre doenças contagiosas, revelaram que a humanidade não está preparada para sobreviver a um ataque de zumbis. O problema, segundo a pesquisa científica, e o que difere a praga dos zumbis diante de outras doenças que se espalham, é que a criatura pode se regenerar facilmente (a não ser, claro, que seja decapitada ou queimada).
A notícia não é zoeira. Foi dada no Yahoo News e no site da BBC. Eu é que não…
* CAKE NO BRASIL FAIL(ED) - Xi, Indie Rock Festival. O Cake não vem mais? Parece que é a banda galesa Super Furry Animals que volta ao país para ocupar a vaga do Cake. Além disso, o grupo brasileiro Mombojó também pulou fora da escalação inicial. O Holger e o Gogol Bordello estão mantidos, ao que tudo indica. Sobre o Super Furry Animals, uma vez alguém traduziu por aqui o nome da banda como Animais Super Furiosos. :))
O Indie Rock Festival, se não tiver mais nenhum chacoalho, está marcado para acontecer nos dias 13 de novembro (Rio, Fundição Progresso) e 16 (SP, Via Funchal).
* NIRVANA: O LIVRO – Está previsto para chegar por aqui nos próximos dias uma reedição à brasileira do livro “Cobain”, articulação literária da “Rolling Stone” gringa nos anos 90 que a filial brazuca bota agora nas nossas prateleiras, como parte dos tributos sem fim que o líder do Nirvana vem recebendo (ou sempre recebe, como preferir).
“Cobain”, cuja capa limpa aí de cima emula uma das famosas capas da história da “RS” americana (a da edição póstuma, em 1994, em foto do famoso Mark Seliger), apresenta mais de 50 fotos especiais, desenhos e entrevistas do guitarrista nos poucos anos de Nirvana, que levaram a revista a acompanhar de perto desde o estrondo que a bandinha de Seattle causou no rock até a morte de seu líder, em 1994, já na condição de principal banda de rock do planeta.
- PROMOÇÃO “Cobain”, o livro. A Popload bota a sorteio uma cópia do livro-”documento” da “Rolling Stone” sobre o grande guitarrista do Nirvana. “Cobain” vai custar nas livrarias R$ 52,90. Quer de graça? Tenta a sorte nos comentários ou no email lucio_ribeiro@ig.com.br.
* NIRVANA: O DVD - Seria o pirata do DVD do show do Reading Festival 1992 melhor que o oficial? Enquanto novembro não chega trazendo o DVD que a Universal lançará, com o registro da famoooooooosa performance que o Nirvana fez no gigantesco festival inglês, da qual eu já falei aqui perto de 1400 vezes, começa a aparecer nos blogs americanos a informação que o produto oficial não traz nada demais para quem já (1) tinha a fita de vídeo pirata que circulou forte nos anos 90, (2) já tinha visto na internet e muitos trechos no YouTube, (3) tinha comprado (como eu) o DVD pirata-oficioso que apareceu em lojas inglesas no começo deste ano, bastante reportado aqui na Popload.
É assim. No pirata tem a passagem de som, que o ofical parece não trazer. As imagens vêm da mesma filmagem, tiradas de uma transmissão de TV. Alguns ângulos de câmera são diferentes, mas no geral é praticamente o mesmo. O truque do oficial é dar um zoom na transmissão, para dar o toque “diferente”. Mas nem sempre, dada a qualidade indie (digamos) das imagens, não pega bem. A vantagem do oficial é não trazer a tarja dos minutos, que vem quase no meio da tela no pirata. Dá uma olhada num comparativo de imagens que um blog gringo fez.
Aqui, a performance do Nirvana para “School”, tirada do DVD oficial, que sai agora em novembro.
Sempre me lembro da resenha da revista “Kerrang” para o show do Nirvana no Reading 1992. “Você tem que ter estado nesse show. Se por um acaso você não foi, minta que foi sim”.
* PROMOÇÃO PLANETA TERRA FESTIVAL – O primeiro par de ingressos sorteado para o festival PT, que acontece no dia 7/11 em SP, saiu para o seguinte ser humano:
Elisa Ribeiro, São Paulo, SP (no relations)
por email
No total, são dois pares de entradas que estão à baila. Logo mais, o anúncio do segundo vencedor. Concorra mandando seus pedidos nos comentários ou no email lucio_ribeiro@ig.com.br. Não quer ver Sonic Youth, Iggy Pop, Ting Tings e Primal Scream de graça?
* PROMOÇÃO MAQUINARIA FESTIVAL – Um par de ingressos para os shows do Faith No More e do Jane’s Addiction em SP, dia 7 de novembro? Pois não…
Comentários neste post ou email para este blog: lucio_ribeiro@ig.com.br.
Bom, você sabe os esquemas…
* DIRTY PROJECTORS EM SÃO PAULO – Atração do sempre movimentado Goiânia Noise festival no final de novembro, o delicioso grupo indie experimental Dirty Projectors, do Brooklyn, está confirmado mesmo para tocar aos paulistanos no clube Clash no dia 2 de dezembro, conforme já havíamos soprado por aqui. A coisa fica melhor ainda quando sabemos que a banda local Holger, com seu show novo, vai abrir para os americanos. Baladinha boa, essa.
* O JANE’S ADDICTION MANDA UM “SALVE” PARA O BRASIL - Stephen Perkins, o baterista do grupo do Perry Farrel, gravou um vídeo dizendo que está louco para vir tocar no Maquinaria Festival, dia 7 de novembro (lembrando, o mesmo dia que o Planeta Terra…). E ainda mandou um sambinha para nós, todo simpático. Deixa o cara. :))
* HEY, BEAVIS!!!! - Recordar Beavis & Butt-Head é viver. Com a boataria sobre uma possível volta da dupla mais retardada que a cultura pop já viu, mas agora como “adultos” em seus 60 anos, virou uma onda (pelo menos entre meus amigos) de voltar a vasculhar os episódios do desenho da MTV que de uma vez só marcou, alegrou, espelhou e criticou sem dó os anos 90. Nessa cheguei no episódio em que eles analisam o vídeo de “Creep”, do Radiohead. Posso dizer que, junto com “Twin Peaks”, “Arquivo X”, “Simpsons” e “Friends”, a dupla odiando a parte calma da música do Radiohead e esperando desesperados a parte “pesada” foi um dos grandes momentos da TV mundial nos anos 90.
* POPFELLAS, POP!UP - DJ set marathon nesta quinta e sexta. Começa que tem Popfellas no Vegas, quinta, com as discotecagens de sempre (DJ Me, Rafael Urenha e Focka) e pocket show da banda anglo-brasileira 2AM. Permita-me o toque: veja esses caras antes que eles vão para Londres gravar no Abbey Road. Na sexta a Pop!Up retorna ao novo-clube Alley, o da charmosa vista para a urbanidade. O ótimo DJ Fiervo completa o elenco que tem o DJ Eu (de novo…), Fabricio Funhell Miranda e Gil Crew Barbara. Só bamba (tirando…).
Tamus juntu?
Ok. O “efeito Múmia” me trouxe umas duzentas novas adesões no Twitter e umas outras centenas no Facebook em DOIS DIAS. Isso me assusta mais que o susto em si. Whatever, hahaha.
E também me leva a pensar: a MTV é tão popular assim entre “os jovens”? Não, o Twitter e o Facebook é que são.
* CAN YOU FEEL MY LOVE BUZZ? - Um dos discos mais incríveis e cheios de energia feitos pelo ser humano, o álbum “Bleach”, o primeiro do Nirvana, faz 20 anos neste ano e vai ganhar um relançamento de luxo em novembro.
A lendária gravadora Sub Pop, de Seattle, vai recolocar no mercado o disco, no formato CD e em um vinil branco, com um bônus absurdo: um show inteiro da banda em Portland, em 1990, mixado agora pelo renomado produtor Jack Endino, o mesmo que botou sua assinatura na feitura do “Bleach” lá em 1990, quando era meramente um “produtorzinho local”.
A Sub Pop disponibiliza, como aperitivo, a fantástica versão de “Scoff” do show de Portland. Nirvana no mais puro gás, a guitarra de Cobain gritando, a bateria estraçalhando como se fosse o último show da história, Novoselic provavelmente sangrando os dedos para acompanhá-la no baixo, Cobain com uma voz juvenil berrando “Gimme back my alcohol” como se não houvesse amanhã. Que banda!
* ADVENTURELAND - Acaba de chegar direto ao DVD, pulando a etapa “cinema” no Brasil por algum motivo sinistro que até entendemos, mas não entendemos, o filme “Adventureland”, produção indie americana deste ano que já virou cult nos EUA e Europa.
O filme, sobre amores de verão, também pode grosseiramente ser descrito como a história de um moleque nos anos 80 que precisou levantar um dinheiro em um parque de diversões onde ele não podia deixar ninguém ganhar o urso de pelúcia na corrida de cavalinhos. E o que o Lou Reed tem a ver com isso? E o que a boneca Kristen Stewart (a heroína de “Twilight”) tem a ver com isso?
Só como registro barato de inconformismo: “Adventureland” é dirigido por Greg Mottola, que fez os deliciosos “Daytrippers” há alguns anos e “Superbad”, mais recentemente.
Cita Judas Priest, toca “Rock Me Amadeus” do Falco, mistura Velvet Underground, Cure e Crowded House, tem a Kristen usando camiseta do Husker Du.
E, enquanto só agora chega ao Brasil e só no DVD, passou lindo nos cinemas argentinos em junho.
Não dá.
* PROMOÇÃO PLANETA TERRA FESTIVAL: SONIC YOUTH, PRIMAL SCREAM, IGGY, MAXIMO PARK, METRONOMY E VOCÊ - A Popload deu a largada no sorteio de DOIS PARES de ingressos para o festival PT, que acontece no dia 7 de novembro no Playcenter, em São Paulo. Concorra mandando seus pedidos nos comentários ou no email lucio_ribeiro@ig.com.br. E já disse: por favor, não faça como a menina vencedora do ingresso do Franz Ferdinand, que quase teve um infarte quando recebeu meu email avisando do resultado. Não sou adepto da filosofia de que leitor bom é leitor morto, hehe.
* A MÚSICA MAIS BACANA DO MUNDO HOJE 1 – Não é porque um monte de gente decente (Crookers, Fake Blood, Peter Bjorn & John e pelo menos uns dez outros bambas) está remixando a música “Animal”, da banda sueca Miike Snow, que eu acho a canção um sopro de alto astral no pop atual.
Nem é pelo vídeo… singelo… que eu gosto desse “reggae sueco” (!).
Nem liguei quando, nas últimas viagens à Inglaterra, eu escutei a música 100 vezes por dia.
Talvez seja o refrão em que o vocalista barbudo usa falsete para dizer “I change shapes just to hide in this place but I’m still, I’m still an animal”.
Ou o comecinho que o cara diz havia um tempo em que o mundo dele era só “Daaaaaaaaaaaarkness, darkness-darkness”.
* A MÚSICA MAIS BACANA DO MUNDO HOJE 2 - Esta aqui é nossa velha conhecida, talvez a música que eu mais toquei em pista neste ano. Mas como a minha amiga Manu foi a um show deles em Atlanta, Georgia, e captou esse vídeo absurdamente feliz, a gente bota aqui uma das canções favoritas do ano, fácil. “Think less but see it grow. Like a riot, like a riot, ooooooooooooooooh!”
* A MÚSICA MAIS BACANA DO MUNDO HOJE 3 - Lembro que em maio, em Brighton, no festival Great Escape, eu tentei entrar num show tipo o do Charlatans (não lembro ao certo) e não consegui. Olhei a programação para ver outra coisa e vi que ia rolar perto dali, num clube do tamanho da pista da Neu e com uma pilastra no meio para “facilitar” a visão, o show da banda Girls, de San Francisco. Os blogs americanos vinham sendo muito generosos com o Girls (que ao contrário do que o nome indica são dois caras e uns colaboradores fixos, todos machos, para a versão ao vivo) e eu pensei: vou lá. Hoje, de tanto que se fala do Girls, a reencarnação jovem e indie do Elvis Costello, para reverberar o mínimo que dizem deles, a banda jamais tocaria num clube pulgueiro como aquele de Brighton, em que nem cabia no palco baixinho (um deles ficou tocando no chão), não tinha camarim nem para deixar as mochilas e os cases de guitarra.
Hoje o Girls é uma das bandas novas mais faladas da blogosfera. Há duas semanas lançaram seu primeiro álbum, chamado… “Album”, que diz a lenda foi inteiramente composto pela dupla líder da banda em “estado beeeem alterado”.
O disco é aberto pela ótima “Lust for Life”, que a gente fala aqui há tempos. Mas essa “Laura”, a música dois do álbum “Album” (sorry…), é uma belezura.
O nome Girls da banda deve ter sua razão nas amigas dos seus integrantes, que ilustram todos os vídeos do grupo e não são poucas nem feias.
E, no meio de tantas garotas, óbvio, tem uma, “the one”, a Laura, esta da música. O vocalista lembra bem dela na hora em que lava a roupa suja, na letra, esta da música: “She’s a bitch, I’m an ass”.
E veja o “fun fact” do primeiro comentário deste post, aí embaixo, escrito pelo Pedro Hollanda.
* FESTIVAIS LÁ E AQUI - Lá. O gigantesco Glastonbury 2010, que ninguém sabe quem vai tocar e vai ser realizado mais ou menos daqui a 10 meses na Inglaterra, já tem todos os seus ingressos esgotados. Sold out! Foram 180 mil ingressos consumidos em pouco menos de 15 horas.
Aqui. O festival About Us, que acontece em novembro em São Paulo, uma boa idéia com uma péssima curadoria, periga ter o pior line-up de todos os tempos em qualquer lugar do mundo e desde a realização do Woodstock, em 1969: Sting, Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes e Lenine. O engraçado é que é um festival cujo lema é a “construção de um mundo melhor”.
* A MORTE E O RENASCIMENTO DO INDIE… E DO EMO - Continuando o papo começado no último post, o que eu tenho a dizer é:
- O pessoal da Funhell, balada de quarta-feira do clube Funhouse inclusive em que eu…, pede para este blog desmentir a história de que eles estariam saindo do tradicionalíssimo endereço indie. Não é bem assim como eu falei, segundo eles. Tá?
- Guilherme Barella, o cabeça da tradicionalíssima festa indie Peligro, que recém-acabou, escreveu dizendo que quem acabou foi só a festa. O selo e distribuidora vão voltar em breve, remodelados: “O fim da Peligro foi apenas simbólico. Tá, talvez fosse um símbolo importante, mas é uma prova de que a gente, parte da turma de 99, também está se renovando. Estávamos planejando mudanças demais e fazia mais sentido começar algo novo”, afirmou Barella. “A gente não morreu. Estamos aí, com vontade e se reinventando sem parar.”
- Isso devia ter acontecido antes do VMB, para ver se a MTV teria tempo de salvar sua premiação “engessada”, mas o fato é que o Pete Wentz (Fall Out Boy) teve cortado em palco o seu cabelo chapinha fru-fru, fato que de certa forma decretou o fim do emo. O Wentz, veja bem, o maior símbolo emo do mundo, muito por causa do seu cabelo. Espero que minhas leitoras da coluna da “Capricho” também entendam o recado urgentemente e parem de pedir através de 1 milhão de emails para eu falar do Cine, hehe.
Era assim…
Ficou assim…
- Aí o Thom Yorke larga momentaneamente o Radiohead e aparece de franjinha quase emo, músicas quase emo (Alô, Pete?) em uma banda nova tipo superformação (Flea, o produtor Nigel Godrich, baterista do REM/Beck…) que conta ainda com um brasileiro (!) que toca em uma banda de forró (!!).
O projeto ainda não tem nome e a nova turma do Yorke fez um “show ensaio” na sexta, numa casa pequena chamada Ecoplex, em Los Angeles, onde eles se aqueceram para tocar em uns daqueles shows-secretos-nãotãosecretos no teatro Orpheum, domingo e segunda agora. Yorke cantou umas b-sides do Radiohead, tipo “Paperbag Writer”, músicas do álbum “The Eraser” e duas novas: “Open the Floodgates” e “Skirting on the Surface”, que você curte abaixo.
Será que o Thom Yorke quer… ganhar o VMB?
* HOLGER, THE NEXT BIG SP THING - A ótima banda paulistana Holger tocou semana passada no festival de música nova Pop Montreal, do Canadá. A performance do grupo no evento arrancou rasgados elogios em crítica no site da revista americana “Paste”, publicação importante no mundo indie dos EUA. O texto, assinado pelo editor-chefe da “Paste”, dizia que o Holger era a grande descoberta do festival: “Um pouco de Vampire Weekend, um pouco de Passion Pit e muita diversão”, escreveu o entusiasmado jornalista americano.
Parece que um vídeo do Holger no Pop Montreal está prestes a aparecer. Assim que ele surgir, a gente bota ele bem aqui.
* MEU JEITO FAVORITO: BLACK DRAWING CHALKS EM SP - Falando em next big thing, show da banda goiana feroz Black Drawing Chalks no clube Inferno, na última sexta-feira, com participação do ex-forgotten boy Chuck Hipolitho. Parecia Mudhoney em Seattle, Strokes em Nova York, White Stripes em Detroit… I mean, tirando o fato de que eles não são de SP, pareciam em casa, pela simbiose total público-banda. Ok, estou exagerando. Mas é mais ou menos isso.
* PIXIES FAZENDO O “DOOLITTLE” - Amigo meu mandou nesta terça um SMS direto de Londres, dizendo que estava na porta do Brixton Academy tentando comprar ingresso para ver a turnê dos Pixies tocando só o seminal “Doolittle”, o segundo disco. A turnê européia começou semana passada em Dublin com três shows esgotados e chegou nesta terça a Londres para mais quatro shows esgotados. Enfim, meu amigo estava evitando pagar 60 libras de cambista e eu pensando que esse preço, uns 160 reais, é a metade que custou o Franz Ferdinand na The Week. Metade. Mas, enfim, ele achou por 20 libras e entrou feliz.
Tem um vídeo legal dos Pixies terminando o primeiro show dessa turnê, na Irlanda, semana passada, e se despedindo da galera. Pela reação do povo, acho que eles gostaram da apresentação…
If man is five, than the devil is 6. Rock me, joe.
* JÁ JÁ TEM MAIS - O post não acabou não…
* Acabou sim. Volto com o novo na quinta. Descolei ingressos para o Maquinaria Festival, também. Quer?
* Por favor, dá uma olhadinha no calendário para mim. Vê em que ano estamos.
Uma loja cool de tranqueiras pop de um shopping de São Paulo enfeita sua vitrine com este cara aí de cima, em versão pano. E ele só está na vitrine de 2009 por causa de 1991
* Não é a toa que a pequena Dinosaur Pile-Up, trio de moleque de Leeds, é a maior banda do mundo hoje. Eles cheiram like “teen spirit”. E foram escolhidos a dedo pelos Pixies para abrir a turnê do “Doolittle”.
* Substituição no PT. Yeah Yeah Yeahs respondeu ao chamado do festival brasileiro, finalmente. Disse que não.
O “plano B”, parece, está acertado: quem vem para o lugar do YYYs, está para ser anunciado, é mister… Iggy Pop. Esse cara sem camisa aí embaixo.
O grande Iggy Pop e sua barriga “tanquinho” versão lego. O velho roqueiro deve ser outra das atrações do Planeta Terra 2009. Além de estar oficialmente no próximo game Lego Rock Band, em novembro, Iggy Pop vai cantar “The Passenger” no jogo
Em 1991 foi a primeira vez que eu fui ao Reading Festival, na Inglaterra. No primeiro dia teve, entre várias atrações, Nirvana, Dinosaur Jr. e, fechando a noite, Sonic Youth e Iggy Pop. Fechando a noite no Planeta Terra 2009: Sonic Youth e Iggy Pop. Hein?
O Primal Scream também está no PT. Em 1991, a banda escocesa lançava o “Screamadelica”, seu principal disco e um dos mais importantes álbuns da música independente de todos os tempos. Muita gente vai ao Planeta Terra 2009 por causa do Primal Scream 1991.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, o festival Maquinaria bota para tocar o Jane’s Addiction e o Faith No More. Na Londres em que eu vivia em 1991, ambas as bandas eram hits de pista nos clubes da época. Molecada nervosa balançava muito a cabeça e a cabeleira comprida com esse som, Nirvana e o grunge chegando, os locais Ned’s Atomic Dustbin e Carter the Unstoppable Sex Machine mandando no Britpop.
Em 1991, o Faith No More dominava tudo com “Epic”, single lançado no ano anterior, e “Falling to Pieces”, que saiu na Inglaterra naquele ano. Já o Jane’s Addiction, em 1991, dominou as paradas de rock, as pistas, os pubs com o single “Been Caught Stealing”, lançado no finalzinho de 90.
Muita gente vai ao Maquinaria 2009 por causa do Jane’s Addiction 1991 e do Faith No More 1991.
Tudo muito bom, tudo muito bem. Coisa linda de se ver todas essas maravilhosas bandas acima. Mas ainda bem que tem o Metronomy e o Ting Tings no PT. Ainda bem que tem o Dirty Projectors no Goiânia e SP Noise. Ainda bem que vem aí o Popload Gig 3.
* 1991, O ANO EM QUE… - Visto daqui de 2009, 1991 foi um ano musicalmente incrível, mas bem bizarro em outros aspectos.
- O Bragantino era um dos grandes times do futebol brasileiro e o Criciúma conquistou título nacional, com o Felipão no comando.
- No dia 2 de fevereiro, nos EUA, foi revelado quem era o assassino de Laura Palmer. Quase 40 milhões de pessoas estavam de olho na TV para saber quem era. E, depois de 14 anos de sucesso, o seriado “Dallas” acabou.
- Um famoso “Globo Repórter” da época foi sobre “a febre dos videogames” que estava tomando conta da molecada brasileira.
- Uma jovenzinha e indefesa Juliette Lewis, antes atriz, hoje cantora, chupou o dedo do Robert DeNiro, no cabuloso “Cabo do Medo”, na mais perturbadora cena do cinema no ano. Outra cena superperturbadora foi em “Os Trapalhões e a Árvore da Juventude”, mas deixa para lá.
- A capa de fim de ano da “Playboy” foi a Sonia Lima, a “tentação das tardes de domingo do SBT”.
* 2009/1991: O LIVRO DO GRUNGE – O famoso fotógrafo do rock Michael Lavine lança em outubro um livro que conta através de suas valiosas imagens a história do grunge. A obra, 160 fotos em preto-e-branco, conta com textos de uma importante testemunha ocular da última grande revolução roqueira baseada em Seattle: Thurston Moore, do Sonic Youth, uma espécie de padrinho da cena.
O líder do Sonic Youth, tão de Nova York quanto Michael Lavine, relata desde a descoberta da cena punk de Seattle, a explosão mainstream da cultura independente, até a morte de Cobain, marco do fim do grunge.
As fotos de Michael Lavine até hoje ilustram o rock. O fotógrafo tem incrível trabalho atual que vão de ótimas imagens de bandas como TV on the Radio, Rapture, Kings of Leon até… Jonas Brothers.
Esse “Grunge” vem fazer par ao excelente “Touch Me I’m Sick”, livro de fotos do grunge de Charles Peterson, que tem texto de Eddie Vedder (Pearl Jam), entre outros. Peterson também foi um importante fotógrafo do rock de Seattle na virada dos 80 para os 90.
* SUA MÚSICA PREDILETA – Aposto que nem você tinha percebido que sua música favorita de 2009 é esta aqui abaixo:
* 2009/1991: A VOLTA DO PAVEMENT E O ÚLTIMO SHOW DO HOLGER - A cena continua bem ouriçada com a notícia da volta do grande grupo de Stephen Malkmus. Enquanto a gente por aqui não achar que “já deu”, vamos soltar pérolas do Pavement, para saudar o retorno da banda. Esta aqui embaixo é a de um show em Nova York em 1991, comecinho da banda, tocando a inacreditável “Trigger Cut”, bem ao estilo lo-fi tosco que foi a grande marca da banda.
E hoje, 22 de setembro de 2009, acontece no bar Tapas, em São Paulo, o último show da banda Holger, espécie de Pavement brasileiro. Último show antes de eles irem tocar no Pop Montreal, festival indie do Canadá. Músicas novas, primeiro álbum a caminho, ou segundo EP sei lá, o Holger é desde o ano passado o melhor grupo indie nacional, o show mais bacana, as melhores groupies (número que só aumenta).
E fizeram pôster de divulgação, tal qual as ótimas bandas americanas dos 90, tipo o Pavement.
A discotecagem da balada do Tapas, deu para você ler no pôster, fica a cargo do DJ Kurc, considerado grande revelação das picapes e das remixagens em 2009.
* SEU VÍDEO PREDILETO - Muse novo. O disco é chatongo, o single é mais-do-mesmo mas bom, o vídeo é cool. Lá vem o Muse com “Uprising”.
O Muse está metido com vampiros.
* PROMOÇÃO F.R.A.N.Z. F.E.R.D.I.N.A.N.D – DO YOU WANT TO? Poucas coisas nesta vida é tolerável deixar passar. Uma delas é o show único que a banda escocesa Franz Ferdinand fará em São Paulo na próxima quarta-feira, dia 30, na The Week. Vi recentemente uma apresentação da banda em Londres, show dessa turnê do disco “Tonight: Franz Ferdinand”, e posso dizer que eles ficaram melhores ao vivo do que já eram. Está desesperado porque não conseguiu nenhum dos 500 ingressos que se esgotaram em minutos quando colocados a venda? Não tem problema. A Popload tem dois deles para sortear. Para concorrer aos DOIS únicos ingressos que restam no mundo para o show do FF em SP, tudo o que você tem que fazer é ir ali nos comentários ou no lucio_ribeiro@ig.com.br e… pedir. Sem perguntas, sem frases.
* Can you feel it, see it, hear it today?
If you can’t, it doesn’t matter anyway
(Faith No More, “Epic”)
* POPLOAD em São Paulo. Hehe.
Promoção 1. A Popload está botando a sorteio este incrível All Star costumizado, doação da Converse, e com o desenho style comemorativo da primeira edição do Popload Gig, o festival internacional promovido no Brasil por este humilde blog. Atenção, só tem o tênis número 39 unicamente. Ou você calça este número e ganha para você, ou para doar de presente, ou para guardar e botar no e-Bay porque vai virar relíquia milionária. Você que sabe! E você que sabe como participar: nos comentários ou no email lucio_ribeiro@ig.com.br.
* É por isso que eu gosto da Inglaterra. Estou no aeroporto e vejo na loja de revistas que acabaram de lançar uma nova publicação de futebol. Com o improvável nome de “Football Punk”. Isso mesmo: muito futebol, muita música. E alguns ensaios de mulheres, óbvio. O slogan entrega a que a revista veio. “The beautiful game with attitude”.
* É por isso que eu gosto do Brasilzão. No aeroporto de São Paulo sou recebido pela nova “Caras”, com a capa mais improvável da história do jornalismo mundial. “A boda de Stênio Garcia”. Juro, essa é a CAPA da revista, com essa chamada principal, a manchete, sobre o assunto que faz a pessoa parar numa banca para gastar o dinheiro comprando a tal edição.
* FAITH NO MORE EM SÃO PAULO: FESTIVAL ANOS 90? – Está confirmado para outubro um show único do mais que cultuado Faith No More em São Paulo. A revivida banda de Mike Patton vem à América do Sul para três shows, é o programado: um no Brasil, um na Argentina e outro no Chile, a princípio. Na mesma barca do FNM vem outro grupo famoso dos 90, o Alice in Chains, representante do grunge de Seattle e que não tem mais seu marcante vocalista, Layne Staley, morto em 2002.
* A VOLTA DO SUPEROUTUBRO – Então o nosso tradicional outubro, que até o ano passado era o “mês do Tim Festival” e suas modernidades, está reformatado na linha “back to the future”? Assim: Faith No More, Alice in Chains e Depeche Mode tocam por aqui no mês 10.
E, no Rio, vai ter o Fashion Rocks, dias 23 e 24, bancado pela Oi. Alguém falou em… Kings of Leon?
Fora que, em outubro, deve acontecer o mundialmente famoso Popload Gig 3. É isso mesmo: o terceiro. Porque os dois primeiros estão confirmados.
* POPLOAD GIG EM SÃO PAULO - Está de bobeira em junho? O emocionante show do Matt & Kim (Brooklyn, NYC), a espetacular performance noise-art do No Age (Los Angeles, Califórnia) e a veloz apresentação indie-tosca do grande The View (Escócia) se agrupam nos dias 6 e 7 agora no clube Clash, para o primeiro festival internacional a ser realizado por este blog. Na parte nacional tem os incríveis Holger (SP) e Mickey Gang (ES). Faz parte dos “Empreendimentos Popload para 2009″, que logo mais anunciará mais bagunça por aí. Os ingressos já estão à venda. Clica no flyer style aí embaixo para ver onde.
* PLANETA TERRA CONFIRMADO - Ufa, pelo menos um dos megafestivais deste país vai emergir da crise econômica. Parece que o Planeta Terra Festival, que já estava virando o maior evento de música brasileiro e agora reina absoluto porque só existe ele mesmo, no tamanho, vai ser realizado no dia 14 de novembro em São Paulo, em lugar a ser definido. Não será mais na Vila dos Galpões, é a certeza.
* TWITTER E A VIDA COTIDIANA – Ok, eu já baixei o aplicativo para iPhone do “Singing Cat” e ele cantando (miando) “Ulysses”, do Franz Ferdinand, ou “Brand New T-Shirt”, do Holger, é sensacional (já enjoeei, óbvio, mas enquanto não tinha enjoado era bem engraçado). Sim, o Papa Bento 16 está no Facebook.Mas, das “modernidades” em curso na nossa vida cotidiana, o Twitter está me deixando mais… mais… impressionado(?). 1 - falei aqui do esquema das padarias inglesas, que mandam aviso (e endereço) das padocas no exato instante em que acabam de tirar pãozinho, croissant, pain au chocolat quentinho do forno. 2 - o astronauta americano Mike mandando twitter literalmente de outro planeta (eu sei, não é bem assim, mas é quase assim), enquanto estava em missão especial para consertos no telescópio Hubble. O que perscruta galáxias distantes, entende? Ele vendo vários pores-do-sol diferentes no mesmo dia. Recebendo telefonema do presidente Obama. Dizendo que aterrissou na Califórnia porque a base no Cabo Canaveral tinha fechado por causa das chuvas. E que estava feliz porque a Hubble está “all fixed up”. Ele twittando isso do mesmo jeito, no mesmo nível, mesma plataforma, mesma naturalidade que qualquer um twitta que saiu de uma reunião chata na escola e chegou em casa depois de ver o documentário do Simonal. Tem gente que não dá valor para coisas assim, mas eu acho incrível. One giant leap for twitterkind!!! 3 - A moda na gastronomia moderna é twittar receitas em 140 caracteres. Com isso, toda uma nova linguagem está sendo criada na gastronomia. Veja bem: não é botar link de receitas num post do Twitter. É botar a receita in-tei-ra no postinho de 140 toques. Tipo essa, de Porco Crocante: “Heat oven200C. Cut 1kgporkrind into strips. Boil 15m. Drain, scatter w/csalt, roast1hr, turnevrysooften”. 4 - Nos bastidores de uma famosa reportagem sobre Twitter no “Fantástico”, há algumas semanas, o grande Zeca Camargo orientava os twitteiros da matéria a não falarem as palavras “twitter”, “twittando”, porque o chefe dele não queria. Na certa temendo assustar o “brasileiro comum” que vê o programa com a palavra esquisita de lingua inglesa, estrangeirismo, sei lá. Na Inglaterra, na semana passada, um dos grandes jornais, não lembro qual agora, botou em sua primeira página uma foto gigante da Paris Hilton no festival de cinema em Cannes, com a amiguinha Peaches Geldof, as duas escrevendo no celular, cada uma no seu. O título da foto-texto era: “Nice to tweet you”. 5 - Mulheres grávidas já botam um aparelhinho na barriga que gera um post de Twitter cada vez que o bebê se movimenta lá dentro ou dá “um chute”. Aparente isso é bobagem, mas se você olhar bem isso significa dizer que o ser humano já está participando do mundo virtual antes mesmo de nascer. 6 - Na Guatemala, o Twitter já rendeu uma prisão a um sujeito acusado de usar a comunidade para causar “pânico financeiro” envolvendo um banco corrupto que… (a história é longa).
* POPLOAD GIG: RECADINHO DO MATT - Através deste blog, o lado mulher do espetacular duo Matt & Kim, atração do primeiro Popload Gig, mandou um recado para a “galere”:
“Hey! This is Kim from Matt and Kim. We’ve never been to South America before and can’t wait to come down and play at Popload Gig in June. I heard it is your winter… Someone tell me what we need to pack!”
* PROMOÇÃO 2 – INGRESSOS PARA O POPLOAD GIG - Este eu garanto. Corra o risco de ganhar m par de convites para cada dia do POPLOAD GIG, no clube Clash, sábado e domingo dias 6 e 7 de junho. Este é só para os comentários. Então comente.
* GREAT ESCAPE – DINOSAUR PILE-UP: O “NOVO NIRVANA” (HEHE)- Entre os muitos palcos em que mal cabia uma banda em cima (já falo), o trio Dinosaur Pile-Up se apresentou e arrebatou o Great Escape Festival, o importante festival de música nova de Brighton, na Inglaterra, o South by Southwest inglês. Mais: o South by Southwest europeu, em importância. Óbvio, “arrebatou o festival” na minha opinião, pelo que eu vi, das 300 bandas que tocaram e dentre as 30 que eu consegui assistir neste evento que circulou simultâneo em 40 clubes da cidade ao sul e litorânea do Reino Unido.
Arrebatou o Great Escape para mim e, tenho certeza, para todas as pessoas dentro do Audio naquela hora, naquele local, onde a banda se apresentou, um clubinho de frente para o mar, no subterrâneo de um bar, e do tamanho da nossa Funhouse, grosso modo.
Banda de moleques de 20 e poucos anos de Leeds, o Dinosaur Pile-Up, já falamos dele aqui, é um trio tipo o Nirvana mesmo: guitarrista vocalista que é numa só música num momento é fofo e no outro está gritando enlouquecidamente; baixista que fica pulando e balançando a cabeça o tempo todo; e o mais rápido baterista do mundo hoje.
Pelo tipão, pela música e principalmente pela história deles, ganharam os blogs, o “Guardian”, a BBC, a Radio One (BBC e Radio One no caso são coisas diferentes) e a “NME” no final do ano passado e ainda mais neste ano sob a acusação de liderarem um movimento… grunge.
Um movimento new grunge, melhor dizendo. E bem localizado: o new grunge só estaria acontecendo em Leeds. Bizarro.
A história era a de que os meninos da banda, quando saíam com amigos para clubes e para shows, não se sentiam bem com a música inglesa que os cercava, não estavam nem aí para Amy Winehouse e Lily Allen, e voltavam correndo para casa para ouvir… grunge anos 90.
Matt, 23 anos, o vocalista e guitarrista do Dinosaur Pile-Up, não tem pai. É aficcionado em Foo Fighters em particular e assumiu o Dave Grohl como seu “verdadeiro patriarca”. É verdade. Ele diz isso em todas as entrevistas.
Mas Matt parece MESMO o Cobain. Loirinho, guitarrista, gritador, tipo de moleque frágil até se mostrar ensandecido. Muito bonito, ele tem uma presença em cena de fazer os caras do Kings of Leon se sentirem geeks espinhudos. Deixa só a mulherada descobrir o Matt.
O baixista, Tom Dornford, é muito bom. O som do seu baixo é estourado e ele fica fazendo dancinha particular com o PA que ficava atrás dele, no Audio, em Brighton, no show do Great Escape. Fora quando ficava balançando a cabeça para frente, exatamente como os caras faziam nos anos 90 nos clubes ingleses, quando o Nirvana e sua galera chegaram na Ilha. Dança totalmente masculina.
O baterista Steve Wilson é bem preciso. E vem vigoroso. E tão rápido que, se o “paizão” Dave Grohl estivesse na platéia naquela hora, ele ia pensar logo na aposentadoria. (Brincadeira, Dave!)
É óbvio que o Audio estava lotadaço com fila do lado de fora por causa do Dinosaur Pile-Up, porque o lugar é um ovo. Mas isso não contava. O importante ali era a energia que era trocada entre a banda e a platéia, contagiante. O entusiasmo no final de cada música, naquele curto show de oito canções, era absurdamente crescente. Quando a apresentação acabou, o clubinho urrava saudando os moleques. Essa é a verdadeira medida das coisas.
Ainda no circuitão de shows pequenos no Reino Unido, o Dinosaur Pile-Up vai ter um verão bastante agitado em alguns dos principais festivais do Reino Unido, do T in the Park ao Bestival. Acho que, se acertarem mais uns dois singles razoáveis pelo menos, na linha dessas ótimas “My Rock’n'Roll” e “Traynor”, a gente vai ouvir muito falar desses garotos.
Abaixo o vídeo do Dinosaur Pile-Up fazendo o pequeno hino “My Rock’n'Roll” no Great Escape Festival, em Brighton. Imagem tosca, pouca iluminação no clube, som estourado porque eu estava embaixo de uma caixa acústica. Como um bom vídeo do Dinosaur Pile-Up tem que ser. Capte a energia.
Atenção para três momentos em particular: nos minutos 1:41, no 2:28 e depois no 2:40. Sim, o baterista está com a camiseta do Incrível Hulk.
* PROMOÇÃO 3 – DVD DO NIRVANA AO VIVO NO READING 92 - Opa, opa, opa. A Popload trouxe da Inglaterra, para sorteio, o famoso DVD “mais ou menos pirata” do Nirvana ao vivo no uber-famoso show do Reading Festival de 1992, no dia 30 de agosto daquele ano, a última apresentação da banda de Kurt Cobain em palcos ingleses. Já falei cem vezes aqui e ainda vou falar outras 400 sobre a importância desse show em particular, portanto vou poupá-los por agora. Apenas digo isto: concorra. Nos comentários e nos e-mails.
* AH, A LINGUA FRANCESA… 1 – Estou para pôr este vídeo aqui faz dias, mas sempre esqueço… Você achou “escandaloso” o duo Matt & Kim (Popload Gig alert!!) gravar um vídeo peladões na Times Square, em Nova York? Então veja só o vídeo de “Baby, Baby, Baby”, da dupla eletro francesa Make the Girl Dance, que já remixou o Franz Ferdinand, fez. Basicamente são algumas garotas nas ruas de Paris. Simples assim.
* PROMOÇÃO 4 – PASSION PIT E MACCABEES – Mais sorteio: a Popload bota na banca os novíssimos CDs importados das bandas Passion Pit (”Manners”, o primeiro do grupo de Boston), e Maccabees (”Wall of Arms”, o segundo da banda inglesa de Brighton). Eu sei que CD virou um artigo esquisito para se ter, mas ainda assim o formato nostálgico ainda é bacana, tals. Vem nos comentários ou no lucio_ribeiro@ig.com.br e tenta a sorte.
* AH, A LINGUA FRANCESA… 2 – OU A CANTORA MAIS BONITA DO POP MUNDIAL - Em meio à cena de aproximadamente um milhão de cantoras mulheres (a redundância é apropriada), encontraram a mais bonita de todas. Não sou eu que digo. Mas também não discordo. No meu rolê inglês percebi a forte chegada à cena da cantora Coeur de Pirate, nome artístico de Béatrice Martin, uma loirinha tatuada canadense (de Quebec), de 19 anos, que canta em francês.
Seu álbum, “Coeur de Pirate”, impregnado de piano rock, acaba de ser lançado na Europa e a galera está babando. O que me espantou é o falatório em Londres para alguém que canta em francês. Ela até tem um projeto em inglês, chamado Pearls, ainda no começo, e feito bem para entrar no mercado britânico e americano sem causar estranheza.
Quando eu vi a ode inglesa à canadense francesa eu fui logo ver o que falavam dela na França. Batata. Coeur de Pirate já é queridinha da revista de música (não só) mais legal do mundo, a “Les Inrockuptibles”.
Dá uma olhada no shape da garota (e na música, óbvio) neste vídeo dela, abaixo, para a lindinha “Comme des Enfants”.
* PROMOÇÃO 5 – CELULARES MOTOROKR - A Popload em parceria com a Motorola sorteia neste post DOIS celulares Motorokr EM35, que também é music player, vem carregado com o novo CD do U2, “No Line on the Horizon”, e tem uma tecnologia, com um microfone interno, que ajuda a eliminar os ruídos externos. O modelo chegou ao Brasil não faz dois meses. Vai lá: nos comentários ou no email lucio_ribeiro@ig.com.br você pede essas belezuras.
* Popload na estrada. A caminho do Great Escape, festival de música nova (não 100%) em clubes de Brighton (Inglaterra), vamos mandando notícias do Velho Continente.
É o que parece. Daqui a pouco, a descolada revista “Vice” gringa com a “perfect pussy” e a “Vice” brasileira descartando a bunda brasileira
* O TWITTER E O PÃOZINHO DA PADARIA - Você sabe que a coisa está fora de controle quando, na Inglaterra, foi desenvolvido o BakerTweet, tecnologia que permite às pessoas receberem via Twitter a importante informação que saiu pão quentinho em uma padaria próxima de sua residência. Funciona, pelo que eu entendi, mais ou menos assim: os padeiros que têm conta no Twitter instalam o aparelhinho BakerTweet na parede perto de seu forno. Saiu a fornada de pão francês, croissant, broa, pain au chocolat, sonho etc. o padeiro programa a informação, aperta o botãozinho do BakerTweet e os clientes, via Twitter, são avisados imediatamente. Que mais?
* MICKEY GANG EM LONDRES - Minha segunda banda indie brasileira predileta, o quarteto Mickey Gang, de Colatina, Espírito Santo, mandou bem o seu megahit descontrolado “I Was Born in the 90’s”, para inglês ver e dançar juntinho (?!) no Punk Club, na semana passada. Pelo vídeo aí embaixo, eu posso jurar que ouço galera cantando junto. A molecada capixaba andou dando um rolê inglês semana passada. E, como última observação desta nota, o importante que eu tenho a dizer é que, um dia, eu já estive em Colatina, Espírito Santo.
* O MAIOR SHOW DA HISTÓRIA MUNDIAL EM TODOS OS TEMPOS? - O que pode ser a última grande batalha de uma gravadora de discos, enquanto elas ainda existem, a Universal anuncia que lançará como oficial, em novembro, um DVD com a histórica apresentação do Nirvana no Reading Festival de 1992. O selo, que já foi o maior do mundo numa galáxia não muito distante, tomou a medida para contra-atacar a história de que o grande show da breve carreira da banda acabou de ser lançado em versão que-ninguém-sabe-ao certo-de-onde-vem (= pirata) na Inglaterra, sob o nome “Life Takes No Prisoners”. A Universal, para não deixar barato, promete que vai incluir no DVD um grande material de extras. Massssssssssssssssssssss. Parece que só vai lançar o DVD oficial em… novembro.
O “Life Takes No Prisoners”, que eu já estou procurando em qualquer biboca de discos que eu encontro pela frente, traz as 27 músicas que o grupo de Kurt Cobain tocou naquele dia do final de agosto, em 1992, no colossal Reading Festival. Imagens desse marcante show do trio de Seattle, em particular, circula em vídeos e DVDs desde os anos 90.
O que faz do show do Nirvana no Reading Festival de 1992 um acontecimento especial é o seguinte… Quando o grunge (e todo o novo rock americano no geral) estava começando a estourar na Inglaterra, o Nirvana apareceu para tocar no Reading de 1991, em apresentação que eu tive a felicidade de assistir (thank you, Lord!). Tocaram de dia, sol na cara, para umas 2 mil pessoas, escalados ali no começo da lista de atrações. Isso aconteceu umas DUAS SEMANAS ANTES de o álbum “Nevermind” ser lançado e mudar a história de tudo na música. A medida do que aconteceu no rock se daria um ano depois, no Reading de 1992, quando o Nirvana era a maior atração do festival e arrastou umas 120 mil pessoas para frente do palco principal, o não-confirmado maior público do gigantesco evento inglês ever.
Se você já viu o famoso DVD “Live! Tonight! Sold Out!”, documentário lançado nos anos 90 sobre as apresentações do Nirvana, um que tem o João Gordo se esgoelando na missão de mestre-de-cerimônias do show do Morumbi em 1993, deve se lembrar desta cena: Kurt Cobain entrando no palco de cadeira de rodas, empurrado pelo famoso jornalista britânico Everett True (do extinto semanário “Melody Maker” e então “descobridor” mundial da revolução grunge). Cobain, de peruca branca e todo curvado, fazia uma zoeira com o boato que se espalhou à época de que estaria com problemas mentais. No Reading de 1992, Cobain anunciou que sua filha, Frances Bean, havia acabado de nascer. E ainda fez a platéia entoar um espetacular coro “Courtney, we love you”.
O Youtube guarda muitas imagens do show do Nirvana no Reading 92. Veja a banda em performance do megahiperextramacro hit “Smells Like Teen Spirit”, não sem antes meio que zoar o hino de FMs “More Than a Feeling”, dos farofeiros do hard rock setentista Boston (detalhe: eu gosto bastante de “More Than a Feeling”).
Óbvio que, seu eu encontrar o DVD “Life Takes no Prisoners” vou comprar dois e sortear um aqui no blog.
* O NIRVANA, O GRUNGE, A P*ORRA DA HISTÓRIA TODA - Está começando a chegar nas livrarias americanas o livro “The Grunge Is Dead – The Oral History of Seattle Rock Music”, dizem, o mais completo retrato da última grande revolução do rock. São mais de 130 entrevistas com “gente que esteve lá”, para remontar a história toda do movimento de rock sujinho e cheio de “sub-movimentos” que nasceu nos anos 60, veio vindo, veio vindo, e se transformou em um dos maiores e mais improváveis experimentos de marketing incidental da música. Segundo descrição, entre outras coisas, o livro traz a primeira entrevista de Eddie Vedder falando de Pearl Jam, a mãe do Layne Staley (Alice in Chains) comentando sobre o vício nas drogas e a consequente morte do filho. E, claro, muitos causos sobre o Nirvana.
* PROMOÇÃO POPLOAD/CONVERSE: GANHE O ALL STAR DO KURT COBAIN – Já que estamos falando tanto em Nirvana… Segue a promo do incrível All Star do Kurt Cobain. A extrafamosa marca jovem americana de tênis Converse, aliada à nova revista “Vice”, presenteou a Popload com dois pares do Converse preto do Kurt Cobain lindão. Um é meu, ÓBVIO. O outro vai a sorteio aqui, é só concorrer e, se ganhar, escolher a numeração: tem dos números 34 a 42. Vai lá. Aqui nos comentários (deixe seu email certinho) ou no email lucio_ribeiro@ig.com.br. Importante: o tênis já vem sujinho, tipo quando o Cobain não o tirava do pé. Olha só.
Atenção: existe três modelos de tênis da Converse dedicados ao Kurt Cobain. O ganhador vai faturar um dos modelos disponíveis à época do sorteio
* LISSY TRULLIE E SEU SINCERO “OH, BOY!”- Já bastante destacada neste blog, a babe Lissy Trullie, destaque indie do ano lá de Nova York (tem meninas em São Paulo que já usam o “cabelo Lissy Trullie!!!!”), lançou vídeo novo. É da deliciosa música “Boy Boy”, seu mais recente single, tirado do EP “Self-Taught Learner”, que sai semana que vem na França e Inglaterra. Lissy Trullie, modelo, DJ e ainda por cima guitarrista, está mais para a “nova Chrissie Hynde” do que para a “nova Karen O”. O show dela visto por este blog no South by Southwest deste ano foi uma belezura. Qualquer hora eu boto um vídeo aqui, talvez dela desempenhando “Ready for the Floor”, do Hot Chip. Repare no vídeo de “Boy Boy”. Ela dorme com a camiseta “I Hate the Whole Thing”. Fofa. E, para completar, a Chloe Sevigny aparece.
* SEGURA OS MENINOS: GORKY + BOSS IN DRAMA NA EUROPA - Curitiba indie está bombando. Enquanto não acaba de fazer o segundo disco do Bonde do Rolê, o DJ Gorky acompanha o inquieto disco-freak Boss in Drama (não é mais Bo$$, com cifrões, por causa da crise) por um giro alemão que começa nesta terça-feira e é assim:
12.5. Nürnberg – MUZ Club
13.5. Hamburg – U&G (Turmzimmer)
14.5. Berlin – Dot Club
17.5. Munich – Orangehouse
18.5. Cologne – Gebäude 9
19.5. Münster – Amp
20.5. Hannover – Cafe Glocksee
21.5. Bremen – Lagerhaus
23.5. Berlin – TBA
* CAPA DO DEAD WEATHER - Foi divulgada a capa do primeiro disco da “superbanda” Dead Weather, montada em uma combinação White Stripes, The Kills, Raconteurs e Queens of the Stone Age. Parece que mr. Jack White escolheu de modelo a louquinha Alisson Mosshart, a VV, para estampar sua imagem no primeiro disco do grupo. O CD, “Horehound”, vai ser lançado no meio de julho.
* O-A-S-I-S – O Oasis encerra nesta terça (12) sua já maior turnê brasileira feita até esta data. A banda comandada pelos invocados irmãos Gallagher já passou por Rio, São Paulo e Curitiba, no último fim de semana.
O grupo chegou à capital gaúcha no início da tarde de ontem e passou praticamente o dia inteiro no bar do hotel Sheraton (à exceção de Noel, que tá meio fora de sintonia).
Vestindo uma camisa da seleção brasileira, o casca grossa Liam atendeu os fãs diversas vezes, deu cigarros para alguns e, certa hora, já um pouquinho “alto”, se jogou em cima da galera.
Liam, em um dos diversos momentos que saiu para atender os fãs no hotel em Porto Alegre
O show desta terça será no estádio Gigantinho, que deverá receber cerca de 12 mil pessoas, o mesmo público que acompanhou a banda em Curitiba, no domingo.
Bem-humorado e solícito (sério), o Liam chegou até a dizer que o Oasis hoje não é a melhor banda do mundo. “Falta um pouquinho. Quando eu e o cara estamos batendo de frente, a coisa não anda do jeito que a gente quer.”
O “cara”, lógico, é Noel, que não quer que o Liam nem pegue carona na mesma van quando eles vão para os shows. “Estou me divertindo. Eu fico no meu canto e ele no dele, trancado no quarto fazendo não sei o que. Deve ser crise de meia idade isso aí”, disse o caçula.
Depois do calor do Rio, da chuva em SP e do frio em Curitiba, Porto Alegre hoje amanheceu assim para o show dos Gallagher:
Em Curitiba, domingo, o show foi o melhor até agora, tecnicamente falando. Banda bem disposta, som alto e cristalino e especialmente um Liam alto-astral e comunicativo. O Noel, que tem dado pouco as caras, até que foi simpático ao seu modo nos shows. Mas, para se ter idéia de como a banda anda se divertindo e o Noel não, todos eles ficaram no camarim da Expotrade até tipo 3h da manhã, bebendo, comendo, cantando, tal. Todos, menos o Noel, que foi pro hotel assim que saiu do palco.
* Pronto: metade do post já foi. O resto vem já, já. Popload goes porn, não perde essa.
* Eu já falei aqui que o Nirvana foi o “meu Beatles”? Pois então. Nem é na comparação das músicas. Well, whatever, nevermind. O negócio é que, para lembrar os 15 anos da morte do gênio loser da geração 90, Kurt Cobain, que estourou os miolos em Seattle em 5 de abril de 1994, no fim do post vai ter uma certa homenagem pessoal ao Nirvana, numa espécie de intersecção da minha vida com a do Cobain: (1) um áudio exclusivo da polícia de Seattle falando do “corpo” encontrado na casa de Kurt Cobain, talvez do próprio, em apuração minha para o jornal “Notícias Populares”, um dos primeiros veículos no Brasil a saber do “assassinato-depois-suicídio” do guitarrista do Nirvana; (2) foto do incrível show do grupo em 1991, no famoooooso Reading Festival daquele ano, “the year that punk broke”, tipo duas semanas antes do lançamento do Nevermind e da consequente mudança de rumo da história da música; e (3) fotos também do “guia Nirvana de Seattle”, o chamado Nirvanapalooza, que eu fiz em 2007 depois de uma viagem à terra do grunge, mostrando os lugares tipo a casa onde o guitarrista viveu seus últimos dias e morreu, seu “túmulo”, o bar onde rolaria o primeiro show em Seattle se tivesse aparecido alguém para ver. O clube onde a SubPop fez a festa de lançamento do “Nevermind”, o bar onde “Smells Like Teen Spirit” foi mostrada pela primeira vez ao vivo etc. e tal.
* Chega às bancas nos próximos dias a edição brasileira da revista “Rolling Stone” com DUAS capas com Kurt Cobain, por ocasião do aniversário de 15 anos de sua morte. Uma capa “edição de colecionador”, com foto P&B. Outra “normal”, com chamadas. A tiragem é meio-a-meio para as capas. Dentro, o material de texto da revista traz originais da “RS” americana com a última entrevista do líder do Nirvana e outro escrito sobre os últimos dias de Cobain em vida.
Capa da “RS” americana na edição da morte do Cobain. A capa da “RS” brasileira é diferente dessa, mas a imagem é do mesmo ensaio do famoso fotógrafo texano Mark Seliger
* No próximo sábado, dia 4, o clube paulistano Outs dedica sua bombada noite para um “Tributo ao Nirvana”, com show da banda Delinquents 90, com participações de várias figuras indie cantando músicas do Nirvana, além de discotecagens especiais em homenagem à banda de Cobain/Grohl/Novoselic.
* MISSA PARA O KURT. EM MINAS GERAIS… – Em Formiga, Minas Gerais, em uma certa igreja da cidade, dois rapazes que eu conheço costumam rezar missas para lembrar o Cobain. Em missa católica, pelo menos no interior e até onde eu sei, você vai lá e paga 1 real para o padre rezar a missa em intenção da pessoa. Aí, logo no começo, o padre costuma falar “Essa missa é em memória de fulano, sicrana…”. E, no meio dos nomes que o padre fala, lá em Formiga, costuma ter um “Kurt Donald Cobain”. Eles dizem que vão rezar uma pelo aniversário de 15 anos da morte do Cobain. Como rezaram uma em 2004, nos dez anos. Acha que não? Eles mostram a prova. E, MELHOR: eles mostram o padre FALANDO. Genial.
* O áudio da missa de 2004. Sério, estou emocionado até…
* O CHILE E A CACHORRADA SOLTA – A história do post passado, em que nas ruas de Santiago tem quase tanto cachorro solto nas ruas do que cidadãos andando para lá e para cá na cidade, rendeu bastante. Fábio Carbone, paulistano que também foi a Santiago ver o Radiohead, também notou a cachorrada e fez fotos. Inclusive a de um cachorro solto no… SHOW DO RADIOHEAD. Vê isso, peloamordedeus.
Não dá para ver, mas este cachorro está chorando porque está tocando “Creep”. Até deu as costas para o palco…
Esta foto é do brother Bruno Granato, outro que foi ao Chile ver Radiohead/Blondie/Sonic Youth. Na imagem, cão que chegou cedo para ver o Radiohead. Mas deixou claro para a dona, a mina de azul, que quer ver o show sozinho
* O RADIOHEAD E O SHOW DE SÃO PAULO - Você aguenta maaaaaaais Radiohead neste blog? A última (de hoje), prometo. O “reservado” Thom Yorke, na folga, foi fazer uma visita à cidade de Valparaíso, cidade litorânea colorida na costa do Pacífico, onde o poeta Pablo Neruda tinha uma casa etc. Abordado por um brasileiro (claro…) na rua, Thom Yorke se viu diante da pergunta “Nos shows da América do Sul, qual o momento que você achou mais importante?”. Yorke respondeu: “A hora em que o público cantou ‘Paranoid Android’ em São Paulo”.
* Menti. Aquela não era a “última do Radiohead”. A derradeira vez que eu falo do Radiohead aqui por algum tempo é esta: agora no dia 1º de abril (não é mentira) saíram luxuosas “edições de colecionador” dos primeiros discos da banda inglesa. Tem a do “Pablo Honey”, do “The Bends” e do “OK Computer”. Todas com o álbum em si mais raridades, demos, radio sessions, ao vivo e o escambau. Tem essas “Collector’s Edition” com DVD, em tiragem limitada. No Japão, parece, saiu o “In Rainbows” com um DVD com as famosas “From the Basement”, conhecidas gravações ao vivo no estúdio aqui organizadas de modo bonito.
* Menti de novo. E esta sim, prometo, é a última do Radiohead por ora. No Chile eles fizeram dois shows. Vi o lindo segundo, o da sexta. E o primeiro, do dia anterior, foi tumultuado. Problemas técnicos deixaram o Thom York furioso. Ele parava de cantar e cruzava os braços durante algumas canções (”All I Need” foi terrível), abandonou a banda no palco. Voltava, ficava puto e saía de novo, essas coisas. Aqui tem uma amostra do chilique do Yorke, banda esperando o cara voltar ao palco, regendo a platéia no grito chamativo “Olê, olê, olêêêê, Thom Yooooooorke, Thom Yooooooooorke”. Veja o piti. E, de quebra, a performance de “Nude”, inteira.
* MAIS SONIC YOUTH: “100%” AO VIVO EM SANTIAGO - Já que voltei a falar do Chile, Radiohead e tal, toma mais um vídeo da espetacular apresentação “das antigas” do amado grupo nova-iorquino Sonic Youth, domingo passado. Começa com o Thurston Moore fazendo umas coisinhas com a guitarra…
* “VICE” BRASILEIRA SAI EM MAIO - O primeiro número da “Vice” brasileira, esperada edição nacional da talvez mais cool (e mais louca) revista jovem do planeta, mensal e gratuita, sai agora em maio. Parece que em maio, lá fora, vai ter uma edição “Brazil” da “Vice”, como parte da “política de estréia” da revista em um país.
* Para quem não conhece, a “Vice” é uma espécie de irmã malvada e nervosa da “nossa” revista “Trip”, com muito mais música esperta em suas páginas, em textos escritos por galera que manja bem. Vamos ver se a edição brasileira segue essa linha, hummm, ortodoxa de fazer revista boa.
A foto acima ilustra a reportagem “O Que Está Acontecendo com o País de Gales?”, importante investigação sobre o estado atual do pé na jaca dos galeses, com “complicados” resultados depois das madrugadas etílicas. Esse é o tipo de matéria que sai na “Vice”.
* Quem vai ser o editor-chefe da “Vice” brasileira é o Ademir Correa, ex-editor da “Rolling Stone” daqui, que deixa seu posto para o chapa Paulo Terron, do blog With Lasers, meu “vizinho” de iG. Dança das cadeiras no indie brazuca.
* KOOKS NO BRASIL - Acho eles legais, apesar dos cabelos de ursinho. Molecada boa, com banda feita por causa do David Bowie. O Kooks traz seu brit pop (atenção, é separado mesmo) ao Brasil em junho, parte de uma turnê sul-americana nada indie. Bastante dinheiro envolvido. Na Argentina é dia 10/6. Em São Paulo, por volta do dia 15.
* ENQUETE: O MAIOR SHOW INTERNACIONAL NO BRASIL EM TODOS OS TEMPOS (E UM CERTO PRÊMIO) – Continua a apuração da enquete mais famosa deste blog, feita de tempos em tempos, mas que agora parece completa, porque o Radiohead passou finalmente por aqui.
Uma parcial do que está dando, surpresa!!!!!!, é isto aqui:
- Radiohead liderando com quase o triplo de votos do segundo colocado
- Madonna e Pixies disputando o segundo lugar voto a voto; os fãs da Madonna votaram em bloco, levantando suspeitas de fraude no comitê apurador Popload
- mais atrás, boa disputa num bloco com: Franz Ferdinand, U2, Killers, Arcade Fire e Pearl Jam
- Sonic Youth e Foals fechando o top 10
Continue votando nos comentários ou no email lucio_ribeiro@ig.com.br. Quem mandar seu show predileto corre o risco de ganhar, no sorteio:
* UM ingresso para o show do Oasis em São Paulo, em maio, no “gostoso” Anhembi.
* A NOKIA E O CELULAR INDIE - Popload multimídia. O famoso serviço Nokia Comes With Music, lançado no ano passado em Londres com a presença da Popload (thank-you-very-much), chega ao Brasil em maio. Quem adquirir o celular último-tipo Nokia 5800 Express Music com tela de toque, segundo anuncia a mais poderosa empresa de celular do planeta, poderá baixar no celular ou no PC, por um ano inteiro, gratuitamente e sem limites, todo o acervo das quatro grandes gravadoras (Warner, EMI, Universal e Sony), fora as músicas de todos os artitas de cerca de 150 selos independentes brasileiros e mais de mil internacionais.
O “modelo de negócio” Nokia Comes With Music é uma tentativa da empresa finandesa de barrar o imbarrável poderio da Apple, seu iPhone, seu iTunes.
Vou repetir o que eu disse aqui quando a Popload cobriu o lançamento do Comes With Music em Londres, em outubro: “A maior empresa de celulares do mundo proporcionando a seus clientes baixarem quantas músicas quiserem das bandas que quiserem. E de graça. Não é bem assim, mas é mesmo assim. A Nokia festejou acordo incrível com as principais gravadoras do planeta, mais um monte de selos independentes, para disponibilizar por UM ANO aos clientes da empresa o download de qualquer canção de seus elencos. Para tal, a pessoa precisa comprar o celular específico da companhia nórdica, que sairá custando 218 libras (279 euros, 377 dólares, 818 reais sem os impostos). Quando o prazo de fidelidade acabar, em 12 meses, o dono do Nokia 5310 Express Music pode manter no computador ou no celular todas as músicas baixadas, para sempre. Com o ano completado, se o usuário do aparelho Nokia quiser manter-se como cliente da empresa, terá de pagar pelos novos downloads a partir da data. Mas as músicas já baixadas permanecem dele.
A Popload tentou à época respostas para as perguntas ‘Eu, enquanto cliente da Nokia, posso passar minhas músicas baixadas gratuitamente para um amigo que não tem celular nem usa serviço da empresa, via celular mesmo ou pelo computador? Posso queimar um CD virgem com essas músicas?’ Depois de muito custo, chegou uma resposta do tipo ‘Não pode. Haverá uma proteção para o uso exclusivo do cliente Nokia’. Mas deu para perceber que eles sabem bem o que acontece hoje em dia com ‘proteções’ e exclusividade’ assim que o produto aparece no mercado.”
* Pareeeeeeeeece que a Nokia no Brasil, para bombar seu lançamento e seu serviço de música, vai fazer uma história com “shows indies no Brasil”. Foi o que me falaram.
* DO SXSW PARA O GLÓRIA – Neste sábado todos os caminhos indies levam para o clube Glória (Bela Vista), se você estiver em São Paulo. A segunda edição da descolada festa IM//A\\PARTY (na primeira teve a francesa Yelle) traz o australiano Miami Horror, acompanhado da dupla conterrânea Bag Raiders. Rock de guitarras my ass. Miami Horror é um produtor dance de 22 anos, de Melbourne. Era um dos “tem que ver” no último South by Southwest, maior festival de música nova do planeta, que acontece em Austin, Texas. Já o Bag Raiders, da mesma linha synth-disco, se apresenta pela segunda vez no Brasil. Veio num evento do site Rraurl, no Vegas, no ano passado. Completa o line-up da festa o performer Bo$$ in Drama, o DJ Pomada e os produtores da festa, o WE//R\\DJS. Corrão!
* TRIBUTO A COBAIN: ÁUDIO EXCLUSIVO DA POLÍCIA DE SEATTLE ANUNCIA PROVÁVEL MORTE DE COBAIN – Texto da Popload de 2001, ainda na Folha Online na seção Pensata.
“História que eu já contei aqui algumas vezes, em abril de 1994 trabalhava na redação do ‘Notícias Populares’, chefiada pelos conhecidos Álvaro Pereira Jr e Paulo Cesar Martin (ambos do programa de rádio ‘Garagem’, hoje), também adoradores do Nirvana. Quando o Álvaro ligou para dizer que tinha uma conversa circulando sobre um suposto ‘assassinato’ de Kurt Cobain, ficamos malucos. Fui atrás do caso e cheguei à seguinte mensagem na secretaria eletrônica da polícia de Seattle.
Na gravação, uma voz feminina da polícia de Seattle conta que um sujeito telefonou para lá dizendo ter visto, na residência de Cobain, um homem com as características físicas de Kurt Cobain e que este havia sido ferido com um tiro na cabeça e estava desfalecido no chão de um dos aposentos na casa. E que a polícia estava investigando.”
* TRIBUTO A COBAIN: “COBAIN ME VENDEU UMA CAMISETA DO NIRVANA”, POR ÁLVARO PEREIRA JÚNIOR - Esta história é bem famosa entre os chegados. E além, até. O jornalista e amigo APJ, editor-chefe do “Fantástico”, colunista do “Folhateen” e testemunha ocular do levante do rock americano do rock do final dos 80/começo dos 90, conta à Popload sobre o dia em que Kurt Cobain o vendeu uma camiseta do Nirvana à beira do palco, logo após um certo show pequeno da banda em 1990. Show que nem gostou tanto assim, segundo ele. Mas a camiseta era legal.
“”Boa noite, bem-vindos ao Man Ray. Meu nome é Dwayne Bruce, da rádio WFNX. Por favor, deem as boas-vindas a esses sodomitas, viciados em crack, adoradores de Satã, filhos da puta do cacete da gravadora Sub Pop… NIRVANA!’
O dia é 18 de abril de 1990. O clube é o Man Ray, na cidade em que eu morava, Cambridge, região de Boston. Eu e meu amigo Jim Erickson, hoje um respeitado repórter especializado em astronomia, estávamos lá para ver qual era a do Nirvana.
Eu não sabia quase nada sobre a banda. Só conhecia ‘School’, que o Dwayne Bruce tocava no seu programa de domingo à noite na WFNX. E tinha recebido dicas de alguns amigos do Brasil, que escutaram o primeiro álbum, ‘Bleach’, e adoraram.
Já o Jim… Não era exatamente fã de rock alternativo. Tinha ido de alegre a alguns shows comigo, viu que eram lotados de mulher e começou a frequentar.
Era a turnê do album ‘Bleach’, ainda com Chad Channing na bateria. Duas faixas de ‘Nevermind’, que sairia só no ano seguinte, já faziam parte do setlist: ‘Breed’ e ‘In Bloom’.
Eu poderia dar uma de profeta e dizer que, ali no Man Ray, percebi que o futuro do rock estava a minha frente. Mas não foi assim. Nem gostei muito do show. Achei hard rock e Led Zeppelin demais, queria algo mais punk. Mesmo assim, algumas coisas eram óbvias. As principais: a energia monstruosa da banda no palco e a cartarse que provocava na plateia.
Mergulhado na vibe da loucura, cheguei perto do palco, depois do show, para comprar uma camiseta da Nirvana. Fui atendido pelo próprio Cobain, tão ‘cansado’ que não conseguia nem falar o preço da camiseta. Ele só mostrava as mãos espalmadas, indo e voltando: dez dólares. Comprei.
A estampa era uma paródia da capa de ‘Two Virgins’, de John Lennon. Sobre as fotos de Lennon e Yoko pelados, aplicaram as carinhas de Cobain e Novoselic.
A história teria terminado aí, se ‘Nevermind’ não tivesse vindo, se o Nirvana não tivesse se tornado maior do que a vida, se o muro entre ‘alternativo’ e ‘mainstream’ não tivesse sido definitivamente dinamitado.
Aí contei o lance da camiseta para amigos, contei na ‘Folha’, na ‘Bizz’, no ‘Fantástico’, na ‘Folha’ de novo…
O caso entrou para a história (para a minha história, pelo menos). E o melhor é que é verdade.
Se você se interessar, há mais detalhes desta apresentação do Man Ray e de TODOS os outros shows da vida do Nirvana aqui.”
* TRIBUTO A COBAIN: POPLOAD NO READING FESTIVAL 1991 – Texto da Popload de 2004, também ainda na Folha Online, por conta do aniversário de 10 anos da morte de Cobain:
“Naquele 23 de agosto de 1991, todas as luzes pop iluminavam a cidadezinha de Reading, leste de Londres, onde centenas de bandas de rock disputam anualmente a atenção de público, imprensa e gravadoras naquele que é considerado o principal festival de música pop do mundo.
O primeiro dos três dias de evento teve atrações como Iggy Pop, Sonic Youth e Pop Will Eat Itself, mas o aviso foi dado: ‘Chegue cedo para ver esse Nirvana’.
Para mim, não precisou falar duas vezes. Morava no Reino Unido na época e já ouvia sem parar o primeiro disco do grupo, ‘Bleach’ (1989), graças a uma fita cassete de um amigo.
Junte-se a isso a curiosidade sobre ‘Nevermind’, que chegaria às lojas em um mês, e pronto: lá estava eu cedinho para ver o Nirvana.
Da hora em que Cobain ligou seu instrumento até o pulo descabido de guitarra e tudo sobre a bateria, no final, deu cravados 32 minutos. Durante esse tempo, quatro ‘músicas novas’: ‘Drain You’, ‘Smells Like Teen Spirit’ (o que foi aquilo?), ‘Come As You Are’ e ‘Breed’.
Em meio a isso, Grohl tirando de gozação, na bateria, o começo de ‘Sunday Bloody Sunday’ (hino do U2); Cobain ’surfando’ na platéia em pleno solo de guitarra; cantando ‘The End’, dos Doors, com voz fúnebre, para anunciar a chegada da última música do show; Novoselic arremessando de longe seu baixo em Grohl.
O show acabou. A estática platéia viu Cobain, já sozinho no palco, levantar em meio ao que sobrou da bateria. Como se nada tivesse acontecido na última meia-hora, ele se abaixou para pegar uma garrafa de cerveja do chão e saiu andando.
Por mais imprevisível que fosse o estouro da banda, era difícil não acreditar que o rock depois daqueles 32 minutos seria diferente.”
A banda Nirvana se apresenta no Reading Festival inglês, em 1991; Kurt canta, os cabelos de
Novoselic, com camiseta do Dinosaur Jr., balançam ao vento; e um punk moicano, convidado
para dançar no palco durante o show, dá as costas ao público; Dave Grohl está sumidoatrás da bateria. Daria tudo para lembrar qual canção era tocada nessa hora
Foto: Lúcio Ribeiro (Hein?!)
* Indo além na lembrança desse Reading 1991, faltou dizer que parte do line-up do palco principal naquele primeiro dia, o da sexta, tinha Iggy Pop fechando, Sonic Youth, Dinosaur Jr (consegue ver o rock americano abalando?), Nirvana e as Babies in Toyland. O Nirvana, algumas semanas antes de lançar o “Nevermind”, tocou durante a luz do dia, para umas 2 mil pessoas. No ano seguinte, meses depois de lançar o tal CD, sozinho arrastou 120 mil pessoas para o Reading 1992. Isso dá mais ou menos a medida do que foi e quão rápido foi o “fenômeno Nirvana”. Simples assim.
* Lembro que na semana pós-show do Nirvana no Reading 1991 já tinha fita cassete da apresentação completa à venda em Camden Town, coisa bastante comum na época. Ouvindo a fita depois, na hora em que o Nirvana tocou a “nova” “Smells Like Teen Spirit” para os ingleses, na introdução da música o Kurt falou uns dois minutos de coisas que não davam para entender, de tão “loaded’ que ele estava. Reclamou do preço do ingresso do festival, chiou com algumas outras coisas e começou “Teen Spirit” de modo abrupto, a 200 km por hora.
* TRIBUTO AO NIRVANA: A NIRVANAPALOOZA – Em 2007 fui a Seattle pagar uma dívida pessoal com minha história. Finalmente consegui conhecer a cidade que projetou o Nirvana para o mundo, visitei a Sub Pop, os bares onde Cobain e turma percorreram na pindaíba de banda iniciante antes de explodir, rondei a casa onde Kurt se matou. Enfim, fiz uma pequena Nirvanapalooza. O especial, publicado na Popload e na “Folha de S.Paulo”, cai bem aqui, em republicação, nestes 15 anos sem Kurt.
Em 2007, a reportagem tinha esta cara:
ESPECIAL: A NIRVANA TOUR EM SEATTLE - Em meio a esse revival involuntário de Nirvana que ocorre de tempos e tempos e agora vem em forma do documentário “About a Son”, da cisma dos seriados de TV, do filme do Clive Owen e da Popload em Seattle (hehe), seguimos os passos da trajetória da banda na cidade do grunge, do bar em que iriam tocar pela primeira vez mas ninguém apareceu até a casa onde Kurt Cobain botou fim a tudo, com um tiro de espingarda na cabeça. Vem aí para o Nirvanapalooza. Agradecimentos ao “Washington Post”, que forneceu os endereços certinhos e o “como chegar”.
1. A casa de Kurt Cobain (171 Lake Washington Boulevard E) Esta é a casa onde Cobain se matou, na estufa da casa (greenhouse), quando resolveu acabar com sua agonia existencial estourando os miolos com uma espingarda. O suicídio aconteceu em abril de 1994, apenas três meses depois de o líder do Nirvana se mudar com Courtney Love e a filha para o casarão de três andares na região de Madrona e virar vizinho do dono da Starbucks e de Peter Buck, guitarrista do REM. A greenhouse foi derrubada depois, por Courtney Love. O corpo de Cobain foi encontrado três dias depois do tiro, por um eletricista
2. Viretta Park, o “túmulo” de Cobain (também na Lake Washington, ao lado da casa) O parque vizinho à casa de Cobain é mais ou menos o cemitério onde “está” o líder do Nirvana. Ele foi cremado e parte de suas cinzas foram jogadas no Viretta Park. Dois bancos do parque guardam em grafite e caneta as mensagens dos fãs, em várias línguas. No sábado passado, em um dos bancos, tinha um colar preso ao banco e um bilhete para Kurt, deixado por um francês. Comecei a ler, mas achei mancada (não era para mim) e devolvi no lugar onde estava.
3. Sub Pop Records, o endereço antigo (1932 First Avenue) Aqui foi o endereço da grande fase da Sub Pop na articulação da explosão do grunge, no final dos anos 80. O contrato do Nirvana para o album “Bleach” foi assinado aqui. A Sub Pop atualmente tem seus escritórios no 2013 da Fourth Ave.
4. OK Hotel Cafe (212 Alaskan Way S.) Aqui neste hotel à beira da baía, embaixo de um viaduto tipo o Minhocão, de SP, funcionava também no anexo um clube onde “Smells Like Teen Spirit” foi mostrada ao vivo pela primeira vez, em abril de 1991. Parece que um terremoto danificou a estrutura do clube e ele teve que ser fechado, só funcionando agora o hotel.
5. The Central Tavern (207 First Avenue.) Reza a lenda que este lugar ia ter o primeiro show do Nirvana em Seattle, em 17 de abril de 1988. Mas ninguém apareceu no bar, nem os três bêbados largaram o balcão para ir prestigiar a banda na hora do show. Então o Nirvana nem tocou. Alguns meses depois o grupo voltaria à Central Tavern e faria um showcase para executivos da Sub Pop, que renderia o famoso contrato com a gravadora.
6. The Vogue (2018 First Avenue) O Vogue mudou de endereço. Hoje no lugar original funciona uma loja de roupas com cabeleireiro (?!), chamada Vain. Uma semana depois de não tocar no Central Tavern, o Nirvana finalmente faz seu primeiro show em Seattle, agora com gente na platéia. O estacionamento que ficava ao lado do Vogue (hoje na 1516 11th Ave.) ficou famoso porque, conta a história, Kurt Cobain estava tão nervoso com o show que saiu dele direto para vomitar escondido entre os carros.
7. Moore Theater (1932 Second Avenue) O primeiro “grande” show do Nirvana, no entanto, aconteceu no Moore em junho de 1989, quando a banda abriu para Mudhoney e Tad, já heróis locais. Um ano depois, voltou ao Moore para abrir para o Sonic Youth. Logo depois ficou tão gigante que não iria ser mais possível para o Nirvana ter a honra de tocar no Moore fechando uma noite.
8. Crocodile Café (2200 Second Avenue) O mais charmoso clube indie de Seattle foi inaugurado no bairro de Belltown no meio (e por causa) da revolução grunge, em 1991, cerca de cinco meses antes de o álbum “Nevermind” ser lançado. Captou todo o buxixo em torno do Nirvana, embora a banda só tenha tocado lá uma vez, de surpresa, em 1992, já quando era a maior banda de rock do mundo. [O clube chegou a fechar suas portas em dezembro de 2007, mas foi reaberto agora em 2009]
9. Re-bar (1114 Howell St.) Casa de Cabaré que foi lugar da famosa festa de lançamento do “Nevermind”, em setembro de 1991. O Nirvana e sua turma de amigos tumultuaram o ambiente, armando uma guerra de bebida e, depois, de comida. Foram expulsos do lugar pelos donos do Re-bar, que, segundo a lenda, amaldiçoaram o tal disco novo. Não demorou muito daquele dia, o álbum iria bater nas 10 milhões de unidades vendidas.
10. Experience Music Project (325 Fifth Avenue, “embaixo” do Space Needle) O maior museu de rock do mundo, com uma parte dedicada ao grunge. Ali tem uma das guitarras de Cobain, xerox do contrato do Nirvana com a Sub Pop, o pôster original do show do Nirvana com Tad e Mudhoney no Moore, a folha onde ele escreveu a letra de “Downer” e outras nirvanices.
11. International Fountain (Seattle Center, também “embaixo” do Space Needle) Ali perto do museu do rock está o parque da International Fountain, área onde 5 mil pessoas se reuniram para “velarem” Kurt Cobain, assim que souberam de sua morte. Na área ao lado da fonte, dois dias depois da descoberta do corpo (8 de abril de 1994), foi veiculada em público uma gravação de Courtney Love lendo (e comentando) o bilhete suicida do marido, para milhares de fãs em vigília. Na fita, ela chama Kurt Cobain de “asshole” e “fucker”. Love acaba dizendo para os fãs não ouvirem as famosas palavras finais de Cobain, que estavam no bilhete: “It is better to burn out than to fade away”, inspirada em letra de Neil Young.
* Ou “Os melhores shows da sua (e da minha) vida”.
* Resolvi ir de post novo, Brasil! A história do melhor show internacional da história aqui no país merece espaço especial e exclusivo. Mas, antes…
* OFFSPRING CONFIRMA PLANETA TERRA (MAS A BOA NOTÍCIA É OUTRA) - Nesta quarta-feira à noite, a banda americana Offspring disse “sim” sobre sua escalação no próximo festival Planeta Terra, que acontece no dia 8 de novembro, na Vila dos Galpões, em São Paulo. Eu achava que era a organização do Terra que estava com a decisão, mas a confirmação veio, mesmo, da banda. Embora já tenha “passado” de ser uma atração superimportante, o grupo punk californiano tem sua relevância no rock e faz um show divertido. Mas o fato é que seu ingresso no line-up do PT, obviamente no Main Stage, pode prestar um bom serviço para o Indie Stage, o palco dois. É que com a entrada do Offspring no palcão pode empurrar a ótima banda inglesa Bloc Party para um show mais, hum, intimista no palco indie. O palco principal deve ser composto por Jesus & Mary Chain, Offspring, Kaiser Chiefs, Mallu Magalhães, Curumin e outros. O palco indie deve ter, assim, Breeders, Bloc Party, Animal Collective, Spoon, Foals, aparentemente. Vamos aguardar. Mas esse palco indie está ficando de dar inveja ao… ao… Reading Festival.
* VAI DAR PARA VER TODOS OS SHOWS DO PT - A escalação dos palcos do Planeta Terra, a Popload foi informada pelo “Big Eye”, está sendo elaborada para que todos os shows, seja no Main Stage ou no Indie Stage, possam ser vistos sem encavalamento de atrações. Pelo menos por meia hora todo mundo poderá assistir a todas as apresentações, é o que promete o festival. Isso é um outro avanço em relação ao evento do ano passado. Quem viu o show do histórico Devo perdeu no palco principal a sensacional performance do Rapture no palco indie. E vice-versa.
* O Big Eye é o “ser” virtual que faz o blog do novo site do festival Planeta Terra. O cara sabe das coisas, por lá.
* BAFO EM BH - Offspring, Maroon 5 e o festival Pop Rock Brasil, que aconteceria em novembro em Belo Horizonte, está cancelado pela Justiça?
* TING TINGS E O AMOR - A música “romântica” da dupla indie dance inglesa Ting Tings, de Manchester, já está nas ondas do rádio e em vídeo (e logo, logo em alguma novela da Globo, hehe). É a fofa “Be the One”, que está no delicioso primeiro álbum da banda, “We Started Nothing”. É a quarta música do CD de estréia a virar single, fato nobre nestes tempos. O vídeo de “Be the One” veio à tona nesta semana, enquanto o single só tomará os caminhos das lojas no meio de outubro. Como toda música do Ting Tings, ela começa num ritmo maneiro e vai acelerando, acelerando. What you gonna offer now, Ting Tings?
* MALLU MAGALHÃES ENTREVISTADA POR… MALLU MAGALHÃES - Você não entende o hype da menina que começou o ano tocando no Milo Garage e hoje está no palco principal do festival Planeta Terra? Não compreende como ela em poucos meses foi vista por milhões na internet, apareceu na Globo, já teve música tocada em campanha nacional de TV, foi vinheta da MTV, gravou com produtor internacional, cortejada por astro do rock brasileiro e o escambau? Então a Mallu, conversando com a Mallu, vai te explicar tu-do. Não perca a parte da comida preferida dela.
* O SHOW GRINGO MAIS INCRÍVEL QUE O BRASIL JÁ VIU – Depois dessa história de show espetacular do Hives em São Paulo (que eu perdi), comparando ao do Franz Ferdinand no Rio (2006), e às portas dos grandes festivais brasileiros cheeeeeios de atrações bacanas, decidi pensar nos meus shows internacionais inesquecíveis da história, estimular você a dizer os seus e convidar gente bacana (não que você não seja bacana…) para também dar seus depoimentos. Enfim, vou começar com um ranking superpessoal do que eu considero as melhores e mais marcantes apresentações que eu já vi na vida. Óbvio que eu vou esquecer coisa importante. Mas vamos lembrando e corrigindo a rota. Então, ficamos assim. Vou fazer uma lista rápida do que eu lembro de shows marcantes, fazer o meu Top 5 e depois perguntar para você e para uns outros bons sobre seus eleitos. Não exatamente nessa ordem…
* Echo & The Bunnymen em 1987/ Ramones, Olympia, SP, 1994/ Rolling Stones em Copacabana, 2006/ Guns N’ Roses Rock in Rio 2001/ Depeche Mode, Olympia, SP, 1994/ Nirvana Hollywood Rock 1993/ Beastie Boys, Olympia, SP, 1994/ Stones + Dylan 1998/ New Order no Olympia (SP), em 2001/ Pixies Curitiba Pop Festival 2004/ Weezer, Curitiba Rock Festival 2005/ Michael Jackson, SP, 1993/ Madonna, SP, 1993/ The Cure, SP, 1987/ The Strokes, Tim Festival 2005/ Arcade Fire, Tim em Porto Alegre, 2005/ U2 Popmart tour 1998/ Mallu Magalhães no Milo, 2008 (hehe)/ Chili Peppers, Hollywood Rock 1993/ David Bowie, Parque Antarctica, 1990/ Smashing Pumpkins Hollywood Rock 1996/ Metallica, estádio do Flamengo, RJ, 1999/Police, Maracanãzinho, 1981/ Nick Cave, Projeto SP, 1989/ Sonic Youth Free Jazz 2000/ Cypress Hill, Close Up Planet 1996/ Teenage Fanclub no Sesc Pompéia/ Belle & Sebastian no Tim 2001/ Faith No More Rock in Rio II 1991/ Oasis 1998/ Lou Reed, Palace, 1996/ LCD Soundsystem no Sonar Brasil 2004/ Prodigy no Skol Beats/ Chuck Berry, Free Jazz 1993/ Jesus & Mary Chain, Projeto SP, 1990/ Paul McCartney, Pacaembu, 1994/ Kiss, Pacaembu, SP, 1994/ Morrissey no Olympia, SP, 2000/ Man or Astro-man? em Londrina/ Ozzy no Rock in Rio I, 1985/ Supergrass no Campari Rock 2006/ Flaming Lips, Claro Que É Rock 2005/ Queens of the Stone Age no Rock in Rio 2001/ Neil Young no Rock in Rio 2001/ Pantera, Olympia, SP, 1995/ Cocteau Twins, SP, 1991 (ou 1990?)/ Lemonheads, Santos, 1994/ Pearl Jam na Praça da Apoteose 2005/ Arctic Monkeys no Tim 2007/ Page & Plant, Hollywood Rock 1996/ Franz Ferdinand no Circo Voador 2006/ Asian Dub Foundation, Abril pro Rock 2001, Recife/ Simple Minds, Hollywood Rock 1988/ Green Day no Via Funchal, 1998/ Metallica, Parque Antárctica, 1993/ Mudhoney, SP, 2001/ Atari Teenage Riot no KVA, SP 1999 (?)/ Superchunk, Broadway, 1998 e dezenas de outros…
* ENQUETE POPLOAD-SHOWS DA VIDA - Enquanto eu vou escrevendo os meus, quero saber o seu. Quais são os shows internacionais no Brasil que mais marcaram sua vida? Vou tentar estabelecer um “ranking dos shows inesquecíveis”, vamos ver. Manda bala. Não que precise, mas esta enquete vai ter prêmio, para quem votar nos comentários ou mandar email para lucio_ribeiro@ig.com.br.
***** * MEU TOP 5 - Vamos nessa. Claro que pensando hoje, o que foi diferente ontem, e que amanhã posso achar outra coisa, os shows mais marcantes que eu vi no Brasil foram, pela ordem:
Grohl, Cobain e Novoselic posam no banheiro do Morumbi, momentos antes de o grupo ir para o palco e fazer o histórico show do Hollywood Rock, em janeiro de 1993. Foto: Joe Giron/Corbis
1. Nirvana, Morumbi, 1993, festival Hollywood Rock
Essa mitológica apresentação do Nirvana em São Paulo, em janeiro de 1993 é tida pela banda como a mais desastrosa da carreira do grupo de Kurt Cobain. A crítica musical brasileira malhou. Mas ninguém da platéia estava nem aí para isso. Gente do Nirvana disse à época que foi o maior público para o qual o grupo se apresentou. O show foi uma ZONA, mas o Nirvana tinha acabado de deixar a música pop uma zona, de qualquer modo. Então fazia sentido. A palavra que eu mais gosto de utilizar para definir esse concerto é: CATARSE. Ver o Nirvana, naquele instante, aqui em São Paulo, era como ver os Beatles em San Francisco em 1966. Estar no Morumbi naquela noite parecia ao mesmo tempo que algo novo estava começando na vida de todo mundo, mas que também parecia ser o fim de tudo. Eu, que não sou de chapar em bebida, vi o show completamente atrapalhado, na frente do palco, no meio da muvuca. No outro dia, meu corpo doía. Eu estava inteiro roxo.
Até hoje, 15 anos depois, recebo emails de gringos ingleses e americanos querendo detalhes do dia em que Kurt Cobain subiu ao palco fora de órbita no Morumbi. Imagino que seja o show de rock mais procurado do mundo, talvez porque é o que menos se tem imagens. Já me ofereceram 500 dólares por uma fita que contivesse o show, porque uma vez surgiu o boato de que eu tinha uma cópia. Mas não. Amigos meus já vasculharam os arquivos da Globo e da MTV, mas esse show nunca apareceu. A Globo transmitiu ao vivo o show do Rio, na semana seguinte, então esse tem fácil. Comprei a fita dele em Camden Town, em Londres. Apresentação da Maria Paula. Reportagens de Maurício Kubrusly. Mas o do Morumbi… Teoria da conspiração roqueira total.
Na internet, até um tempo atrás, tinha uns 10 minutos de imagens, apenas. No famoso vídeo/DVD oficial “Live! Tonight! Sold Out!” tem cenas do show no Morumbi. Traz a antológica apresentação da banda no palco, feita pelo João Gordo, que introduziu o trio gritando: “E com vocês, a maior banda underground de todos os tempos. Nirvaaaaaaaaanaaaaaaa”. O show todo foi doido, esquisito, estranho e, talvez por tudo isso, maravilhoso. Kurt Cobain estava fora de si, chapadão, devagar demais. Engatinhou no palco, quebrou tudo, se vestiu de mulher. Quando o Nirvana começou sua performance com “School”, na platéia parecia que o mundo ia acabar. No palco, Kurt Cobain estava com rotação alterada, e Krist Novoselic e Dave Grohl estavam desesperados. O show continuou caótico. “Smells Like Teen Spirit”, com Flea dos Chili Peppers no trompete, quase não saiu. Em certa altura, começaram a tocar Iron Maiden. Depois passaram a zoar. Kurt sentou na bateria, Krist foi para a guitarra, Grohl no baixo e vocal. É histórica a foto que saiu de Kurt na capa da Ilustrada, da “Folha de S.Paulo”, sentado à bateria, com a legenda dizendo “Dave Grohl, baterista do Nirvana”. Enfim, o Nirvana começou a zoar com tudo. Passaram a tocar só covers: Duran Duran, Queen, Clash, “8675309/Jenny”. O show parecia um ensaio numa garagem fuleira de Seattle, não diante do “maior público da banda”.
Seis anos depois da apresentação do Nirvana no Morumbi, cinco anos depois do suicídio de Kurt Cobain, tive oportunidade de entrevistar o gênio Dave Grohl em Miami, na ocasião do lançamento de um disco do Foo Fighters. Quando veio o assunto do show do famooooooooso show do Morumbi, Grohl ficou louco. Desembestou a falar mais do que do próprio disco de sua banda. Dave Grohl disse o seguinte: “Claro que eu me lembro dos shows no Brasil. Em SP, tinha uma loja de presente do hotel onde estávamos que vendia Valium (Maksoud Plaza). Ou algo parecido. No momento de ir para o estádio tocar, fui procurar o Kurt e ele estava lá nessa loja, tomando um comprimido atrás do outro, sei lá quantos. Fiquei horrorizado. Quando entramos no palco, a multidão urrou como eu nunca tinha visto, umas 80 mil pessoas. A primeira música que tocamos foi “School”, que começava assim (aí Grohl faz o som de guitarra com a boca e reproduz a bateria nas pernas). Só que Kurt começou com uma microfonia absurda, sem parar nunca. E, quando entrou na música, foi assim (Grohl faz o som de guitarra de novo, só que num ritmo muito mais lento). Ele estava em outra rotação. Olhei para o Krist (Novoselic, o baixista) na hora. Ficamos apavorados. Vi Krist chegar no ouvido dele e dizer: “Acelera, acelera. Pelo Amor de Deus”. O legal é que o público não estava nem aí e urrava tão alto quanto a música. Foi inacreditável. E no outro dia um jornal disse: Nirvana faz jam session para 80 mil pessoas. Foi loucura. Tocamos até “Rio”, do Duran Duran. Outra hora, mudamos os instrumentos: eu toquei baixo, o Krist tocou guitarra e o Kurt foi para bateria. Foi insano.” Isso: foi insano.
O setlist do show do Morumbi, achei na internet, é assim: School • Drain You • Breed • Sliver • In Bloom • About A Girl • Dive • Come As You Are • Love Buzz • Lithium • (New Wave) Polly • D-7 • Smells Like Teen Spirit (com Flea, do Red Hot Chili Peppers) • On A Plain • I Hate Myself and Want to Die (jam) • Negative Creep • Been a Son • Something In the Way • Blew • Aneurysm • Territorial Pissings • Run to the Hills (jam) • Heartbreaker (jam) • We Will Rock You • Should I Stay Or Should I Go • Rio • 867-5309/Jenny • Kids In America • Seasons In the Sun • Lounge Act •Heart-Shaped Box • Scentless Apprentice • Milk It
A palhaçada na cover de “Seasons in the Sun” é emblemática. A música louca dos anos 60 que virou sucesso mundial absurdo nos anos 70 na voz do desconhecido (na época) Terry Jacks, dizem, virou cover do Nirvana pela última vez em São Paulo. A canção era chamada por alguns também como “O Moribundo”, porque a letra era a mensagem de um cara que estava morrendo e se despedindo dos amigos e da mulher. Ambigua, não se sabia se o cara ia se matar ou estava morrendo por causas naturais. Pouco mais de um ano depois da performance do Morumbi, Kurt Cobain se matava em sua casa, em Seattle.
2. Pixies, Curitiba Pop Festival, 2004
Se alguém em 2003 dissesse que os Pixies fossem voltar à ativa, com a mesma formação, com o mesmo pique nos palcos, e que iriam tocar no Brasil, em show exclusivo só em Curitiba, eu ia rir muito. Ou chorar. Minha terceira banda predileta da história, tive a oportunidade de ver mister Black Francis, Deal, Santiago e Lovering duas vezes em Londres no começo dos anos 90, mas logo o quarteto se despedaçou e o sonho de testemunhar a vinda da banda ao Brasil morreu junto. E não é que, graças à iniciativa indie de uma turma curitibana abençoada, anos depois o Brasil iria receber os Pixies? O show a princípio foi subdimensionado, porque indie. Era para ser na Ópera de Arame (3 mil pessoas). Mas a correria atrás dos ingressos foi tão voraz, a invasão paulistana a Curitiba se desenhou tão forte, que o evento causou a primeira pane da internet brasileira na venda de ingressos (estou mentindo?) e foi parar na mágica Pedreira Paulo Leminski (10 mil). E assim foi. Se a palavra para descrever o show do Nirvana de SP foi CATARSE, o dos Pixies em Curitiba é… MÁGICO.
3. Kraftwerk, Free Jazz, Jockey Club, SP, 1998
Fiz a resenha deste show para a Folha, lá no longínquo 98. Foi engraçado ver, na época da explosão da “nova” música eletrônica, esses tios alemães da eletrônica a-ssom-brar o Jockey Club (ai, que saudade do Free Jazz/Tim Festival no Jockey). O título do meu texto foi “OK Computer”. E dizia o seguinte:
“Alguém na platéia soltou que era a principal banda que tocou no Brasil desde 1500, o que remeteu diretamente à famosa capa da revista americana “Spin” ao grupo alemão, que indagou, na manchete: “Kraftwerk”. Mais influentes que os Beatles?. É complicado discordar. Começava “Computer World”, a música-título do pulsante álbum de 1981, que jogou o punk dentro de um disquete e o entregou ao tecnopop. A essa altura era engraçado testemunhar como um show de uma banda de três décadas soava tão completamente contemporâneo. Um testamento ao vivo de quão longe o Kraftwerk levou a pop music e quão pouco ela progrediu além das inovações proporcionadas pelo grupo alemão anos e anos atrás.
O show caminhava, e não era estranho se sentir um personagem de “Blade Runner” ou dos livros de Aldous Huxley, tentando dançar de maneira moderna músicas dos anos 70. Em “The Man-Machine” e “Tour de France” (com imagens de ciclistas em movimento sendo projetadas nos telões), o clima era de uma noite na ópera. Eram operetas eletrônicas. Ficava claro entender por que nos 70 os álbuns do Kraftwerk eram difíceis de ser encontrados nas lojas européias, já que parte delas colocava os discos nas prateleiras de música clássica. (…) Quantos robôs bacanas não foram criados pelo Kraftwerk nestes anos todos, de David Bowie a Afrika Bambaataa, de Depeche Mode à toda cena eletrônica dominante destes tempos?
Foi um show para não ser deletado jamais da memória. O único senão foi não ter levado meu PC para o Jockey Club. Ele iria amar o Kraftwerk.”
Foto escura do show do Jockey, de 1998. Bom, o que importa para o Kraftwerk está bem iluminado
4. Nick Cave, Projeto SP, São Paulo, 1989
Numa das eras indies mais legais para shows no Brasil, a era dos shows do famoso “Projeto SP” (Jesus & Mary Chain, Stray Cats, Sisters of Mercy, Iggy Pop, Devo, Cocteau Twins etc.), em tempos mais que improváveis para shows indie bons aqui no país, apareceu para nós um sujeito australiano sinistro, com uma banda absurda (os Bad Seeds), um álbum incrível (”Tender Prey”) e um show arrebatador de indie-blues-gótico sobre amor e morte. “Deanna” foi uma das músicas mais impressionantes que eu vi em uma apresentação ao vivo de alguém. Eu tenho uma péssima memória para tudo, inclusive para coisas que aconteceram no dia anterior, quanto mais em 1989. Mas lembro muito de muitas coisas desse show de 19 anos atrás. Isso deve significar algo.
5. Strokes, Cais do Porto, Rio, 2005
Enfim os moleques que salvaram o r… hahahaha. Enfim os Strokes vieram ao Brasil, para shows em São Paulo, Rio e Porto Alegre, no Tim Festival. A estréia foi no MAM do Rio, a sede antiga do festival. A primeira apresentação foi boa, mas não booooooooooa. Eles estavam tensos com a família toda no Rio, a lista VIP da Alicinha Cavalcanti estava em massa, o de sempre… Aí alguém do Rio teve o bom senso de marcar um show deles para o gelado e sinistro Cais do Porto, com ingressos mais baratos, para a molecada (que é quem ouvia Strokes, mesmo). Aí entupiu, o clima estava animado, a galera pirou, a banda se soltou, o lugar ferveu. E assim foi.
* Sonic Youth (Free Jazz), Belle & Sebastian (idem), o primeiro Beastie Boys, Echo & The Bunnymen e New Order, estes dois últimos dos anos 80, entrariam na minha lista se fosse um Top 10.
* PROMOÇÃO INGRESSOS - Vamos começar já essa história. Quem participar da enquete do “show da vida” vai concorrer a:
1. Um ingresso para o Skol Beats
2. Um ingresso para o Planeta Terra Festival
3. Um ingresso para o show do Tim Festival do dia 23/10, em São Paulo (Gossip, Klaxons, Neon Neon)
Lúcio Ribeiro é jornalista. Edita o Popload e escreve sobre música e cultura pop para a Folha de S.Paulo. É colunista das revistas Capricho e Homem Vogue. Co-apresenta o programa de rádio Poploaded. É DJ residente do clube Vegas e viaja o Brasil tocando em festas de rock.