iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade

11/03/2009 - 11:28

O amor e o horror. E vice-versa. (fora as datas do Oasis)

* Popload em São Paulo. Mas de malinhas prontas para Curitiba e de malonas quase prontas para o Texas (Austin, South by Southwest).

Esta pessoa, com estes sapatos, vem ao Brasil fazer quatro shows. Já contei aqui de uma história pessoal minha com ele sobre… sapato?  

* AS DATAS OFICIAIS DO OASIS NO BRASIL - Atenção, vai ser assim, segundo o MySpace dos Gallagher:

- Rio de Janeiro – Citibank Hall – 7 de maio
- São Paulo – Arena Anhembi – 9 de maio
- Curitiba – Pedreira Paulo Leminski – 10 de maio (alô, PR. A Pedreira não tinha fechado?)
- Porto Alegre – Gigantinho – 12 de maio

Sobre ingressos, a mensagem em inglês vem assim: ‘Tickets go on sale from March 20th for Citibank clients then go on general sale from March 27th. All tickets are available through Ticketmaster or by phone: (11) 2846-6000 (São Paulo) and 0300 789 6846 (other states)”.

* O FAUSTÃO E O INDIE - Crossover de interesses díspares. Ontem no Milo, hoje em programa de auditório dominical da Globo. A sempre estranha participação da Mallu Magalhães em programas de TV se deu domingo passado no mais-mainstream-impossível Faustão, logo após o gol do Ronaldo. Acaba que, no ar, vendo a “força incrível da música independente nacional”, o apresentador global criou um novo quadro para o seu programa: “Garagem”, onde vai “revelar” nomes emergentes do cenário musical brasileiro. É isso: Faustão na Garagem. Garagem nos domingos da Globo, ao vivo, em cores, sem ser trilha sonora de matérias de Física quântica ou de saúde do “Fantástico”. Fico imaginando, sei lá, o Holger tocando “Nelson” no Faustão. Ou o Bo$$ in Drama cantando”Favorite Song” e minha mãe vendo a performance do Péricles e olhando para mim com cara de “WTF?”. O sertão vai virar mar. 

* QUANDO O CHILI PEPPERS ENCONTROU O TING TINGS -  Leitor esperto me mandou isso por email (veja bem, o leitor não é esperto porque me mandou isso por email…). Apareceu em forum de discussão de site de fã dos malucos da Califórnia. É um mashup do clááássico batidão “Give It Away” com “Shut Up and Let Me Go”, representante da frescura (no sentido de novo) indie da dupla inglesa Ting Tings. Achei bom. Ouve aê.

* POPLOAD E O (CINEMA) INDIE - Dois filmes do cinema independente americano têm dominado a atenção dos bastidores da cultura pop (leia “blogs”). Um fala de amor. Veja bem. Não é um “filme de amor”, diz o cartaz. E, sim, um “filme sobre o amor”, coisas bem diferentes. O outro é considerado a “renovação do cinema de horror”, o “novo ‘A Morte do Demônio’”, em referência ao genial clássico do Sam Raimi, dos anos 80. O “New York Times” disse que não sabia se ficava com medo ou se ria do filme. Mas a “Fangoria”, veículo mais “sério” (nesses casos), gostou. A história e os “boos” parecem ser o de sempre. Mas a história toda é, digamos, muito louca. Ambos os filmes foram “destaques” no último Sundance Festival, em janeiro. “Unborn” chegou a entrar em cartaz em alguns países, em circuito limitadíssimo. Vamos a eles:

- (500) DAYS OF SUMMER: Estrelado pela fofésima atriz-roqueira Zooey Deschanel, da esperta banda She & Him, o filme tem já um trailer clássico circulando com um início matador. Um cara está ouvindo iPod (ou coisa que o valha) num elevador quando a Zoey chega e diz: “I love The Smiths”. O rapaz faz uma cara de “como assim?”. Ela aponta para o fone de ouvido dele e começa a cantarolar “There Is a Light That Never Goes Out”. O elevador abre a porta e a garota sai, do mesmo jeito que entrou. Como se, para ela, nada tivesse acontecido. Sem perceber direito que mudou a vida do cara do iPhone em dois minutos. Para resumir e dar o tom do filme, é assim: o moço se apaixonou por uma menina que até ama Smiths, mas acha que o amor não existe. Poor guy. A produtora de “(500) Days of Summer, que tem percorrido apenas festivais (passa semana que vem na mostra de filmes novos do South by Southwest) e só entra em cartaz nos EUA em julho, fez uma campanha na internet para a galera escolher o pôster oficial do filme. Não sei direito qual ganhou, mas tinham que escolher entre estes aqui:

 

Ah. Summer, no título, no caso, é a menina, não a estação.

- THE UNBORN:Parece que em Sundance, segundo um amigo meu que sabe das coisas, gente até desmaiou vendo esse filme, agora no começo do ano. Tenho esse “The Unborn” já, aqui no meu computador, e não achei para tanto. É mais “O Exorcista” do que “A Morte do Demônio”. E exagera no “truque dos espelhos”. Mas não dá para deixar de admirar o “plot” do filme, de tão bizarro. Começa que ele é estrelado pela boneca Odette Yustman, de “Cloverfield” (a garota é das boas. Só curte filme esquisito, pelo jeito). A história… Bem, como posso contar? É mais ou menos assim (pequeno spoiler, pequeno spoiler!!): Yustman, no caso Casey, começa a ser assombrado por um moleque macabro e um cachorro com máscara. Depois seus olhos começam a mudar de cor. A coisa só vai ficando pior. Ela na verdade está recebendo a “visita” corpórea de um dybuuk (que na cultura judáica significa um ser amaldiçoado que morreu e não consegue ir para o céu. E, se não consegue, tem que ficar por aqui mesmo, entende?). Agora vem o melhor e vou parar por aqui sem mais falar: o menino fantasma, no fim, é uma vítima dos nazistas em Aushwitz, no Holocausto. Tá?

Ok, só mais uma coisinha: “The Unborn”, alé de tuuuuudo, ainda envolve um papo macabro sobre gêmeos, o Gary Oldman fazendo o padre exorcista e beisebol.

“The Unborn” estréia no Brasil no dia 20 de março, parece. Tem Prodigy na trilha. Dá para ver e ir depois ao show do Radiohead, para o dia ficar bem estranho.

* FAITH NO MORE NO BRASIL - Como??? Onde???? Quando????
Não vai rolar…
Produtores brasileiros consultaram preço e disponibilidade para show da rediviva banda aqui no Brasil, neste ano.
Ouviram um “O preço é US$ 800 mil por show” na orelha.
Desencanaram na hora.

* JB NO BRASIL - Eu sei que isso é tudo que você queria saber. Mas o maio sonoro brasileiro não vai ficar só no Oasis. A banda de pivetes Jonas Brothers, praga adolescente meio country, meio pop, religiosos, e que uma amiga minha de gosto respeitável diz que tem um “lado bom, sim, viu?”, vem tocar no Brasil. São dois shows, um em São Paulo, no dia 23 de maio. Outro no Rio, no dia seguinte. Feche portas e janelas.

* KEANE NO BRASIL - Haha. Es-que-ci completamente que o Keane ia tocar em São Paulo. Mas um amigo meu, também bom de gosto, não esqueceu e ainda por cima foi ao Credicard Hall ver. E gostou!?!?!?!. O que ele falou foi o seguinte:

“Lúcio. Sei que vc não gosta do Keane e nem deve ter ido ontem… Meu, o show foi muuuito bom !!! Melhor que no ano passado! O Tom Chaplin deve ser o cara mais gente boa da música pop! A cada duas frases, três são elogiando o Brasil e o público… Até cansa… Mas ele parece acreditar mesmo em todos os elogios…
E eles estão com um público fiel aqui! O Credicard tava quase lotado e o público cantava quase todas. Eu ficava me perguntando: de onde essa mulecada conhece tanto o Keane? Os caras quase não tocam no rádio, não passa vídeo na TV e não são bonitos (e tinha muuuuita mulher na platéia…).
E no bis tocaram uma versão impecável de ‘Under Pressure’! Acho que nem o aquele “Queen” no ano passado deve ter tocado uma versão tão perfeita! Perfeita demais, vão dizer alguns…
Enfim, foi ‘fenomenal’! E espero que hoje seja mais ‘fenomenal’ ainda…”

Não liga para o fim do relato do meu amigo. Ele começou a misturar os assuntos.

– YEAHS - Estava motivado para escrever sobre o bom lançamento do novo Yeah Yeah Yeahs, “It’s a Blitz’, que está previsto para ser lançado (!) oficialmente em 14 de abril, embora já esteja toooodo na net desde fevereiro. Mas andou me dando uma preguiça do disco e de escrever sobre. Tento novamente no próximo post. Por enquanto, deixo o vídeo da lindona “Zero”, que apareceu nesta semana. Ahaza, Karen O.

– WHITE STRIPES? RACONTEURS? - Mister Jack White, talvez o melhor guitarrista do mundo (errei?), parece estar com nova banda. Um quarteto chamado Dead Weather. Um evento secreto com esse novo grupo de Jack aconteceria nesta quarta-feira. Vamos ver o que sai daí. UPDATE – Pior que o papo é sério mesmo. Foi lançado um site oficial do Dead Weather. As infos preliminares dão conta de que a banda tem nos vocais a Allison Mosshart, popular VV do The Kills, além de Jack Lawrence do Raconteurs no baixo e Dean Fertita do Queens of the Stone Age na guitarra. E, não, o Jack (parece) não toca guitarra, mas sim bateria! Jack goes Meg.
O site não possui informação alguma, apenas umas imagens randômicas, um espaço para cadastrar e-mail numa newsletter e duas músicas. São elas “Are Friends Electric?” e “Hang You From the Heavens”. Essa última a Popload entrega aqui, fresquinha. Ou quentinha, como você preferir.

* PROMOÇÃO RADIOHEAD/SP E PROMOÇÃO RADIOHEAD RJ - Agora sim a coisa animou. A Popload vai dar um ingresso para cada show histórico da banda Radiohead (mais Kraftwerk + Los Hermanos – Vanguart) no Brasil. Dia 20, no Rio. Dia 22, em São Paulo. Para concorrer, o de sempre. Disputas sangrentas devem ocorrer ou pelo email lucio_ribeiro@ig.com.br ou nos comentários aí embaixo. Please, avisem claramente na linha de assunto para qual show-cidade você está concorrendo. Go!
 

Autor: Lúcio Ribeiro - Categoria(s): Blog Tags: , , , , , , , , , ,
09/10/2008 - 10:18

Homem com Homem; Mulher com Mulher

((( ATUALIZAÇÃO FINAL )))

* Popload em Ponta Grossa, Paraná. Hehe.

* Você, indie macho sim senhor, fica magoado com seu melhor amigo quando ele não responde com as exatas mesmas palavras uma declaração sua de “Eu te amo, cara”? Você vive um… bromance?

* MALLU WORLD EXCLUSIVE – The Kid is alright. Esta é a capa do CD de estréia da Mallu Magalhães, a cantora-fenômeno de 16 anos que começou 2008 tocando no Milo e com três musiquinhas no MySpace e vai terminar o ano como atração de palco principal de megafestival e um disco debutante produzido por renomado nome indie internacional. O que aconteceu no meio a gente está cansado de saber. O álbum (estranho isso) de Mallu Magalhães terá seu nome e sai no dia 7 de novembro, uma sexta-feira, véspera de ela tocar no main stage do Planeta Terra Festival. O CD terá 14 faixas, 12 delas em inglês, acentuando um “cuidado internacional” e folk na carreira da menina, provável porta aberta pelo produtor “gringo” do disco, Mario Caldato Junior (Beastie Boys, Super Furry Animals, David Seu Jorge Bowie e Bebel Gilberto). Nesta semana Mallu tocou no Na Mata Café, em São Paulo, reduto de “chiques, famosos e bem nascidos” paulistanos. Não tinha indie, não tinha seus fãs adolescentes. Li no Marco Bezzi (”Jornal da Tarde”) que Mallu cantou para um público endinheirado e trintão que cantou, meio envergonhado, seus hits “Tchubaruba” e “J1″.

* WHAT THE (FUN)HELL - Bizarra e babilônica a festa Funhell, do clubinho Funhouse, da última quarta-feira gelada de São Paulo. Com discotecagem popscênica de Hector Lima, poploadica minha e íntima de Rafael Urenha, a balada teve visita hollywoodiana e indie inglesa entre a galera que entupiu a casa na improvável noite mais fria do ano. Alice Braga, amiga de Jude Law, do Sean Penn, do Will Smith e de uma loirinha que foi com ela na Funhouse, dançou muito na hora da música da Katy Perry.

* AH, NÃO, BLOC PARTY!!! - Juntando duas histórias de insiders do “caso do ano” que foi o playback farofa do Bloc Party na festa da MTV, o que a Popload apurou do ocorrido foi: a banda inglesa se arrependeu da pataquada. O combinado era um playback só de instrumentos, o que já é xarope em se tratando de banda tão… hum… honesta, mas seria por causa do “medo de o grupo se apresentar às pressas num programa de TV de mercado diferente” blablablá. O que é pataquada do mesmo jeito, eu acho. O Bloc Party até já teria feito playback em outras ocasiões de TV e eventos, inclusive na Inglaterra. E, na noite do VMB, nem o grupo novo do (Sandy)Junior fez playback qualquer que seja. Mas então. Na hora da apresentação do Bloc Party o produtor da banda chegou e disse: vai ser playback TOTAL. De voz e tudo. O motivo seria uma “gripe” do Kele Okereke, ele estava indisposto e tal. A produção da MTV, no calor do evento ao vivo, fez o que foi pedido. E a banda fez o que foi visto. Kele acabou a noite tratando da gripe no clubinho A Torre, na madrugada pós-VMB. Banda dessas com show tão destruidor podia ter massacrado a festa da MTV com som de qualquer natureza. Mas, beleza, vamos esperá-los no Planeta Terra.

* A FRASE POP DO ANO – Nunca um cara foi tão equivocadamente citado no pop nacional do que o compositor e guitarrista americano Frank Zappa, tadinho. Foi em duas polêmicas que agitaram nossos bastidores indie jornalísticos musicais virtuais nos últimos dias, você deve ter acompanhado. Vamos lá. Para você não se embananar na hora de atirar essa frase contra algum jornalista de rock (hihi), a Popload esclarece o que o Zappa realmente disse: “Jornalismo de rock é feito por pessoas que não conseguem escrever, entrevistando pessoas que não conseguem falar, para pessoas que não conseguem ler”. O Fábio Massari me corrija se eu estiver errado. Zappa vive no indie brasileiro.

* “BEATLES” EM SÃO PAULO – Loucura. Histeria. Descontrole. Um exército de adolecentes insanas tem chacoalhado nos últimos dias a região de São Paulo onde fica a casa de shows Via Funchal, deixando preocupadas as autoridades locais. Tudo por causa da banda de teen pop inglesa McFly pela cidade. Durante a primeira apresentação dos “4 de L…ondres”, na noite de quarta, testemunhas viram menininhas subirem nos ombros das amigas, tirarem a camiseta e rodarem a vestimenta, de modo leeeeve e sooooolto.
Algumas pessoas de confiança tiveram a ousadia de dizer que o show NÃO É RUIM. O chapa Diego Maia, que cobriu o evento para Abril.com, escreveu em texto que o espetáculo foi algo como “o concerto de uma boy band influenciada pelo começo das carreiras dos Beach Boys ou dos Beatles. Mais ou menos o que os Jonas Brothers fariam se não estivessem tão preocupados com sua virgindade e citassem Jerry Lee Lewis em suas canções.” Assim que acabou o show, algumas meninas saíram de dentro do Via Funchal para formarem já uma fila para o show seguinte, desta quinta-feira. Durante a manhã de quinta-feira, pessoas de escritórios de publicidade das imediações da casa de show afirmaram que nem um telefonema podia ser dado sem vazar o barulho de gritos, cantorias e chororôs. Que coisa!

* Na semana em que estive em Londres, na passada, o jornal sério “The Guardian” soltou uma matéria de duas páginas sobre a preocupação com um certo abatimento que poderia recair no grupo. É que, durante quatro anos seguidos, o McFly sempre colocou os sete singles que lançaram no período direto em primeiro lugar nas paradas britânicas. E que naquela semana, quando lançaram o oitavo single, chegaram “apenas” em segundo. Forte depressão à vista?

* AH, NÃO, GOSSIP!!! – Faltando menos de duas semanas para o TIM Festival e já com a galere brilhando como se fosse 2006, caiu como uma bomba (sem trocadilhos, please) a notícia de que a Beth Ditto teria riscado definitivamente o Brasil da agenda de shows da banda. Ainda sem um comunicado oficial do festival, dizem que, levando o seu ingresso Novas Raves até um ponto de venda você garante um ingresso gratuito para uma outra apresentação do Tim Festival. Calma, não adianta virar fã do Kanye West a-go-ra e sair correndo. Parece que nada vai ser resolvido antes de segunda-feira! Aguardando maiores informações, voltem aqui mais tarde.

Quase um ménage-à-bro-trois

Quase um ménage-à-bro-trois

* BROMANCE - Na primeira quinzena de novembro, mais precisamente no dia 14, estréia no Brasil o filme “Pineapple Express”, do novo-astro porra-louca-engraçado Seth Rogen, capa de 200 revistas desde seus trabalhos em “Knocked Up” e “Superbad” e principalmente agora içado a “lí­der da nova geração de comediantes de Hollywood”. Já¡ falei do filme aqui uma vez, sobre a história do maluco chapadão e seu drug dealer lesado que se envolvem com gangues da pesada. Porque o primeiro acabou comprando a supermaconha Pineaple Express (que, segundo o filme, “smells like God’s vagina) e, louco, acabou testemunhando um assassinato. O tí­tulo em português do filme, além de ser bacana, é sem querer iluminado: “Segurando as Pontas”. O tí­tulo nacional faz a brincadeira óbvia com a droga, mas resvala no tema principal do filme: a amizade tão intensa de dois seres do mesmo sexo, mas tão intensa, mas tão intensa, que, sem ser gay, tornam os amigos chegados mais que “brothers”.

O rótulo “bromance” é quase tão legal quanto “new grave” e já foi parar até em dicionário (no “Collins”). É a forte amizade não-sexual entre dois homens. Ou o romance de amigos homens heteros. O termo já está em voga nas artes e no comportamento masculino há algum tempinho, mas com “Pineapple Express” virou “oficial” na cultura pop. No pano de fundo de tiroteios, socos, correria e muita fumaça, Seth Rogen e o ótimo James Franco (o dealer) têm um profundo caso de am… izade. A coisa é tão forte entre os dois que, mesmo perseguidos por gangues assassinas, encontram tempo para parar e “discutir a relação”. E, no filme, não é só Hogen e Franco que vivem bromances, hehe. Vou parar por aqui para não estragar (mais) a história.

* Uma produção inglesa a estrear em 2009 joga farol alto no bromance. É o filme “I Love You, Man”, com o Jon Favreau e o Paul Rudd, sobre “man date”. O termo, atenção, indica a “socialização de dois homens heterossexuais sem ser para tratar de negócios ou para ver jogo de futebol juntos”. A história, pelo que li, é fofa, terna, amável, mas decididamente não-gay. Genial.

Os chegados Pete Doherty & Carl Barat

* Na música, a gente se lembra bem da forte amizade de Carl Barat e Peter Doherty, cuja banda Libertines chacoalhou a Inglaterra por conta do incandescente e tocante relacionamento da dupla, que teve um final “dramático” e o bromance rompido acabou por romper também com a banda. O jeito que os dois se dedicavam um para o outro no palco era impressionantemente ‘bromantic’. Até dividir o mesmo microfone juntinhos eles dividiam. Parece que a amizade dos dois está voltando nesses últimos meses. Tanto que Carl Barat teria tatuado no braço uma “mensagem” profunda endereçada para Doherty. Que lindos…

* Na TV, o bicho anda pegando. Quase todo seriado hoje em dia tem um casal de amigos, um sensível e outro durão, até que… Vi um episódio antigaço do Friends reprisado pela enésima vez. Nele, o Joey tinha que tirar as sobrancelhas, e pede ajuda ao Chandler. Ele vai lá todo amiguinho e faz o trabalho direito: com pinça e tudo. O Joey fica horroroso, mas os dois se abraçam no final meio constrangidos e resolvem sair para fazer alguma coisa mais macho. Em um game-show inglês, apresentado por dois comediantes que viajam pelo Reino Unido testando esportes nada convencionais, a amizade entre os dois chamou a atenção dos jornais locais. Eles choram, se abraçam, torcem um para o outro mesmo quando em times diferentes, uma ‘fofura’. Até o durão Dr House (do seriado House) tem um parceiro fiel para as horas difíceis (e de quem morre de ciúmes), não tem? E a dupla geek-n’-roll do seriado mais bromântico de todos os tempos, o Flight of the Conchords? Os dois protagonistas só não são namorados, mas são parceiros de quarto, banda e roubadas. Sem mencionar Scrubs, Entourage, McSteamy x McDreamy em Grey’s Anatomy, etc.

* A MTV americana resolveu levar isso ainda mais a sério. Chamou um dos ‘galãs’ do seriado The Hills e botou o cara em um outro reality show. Spin-off de reality show, hein, é o final dos tempos! Nesse big-brother-meets-the-bachelor (hehe), chamado, adivinha, “BROMANCE”, os participantes vão disputar a amizade de Brody Jenner. É como se a Globo fizesse um Big Brother só com brothers, em que o finalista não ganha um milhão, mas sim, a amizade eterna do Alemão. Não dá. Os “bros” em potencial terão que se submeter a provas de macho para ganharem a confiança de Brody. Só para registro, uma das provas consiste em “saber lidar com os paparazzi”. Fica pior, calma: quando saírem em turma, eles vão disputar quem consegue ficar sozinho com ele por mais tempo. O paredão? Bem, ele é feito na jacuzzi (juro!), e quem for elminado, sai da casa só de sunga. O vencedor vai se mudar para Hollywood e virar amigão de todas as horas do tal Brody.

* Por falar em MTV, li em um site dia desses, que talvez o Beavis & Butthead fossem o par mais bromântico da cultura pop dos anos 90. E que por trás daquela baboseira toda, havia uma afeição fofura entre eles. Mas daí a coisa está fugindo do controle e prefiro não ir fundo nisso. Mas bem que eles lembram os personagens toscos e chapados de Judd Appatow… não?

* PREMIAÇÃO : INGRESSOS

1. Um ingresso para o Planeta Terra Festival
2. Um ingresso para o show do Tim Festival do dia 23/10, em São Paulo (Gossip, Klaxons, Neon Neon)
3. Um PAR de ingressos para o Mudhoney no Clash, em São Paulo, dia 16/10.

* PREMIAÇÃO “INGLESA” - O CD+DVD+Livrinho “Dig Out Your Soul”, o novo trabalho do Oasis, comprado no dia de seu lançamento na loja HMV do West End, em Londres.

Concorrências para os prêmios, lembrando, podem ser feitas no email e nos comentários aí embaixo.

* É ISSO - Tchau.

Autor: Lúcio Ribeiro - Categoria(s): Blog Tags: , , , , ,
18/09/2008 - 17:28

O melhor show da sua (e da minha) vida!

* Ou “Os melhores shows da sua (e da minha) vida”.

* Resolvi ir de post novo, Brasil! A história do melhor show internacional da história aqui no país merece espaço especial e exclusivo. Mas, antes…

* OFFSPRING CONFIRMA PLANETA TERRA (MAS A BOA NOTÍCIA É OUTRA) - Nesta quarta-feira à noite, a banda americana Offspring disse “sim” sobre sua escalação no próximo festival Planeta Terra, que acontece no dia 8 de novembro, na Vila dos Galpões, em São Paulo. Eu achava que era a organização do Terra que estava com a decisão, mas a confirmação veio, mesmo, da banda. Embora já tenha “passado” de ser uma atração superimportante, o grupo punk californiano tem sua relevância no rock e faz um show divertido. Mas o fato é que seu ingresso no line-up do PT, obviamente no Main Stage, pode prestar um bom serviço para o Indie Stage, o palco dois. É que com a entrada do Offspring no palcão pode empurrar a ótima banda inglesa Bloc Party para um show mais, hum, intimista no palco indie. O palco principal deve ser composto por Jesus & Mary Chain, Offspring, Kaiser Chiefs, Mallu Magalhães, Curumin e outros. O palco indie deve ter, assim, Breeders, Bloc Party, Animal Collective, Spoon, Foals, aparentemente. Vamos aguardar. Mas esse palco indie está ficando de dar inveja ao… ao… Reading Festival.

* VAI DAR PARA VER TODOS OS SHOWS DO PT - A escalação dos palcos do Planeta Terra, a Popload foi informada pelo “Big Eye”, está sendo elaborada para que todos os shows, seja no Main Stage ou no Indie Stage, possam ser vistos sem encavalamento de atrações. Pelo menos por meia hora todo mundo poderá assistir a todas as apresentações, é o que promete o festival. Isso é um outro avanço em relação ao evento do ano passado. Quem viu o show do histórico Devo perdeu no palco principal a sensacional performance do Rapture no palco indie. E vice-versa.

* O Big Eye é o “ser” virtual que faz o blog do novo site do festival Planeta Terra. O cara sabe das coisas, por lá.

* BAFO EM BH - Offspring, Maroon 5 e o festival Pop Rock Brasil, que aconteceria em novembro em Belo Horizonte, está cancelado pela Justiça?

* TING TINGS E O AMOR - A música “romântica” da dupla indie dance inglesa Ting Tings, de Manchester, já está nas ondas do rádio e em vídeo (e logo, logo em alguma novela da Globo, hehe). É a fofa “Be the One”, que está no delicioso primeiro álbum da banda, “We Started Nothing”. É a quarta música do CD de estréia a virar single, fato nobre nestes tempos. O vídeo de “Be the One” veio à tona nesta semana, enquanto o single só tomará os caminhos das lojas no meio de outubro. Como toda música do Ting Tings, ela começa num ritmo maneiro e vai acelerando, acelerando. What you gonna offer now, Ting Tings?

* MALLU MAGALHÃES ENTREVISTADA POR… MALLU MAGALHÃES - Você não entende o hype da menina que começou o ano tocando no Milo Garage e hoje está no palco principal do festival Planeta Terra? Não compreende como ela em poucos meses foi vista por milhões na internet, apareceu na Globo, já teve música tocada em campanha nacional de TV, foi vinheta da MTV, gravou com produtor internacional, cortejada por astro do rock brasileiro e o escambau? Então a Mallu, conversando com a Mallu, vai te explicar tu-do. Não perca a parte da comida preferida dela.

* O SHOW GRINGO MAIS INCRÍVEL QUE O BRASIL JÁ VIU – Depois dessa história de show espetacular do Hives em São Paulo (que eu perdi), comparando ao do Franz Ferdinand no Rio (2006), e às portas dos grandes festivais brasileiros cheeeeeios de atrações bacanas, decidi pensar nos meus shows internacionais inesquecíveis da história, estimular você a dizer os seus e convidar gente bacana (não que você não seja bacana…) para também dar seus depoimentos. Enfim, vou começar com um ranking superpessoal do que eu considero as melhores e mais marcantes apresentações que eu já vi na vida. Óbvio que eu vou esquecer coisa importante. Mas vamos lembrando e corrigindo a rota. Então, ficamos assim. Vou fazer uma lista rápida do que eu lembro de shows marcantes, fazer o meu Top 5 e depois perguntar para você e para uns outros bons sobre seus eleitos. Não exatamente nessa ordem…

* Echo & The Bunnymen em 1987/ Ramones, Olympia, SP, 1994/ Rolling Stones em Copacabana, 2006/ Guns N’ Roses Rock in Rio 2001/ Depeche Mode, Olympia, SP, 1994/ Nirvana Hollywood Rock 1993/ Beastie Boys, Olympia, SP, 1994/ Stones + Dylan 1998/ New Order no Olympia (SP), em 2001/ Pixies Curitiba Pop Festival 2004/ Weezer, Curitiba Rock Festival 2005/ Michael Jackson, SP, 1993/ Madonna, SP, 1993/ The Cure, SP, 1987/ The Strokes, Tim Festival 2005/ Arcade Fire, Tim em Porto Alegre, 2005/ U2 Popmart tour 1998/ Mallu Magalhães no Milo, 2008 (hehe)/ Chili Peppers, Hollywood Rock 1993/ David Bowie, Parque Antarctica, 1990/ Smashing Pumpkins Hollywood Rock 1996/ Metallica, estádio do Flamengo, RJ, 1999/Police, Maracanãzinho, 1981/ Nick Cave, Projeto SP, 1989/ Sonic Youth Free Jazz 2000/ Cypress Hill, Close Up Planet 1996/ Teenage Fanclub no Sesc Pompéia/ Belle & Sebastian no Tim 2001/ Faith No More Rock in Rio II 1991/ Oasis 1998/ Lou Reed, Palace, 1996/ LCD Soundsystem no Sonar Brasil 2004/ Prodigy no Skol Beats/ Chuck Berry, Free Jazz 1993/ Jesus & Mary Chain, Projeto SP, 1990/ Paul McCartney, Pacaembu, 1994/ Kiss, Pacaembu, SP, 1994/ Morrissey no Olympia, SP, 2000/ Man or Astro-man? em Londrina/ Ozzy no Rock in Rio I, 1985/ Supergrass no Campari Rock 2006/ Flaming Lips, Claro Que É Rock 2005/ Queens of the Stone Age no Rock in Rio 2001/ Neil Young no Rock in Rio 2001/ Pantera, Olympia, SP, 1995/ Cocteau Twins, SP, 1991 (ou 1990?)/ Lemonheads, Santos, 1994/ Pearl Jam na Praça da Apoteose 2005/ Arctic Monkeys no Tim 2007/ Page & Plant, Hollywood Rock 1996/ Franz Ferdinand no Circo Voador 2006/ Asian Dub Foundation, Abril pro Rock 2001, Recife/ Simple Minds, Hollywood Rock 1988/ Green Day no Via Funchal, 1998/ Metallica, Parque Antárctica, 1993/ Mudhoney, SP, 2001/ Atari Teenage Riot no KVA, SP 1999 (?)/ Superchunk, Broadway, 1998 e dezenas de outros…

* ENQUETE POPLOAD-SHOWS DA VIDA - Enquanto eu vou escrevendo os meus, quero saber o seu. Quais são os shows internacionais no Brasil que mais marcaram sua vida? Vou tentar estabelecer um “ranking dos shows inesquecíveis”, vamos ver. Manda bala. Não que precise, mas esta enquete vai ter prêmio, para quem votar nos comentários ou mandar email para lucio_ribeiro@ig.com.br.

*****
* MEU TOP 5 - Vamos nessa. Claro que pensando hoje, o que foi diferente ontem, e que amanhã posso achar outra coisa, os shows mais marcantes que eu vi no Brasil foram, pela ordem:

nirvana no morumbi, antes do show de 93
Grohl, Cobain e Novoselic posam no banheiro do Morumbi, momentos antes de o grupo ir para o palco e fazer o histórico show do Hollywood Rock, em janeiro de 1993. Foto: Joe Giron/Corbis

1. Nirvana, Morumbi, 1993, festival Hollywood Rock

Essa mitológica apresentação do Nirvana em São Paulo, em janeiro de 1993 é tida pela banda como a mais desastrosa da carreira do grupo de Kurt Cobain. A crítica musical brasileira malhou. Mas ninguém da platéia estava nem aí para isso. Gente do Nirvana disse à época que foi o maior público para o qual o grupo se apresentou. O show foi uma ZONA, mas o Nirvana tinha acabado de deixar a música pop uma zona, de qualquer modo. Então fazia sentido. A palavra que eu mais gosto de utilizar para definir esse concerto é: CATARSE. Ver o Nirvana, naquele instante, aqui em São Paulo,  era como ver os Beatles em San Francisco em 1966. Estar no Morumbi naquela noite parecia ao mesmo tempo que algo novo estava começando na vida de todo mundo, mas que também parecia ser o fim de tudo. Eu, que não sou de chapar em bebida, vi o show completamente atrapalhado, na frente do palco, no meio da muvuca. No outro dia, meu corpo doía. Eu estava inteiro roxo.

Até hoje, 15 anos depois, recebo emails de gringos ingleses e americanos querendo detalhes do dia em que Kurt Cobain subiu ao palco fora de órbita no Morumbi. Imagino que seja o show de rock mais procurado do mundo, talvez porque é o que menos se tem imagens. Já me ofereceram 500 dólares por uma fita que contivesse o show, porque uma vez surgiu o boato de que eu tinha uma cópia. Mas não. Amigos meus já vasculharam os arquivos da Globo e da MTV, mas esse show nunca apareceu. A Globo transmitiu ao vivo o show do Rio, na semana seguinte, então esse tem fácil. Comprei a fita dele em Camden Town, em Londres. Apresentação da Maria Paula. Reportagens de Maurício Kubrusly. Mas o do Morumbi… Teoria da conspiração roqueira total.

Na internet, até um tempo atrás, tinha uns 10 minutos de imagens, apenas. No famoso vídeo/DVD oficial “Live! Tonight! Sold Out!” tem cenas do show no Morumbi. Traz a antológica apresentação da banda no palco, feita pelo João Gordo, que introduziu o trio gritando: “E com vocês, a maior banda underground de todos os tempos. Nirvaaaaaaaaanaaaaaaa”. O show todo foi doido, esquisito, estranho e, talvez por tudo isso, maravilhoso. Kurt Cobain estava fora de si, chapadão, devagar demais. Engatinhou no palco, quebrou tudo, se vestiu de mulher.  Quando o Nirvana começou sua performance com “School”, na platéia parecia que o mundo ia acabar. No palco, Kurt Cobain estava com rotação alterada, e Krist Novoselic e Dave Grohl estavam desesperados. O show continuou caótico. “Smells Like Teen Spirit”, com Flea dos Chili Peppers no trompete, quase não saiu. Em certa altura, começaram a tocar Iron Maiden. Depois passaram a zoar. Kurt sentou na bateria, Krist foi para a guitarra, Grohl no baixo e vocal. É histórica a foto que saiu de Kurt na capa da Ilustrada, da “Folha de S.Paulo”, sentado à bateria, com a legenda dizendo “Dave Grohl, baterista do Nirvana”. Enfim, o Nirvana começou a zoar com tudo. Passaram a tocar só covers: Duran Duran, Queen, Clash, “8675309/Jenny”. O show parecia um ensaio numa garagem fuleira de Seattle, não diante do “maior público da banda”.

Seis anos depois da apresentação do Nirvana no Morumbi, cinco anos depois do suicídio de Kurt Cobain, tive oportunidade de entrevistar o gênio Dave Grohl em Miami, na ocasião do lançamento de um disco do Foo Fighters. Quando veio o assunto do show do famooooooooso show do Morumbi, Grohl ficou louco. Desembestou a falar mais do que do próprio disco de sua banda. Dave Grohl disse o seguinte: “Claro que eu me lembro dos shows no Brasil. Em SP, tinha uma loja de presente do hotel onde estávamos que vendia Valium (Maksoud Plaza). Ou algo parecido. No momento de ir para o estádio tocar, fui procurar o Kurt e ele estava lá nessa loja, tomando um comprimido atrás do outro, sei lá quantos. Fiquei horrorizado. Quando entramos no palco, a multidão urrou como eu nunca tinha visto, umas 80 mil pessoas. A primeira música que tocamos foi “School”, que começava assim (aí Grohl faz o som de guitarra com a boca e reproduz a bateria nas pernas). Só que Kurt começou com uma microfonia absurda, sem parar nunca. E, quando entrou na música, foi assim (Grohl faz o som de guitarra de novo, só que num ritmo muito mais lento). Ele estava em outra rotação. Olhei para o Krist (Novoselic, o baixista) na hora. Ficamos apavorados. Vi Krist chegar no ouvido dele e dizer: “Acelera, acelera. Pelo Amor de Deus”. O legal é que o público não estava nem aí e urrava tão alto quanto a música. Foi inacreditável. E no outro dia um jornal disse: Nirvana faz jam session para 80 mil pessoas. Foi loucura. Tocamos até “Rio”, do Duran Duran. Outra hora, mudamos os instrumentos: eu toquei baixo, o Krist tocou guitarra e o Kurt foi para bateria. Foi insano.” Isso: foi insano.

O setlist do show do Morumbi, achei na internet, é assim: School • Drain You • Breed • Sliver • In Bloom • About A Girl • Dive • Come As You Are • Love Buzz • Lithium • (New Wave) Polly • D-7 • Smells Like Teen Spirit (com Flea, do Red Hot Chili Peppers) • On A Plain • I Hate Myself and Want to Die (jam) • Negative Creep • Been a Son • Something In the Way • Blew • Aneurysm • Territorial Pissings • Run to the Hills (jam) • Heartbreaker (jam) • We Will Rock You • Should I Stay Or Should I Go • Rio • 867-5309/Jenny • Kids In America • Seasons In the Sun • Lounge Act •Heart-Shaped Box • Scentless Apprentice • Milk It

A palhaçada na cover de “Seasons in the Sun” é emblemática. A música louca dos anos 60 que virou sucesso mundial absurdo nos anos 70 na voz do desconhecido (na época) Terry Jacks, dizem, virou cover do Nirvana pela última vez em São Paulo. A canção era chamada por alguns também como “O Moribundo”, porque a letra era a mensagem de um cara que estava morrendo e se despedindo dos amigos e da mulher. Ambigua, não se sabia se o cara ia se matar ou estava morrendo por causas naturais. Pouco mais de um ano depois da performance do Morumbi, Kurt Cobain se matava em sua casa, em Seattle.


2. Pixies, Curitiba Pop Festival, 2004

Se alguém em 2003 dissesse que os Pixies fossem voltar à ativa, com a mesma formação, com o mesmo pique nos palcos, e que iriam tocar no Brasil, em show exclusivo só em Curitiba, eu ia rir muito. Ou chorar. Minha terceira banda predileta da história, tive a oportunidade de ver mister Black Francis, Deal, Santiago e Lovering duas vezes em Londres no começo dos anos 90, mas logo o quarteto se despedaçou e o sonho de testemunhar a vinda da banda ao Brasil morreu junto. E não é que, graças à iniciativa indie de uma turma curitibana abençoada, anos depois o Brasil iria receber os Pixies? O show a princípio foi subdimensionado, porque indie. Era para ser na Ópera de Arame (3 mil pessoas). Mas a correria  atrás dos ingressos foi tão voraz, a invasão paulistana a Curitiba se desenhou tão forte, que o evento causou a primeira pane da internet brasileira na venda de ingressos (estou mentindo?) e foi parar na mágica Pedreira Paulo Leminski (10 mil). E assim foi. Se a palavra para descrever o show do Nirvana de SP foi CATARSE, o dos Pixies em Curitiba é… MÁGICO.

3. Kraftwerk, Free Jazz, Jockey Club, SP, 1998

Fiz a resenha deste show para a Folha, lá no longínquo 98. Foi engraçado ver, na época da explosão da “nova” música eletrônica, esses tios alemães da eletrônica a-ssom-brar o Jockey Club (ai, que saudade do Free Jazz/Tim Festival no Jockey). O título do meu texto foi “OK Computer”. E dizia o seguinte:

“Alguém na platéia soltou que era a principal banda que tocou no Brasil desde 1500, o que remeteu diretamente à famosa capa da revista americana “Spin” ao grupo alemão, que indagou, na manchete: “Kraftwerk”. Mais influentes que os Beatles?. É complicado discordar. Começava “Computer World”, a música-título do pulsante álbum de 1981, que jogou o punk dentro de um disquete e o entregou ao tecnopop. A essa altura era engraçado testemunhar como um show de uma banda de três décadas soava tão completamente contemporâneo. Um testamento ao vivo de quão longe o Kraftwerk levou a pop music e quão pouco ela progrediu além das inovações proporcionadas pelo grupo alemão anos e anos atrás.

O show caminhava, e não era estranho se sentir um personagem de “Blade Runner” ou dos livros de Aldous Huxley, tentando dançar de maneira moderna músicas dos anos 70. Em “The Man-Machine” e “Tour de France” (com imagens de ciclistas em movimento sendo projetadas nos telões), o clima era de uma noite na ópera. Eram operetas eletrônicas. Ficava claro entender por que nos 70 os álbuns do Kraftwerk eram difíceis de ser encontrados nas lojas européias, já que parte delas colocava os discos nas prateleiras de música clássica. (…) Quantos robôs bacanas não foram criados pelo Kraftwerk nestes anos todos, de David Bowie a Afrika Bambaataa, de Depeche Mode à toda cena eletrônica dominante destes tempos?

Foi um show para não ser deletado jamais da memória. O único senão foi não ter levado meu PC para o Jockey Club. Ele iria amar o Kraftwerk.”

Foto escura do show do Jockey, de 1998. Bom, o que importa para o Kraftwerk está bem iluminado

4. Nick Cave, Projeto SP, São Paulo, 1989

Numa das eras indies mais legais para shows no Brasil, a era dos shows do famoso “Projeto SP” (Jesus & Mary Chain, Stray Cats, Sisters of Mercy, Iggy Pop, Devo, Cocteau Twins etc.), em tempos mais que improváveis para shows indie bons aqui no país, apareceu para nós um sujeito australiano sinistro, com uma banda absurda (os Bad Seeds), um álbum incrível (”Tender Prey”) e um show arrebatador de indie-blues-gótico sobre amor e morte. “Deanna” foi uma das músicas mais impressionantes que eu vi em uma apresentação ao vivo de alguém. Eu tenho uma péssima memória para tudo, inclusive para coisas que aconteceram no dia anterior, quanto mais em 1989. Mas lembro muito de muitas coisas desse show de 19 anos atrás. Isso deve significar algo.

5. Strokes, Cais do Porto, Rio, 2005

Enfim os moleques que salvaram o r… hahahaha. Enfim os Strokes vieram ao Brasil, para shows em São Paulo, Rio e Porto Alegre, no Tim Festival. A estréia foi no MAM do Rio, a sede antiga do festival. A primeira apresentação foi boa, mas não booooooooooa. Eles estavam tensos com a família toda no Rio, a lista VIP da Alicinha Cavalcanti estava em massa, o de sempre… Aí alguém do Rio teve o bom senso de marcar um show deles para o gelado e sinistro Cais do Porto, com ingressos mais baratos, para a molecada (que é quem ouvia Strokes, mesmo). Aí entupiu, o clima estava animado, a galera pirou, a banda se soltou, o lugar ferveu. E assim foi.

* Sonic Youth (Free Jazz), Belle & Sebastian (idem), o primeiro Beastie Boys, Echo & The Bunnymen e New Order, estes dois últimos dos anos 80, entrariam na minha lista se fosse um Top 10.

* PROMOÇÃO INGRESSOS - Vamos começar já essa história. Quem participar da enquete do “show da vida” vai concorrer a:
1. Um ingresso para o Skol Beats
2. Um ingresso para o Planeta Terra Festival
3. Um ingresso para o show do Tim Festival do dia 23/10, em São Paulo (Gossip, Klaxons, Neon Neon)

* Já Já - Um update do final de semana.

Autor: Lúcio Ribeiro - Categoria(s): Blog Tags: , , , , , ,
Voltar ao topo