Falei com Jesus. E ele disse “não!” ((versão final))
* Não, a foto aí não é o Kanye West.
* Vamos falar muuuuuito de Kanye West hoje. Por motivos óbvios e também porque ele recebeu a imprensa nesta semana aqui em São Paulo para a audição de seu novo disco. Perdi essa por dois motivos. Primeiro porque tinha o julgamento do Kleber no mesmo horário. Segundo que, quando rolou isso de audição em Los Angeles, o Kanye West botou na sala de audição 40 mulheres peladas. Vou repetir: 40 mulheres peladas. Vinte negras, 20 brancas. Todas lindas. Na sala, as negras na frente, as brancas atrás. Os jornalistas entraram, sentaram e sem nenhuma explicação o disco começou a rolar. Quando acabou, os jornalistas foram retirados da sala, sem ninguém falar nada. Aqui em São Paulo ia estar o Thiago Ney, o Jamari França, um povo do G1, do iG, o Humberto Finatti… Quando o CD vazar na internet eu ouço, hahahaha.
* A nossa semana começou com notícias muito fortes. Primeiro o Paul Weller cancelou sua participação no Tim Festival, porque um brasileiro da banda dele não conseguiu visto para o… Brasil. !?!?!. Depois foi anunciado que o Wilson Sideral abre os shows da banda REM no Via Funchal. Mas quer saber a pior?
* Noel Gallagher também não vem mais para o Tim Festival. Parece que a propaganda de TV do festival, que destacava o guitarrista do Oasis em meio às imagens das atrações desta edição 2008, saiu de circulação.
* TRAVIS NO RIO – Então ficamos assim, quanto aos shows de abertura para o REM no Brasil. Sideral em São Paulo, Nenhum de Nós (Nóis?) em Porto Alegre e TRAVIS no Rio. Vou repetir: Travis no Rio.
* TRAVIS? “NO, RIO…” - Hahaha. Foi tudo um erro de comunicação da equipe do REM. O grupo escocês Travis, que toca com a banda de Michael Stipe na Venezuela e Peru, não vai ser a atração de abertura do Rio. Temo pelos cariocas sobre qual vai ser a banda de abertura que vão colocar lá…
O cara de amarelo aí no meio é o Dan Deacon, atração paulistana de sexta no Tim Festival, em foto de sua apresentação no Coachella. Não dá para perder um show assim, né?
* TIM FESTIVAL – PERA LÁ – E um dos maiores festivais de música da história brasileira vai começar, aos trancos e barrancos. Com cancelamentos, boatos de baixíssimas vendas de seus ingressos caros e repercussão negativa entre a galera em geral, especialmente em São Paulo, e principalmente quando comparado ao “bem costurado” festival Planeta Terra, que para o importante “mercado Paulistano” virou “O” festival desde o ano passado. Mas no meio dessa bruma de desconfiança não dá para ignorar um evento que traz para perto de nós o seguinte:
- um show incrível como o do rapper Kanye West, um dos nomes mais celebrados do mundo pop hoje, por qualquer vertente que se olhe.
- a urgência sonora do Klaxons, que faz um show punk olhando para um futuro esquisito, que incomoda, mas de cima do palco faz transbordar uma energia tão sólida que quase dá para pegá-la com a mão.
- o sensacional Dan Deacon, de estripulias eletrônicas tão experimentais malucas quanto pop, que toca com galera no palco e podia tanto estar na sala de sua casa quanto numa galeria de arte. E com um adendo: ele é de Baltimore, talvez a cena musical (não só) mais impressionante hoje nos EUA.
- a confusão sonora e moderna da meninada do MGMT, banda dos hits indies mais intensos de 2008, e que ao vivo consegue fazer a mais legal e também a pior apresentação do rock hoje, mas nunca desinteressante.
- a melancolia artística do National, acentuada pela voz grave mortal de Matt Berninger.
- fora o Neon Neon fazendo o show “De Volta para o Futuro”, a anarquia divertida “punk-leste-europeu” do Gogol Bordello etc.
Não se engane. O Tim está longe de ser um festival a ser ignorado em São Paulo.
* JÁ ERA - Sinal definitivo dos tempos, este blog foi avisado de que a Amoeba Records, a maior loja de discos do mundo e templo de quem ainda gosta de CD e vinil na mão para apreciar capa, encarte e tal, decidiu abrir sua “digital music store” no próximo verão (deles), em junho/julho de 2009. E o foco vai ser a nova música, independente. A Amoeba, loja fantástica e gigante que tem três sedes na Califórnia (LA, San Francisco e Berkeley), é daquelas que qualquer funcionário sabe quem é a Micachu. E que se entra com carrinho ou cestinha de supermercado, mesmo hoje quando ninguém (ou quase) compra mais CDs.
* JESUS E EU - Quando me disseram “Quer fazer uma entrevista com William Reid?”, achei engraçado e improvável. Primeiro, óbvio, fui dizendo que certamente queria. Mas achei quase impossível falar com o guitarrista do Jesus & Mary Chain, grande atração do festival Planeta Terra, ser humano mais intempestivo que Liam e Noel Gallagher juntos.
Passei os anos 90 inteiro (exageeeero) pedindo para entrevistá-lo, mas nunca consegui. Sempre me davam o irmão, o vocalista Jim Reid, para conversar.
Numa histórica (para mim, pelo menos) entrevista que fiz para o caderno Ilustrada da “Folha”, em 1998, eu estava conversando com o irmão Jim Reid, em Londres, num camarim minutos antes de certo show deles, quando William irrompeu dando bica na cadeira, xingando todo mundo, quase quebrando o espelho, porque tinham perdido uma guitarra sua na volta de uma apresentação na Áustria.
Jim: “William, estou com um jornalista aqui”.
William: “Perdão. Não é nada com vc. Mas digam para esses retardados que não vou fazer passagem de som porra nenhuma”.
E saiu batendo a porta e terminando por destruir com um chute a cadeira que já estava deitada no chão.
* O show mais tarde, no Royal Festival Hall, foi desastroso e histórico ao mesmo tempo. Sonoramente caótico, o casca-grossa William Reid tocava ao mesmo tempo que continuava xingando todo mundo. Eu, que tinha presenciado o xilique dele no camarim, fiquei de olho fixo no guitarrista. Ele fazia sinal de negação com a cabeça, abaixava toda hora para arrumar os pedais, mexia direto nos amplificadores tão furiosamente que parecia que ia derrubar tudo. Isso porque era um show de lançamento do ótimo CD “Munki”, apresentado pelo lendário radialista John Peel e com participação de Bobbie Gillespie (Primal Scream) e Kevin Shields (MY Bloody Valentine).
* Enfim, o William Reid que entrevistei nesta semana nem de longe lembrava o William Rock’n'Roll da década passada. Voz calma ao telefone, barulho de mulher e criança ao fundo, um sotaque escocês americanizado pelos anos vividos na Califórnia, eu perguntei duas vezes se tudo bem de a entrevista rolar, se ele não estava ocupado. “Que nada, não ando com muita coisa para me ocupar ultimamente”.
* A entrevista eu postarei aqui em algum dia da semana que vem. Mas duas coisas já precisam ser esclarecidas. Ele disse que não briga mais há tempos com o irmão Jim, o que eu não sei se isso é bom ou ruim para a aura da banda, você me entende. “As coisas mudam, as pessoas mudam.”
E, não, eles não vão trazer ao Brasil a atriz Scarlett Johansson para cantar “Just Like Honey” ao vivo em São Paulo. “Infelizmente não vai dar para levá-la.”
Cake n’roll. Katy Perry se jogando no bolo em performance no México para a MTV
Foto: MTV Latin America
* BLOC PARTY VERSUS KATY PERRY - A MTV anda demais. Outro tombo em seus video awards, desta vez no Latino, México. Na semana passada quem tomou tombão foi a incrível Katy Perry, que beija meninas e gosta. O tombo dela, na verdade tomboS, teve mais…hum… estilo que o do “nosso” Kele Okereke, do Bloc Party. E, para completar, a Katy Perry nem fez playback. Nem de instrumentos, nem de voz. Oh, Bloc Party. So much to answer for no Terra.
* TIM FESTIVAL – PRA QUEM SERVE O KANYE WEST? - Maior e milionária atração do Tim Festival, a participação de Kanye West, ainda mais no calor do álbum novo a ser lançado, é simbólica para ilustrar a bagunça da música hoje em dia. É o primeiro rapper a ser o maior nome do festival roqueiro que tem alma jazz. Aí, um dia, numa questão poploadica, discutimos por aqui qual seria o público do Kanye West para o show de São Paulo. Concluímos que a maior expressão do hip hop mundial (na companhia de Jay-Z e o “velho” Eminem) não vai levar um público rapper paulistano “de raiz”. Hummm. Rapper sem o público rap. Também não vai levar público do rádio, porque ele nem toca muito em rádio em São Paulo. Aí descobri que uma amiga que curte música eletrônica só vai ao Tim para ver o Kanye West. E no Twitter vimos que alguns indies “nível Milo” fazem questão de conferir o show do rapper americano. Uma amiga querida fã de lugares playba e coisas como Jack Johnson andou me perguntando sobre o Kanye West, porque ela ganhou ingressos Vip e está a fim de ir ver o cara. Está tudo muito confuso.
* Neste ano vi o ótimo show “rock’n'roll” do Kanye West no Lollapalooza, já falei sobre isso aqui. Tinha visto um dele em 2002 ou 2003, acho (nossa, estou ruim de datas e com preguiça de googlar), e só tinha eu de branco, praticamente. Mas, neste de 2008, parecia que as mesmas loirinhas que no ano anterior (ou foi 2006?) estavam se matando na tosqueira cool do show do Queens of the Stone Age, agora “malandramente” se requebravam em “Gold Digger”. Beleza, vivemos num mundo globalizado e plural. Mas os blogs americanos ultimamente passaram a se referir a outra “raça” frequentadora dos shows do Kanye West. Os… emos. As últimas músicas que ele lançou eram todas tristes, coração partido blablablá. Para você ter uma idéia, o nome do novo álbum é “808’s & Heartbreak”. Num show da atual turnê dele na Escócia, em dezembro, o próprio Kanye andou se declarando emo, porque a mãe tinha morrido e ele estava dilacerado pelo fato, daí a sensibilidade triste que escorria para sua música. Pois, recentemente, com os últimos singles e tal, acho que ele está levando muito a sério a coisa. Pior, sua nova parcela emo de público é que está levando a coisa mais a sério ainda. Tanto que já circulou nos blogs a seguinte “foto” de Kanye West:
Foto BoUNCe Magazine
* Sim. Este aí da foto é o Kanye West. Quer dizer…
* O KAISER CHIEFS NÃO SABE O QUE ESTÁ FALANDO – O Kaiser Chiefs é o novo Blur. O Kaiser Chiefs é o novo Strokes. O Kaiser Chiefs é o novo… Kaiser Chiefs. O próximo CD da atração master do Planeta Terra está todo na internet e já bombando louco na redação da Popload. Tem produção do Mark Ronson, colaboração da Lily Allen, reggae-rock tipo Strokes e britpop tipo Blur. O último caso cabe bonito às duas melhores faixas do disco, “Can’t Say What I Mean” e “Good Days Bad Days”, que você ouve aí embaixo. Sem falar da nossa “velha” conhecida “Never Miss a Beat”. Claro, falta a urgência nervosa do Kaiser Chiefs de 2004. Mas a banda de Leeds é talvez a que melhor envelhece no “novo rock” inglês. Venha, KC.
KAISER CHIEFS – “GOOD DAYS, BAD DAYS”
* EXTRA, EXTRA – E o Tim anuncia que a cantora Roberta Sá e o cantor Arnaldo Antunes entram no festival, no lugar do Paul Weller. Poim!!
* BECK IS BACK - Nada a ver o titulinho, mas só para não perder a piada. O gênio loser Beck Hansen fez o disco do ano, isso todo mundo sabe. E deste novo CD vem o novo clipe, “Modern Guilt”, há alguns dias circulando pela internet. É bacana a culpa moderna perseguir o Beck, que se rende a ela no final, tadinha. Ou tadinho. A culpa moderna persegue a gente demais, eu acho. Uma amiga disse que o Beck está parecendo a Rita Lee, hahaha. Destaque para a cena do atropelamento.
* O KEANE E O ESTRELATO - Nunca fui chegado ao rock pianinho do grupo inglês Keane, embora ele até tenha algumas poucas boas músicas, na minha opinião. Mas neste mês fiquei bem curioso pelas coisas dessa banda que nasceu das cinzas do britpop. É que a última vez agora que estive em Londres, para o evento “Comes with Music” da Nokia, vi nascer um “complô” da “malévola imprensa inglesa” para botar o Keane-nova-fase rumo ao estrelato, tipo legítimo “sucessor do Coldplay e do U2″. Enfim, um show-surpresa do Keane ia ser o grand-finale do lançamento do badalado serviço de música da companhia finlandesa. E uma apresentação, assim, repentina, ia clarear minhas idéias quanto à banda do problemático Tom Chaplin. O Keane estava lançando disco novo (”Perfect Symmetry”), single novo (”The Lovers Are Losing”), e as críticas no jornais estavam superfavoráveis à nova fase da banda, agora com mais guitarras, agora com um “diferente” Tom Chaplin, recém-saído de um rehab por causa de drogas. Tinha até o lance artístico de um escultor coreano que tinha feito a banda em bronze, no tamanho natural dos integrantes. Não entendi direito para quê, mas tudo chamava a atenção para o Keane. Fui ouvir o single e achei chato. Baixei o disco e não consegui passar das três músicas “mais elogiadas”. Vi o vídeo e achei bizarro de tão ruim. Nem o Oasis faz vídeos qualquer-coisa daquele jeito. Mas estava curioso sobre o show do Keane no evento da Nokia, porque seria para uma platéia de uma festa, que não necessariamente estaria lá no clube por causa deles. “Vamos ver se a banda ganha um público não-dela com o tão-falado novo disco”, pensei. Na terceira música, os convidados da Nokia ou estavam todos de volta ao bar ou já tinham ido embora do lugar. Não rolou. Na quinta canção, eu estava no metrô rumo ao hotel. Decidi parar de perder tempo com a propagada grandeza do Keane.
* Agora o Keane chega direto ao primeiro lugar de álbuns no Reino Unido, desbancando o do Oasis e empurrando para baixo o do Kings of Leon. Definitivamente eu não entendo o Keane.
* YOUNG KNIVES WORLD EXCLUSIVE - mais um, hihi. A Popload anda muito metida. Quem visitou recentemente os estúdios da Rádio Poploaded, o programa de rádio semanal deste blog (com apresentação minha e do reverendo Fábio Massari), foram os ingleses da banda Young Knives. E para uma session ex-clu-si-va. Veja você, Já estamos abrigando sessions de bandas top 20 (21, vai…) da Inglaterra. Até aí tudo normal, se os geek-rockers não resolvessem de última hora fazer nos estúdios do iG mesmo um projeto “adormecido”. Mandaram a nossa produção arrumar bongos e um baixolão (um “baixo acústico”) e arriscaram um set acústico para o programa. Saíram tão felizes com o resultado que pensam em levar a idéia a sério. Sabe aquela do “você ouviu primeiro aqui”? Então, só que dessa vez é para valer. Dá uma olhadinha na ótima “Up All Night” (Poploaded Version), dentro da novíssima TV iG, que tem qualidade melhor que o amigo YouTube. Desculpa, mas tem…
* O baixolão ficou para a próxima, porque na confusão recebemos um contrabaixo do tamanho de uma mulher de 1,80m. O programa Poploaded é apresentado toda semana. Toda sexta-feira entra um novo, sempre com uma session exclusiva, geralmente de banda de destaque no cenário nacional. O blog da rádio passa por rearranjos, mas o programa está ali facinho na barra da direita deste blog. E tanto a TV iG e o Youtube guardam todos os vídeos das sessions apresentadas nos nossos já míticos estúdios. Você perdeu a performance poploadica das francesas Plastiscines? Hein?
* PROMOÇÕES INGRESSOS TIM FESTIVAL E PLANETA TERRA - Primeiro o resultado do segundo ingresso ao Planeta Terra sorteado por este blog. A vencedora é Camila Yorke (parente do Thom?), via email. Agora as novas premiações.
- CINCO PARES de ingressos para a sexta-feira balada do Tim Festival. Os ótimos Dan Deacon e Gogol Bordello mais Switch, Junior Boys e DJ Yoda. Só para comentaristas. E os que ganharem devem retirar os ingressos comigo, em mãos.
- UM ingresso para o festival Planeta Terra, via comentários ou email.
Se joga.
* GONE – Vou nessa! O prometido especial “Revolução Interior” vem no próximo post. Não é por nada o atraso. É que quanto mais eu mexo, mais história sai. Bom começo de Tim Festival.
Autor: Lúcio Ribeiro - Categoria(s): Blog Tags: Jesus & Mary Chain, Kanye West, katy perry, Tim Festival








