08/09/2008 - 22:04
* Popload na Sicília.

* Você vai chegando a Siracusa e de longe avista uma edificação gigante, branca. Ruínas gregas? Nada. A cidade, que já pertenceu aos gregos antes de os romanos a tomarem, recebe os visitantes com um cemitério. Enooooorme para uma cidade que nem tem uma população extraordinariamente grande. Ê, máfia…
* SIRACUSA É INDIE – O indie está em alta nesta parte bem ao sul da Itália. Mas aqui o termo tem outra serventia. Ele dá nome aos comerciantes que resolveram se rebelar contra a máfia local e não contribuir mais com dinheiro, em troca de “segurança”. Pelo que eu soube, começou com os comerciantes de bancas de frutas. Onde li, dizia até que os “rebeldes” chegam a botar placas na frente do estabelecimento dizendo “esta loja não contribui com a máfia”. Mas, em um rolê rápido pelo centro da cidade, essas placas eu não vi.
* RÁDIOS ITALIANAS – Estou atravessando o sul da Itália de carro, ao embalo de rádios bem bacanas daqui. Eu, que não acreditava em tantas rádios italianas decentes assim. Tem uma que chama Rádio Ibiza e toca rap francês, electro-rock inglês, experimentações dance italianas, o diabo! Tem a Radio DeeJay, que não compromete. Boa para ouvir os singles “da hora”. A Virgin FM, com sotaque inglês mas programação italiana, que toca basicamente velharia, mas sem xaropices. E tem a 105FM, minha preferida, que transmite direto de Milão. Emissora boa, toca o hoje olhando para o futuro. Muita rádio brasileira devia seguir o exemplo. Bota para rolar indie inglês e americano, rock italiano (a cena local), R&B e rap dos EUA, sem perder o rebolado. Não é que despreza o passado, mas acha mais interessante movimentar a música de agora. Difícil tocar “Under the Bridge”, dos Chili Peppers, ou “Daughter”, do Pearl Jam, ou “…My Way”, do Lenny Kravitz. Pode até tocar Chili Peppers. Pode até tocar “Daughter”. Mas não faz como as rádios brasileiras, que tocam como se a música tivesse acabado de ser lançada. Com a desculpa de “tocar para as pessoas de 30 e poucos anos”, acreditando em uma cascata que diz que essa é a idade dos que mais ouvem rádio e dos que gostam de músicas “de sua época”. Nhé!
* BAFO NO SHOW DO OASIS – A banda estava executando o hit “Morning Glory”, no último domingo em uma apresentação no Canadá, quando um cara da platéia invadiu o palco e empurrou o Noel Gallagher para a galera, com guitarra e tudo. O Liam, que estava cantando sem olhar para os lados, não viu o “stage dive” forçado do irmão e ficou sem entender a confusão. Quando se ligou, e os seguranças estavam levando o agressor para fora do palco, Liam saltitou engraçado e deu um safanão no cara. O show parou e a banda saiu de cena. Dizem que nos bastidores o Liam teria dado um chute na cara do fã doido, que foi direto para o hospital. Quando o show foi retomado, o Noel estava normal e o Liam transtornado, tanto que nem cantou muito das “suas” músicas. O vídeo da confusão está aqui.

* AMY ITALIANA – Sempre que a música “Non Ti Scordar Mai Di Me” começava a tocar no rádio, achava que estava ouvindo a inglesa lesada Amy Winehouse cantando italiano. Voz igual, levada igual. Descobri que era uma cantora italiana mesmo, chamada Giusy Ferreri. Depois, no hotel, vendo a MTV local, vi uma mulher parecida com a Amy. Quer dizer, se a Amy não usasse o cabelo de cavalo e fosse bem mais bonita e saudável (italiana). Era a tal Giusy Ferreri. Estou com preguiça de botar o vídeo da italiana aqui, mas o Youtube tem facinho. Dá uma procurada para conferir como seria a Amy Winehouse se ela usasse menos drogas e comesse mais macarrão. Fora que a música é bonita, dramática.
* ORLOFF FIVE FESTIVAL: HIVES, O SHOW DO ANO? – Por motivos óbvios, eu não consegui estar no Via Funchal, no final de semana passado, para conferir Hives, Melvins e Plastiscines (mais o “nosso” Vanguart). Mas a poploader Ana Bean foi lá, então é como se eu estivesse. E o que a Bean viu foi isso:
- “Achei que o show do Franz Ferdinand no Circo Voador, em 2006, tinha sido o mais próximo de Carnaval que um show indie pudesse chegar, mas a micareta do Hives no Via Funchal, sábado, foi tão (ou mais) divertida quanto.
- A noite começou pesaaada (literalmente) com um já grisalho Buzz Osbourne e o seu famoso cabelo Chico César do Mal. Fãs do Melvins se amontoaram e reagiam emocionados a cada movimento das baterias. Quem exagerou na reação, como um moleque que fez o (des)favor de atirar um copo de cerveja no palco, recebeu uma bronca bem-humorada, mas um tanto assustadora da banda. Fizeram a noite dos cabeludos e ex-cabeludos do Via Funchal. As meninas se divertiram com o roadie de sunga azul que circulou pelo palco como se estivesse no calçadão de Copacabana.
- As francesas Plasticines fizeram no Vegas, quinta, o show que deveria ter sido feito no Orloff. No clubinho da Augusta, elas se entenderam com o público e o show foi divertido. Honesto, melhor dizendo. Na imensidão do palco da Via Funchal, elas ficaram perdidinhas. O som não funcionava direito, a vocalista estava tensa e a comunicação com a platéia… FAIL. Ninguém reagia ao inglês, ou ao português afrancesado, muito menos ao francês das meninas. Começou pesado e acelerado, até perder totalmente a força depois que as três músicas conhecidas (ou não) foram tocadas. Irritadinha, a vocalista começou uma série de berros, encenou uma briguinha com um fã, insinuou um momento clichê lesbo-chic com a baixista, e finalmente perguntou: “Do you wanna see ‘Ze’ Hives???”. Platéia surta e daí já não tinha muito o que fazer.
- Entram os suecos. Nem precisaram tocar uma nota para o Via Funchal reagir. Elétricos, teatrais, não dava para tirar uma foto que não saísse tremida. Enquadrar o vocalista Howlin’ Pelle Almqvist em suas andanças para lá e para cá e a toda velocidade pelo palco era impossível. O guitarrista Nicholaus Arson (praticamente um Brendan Fraser do rock, haha) conseguiu a proeza de chamar ainda mais atenção, com suas piadas (e escarradas, vale dizer) e brincadeiras bem comédia pastelão. O carisma da banda fez até aqueles chatos e manjados “Eu Te Amo, São Paulo” ficarem divertidos. “Batam Palma!”, “Grita aí!”, “Parem!”… gastaram o português limitado mandando e desmandando na platéia. “Main Offender”, já a segunda música do show, provocou um tumulto bom, se é que isso existe. Micareta não é exagero, ninguém parou de pular mais depois disso. O último disco (“The Black and White Álbum”) permeou o show, mas “Tick Tick Boom” ficou para o bis, claro. Assim como “Hate to Say I Told You So”, que quase fez o “tumulto legal” virar coisa mais séria.”
* E o tumulto do Hives em São Paulo pode ser visto no vídeo de “Hate to Say I Told You So”, aí embaixo.

* A VOLTA DO MARS VOLTA? – Acho que já fiz esse título-piadinha em alguma outra ocasião, mas vale o repeteco. A banda de indie progressivo (haha) The Mars Volta vai estar por estes lados da América do Sul no começo de novembro. Não sei nada sobre o Brasil, mas parece que os shows viagem-barulho deles estão garantidos no Chile e na Argentina. Em Santiago, por exemplo, o TMV toca com o REM no dia 3 de novembro e com o Jesus & Mary Chain no dia 4. Deve sobrar para nós, espero.
* PROSTITUTAS ANÃS – Na lista de exigências da veterana banda americana Melvins, atração das boas do festival Orloff Festival, que balançou SP no final de semana passado, constava esse estranho pedido. A produção não conseguiu satisfazer os rapazes. E eles, bacanas, nem reclamaram. Ah, pediram cuecas-tanguinha também. É sério!
* UNIDOS PELO BOB DYLAN – Os folks também amam. Mallu Magalhães e Helio Flanders (Vanguart) são o novo casal indie da cidade.

* EU CORAÇÃO KATY PERRY – Vou falar aqui: eu curto a Katy Perry. Ela é o Artic Monkeys da música pop baba americana. Explico: cada um bem na sua, e musicalidade à parte (óbvio), tanto Perry quanto os Monkeys constroem preciosas letras sacadíssimas sobre seu cotidiano. Os ingleses na vida árida de um moleque de Sheffield em sua cidade sujinha e (quase) sem graça. Ela no dia-a-dia “difícil” de uma garota da Califórnia, com seus namorados emos e suas amigas eeeeeewwww. Kate Perry tem sido uma das músicas do meu “verão”, aqui na Itália. “I Kissed a Girl” anda tocando mais que Madonna, que estava sendo bombada aqui na Europa por causa da passagem da sua turnê-furacão, essa que vai para o Brasil em dezembro. Da Perry, ainda se ouve bastante a “Ur So Gay”, o primeiro single, a música que ela fez para o namorado que demorava para se arrumar mais do que ela, na hora de saírem. E nesta semana está sendo lançado o novo single dela, “Hot N Cold”. A letra não é tão “polêmica” quanto a dos seus dois hits anteriores. Mas, tanto quanto a música em si, é bem esperta. De novo, Kate se refere ao namorado (acho, pode não ser). Ao namorado bipolar. Uma hora é isso, outra hora é aquilo, reclama Perry. “We fight we break up/ We kiss we make up.” A música é um pequeno fenômeno dentro do fenômeno que é Katy Perry. Ela já havia entrado nas paradas de singles de download na Austrália, Canadá e EUA antes mesmo de ele ser lançado como tal, só porque a galera curtiu a música quando baixou o álbum. Na Inglaterra, enquanto “I Kissed a Girl” está em primeiro lugar, “Hot N Cold” já toca bastante. Nas rádios inglesas, tiraram o “bitch” da letra. Entrou “chick”, no lugar. A foto acima é de Katy Perry chegando segunda passada na gravação do VMA, o principal prêmio da MTV americana.
* ACABOU? - Ainda volto aqui para anunciar a promoção da semana e os ganhadores do prêmio francês. Rianna em São Paulo e Florianópolis em fevereiro, é?
Autor: Lúcio Ribeiro - Categoria(s): Blog
Tags: amy winehouse, Gyusy Ferreri, Itália, katy perry, oasis, orloff festival, rádios, siracusa
05/09/2008 - 16:54
* Popload em Positano, na Costa Amalfitana. Próxima parada: Sicília.

* POPLOAD 2009 – Finalmente o blog novo. Em obras ainda, é verdade. A casa nova da Popload está meio bagunçada. E em viagem fica complicado botá-la em ordem. Logo mais vai estar arrumadinha. E incrementada. E você, saiba, vai me ajudar nisso. Mais para a frente eu falo.
* POPLOAD DESMENTE VENDA – A Popload Inc., através de seu porta-voz, que sou eu, desmente notícias de que estaria vendida ao árabe trilionário do petróleo Abu Dabhi, que já adquiriu bancos alemães, um time de futebol na Inglaterra, o Robinho e quer comprar agora a Ferrari, o Louvre e… Hollywood. Quem é esse cara, meu Deus?
* AH, A ITÁLIA – Fim de tarde, pós-praia, três garotas de tipo 15 anos se juntam a um casal amigo que esperava o ônibus míni de 20 lugares que circula a 10 km/h pelas subidas e descidas estreitas de Positano. “Ciao” para cá, “Ciao” para lá e o barulho de óculos batendo na hora dos beijinhos de “oi” chamou a minha atenção. O menino estava com óculos de sol Prada, uma das garotas de Gucci, outra de Armani feminino (é bom especificar, pois li na “Vanity Fair” italiana que Armani masculino é moda entre elas) e a última de óculos escuros, se eu pude ver bem, vestia um Dolce & Gabbana. A Itália está afundada na crise, é visível. Mas perder o estilo, isso ja-mais.
* A ITÁLIA E O GPS PORTUGUÊS – Estou adorando a portuguesa que me leva e traz pelas estradas italianas. É a voz do GPS do carro que aluguei. Tudo bem que ela avisa “Saia pela saída” ou “A 200 metros, siga em frente…”, mas também leva à ruelinhas que nem tem em mapa oficial e ainda dá toques de radar nas estradas. Para um cara distraído e perdidaço como eu, o GPS é a invenção mais importante desde a TV e o iPod.
* MADONNA NA ITÁLIA E BRASIL – Escutando uma das rádios bacanas da Itália, a DeeJay, na freqüência daqui da parte de baixo do país, eu escuto toda hora os DJs falarem a palavra “Madonna”. Pescando os significados com o meu italiano capenga, sempre percebo que eles não estão falando sobre a famosa cantora americana. Aí eu lembro, nessa “toda hora”, do Brasil e da “loucura dos ingressos” que está monopolizando os sites de notícia brasileiros. E me pergunto por que as pessoas ainda se espantam com essas coisas. Toda vez que tem um show mega com ingressos sendo vendidos pela internet ou não é a mesma ladainha: site que não suporta a demanda e sai do ar, ação arrojada de cambistas, filas gigantes, sofrimento, dor e suor. Quem não se lembra do massacre que foi a venda de ingressos para o U2, em 2006, por exemplo. O Pão de Açúcar quase teve algumas de suas lojas destruídas porque a rede de supermercados, patrocinadora dos shows, achou marqueteiramente esperto vender entradas para o U2 em suas lojas. Engraçado recordar que o primeiro “supershow” a apresentar problemas com ingressos na internet foi indie e nem foi em São Paulo ou Rio: Pixies, em 2004, no Curitiba Pop Festival. Sangria para comprar o ingresso de papel, site despencando em nível nacional para o povo comprar a entrada virtual.
* Tudo bem que esse assunto “cambistas, sites fora do ar, mal funcionamento, desrespeito com o público” é um assunto triste só para quem quer comprar ingressos, porque é “charmoso” para os organizadores (indicativo de “sucesso” e mídia gratuita) e “notícia que repercute” para os sites, jornais e blogs. A impressão que se tem é a de que isso nunca vai ter fim. Só pode, no máximo, ser amenizado.
* Tudo bem que a Itália é tão “zona” quanto o Brasil… Saiu uma reportagem aqui na revista de música “Mucchio” (capa com a guitarrista pop bonitona Beatrice Antolini) sobre problemas generalizados de ingressos com a Ticket One, empresa que tem grande monopólio de venda de entradas para shows no território italiano. Parece que o último show do Radiohead em Milão, em junho, foi uma catástrofe de venda online, venda física, cambistas. Também em Milão, deu confusão com os bilhetes para o Tom Waits (julho) e o Bruce Springsteen (junho). O material desce-lenha da “Mucchio” vinha ilustrado com a charge abaixo. Gradite um bigliettino?

* SALVE A CASA DA MATRIZ – Depois da chacoalhada que a São Paulo indie teve com o fim das noites Peligro e Mixtape no clubinho Milo Garage, outro “patrimônio” da música “alternativa” brasileira sofre um abalo. A Prefeitura do Rio de Janeiro está querendo fechar a Casa da Matriz, reduto histórico em Botafogo de várias músicas, mas principalmente a indie e principalmente a Maldita, dos DJs Zé e Gordinho. Galera local e freqüentadora se mobiliza com abaixo-assinado.
* TIM FESTIVAL/PLANETA TERRA/REM NO ESTÁDIO DO ZEQUINHA/MADONNA – Êêêêê!!!! Conforme a Popload adiantou nesta semana, o Tim Festival paulistano, que acontece no mês que vem, vai abandonar o modorrento Anhembi e passa a ser no parque do Ibirapuera. A organização do festival resolveu divulgar sua programação completa e o “fator Ibirapuera” depois que a Popload soltou a informação, fui avisado. Hihi.
* O brother Thiago Ney, no blog da Ilustrada (Folha de S.Paulo), divulgou que a programação do Tim Festival em São Paulo, na Arena de eventos do Ibirapuera, ficará assim:
22 de outubro (21h): Kanye West
23 de outubro (21h): Neon Neon, The Gossip, Klaxons
24 de outubro (19h): Junior Boys, Dan Deacon, Gogol Bordello, Switch, DJ Yoda
25 de outubro (21h): Cérebro Eletrônico, The National, MGMT
* Sobre ingressos, o Tim Festival ainda nada falou.
* Mas o Planeta Terra, sim. Um primeiro lote para o festival de 8 de novembro começa a ser vendido nesta sexta-5* com o preço único de R$ 60. Preço único, veja bem, para ver de Jesus & Mary Chain a Bloc Party. De Foals a Breeders. De Kaiser Chiefs a Animal Collective. De Mallu Magalhães a… // *Update: após o fechamento deste post, e após alguns amigos já terem até conseguido o ingresso via Ticketmaster, a venda de ingressos foi adiada para o dia 12 de setembro.
* REM quatro ou cinco vezes. As quatro datas certas dos shows da banda de Michael Stipe, vista recentemente pela Popload na França, já são conhecidas: 6/11 em Porto Alegre (estádio do São José), 8/11 no Rio de Janeiro (HSBC Arena) e 10 e 11 no Via Funchal, em São Paulo. Uma emissora de TV ainda negocia uma apresentação “meio aberta” ao público no Rio ou em São Paulo. Mas o melhor é o seguinte: O REM divulgou oficialmente as dez datas de sua turnê na América do Sul. A do local em Porto Alegre, botaram como ele é conhecido lá no Sul.
”November 6th: Porto Alegre, Brazil, Zequinha Stadium”
* Madonna três ou quatro vezes. Apareceu um show novo da Madonna em dezembro, um quarto fora a data no Rio e as duas de São Paulo. A nova apresentação está entre o Rio de Janeiro e possivelmente Fortaleza, o tal show no Nordeste que a rainha pop queria fazer. Leeeeeembra do que este blog falou lá em maio, acho? Pois, se botarem fé na logística nordestina…
* MAIS ITÁLIA – LIGABUE – Ainda estou mergulhado nas muitas rádios bacanas da Itália, tentando captar algo do rock italiano. Mas o fato é que o velho e bom Luciano Ligabue, 47 anos e figuraça amada e odiada da cena daqui, cantor, compositor e guitarrista, parece mandar no pedaço, ainda. Comprei disco dele da última vez que tive na Itália. Mas o sujeito, capa (sem camisa) da nova “Vanity Fair” italiana ainda é Deus no país. O cara virou a Itália do avesso no meio do ano, com a turnê do disco novo, “Secondo Tempo”, na verdade sua segunda coletânea (com faixas inéditas). Suas turnês são gigantescas, nível San Siro (Milão) e Arena de Verona. Está no meio de turnê européia, para quem pensa que o jeitão brega-heróico italiano só funciona aqui. Luciano Ligabue “emocionou” até Londres, com dois shows esgotadíssimos no Koko, para dar uma idéia. Fiquei com dúvida de qual vídeo do Ligabue eu colocava para rodar aqui. Ou o modernoso da música nova, “Il Centro del Mundo”, a canção mais executada da Itália hoje; ou o da cover que ele fez de REM, para “It’s the End of the World As We Know It (And I Feel Fine)”, de 1994!! Esta virou “A Che Ora E’ La Fine Del Mondo?”, que tem até um vídeo recente. Vamos de “Il Centro del Mundo”. Ele tem uma “mensagem”.

* As outras duas músicas mais ouvidas na Itália são: “Love Is Noise”, do Verve (é sério!), e “Give It 2 Me”, da Madonna (básico!).
* SERIADO: “THE HILLS” – Nunca tinha dado bola para essa série “The Hills”, da MTV americana, que é uma espécie de “reality” de amigas riquinhas da Califórnia que nasceu de outro programa, o “Laguna Beach”. Assisti a uns pedaços aqui e ali (a série de 2006) e nunca me entusiasmei. Aí que, agora, com a quarta temporada estreando e a terceira saindo em DVD, o mundo do entertainment americano SÓ FALA em “The Hills”. Convidei minha amiga Fernanda Tedde Vendramini, do blog Two Way Monologue (twoway-monologue.blogspot.com) e especialista em “The Hills” , para nos explicar “qualé” desta série. Fala, Ferrrrrr!
“Uma menina que espalha pela cidade a calúnia que a melhor amiga certinha fez um video de sexo com um ex-namorado. Esse é o mote da terceira e quarta temporadas de The Hills. Antes disso, o seriado-reality show que revela a vida de quatro meninas loiras, lindas e ricas da Califórnia e sua turma fazendo compras, indo para a balada e pegando gatinhos tinha como emoçao máxima uma bronca da chefe. Ou um chifre de um namoradinho. The Hills é “filho” de dois dos maiores expoentes das séries jovens moderninhas americanas: OC e Laguna Beach. OC dispensa maiores explicações. Na época que OC estourava, a MTV, esperta, lançou o reality show Laguna Beach- The Real OC, que mostrava a vida “real” de uma dúzia de estudantes de high school e moradores da milionária praia Laguna Beach. Uma dessas afortunadas, Lauren Conrad (ou LC), 22, ganhou seu próprio reality quando foi fazer faculdade em LA, tentar um estágio na revista Teen Vogue e dividir um ap de sonhos com a – então- amiga Heidi.
Como fica óbvio, o enredo não tem nada de marcante, as pessoas-personagens não agregam cultura na nossa vida, nem são engraçadas. Nem mesmo muito carismáticas. Os diálogos são absurdamente cotidianos e adolescentes e às vezes a gente se pergunta por que está assistindo aquilo. Mas o fato é que The Hills virou um dos maiores sucessos nos EUA. De tanta discussão gerada em torno dele, a MTV lançou um “sub show”, “The Hills After Show” em que o público se reúne simplesmente para comentar depois de cada episódio (1)o que aconteceu em uma tal festa, (2)se a Heidi ou a LC é a invejosa, (3)quem fez pós-silicone, (4)com quem uma outra fulana da turma devia namorar.
As meninas da série foram capa da “Rolling Stone”, em uma matéria em que o presidente da MTV diz que The Hills é “o TV show mais inflenciador que ja tivemos”. Muito mais que The Osbournes ou Jackass. Elas já foram a todos os programas de TV americanos, de Tyra Banks a David Letterman. Lauren lançou uma linha de roupas. Heidi acabou de iniciar uma carreira de cantora, com um vídeo surreal de tão cafona. E, o que é mais divertido, o país parece debater seriamente a questão de quão veridica é o programa e suas “atuações”. O megabombado blog Perez Hilton vive pondo lenha na fogueira que de “reality” o programa não tem nada. Em um post diz “Why do we all still watch the show when we know it’s fake? We can’t help it!” Agora, por que tudo isso? Talvez porque a série une o encantamento da vida utópica de uma juventude rica e linda (vide Barrados no Baile, OC e Gossip Girl) com o voyerismo de uma sociedade hedonista que adora Big Brothers e afins.
The Hills é contraditório, ou como diz a capa da Entertainment Weekly, é superficial e sensacional. As meninas têm TUDO que irrita muita gente. Só falam de compras, baladas, tem problemas fúteis, tem como maior desafio profissional assistir aos desfiles de moda em Paris, parecem viver numa bolha e colecionam bolsas Chanel. E tudo que encanta muita gente…No caso, os mesmos itens acima.”
* ORLOFF FIVE FESTIVAL - Neste sábado São Paulo abusa de shows legais. AS “babes rock” Plastiscines, o estupendo Hives e o histórico Melvins se apresentam no festival que toma o Via Funchal no barulhinho bom. Sem essa de levar protetor de ouvido, hein.

Plastiscines no iG
foto: José Luiz Sampaio
- PLASTISCINES – banda de punk 1234 que integra com glamour o levante do novo rock francês, este que chacoalha o andar de baixo sujinho da linda e iluminada Paris. O quarteto se apresentou nesta sexta-feira em session no programa de rádio Poploaded, co-apresentado por este poploaded e por Fabio Massari no estúdio do iG. Os rapazes do estúdio passaram mal duas vezes com a apresentação da banda francesa. Uma delas foi por causa do som.
- MELVINS – Banda quase trintona de grande importância para a evolução do rock alternativo americano. E em plena forma. Lá pelo final dos 80, Kurt Cobain fez teste para entrar no Melvins. E foi reprovado. Aliás, esse é o ponto para fazer você ir ver o Melvins: se o Cobain fosse vivo e morasse no Brasil, ele iria ao Via Funchal hoje.
- HIVES – Graaaande banda sueca deste ano cheio de grandes bandas suecas se apresentando no Brasil, o Hives vale o ingresso só pelo seu frontman, o explosivo Howlin’ Pelle Almqvist. O famoso colaborador brasiliense da Popload, o intrépido Eduardo Palandi, foi conferir o primeiro show brasileiro do Hives, nesta sexta, na capital federal. Ele nem gosta muito de Hives. Mas passou o seguinte testemunho:
“Quem esteve no show do Hives em Brasília, nesta sexta-feira, não viu uma aula de rock. Mas viu os melhores alunos da sala mostrando o que aprenderam: músicas curtas e diretas, refrões contagiantes, uma “cozinha” instrumental afiadíssima e o melhor frontman que vi ao vivo em todos os tempos. Howlin’ Pelle Almqvist, 30 anos de idade e há 15 à frente do Hives, é um show à parte: pula, dança, escala, rebola feito um louco furioso, brinca com o fio do microfone e comanda os outros quatro integrantes do grupo, além de fazer graça em portunhol para 2 mil pessoas que encheram o Arena (uma casa que normalmente recebe SAMBÃO e tem quadras de futebol soçaite), na Asa Sul, para ouvi-los. O setlist só teve hits e as menos conhecidas viraram hits na hora – e a platéia foi conquistada com facilidade. Curioso é que Pelle Almqvist, além de tudo isso, chuta o ar a todo momento. Eu mesmo pensei que os chutes eram em Matt Bellamy, do Muse, que no mês passado fez um show tão burocrático que deixou minha paciência no cheque especial. O Hives ao vivo é uma banda completamente diferente dos discos, energética e apaixonante: tanto é assim que agora quero saber qual o isotônico que seu vocalista toma, para eu ficar ligadão como ele quando estiver no trabalho.”
* KINGS OF LEON – E a internet já entrega desde as primeiras horas deste sábado, 6/9, o “Only By The Night”, esperado novo álbum do Kings of Leon, com previsão para chegar às lojas naquele formato antigo no dia 22 próximo.
A quarta obra de estúdio “light” do KoL tem 11 faixas, sendo duas delas até então conhecidas (“Crawl” e “Sex on Fire”). Agora a Popload apresenta “Manhattan”, faixa 5 do álbum.
KINGS OF LEON – “MANHATTAN”
* E LOGO MAIS: mais. Plastiscines no iG, Orloff Five, prêmios italianos, os resultados franceses. E sei lá o que mais.
* Pode ir dizendo o que achou do blog novo. Abra seu coração. Sugira mudanças, seções novas. Faça piadinhas também. O espaço é seu.
Autor: Lúcio Ribeiro - Categoria(s): Blog
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