* Entendeu o “again” fora das aspas ou preciso explicar?
* Ontem, o encerramento do festival cool francês Rock en Seine 2011 foi bem mais tranquilo. Dois dos destaques do domingão à beira do Sena foram o ainda novinho The Horrors e o velhusco The La’s, a segunda banda mais importante da história de Liverpool, além daquele quarteto lá.
Sobre o Horrors, é engraçado ver a nova postura de “banda grande” do outrora combo de moleques zoeiras de nomes bizarros e que até há pouquinho tempo faziam shows punks toscos com “temática” de filme de terror. O Faris Badwan está até parecendo um gentleman, haha. Ele parecia um young Herman Monstro, hehe. Tirei uma foto com ele uma vez, acho que no Sxsw há uns anos atrás. O cara é muito maior que eu, que não sou nada baixinho. Enfim… Eis o Horrors “banda séria” tocando a linda “Mirror’s Image” ontem, no Rock en Seine. Os meninos cresceram.
* Tinha até esquecido que a banda tinha voltado, se é que tinha acabado. O grupo The La’s, de Liverpool, superbombado no final dos 80, começo dos 90, muito por causa do hino britânico “There She Goes”, se apresentou no domingo do Rock en Seine, também. E, óbvio, lá foi “There She Goes”.
* O festival era o Wireless, mas não tinha wifi. :)
* Evento de três dias, a Popload só compareceu no dia comandado pelo Pulp, em seu “show do retorno” em Londres.
* O Wireless Festival do domingo passado, dia 3, foi o primeiro show marcado pelos heróis do britpop Pulp em Londres, quando anunciaram o “comeback”. Foi mais um megaevento na arena de muitos megaeventos em que foi transformado o Hyde Park, colossal parque no coração de Londres. O mesmíssimo lugar em que, dias atrás, o canadense Arcade Fire arriscou sua pele indie comandando um showzaço na capital inglesa para 60 mil pessoas.
Jarvis Cocker, do Pulp, em um dos raros momentos em que ele canta e não fala, no Hyde Park, domingo passado
* E aí, então, chegou a vez de o Pulp reencontrar Londres, depois do reinado britpop dos anos 90, dos espirros que vendiam milhares de discos, das arenas lotadas, dos tablóides, do chute na bunda do Michael Jackson. O dândi master Jarvis Cocker, coração e mente da banda, disse que a maioria dos hits do Pulp foram feitos em Sheffield, na cidade natal da maioria dos integrantes. Mas que uma das principais músicas do grupo não só foi composta em Londres como refletia geograficamente a “trama” que a cercava: o megablaster sucesso “Common People”.
* E lá estavam de novo, no Hyde Park, outras 60 mil pessoas para ver o Pulp, ouvir “Common People” e passar um belo domingo no parque.
* O Wireless tinha três palcos em plena atividade. E, dos shows que a Popload conseguiu pegar, não teve um “mais ou menos”. Até o veeeeeelho The Hives, banda sueca da idade dos Strokes e White Stripes que entrou forte naquela bagunça do “novo rock”, até a hora em que eu fiquei estava desempenhando seu costumeiro show a 1000 por hora, cheio de falação e guitarra alta. É incrível como “Hate to Say I Told You So” funciona!!
“Are you having a good time?”, pergunta o Pelle, do Hives, com a galera respondendo o óbvio. Foto do “Drowned in Sound”
* Não quero fazer aqui propaganda de mim mesmo, mas o show do Metronomy, atração do próximo Popload Gig, foi de chorar de bom. Mesmo naquele palcão imenso, no começo do dia, luz do sol (tímido) na cara, a banda mandou seu electropop fino, que foi envolvendo, envolvendo, envolvendo e… Eita banda boa esse The Horrors, não? Outra formação indie especial que em meio às mesmas “adversidades” (palco gigante, festival no começo do dia…) teve um desempenho ótimo na execução de seu som dark, sujinho, misterioso que ficaria muito mais apropriado em um clube escuro. Na tenda menor (no caso, entenda como se fosse do tamanho do HSBC Brasil em SP, por exemplo), brilharam os neozelandeses do Naked and Famous e o Foals, com shows lindos de morrer. O primeiro em sua sensibilidade kiwi eletropop de climas etéreos e “ataques indies” perfeitos. O segundo, nosso velho conhecido e que em setembro acompanha o Chili Peppers ao Brasil, botando a tenda abaixo com seu rock matemático.
A japozelandesa do fofo The Naked and Famous, durante o Wireless Festival. Outra do “Drowned in Sound”
* O ótimo TV on the Radio, até onde eu peguei, fez um show correto. Só correto. Sem empolgar, sem se mostrar empolgado. Por algum motivo, enfiaram o grupo electroindie australiano Cut Copy numa tenda pequena, o terceiro palco do Wireless. Não precisava muito, abarrotou de gente “baladeira”. O som no começo estava bem ruim. Parecia show em clube brasileiro, hahaha. Mas da metade para a frente melhorou bem. E o bicho pegou. O Cut Copy, só para lembrar, teve show adiado no Brasil em junho e está com a data remarcada para 21 DE OUTUBRO, no HSBC Brasil, em São Paulo. Não perca jamais.
* Depois, no final de tudo, veio o Pulp em si, como se agora fosse, sei lá, 1996. A banda está mais velha, mas o som não corroeu com o tempo. Jarvis Cocker fala, fala e fala do mesmo jeito. O grupo parece que musicalmente nunca parou. E os velhos hits continuam hits: “Do You Remember the First Time”, “Babies” e “Disco 2000″ fez muita gente e lágrimas pularem, que eu vi.
Em um dos shows mais concorridos de ontem, na sempre atrativa tenda John Peel, o Horrors fez um show que mostrou muita coisa além do cabelo novo do Farris. Veja a performance para a ótima “Still Life”, single que abre a divulgação de “Skying”, novo álbum da banda que será lançado dia 11 de julho. Essa “Still Life”, que já soltamos aqui como uma das possíveis músicas do ano, foi descrita pela Rough Trade em seu site como “uma mistura de Suede com Simple Minds do início de carreira”. Sério.
Lúcio Ribeiro é jornalista de cultura pop. Edita o Popload e é colunista do “Caderno 2″ (Estadão), da MTV, das revistas “Capricho” e “Homem Vogue”. É curador do festival Popload Gig, já na terceira edição, e DJ residente dos clubes Vegas e Lions, além de viajar o Brasil tocando em festas de rock.