Entrevista com Chris Cornell: o show no SWU e o impacto que o grunge teve na música
* Através de uma entrevista que o roqueiro Chris Cornell deu à este colunista, para texto da edição deste sábado do jornal “O Estado de S.Paulo”, o músico que ajudou a bombar o “som de Seattle” e a revolução grunge foi confirmado oficialmente como uma das grandes atrações do festival ecológico SWU.
Cornell, acústico e portanto sem sua famosa Soundgarden, se apresenta solo no dia 13 de novembro, o “dia do Peter Gabriel” (o festival acontece de 12 a 14/11).
Outro grupo do SWU anunciado na reportagem do “Estadão” é o trio indie-soturno californiano Black Rebel Motorcycle Club, que se apresenta em 14/11, dia do Sonic Youth e Faith No More.
* Abaixo, o “pensamento vivo” de Chris Cornell, em trechos da entrevista concedida a este blogueiro/colunista, ocorrida quarta-feira desta semana.
- sobre excursionar solo:
“Nessas performances acústicas, que faço há algum tempo mas que se intensificaram em 2011, eu subo ao palco sempre pensando: ‘OK, eu tenho todas essas músicas, muitas delas famosas. Mas quero que este show sirva também como um novo recomeçar’.
“A primeira vez em que eu fui ao Brasil [2007] foi bem diferente. Eu não sabia muito bem o que queria na época. Esse formato solo acústico que eu levo agora não estava bem definido, então eu fui com banda de suporte, estava um pouco indeciso no rumo que eu ia seguir na música.”
- sobre a possibilidade de o Soundgarden um dia fazer shows na América do Sul:
“Vou voltar ao Brasil com o Soundgarden, depois. Mas só no ano que vem, quando o disco novo estiver pronto.”
- sobre mais um trabalho para o cinema, fazendo a trilha sonora do filme “Machine Gun Preachers”, que deve estrear nos EUA no final de 2011/começo de 2012 (Cornell já fez trilha para filmes como “Homem Aranha”, “Singles” e “Cassino Royale”, da franquia James Bond, entre outros):
“Não considero isso um trabalho. Primeiro que o diretor é meu amigo. Segundo que eu pude experimentar umas coisas diferentes das que eu faço. O filme é pesado, envolve drogas, crianças escravizadas, não é fácil. Daí eu botei uma percussão para quebrar meu som e saíram umas coisas sinistras, diferentes. Gostei. Quem sabe eu toque alguma dessas músicas no show do Brasil. Quem sabe também que, em outro momento, eu faça uma tour com o filme, tocando a trilha.”
- sobre não tocar por duas horas e meia, três horas como gosta, já que vem para um festival:
“[Tocar por 2,5h ou 3h] É um tempo de trabalho que eu acho justo, para quem paga ingresso para ver. Mas como é para um festival, com outras bandas, umas seguidas das outras no mesmo palco, talvez seja difícil. Vamos ver o que eu consigo”
- sobre tocar no Brasil, ou mais especificamente sobre tocar fora do “eixo” EUA-Reino Unido:
“Eu nunca sei o que esperar quando saio dos EUA. Mas o Brasil chega a ser previsível no bom sentido, porque tem um público apaixonado e acolhedor para minhas músicas. É claro que tudo depende do desenvolver do show, mas no Brasil não é difícil estabelecer uma relação com o público para tudo acontecer do melhor jeito possível.”
- sobre o legado grunge 20 anos depois:
“O grunge fez uma grande diferença na música. Teve um grande impacto cultural nos jovens e fez todo mundo olhar para as bandas novas, para tentar imaginar como seria o futuro imediato desta música jovem.
“Era uma época de brilho e energia que eram vistos explicitamente por onde quer que se olhasse, nas bandas, nas pessoas, nas lojas, nos shows, bares e ruas. Hoje em dia “o novo” nos EUA é procurado pela indústria da música em programas de TV desprezíveis como ‘American Idol’ e ‘X-Factor’.”
Notas relacionadas:
- Suck it! – Iggy Pop no Planeta Terra? O filme indie deste ano e os Pixies no karaokê! Pavement e o Holger. Dinosaur Pile-Up e o Nirvana. O incrível livro de fotos do grunge. Hoje é dia 22 de setembro de 1991
- SWU amanhã: Zeca Camargo deve anunciar as seguintes atrações…
- SWU confirma Chris Cornell solo. Black Rebel Motorcycle Club está dentro, também







