O adeus da Popload! O “oi” do Fellini! O tchau do Depeche Mode! Ting Tings no Brasil! Muricy no Palmeiras! Popload Gig 2 e a banda do verão (lá!)! Reggae é o novo indie!
* Opa. Essa do Muricy escapou no título. Foi mal. Mas guarde este lema: “Era isto ou o futebol”.
* Xiii Dave Gahan…
* Alô, Brasil. Festival de epígrafes na Popload.
* “Sometimes I say stupid things…”
(Franz Ferdinand)
* “Shut Up and Let Me Go” (Ting Tings)
* “Você nem imagina o que você não conheceu” (Fellini)
* Aprendi duas coisas lendo sobre o Caetano Veloso na Folha de S.Paulo. Primeiro que o Caê Lindo odeeeeeia hipocrisia. Segundo que ele sente saudade de um jato forte de urina. What?
* Calma, deixa eu explicar o título. Essa é um homenagem poploadica ao Fellini, um dos melhores grupos independentes da história deste país. E olha que ser indie nos anos 80 não era essa mamata que é hoje em dia. E o primeiro álbum do Fellini, de 1985, pequena obra-prima do underground paulistano, se chama “O Adeus de Fellini”.
* O Fellini toca nesta quarta-feira no Studio SP. É show único em São Paulo, onde eles não tocam há tempos. É o show de aniversário de 25 anos da banda. E eles vão tocar “Rock Europeu”. E “Teu Inglês”.
* O OI E O TCHAU DO FELLINI - Mais sobre a grande volta e o novo adeus do seminal grupo dos anos 80 vem ali para baixo, quando vou reproduzir o texto escrito para a Folha de S.Paulo, com alguns trechos inéditos da entrevista com o vocalista da banda, Cadão Volpato.
* FESTIVAL “80, 90, 2000″ TRAZ TING TINGS - O nome algo engraçado do festival é auto-explicativo. Um festival a ser realizado em outubro em São Paulo e Rio, aparentemente, terá como atrações as bandas Depeche Mode (não mais), Prodigy e Ting Tings. Entendeu?
Os dois primeiros a gente sabia. A boa notícia é a inclusão da agitadíssima dupla de Manchester, uma das melhores bandas novas para pista de dança do planeta. Acho que só perdem para o… Friendly Fires. Mas, enfim, certeza de show divertido. Vamos aguardar o anúncio oficial. Ou não!
* DEPECHE MODE CANCELADO - O Depeche Mode, que seria uma das atrações desse novo festival, informou através de comunicado oficial que os shows marcados para o Brasil em outubro (22 Rio, 24 SP) foram cancelados devido ao remanejamento de datas feito recentemente pela banda, que precisou cancelar muitos shows da atual tour de verão pela Europa, por causa de problemas de saúde do vocalista Dave Gahan. No início deste mês, quando já havia retomado os shows, Gahan sofreu uma contusão muscular e precisou cancelar mais datas em Portugal e na Espanha.
O interessante é que os demais shows dessa “perna latina” da turnê, até agora, não sofreram alterações. México, Costa Rica, Colômbia, Peru, Chile e Argentina, ao que tudo indica, receberão a atual excursão do grupo. Sobrou mesmo só pro Brasil…
* KILLERS, AS DATAS? - São Paulo, em lugar a definir, no dia 21 de novembro. Rio de Janeiro, no HSBC Arena, no dia seguinte. Porto Alegre, dia 25 de novembro, no Teatro Bourbon. Será que vai ser assim, mr. Brightside?
A dupla cool americana Golden Filter
* CALENDÁRIO INDIE - Não está ruim, Brasil.
- dia 5 agora tem a deliciosa dupla Golden Filter, de Nova York, tocando no Clash em mais uma balada da instituição blog-festeira IM//A\\PARTY, com abertura do Database, Stop Play Moon, Gil Barbara e WE//R\\DJs.
- dia 13 em Porto Alegre começa turnê de três shows brasileiros do los-strokes Little Joy, de Fabrizio Moretti, com abertura da banda indie-folk Dead Trees, de Portland.
- dia 15, no Rio, depois 17, em São Paulo, a “banda do momento” Friendly Fires comanda mais uma edição do Popload Gig, que em outubro volta com o…
- em outubro tem Ting Tings (mais Prodigy e sem o Depeche Mode); em novembro tem Killers e o Planeta Terra com o Faith No More e a renca.
Que mais, mesmo?
* O (OI E O) ADEUS DE FELLINI - O cultuado e “difícil” grupo Fellini, famosa ex-banda paulistana, agora banda vivíssima e novamente ex-banda a partir da semana que vem, se junta nesta quarta-feira na cidade para uma apresentação histórica em vários sentidos.
O quarteto liderado por Cadão Volpato e Thomas Pappon, que se manteve sempre na contramão do oba-oba do rock brasileiro dos anos 80, comemora em show único em São Paulo os 25 anos de sua polêmica existência.
O Fellini, que em sua lista de adoradores tinha Renato Russo, Chico Science, Marcelo D2 e metade da “intelligentsia” acadêmica paulistana (a outra metade, mais Ira!, Titãs etc. compunham a lista de detratores), toca seu art-rock com alguma eletrônica e um cheirinho de MPB no Studio SP nesta quarta.
“Um outro show será no próximo sábado em Curitiba, dentro do adequadíssimo Festival Rock de Inverno. E aí termina nossa turnê mundial”, diz o vocalista Cadão Volpato, 52, na verdade hoje muito mais escritor que vocalista.
Você não imagina o que você não conheceu, como diz a letra de “Rock Europeu”, o “megahit”, do Fellini. Formada em 1984 nos porões da ECA, a Escola de Comunicações e Artes da USP, o Fellini fincou pé no underground paulistano da época e de lá não saiu. Não tocava em rádios, não frequentava o programa do Chacrinha, não era condescendente com o rock da época de Blitz, Paralamas, Barão Vermelho, Titãs, RPM e sempre tocou para poucos, tinha nome de cineasta de vanguarda, citava Allen Ginsberg e Gang of Four nas letras. E o primeiro álbum, de 1985, tinha o insólito nome de “O Adeus de Fellini”. O Fellini era uma genuína banda indie lá nos anos 80.
“Num tempo em que as bandas tinham nomes mais punks (Mercenárias, Voluntários da Pátria, Plebe Rude), a gente veio com um nome que lembrava esquisitices. Sempre fui um fã do Federico, mas o nome era mais para soar como algo engraçado, o que, de certa forma, definiu nossa conduta, que misturava uma graça contida com algumas atitudes surrealistas e também uma certa poesia. Se você levar em conta que vivemos numa das cidades mais italianas do planeta, fazia sentido. Mas esse sentido veio a posteriori. Já pensou se fosse Pasolini?”, lembra Cadão.
Mas e as tretas com a cena rock da época?
“Sempre estivemos à esquerda desse pessoal todo. O rock do Rio sempre foi um lixo, nós nunca tivemos nada a ver com isso. Os de São Paulo frequentavam a mesma cena, dividiam as mesmas casas noturnas, muitos eram amigos. Mas se eu dissesse que conheço a fundo o trabalho deles, estaria mentindo”, conta o vocalista do Fellini.
“Sobre os Titãs, eu disse uma vez que eles eram os ‘alternativos de plantão’ e eles não gostaram muito. Também dividimos uma escolha dos críticos da revista ‘Bizz’ sobre o melhor disco de 1987. Hoje sei que nós é que levamos, mas a ‘Bizz’ não ousaria deixar de fora uma banda do mainstream, em favor de uns pobres independentes. E foi uma votação do país todo. Daí ouvimos dizer que houve um certo mal-estar, e que isso teria contribuído para a nossa não-aceitação junto às grandes gravadoras. Ora, a gente mesmo nunca fez nenhum esforço nesse sentido.”
Depois de quatro álbuns independentes, a banda acabou, em 1990. Um certo renascimento do Fellini se deu em 2002, quando gravaram um álbum caseiro. Em 2003, flertaram pela primeira vez com o “estrelato”, quando o grupo foi convidado a se reunir para estrelar a edição daquele ano do Tim Festival, tocando na mesma noite de White Stripes e Rapture.
“Fomos tratados como profissionais, ganhamos um bom cachê. Foi o primeiro e único decente, por sinal”, diz Cadão.
O Fellini que se apresenta em SP e Curitiba traz sua formação original: Cadão Volpato (voz), Thomas Pappon (baixo), Jair Marcos (guitarra) e Ricardo Salvagni (bateria).
Segundo Cadão Volpato, a banda nem pensa em continuar a brincadeira da volta, tão em voga no rock atual: “Não existe essa possibilidade. Estamos bem entusiasmados com esses shows: talvez sejam os melhores das nossas vidas, mas voltar não está nos nossos planos. Acabou. Já era. Mas nunca se sabe.”
* O Fellini foi, e talvez ainda seja tão importante para o indie que eu conheço um jornalista indie que só entrevistou/entrevista o Fellini na vida.
* O post está só no comecinho.
Notas relacionadas:
- Ferrou: Dandy Warhols quis a morte de Michael Jackson. Extra: como o Twitter vai salvar a música. Xi, Brasil: o indie e a gripe. Nheca: o indie e o cocô. E mais Jacko e o Glasto-tal. E o Blur me esperando
- O indie nacional está nu (peladão, mesmo). Popload Gig 2. O Faith No More, o Killers e o Franzzzz na nossa mira. O Pata e o Julian. Os Monkeys e a La Roux
- Para a “UP!” e avante. O incrível Crystal Stilts, a sua-nova-banda-predileta Kid British e os dois lugares mais cool no mundo hoje



