* Hahahaha. Eu sei que você adora títulos desse naipe. Mas eu achei mesmo, fazer o quê?
* POPLOAD em Brighton. Popload em Londres. And everything is going to the beat. And everything is going to the beat. And everything is going to the beat.
O Great Escape Festival 2009 está muerto. Longa vida ao Great Escape Festival 2010
* South by Southwest extravaganza, The Great Escape 2010, planos para o Bestival fantasiado de ET (o tema deste ano), 40 anos do Woodstock e o filme do Ang Lee, o incrível Popload Gig em sua edição s01e01. Este é o melhor ano para os festivais ou é só impressão?
* Mais sobre festivais (europeus) lá embaixo…
* Faz alguns anos que eu frequento um showzinho aqui, outro lá, mas isso nunca tinha me acontecido. No sábado passado eu estava indo ver, no começo da noite, o show de uma banda que eu gosto bem, chamada The Chapman Family, gurizada destruidora de palcos e instrumentos e tal. Era num clube chamado Concorde 2, tipo quase à beira-mar. Meio afastado, tinha que andar uns dez minutos na orla, para chegar. Acontece que estava ventando tanto na hora, tanto, TANTO, que eu NÃO CONSEGUI chegar ao clube. Juro que eu tentei. Para cada passo que eu dava, voltava dois. A ponto de ficar com medo de ser arremessado ao mar pela ventania, tipo o guarda-chuva de uma menina que estava à minha frente!!!!! Hahaha. Voltei e entrei no Audio, que estava perto de mim na hora, para ver pela segunda vez o Chew Lips. Os Chapman Family ficam para a próxima.
* Sim, eu encontrei não só o “novo Nirvana” como o tal DVD do tal show que a tal banda de Seattle fez no Reading Festival 1992. O pirata, óbvio, porque a Universal só vai lançar o “oficial” (o que é oficial hoje em dia, mesmo?) em… novembro. Sim, eu comprei dois. Sim, eu vou sortear um aqui.
* O Reino Unido está vermelho. Vermelho de vergonha e vermelho de alegria.
1. Na política, estourou há alguns dias aqui um escândalo envolvendo parlamentares e gasto indevido de dinheiro público. Conhece essa história? Membros do Parlamento inglês foram descobertos usando suadas libras dos pagadores de impostos em supermercados, viagens, quitando dívida de casa, até aluguel de filme pornô. Com a grana dos súditos da rainha. Aqui a execração desses políticos espertões, nos jornais, rádios e TVS, está tão intensa que eu estou quase tendo dó deles (NOT!). Está custando cargos e desculpas públicas. Tem um orador do Parlamento que gaguejava tanto para se explicar aos colegas, em transmissão AO VIVO pela TV, que quase eu fui lá emprestar uma grana para ele dar uma viajada à minha custa. O senhor, 63 anos, pode ser o primeiro do garboso cargo de orador a ser expulso do Parlamento britânico em 314 anos (1695!!!!!!), por corrupção. Cada país encontra um jeito seu para lidar com essas coisas…
2. O Manchester United, dono da maior torcida da fanática Inglaterra e o principal time hoje do planeta, ganhou a liga daqui de novo, bateu recordes etc. e tal. Voltou a circular com força por aqui a máxima que guia os torcedores do time do Cristiano Ronaldo. “Manchester United, kids, wife. In THAT order.” Acho “absurdo” esse tipo de fanatismo, mas…
* Mas o que você queria mais saber sobre a Inglaterra está aqui, agora: o menino Alfie, 13 anos, NÃO é mesmo o pai da filha da Chantelle, sua namorada de 15 e que ele teria engravidado quando tinha 12. Saíram os resultados do teste de DNA. Quando a história explodiu, em fevereiro, Alfie veio a público dizer que o filho era dele, o que chocou a Rainha. Mas daí outros moleques novinhos aparecendo reclamando a paternidade da criança. Chegou-se a conclusão de que a filha é de um tal de Tyler, de 15 anos. Ê, Chantelle…
* QUER TOCAR NO DEPECHE MODE? - A veterena e grande banda inglesa Depeche Mode, moderna, lançou (ou lançaram por ela) um ótimo application para iPhone, um dos famosos “apps”. O grupo, que vai ao Brasil para shows, em outubro, aproveitou a onda dos apps para incrementar o papo em cima de seu mais recente disco, “Sounds of the Universe”. Com o app você pode, além de receber notícias da banda etc., remixar as músicas do CD do jeito que você quiser, acrescentar batidas, mexer no vocal, uma belezura. Depeche Mode, app, som do universo. Tudo a ver. E, claro, app é a nova tendência para lançamento de discos/músicas/novas bandas do pop. Para que você simplesmente vai apenas ouvir um álbum novo quando você pode “participar” dele?
Ah. O app do Depeche mode custa 5 dólares, quase a metade do preço do CD (forçando um pouquinho). Já os apps do Passion Pit e do Black Lips, por exemplo, são de graça.
* OLHA O BRUNO!!! - O chapa carioca Bruno Natal tem o esperto blog URBe, mas não só. Bruno tem também seu nome nas prateleiras de lojas de Brighton e Londres e nas resenhas de revistas e jornais ingleses recentes graças ao DVD “Dub Echoes”, documentário que fez sozinho, produziu e editou sobre as andanças do dub da Jamaica ao som contemporâneo. Da Jamaica ao Rio de Janeiro e ao hip hop.
* A PRINCIPAL BALADA INDIE DO MUNDO? - Bom, essa foi a Trash, com certeza, pilotada pelo grande Erol Alkan no famoso clube eletrônico The End, em Londres. Mas acabou faz um anos, porque o Alkan “traiu o indie” e foi se dedicar à produção eletrônica, principalmente. Agora o título ficou dividido entre a Rockfellas do Vegas e a Funhell nas primeiras quartas do mês, mas minha modéstia impede que… Hahahaha. Estou zoando, óbvio.
O negócio é que faz tempo que ouço falar de uma certa balada indie no clube Digital, em Brighton, lugar meio moderno, meio decadente que fica num dos arcos que sustentam o famoso calçadão da praia. Ou seja: cinco passos da porta do Digital em direção ao mar e você já está na areia/pedra.
Em especial, no Digital, tem a chamada Stonelove, às sextas, que se vende como a balada “101% Indie Rock’n'Roll”. Escuto muito falar dela, de quem toca, da frequência bonita etc. Toda banda que está por Brighton acaba indo na Stonelove, parece.
Nestes dias de Great Escape a coisa ficou meio confusa por lá. Queria ir, mas a casa foi lugar do festival e seu palco ia até tarde com atrações, então a Stonelove funcionou meia-boca. Deixei para lá.
Meia-boca, mas ainda assim… Foram duas Stonelove no período do festival, edições especiais, só com três horas de duração. Teve na quinta do festival, a “Part 1″, com os Maccabees fazendo DJ set. Na sexta, os convidados das picapes eram os caras do Futureheads.
Os cartazes da Stonelove enfeitam Brighton. São todos p&b, em cima de fotos de ícones pop, dos Strokes ao Clash, do Oasis a Keith Moss. Bem cool. Fiz umas fotos de cartazes que estão nas ruas da cidade, chamando para a festa. Dá uma olhada.
* FESTIVAIS DE VERÃO - Nos últimos dias a imprensa britânica foi inundada pelos infalíveis “guia dos festivais”, já que o verão se aproxima aqui em cima apesar do ar geladinho que ainda sopra. É festival que não acaba mais. Parece até que cresceu o número, desde os últimos anos. Enquanto no Brasil…
O “Times” publicou sua lista dos CEM melhores festivais de verão. A do “Observer” foi menor, mas mais bonitinha. Saiu mais ou menos assim:
- o melhor festival para… levar a família: Latitude Festival. Dias 16 a 19 de julho, na Inglaterra. Tem área especial “para a família”, com lojas, lugar para as crianças brincarem etc. Atrações: Pet Shop Boys, Nick Cave, Doves, Magazine, Editors, Passion Pit, Little Boots… - o melhor festival para… ecletismo: Meltdown. De 13 a 21 de junho, na Inglaterra. Festival que vai do alhos ao bugalhos, geralmente idealizado em seu line-up por alguma figura importante da música, de algum modo. Neste ano o curador é o jazzista Ornette Coleman. Vai ter de Yoko Ono a You La Tengo. Mike Patton inclusive. E os jazz. - o melhor festival para… TUDO: Glastonbury. De 24 a 28 de Junho, na Inglaterra. É isso mesmo. Lá acontece de tudo. E todo mundo toca. Não tem muito erro, tirando a chuva e a lama. Mas nem choveu o ano passado… - o melhor festival para… fazer sinal de chifrinho: Download. Dias 12, 13 e 14 de junho, na Inglaterra. Esse é do metaaaaaaaaal. ZZ Top, Prodigy, Def Leppard, Marilyn Manson e a galera nova do mal estão na escalação deste ano. - o melhor festival para… um final de semana bem doido: Bestival. De 11 a 13 de setembro, na Ilha de Wight. Festival à fantasia, mais ou menos isso. Fora a música boa, serve para a galera “se soltar”, entende? Neste ano: Massive Attack, Doves, MGMT, Kraftwerk, Klaxons, Lily Allen e centenas de outros. - o melhor festival para… ravers. Creamfields. Dias 29 e 30 de agosto. Você acha que não existe mais um bacana festival de eletrônica, aquela alegria participativa, moçada dançando com sorriso na cara parecendo não haver amanhã? É que você não foi no Creamfields. O inglês, claro. Neste ano: Mylo, Basement Jaxx, Dizzee Rascal, Paul van Dyk, entre outros. - o melhor festival para… “teenage kicks”: Reading & Leeds Festival. De 28 a 30 de agosto, na Inglaterra. Talvez o mais normal dos festivais anormais do Reino Unido, o Reading é da molecada. Tenta chegar perto do palco em um show bom, tenta? Em 2009: Radiohead, Arctic Monkeys, Kings of Leon e mais uns 120 nomes. - o melhor festival para… dar uma viajada: Benicassim. De 16 a 19 de julho, na Espanha. É um dos melhores festivais do mundo para se ir. Moçada linda, praia gostosa, as tapas e vinhos bons e baratos. E, claro, os shows do começo da noite até alta madrugada. Os headliners deste ano: Oasis, Killers, Kings of Leon, Paul Weller, Franz Ferdinand e a rapa.
* O NOVO NIRVANA - Senhoras e senhores, é assim. Foi o grande show do Great Escape Festival, festival que aconteceu no último fim de semana em Brighton, litoral inglês, evento líder na Europa como vitrine para a música nova e sobre o que está vindo por aí no pop. A banda é de Leeds, chama-se DINOSAUR PILE-UP, formada por Kurt Cobain, Chris Novoselic e Dave Grohl, e foi a melhor performance entre as 30 que eu vi e as 270 que eu perdi nos três dias de festival. Agora só quero que você veja um trechinho do show deles, que eu gravei em vídeo escuro, embaçado, porque o lugar tinha luz quase zero, e era só um pouco melhor e maior que o Milo Garage, se você me entende. No próximo post, eu conto mais sobre eles. E, não, o menino vocalista não é o “young Kurt Cobain”. Lembra “um pouquinho”, vá lá.
* COMING UP NEXT – No próximo post, o incrível Popload Gig (hein?!), mais sobre o novo Nirvana, mais sobre o Great Escape, Brighton e a Inglaterra. O ganhador do All Star Kurt Cobain e o novo sorteio, um All Star POPLOAD (heeeein?!?). Mais: minas peladas, a mulher mais linda do pop atual, o indie e a crise econômica mundial, o indie e a gripe suína, this and that.
* Ou “Os melhores shows da sua (e da minha) vida”.
* Resolvi ir de post novo, Brasil! A história do melhor show internacional da história aqui no país merece espaço especial e exclusivo. Mas, antes…
* OFFSPRING CONFIRMA PLANETA TERRA (MAS A BOA NOTÍCIA É OUTRA) - Nesta quarta-feira à noite, a banda americana Offspring disse “sim” sobre sua escalação no próximo festival Planeta Terra, que acontece no dia 8 de novembro, na Vila dos Galpões, em São Paulo. Eu achava que era a organização do Terra que estava com a decisão, mas a confirmação veio, mesmo, da banda. Embora já tenha “passado” de ser uma atração superimportante, o grupo punk californiano tem sua relevância no rock e faz um show divertido. Mas o fato é que seu ingresso no line-up do PT, obviamente no Main Stage, pode prestar um bom serviço para o Indie Stage, o palco dois. É que com a entrada do Offspring no palcão pode empurrar a ótima banda inglesa Bloc Party para um show mais, hum, intimista no palco indie. O palco principal deve ser composto por Jesus & Mary Chain, Offspring, Kaiser Chiefs, Mallu Magalhães, Curumin e outros. O palco indie deve ter, assim, Breeders, Bloc Party, Animal Collective, Spoon, Foals, aparentemente. Vamos aguardar. Mas esse palco indie está ficando de dar inveja ao… ao… Reading Festival.
* VAI DAR PARA VER TODOS OS SHOWS DO PT - A escalação dos palcos do Planeta Terra, a Popload foi informada pelo “Big Eye”, está sendo elaborada para que todos os shows, seja no Main Stage ou no Indie Stage, possam ser vistos sem encavalamento de atrações. Pelo menos por meia hora todo mundo poderá assistir a todas as apresentações, é o que promete o festival. Isso é um outro avanço em relação ao evento do ano passado. Quem viu o show do histórico Devo perdeu no palco principal a sensacional performance do Rapture no palco indie. E vice-versa.
* O Big Eye é o “ser” virtual que faz o blog do novo site do festival Planeta Terra. O cara sabe das coisas, por lá.
* BAFO EM BH - Offspring, Maroon 5 e o festival Pop Rock Brasil, que aconteceria em novembro em Belo Horizonte, está cancelado pela Justiça?
* TING TINGS E O AMOR - A música “romântica” da dupla indie dance inglesa Ting Tings, de Manchester, já está nas ondas do rádio e em vídeo (e logo, logo em alguma novela da Globo, hehe). É a fofa “Be the One”, que está no delicioso primeiro álbum da banda, “We Started Nothing”. É a quarta música do CD de estréia a virar single, fato nobre nestes tempos. O vídeo de “Be the One” veio à tona nesta semana, enquanto o single só tomará os caminhos das lojas no meio de outubro. Como toda música do Ting Tings, ela começa num ritmo maneiro e vai acelerando, acelerando. What you gonna offer now, Ting Tings?
* MALLU MAGALHÃES ENTREVISTADA POR… MALLU MAGALHÃES - Você não entende o hype da menina que começou o ano tocando no Milo Garage e hoje está no palco principal do festival Planeta Terra? Não compreende como ela em poucos meses foi vista por milhões na internet, apareceu na Globo, já teve música tocada em campanha nacional de TV, foi vinheta da MTV, gravou com produtor internacional, cortejada por astro do rock brasileiro e o escambau? Então a Mallu, conversando com a Mallu, vai te explicar tu-do. Não perca a parte da comida preferida dela.
* O SHOW GRINGO MAIS INCRÍVEL QUE O BRASIL JÁ VIU – Depois dessa história de show espetacular do Hives em São Paulo (que eu perdi), comparando ao do Franz Ferdinand no Rio (2006), e às portas dos grandes festivais brasileiros cheeeeeios de atrações bacanas, decidi pensar nos meus shows internacionais inesquecíveis da história, estimular você a dizer os seus e convidar gente bacana (não que você não seja bacana…) para também dar seus depoimentos. Enfim, vou começar com um ranking superpessoal do que eu considero as melhores e mais marcantes apresentações que eu já vi na vida. Óbvio que eu vou esquecer coisa importante. Mas vamos lembrando e corrigindo a rota. Então, ficamos assim. Vou fazer uma lista rápida do que eu lembro de shows marcantes, fazer o meu Top 5 e depois perguntar para você e para uns outros bons sobre seus eleitos. Não exatamente nessa ordem…
* Echo & The Bunnymen em 1987/ Ramones, Olympia, SP, 1994/ Rolling Stones em Copacabana, 2006/ Guns N’ Roses Rock in Rio 2001/ Depeche Mode, Olympia, SP, 1994/ Nirvana Hollywood Rock 1993/ Beastie Boys, Olympia, SP, 1994/ Stones + Dylan 1998/ New Order no Olympia (SP), em 2001/ Pixies Curitiba Pop Festival 2004/ Weezer, Curitiba Rock Festival 2005/ Michael Jackson, SP, 1993/ Madonna, SP, 1993/ The Cure, SP, 1987/ The Strokes, Tim Festival 2005/ Arcade Fire, Tim em Porto Alegre, 2005/ U2 Popmart tour 1998/ Mallu Magalhães no Milo, 2008 (hehe)/ Chili Peppers, Hollywood Rock 1993/ David Bowie, Parque Antarctica, 1990/ Smashing Pumpkins Hollywood Rock 1996/ Metallica, estádio do Flamengo, RJ, 1999/Police, Maracanãzinho, 1981/ Nick Cave, Projeto SP, 1989/ Sonic Youth Free Jazz 2000/ Cypress Hill, Close Up Planet 1996/ Teenage Fanclub no Sesc Pompéia/ Belle & Sebastian no Tim 2001/ Faith No More Rock in Rio II 1991/ Oasis 1998/ Lou Reed, Palace, 1996/ LCD Soundsystem no Sonar Brasil 2004/ Prodigy no Skol Beats/ Chuck Berry, Free Jazz 1993/ Jesus & Mary Chain, Projeto SP, 1990/ Paul McCartney, Pacaembu, 1994/ Kiss, Pacaembu, SP, 1994/ Morrissey no Olympia, SP, 2000/ Man or Astro-man? em Londrina/ Ozzy no Rock in Rio I, 1985/ Supergrass no Campari Rock 2006/ Flaming Lips, Claro Que É Rock 2005/ Queens of the Stone Age no Rock in Rio 2001/ Neil Young no Rock in Rio 2001/ Pantera, Olympia, SP, 1995/ Cocteau Twins, SP, 1991 (ou 1990?)/ Lemonheads, Santos, 1994/ Pearl Jam na Praça da Apoteose 2005/ Arctic Monkeys no Tim 2007/ Page & Plant, Hollywood Rock 1996/ Franz Ferdinand no Circo Voador 2006/ Asian Dub Foundation, Abril pro Rock 2001, Recife/ Simple Minds, Hollywood Rock 1988/ Green Day no Via Funchal, 1998/ Metallica, Parque Antárctica, 1993/ Mudhoney, SP, 2001/ Atari Teenage Riot no KVA, SP 1999 (?)/ Superchunk, Broadway, 1998 e dezenas de outros…
* ENQUETE POPLOAD-SHOWS DA VIDA - Enquanto eu vou escrevendo os meus, quero saber o seu. Quais são os shows internacionais no Brasil que mais marcaram sua vida? Vou tentar estabelecer um “ranking dos shows inesquecíveis”, vamos ver. Manda bala. Não que precise, mas esta enquete vai ter prêmio, para quem votar nos comentários ou mandar email para lucio_ribeiro@ig.com.br.
***** * MEU TOP 5 - Vamos nessa. Claro que pensando hoje, o que foi diferente ontem, e que amanhã posso achar outra coisa, os shows mais marcantes que eu vi no Brasil foram, pela ordem:
Grohl, Cobain e Novoselic posam no banheiro do Morumbi, momentos antes de o grupo ir para o palco e fazer o histórico show do Hollywood Rock, em janeiro de 1993. Foto: Joe Giron/Corbis
1. Nirvana, Morumbi, 1993, festival Hollywood Rock
Essa mitológica apresentação do Nirvana em São Paulo, em janeiro de 1993 é tida pela banda como a mais desastrosa da carreira do grupo de Kurt Cobain. A crítica musical brasileira malhou. Mas ninguém da platéia estava nem aí para isso. Gente do Nirvana disse à época que foi o maior público para o qual o grupo se apresentou. O show foi uma ZONA, mas o Nirvana tinha acabado de deixar a música pop uma zona, de qualquer modo. Então fazia sentido. A palavra que eu mais gosto de utilizar para definir esse concerto é: CATARSE. Ver o Nirvana, naquele instante, aqui em São Paulo, era como ver os Beatles em San Francisco em 1966. Estar no Morumbi naquela noite parecia ao mesmo tempo que algo novo estava começando na vida de todo mundo, mas que também parecia ser o fim de tudo. Eu, que não sou de chapar em bebida, vi o show completamente atrapalhado, na frente do palco, no meio da muvuca. No outro dia, meu corpo doía. Eu estava inteiro roxo.
Até hoje, 15 anos depois, recebo emails de gringos ingleses e americanos querendo detalhes do dia em que Kurt Cobain subiu ao palco fora de órbita no Morumbi. Imagino que seja o show de rock mais procurado do mundo, talvez porque é o que menos se tem imagens. Já me ofereceram 500 dólares por uma fita que contivesse o show, porque uma vez surgiu o boato de que eu tinha uma cópia. Mas não. Amigos meus já vasculharam os arquivos da Globo e da MTV, mas esse show nunca apareceu. A Globo transmitiu ao vivo o show do Rio, na semana seguinte, então esse tem fácil. Comprei a fita dele em Camden Town, em Londres. Apresentação da Maria Paula. Reportagens de Maurício Kubrusly. Mas o do Morumbi… Teoria da conspiração roqueira total.
Na internet, até um tempo atrás, tinha uns 10 minutos de imagens, apenas. No famoso vídeo/DVD oficial “Live! Tonight! Sold Out!” tem cenas do show no Morumbi. Traz a antológica apresentação da banda no palco, feita pelo João Gordo, que introduziu o trio gritando: “E com vocês, a maior banda underground de todos os tempos. Nirvaaaaaaaaanaaaaaaa”. O show todo foi doido, esquisito, estranho e, talvez por tudo isso, maravilhoso. Kurt Cobain estava fora de si, chapadão, devagar demais. Engatinhou no palco, quebrou tudo, se vestiu de mulher. Quando o Nirvana começou sua performance com “School”, na platéia parecia que o mundo ia acabar. No palco, Kurt Cobain estava com rotação alterada, e Krist Novoselic e Dave Grohl estavam desesperados. O show continuou caótico. “Smells Like Teen Spirit”, com Flea dos Chili Peppers no trompete, quase não saiu. Em certa altura, começaram a tocar Iron Maiden. Depois passaram a zoar. Kurt sentou na bateria, Krist foi para a guitarra, Grohl no baixo e vocal. É histórica a foto que saiu de Kurt na capa da Ilustrada, da “Folha de S.Paulo”, sentado à bateria, com a legenda dizendo “Dave Grohl, baterista do Nirvana”. Enfim, o Nirvana começou a zoar com tudo. Passaram a tocar só covers: Duran Duran, Queen, Clash, “8675309/Jenny”. O show parecia um ensaio numa garagem fuleira de Seattle, não diante do “maior público da banda”.
Seis anos depois da apresentação do Nirvana no Morumbi, cinco anos depois do suicídio de Kurt Cobain, tive oportunidade de entrevistar o gênio Dave Grohl em Miami, na ocasião do lançamento de um disco do Foo Fighters. Quando veio o assunto do show do famooooooooso show do Morumbi, Grohl ficou louco. Desembestou a falar mais do que do próprio disco de sua banda. Dave Grohl disse o seguinte: “Claro que eu me lembro dos shows no Brasil. Em SP, tinha uma loja de presente do hotel onde estávamos que vendia Valium (Maksoud Plaza). Ou algo parecido. No momento de ir para o estádio tocar, fui procurar o Kurt e ele estava lá nessa loja, tomando um comprimido atrás do outro, sei lá quantos. Fiquei horrorizado. Quando entramos no palco, a multidão urrou como eu nunca tinha visto, umas 80 mil pessoas. A primeira música que tocamos foi “School”, que começava assim (aí Grohl faz o som de guitarra com a boca e reproduz a bateria nas pernas). Só que Kurt começou com uma microfonia absurda, sem parar nunca. E, quando entrou na música, foi assim (Grohl faz o som de guitarra de novo, só que num ritmo muito mais lento). Ele estava em outra rotação. Olhei para o Krist (Novoselic, o baixista) na hora. Ficamos apavorados. Vi Krist chegar no ouvido dele e dizer: “Acelera, acelera. Pelo Amor de Deus”. O legal é que o público não estava nem aí e urrava tão alto quanto a música. Foi inacreditável. E no outro dia um jornal disse: Nirvana faz jam session para 80 mil pessoas. Foi loucura. Tocamos até “Rio”, do Duran Duran. Outra hora, mudamos os instrumentos: eu toquei baixo, o Krist tocou guitarra e o Kurt foi para bateria. Foi insano.” Isso: foi insano.
O setlist do show do Morumbi, achei na internet, é assim: School • Drain You • Breed • Sliver • In Bloom • About A Girl • Dive • Come As You Are • Love Buzz • Lithium • (New Wave) Polly • D-7 • Smells Like Teen Spirit (com Flea, do Red Hot Chili Peppers) • On A Plain • I Hate Myself and Want to Die (jam) • Negative Creep • Been a Son • Something In the Way • Blew • Aneurysm • Territorial Pissings • Run to the Hills (jam) • Heartbreaker (jam) • We Will Rock You • Should I Stay Or Should I Go • Rio • 867-5309/Jenny • Kids In America • Seasons In the Sun • Lounge Act •Heart-Shaped Box • Scentless Apprentice • Milk It
A palhaçada na cover de “Seasons in the Sun” é emblemática. A música louca dos anos 60 que virou sucesso mundial absurdo nos anos 70 na voz do desconhecido (na época) Terry Jacks, dizem, virou cover do Nirvana pela última vez em São Paulo. A canção era chamada por alguns também como “O Moribundo”, porque a letra era a mensagem de um cara que estava morrendo e se despedindo dos amigos e da mulher. Ambigua, não se sabia se o cara ia se matar ou estava morrendo por causas naturais. Pouco mais de um ano depois da performance do Morumbi, Kurt Cobain se matava em sua casa, em Seattle.
2. Pixies, Curitiba Pop Festival, 2004
Se alguém em 2003 dissesse que os Pixies fossem voltar à ativa, com a mesma formação, com o mesmo pique nos palcos, e que iriam tocar no Brasil, em show exclusivo só em Curitiba, eu ia rir muito. Ou chorar. Minha terceira banda predileta da história, tive a oportunidade de ver mister Black Francis, Deal, Santiago e Lovering duas vezes em Londres no começo dos anos 90, mas logo o quarteto se despedaçou e o sonho de testemunhar a vinda da banda ao Brasil morreu junto. E não é que, graças à iniciativa indie de uma turma curitibana abençoada, anos depois o Brasil iria receber os Pixies? O show a princípio foi subdimensionado, porque indie. Era para ser na Ópera de Arame (3 mil pessoas). Mas a correria atrás dos ingressos foi tão voraz, a invasão paulistana a Curitiba se desenhou tão forte, que o evento causou a primeira pane da internet brasileira na venda de ingressos (estou mentindo?) e foi parar na mágica Pedreira Paulo Leminski (10 mil). E assim foi. Se a palavra para descrever o show do Nirvana de SP foi CATARSE, o dos Pixies em Curitiba é… MÁGICO.
3. Kraftwerk, Free Jazz, Jockey Club, SP, 1998
Fiz a resenha deste show para a Folha, lá no longínquo 98. Foi engraçado ver, na época da explosão da “nova” música eletrônica, esses tios alemães da eletrônica a-ssom-brar o Jockey Club (ai, que saudade do Free Jazz/Tim Festival no Jockey). O título do meu texto foi “OK Computer”. E dizia o seguinte:
“Alguém na platéia soltou que era a principal banda que tocou no Brasil desde 1500, o que remeteu diretamente à famosa capa da revista americana “Spin” ao grupo alemão, que indagou, na manchete: “Kraftwerk”. Mais influentes que os Beatles?. É complicado discordar. Começava “Computer World”, a música-título do pulsante álbum de 1981, que jogou o punk dentro de um disquete e o entregou ao tecnopop. A essa altura era engraçado testemunhar como um show de uma banda de três décadas soava tão completamente contemporâneo. Um testamento ao vivo de quão longe o Kraftwerk levou a pop music e quão pouco ela progrediu além das inovações proporcionadas pelo grupo alemão anos e anos atrás.
O show caminhava, e não era estranho se sentir um personagem de “Blade Runner” ou dos livros de Aldous Huxley, tentando dançar de maneira moderna músicas dos anos 70. Em “The Man-Machine” e “Tour de France” (com imagens de ciclistas em movimento sendo projetadas nos telões), o clima era de uma noite na ópera. Eram operetas eletrônicas. Ficava claro entender por que nos 70 os álbuns do Kraftwerk eram difíceis de ser encontrados nas lojas européias, já que parte delas colocava os discos nas prateleiras de música clássica. (…) Quantos robôs bacanas não foram criados pelo Kraftwerk nestes anos todos, de David Bowie a Afrika Bambaataa, de Depeche Mode à toda cena eletrônica dominante destes tempos?
Foi um show para não ser deletado jamais da memória. O único senão foi não ter levado meu PC para o Jockey Club. Ele iria amar o Kraftwerk.”
Foto escura do show do Jockey, de 1998. Bom, o que importa para o Kraftwerk está bem iluminado
4. Nick Cave, Projeto SP, São Paulo, 1989
Numa das eras indies mais legais para shows no Brasil, a era dos shows do famoso “Projeto SP” (Jesus & Mary Chain, Stray Cats, Sisters of Mercy, Iggy Pop, Devo, Cocteau Twins etc.), em tempos mais que improváveis para shows indie bons aqui no país, apareceu para nós um sujeito australiano sinistro, com uma banda absurda (os Bad Seeds), um álbum incrível (”Tender Prey”) e um show arrebatador de indie-blues-gótico sobre amor e morte. “Deanna” foi uma das músicas mais impressionantes que eu vi em uma apresentação ao vivo de alguém. Eu tenho uma péssima memória para tudo, inclusive para coisas que aconteceram no dia anterior, quanto mais em 1989. Mas lembro muito de muitas coisas desse show de 19 anos atrás. Isso deve significar algo.
5. Strokes, Cais do Porto, Rio, 2005
Enfim os moleques que salvaram o r… hahahaha. Enfim os Strokes vieram ao Brasil, para shows em São Paulo, Rio e Porto Alegre, no Tim Festival. A estréia foi no MAM do Rio, a sede antiga do festival. A primeira apresentação foi boa, mas não booooooooooa. Eles estavam tensos com a família toda no Rio, a lista VIP da Alicinha Cavalcanti estava em massa, o de sempre… Aí alguém do Rio teve o bom senso de marcar um show deles para o gelado e sinistro Cais do Porto, com ingressos mais baratos, para a molecada (que é quem ouvia Strokes, mesmo). Aí entupiu, o clima estava animado, a galera pirou, a banda se soltou, o lugar ferveu. E assim foi.
* Sonic Youth (Free Jazz), Belle & Sebastian (idem), o primeiro Beastie Boys, Echo & The Bunnymen e New Order, estes dois últimos dos anos 80, entrariam na minha lista se fosse um Top 10.
* PROMOÇÃO INGRESSOS - Vamos começar já essa história. Quem participar da enquete do “show da vida” vai concorrer a:
1. Um ingresso para o Skol Beats
2. Um ingresso para o Planeta Terra Festival
3. Um ingresso para o show do Tim Festival do dia 23/10, em São Paulo (Gossip, Klaxons, Neon Neon)
* Vamos lá que a coisa não está fácil, Brasil. O título do post ia ser “Alguma Coisa Não Está Bem Comigo”, mas este dançou. Hoje, por aqui, você vai saber qual foi o maior show internacional que já teve neste país em todos os tempos. E, também, promete ser o maior post de todos os tempos. Vamos ver o que dá isso.
* NINE INCH NAILS CANCELADO – Pelos famosos “problemas técnicos”, a oportunidade de ver o palco incrível e a performance da banda de Trent Reznor no Brasil já era. O show na cidade aconteceria no próximo dia 7 de outubro. Foi um efeito dominó do cancelamento da apresentação de Porto Alegre, por baixa venda de ingressos, conforme informou a Popload na semana passada. Segundo diz-se na indústria, os ingressos para o show de SP estavam vendendo muito bem, mas a empresa Mondo Entretenimento, responsável pela vinda da banda, resolveu pagar a multa de cancelamento do show a ter que bancar os custos extras que sobraram depois que Porto Alegre pulou fora. Ainda na parte sul-americana, Bogotá (Colômbia) também fica sem ver o NIN.
* TING TINGS NA NOVELA – Olha onde foi parar a dupla inglesa Ting Tings. O hit “That’s Not My Name” foi trilha sonora na casa da cafetina Silene no capítulo de terça-feira de “A Favorita”. Não é que eu ouvi o Ting Tings na Globo enquanto assistia a novela, entende? Estava passando pela sala quando…
* Quer mais? No CD “trilha internacional” de “A Favorita” tem Regina Spektor e Katy Perry!!!!!
* PLANETA TERRA vs. KYLIE MINOGUE vs. MAROON 5 vs. NIGHTWISH – Mais uma integrante para o “junta tribos” alertado por este blog para o dia 8 de novembro em São Paulo. A musa australiana Kyle Minogue é a mais nova oficialmente confirmada para a mais movimentada data sonora que São Paulo já teve em sua história, em relação a shows internacionais desse vulto. Então fica assim:
dia 8 de novembro, sábado:
- Jesus & Mary Chain, Bloc Party, Kaiser Chiefs, Breeders, Animal Collective, Mylo, Calvin Harris, Mallu Magalhães (hihi) na Vila dos Galpões.
- Kylie Minogue no Credicard Hall
- Maroon 5, no HSBC Brasil
- Nightwish, no Via Funchal
* PETER BJORN & JOHN ABRE PARA A POPLOAD – Um Popload DJ set está confirmado no festival No Ar Coquetel Molotov, em Recife, neste sábado. O hypado grupo sueco toca e na seqüência tem a Popload. Ué, é verdade!
* O já bem famoso festival indie pernambucano começou nesta segunda passada em Recife com cinema, palestras e exposição. Sexta e sábado tem os shows, entre outros, de PB&J, Shout Out Louds (Suécia), Club 8 (Suécia), Final Fantasy (Canadá), Marcelo Camelo (Rio), Mallu Magalhães (SP), Guizado (SP), Vanguart (MT), Julia Says (PE).
* Popload DJ set nesta quarta-feira na Funhell, festa “hot” da Funhouse. Rafael Urenha (Party Íntima) e Ricardo Athayde (banda Stop Play Moon) também tocarão na balada. Na quinta-feira, 25, Popload no Vegas. Em outubro, em Ponta Grossa (PR). Em novembro, BH.
* MGMT SE ESQUECEU DO BRASIL? – Atração espertíssima do próximo Tim Festival, o grupo nova-iorquino MGMT, de shows 50% ótimo-50% hippie chato, começa a turnê com Beck no próximo sábado, como você pode conferir na página deles do MySpace. Lá tem todas as apresentações futuras da banda, incluindo México e Austrália. Mas não tem as datas do Brasil…
* O “ESQUEMÃO” DOS INGRESSOS – A eterna ladainha de reclamações sobre preço justo de ingressos, meia entrada, venda confusa pela internet, cambistas cada vez mais profissionais e público cada vez mais esfolado, a gente está cansado de saber, não tem solução. Inclusive participei de um “Debate MTV” sobre o tema nesta semana e o programa acabou como começou, sem chegar a lugar nenhum. Então, o jeito é “se virar”. Por exemplo, os ingressos para o show do REM em São Paulo (R$ 200 o mais barato, R$ 500 o para a absurda “área VIP” na frente do palco). No dia anterior à venda, uma galera conseguiu comprar entradas por R$ 50 a inteira, na pista. Graças a um link “mágico” que veio de dentro da T4F (Time 4 Fun) Mondo, a promotora da tour, chegou a um fã-clube e foi parar no Twitter. Quem estava atento ao lance teve meia-hora para comprar o ingresso pelos cerca de R$ 50 (26,37 dólares, com a taxa de conveniência), mediante um cadastro rápido e a senha “fornecida”. E aí…
* Um esquema parecido já ocorreu para as famosas entradas dos shows da Madonna e a Time 4 Fun, a organizadora da turnê. Total vingança dos nerds.
* Eu imagino de onde vem esse “link mágico”, mas não vamos mexer muito com essas coisas para não gorar.
* ALGUMA COISA NÃO ESTÁ CERTA COMIGO - Recentemente apareceu o novo vídeo do espetacular grupo Cold War Kids, formação indie-blues-country da Califórnia que lança seu segundo álbum (”LOyalty to Loyalty”) na semana que vem. O primeiro som a ser conhecido do novo disco foi “Something Is Not Right with Me”, que a banda deu de graça em seu MySpace. Jä vi uns três vídeos dessa música no Youtube. O orginal/oficial é dirigido pela famosa diretora inglesa de vídeos Sophie Muller, que ultimamente montou “Sex on Fire”, do Kings of Leon, e “That’s Not My Name”, do Ting Tings, a banda da novela das 8 (e meia). Gosto do Cold War Kids porque é uma das bandas mais contagiantes que eu vi num palco em tempos recentes. Os moleques se matam a cada música, ninguém fica parado no lugar (nem o baterista). O vídeo oficial de “Something Is Not Right with Me” mostra um pouco isso. Mas tem um outro vídeo legal da mesma música, que, no link está com a assinatura atribuída a Sophie Muller. É um bem louco, com uma molecada brincando com fogo. Bom, melhor você ver por si mesmo. Primeiro o oficial, da Sophie Muller. Depois o do fogo, da “Sophie Muller”.
* SOULWAX/2MANYDJS/NITE VERSIONS - Uma das mais incríveis entidades indie dance dos últimos anos, a dupla de irmãos belgas do 2ManyDJs lançou há alguns dias um sensacional DVD chamado “Part of the Weekend Never Dies”, que contém um documentário sobre os DJs/banda/projeto e conta como serviram de ponte para o rock e o eletrônico construindo uma importantíssima cena de amigos. Vi o DVD inteiro nesta semana. Primeiro eles explicam: o 2ManyDJs é uma dupla de DJs que toca música dos outros. O Soulwax é uma banda de rock. O Nite Versions é o Soulwax remixado e tocado ao vivo. O documentário tem depoimentos do povo do LCD Soundsystem, Klaxons, Justice, Erol Alkan, Peaches, entre outros músicos que botaram o rock para dançar bonito nesta década. Além do documentário, e no melhor estilo remix, misturaram 120 shows pela Europa, Ásia, América do Norte, Oceania e América do Sul para construir uma apresentação do Soulwax inteirinha em trechos. O resultado é bem bom. Tem cenas do Soulwax tocando no Anhembi, na excelente performance deles no Nokia Trends de 2006. Tava lá vendo o documentário e de repente vejo os irmãos Dewaele com a camisa do Palmeiras. Num jogo do Palmeiras. E tem cenas, no “Part of the Weekend”, de palmeirenses brigando na arquibancada. Bizarro. “Part of the Weekend Never Dies”, além de trazer um CD de áudio com faixas do Soulwax ao vivo e ser bem divertido, é um documento de época.
* JÁ JÁ – A parte final e principal do post. Pensou em qual foi o maior show que você já viu no Brasil? Porque eu vou perguntar isso…
* <tema de “O Poderoso Chefão”>
Aí eu estava jantando numa trattoria na noite de quinta, em um beco qualquer da superconfusa Palermo. Dessas em que praticamente no meio da rua fica um italiano suadão, camiseta regata branca, na frente de uma grelha, assando peixe fresco na hora do pedido. Um carro escuro com um italianão gordo, bigodudo e mal encarado dentro pára junto ao homem da grelha. O sujeito desce o vidro, fala alguma coisa e o cozinheiro faz uma cara de inconformado. Aí tira uma grana do bolso e dá para o “Bigode”, que fecha o vidro, acelera e se manda. Eu sei que pode ser qualquer coisa. Mas teria eu testemunhado uma ação mafiosa de cobrança e pagamento do “imposto”? </tema de “O Poderoso Chefão”>
* POPLOAD TURISMO - Palermo é bem louca. A cidade, a quinta maior da Itália, foi fundada pelos Fenícios, depois pertenceu pela ordem à Grécia antiga, aos árabes, aos romanos, foi considerada a mais bela cidade do Império Bizantino, foi colônia de Nápoles, virou a capital de uma das duas Sicílias e, ufa, a capital da Sicília unida. Aí, na Segunda Guerra Mundial, foi invadida pelos aliados, contra os fascistas/nazistas, e semidestruída por bombas de todo lado. Então, com o fim da guerra, cresceu ao sabor das vontades da Máfia. Todo esse passado é visto hoje nas ruas, na arquitetura, no trânsito, nas pessoas. O time da cidade, que joga a série A do Campeonato Italiano, tem camisa cor-de-rosa.
* RAP ITALIANO – A música local mais ouvida na Itália hoje parece ser, fora aquela da Amy Winehouse italiana, um hip hop chamado “In Italia”, do rapper Fabri Fibra, famoso na cena. A música toca no underground italiano desde o ano passado, mas depois que virou single, em maio deste ano, ganhou novo remix, um vídeo e daí explodiu por todas as ondas. A letra enfileira as belezas da Itália, mas também escancara o lado podre. Fala da bela vida, das férias no mar, da pasta feita em casa, das mulheres belíssimas, dos artistas, dos monumentos, de ser campeão do mundo. E intercala com a mania de guardar arma no carro, de sair de um hospital pior que entrou, de os italianos serem mundialmente famosos pela Máfia. “Na Itália não tem trabalho fixo. Mas na Itália se beija o crucifixo”, canta Fabri Fibra. O refrão é direto. “São coisas que ninguém te dirá e são coisas que ninguém te dará. Você nasce e morre aqui, no país das meias-verdades.” O vídeo, que tem a participação da conhecida cantora de rock Gianni Nannini, é forte e algo perturbado. Fabri caminha por entre cruzes num cemitério e é “cortado” por “cenas italianas”. É engraçado (triste) quando Fabri solta ironicamente, no meio do vídeo, um “Bem-vindo à Itália”. O vídeo tem mais de 2,6 milhões de visitas.
* Tirando uma coisinha aqui e outra ali, a diferença da Itália e do Brasil são os monumentos.
* NOVA POPLOAD – Parece que o redirecionamento automático do www.popload.com.br ou www.lucioribeiro.com.br para este blog novo já começa a funcionar a partir deste final de semana. A mistura de canais também está arrumada e a rádio Poploaded e o guia Out já devem estar atualizados e cada um no seu lugar, aí à direita. Se ainda não estiver, vai “estar estando” em algumas horas. O lance dos comentários estava meio embaçado, mas (também parece) já normalizou. Também já consigo ver direitinho e sem atitudes protocolares o ip das máquinas que comentam. Hihi.
* A POPLOAD E A QUESTÃO DA VIDA NO PLANETA – Enquanto você fica aí lendo sobre rap italiano em blog, em Cern, na Suíça, neste momento, cientistas estão fazendo o caminho de volta da vida na Terra até o Big Bang do Sistema Solar. Foi o assunto da semana no planeta e eu fiquei meio boiando, porque estava isolado em ilhas sem internet e com jornal apenas da Sicília, o que não (me) ajuda muito. Colisão de partículas super-simétricas, buraco negro em miniatura, quarks, “partícula de Deus”, Higgs, WTF, não estava entendendo nada???? Procurei uma matéria nos jornais brasileiros para entender o que está acontecendo e uma das únicas coisas que eu encontrei de importante para a humanidade foi “Rogério Flausino tira o bigode para o novo vídeo”. Hehe. Na verdade achei, li, mas ainda assim não consegui entender o caso. Então fui à imprensa inglesa…
* O diário britânico “The Guardian” publicou na quinta uma reportagem sobre essa reunião de cientistas em Cern, em torno da busca de solução para os “mistérios do universo”. O repórter, com um texto ótimo, disse que foi até Genebra, onde os cientistas estão trabalhando em um túnel circular de 27 km, embaixo da cidade, e não entendeu nada do que está acontecendo. Começou dizendo que, se ele não tinha entendido o título do novo filme do James Bond, “Quantum of Solace”, qual a chance de ele entender o lance de Genebra? Na capa, chutaram que essa simulação do Big Bang combinando calor e pressão para chegar à “partícula de Deus” tem a ver com o “Klaxon Nu Rave Reflux”, hahahahaha.
* AS RÁDIOS NOSSAS E AS DELES – Falei aqui recentemente das rádios rock (não só) italianas e acho conveniente dizer algo sobre a nova temporada de rádios rock no Brasil. Mais especificamente em São Paulo. Dá para dizer que o rock (principalmente) vive uma certa “Era do Rádio” no dial paulistano, com a chegada da Oi FM e da Mitsubishi FM. A boa nova é sempre comemorada quando isso acontece, mas sempre vem acompanhada de uma forte expectativa, não exatamente positiva. Será que desta vez vai funcionar?
Se o “vídeo matou a estrela do rádio”, como pregava o famoso sucesso dos anos 70/80, que serviu de trilha para a chegada da MTV, hoje, com a internet, essa “estrela do rádio” vaga tipo um zumbi pelo purgatório radiofônico. Mas, se a internet abriu um admirável mundo novo para essa “estrela”, ela encostou de vez na parede a ”rádio”. Antes atuando sozinha nas ondas sonoras, as chamadas rádios convencionais se vêem dividindo atenções e ouvidos com as rádios retransmitidas da internet (elas mesmas, só que na via virtual), as rádios exclusivas da internet, as rádios gringas que se pode ouvir na internet, as rádios que EU posso fazer PARA MIM na internet, os podcasts, o iPod.
* Enquanto a Mitsubishi FM vem com uma proposta mais ou menos definida de ser um easy-listening roqueiro tipo rádios de avião, “sem arriscar para não espantar”, a Oi FM vem alardeando em vinhetas que é a “rádio diferente”, “livre para tocar o que quiser” e que veio para tocar o “novo”. Então a cobrança nossa para cima da Oi vai ser naturalmente maior.
Operando em fase experimental nessa sua chegada ao “difícil” mercado paulistano de rádios de rock/pop que não costumam sobreviver por muito tempo, porque sempre quiseram focar em tudo e acabaram não focando em nada, seria injusto fazer qualquer pré-julgamento da programação atual da OiFM, que até escala um Hot Chip e um Mark Ronson para tocar, mas se anima demais na hora de disparar uma do Lenny Kravitz, depois uma da Joss Stone, seguida de Jamiroquai e “aquela” dos Chili Peppers, tipo o que a falida 89FM, a “rádio rock”, costumava tocar. Anos atrás. Mas, muito além da programação em si, as rádios novas que se pretendem “diferentes” têm que se ligar que não basta só tocar as músicas de uma cena. Elas têm que interferir nessa cena. Para sobreviver e não virar aquela rádio da seqüência-musical-cadeira-de-dentista. Se é que não seja essa mesma a intenção. Vamos voltar mais a este assunto…
* PLANETA TERRA NU – O evento de música rivaaaaaaaaaaaaaaaaaaaal do Tim Festival, que acontece no dia 8 de novembro, retoma neste sábado a venda dos ingressos, desta vez com a programação divulgada oficialmente. Tirando tudo o que você leu por aqui, vem também o DJ escocês MYLO, para a tenda eletrônica. Curumin e o DJ Mau Mau engrossam a lista dos brasileiros, que ainda terá Mallu Magalhães e outros a serem anunciados. Os ingressos a princípio serão vendidos no site da Ticketmaster brasileira. Preço: R$ 80, para o chamado “primeiro lote”.
* O negócio é que, como “primeiro lote”, o Planeta Terra andou vendendo dias atrás um tal de “blind ticket”, quando a pessoa compra o ingresso sem saber (oficialmente) quais atrações vai ver, como fazem alguns festivais ingleses. Estavam vendendo essa leva de entradas por R$ 60 (R$ 78, incluindo a taxa de conveniência). Mas aí, logo desencanaram dessa (boa) idéia, apesar de todo mundo saber faz tempo de 99% das atrações da edição deste ano. Interromperam a primeira venda sem maiores avisos, e soltaram esse novo anúncio de vendas agora. Mas teve gente que comprou, veja abaixo:
Ticketmaster, 06/09/08.
Sr(a). xxxxxxxxx,
Gostaríamos de informar que sua compra para o pedido 140xxx foi autorizada pela administradora do cartão. Seu número de compra é 3-49xxx e ocorreu a venda de: 1 ingresso(s), para o evento Planeta Terra 2008 para o dia 08/11/08 às 15:00 hs no Villa dos Galpões no setor Pista (1o.Lote) – ATENÇÃO: SEUS INGRESSOS ESTARÃO DISPONÍVEIS NA BILHETERIA DO EVENTO PARA RETIRADA; WILL CALL. VALOR TOTAL DA COMPRA: R$78,00.
Por favor leias nossas políticas abaixo.
Atenciosamente.
Ticketmaster Brasil
* TIM FESTIVAL – Enquanto isso, com preços mais salgados, e também pelo Ticketmaster (com.br), por telefone (SP, 2846-6000; fora, 0300 789-6846), além de 27 postos em oito cidades, o Tim Festival começa a venda de suas entradas na terça que vem, dia 16. Os preços para São Paulo estão abaixo (os do Rio não são muito diferentes).
- PARQUE DO IBIRAPUERA, SP 22/10 – Kanye West R$ 250 23/10 – Klaxons, Gossip, Neon Neon R$ 150 24/10 – Junior Boys, Dan Deacon, Gogol Bordello, Switch, DJ Yoda R$ 60 25/10 – MGMT, National, Cérebro Eletrônico R$ 150,00
* NINE INCH NAILS EM PORTO ALEGRE: FAIL – Por causa da baixíssima vendagem de ingressos para o show da banda americana Nine Inch Nails no Rio Grande do Sul, o show gaúcho foi cancelado.
* BLACK REBEL MOTORCYCLE CLUB NO… – Num passado não muito distante, a banda californiana BRMC caiu nas nossas mãos para tocar ao Brasil. A Popload fechou os caras para um possível Popload Festival. Mas, com os trâmites rolando, a banda deu para trás, por causa de atrasos na produção do último álbum deles. Com isso, o festival acabou não acontecendo. Corte para 2008: não é possível que o BRMC (agora com baterista mulher) feche para descer ao sul da América para Argentina, Chile e Colômbia e pule o Brasil. E aí, produção brasileira?
02/10 – Buenos Aires, Pepsi Festival
03/10 – Santiago, Teatro Caupolican
30/10 – Mexico City, Vive Cuervo Salon
02/11 – Bogota, Rock Al Parque Festival
* UM ARCADE FIRE NO BRASIL – Mais ou menos, hahaha. Se você é um indie mais… mais… erudito, vai curtir o projeto Solitude deste ano, que acontece nos dias 17 e 18 de setembro no SESC Santana, em SP. O grande nome é o músico canadense Owen Pallet, que toca violino como convidado do grupo cult Arcade Fire, além de colaborar com Grizzly Bear, Beirut, e ser responsável pela orquestração do disco de estréia do Last Shadow Puppets. Só isso. Outra atração da noite é a francesa minimalista Collen, que me informaram que é “famosa” por fazer sonoridades “estranhas”. O ingresso custa R$ 20.
* O violonista Owen Pallet soltou uma boa sobre o Brasil, em uma entrevista para o “Zero Hora”, de Porto Alegre. Disse que o Win Butler, do Arcade Fire, compôs a faixa “Black Wave/Bad Vibrations”, do álbum “Neon Bible”, no Brasil. Ele se sentia terrível pela banda ter sido colocada num hotel gigante no meio de miséria, comendo um prato de 100 dólares no meio de um gueto. Deve ter sido naqueles hotéis da Nações Unidas, perto da avenida Berrini. Pallet convida todos para vê-lo tocar seu violino e cantar. “É melhor do que pode parecer”, avisa. “Mas não é nada tipo CSS”, explica o músico canadense.
* UMA FRANCESINHA NO BRASIL – Prepare para dançar com os braços. A cantora francesa Yelle, diva da internet e do electro francês, vem tocar no clube Glória, em São Paulo, no dia 30 de setembro. Yelle é atração de uma nova festa do Glória, a IM//A\\PARTY e do lançamento do site IM//UR. Mais sobre isso depois.
* PRÉVIA DO OASIS NOVO – No próximo dia 06/10, chega às lojas o novo álbum do Oasis, “Dig Out Your Soul”. Neste sábado, a Sony Japão botou os tradicionais 30 segundos de cada música do álbum em seu site.
A nova – e diferente – obra dos irmãos Gallagher possui (oficialmente) 11 faixas. Mas a versão japonesa conta com duas bônus. Elas também foram jogadas online no site da gravadora.
Ouça no player Popload a seqüência de todas as treze novas canções do Oasis, na seguinte ordem: “Bag It Up”, “The Turning”, “Waiting for the Rapture”, “The Shock of the Lightning”, “I’m Outta Time”, “(Get Off Your) High Horse Lady”, “Falling Down”, “To Be Where There’s Life”, “Ain’t Got Nothin’”, “The Nature of Reality”, “Soldier On”, “I Believe in All” e “The Turning (Alt Version #4)”.
* QUAL O MELHOR FESTIVAL DO “VERÃO” BRASILEIRO? - Skol Beats, Tim Festival, Planeta Terra? Leve em consideração as atrações, o local, o preço dos ingressos. Fala aí qual seu festival preferido em 2008. Nos comentários ou no email. Falo de prêmios quando voltar.
* ACABOU - Não vou voltar a este. Post novo chega na terça. A história do “rap enquanto rock” vem na próxima.
Lúcio Ribeiro é jornalista. Edita o Popload e escreve sobre música e cultura pop para a Folha de S.Paulo. É colunista das revistas Capricho e Homem Vogue. Co-apresenta o programa de rádio Poploaded. É DJ residente do clube Vegas e viaja o Brasil tocando em festas de rock.