Boa noite, Brasil. Estivemos fora do ar (ou no ar, mas de modo zoado) para ajustes técnicos e “melhorias”. Aos poucos estamos voltando ao normal. O que deu para eu sapear por enquanto, nas novidades, são recursos ligados aos… comentários. Hehe.
* A histórica banda Echo & The Bunnymen acabou faz tempo, mas esqueceram de avisar ao Ian McCulloch. Mas tudo certo, deixa os caras. Agora, que é muito cool essa turnê deles tocando o grande álbum “Ocean Rain”, isso é. Até eu iria querer assistir, se pudesse, mesmo já tendo desistido dos Bunnymen faz um tempinho. Os pôsteres, que é a banda no barco (capa do álbum) aplicado a alguma imagem da cidade onde a banda estará tocando, é muito bacana. Tipo esta do show de Los Angeles.
Echo & The Bunnymen fator “love hurts”: “Killing Moon” (”In starlit nights I saw you/ So cruelly you kissed me”)
* DO YOU WANT TO: FRANZ FERDINAND EXTRA EM SP, DIA 30 NA THE WEEK - Você tem 800 chances de ver o show semi-aberto que a adoraaaaada banda escocesa Franz Ferninand fará, muito além do Video Music Brasil, em São Paulo. Serão vendidos 500 ingressos, e mais 300 serão distribuídos através de um concurso cultural promovido pelo patrocinador do show extra.
A Popload apurou que o show “liberado” do Franz Ferdinand acontece dia 30 de setembro, na The Week, se nada mudar. Sobre ingressos e concurso, tudo será divulgado, espera-se, nesta segunda-feira.
O VMB, a festa do vídeo da MTV, onde o FF também será atração, ocorre no dia seguinte, 1º de outubro. .
I can buuuuurn this city. Um minuto de Franz Ferdinand para você ir esquentando aos shows que eles vêm fazer em São Paulo, dentro de alguns dias.
Franz Ferdinand fator “love hurts”: “No You Girls” (”You girls never know/ Oh no, you girls’ll never know/ No you girls never know/ How you make a boy feel “)
* MICACHU – Uma das bandas mais esquisitas do planeta (isso é um elogio), a deliciosa e inglesa Micachu and the Shapes, liderada pela absurda menina Mica, apareceu recentemente com vídeo novo. É do single novo, que sai em outubro na Inglaterra. A música é “Turn Me Well”, uma lá enterrada no disco de estréia dela (deles), lançado no começo do ano. Guardada todas as proporções, se alguém neste século musical chegou perto dos Pixies, esse alguém é a Mica, 22 anos, formação em música clássica e fabricante de suas próprias guitarras, as chus.
“Turn Me Well”, Mica estampada etérea na tela com os dentinhos separados, é assim:
Por algum motivo, o vídeo fez sua estréia no site da Bjork (.com), que é fanzoca da Micachu. Talvez seja por isso.
Micachu fator “love hurts”: “You squeezed my heart so tight tonight/ You must return it before you leave/ Cos’ when you get to me/ When you get to me/ When you get to me, you turn me well/ Get to me and turn me well, I’m a tired soul”
* PLANETA TERRA: MAXIMO PARK NO NOSSO PARK - A gente tem que receber a banda do dândi indie Paul Smith assim, quando eles tiverem tocando no Playcenter em novembro:
Maximo Park ao vivo no Reading Festival. Eles já foram mais importantes no rock inglês, mas o show continua em alta velocidade. Na velocidade deles.
Maximo Park fator “love hurts”: Em “Our Velocity”, Paul Smith manda “If everyone became so sensitive/ I wouldn’t have to be so sensitive/ Love is a lie, which means I’ve been lied to”.
Vai, Karen O. Diz “sim” para o Terra, diz.
Parece que não houve acordo ($$$) entre o Planeta Terra e o Kings of Leon. Só parece. Vamos aguardar.
* AC/DC, no Morumbi, para 80 mil pessoas. Será que são só eles? AC/DC é “huge”, mas lotar um Morumbi hoje em dia… Pensando bem, acho que lota, não? De todo modo, a veteraníssima banda australiana toca no dia 27 de novembro.
* Killers adiado no Rio. O show seria no dia 24 de novembro, no HSBC Arena, três dias depois do de SP, que está mantido. O motivo alegado no comunicado oficial é “conflito de datas”. Quando a desculpa é “conflito de datas”, geralmente a real é “falta de público interessado”, como já se fala para este caso. Uma pena, porque um show em lugar fechado como este do Rio, no HSBC Arena, seria bem melhor que o de São Paulo, por exemplo, na nada unânime Chácara do Jockey (que ainda assim é melhor que o Anhembi).
* Em meio a correria de grandes festivais para confirmar grandes atrações, um distinto evento independente está fechando para o final de novembro a pequena banda americana Dirty Projectors, do Brooklyn, um dos ótimos novos nomes de 2009 na música. Em atual turnê européia e da mesma “família sonora” que o Animal Collective, o Dirty Projectors é dono de um rock experimental às vezes doidinho, às vezes mais pop que o Killers (haha!). A música mais badalada do DP, a incrível “Stillness Is the New Move”, é o melhor e/ou mais significativo título de canção do ano. Fácil.
* PRÊMIOS DE LONDRES – Segue a pacoteira londrina que eu trouxe da última viagem. Pelos comentários e no email lucio_ribeiro@ig.com.br estão valendo:
1 – Um single de “Crying Lightning”, vinil, do Arctic Monkeys
2 – Coletânea indie “Anthem” da “Q”, dupla, com os hinos dos últimos anos. De Kasabian a Stone Roses, de Libertines a Calvin Harris, de QOTSA a MGMT.
3 – E uma camiseta incrível oficial do Reading, com um monstro na frente comendo um braço (!). Vou liberar, apesar de estar me coçando para ficar com ela. Talvez negocie uma “usada” com o ganhador, haha.
* Ah me/ Baby/ Goddamn/ I am/
I can/ Sing and/ Hear me/ Know me
If you want to destroy my sweater
Pull this thread as I walk away
* IGNORE – O “ignore the ignorant” do título não é uma revolta minha com os cabeçudos que botam bobagens nos comentários deste e de outros blogs. Até gosto deles, hihi. Meu bolso também.
Me refiro ao título do álbum novo do grupo inglês Cribs, a formação mais genial da história: três irmãos, dois deles gêmeos, e um guitarrista que foi dos Smiths, hahahahaha.
O disco, já na internet faz dias, tem lançamento tradicional nesta semana. E tem a tosquíssima “Cheat on Me”.
Um dos três melhores discos do ano?
Este é um gato que eu flagrei na vitrine de um pet shop, ventania nas costas, sendo secado depois de um banho. A cara de puto dele é demais, principalmente com as pessoas tipo eu chegando para tirar foto de sua maldição momentânea. Life is unfair! Detalhe ali atrás, na imagem, para um cão com a língua de fora, esperando a vez dele todo feliz. Se alguém desse uma metralhadora na mão deste gato, não ia sobrar ninguém vivo naquele shopping, naquela hora.
Falando em gato, tem esse que enfeita a página principal da venerada banda americana Sonic Youth, todos cinquentões com cara de 20 e poucos. Tudo gato. O da foto está em pôster de show do SY no Canadá. A banda de Thurston Moore tem, depois do Nirvana, os melhores pôsteres de show de todos os tempos. O Planeta Terra, com tantas “atividades” extra-show, podia estimular a molecada artista a fazer pôsteres do festival. Num ato mais ou menos parecido com o do carinha que remontou em vídeo o show do Radiohead, que você lê mais abaixo. Estou misturando as bolas? Estou, né…
* PLANETA TERRA BOMBATOR – SONIC YOUTH, YEAH YEAH YEAHS (?) E… KINGS OF LEON(???) - Conforme assopramos por aqui na semana passada, o Planeta Terra confirmou o Sonic Youth. Quer dizer, não o PT. O Sonic Youth se autoconfirmou no festival.
O Snow Patrol, aparentemente, não vai mais rolar. Mesmo. Mas a oferta ainda repousa na mesa do grupo escocês (irlandês?).
A grande notícia é que o megafestival que acontece no MESMO DIA de outro megafestival deve anunciar nas próximas horas a volta ao Brasil da ótima banda nova-iorquina Yeah Yeah Yeahs, que fez show bem bom há uns 10 dias no palco grande do Reading Festival 2009 (ficaria muito melhor no palco 2, o da Radio 1/NME). A banda da grande Karen O tocaria pela segunda vez no Brasil. O YYYs integrou grande noite do Tim Festival em 2006, com TV on the Radio e Daft Punk. Falo de São Paulo (Tom Brasil). “Cabeças vão rolar”, provavelmente gritará Karen O no Playcenter, se nada deu errado nos últimos dias e o Planeta Terra Festival anunciar a banda. Com Sonic Youth e YYYs na programação (mais Ting Tings, Primal Scream, Maximo Park e Metronomy), o PT já se mostra tão atraente quanto o Maquinaria, evento pop que será realizado no mesmo dia em SP, trazendo Jane’s Addiction, Faith No More, Deftones, entre outros.
Agora, se o Kings of Leon virar realidade… O Planeta Terra corre para anunciar até quarta-feira o grupo americano dos irmãos e primo Kings of Leon, da família Followill, como headliner do festival. Outro a fazer grande show no Reading Festival (como atração principal de um dos dias) e outro a ter vindo pelas mãos do Tim Festival anos atrás no comecinho da carreira (o Planeta Terra é o novo Tim Festival. O Planeta Terra é o velho Tim Festival).
A pressa é justificada. Quarta-feira o festival de 7 de novembro no Playcenter começa a vender seus ingressos. Sexta-feira a campanha toda de TV, rádio e internet do PT deve ficar pronta para ir à rua e o festival quer ter fechada toda a sua programação de dez bandas internacionais (Sonic Youth, Primal Scream, Ting Tings, Maximo Park, Metronomy, Etienne de Crecy, YYYs + 3) e dez brasileiras (Móveis, Copacabana Club, Macaco Bong, Nasa, Ex! + 5).
A vinda do Kings of Leon está dependendo de um interesse ($$$$$$$$$) maior do festival para trazê-los, porque a turma do Caleb quer vir. Tomara, porque os caras seguraram o absurdíssimo palco principal do Reading com um showzaço.
* O cantor inglês Patrick Wolf também vem para o Planeta Terra Festival, o que na nossa conta deixa apenas duas vagas gringas a serem confirmadas.
E aí? Você vai ao Planeta Terra ou ao Maquinaria?
* PLANETA TERRA QUIS MUDAR O DATA – Ah, tá. Fechado para ocorrer no dia 7 de novembro, exata data anunciada por um outro festival, na mesma cidade, o PT tentou jogar terceira edição mais para o fim de novembro. A medida seria para evitar o confronto de datas com o Maquinaria, que ocorre também dia 7/11, também em São Paulo (na Chácara do Jockey) e já havia anunciado o Faith No More e o Jane’s Addiction no seu line-up. Mas o Playcenter, novo local do PT, já com sua programação acertada, não permitiu a mudança de dia. Ou era dia 7 de novembro lá, ou em um outro dia mas num outro lugar. Prevaleceu o Playcenter. Saco!
* HEY, KOOL THING – SONIC YOUTH VEM AÍ – No final de março, em Santiago, Chile, peguei um show incrível do veterano Sonic Youth por lá, no Movistar Arena, um ginasião cheinho para ver a turma de Thurston Moore. Foi uma apresentação barulhenta, frenética, num incessante gás juvenil, de fazer jus ao nome da banda. E cheia de hits. E com a cinquentona Kim Gordon parecendo que tinha uns 21. Repara nela, meldels. E não liga muito para o som (eu tava pertinho das caixas)
* TRECHO INICIAL DE “JULIET, NAKED”, O NOVO LIVRO DO NICK HORNBY – A Popload traz o trecho inicial do novo livro do escritor pop mais badalado do planeta. Autor do inesquecível e inesgotável “Alta Fidelidade”, “Um Grande Garoto” e mais três outros romances de ficção carregados de referências pop, Nick Hornby retorna com “Juliet, Naked”, recém-lançado na Inglaterra. O livro, um romance sobre rock e internet (para ser bem sucinto, tipo rasteiro mesmo), foi bastante bem recebido pela crítica inglesa. embora alguns achem a escrita de Hornby tão “veloz” e sem pausas que muitas de suas piadas certeiras e/ou ambiguas ficam sem serem entendidas, porque a literatura pop do escritor não deixa tempo e um “silêncio” para o leitor pensar. Afirmam que é o mais próximo que o escritor chegou de “Alta Fidelidade”, seu primeiro e mais importante livro.
“Juliet, Naked”, em outra definição enxuta, é: “quando o seu maior ídolo se apaixona pela SUA namorada”. Conta a história do casal Annie e Duncan, ele com uma paixão obsessiva pelo reclusivo cantor e compositor veterano Tucker Crowe, figurinha difícil da música, que só os mais “indies” conhecem, sabe assim? Crowe abandonou a música, vive escondido e não compõe mais nada há 20 anos, por causa de um trauma que ele carrega depois de um misterioso acontecimento em um banheiro de um clube em Minneapolis. O relançamento do mais famoso álbum de Crowe, um caso de infidelidade de Duncan e um email inesperado do músico para Annie vão servir de caminho para Nick Hornby desfilar sua escrita ao mesmo tempo ácida e doce, cômica e triste, sempre tocante.
“Juliet, Naked”, sexto livro de Nick Hornby, começa assim (em uma tradução beeeeem livre). Com sua licença, Hornby.
“Eles tinham voado da Inglaterra para Minneapolis para olhar uma privada. Essa ficha só foi cair para Annie quando eles já estavam dentro do tal banheiro: que, tirando os grafites nas paredes, alguns deles fazendo referência à importância dos banheiros na história da música, era imundo, escuro, fedido e completamente esquecível. Embora o legado da cultura americana costume ser muito expressivo historicamente, não havia muito o que eles podiam fazer aqui.
‘Está com a câmera aí, Annie?’, disse Duncan.
‘Sim. Mas você quer foto do que neste lugar?’
‘Do… você sabe…’
‘Não.’
‘Bem… da privada.’
‘O quê… Como você chama estas coisas?’
‘Mictório, urinol.’
‘Você quer estar em um para a foto’
‘Devo fingir que estou fazendo xixi?’
‘Se você quiser.’
Então Duncan parou em frente ao mictório do meio, dos três que haviam, suas mãos convincentemente colocadas na frente, e com uma viradinha de cabeça olhando com sorrisinho para Annie por cima do ombro, na pose para a foto.
‘Pegou?’
‘Não tenho certeza se o flash funcionou’
‘Faz mais uma. É ridículo virmos de tão longe e não tirarmos uma boa foto’
Desta vez Duncan parou dentro de um dos reservados, deixando a porta aberta. A luz estava melhor ali, por alguma razão. Annie tirou uma boa foto agora, bem razoável para uma foto de de um cara diante da privada. Quando Duncan saiu do reservado, ela pode ver que a privada, como todas que ela já tinha visto num clube de rock, estava interditada.’
‘Vamos’, disse Annie. ‘Ele não está nada contente comigo aqui.’
Era verdade. O cara atrás do balcão do bar do clube no início suspeitou que eles estavam procurando por um lugar para se drogar ou talvez fazer sexo. No final, e lamentavelmente, o barman tinha total certeza que eles não eram capazes de fazer nem uma coisa, nem outra.’
Duncan deu uma última olhada no banheiro e balançou a cabeça. ‘Se as privadas pudessem falar, hein?’
Annie estava feliz que aquela lá não podia. Senão o Duncan iria querer conversar com ela a noite toda.”
E daí para a bagunça de relacionamentos complicados com forte trilha sonora ao fundo é um pulo. Nick Horby andou falando bastante sobre seu novo livro. Aqui, num vídeo tirado de um webchat em que ele participou, o escritor tem uma coisa ou outra a dizer sobre o amor e como isso pode ser aplicado em “Juliet, Naked”. O vídeo é obviamente em inglês, sem legendas e é preciso um pouco de familiaridade com o delicioso sotaque britânico para saber o que está acontecendo.
* F*D*U, INDÚSTRIA MUSICAL – O INCRÍVEL CASO DO DVD DO RADIOHEAD EM SÃO PAULO FEITO POR UM FÃ – Certa vez num passado não muito distante eu estava participando de um desses debates sobre “internet e o futuro da música blablablá”, que volta e meia me convidam. Na “mesa” estávamos eu, um diretor da MTV e um professor de mídias (acho) da USP. A certa hora o acadêmico não se mostrava nada animado com as revoluções causadas pela internet na música ou na cultura em geral, achava enganação, manipulação de massa virtual das grandes empresas ricas para dominar o mundo e isso e aquilo. E concluiu dizendo que era bom ir muito devagar com essa história de blogs, twitters (rede de comunicação em geral), downloads “piratas”, discos oficiais sendo lançados de graça ou quase, porque isso tudo estava arruinando a arte, era tudo um lixo. A palavra muito usada era “qualidade de conteúdo”.
O gancho foi utilizado pelo executivo da MTV, para dizer que, esperta com o latejante mundo ao seu redor, a emissora estava de olho na internet, claro. Chegou até a abrir um braço da marca na rede (o MTV Overdrive) e incentivava os telespectadores a mandarem vídeos seus para eles.
“O problema é que a qualidade de 90% do que chega dos internautas é muito ruim”, espantava-se o diretor, inconformado, parecia, que dentre os moleques de 13 anos que entopiam a emissora com vídeos caseiros não tinha nenhum Chris Cunningham mirim ou alguns pequenos Michelzinhos Gondry.
“Tá veeeeeeeeeeeeendo”, bradava o professor da USP, tendo a tese da qualidade corroborada.
Passaram a bola para mim e eu perguntei para o moço da MTV quantos vídeos de molecada chegavam por dia na emissora. A resposta era “uns 200″.
Eu falei: “Vocês não acham que não estão enxergando a ‘grande notícia’ nessa história toda? A gente não tem que ficar contente e espantado e entusiasmado que diariamente tem uns 200 moleques de 13, 14 e 15 anos produzindo vídeos em casa, com recursos próprios ou nenhum? É óbvio que qualidade é importante, mas, se a terra ainda está arrasada, a revolução digital é muito recente e, se hoje chegam uns poucos vídeos de qualidade OK entre os 200 que são descarregados na emissora, isso não pode ser um sinal de que amanhã vão chegar mais, depois de amanhã mais e mais e esses moleques de 13, quanto tiverem 17, não vão estar precocemente bem melhores na arte do vídeo? Quantos teens produziam seu próprio vídeo e mandavam para a MTV, na década passada?”
O acadêmico fez cara de “que absurdo”, o executivo da MTV ficou me olhando e parte do público, o da molecada, parecia entender bem o que eu estava falando, até com uma cara de certo menosprezo aos três “especialistas” da banca, tipo pensando: “Que óbvio isso”.
Thom Yorke no show do Radiohead em São Paulo, em março. Todo o concerto foi transformado em DVD, de fã para fã, e de graça. O futuro da música passa por aqui
Pois bem, fim do papinho inicial, corte para o agora. Finalmente ficou pronto o espetacular “Rain Down”, uma recriação do show do Radiohead em março deste ano em São Paulo através de sincronização de áudios da aprespedaços de imagens filmadas por fãs aleatórios que gravaram trechos do concerto em seus celulares ou câmeras amadoras e depois postaram no Youtube. “Rain Down”, idealizado por um fã paulistano da banda de 22 anos, o Andrews Ferreira Guedes, a partir da atitude mais banal na música hoje (gravar shows e postar na sequência no Youtube), virou um DVD virtual que é um projeto colaborativo entre fãs brasileiros do Radiohead extremamente bem editado (ainda que cheio de imagens toscas, que no caso viram “artsy”) e de som bom que remonta toda a inesquecível apresentação da banda de Thom Yorke na Chácara do Jockey, zona sul de SP.
Ao jornalista e chapa antenado Alexandre Matias, do importante caderno “Link”, do “Estado de S.Paulo”, Andrews contou que não levou câmera à Chácara do Jockey. Mas que assim que pisou em casa na volta do show foi ao computador para já procurar no Youtube vídeos da apresentação filmados pela galera. “Quis aproveitar a empolgação pós-show juntando vídeos que apareceram na internet para uma edição multicâmera da música ‘Paranoid Android’. Depois disso fui bombardeado com perguntas sobre a edição de outras músicas. Nunca tinha pensando em fazer um projeto desses, apenas editava vídeos de shows da minha própria banda – a Refink.”
“Rain Down” tem recriado, então, todo o show de São Paulo, de 26 músicas (de “15 Step” até “Creep”), extras do show do Rio de Janeiro (cinco canções, incluindo “Air Bag” e “No Surprises”) e uma grande galeria de fotos.
O projeto levou pouco mais de cinco meses para ficar pronto, do dia do show, 22 de março, até a data de seu “lançamento virtual”, dia 31 de agosto
Em cada uma das canções do show de São Paulo, Andrews burilou cerca de 15 vídeos de pessoas diferentes para montar o vídeo final. Todos os “pedaços” tirados do YouTube estão creditados no DVD, que tem até trailer.
O DVD “Rain Down” não vai ser colocado à venda nem vai virar produto físico, a princípio. Sua circulação será gratuita e pela internet.
Você encontra instruções para baixar o “Rain Down” no blog do DVD.
Olha o que você foi fazer, Thom York. Achei uma das mais genuínas manifestações punk (do it yourself) da era digital.
* LINK - Falei isso uma vez para o Matias, sobre o caderno de tecnologia do “Estadão”, que ele comanda. Agora vou escrever aqui. Se a “Wired” é a nova “Rolling Stone”, o “Link” é a nova “Ilustrada”. Deu para entender?
* ROLÊ FEST – Acontece no clube Clash, dia 23 de setembro, uma quarta-feira, o primeiro festival do Bonde do Rolê, mais uma apresentação da internacional de indie-funk carioca rumo a soltar seu novo disco. É um festival entre amigos e promete ter várias edições. Nesta de estréia tocam o próprio Bonde, o duo de Campinas Kavera Koma Klub e o DJ-disco Boss in Drama fechando a noite. Mais próximo do Rolê Fest a gente volta a falar do evento e sorteia uns ingressos.
* READING FESTIVAL EM FOTOS - Embacei para tirar da câmera, depois embacei para botar aqui. mas agora vai. Uma galeriazinha de fotos do Reading 2009, bandas, clima, galera, para você ir se inspirando no clima festival porque novembro é logo ali, apesar de termos dois no mesmo dia (hahahaha, não me conformo com isso…).
* PRÊMIOS DE LONDRES – Então vamos lá. Faz tempo que eu não sorteio nada aqui. Vamos quebrar esse tabu. Pelos comentários e no email lucio_ribeiro@ig.com.br estão valendo:
1 – Um single de “Crying Lightning”, vinil, do Arctic Monkeys
2 – Coletânea indie “Anthem” da “Q”, dupla, com os hinos dos últimos anos. De Kasabian a Stone Roses, de Libertines a Calvin Harris, de QOTSA a MGMT.
3 – E, talvezzzzz, uma camiseta incrível oficial do Reading, com um monstro na frente comendo um braço (!). Gostei tanto dela que estou relutando para pôr a sorteio. Mas se tiver muito pedido a ela eu boto, sim. No próximo post eu decido.
* FIM - O resto prometido vem no próximo post. Portanto, o que eu te prometi ainda está de pé. Stay beautifu!
* Popload em Reading. Popload em Londres. E, ufa, Popload em São Paulo.
* Lá e cá, risonho e… lííííímpido.
* Costas, check! Joelhos, check! Pernas, check! É, voltei inteiro.
* Soube na volta que acharam o Belchior, o “nosso Richey Edwards” (Manic Street Preachers). Com a diferença que o Belchior foi encontrado no Uruguai três meses depois de “desaparecer”, enquanto o Richey sumiu em 1995, foi “visto” desde o México até a Grécia e por fim foi declarado morto no final do ano passado. Só que agora, parece, o Brasil está envolvido com outro mistério pop: onde anda a Amelinha?
* Poploadmania. Think less but see it grow. Like a riot, like a riot, oh! I’m not easily offended.
* Lembra que eu falei que eu não achei a camiseta Reading-Oasis tipo a do Glastonbury-Michael Jackson? Então… Achei!
* QUEM NO PLANETA TERRA? – Antes de falar de lá, um papinho sobre aqui?
1) Eu sei que não dá para confiar em argentinos na semana de Brasil x Argentina
2) Tirando o Primal Scream, a gente acertou todos os nomes gringos da escalação do festival Planeta Terra até agora.
Posto isso, venho dizer o seguinte. Me bateram da Argentina que o headliner do PT 2009 pode sair destes dois nomes, ambos fortemente em negociação com os hermanos: Sonic Youth e Snow Patrol.
Kataplááá!!!
O primeiro é o primeiro, em atual gás de dar inveja os meninos do Bombay Bicycle Club, a atual banda mais energética do planeta.
O segundo, inédito no Brasil, e de um certo passado indie glorioso e em um atual perigoso caminho ao mainstream-novela das oito, devo confessar: eu gosto. Tudo bem?
* E OS MAIORES NO MAIOR DOS READING FORAM… – Vou dar uma geral neste post sobre o que está sendo considerado o maior dos últimos Reading Festival. Mais gente (150 mil), melhor escalação (Radiohead, Arctic Monkeys, Kings of Leon como headliners), melhores veteranos (showzaços de Faith No More, Prodigy, Ian Brown), maiores novidades (Big Pink, Bombay Bicycle Club, La Roux, The XX). Sobre o que eu vi, o que eu li, escutei, o que perguntei aos amigos, vou dizer quem foi os melhores, em um ângulo pessoal ou puxando para tal.
Antes, queria dizer, mesmo correndo o risco de parecer metido, arrogante, exibido e tal, que… Quem matou a pau, tenda absurdamente lotada, pista dançando do começo ao fim, clima total de festa, todas as músicas sendo gritadas, foi uma certa atração do último Popload Gig.
“Hellooooo, Reading. We are the Friendly Fires and you are the incredible second best audience we’ve played this month”
Mas então. Meu Top 5 de sete bandas do Reading 2009 foi:
1. Radiohead
2. Friendly Fires
3. Passion Pit
4. Big Pink e La Roux
5. Gossip, The XX
(1) É aquilo que a gente viu. Show lindo para os ouvidos e olhos. Mais modern jazz, electrojazz que indie ou rock, embora o começo com “Creep”, para os ingleses que não viam a banda tocá-la há séculos, foi matador. Vi só uma hora de show, pelos motivos óbvios, e porque ali do lado ia começar a La Roux.
(2) Foi a catarse coletiva já citada. E, independente de qualquer coisa, pensa: umas 10 mil pessoas gritando para uma banda que tocou há algumas semanas para 1000 no Circo Voador e 500 no Studio SP.
(3) Foi meu terceiro Passion Pit ao vivo. Uma no Sxsw, show cool mas caótico, bagunçado mesmo de banda parecendo tocar pela segunda vez na vida. Outra abrindo para o Franz Ferdinand em Londres em julho, show burocrático e chato, até. E esta no palco dois do Reading, abarrotado, vibe incrível, uma música boa atrás da outra.
(4) Big Pink começou irregular, como é o disco. Viajante sem sair do lugar, shoegaze mais climático que climáááático. Aí começaram a carregar na eletronice, a guitarra subiu, a atmosfera começou a ficar pesada e densa e pesada e densa… O final com as mágicas “Velvet” e “Dominos” matou. Como dizem no twitter, morriumpouquinho. A La Roux no mesmo palco, mas num outro dia e contexto, joga com o jogo ganho. A galera AMA a moça, canta tudo, eletropop quase vagabundo mas com muito charme, com uma parte chatinha, outra sensacional. Não há meio-termo. Mas as boas, tipo “In for the Kill”, “Bulletproof”, “I’m Not Your Toy”, “Quicksand”, fazem o local em que ela toca o melhor lugar do mundo para estar.
5) O Gossip é aquilo. Beth Ditto despachada, enlouquecendo num crescente, clima de show para amigos, músicas novas bem boas ao vivo, músicas “velhas” absurdas e o final com “Standing in the Way of Control” para o mundo acabar. A “nova sensação” XX é uma delícia ao vivo, para uma banda tão parada. Mistura de Cure com Pixies, jogralzinho ele-ela na medida, banda que explora os minimalismos quase silêncio com uma genialidade absurda para ver em um grupo tão novo. Thom Yorke deve adorá-los.
* ISTO FOI O READING:
- Outros shows bem bons: Horrors, Kings of Leon, Metronomy, Yeah Yeah Yeahs (perfeito se não fosse no palcão principal), Bombay Bicycle Club e, acredite, Bloc Party (a parte que eu vi).
- Show que confundiu: Arctic Monkeys. Na hora, achei alguns momentos bons, outros burocráticos. Ninguém muito empolgado com as músicas novas. Mas na hora em que ouvi, depois, no especial da Radio One, achei muito bom.
- Show que não rolou de jeito nenhum: Kaiser Chiefs.
- Show que eu não vi, mas amigos acharam o máximo: Faith No More, Florence & the Machine, White Denim, Dinosaur Pile-Up e… Them Crooked Vulture, a banda do Josh Homme + Dave Grohl + John Paul Jones que tocou de surpresa, sem ser anunciada, no palco 2, tipo sábado 4 da tarde.
- Várias: “Sex on Fire”, do Kings of Leon, e “When the Sun Goes Down”, do A.Monkeys, foram as duas músicas mais absurdamente cantadas alto pela galera no Reading. Parece que no Faith No More teve uma par delas. E “Death”, do White Lies, teve lá sua glória; Popload e a moda: camisa xadrez que um dia foi grunge e hoje é folk foi tendência. Pintura na cara teve mais no Reading deste anos do que quando o Collor sofreu impeachment. O “must” era fazer bigodes e focinho de gato no rosto. Homem e mulher. No show do Bombay Bicycle Club, pensei que ia rolar esmagamento de pessoas. Ou, pior, de adolescentes. Quando você achava que não havia espaço para mais ninguém, lá vinha uma orda de 20 teens raivosos querendo chegar perto do palco. Foi assim da primeira à última música. Medo.
* O READING 2009 EM TRÊS VÍDEOS
1) Beth Ditto fazendo dancinha na explosiva “Jealous Girls”
2) Um vídeo “especial” para “Heads Will Roll”, do Yeah Yeah Yeahs
3) A sensação Big Pink, japa girl na batera, mandando “Velvet”
* Mais Reading, com outros vídeos e fotos, logo mais.
* ALL YOU NEED IS (VAGNER) LOVE – Sumiço do Belchior, fim do Oasis, Reading Festival, disco novo da Scarlett Johansson, Popload em Londres? Nenhuma notícia pop foi tão importante nos últimos dias do que a contratação do Palmeiras para o campeonato brasileiro: o Vagner Love, o craque do amor, que passou cinco anos entre as russas e agora deve estrear sábado no Palestra Itália.
Além de uma Copa da UEFA e duas taças do Russão (?!?!), o atacante traz na bagagem a inspiração para duas bandas europeias batizadas com seu nome. A primeira é de Manchester e se chama isso mesmo, Vagner Love. A segunda é uma espécie de Village People alemão-anos-2000 e é batizada de Wagner Love, com W. Eu e meu amigo do Planalto, o Eduardo Palandi, somos os fãs oficiais brasileiros de ambas as bandas.
1. A primeira é um trio de moleques de Manchester que faz power pop de três minutos como se fosse 1993 (Sebadoh, Teenage Fanclub… Green Day?). A Popload ouviu e concluiu: se Vagner Love jogasse no Manchester United, perigava de “This Is Not a War” e “We Don’t Care” virarem hinos de arquibancada da maior torcida inglesa, tipo “Seven Nation Army” (White Stripes) na Itália. Veja e ouça com seus próprios olhos e ouvidos: myspace/vagnerloveband.
2. A Wagner Love surgiu na Alemanha em 2003 (a de Manchester é de 2007). Ao invés do popzinho underground, é um quarteto assinado com a EMI local, que faz uma mistura de Phoenix com Jorge Vercilo (!) cantando em inglês. Ficou com medo? Não se preocupe, é mais para o lado do Phoenix, já que o hit “I know”, emplacado na trilha do filme “Jogos de Amor em Las Vegas”, é muuuuito parecido com “Too young”, do primeiro disco dos franceses.
*** Agora uma pausa para os nossos comerciais ***
* POPLOADED 122 - Está em cartaz na Rádio Poploaded a edição 122 do programa co-apresentado por Lúcio Who e o gênio Fábio Massari. No playlist, só balas: Friendly Fires exclusivo ao vivo na passagem de som do Studio SP, Dwarves, Deerhunter, Eve & Benga, Electric 6, Decemberists, XX entre outras. Na famosa session ao vivo de banda nacional, a apresentação do grupo electrogrungesexy Brollies & Apples, em vídeos classe gravados na Rua Amauri, pelos mascarados. Tipo este.
* POPFELLAS APRESENTA NO PORN – O ótimo duo paulistano No Porn, dos festeiros Luca e Liana, se apresenta nesta quinta-feira em pocket show na balada rock Popfellas, com discotecagens deste aqui, de Rafa Urenha e do Focka. Mesmo se eu não tivesse a “obrigação” de tocar, eu jamais perderia esta balada. Wicked!
*** Fim dos nossos comerciais ***
* CARACA: ROCKBAND DO RADIOHEAD? - Hahahahaha.
* CARACA: MAS O DOS BEATLES É BEM SÉRIO - Rolou no final de semana passado, mas como eu estava absorvido no Reading, não tinha visto.
* CARACA: E O DO KURT? – Este é para o Guitar Hero 5, também old news, mas serve no “pacote” dos Beatles real e do Radiohead fake. Nesse jogo o Kurt Cobain pode tocar e cantar qualquer coisa: de “Smells Like Teen Spirit” a… Bon Jovi. Aí alguém aproveitou para fazer o Kurt cantar “You Give Love a Bad Name”, sendo que Love, neste caso, foi uma direta para a Courtney Love. Hehe.
* LOGO MAIS - Popload no cinema: Tarantino, ETs e o filme sensação de 2009. Popload na literatura: O Nick Hornby que veio parar na minha mão. E os sambistas do indie. Foram os prêmios ingleses. Só loucura.
* Popload em Londres. E no Reading Festival, o que é “pior”.
* Hehe.
* Lembra a camiseta do Glastonbury que estampava “I was at Glasto when Jacko died”? Então, procurei a camiseta “I was at Reading when Oasis died” e não encontrei…
“Alô? É, estou entrando no Reading. Tá incrível aqui. O quê?!? Aí no Brasil os únicos grandes festivais do ano vão ser no mesmo dia? Como assim???”
* O festival da cidade de Reading, o “lar” dos mais violentos hooligans da Inglaterra, é um massacre de shows, de gente indo e vindo e de, no final do seu terceiro dia, de pernas e costas. Um dos dois principais eventos musicais do planeta, você vê no Reading os melhores shows da vida, passa muito frio e muito calor no mesmo dia, vê o povo mais bonito e estiloso (ou muito pelo contrário) e come os piores hambúrgueres desde que o primeiro boi foi morto para virar comida.
* Tirando tuuuuudo isso, a coisa mais “tendência” do Reading 2009, não sei bem de onde veio, mas pode já ir se preparando a tinta para o Planeta Terra e para o Maquinaria, é pintar o rosto com bigodes e fucinho de gato. Tipo ele. Tipo 50% do festival todo.
* O READING E O PLANETA TERRA - Vi dois shows aqui no festival inglês que devem ser anunciados em breve no evento brasileiro (QUE ACONTECE NO MESMO DIA DO MAQUINARIA, G-ZUZ): são as britânicas Maximo Park e Metronomy. Dado o recado.
* Você já viu a cobertura do Reading em fotos, no último post. Neste, você vai ver mais algumas coisas do maior Reading dos últimos anos. Como dois vídeos da mesma música da sensação eletropop La Roux explodindo de gente a tenda República (a terceira em tamanho no Reading) enquando a alguns passos dali o Radiohead dava sequência ao seu show mágico. Estava uma bagunça a tenda da La Roux, então não repara na qualidade dos vídeos. Aperta o olho que até dá para ver a garota do topete.
Em “In for the Kill”, primeiro, a La Roux fez assim:
Depois, para acabar a versão remixada de “In for the Kill”, ela terminou a música deste jeito:
* A TAL “IMPRENSA INGLESA” - Tenho amigos no jornalismo que até hoje imputam a “imprensa inglesa” como uma entidade única e do mal, hehe. Enfim, não é isso que eu ia dizer.
Por mais caídos que andam jornais e revistas no mundo, os veículos impressos britânicos continuam em forma invejável. As histórias mais legais, o enfoque mais esperto, os títulos pop e geniais, as chamadas que fazem querer ler até reportagens sobre abajur sueco dos anos 40, tudo muito em cima por aqui. Muito além de esporte e cultura pop, em que eles são imbatíveis, alguns exemplos aleatórios do que andou saindo nos últimos dois dias por aqui:
- Morreu o Simon Dee, no domingo, um antigo apresentador de TV dos anos 60 que teve bastante fama a sua época. Muito se falou do cara, aqui, porque ele, por seu comportamento bizarro e extravagante, foi considerado a inspiração de um famoso personagem que você conhece. O “Daily Mail” trouxe uma página de obituário do Simon Dee, com duas fotos: uma ele rindo, bonachão, cercado por belas mulheres; outra ele decrépito com cara de que a vida não andava tão boa agora, imagem feita há um mês. O título, em inglês para ficar mais sonoro: “The groovy rise and sad fall of the real Austin Powers”. A chamada, em português livre mesmo: “Ele foi o primeiro rei dos programas de entrevistas, cuja arrogância inabalável, a vida nas drogas e o jeitão mulherengo escandalizaram os anos 60. Então como Simon Dee, que morreu ontem aos 74 anos, foi acabar seus dias como um solitário e amargo motorista de ônibus?”
- Reportagem boba em um jornal que eu não lembro mais, com fotos ótimas de uma macaca em um zoológico qualquer dando mamadeira (verdade!) e abraçando um puma filhote que aparentemente é órfão. Título: “I’ll be your mummy… and you be my little kitty kitty cat”.
- Foi lançado um livro sobre “a tentativa de volta da feminilidade” perdida blablablá. A pergunta é se os antigos valores femininos cabem no mundo de hoje, se as mulheres conseguem ainda hoje serem “uma dama”. A foto principal de uma matéria sobre o assunto, acho que no “Telegraph”, imagem em p&b, é uma fila de quatro mulheres nos anos 50 com um livro na cabeça, aprendendo a andar como uma “lady”. Rasgando a foto, tem uma fotaça da Paris Hilton cheia de colares e pulseiras chamativas, um vestido horrível amarelo, uma cara de chapada e com uma feição como se estivesse gritando “Uhuuuu”. O título do livro é “How to be a Hepburn in a Hilton world”.
* A POPLOAD E O PLANETA TERRA (HEHE) - Não que eu ligo muito para isso, mas a Popload anda demais. Primeiro pautou o Twitter do Jane’s Addiction avisando que a banda ia tocar no Maquinaria. Agora, sobre a história do Maximo Park e o Metronomy no festival Planeta Terra informada aí mais para cima, pautou o… próprio site do Terra. Que soltou, com cuidado, sobre seu “own-private festival”, que as duas bandas britânicas “PODEM tocar” na edição deste ano do evento DELES.
Alguma coisa está errada. A gente solta por aqui essas notícias de bastidores para ver se os caras confirmam oficialmente e de uma vez as atrações e os próprios caras…
Tudo bem, tudo bom. Beleza, de toda forma. Se bem que o twitter do Jane’s Addiction, na época, deu o crédito bonitinho para a Popload…
Hehe.
* UM FILME DE OUTRO PLANETA - Oba! Dando um breve tempo nos vampiros, parece que a cultura pop vai ser atingida em breve por uma onda de assuntos sobre seres de outros planetas e outras paranóias alienígenas legais, na linha “Arquivo X”. A capa da revista “Newsweek”, em edição especial dupla e muito séria, tem como manchete “In search of ALIENS”. Como a NASA está “lá fora” procurando a verdade, tipo o Mulder e a Scully. Enfim, ainda não li a reportagem inteira, mas parece uma coisa que eu vi no “New York Times” recentemente que nesta era Obama, na lista de muitos dinheiros aprovada pelo Congresso para projetos, estudos, implementações etc., a maior é para cientistas irem procurar ETs pelo espaço a fora, já que se descobriu de um jeito que nem eu, nem você jamais saberemos ao certo que os aliens existem para muito além de Hollywood. Cool.
- Todo esse meu blablá científico introdutório é para chegar ao filme “District 9″, que estréia com muito alarde no Reino Unido sexta que vem, chegou abocanhando o primeiro lugar de bilheterias nos EUA há duas semanas e deve aterrissar sua nave no Brasil, para variar, no fim de outubro/começo de novembro.
O filme, direto ao assunto, é sobre ETs que chegaram à Terra há uns 30 anos e escolheram morar na África do Sul, por algum motivo. Em Johannesburgo, eles vivem isolados do convívio no “Distrito 9″, gostariam de um convívio maior com os humanos, mas não rola. Muito pelo contrário.
(Você já viu esse “filme”, eu sei, mas com outro tipo de segregação no mesmo lugar. Nos anos 70, cerca de 60 mil negros que viviam no Distrito 6, em Cape Town, foram “convidados” a morar em uma área _galáxia?_ muito longe dali.)
“District 9″ tem o foco na vida de Wikus van der Merwe, um funcionário do governo encarregado em dar aos ETs com cara de frutos-do-mar uma má notícia. Não só eles não terão os direitos iguais aos humanos tão já, como ainda vão ter que deixar o distrito onde vivem cercados na cidade para ir morar numa área mais afastada de “Joburg”, longe do contato humano. E Wikus será o responsável de convencer os alienígenas a fazerem a mudança pacificamente. Claro que…
“Get your fokkin’ tentacle out of my face!”, diz uma hora lá o Wikus, tendo algum probleminha com um alienígena “rebelde”. “Fokkin’” é o jeito que os sulafricanos falam “fuckin’”. Wikus é vivido por um ator novato de lá que se chama Sharlto Copley. As resenhas que vi dizem que Sharlto destrói no filme com uma interpretação matadora, muito humana (hihi). Sharlto já andou dizendo que fez esse filme pela grana, por causa de amigos, mas que não quer seguir a carreira de ator. Acha chato. “District 9″ deve ser seu último filme. Será?
Mas o que é maaaaaaaaaaais legal de “District 9″ eu ainda volto aqui para dizer.
* Toda a “pancada” de coisas vem num novo post, logo mais. Sabe como é, né? Correria de viagem, chegar, desfazer as malas, fuso e zzzzzzzzzz…
Lúcio Ribeiro é jornalista. Edita o Popload e escreve sobre música e cultura pop para a Folha de S.Paulo. É colunista das revistas Capricho e Homem Vogue. Co-apresenta o programa de rádio Poploaded. É DJ residente do clube Vegas e viaja o Brasil tocando em festas de rock.