Dez coisas que eu aprendi em Londres em dez dias: o pós-hipster, o “fim do Mundo”, a história da torta de maçã, Weezer, a moda, russos, The Kills kills e mais
* Popload em Londres. God save the queen.
* Agora que estou deixando minha cidade favorita, resolvi dividir aqui com você algumas coisas que eu aprendi em Londres nestes últimos dias.
1. A brincadeira em Londres hoje em dia, pelo menos neste verão e dado o povo que circula por suas ruas, é que a cidade está constituída por 10% de ingleses, 40% de gente de todas as nacionalidades do mundo menos a Rússia e 50% de… A expressão americana “The russians are coming”, símbolo da guerra fria, nunca foi tão atual. Pelo menos em Londres.
2. A coisa para a cantora pé-na-jaca Amy Winehouse jamais foi necessariamente “leve”, mas parece que está piorando. A estrela soul inglesa, de intensos 27 anos, finalmente teria se controlado quanto às drogas, mas está afundada na bebida. Amigos preocupados foram à imprensa dizer que só na semana passada Amy teve três apagões em casa por causa de porres com vodka. “She is drinking herself to death”, alertam.
3. Will & Kate? O casamento do ano na Inglaterra aconteceu há pouco mais de uma semana, quando em três dias de cerimônias várias a supermodel rock’n’roll Kate Moss se uniu ao roqueiro Jamie Hince, da incrível dupla The Kills. O casal anda numa, segundo relatos, agitadíssima lua-de-mel de duas semanas na riviera francesa, à bordo de um superiate. Tanto que um terremoto de cinco segundos que atingiu a região de Cannes e St. Tropez (5.3 na escala Richter, o maior desde os anos 60) nesta semana e assustou o povo da região nem “abalou” os recém-casados, que não descem do megabarco para nada e andam promovendo festas e até shows de rock no mar, frequentados pelos caras do Kasabian e até pelo Bono, dizem. Mas dizem que “a notícia” do casamento do rock foi mesmo patrocinada pela parceira de Jamie no The Kills, a malucaça style Alison Mosshart, na cerimônia da sexta retrasada. Dizem que, bebaça e num “momento Amy Winehouse” forte, ela protagonizou o mais longo e mais chato (às vezes constrangedor) discurso de padrinhos da história, precisando ter seu microfone tomado de suas mãos. Título da história, contada pelo “The Sun”: “How to Kills a party!”. Tirando para a Kate Moss e para o próprio Jamie, dizem que o discurso foi tão embaraçoso-engraçado quanto o que a Monica fez no aniversário de 35 anos do casamento dos pais dela e do Ross, em “Friends”.
4. Morrissey, ser humano maravilhoso e ex-cantor dos Smiths, começou a vender ingresso sexta passada para dois recém-anunciados show em Londres em agosto: um no Brixton Academy, outro no Palladium. No momento, só restam alguns ingressos ainda para o primeiro deles. Para o Palladium já era. O cara não anda fraco, não. No momento, Morrissey está rodando a Europa com a turnê que passou pelo Glastonbury, a maioria deles com ingressos esgotados. Hoje tem show sold-out na Dinamarca. Abaixo, o pôster classe do Morrissey para as duas apresentações de Londres, que na verdade é o pôster de toda a turnê, adaptado à ocasião.
5. Popload na moda. Popload é tendência. Nos festivais, nas baladas e nas ruas, a galera só veste roupa listrada. Camiseta branca com listras azuis é o novo jeans. Está uma coisa exagerada, até. Tipo galerinha saindo TODO MUNDO junto de listrado. Olha só. E já prepara o modelito para os vários festivais “de verão” aí do Brasil, de agosto a novembro. Fiz até uma vinhetinha, haha.
6. Pelo menos no circuitinho indie-do-indie em Londres circula bastante o nome da banda The History of Apple Pie, quinteto lo-fi de molecada liderado por uma japonesa ruiva. Recentemente lançaram o single “You’re So Cool”, musiquinha fofa que conta a triste história de um sorvete na praia que é rejeitado por tudo e por todos até que a japa ruiva da banda resolve lambê-lo.
7. Você se diverte com a nomenclatura hipster no Twitter, né? Pois saiba que Londres já tem sua área PÓS-HIPSTER: o bairro Dalston, no lado oeste da capital inglesa, o East London. Há algum tempinho, é o lugar que “está pegando” na cidade. Galera alternativa, artistas, grupos de teatro de vanguarda, clubinhos, novos bares, cineclubes, restaurantes sujinhos. Dalston é o novo Shoreditch, bairro mais ou menos vizinho, também no East londrino. A geografia do novo cool inglês funciona, a grosso modo, da seguinte maneira: faz alguns anos, o que bomba em Londres nas artes, nas lojas de roupas cools e/ou vintage, hotéis butique e principalmente na gastronomia alternativa (que vai de altos restaurantes aos famosos indianos em fila, passando pelas marmitinhas chinesas para comer sentado no meio da rua ou na calçada em frente a lojas como a Rough Trade) se concentra perto do centro da cidade, a City, para o Oeste. Da região sisuda de escritórios e “firmas” entrando para o lado East, Shoreditch e a região “irmã” de Hoxton tem sido e ainda é “o lugar”. Até há pouco tempo, era o “Centrão abandonado” deles, lugar mais esquecido, mais cheio de imigrantes toscos, mais isolado das movimentações gerais da cidade: consequentemente, o lugar mais barato para se viver, abrir coisas novas, montar negócios. Então, expulsa pelos preços e cansados do superpovoado West End, Soho e tal, a “Galera” partiu para a conquista do Oeste. Shoreditch e Hoxton continuam bombando lindamente, mas têm agora um milhão de hipsters e neo hipsters circulando para lá e para cá e um agravante: o governo inglês mirou no East London a região das principais arenas da Olimpíada e muitas das acomodaçãos para os Jogos de 2012, que estão mudando a cara da cidade. Com isso vem maaaais gente para a região e a consequente especulação imobiliária. Então os hipsters-hipsters (haha) estão sendo obrigados a entrar mais para o Oeste, um pouco fora do radar olímpico. Chegaram em Dalston.
Olha o desfile de conceito. Dalston, sua cara de periferia “sujinha”, lugar de imigrantes africanos, turcos, jamaicanos, hippies desempregados que vivem só com o seguro do governo, está repleto agora dos velhos hipsters, dos hispsters que fundaram Shoreditch e agora querem fugir de lá, ou seja os pré-hispsters, que ao mesmo tempo agora já são pós hipsters. Hahahaha. Que beleza.
Num rolê no bairro, parei no superultraindicado bar Dalston Superstore, um pub gay desleixado-artsy que tem a pura nata do hipsterismo inglês atual. Lugar de cerveja Red Stripe e Kirin (japonesa), mais uns hambúrgueres deliciosos que vai mudando a luz, afastando as mesas e aumentando radicalmente o som conforme a hora passa e a galera começa a lotar o lugar. Aí o DJ assume, tocando com mixer e CDJs na vertical!! Quando tudo esquenta, eles abrem o “basement” e botam uma atração descolada para tocar. No próximo sábado, dia 16 de julho, a famosa dupla escocesa do barulho Optimo faz um set de 5 HORAS no porão do Superstore, enquanto o Severino e amigos diverte o povo que está no bar.
Vamos supor que você frequentava o Jardins, em São Paulo, e passou a achar que o cool era o “lado B” da Vila Madalena. Quando todo mundo começou a ir para lá, você migrou para o Baixo Augusta ou para as Perdizes, atrás de “novas idéias”. Com o esgotamento dessas regiões e a chegada da moçada das camisas pólo com bandeiras e números grandes estampados, você resolveu ir para o Jardim Danfer, quebrada da Zona Leste, porque ali abriram dois ou três bares, tem um restaurante local bom, outro mais jovem-transado e dá para você cruzar a galera do Roots Rock Revolution ou Database animando umas festas na vizinhança. Com tooooodas as proporções guardadas (de segurança a transporte), isso é Dalston hoje.
8. A banda americana Weezer – lembra? – fez na última quarta-feira um bombado show no enorme Brixton Academy, aqui em Londres, enquanto Arctic Monkeys e Tylor The Creator tocavam em outros cantos da cidade. Foi mais ou menos o mesmo show que o Weezer fez em poucas cidades americanas, há alguns meses, basicamente a performance especial ao vivo dos discos velhos “Azul” e “Pinkerton”, os dois primeiros. Amigos que compareceram ao Academy disseram que o show descambou logo para o e-mo-cio-nan-te. River Cuomo inspirado e tal. Chegaram a tocar para inglês ver a versão deles para “Paranoid Android”, do Radiohead. Abusado, Cuomo.
9. Circulou ontem em Londres a última edição do jornal dominical “News of the World”. Jornal de alcance nacional de 168 ANOS DE IDADE, patrimônio histórico inglês da fofocaiada e notícias populares, o “News of the World” foi “axed” (machadado) para sempre porque saiu grampeando celulares de muita gente para tentar descobrir escândalos, crimes e outras podreiras, a ponto de interferir em investigações policiais graves. O jornal era a versão de domingo do popularíssimo “The Sun”, assim como o “Observer” é o “jornal irmão” dominical do poderoso “The Guardian”.
Com tanto jornal grande e poderoso na Inglaterra, ninguém da “classe inteligente” lia (mais) o “News of the World”, que já teve muita importância no Reino Unido todo, não só pela exposição safada das celebridades, mas por abraçar causas sociais, apresentar grandes reportagens, cobrir elogiosamente futebol (a rodada importante do futebol inglês acontece aos sábados). Mas, para um jornal que já chegou a ter 8.5 MILHÕES de leitores (pensa que “Folha”, “Estado” e “O Globo”, no auge, venderam perto de 1 milhão), a notícia do fechamento do “NOTW” abalou o país. O “The Sun” manchetou, no dia do anúncio: “World’s End”. Genial. A “Economist” mandou o esperadíssimo título “It’s the end of the World as we know it”. O “Daily Telegraph” trouxe na sua prestigiosa capa as garrafais: “Goodbye, cruel World”.
Em sua última edição, a de ontem, o “News of the World” deixou de existir vendendo 4.5 milhões de exemplares.
No show do Pulp no megafestival escocês T in The Park, Jarvis Cocker prestou sua homenagem ao jornal histórico, limpando sua bunda com ele. Jarvis “wipes his arse”, para ficar mais “british”.
“A você o meu muuuuuito obrigado. E tchau mesmo”, diz a manchete da última edição do “News of the World”
Jarvis fazendo sua tocante homenagem ao fim do “News of the World”, durante show do Pulp no fim de semana
A cafeteria cool Breakfast Club também citou o fechamento do famoso jornal britânico
10. Hoje sai na Inglaterra o disco novo do Horrors, “Skying”, como deu para ver desde o final de semana por todos os lugares, por todas as rádios, vitrine de lojas e no metrô (foto abaixo).
* E a partir de amanhã, se tudo der certo, Popload em Barcelona, a caminho de Benicassim. Arriba!
Notas relacionadas:
- Girls and boys: a triunfal volta do Blur. Londres está “swinging”. O sambão do Friendly Fires na Popload Gig 2. Michael Jax e o incrível caso da capa da “Q”. Franzzzzz, Fred Perry, prêmios f*d*. Que mais, hein…
- London, London – O arrastão hipster, a última da moda feminina, ainda o Glastonbury, o disco do Sebastian, o SWU visto daqui e o Foster the People
- O Arcade Fire e o desafio inglês: a “Biggest Credible Indie Band in the World” toca hoje em Londres











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