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03/04/2009 - 11:15

Com as luzes apagadas é menos perigoso… Tributo a Cobain e um milhão de outras coisas no maior post do mundo


(((atualização final)))

* Bom dia, boa tarde, boa noite.

* Fala, Kurt. Beleza?

* Eu já falei aqui que o Nirvana foi o “meu Beatles”? Pois então. Nem é na comparação das músicas. Well, whatever, nevermind. O negócio é que, para lembrar os 15 anos da morte do gênio loser da geração 90, Kurt Cobain, que estourou os miolos em Seattle em 5 de abril de 1994, no fim do post vai ter uma certa homenagem pessoal ao Nirvana, numa espécie de intersecção da minha vida com a do Cobain: (1) um áudio exclusivo da polícia de Seattle falando do “corpo” encontrado na casa de Kurt Cobain, talvez do próprio, em apuração minha para o jornal “Notícias Populares”, um dos primeiros veículos no Brasil a saber do “assassinato-depois-suicídio” do guitarrista do Nirvana; (2) foto do incrível show do grupo em 1991, no famoooooso Reading Festival daquele ano, “the year that punk broke”, tipo duas semanas antes do lançamento do Nevermind e da consequente mudança de rumo da história da música; e (3) fotos também do “guia Nirvana de Seattle”, o chamado Nirvanapalooza, que eu fiz em 2007 depois de uma viagem à terra do grunge, mostrando os lugares tipo a casa onde o guitarrista viveu seus últimos dias e morreu, seu “túmulo”, o bar onde rolaria o primeiro show em Seattle se tivesse aparecido alguém para ver. O clube onde a SubPop fez a festa de lançamento do “Nevermind”, o bar onde “Smells Like Teen Spirit” foi mostrada pela primeira vez ao vivo etc. e tal.

* Chega às bancas nos próximos dias a edição brasileira da revista “Rolling Stone” com DUAS capas com Kurt Cobain, por ocasião do aniversário de 15 anos de sua morte. Uma capa “edição de colecionador”, com foto P&B. Outra “normal”, com chamadas. A tiragem é meio-a-meio para as capas. Dentro, o material de texto da revista traz originais da “RS” americana com a última entrevista do líder do Nirvana e outro escrito sobre os últimos dias de Cobain em vida.

Capa da “RS” americana na edição da morte do Cobain. A capa da “RS” brasileira é diferente dessa, mas a imagem é do mesmo ensaio do famoso fotógrafo texano Mark Seliger

* No próximo sábado, dia 4, o clube paulistano Outs dedica sua bombada noite para um “Tributo ao Nirvana”, com show da banda Delinquents 90, com participações de várias figuras indie cantando músicas do Nirvana, além de discotecagens especiais em homenagem à banda de Cobain/Grohl/Novoselic.

* MISSA PARA O KURT. EM MINAS GERAIS… – Em Formiga, Minas Gerais, em uma certa igreja da cidade, dois rapazes que eu conheço costumam rezar missas para lembrar o Cobain. Em missa católica, pelo menos no interior e até onde eu sei, você vai lá e paga 1 real para o padre rezar a missa em intenção da pessoa. Aí, logo no começo, o padre costuma falar “Essa missa é em memória de fulano, sicrana…”. E, no meio dos nomes que o padre fala, lá em Formiga, costuma ter um “Kurt Donald Cobain”. Eles dizem que vão rezar uma pelo aniversário de 15 anos da morte do Cobain. Como rezaram uma em 2004, nos dez anos. Acha que não? Eles mostram a prova. E, MELHOR: eles mostram o padre FALANDO. Genial.

 

* O áudio da missa de 2004. Sério, estou emocionado até…

* O CHILE E A CACHORRADA SOLTA – A história do post passado, em que nas ruas de Santiago tem quase tanto cachorro solto nas ruas do que cidadãos andando para lá e para cá na cidade, rendeu bastante. Fábio Carbone, paulistano que também foi a Santiago ver o Radiohead, também notou a cachorrada e fez fotos. Inclusive a de um cachorro solto no… SHOW DO RADIOHEAD. Vê isso, peloamordedeus.

Não dá para ver, mas este cachorro está chorando porque está tocando “Creep”. Até deu as costas para o palco…

Esta foto é do brother Bruno Granato, outro que foi ao Chile ver Radiohead/Blondie/Sonic Youth. Na imagem, cão que chegou cedo para ver o Radiohead. Mas deixou claro para a dona, a mina de azul, que quer ver o show sozinho

* O RADIOHEAD E O SHOW DE SÃO PAULO - Você aguenta maaaaaaais Radiohead neste blog? A última (de hoje), prometo. O “reservado” Thom Yorke, na folga, foi fazer uma visita à cidade de Valparaíso, cidade litorânea colorida na costa do Pacífico, onde o poeta Pablo Neruda tinha uma casa etc. Abordado por um brasileiro (claro…) na rua, Thom Yorke se viu diante da pergunta “Nos shows da América do Sul, qual o momento que você achou mais importante?”. Yorke respondeu: “A hora em que o público cantou ‘Paranoid Android’ em São Paulo”.

* Menti. Aquela não era a “última do Radiohead”. A derradeira vez que eu falo do Radiohead aqui por algum tempo é esta: agora no dia 1º de abril (não é mentira) saíram luxuosas “edições de colecionador” dos primeiros discos da banda inglesa. Tem a do “Pablo Honey”, do “The Bends” e do “OK Computer”. Todas com o álbum em si mais raridades, demos, radio sessions, ao vivo e o escambau. Tem essas “Collector’s Edition” com DVD, em tiragem limitada. No Japão, parece, saiu o “In Rainbows” com um DVD com as famosas “From the Basement”, conhecidas gravações ao vivo no estúdio aqui organizadas de modo bonito.

* Menti de novo. E esta sim, prometo, é a última do Radiohead por ora. No Chile eles fizeram dois shows. Vi o lindo segundo, o da sexta. E o primeiro, do dia anterior, foi tumultuado. Problemas técnicos deixaram o Thom York furioso. Ele parava de cantar e cruzava os braços durante algumas canções (”All I Need” foi terrível), abandonou a banda no palco. Voltava, ficava puto e saía de novo, essas coisas. Aqui tem uma amostra do chilique do Yorke, banda esperando o cara voltar ao palco, regendo a platéia no grito chamativo “Olê, olê, olêêêê, Thom Yooooooorke, Thom Yooooooooorke”. Veja o piti. E, de quebra, a performance de “Nude”, inteira.

* MAIS SONIC YOUTH: “100%” AO VIVO EM SANTIAGO - Já que voltei a falar do Chile, Radiohead e tal, toma mais um vídeo da espetacular apresentação “das antigas” do amado grupo nova-iorquino Sonic Youth, domingo passado. Começa com o Thurston Moore fazendo umas coisinhas com a guitarra…

* “VICE” BRASILEIRA SAI EM MAIO - O primeiro número da “Vice” brasileira, esperada edição nacional da talvez mais cool (e mais louca) revista jovem do planeta, mensal e gratuita, sai agora em maio. Parece que em maio, lá fora, vai ter uma edição “Brazil” da “Vice”, como parte da “política de estréia” da revista em um país.

* Para quem não conhece, a “Vice” é uma espécie de irmã malvada e nervosa da “nossa” revista “Trip”, com muito mais música esperta em suas páginas, em textos escritos por galera que manja bem. Vamos ver se a edição brasileira segue essa linha, hummm, ortodoxa de fazer revista boa.

A foto acima ilustra a reportagem “O Que Está Acontecendo com o País de Gales?”, importante investigação sobre o estado atual do pé na jaca dos galeses, com “complicados” resultados depois das madrugadas etílicas. Esse é o tipo de matéria que sai na “Vice”.

* Quem vai ser o editor-chefe da “Vice” brasileira é o Ademir Correa, ex-editor da “Rolling Stone” daqui, que deixa seu posto para o chapa Paulo Terron, do blog With Lasers, meu “vizinho” de iG. Dança das cadeiras no indie brazuca.

* KOOKS NO BRASIL - Acho eles legais, apesar dos cabelos de ursinho. Molecada boa, com banda feita por causa do David Bowie. O Kooks traz seu brit pop (atenção, é separado mesmo) ao Brasil em junho, parte de uma turnê sul-americana nada indie. Bastante dinheiro envolvido. Na Argentina é dia 10/6. Em São Paulo, por volta do dia 15.

* ENQUETE: O MAIOR SHOW INTERNACIONAL NO BRASIL EM TODOS OS TEMPOS (E UM CERTO PRÊMIO) – Continua a apuração da enquete mais famosa deste blog, feita de tempos em tempos, mas que agora parece completa, porque o Radiohead passou finalmente por aqui.
Uma parcial do que está dando, surpresa!!!!!!, é isto aqui:
- Radiohead liderando com quase o triplo de votos do segundo colocado
- Madonna e Pixies disputando o segundo lugar voto a voto; os fãs da Madonna votaram em bloco, levantando suspeitas de fraude no comitê apurador Popload
- mais atrás, boa disputa num bloco com: Franz Ferdinand, U2, Killers, Arcade Fire e Pearl Jam
- Sonic Youth e Foals fechando o top 10

Continue votando nos comentários ou no email lucio_ribeiro@ig.com.br. Quem mandar seu show predileto corre o risco de ganhar, no sorteio:
* UM ingresso para o show do Oasis em São Paulo, em maio, no “gostoso” Anhembi.

 

* A NOKIA E O CELULAR INDIE - Popload multimídia. O famoso serviço Nokia Comes With Music, lançado no ano passado em Londres com a presença da Popload (thank-you-very-much), chega ao Brasil em maio. Quem adquirir o celular último-tipo Nokia 5800 Express Music com tela de toque, segundo anuncia a mais poderosa empresa de celular do planeta, poderá baixar no celular ou no PC, por um ano inteiro, gratuitamente e sem limites, todo o acervo das quatro grandes gravadoras (Warner, EMI, Universal e Sony), fora as músicas de todos os artitas de cerca de 150 selos independentes brasileiros e mais de mil internacionais.
O “modelo de negócio” Nokia Comes With Music é uma tentativa da empresa finandesa de barrar o imbarrável poderio da Apple, seu iPhone, seu iTunes.
Vou repetir o que eu disse aqui quando a Popload cobriu o lançamento do Comes With Music em Londres, em outubro: A maior empresa de celulares do mundo proporcionando a seus clientes baixarem quantas músicas quiserem das bandas que quiserem. E de graça. Não é bem assim, mas é mesmo assim. A Nokia festejou acordo incrível com as principais gravadoras do planeta, mais um monte de selos independentes, para disponibilizar por UM ANO aos clientes da empresa o download de qualquer canção de seus elencos. Para tal, a pessoa precisa comprar o celular específico da companhia nórdica, que sairá custando 218 libras (279 euros, 377 dólares, 818 reais sem os impostos). Quando o prazo de fidelidade acabar, em 12 meses, o dono do Nokia 5310 Express Music pode manter no computador ou no celular todas as músicas baixadas, para sempre. Com o ano completado, se o usuário do aparelho Nokia quiser manter-se como cliente da empresa, terá de pagar pelos novos downloads a partir da data. Mas as músicas já baixadas permanecem dele.
A Popload tentou à época respostas para as perguntas ‘Eu, enquanto cliente da Nokia, posso passar minhas músicas baixadas gratuitamente para um amigo que não tem celular nem usa serviço da empresa, via celular mesmo ou pelo computador? Posso queimar um CD virgem com essas músicas?’ Depois de muito custo, chegou uma resposta do tipo ‘Não pode. Haverá uma proteção para o uso exclusivo do cliente Nokia’. Mas deu para perceber que eles sabem bem o que acontece hoje em dia com ‘proteções’ e exclusividade’ assim que o produto aparece no mercado.”

* Pareeeeeeeeece que a Nokia no Brasil, para bombar seu lançamento e seu serviço de música, vai fazer uma história com “shows indies no Brasil”. Foi o que me falaram.

* DO SXSW PARA O GLÓRIA – Neste sábado todos os caminhos indies levam para o clube Glória (Bela Vista), se você estiver em São Paulo. A segunda edição da descolada festa IM//A\\PARTY (na primeira teve a francesa Yelle) traz o australiano Miami Horror, acompanhado da dupla conterrânea Bag Raiders. Rock de guitarras my ass. Miami Horror é um produtor dance de 22 anos, de Melbourne. Era um dos “tem que ver” no último South by Southwest, maior festival de música nova do planeta, que acontece em Austin, Texas. Já o Bag Raiders, da mesma linha synth-disco, se apresenta pela segunda vez no Brasil. Veio num evento do site Rraurl, no Vegas, no ano passado. Completa o line-up da festa o performer Bo$$ in Drama, o DJ Pomada e os produtores da festa, o WE//R\\DJS. Corrão!

* TRIBUTO A COBAIN: ÁUDIO EXCLUSIVO DA POLÍCIA DE SEATTLE ANUNCIA PROVÁVEL MORTE DE COBAIN – Texto da Popload de 2001, ainda na Folha Online na seção Pensata.

“História que eu já contei aqui algumas vezes, em abril de 1994 trabalhava na redação do ‘Notícias Populares’, chefiada pelos conhecidos Álvaro Pereira Jr e Paulo Cesar Martin (ambos do programa de rádio ‘Garagem’, hoje), também adoradores do Nirvana. Quando o Álvaro ligou para dizer que tinha uma conversa circulando sobre um suposto ‘assassinato’ de Kurt Cobain, ficamos malucos. Fui atrás do caso e cheguei à seguinte mensagem na secretaria eletrônica da polícia de Seattle.

Na gravação, uma voz feminina da polícia de Seattle conta que um sujeito telefonou para lá dizendo ter visto, na residência de Cobain, um homem com as características físicas de Kurt Cobain e que este havia sido ferido com um tiro na cabeça e estava desfalecido no chão de um dos aposentos na casa. E que a polícia estava investigando.”

* TRIBUTO A COBAIN: “COBAIN ME VENDEU UMA CAMISETA DO NIRVANA”, POR ÁLVARO PEREIRA JÚNIOR - Esta história é bem famosa entre os chegados. E além, até. O jornalista e amigo APJ, editor-chefe do “Fantástico”, colunista do “Folhateen” e testemunha ocular do levante do rock americano do rock do final dos 80/começo dos 90, conta à Popload sobre o dia em que Kurt Cobain o vendeu uma camiseta do Nirvana à beira do palco, logo após um certo show pequeno da banda em 1990. Show que nem gostou tanto assim, segundo ele. Mas a camiseta era legal.

“”Boa noite, bem-vindos ao Man Ray. Meu nome é Dwayne Bruce, da rádio WFNX. Por favor, deem as boas-vindas a esses sodomitas, viciados em crack, adoradores de Satã, filhos da puta do cacete da gravadora Sub Pop… NIRVANA!’
O dia é 18 de abril de 1990. O clube é o Man Ray, na cidade em que eu morava, Cambridge, região de Boston. Eu e meu amigo Jim Erickson, hoje um respeitado repórter especializado em astronomia, estávamos lá para ver qual era a do Nirvana.
Eu não sabia quase nada sobre a banda. Só conhecia ‘School’, que o Dwayne Bruce tocava no seu programa de domingo à noite na WFNX. E tinha recebido dicas de alguns amigos do Brasil, que escutaram o primeiro álbum, ‘Bleach’, e adoraram.
Já o Jim… Não era exatamente fã de rock alternativo. Tinha ido de alegre a alguns shows comigo, viu que eram lotados de mulher e começou a frequentar.
Era a turnê do album ‘Bleach’, ainda com Chad Channing na bateria. Duas faixas de ‘Nevermind’, que sairia só no ano seguinte, já faziam parte do setlist: ‘Breed’ e ‘In Bloom’.
Eu poderia dar uma de profeta e dizer que, ali no Man Ray, percebi que o futuro do rock estava a minha frente. Mas não foi assim. Nem gostei muito do show. Achei hard rock e Led Zeppelin demais, queria algo mais punk. Mesmo assim, algumas coisas eram óbvias. As principais: a energia monstruosa da banda no palco e a cartarse que provocava na plateia.
Mergulhado na vibe da loucura, cheguei perto do palco, depois do show, para comprar uma camiseta da Nirvana. Fui atendido pelo próprio Cobain, tão ‘cansado’ que não conseguia nem falar o preço da camiseta. Ele só mostrava as mãos espalmadas, indo e voltando: dez dólares. Comprei.
A estampa era uma paródia da capa de ‘Two Virgins’, de John Lennon. Sobre as fotos de Lennon e Yoko pelados, aplicaram as carinhas de Cobain e Novoselic.
A história teria terminado aí, se ‘Nevermind’ não tivesse vindo, se o Nirvana não tivesse se tornado maior do que a vida, se o muro entre ‘alternativo’ e ‘mainstream’ não tivesse sido definitivamente dinamitado.
Aí contei o lance da camiseta para amigos, contei na ‘Folha’, na ‘Bizz’, no ‘Fantástico’, na ‘Folha’ de novo…
O caso entrou para a história (para a minha história, pelo menos). E o melhor é que é verdade.
Se você se interessar, há mais detalhes desta apresentação do Man Ray e de TODOS os outros shows da vida do Nirvana aqui.”

* TRIBUTO A COBAIN: POPLOAD NO READING FESTIVAL 1991 – Texto da Popload de 2004, também ainda na Folha Online, por conta do aniversário de 10 anos da morte de Cobain:

“Naquele 23 de agosto de 1991, todas as luzes pop iluminavam a cidadezinha de Reading, leste de Londres, onde centenas de bandas de rock disputam anualmente a atenção de público, imprensa e gravadoras naquele que é considerado o principal festival de música pop do mundo.
O primeiro dos três dias de evento teve atrações como Iggy Pop, Sonic Youth e Pop Will Eat Itself, mas o aviso foi dado: ‘Chegue cedo para ver esse Nirvana’.
Para mim, não precisou falar duas vezes. Morava no Reino Unido na época e já ouvia sem parar o primeiro disco do grupo, ‘Bleach’ (1989), graças a uma fita cassete de um amigo.
Junte-se a isso a curiosidade sobre ‘Nevermind’, que chegaria às lojas em um mês, e pronto: lá estava eu cedinho para ver o Nirvana.
Da hora em que Cobain ligou seu instrumento até o pulo descabido de guitarra e tudo sobre a bateria, no final, deu cravados 32 minutos. Durante esse tempo, quatro ‘músicas novas’: ‘Drain You’, ‘Smells Like Teen Spirit’ (o que foi aquilo?), ‘Come As You Are’ e ‘Breed’.
Em meio a isso, Grohl tirando de gozação, na bateria, o começo de ‘Sunday Bloody Sunday’ (hino do U2); Cobain ’surfando’ na platéia em pleno solo de guitarra; cantando ‘The End’, dos Doors, com voz fúnebre, para anunciar a chegada da última música do show; Novoselic arremessando de longe seu baixo em Grohl.
O show acabou. A estática platéia viu Cobain, já sozinho no palco, levantar em meio ao que sobrou da bateria. Como se nada tivesse acontecido na última meia-hora, ele se abaixou para pegar uma garrafa de cerveja do chão e saiu andando.
Por mais imprevisível que fosse o estouro da banda, era difícil não acreditar que o rock depois daqueles 32 minutos seria diferente.”

A banda Nirvana se apresenta no Reading Festival inglês, em 1991; Kurt canta, os cabelos de
Novoselic, com camiseta do Dinosaur Jr., balançam ao vento; e um punk moicano, convidado
para dançar no palco durante o show, dá as costas ao público; Dave Grohl está sumidoatrás da bateria. Daria tudo para lembrar qual canção era tocada nessa hora
Foto: Lúcio Ribeiro (Hein?!)

* Indo além na lembrança desse Reading 1991, faltou dizer que parte do line-up do palco principal naquele primeiro dia, o da sexta, tinha Iggy Pop fechando, Sonic Youth, Dinosaur Jr (consegue ver o rock americano abalando?), Nirvana e as Babies in Toyland. O Nirvana, algumas semanas antes de lançar o “Nevermind”, tocou durante a luz do dia, para umas 2 mil pessoas. No ano seguinte, meses depois de lançar o tal CD, sozinho arrastou 120 mil pessoas para o Reading 1992. Isso dá mais ou menos a medida do que foi e quão rápido foi o “fenômeno Nirvana”. Simples assim.

* Lembro que na semana pós-show do Nirvana no Reading 1991 já tinha fita cassete da apresentação completa à venda em Camden Town, coisa bastante comum na época. Ouvindo a fita depois, na hora em que o Nirvana tocou a “nova” “Smells Like Teen Spirit” para os ingleses, na introdução da música o Kurt falou uns dois minutos de coisas que não davam para entender, de tão “loaded’ que ele estava. Reclamou do preço do ingresso do festival, chiou com algumas outras coisas e começou “Teen Spirit” de modo abrupto, a 200 km por hora.

* TRIBUTO AO NIRVANA: A NIRVANAPALOOZA – Em 2007 fui a Seattle pagar uma dívida pessoal com minha história. Finalmente consegui conhecer a cidade que projetou o Nirvana para o mundo, visitei a Sub Pop, os bares onde Cobain e turma percorreram na pindaíba de banda iniciante antes de explodir, rondei a casa onde Kurt se matou. Enfim, fiz uma pequena Nirvanapalooza. O especial, publicado na Popload e na “Folha de S.Paulo”, cai bem aqui, em republicação, nestes 15 anos sem Kurt.
Em 2007, a reportagem tinha esta cara:

ESPECIAL: A NIRVANA TOUR EM SEATTLE -
Em meio a esse revival involuntário de Nirvana que ocorre de tempos e tempos e agora vem em forma do documentário “About a Son”, da cisma dos seriados de TV, do filme do Clive Owen e da Popload em Seattle (hehe), seguimos os passos da trajetória da banda na cidade do grunge, do bar em que iriam tocar pela primeira vez mas ninguém apareceu até a casa onde Kurt Cobain botou fim a tudo, com um tiro de espingarda na cabeça. Vem aí para o Nirvanapalooza. Agradecimentos ao “Washington Post”, que forneceu os endereços certinhos e o “como chegar”.

1. A casa de Kurt Cobain
(171 Lake Washington Boulevard E)
Esta é a casa onde Cobain se matou, na estufa da casa (greenhouse), quando resolveu acabar com sua agonia existencial estourando os miolos com uma espingarda. O suicídio aconteceu em abril de 1994, apenas três meses depois de o líder do Nirvana se mudar com Courtney Love e a filha para o casarão de três andares na região de Madrona e virar vizinho do dono da Starbucks e de Peter Buck, guitarrista do REM. A greenhouse foi derrubada depois, por Courtney Love. O corpo de Cobain foi encontrado três dias depois do tiro, por um eletricista

2. Viretta Park, o “túmulo” de Cobain
(também na Lake Washington, ao lado da casa)
O parque vizinho à casa de Cobain é mais ou menos o cemitério onde “está” o líder do Nirvana. Ele foi cremado e parte de suas cinzas foram jogadas no Viretta Park. Dois bancos do parque guardam em grafite e caneta as mensagens dos fãs, em várias línguas. No sábado passado, em um dos bancos, tinha um colar preso ao banco e um bilhete para Kurt, deixado por um francês. Comecei a ler, mas achei mancada (não era para mim) e devolvi no lugar onde estava.

3. Sub Pop Records, o endereço antigo
(1932 First Avenue)
Aqui foi o endereço da grande fase da Sub Pop na articulação da explosão do grunge, no final dos anos 80. O contrato do Nirvana para o album “Bleach” foi assinado aqui. A Sub Pop atualmente tem seus escritórios no 2013 da Fourth Ave.

4. OK Hotel Cafe
(212 Alaskan Way S.)
Aqui neste hotel à beira da baía, embaixo de um viaduto tipo o Minhocão, de SP, funcionava também no anexo um clube onde “Smells Like Teen Spirit” foi mostrada ao vivo pela primeira vez, em abril de 1991. Parece que um terremoto danificou a estrutura do clube e ele teve que ser fechado, só funcionando agora o hotel.

5. The Central Tavern
(207 First Avenue.)
Reza a lenda que este lugar ia ter o primeiro show do Nirvana em Seattle, em 17 de abril de 1988. Mas ninguém apareceu no bar, nem os três bêbados largaram o balcão para ir prestigiar a banda na hora do show. Então o Nirvana nem tocou. Alguns meses depois o grupo voltaria à Central Tavern e faria um showcase para executivos da Sub Pop, que renderia o famoso contrato com a gravadora.

6. The Vogue
(2018 First Avenue)
O Vogue mudou de endereço. Hoje no lugar original funciona uma loja de roupas com cabeleireiro (?!), chamada Vain. Uma semana depois de não tocar no Central Tavern, o Nirvana finalmente faz seu primeiro show em Seattle, agora com gente na platéia. O estacionamento que ficava ao lado do Vogue (hoje na 1516 11th Ave.) ficou famoso porque, conta a história, Kurt Cobain estava tão nervoso com o show que saiu dele direto para vomitar escondido entre os carros.

7. Moore Theater
(1932 Second Avenue)
O primeiro “grande” show do Nirvana, no entanto, aconteceu no Moore em junho de 1989, quando a banda abriu para Mudhoney e Tad, já heróis locais. Um ano depois, voltou ao Moore para abrir para o Sonic Youth. Logo depois ficou tão gigante que não iria ser mais possível para o Nirvana ter a honra de tocar no Moore fechando uma noite.

8. Crocodile Café
(2200 Second Avenue)
O mais charmoso clube indie de Seattle foi inaugurado no bairro de Belltown no meio (e por causa) da revolução grunge, em 1991, cerca de cinco meses antes de o álbum “Nevermind” ser lançado. Captou todo o buxixo em torno do Nirvana, embora a banda só tenha tocado lá uma vez, de surpresa, em 1992, já quando era a maior banda de rock do mundo. [O clube chegou a fechar suas portas em dezembro de 2007, mas foi reaberto agora em 2009]

9. Re-bar
(1114 Howell St.)
Casa de Cabaré que foi lugar da famosa festa de lançamento do “Nevermind”, em setembro de 1991. O Nirvana e sua turma de amigos tumultuaram o ambiente, armando uma guerra de bebida e, depois, de comida. Foram expulsos do lugar pelos donos do Re-bar, que, segundo a lenda, amaldiçoaram o tal disco novo. Não demorou muito daquele dia, o álbum iria bater nas 10 milhões de unidades vendidas.

10. Experience Music Project
(325 Fifth Avenue, “embaixo” do Space Needle)
O maior museu de rock do mundo, com uma parte dedicada ao grunge. Ali tem uma das guitarras de Cobain, xerox do contrato do Nirvana com a Sub Pop, o pôster original do show do Nirvana com Tad e Mudhoney no Moore, a folha onde ele escreveu a letra de “Downer” e outras nirvanices.

11. International Fountain
(Seattle Center, também “embaixo” do Space Needle)
Ali perto do museu do rock está o parque da International Fountain, área onde 5 mil pessoas se reuniram para “velarem” Kurt Cobain, assim que souberam de sua morte. Na área ao lado da fonte, dois dias depois da descoberta do corpo (8 de abril de 1994), foi veiculada em público uma gravação de Courtney Love lendo (e comentando) o bilhete suicida do marido, para milhares de fãs em vigília. Na fita, ela chama Kurt Cobain de “asshole” e “fucker”. Love acaba dizendo para os fãs não ouvirem as famosas palavras finais de Cobain, que estavam no bilhete: “It is better to burn out than to fade away”, inspirada em letra de Neil Young.

* Pronto. Era mais ou menos isso.

Autor: Lúcio Ribeiro - Categoria(s): Blog Tags: , , , , , , ,

84 comentários para “Com as luzes apagadas é menos perigoso… Tributo a Cobain e um milhão de outras coisas no maior post do mundo”

  1. André disse:

    Ei Lúcio, não vai sequer comentar sobre o show do The Gutter Twins em São Paulo? Pensei que gostasse do Mark Lanegan e do Greg Dulli…

  2. De longe..o melhor show de rock em terras brazucas foi o do Neil Young and Crazy Horse no Rock in Rio 2000 ..Like a Hurricane..

  3. Glauco disse:

    Cara,

    Eu tenho a revista RS gringa da morte do Kurt, edição histórica. Está lá em casa, com a capa já meio rasgadinha, mas está lá. Já teve direito até a um espaço na parede, tipo poster, por uns tempos. Tenho a Spin da época também. Foram as primeiras revistas estrangeiras de música que eu comprei. Duas revistas, duas fotos sensacionais do ídolo da geração Grunge nas capas.

    Me lembro até hoje onde eu estava quando soube que o Kurt morreu: era 8 de abril, saia do estágio na Frei Caneca e ia para a Paulista para pegar o ônibus e assistir aula à noite na PUC. Como de costume, parei na banca da esquinae o jornaleiro estava vendo uma televisãozinha, que deu a notícia e mostrou a imagem da janela do quarto, com o corpo deitado lá dentro, os pés com os indefctíveis tênis Converse All Star. Até a calça do cara eu conhecia… Não pude crer no que via e ouvia. Fiquei em estado de choque. Não peguei busão nenhum. Fui a pé da Paulista até a rua Monte Alegre, tentando entender e xingando o cara pela burrice que ele fez. Foi de chorar!

  4. Byron disse:

    eu aguento maaaais radiohead, sim, aliás, prefiro eles ao nirvana. e só para aproveitar a deixa o nirvana era realmente ruim!

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