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29/09/2008 - 08:31

O festival Metal Beats e os shows que não acabarão nunca mais

 * Ouch. Tive que me ausentar um pouco nos últimos dias. Mas agora estou aqui, alive and kicking.

* O próximo post será escrito direto de Londres. Popload, à convite da Nokia, vai ver de perto o que está acontecendo com a música dentro do celular. E se existe mesmo vida sonora fora do planeta iPhone. No “cardápio inglês”, se tudo correr conforme o imaginado, algum show, um joguinho do Arsenal, outro do Chelsea e um almoço com o Jamie Oliver.

* Este final de semana que passou foi marcado por dois grandes eventos de DJs: primeiro o Skol Beats, o maior festival de heavy metal do Brasil. O segundo, uma festa à fantasia de família em uma longínqua cidade do interior do estado de São Paulo.

* FESTA NO INTERIOR - Eu não sei direito como são as cidades do interior de outros estados, mas não deve ter nenhuma igual às do inteiror de São Paulo, principalmente as pequenas. E isso que eu falo está longe de ter tom pejorativo. Mas então… Numa tal cidade paulista, no sábado, aconteceu uma festa à fantasia para comemorar o aniversário do tio-avô de uma amiga minha, que narrou o fato. O final da história é trágico e sem graça nenhuma, mas o recheio é tão digno de um roteiro do Almodóvar que o caso merece ser dividido. A festa para o patriarca teve três meses de preparativos, banda, DJs e era à fantasia: ou seja, “o assunto” da cidade durante um bom tempo. Então, sábado passado, chegou o grande dia. Mais que ser meramente uma festa à fantasia, numa hora tal iam parar tudo para fazer um concurso para eleger o melhor traje. Acontece que o tio-avô aniversariante achou de morrer no meio da festança, um pouco antes do concurso. Na correria da família para o hospital no qual foi levado o aniversariante, dizem, deram entrada a Ana Maria Braga com um Louro José no ombro, um tio fantasiado de tenista Guga e um rapaz de “Chapeuzinho Vermelho”, além de alguns outros personagens. O tio-avô acabou não resistindo, mas antes pediu para que os familiares voltassem à festa e a continuasse, de alguma forma. E assim foi.

* SKOL METAL BEATS – A leitura a ser feita do Skol Beats 2008 é que, com o inexorável caminho de volta da música eletrônica para os clubes, os grandes festivais deste gênero em particular (e de outros gêneros no geral) estão ficando definitivamente sem forma. Ou então viraram multiforma. Mas a identidade mesmo já era. Isso é ruim?

O Skol Beats, que já foi megahipersuper com 200 palcos de gêneros diferentes e lotado de clubbers, neste último sábado, na edição 2008, se mostrou “só” um bom festival de médio-porte com três palcos/tendas e bem esperto com as novas tendências do… rock pesado. Óbvio, não é isso, mas é mais ou menos isso.

Há alguns anos o Skol Beats vem sendo o novo Free Jazz. Este último começou todo jazzy, foi dominado por roqueiros e nos últimos anos, na sequência, teve como atração principal um eletrônico (Daft Punk), um pop entre o mainstream e o esquisito (Bjork) e um rapper (Kanye West). Essa “bagunça moderna” nas… hã… tradições musicais não é um mal, necessariamente, mas fico curioso aqui pensando em como vai ser o Skol Beats 2009 e o Tim Festival 2010, por exemplo.

Outro índice engraçado/curioso que presenciei dentre os meus conhecidos na platéia do Skol Beats é que uma atração como a dupla francesa Justice atraiu ao festival eletrônico uma galera superindie, uns que até pouco tempo só queriam saber de hard rock, fãs da Shakira, apreciadores de pós-rock, gente que se mata de dançar som anos 80 na Lôca e meninas trancers de barriga de fora dançando os mesmos passos seja na hora de alguma atração tocando, seja ao som das propagandas do telão. Está cada vez mais complicado amarrar conceitos na música jovem. Nós, jornalistas, que adoramos rótulos, estamos ficando mais e mais confusos, hehe. Mas o certo é que há algo de muito errado ou de muitíssimo certo acontecendo na música hoje. E ainda não estamos conseguindo ver claramente o que é.

* METAAAAAL - O metal no Skol Beats começou com o Mix Hell, dupla-projeto de Iggor Cavalera com sua mulher, Laima. A relativamente nova faceta do Iggor DJ mexendo em botões era alternada com o velho baterista Igor (um “g” só, por favor) reencarnando o passado na sua histórica banda, a über-metal Sepultura. Nunca gostei do Mix Hell, mas no Skol Beats eu não desgostei deles, não. Longe de serem brilhantes, achei que Igor e Laima tocaram direitinho e mantiveram um bom clima para a espera da atração principal, o duo francês Justice. Acabaram o set com o rock eletronizado do MGMT.

Aí veio o Justice com uma apresentação surpreendente morna para quem tem a maior coleção de hits incríveis neste paralelo eletrônica-rock. Era só picotá-los, remexê-los e soltá-los, que a balada ia ser certamente ótima. Mas foi exatamente o que eles fizeram e a apresentação simplesmente “não rolou”. Ou não rolou como uma apresentação do Justice deveria. O som do festival podia estar com um volume uns três graus mais alto, que já ia ajudar. Mas, enfim, na teoria metal da coisa, o Justice é espetáculo eletrônico para se ver de jaqueta preta. Eles, como bons parceiros do selo Ed Banger, são o mais ácido exemplo de metal dance da música nova. Estejam eles botando toque francês no breakdance, na house, no electro, parece que o caminho do som do Justice é sempre em direçao ao rock pesado. Se alguém fuçar na vida passada de Xavier e Gaspard vai descobrir que eles estiveram em alguma banda trash metal, tipo o Iggor. Parte do povo dança batendo cabeça, como se estivessem no show do Metallica. Franz Ferdinand e Klaxons estiveram no set do Justice, mais ou menos.

*  E aí depois, pulando o “nosso” Marky, vieram os australianos do Pendulum, cujo show eu perdi desta vez, mas um amigo definiu como uma coisa meio “Linkin Park meets DJ Marky”. Era o que eu precisava saber.
    
* SEMANA “COMPLICADA” - O Skol Beats acabou, mas pela frente ainda vamos ter 458 shows para ver ainda em 2008, até a Madonna gritar o “Good night, São Pauloooooo” final no Morumbi, em dezembro. Logo na terça-feira agora tem a festança do clube Glória com show da electrofrancesa Yelle, coisa fina. É a balada de inauguração da nova festa IM//A\\PARTY, de Raphael Caffarena (do site Rraurl). Na sexta, 3, tem o terceiro aniversário do clube VEGAS, que neste ano, pelo tamanho do evento, ocorrerá na Flex, ex-Broadway, na Barra Funda. A balada do Vegas, 3, vai ter várias atrações, mas a classuda new disco vai comandar a trilha. A banda americana Glass Candy, de Portland, que já foi dance punk e tem nos vocais a esperta Ida No, é talvez o principal nome da festa. Na sequência tem o DJ set do grande James Murphy e seu parceiro de LCD Soundsystem, Pat Mahoney, ainda na linha (italo) disco. Só balada incrível.

* THE BRITS ARE COMING - Sem perder o embalo, na semana que vem, dia 8, o clube Clash promove o nascimento de um espetacular (para nós) projeto que envolve a cena paulistana e os principais selos indies britânicos. Na forma do espertíssimo show do grupo inglês Young Knives, nasce o projeto INCUBATOR, bancado pelo British Council e com o propósito de pelos próximos três anos fazer o intercâmbio de bandas pequenas do Reino Unido com a América Latina, tendo São Paulo como sede. O primeiro selo britânico a visitar estes lados é o Transgressive Records, hoje pulsante casa de Foals, Mystery Jets, Regina Spektor, Shins e outros. Em cartaz no Clash, dia 8, o energético e “geek” Young Knives e o folk Johnny Flynn, dois bons nomes da Transgressive. Lá embaixo a Popload sorteia ingresso para esses shows do Incubator, semana que vem, mais um disco do Young Knives.

* SONIC YOUTH E WILCO - Buenos Aires dá como oficial as presenças por lá, em 2009, dos grupos Sonic Youth (março) e Wilco (abril). Os dois nomes já circulam por revistas de shows na capital Argentina. Sonic Youth e Wilco há tempos negociam suas vindas para este lado do Equador, que deveriam ocorrer neste ano. Mas menos mal que compareçam a nossa cena no começo do ano que vem.

* ARCTIC MONKEYS NO CINEMA - E em DVD. Circula na internet, desde a semana passada, trailer do DVD “Arctic Monkeys at the Appolo”, famoso clube indie de Manchester que foi sede do último show da turnê mundial da banda de Alex Turner, ainda em dezembro do ano passado. O DVD será lançado na Europa no dia 3 de novembro, mas o filme do show entrará em cartaz em meados de outubro em alguns cinemas da Inglaterra. É praticamente o mesmo show que o Brasil viu no ano passado. E começa a 200 por hora, com “Brianstorm”. Aqui, o trailer de “Arctic Monkeys at the Appolo”.

* O.A.S.I.S. - Nesta segunda sai o single. Na semana que vem sai o álbum. Vou repetir: “Dig Out Your Soul” é incrivelmente bom. Até que enfim, Oasis!!! A “Rolling Stone” alemã destaca a banda em sua linda capa, a melhor da história do Oasis, a banda com mais capas de qualquer coisa da história da música. O álbum chegará às lojas junto com o início da turnê britânica do grupo, que vendeu cerca de 200 mil ingressos para 18 shows em pouco mais de uma hora. A leva de apresentações começa em Liverpool e passa por cidades como Londres, Cardiff e Glasgow. Hoje pela manhã, o Oasis anunciou um show especial para o dia 26 de outubro, no BBC Electric Proms, especial que acontece todos os anos, promovido pelo canal de comunicação inglês. A apresentação tem tudo para ser especial por dois motivos. (1) A banda será acompanhada por uma orquestra composta por 50 pessoas e (2) o show de abertura será do Glasvegas.

Veja a capa e confira aqui a faixa que abre bem o disco novo, “Bag It Up”.

OASIS – “BAG IT UP”

* MGMT – A banda mais importante do mundo, hoje.
Óbvio que é brincadeira, mas… Não existe atualmente banda que esteja estimulando e dando origem a tantas versões ‘remix’ de suas músicas. Isso vai desde os malucos eletrônicos do Soulwax à baba-pop Katy Perry, aquela que, você sabe, se tornou fenômeno nas paradas após ter dito, em forma de música, que beijou uma menina.

A banda indie inglesa The Kooks não fica atrás e, a exemplo do Soulwax, já fez sua versão para “Kids”.
O Justice também emprestou suas habilidades ao MGMT, fazendo remix oficial de “Eletric Feel”, som que está na versão single.
O Mix Hell também tocou MGMT, como já citado neste post.
Sem contar os inúmeros trabalhos feitos por DJ’s mundo afora. A coisa fica séria quando você procura por “MGMT remix” no Google ou MySpace da vida.
O MGMT, você sabe, é atração confirmada para o TIM Festival, que acontece mês que vem.
Em meio a todo esse leque de versões, a Popload entrega a performance de Katy Perry para “Electric Feel”.

KATY PERRY – “ELECTRIC FEEL” (MGMT Cover)

* PREMIAÇÃO DA SEMANA – Segue a folia de ingressos da Popload para os principais eventos de São Paulo. A coisa só aumenta.

1. Um ingresso para o Planeta Terra Festival
2. Um ingresso para o show do Tim Festival do dia 23/10, em São Paulo (Gossip, Klaxons, Neon Neon)
3. Um PAR de ingressos para o Mudhoney no Clash, em São Paulo, dia 16/10.
4. Três ingressos, com o CD de bônus, para o show do Young Knives no Clash, no dia 8/10, no projeto Incubator.
5. Dois PARES de ingressos para a festança de aniversário do Vegas, na sexta agora, dia 3, com shows do Glass Candy e discotecagem de James Murphy + Pat Mahoney (LCD Soundsystem), entre muitas atrações.

- Vem nessa. Emails ou comentários estão valendo.
- Para registro. O ingresso do Skol Beats saiu para Bianca Guerra.

* Eu volto. Acho.

Autor: Lúcio Ribeiro - Categoria(s): Blog Tags: , , , ,

168 comentários para “O festival Metal Beats e os shows que não acabarão nunca mais”

  1. ADENILSON disse:

    Não da mais p/ dar rótulos………é tudo uma mistureba…….Lucioooo me salva desse interior de S.P. que só tem jovem com som alto(tocando aquele som de sertanejo ou pagode)…………eu quero o ingresso do Planeta Terra………té

  2. André Martins disse:

    Fui no Skol Beats deste ano e gostei muito da apresentação do Justice e do Digitalism. Mas, sei lá, senti que o Festival vai acabar logo, logo. Tava muito diferente de 2006, o último ano que eu fui.

  3. Diego soares disse:

    e ae Lucio, por que sera q ninguem gostou do Pendulum eu ahcei incrivel, nenhuma banda da atualidade que eu conheça faz um som daquele jeito, foi muito bom, o Justice tbem foi phoda…bom depois desses eu entrei em standby pq nada me interessava mais…acordei durante o show do digitalism mas naun me agradou e olha que eu canssei de tanto ouvir “pogo” a uns anos atras….hahahaha…..aih voltei a dormir de novo, foi qdo eu vi que ja tava amanhecendo e rolando um som diferente eu acordo e vejo o armin van burien tocando achei q tava em ibiza….hahahahaha…..
    Bom na minha opnião o skol esse ano foi bom…..curti pra caramba com meus brother perdi o meu celular pq um C***** de um C**** literalmente me roubou…mas tah valando pq o cel era do serviço e tinha seguro…..
    Se tiver como decolar um desses ingressos eu ficaria grato hein…

  4. denison carneiro disse:

    material boy…
    (plagiando a madonna)tõ no páreo pros ingressos do planeta terra,tim ou pro níver do vegas.
    ibera aê!

  5. fernanda disse:

    oi, lucio…
    vamos lá… depois da triste desistencia do circle jerks… vou pular pro alternativo… young knifes ou vegas3 ou tim !! já comprei pro terra!!
    valeu

  6. Pedro Agilson disse:

    sei lá. talvez seja novidade, nunca se sabe, mas a arrastaaaaaaada música de Stabbed é o primeiro movimento da Moonlight Sonata (em inglês soa melhor) do véio Beethoven que possivelmente deve ter levado ao suicídio uma boa leva de tuberculosos nos bons tempos românticos. Tudo a ver. Grandes Glasvegas.

    abraços

  7. Achei a estrutura do Skol Beats perfeita, o sistema de transporte e de estacionamento ficou muito, muito, muito bom mesmo. Uma pena que os outros festivais não devem entrar na onda.
    Justice foi bom, mas foi decepcionante. Muito blasé francês pro meu gosto.
    Digitalism foi muito bom, muito mesmo. Bem mais dançante e animado.
    Agora o Daft Punk em 2006 foi beeeem melhor.

  8. Pedro Agilson disse:

    comentário tipo nada a ver. péssima primeira audição do ‘only by the night’ dos kings of leon, o anterior é chapante. mas, depois, rolando no iPod, a coisa ficou aceitável. muito aceitável.
    E o ‘dear science’ do tv on the radio é o grande disco do ano. nessa modesta opinião.
    e aê? também quero ingressos. muitos.

    abraço

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