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terça-feira, 19 de outubro de 2010 Política | 17:17

O resultado das pesquisas e o jornalismo

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A cada eleição, na medida em que se aproxima o dia decisivo e a ansiedade suprime a costumeira frieza dos políticos, cada um deles escolhe, de acordo com a conveniência, o alvo mais fácil. Uma hora faz-se como o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que à véspera do primeiro turno criticou a imprensa, no geral, e algumas publicações, em particular. Outra hora faz-se como o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, que a dez dias do final da campanha atacou as pesquisas de opinião, o Instituto Vox Populi e o seu sócio mais conhecido, Marcos Coimbra (clique aqui para ler a reportagem).

Quando se agridem mutuamente, candidatos e partidos costumam levar suas desavenças à Justiça Eleitoral, quando não à Vara Criminal. Quando criticam os jornalistas, a imprensa, os institutos de opinião ou as técnicas de pesquisas, eles parecem atuar numa defesa prévia: o objetivo é tirar a credibilidade do trabalho.

O problema é que, de tão velho, esse estratagema ficou velhaco. Quem hoje reclama do jornalismo crítico (por si só uma redundância), antes comemorava a denúncia da malfeitoria alheia. Os que nessa campanha se sentem prejudicados por um instituto, numa eleição anterior eram seus contratantes. Quem agora reclama dos resultados, um dia já os festejou.

Sendo assim, o que queria o presidente Lula na véspera do primeiro turno? Com a vivência de quem já foi massacrado, tolerado e bajulado por jornalistas, empresários e empresas de comunicação, Lula tentou amenizar o prejuízo eleitoral provocado pelo episódio da ex-ministra Erenice Guerra. Diante da dificuldade de combater a denúncia, desqualificam-se os denunciantes.

E o que quer agora Sérgio Guerra? Reduzir os danos à campanha do PSDB. Para quem chega ao segundo turno e vê o adversário ampliar a distância nas pesquisas de opinião, o prejuízo se reflete em várias frentes, como um dia atestaram os petistas. Sérgio Guerra foi explícito ao citar “a animação dos companheiros”.

Campanha presidencial é apaixonante: tal qual enamorados, valoriza atributos, atenua defeitos e desperta emoções irracionais. A pesquisa é uma técnica cientificamente imprecisa, uma medição que reflete, atrasadamente, a reação do eleitor. Mas ainda assim fornece à campanha um trilho estatístico de previsibilidade, portanto de racionalidade. O seu elemento mais perturbador é justamente esse: chamar os apaixonados à reflexão.

E isso, para quem não está à frente, pode de fato ser um elemento desestimulante. A dez dias do final da campanha, uma eventual redução na diferença percentual entre os candidatos pode ajudar aquele que estiver atrás a envolver a militância, a agregar aliados e a convencer financiadores.

O problema no caso, não está apenas nas pesquisas, uma vez que cada partido encomenda a sua e todas as grandes empresas levam em conta, nas decisões estratégicas, as sondagens que compram, sejam de institutos que trabalham para partidos, ou não. O ruim, para muitos políticos, é o fato desses números virem a público. Paradoxalmente, nessa campanha, o descontentamento partiu de quem mais defendeu a liberdade de imprensa.

Notas relacionadas:

  1. O que esperar do horário eleitoral?
  2. O barco de Dilma e o sopro de Lula
  3. Minas está no centro do segundo turno
Autor: Luciano Suassuna Tags: , , , , ,

terça-feira, 17 de agosto de 2010 Política | 19:29

O que esperar do horário eleitoral?

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O primeiro programa do horário eleitoral gratuito deu a dimensão do que vem por aí. E, como nas últimas pesquisas eleitorais, o resultado é pouco favorável ao candidato do PSDB, José Serra.

Está claro que a candidata do PT, Dilma Rousseff, tem três pontos a atacar, todos eles capazes de resultar em avanço nas distintas faixas do eleitorado.

Suavização da imagem – Desde o início da campanha, sua fisionomia, figurino, postura e gestos se contrapõem à imagem de gerentona do PAC. No horário eleitoral, será popularizada a Dilma que pouca gente conhece. Apresentar uma candidata mais amigável, revelar sua face humana, é uma obrigação de qualquer campanha. Mas Serra fez isso em várias ocasiões. Nacionalmente em 2002, para prefeito de São Paulo em 2004 e para governador em 2006. Pelo grau de desconhecimento anterior, o retoque do marketing deve surtir mais efeito na candidata do PT. A suavização da imagem serve sobretudo para a conquista de um eleitor de mais escolaridade e de maior renda, as duas categorias onde a percepção positiva de Dilma é proporcionalmente menor que a de Serra.

Ampliação da taxa de conhecimento – Com quase 50% mais tempo de tevê do que Serra, Dilma será finalmente conhecida do grande público. O eleitor que se acostumou com a democracia e usa a primeira semana de horário eleitoral para começar a decidir o seu voto será apresentado a uma candidata com quem ele nunca teve intimidade. Mas ela surge com credenciais políticas, apoios, números e obras de um governo bem avaliado. Esse bloco de eleitores em busca de informação é integrado por um bom contingente da classe C. Menos conhecida que Serra, Dilma tem muito mais a ganhar nessa faixa do que o candidato do PSDB.

Transferência eleitoral do presidente Lula – Quando se olha os dados da consulta espontânea da pesquisa Vox/Band/iG, Lula ainda tem sete pontos percentuais no Nordeste. Sempre haverá um resíduo para a margem de erro, mas existe uma massa de cerca de dois milhões de eleitores que ainda querem Lula e saberão, ao longo dos próximos 45 dias, que sua candidata se chama Dilma. É um ataque direto a um pedaço das classes D e E. Apenas como comparação, esse universo de votos corresponde à metade do que o PSDB abriu em relação ao PT no Estado de São Paulo, na disputa presidencial de 2006.

O que sobre então para José Serra?

O problema de José Serra, como atestaram as pesquisas anteriores ao horário eleitoral, é uma taxa de conhecimento e aprovação já bastante alta. Serra largou de um patamar elevado, uma prova do bom desempenho que teve como parlamentar, ministro, prefeito e governador. Mas por isso mesmo, a propaganda eleitoral pouco lhe serve para melhorar a imagem ou ampliar o conhecimento. Sua imagem é boa e o conhecimento é amplo. Salvo um tropeço involuntário da própria Dilma ou do governo, restam agora duas opções para Serra recuperar o terreno perdido nas intenções de voto: ou aposta numa campanha mais emocional e/ou investe em ataques mais objetivos contra a adversária. A segunda alternativa é a opção de alto risco. Mas reside aí o dilema da campanha a partir de agora.

Notas relacionadas:

  1. Dilma no momento chave
  2. Aécio em busca do tempo perdido
Autor: Luciano Suassuna Tags: , , , ,