José Serra | Análise

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sábado, 28 de maio de 2011 Política | 18:45

Para José Serra restou a candidatura a prefeito de São Paulo

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Agora virão as declarações pacificadoras, o discurso de unidade e fortalecimento do partido. Mas o fato é que a convenção nacional do PSDB, no sábado, 28 de maio, teve um vencedor e um vencido. O senador Aécio Neves ganhou todos os cargos que desejou, sem ceder nenhuma posição para seu grande adversário, o ex-governador José Serra. E é, pela derrota de Serra, que o PSDB simboliza seu momento de mudança.

Terminado o segundo turno da eleição presidencial, Serra usou o discurso de que tinha 44 milhões de votos, como se as urnas da disputa de 2010 traduzissem uma intenção futura e não aquela expressa no dia 31 de outubro. Voto é feito de material volátil e, nas derrotas, evapora-se rapidamente. Mas com praticamente 44% dos votos válidos era justo que Serra mantivesse o desejo de voltar a ser candidato a presidente (em entrevista ao iG, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso falou sobre as chances de Aécio e Serra, confira abaixo).

A ambição, no entanto, precisava de elementos mais sólidos e, na política, dois são os instrumentos de concretização dessa força: controle da máquina pública ou expectativa de poder. Na falta de ambos, Serra primeiro perdeu um grupo de antigos aliados que migrou em grande parte para Aécio e em menor escala para Geraldo Alckmin. Sobrou-lhe um núcleo de bons amigos, dois dos quais faltaram à convenção por questões de saúde: seu antigo vice-governador Alberto Goldman e o senador Aloysio Nunes Ferreira.

Com minguados aliados, o ex-governador de São Paulo foi sendo espremido no partido. Não teve espaço para indicar o presidente – o deputado Sérgio Guerra foi reeleito contra a vontade de Serra. Ele tentou, então, assumir o Instituto Teotônio Vilela e seu orçamento de R$ 11 milhões anuais. Mas viu a costura entre Geraldo Alckmin e Aécio Neves levar o ITV para o seu mais renhido adversário, o ex-governador do Ceará Tasso Jereissati.

O esvaziamento da liderança de Serra foi acelerado pelo estilo adotado na campanha do ano passado. Na forma, a postura centralizadora o desgastou com amigos de décadas, traduzindo em afastamento o que poderia ter sido solidariedade na derrota. No conteúdo, a irresponsabilidade fiscal da proposta de um salário mínimo de R$ 600,00, a tentativa errática de vincular uma invenção marqueteira, o candidato Zé, ao presidente Lula, a decisão de esconder as realizações do governo FHC e o apelativo discurso religioso, explorando desinformação e preconceito em temas sensíveis, acabaram por minar a coerência de sua vida pública.

O espaço que Serra guardou no partido, de presidente do Conselho Político, deve-se menos ao que vai fazer e mais ao que os novos líderes do PSDB ainda precisam tirar dele. “O conselho vai tomar decisões político-partidárias, discutir eventuais fusões (…) e formas de escolher candidatos”, disse Serra.

Para Aécio Neves, é melhor ter Serra aí do que fora do partido. Não faria bem a sua biografia de conciliador e, apesar de todas as divergências entre ambos, Serra ainda é, ao lado do ex-presidente Fernando Henrique, o rosto mais conhecido do PSDB. Seria ruim tê-lo no horário eleitoral do PSD do prefeito Gilberto Kassab, por exemplo. Em São Paulo, após a inquisição ocorrida na transição de poder, quando lançou o núcleo palaciano à fogueira, Geraldo Alckmin precisa de um pouco mais de tempo para terminar a conversão dos serristas que restaram no governo do estado.

O fato é que a convenção de 28 de maio fechou o caminho mais fácil para José Serra, duas vezes derrotado no segundo turno, fazer sua terceira incursão numa eleição presidencial. Ela pressupunha que ele controlasse o partido, presidindo-o. E extraísse daí o palanque e a máquina que homologassem sua aspiração. Nessa posição nacional seria fácil rebarbar a pressão pela candidatura a prefeito de São Paulo, onde seus adversários no partido tentariam encurralá-lo no próximo ano como forma de, em caso de eleito, tirá-lo da disputa de 2014.

Pois para ser candidato a presidente novamente, Serra tem agora que fazer o caminho mais difícil. Sem máquina oficial e sem força no partido, sua liderança esvaziará por completo antes que possa entrar no jogo de 2014. É por isso que ele precisa retornar à prefeitura de São Paulo. A Serra, uma escala na terceira maior máquina pública do país é etapa imprescindível para recuperar o terreno perdido hoje e manter a aspiração de uma vida. Ou entrará para a história, já escreveu certa vez a revista The Economist, como o melhor presidente que o Brasil nunca teve.

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Autor: Luciano Suassuna Tags: , , , , , , , ,

domingo, 3 de outubro de 2010 Política | 23:45

Minas está no centro do segundo turno

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Na largada dessa eleição, todos os analistas citavam que a Minas Gerais de Aécio Neves estava para o PSDB assim como o Brasil estava para o PT de Lula. Ambos escolheram sucessores de formação técnica e sem grande traquejo em campanhas. Tanto o presidente quanto o ex-governador tinham índices de aprovação semelhantes e foram obrigados a dar o primeiro empurrão na popularidade dos seus preferidos.

Na disputa interna que travou com Aécio Neves pela indicação do PSDB, o então governador de São Paulo, José Serra, se policiava para não radicalizar nas palavras: sabia que, se ganhasse a briga contra o governador mais bem avaliado do País, mas perdesse o voto dos mineiros, não teria chance de ir ao segundo turno da eleição presidencial. Na largada da disputa estadual, o candidato do PMDB, Hélio Costa, apostava na popularidade do presidente Lula para neutralizar a força de Aécio em Minas Gerais.

A reeleição de Antônio Anastasia é um prêmio à estratégia e ao trabalho do seu antecessor, mas ela mostra que, como na frase clássica da política regional, Minas está onde sempre esteve. Nas duas vezes em que se elegeu governador, Aécio ganhou no primeiro turno: em 2002 com 57% dos votos e em 2006 com 77%. Nas duas vezes, Lula foi o presidenciável favorito dos mineiros no primeiro turno (53% e 50%) e depois venceu bem no segundo turno (66% em 2002 e 65% em 2006). Se agora os mineiros criaram o voto Dilmasia, dando 46,9% a Dilma Rousseff e 62,7% a Anastasia, há oito anos convivem com o Lulécio. O eleitor mineiro absorveu bem Dilma e Anastasia já que nunca teve motivo para separar Aécio de Lula. Nessa eleição, quando poderia por fim ao mito do Lulécio, o ex-governador trocou o embate interno no PSDB (e, portanto, sua candidatura a presidente contra a candidata de Lula) pela garantia dos 7,5 milhões de votos que lhe deram o mandato de senador.

Triplo vencedor no seu Estado (por ele mesmo, pela eleição do companheiro de chapa, Itamar Franco, e por seu protegido, Anastasia), Aécio tem agora condições de tirar Minas de onde sempre esteve. Em 2010, Serra fez 50% mais votos no Estado do que em 2002. Ao mesmo tempo, teve um desempenho inferior ao de Geraldo Alckmin na presidencial de 2010.

Se algo pode ser diferente a partir de agora não é a relação de Lula com Aécio, mas a de Aécio com Lula. Um acaba de ser aprovado em seu Estado e no seu partido, abrindo uma nova porta como nome forte da política nacional. O outro tem tudo isso na grande maioria do Brasil, mas está a três meses do final do mandato. Os 14,5 milhões de eleitores do Estado não necessitam voltar às urnas no dia 31 de outubro para provar que, em Minas, votam em Aécio – isso foi feito no primeiro turno. Com os mandatos na mão e sem as amarras eleitorais criadas pela popularidade do presidente em Minas, tão grande quanto a sua própria, o ex-governador pode agora se libertar do mito do Lulécio. É nesse tabuleiro que se joga o principal movimento do segundo turno. E a Aécio cabe a decisão de mexer, ou não, a primeira peça.

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