Eleição Municipal | Análise

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quinta-feira, 5 de julho de 2012 Política | 18:39

A arriscada tática de Dilma na eleição municipal

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Agora que a campanha municipal começa para valer, com chapas registradas, debates entre candidatos e horário eleitoral no rádio e na tevê, vai ficar claro o quanto a presidenta Dilma Rousseff será técnica ou política. Essa definição marca a linha com a qual conduzirá o final do mandato e, provavelmente, a campanha à reeleição. Até agora, ela foi muito mais técnica do que política. E, por conta disso, o quadro que os partidos desenharam na disputa municipal não é o melhor para a presidenta.

Técnica ou política? Reeleição estará ligada à postura que Dilma vai assumir na eleição municipal

Se alguém quiser olhar esse mapa partidário como se analisasse um projeto de infra-estrutura, o resultado parecerá muito bom para o governo. Nele está marcado um PT menos influente que há quatro anos e um PMDB capaz de preencher lacunas locais sem alterar a aliança federal, como nos casos mais notórios de Salvador e São Paulo. Há também um PSB em fase de crescimento, na sua tentativa de sair da adolescência para a maturidade e ansioso por mais espaço na Esplanada dos Ministérios. E um PSD que não vê a hora de oferecer seu apoio aos projetos do Planalto. No memorial técnico dessa construção, Dilma sairá da disputa com mais votos no Congresso e com liberdade para manejar essa maioria ora com um partido, ora com outro.

Mas partidos são bichos ariscos, que têm cismas e manhas. Os embates entre candidatos da mesma base aliada costumam gerar mágoas duradouras. E, se a disputa de 2012 já produziu algo, foram rompimentos quase irreversíveis. Em São Paulo, o distanciamento político de Dilma liberou Marta Suplicy da campanha de Fernando Haddad, facilitou a histórica foto de Lula com Paulo Maluf, deu asas a Gabriel Chalita e permitiu que Celso Russomano usasse a tevê para largar bem na campanha. Sem ter de prestar contas políticas à presidenta, o PT fez no Recife a lambança de entrar nas prévias com três líderes e sair dela com uma intervenção que jogou dois deles na oposição, em detrimento de um senador que nunca lhe faltou.

Eduardo Campos: o governador de Pernambuco se lambuza com a lambança do PT

Ao decidir ser mais técnica do que política na montagem das chapas, Dilma passou aos partidos o recado de que, primeiro, cada um deve lutar por si, para depois ela premiar os vitoriosos. O problema é que confortar os derrotados é, na política, tão fundamental quanto adular os eleitos. Manter o distanciamento revela-se uma estratégia arriscada. A opção técnica faria sentido num quadro de economia em expansão segura, cujos resultados seriam capazes de dobrar resistências e superar ressentimentos. Mas se o ápice da atual fase de desaceleração acontecer nas próximas semanas, a falta de união entre os partidos da base governista pode ser ainda mais danosa para a presidenta.

E ela, de quebra, contraria a lógica da própria eleição de Dilma, quando o presidente Lula deu uma aula de política. Primeiro, ao unir o PT em torno da sua ministra da Casa Civil, depois ao seduzir Eduardo Campos e engabelar Ciro Gomes no PSB, compor com o PMDB a indicação de Michel Temer para vice e, por fim, forçar o PSDB a ficar com José Serra, o adversário que Lula tinha sonhado para o confronto com Dilma.

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Autor: Luciano Suassuna Tags: , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 11 de abril de 2012 Política | 23:03

2012, a eleição do 3G

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Quanto mais governo melhor, essa é a regra para os candidatos que desejam ganhar a eleição deste ano.

Quem tiver o engajamento dos três níveis de governo, o municipal, o estadual e o federal — o 3G –, dificilmente perderá a disputa. O exemplo mais contundente é o do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB). Candidato dele mesmo, do governador Sérgio Cabral e da presidenta Dilma Rousseff, Paes tem a melhor rede 3G do mercado eleitoral. Além dos apoios, ele tem discurso porque representa o projeto carioca de virada econômica, com o pré-Sal, a Copa e a Olimpíada. Fora isso, pode usar a prefeitura como trampolim para a sucessão de Cabral, num momento em que empresas e eleitores do Rio querem a garantia da continuidade.

Sérgio Cabral, Dilma Rousseff e Eduardo Paes: a melhor rede 3G do mercado eleitoral

Situação semelhante vive o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB). Ele tem um 2G contratado para a campanha, já que disputa a reeleição e terá o PT na sua coligação. Como nunca lhe faltou o apoio da principal liderança de Minas, o senador Aécio Neves, a entrada em operação da sua rede 3G depende apenas de um detalhe legal, a formalização da inacreditável chapa que unirá PT com PSDB.

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Como exceção que eventualmente pode confirmar a regra está Porto Alegre. José Fortunati (PDT), o atual prefeito, é uma espécie de 1,5G – tem a máquina pública para sua reeleição e seu partido integra a base do governo federal. Quem teria a rede 2G (estadual mais federal) seria o deputado estadual Adão Villaverde, do PT. Mas mantendo o espírito contestador que já havia se manifestado na eleição do governador Tarso Genro, os gaúchos, segundo as últimas pesquisas de opinião, deram-lhe apenas 2% das intenções de voto. Em Porto Alegre, eles estão abrindo a temporada pré-eleitoral com a candidatura menos governista na primeira posição — a da deputada Manuela D’Ávila, do PC do B, e uma espécie de 0,5G pelo apoio a Dilma no Congresso.

Em São Paulo, o ex-ministro Fernando Haddad, pelo PT, e o deputado Gabriel Chalita, pelo PMDB, pretendem se apresentar como candidatos do governo federal e receber a empatia do ex-presidente Lula (espécie de acelerador de rede para quem só tem 1G). O ex-governador José Serra fica com os outros 2G, o apoio das máquinas municipal e estadual.

Alckmin, com Serra e Kassab: o poder regulatório do governador interfere na autonomia do candidato

Mas nada impede que, numa eventual ascensão do candidato do PMDB nas pesquisas — um cenário hoje tão improvável quanto surpreendente –, Serra venha a ser rebaixado, pelo poder regulatório de Geraldo Alckmin, para 1,7G enquanto Chalita seria promovido a 1,3G. De todos os cenários, talvez seja o mais perturbador para Serra, já que o oposto disso, a candidatura do PT no segundo turno, fortaleceria radicalmente sua rede 2G.

Nos estertores da ditadura, havia um desejo de mudanças de tal magnitude que ao maior partido de oposição da época bastava um único slogan: “PMDB Neles”. No início da redemocratização, o fracasso dos planos de estabilização, a inflação galopante e o desemprego em alta permitiram ao PT faturar suas primeiras cidades em campanhas em que ele se apresentava “contra tudo isso que está aí”. Quanto menos envolvimento com o governo, melhor, era o lema da época, como mostrou a vitória da inexperiente e desconhecida Luiza Erundina contra o notório e experiente Paulo Maluf.

O fracasso do governo Fernando Collor alertou o eleitor para a importância da experiência administrativa e o pleito estadual de 1992 marcou a chegada do “eleitor de resultados” – ele estava pouco se lixando para os partidos, mas queria políticos que soubessem governar. De lá para cá, os sucessos do Plano Real no governo FHC e da expansão econômica do governo Lula levaram o eleitor a índices cada vez mais altos de adesismo.

O governismo é o que o move agora, mas dois fatores podem vir a inibir o bom funcionamento do 3G: o julgamento do Mensalão pelo Supremo Tribunal e as — sabe-se lá quais serão –, descobertas da CPI do Cachoeira. Hoje limitados ao signo do desconhecido, os dois eventos juntos têm potencial de gerar um sentimento hegemônico contra a classe política. Se isso acontecer, melhor do que mostrar apoios dos governos, será se apresentar como um candidato técnico.

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