O barco de Dilma e o sopro de Lula
O primeiro dia de horário eleitoral deixou no ar o que talvez seja a principal questão para o futuro da candidata do PT, Dilma Rousseff: afinal, qual é a medida certa de Lula nessa campanha? No oceano eleitoral, o sopro de Lula tirou o barco de Dilma da calmaria e o colocou, praticamente sozinho, na corrente atual. Mas em que momento um vento deixa de empurrar um veleiro e passa a sacudi-lo?
Na primeira noite, Lula estreou em um diálogo com Dilma cuja mensagem era explicitamente a de mostrar continuidade do governo. Um acaba onde o outro começa. Mas horas antes, numa visita a Petrolina, em Pernambuco, falou para trabalhadores mostrando que essa fronteira só existe no horário eleitoral: “Quero ganhar as eleições para cuidar do meu povo”, disse. Sendo assim, o Lula que iria para São Bernardo, estaria mudando de caminho, caso Dilma venha a confirmar o favoritismo apontado pelas pesquisas.
Um Lula sem fronteiras é o que a oposição precisa nesse momento. O tamanho da sua influência é o primeiro e mais delicado ponto de um eventual governo Dilma e esse é o debate que ficou subentendido na largada do horário gratuito. Um ex-presidente excessivamente presente constitui uma tutela, um fator potencial de crise para o novo, um risco de exercício cotidiano de duplo comando. Mas, para quem está votando em Dilma porque ela é Lula, a ausência total do presidente poderá ser entendida como uma traição.
Na saída do porto, o sopro é decisivo para a velocidade da partida. Mas quanto mais se aproxima o cais, mais perturbador pode ser o empurrão do vento na chegada.
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Autor: Luciano Suassuna Tags: campanha, Dilma, Eleição, Lula