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terça-feira, 28 de setembro de 2010 Política | 21:40

Os mágicos cinco pontos que decidem a eleição presidencial

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Feitas as contas do mais recente tracking Vox/Band/iG, a candidata do PT, Dilma Rousseff, teria 55% das intenções de votos válidos, ou seja, cinco pontos de folga para levar a eleição no primeiro turno. Desde que o brasileiro reconquistou o direito de votar para presidente, a eleição se decide pela falta ou excesso desses mágicos cinco pontos.

Em 1989, Fernando Collor ficou com 53% dos votos válidos no segundo turno. Fernando Henrique Cardoso ganhou em 1994 com 55% e foi reeleito com 53%. Lula ficou a menos de quatro pontos de ganhar no primeiro turno de 2002 e a menos de dois pontos percentuais da reeleição no primeiro turno de 2006. Agora, os mágicos cinco pontos vão decidir a vitória de Dilma Rousseff em 3 de outubro. Ou vão lhe dar uma passagem para o segundo turno em 31 de outubro contra o adversário do PSDB, José Serra — a menos que haja uma reviravolta nunca vista em relação às tendências de opinião e Marina Silva, do PV, surpreenda todo mundo.

A primeira vista, está aí um país coerentemente dividido, oscilando entre governo e oposição, entre PT e PSDB e sobretudo entre Lula e anti-Lula desde a redemocratização. De fato, nada regeu mais essas duas décadas de política do que a presença de Luiz Inácio Lula da Silva.

A coesão das forças anti-Lula foi elemento estabilizador de dois críticos anos da redemocratização: do processo de impeachment de Collor em setembro de 1992 ao lançamento do Plano Real, em julho de 1994, passando pelo plebiscito, que poderia mudar tanto a República quanto o presidencialismo, e o instável governo Itamar Franco. Se não houve espaço para aventuras golpistas é porque do outro lado havia Lula e seu capital de mais de 40% de votos válidos. Se o Plano Real foi o primeiro a dar certo depois de cinco tentativas anteriores de estabilização, é porque, entre outros motivos, a coesão política e empresarial se fazia necessária para evitar os riscos de uma vitória de Lula naquele ano.

Mas então chegou 2002 e os mágicos cinco pontos mudaram de lado e assim permanecem nessa eleição, sugerindo o mesmo e coerente corte. No anti-lulismo de 2002 e, sobretudo em 2006, houve quem traçasse um país separado entre Norte e Sul (especialmente Nordeste e São Paulo), pobres e ricos, periferia e centro, povo e elite, Bolsa-Família e carteira assinada. Nada mais ilusório.

Os mágicos cinco pontos não têm dono. Eles oscilam, em primeiro lugar, ao sabor de uma onda nacional capitaneada pelo discurso do que representa o novo. Em 1994, o novo era a estabilidade econômica trazida pelo Real. Em 1998, novo era o medo de perdê-la. Em 2002, o novo era a necessidade de redistribuir renda e provar o avanço institucional. A Carta ao Povo Brasileiro foi o símbolo dessa mudança e a clássica frase de Lula, de que “a esperança venceu o medo”, talvez seu diagnóstico.

Cinco pontos mágicos, que representam 10% do eleitorado porque o que soma para um é tirado do outro, são compostos também por pequenas circunstâncias locais. Em 1994, FHC se elegeu perdendo em dois Estados (um deles o Rio Grande do Sul que depois ficaria com Geraldo Alckmin e contra Lula no segundo turno de 2006). Quatro anos depois, a derrota se ampliou para 11 Estados, alguns de eleitorado grande, como Rio de Janeiro e Ceará. Sempre por causas diversas, como a quantidade de aposentados no Rio, após uma reforma previdenciária que taxou aposentadorias e pensões, ou a presença de Ciro Gomes na disputa, levando 34% do Ceará.

Vencendo em todos os Estados, menos em Alagoas, Lula fez 61,2% dos votos válidos do segundo turno contra José Serra em 2002. E perdendo em sete estados, incluindo São Paulo, fez 60,8% dos votos contra Geraldo Alckmin em 2006. A maior vantagem proporcional de Alckmin se deu em Roraima, onde o governo sofria o desgaste de apoiar a Reserva Raposa do Sol, que não dá votos.

A onipresença de Lula (com o seu oposto, o anti-Lula), a instituição do segundo turno e, depois, da reeleição, além da força dos dois principais partidos, PT e PSDB, deram ao Brasil essa face polarizada. Vista de longe, as duas metades são semelhantes como na sobreposição de imagens de gêmeos: social democrata, moderna, urbana, tolerante, democrática. E isso explica em grande parte o avanço institucional dos últimos anos.

Mas vista de perto, no detalhe do que motiva esses 10% do eleitorado a oscilar entre um ou outro lado, ela é mais complexa, dependente de fatores regionais, de lideranças locais, da capacidade de mobilização e convencimento de cada campanha ou candidato. Se houvesse uma regra geral para entender esse eleitorado flutuante, ela não estaria nos candidatos nem nos partidos. Mas no discurso desse “novo” que sempre vence. O Collor de 1989 era o novo da direita, contra nomes como Paulo Maluf ou Aureliano Chaves. E seu discurso representava isso pela proposta de abertura econômica e reforma do Estado. O Lula de 1989 era o novo da esquerda, contra nomes como Leonel Brizola ou partidos como o PCB. E o eleitor dessa velha esquerda foi às urnas na mesma semana em que o Muro de Berlim caiu.

O Brasil colhe agora a maior safra de notícias positivas vividas por uma geração que cresceu ou nasceu na chamada década perdida. O fato de que a eleição de 2010 ainda não esteja totalmente decidida mostra apenas a incerteza do que efetivamente representa o novo a partir do pós-Lula.

LEIA MAIS: Onde está o novo na campanha presidencial?

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  1. Dilma no momento chave
  2. Onde está o novo na campanha presidencial?
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Autor: Luciano Suassuna Tags: , , , , ,

quarta-feira, 18 de agosto de 2010 Política | 20:13

O barco de Dilma e o sopro de Lula

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O primeiro dia de horário eleitoral deixou no ar o que talvez seja a principal questão para o futuro da candidata do PT, Dilma Rousseff: afinal, qual é a medida certa de Lula nessa campanha? No oceano eleitoral, o sopro de Lula tirou o barco de Dilma da calmaria e o colocou, praticamente sozinho, na corrente atual. Mas em que momento um vento deixa de empurrar um veleiro e passa a sacudi-lo?

Na primeira noite, Lula estreou em um diálogo com Dilma cuja mensagem era explicitamente a de mostrar continuidade do governo. Um acaba onde o outro começa. Mas horas antes, numa visita a Petrolina, em Pernambuco, falou para trabalhadores mostrando que essa fronteira só existe no horário eleitoral: “Quero ganhar as eleições para cuidar do meu povo”, disse. Sendo assim, o Lula que iria para São Bernardo, estaria mudando de caminho, caso Dilma venha a confirmar o favoritismo apontado pelas pesquisas.

Um Lula sem fronteiras é o que a oposição precisa nesse momento. O tamanho da sua influência é o primeiro e mais delicado ponto de um eventual governo Dilma e esse é o debate que ficou subentendido na largada do horário gratuito. Um ex-presidente excessivamente presente constitui uma tutela, um fator potencial de crise para o novo, um risco de exercício cotidiano de duplo comando. Mas, para quem está votando em Dilma porque ela é Lula, a ausência total do presidente poderá ser entendida como uma traição.

Na saída do porto, o sopro é decisivo para a velocidade da partida. Mas quanto mais se aproxima o cais, mais perturbador pode ser o empurrão do vento na chegada.

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  1. Dilma no momento chave
  2. Aécio em busca do tempo perdido
  3. O que esperar do horário eleitoral?
Autor: Luciano Suassuna Tags: , , ,

terça-feira, 17 de agosto de 2010 Política | 19:29

O que esperar do horário eleitoral?

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O primeiro programa do horário eleitoral gratuito deu a dimensão do que vem por aí. E, como nas últimas pesquisas eleitorais, o resultado é pouco favorável ao candidato do PSDB, José Serra.

Está claro que a candidata do PT, Dilma Rousseff, tem três pontos a atacar, todos eles capazes de resultar em avanço nas distintas faixas do eleitorado.

Suavização da imagem – Desde o início da campanha, sua fisionomia, figurino, postura e gestos se contrapõem à imagem de gerentona do PAC. No horário eleitoral, será popularizada a Dilma que pouca gente conhece. Apresentar uma candidata mais amigável, revelar sua face humana, é uma obrigação de qualquer campanha. Mas Serra fez isso em várias ocasiões. Nacionalmente em 2002, para prefeito de São Paulo em 2004 e para governador em 2006. Pelo grau de desconhecimento anterior, o retoque do marketing deve surtir mais efeito na candidata do PT. A suavização da imagem serve sobretudo para a conquista de um eleitor de mais escolaridade e de maior renda, as duas categorias onde a percepção positiva de Dilma é proporcionalmente menor que a de Serra.

Ampliação da taxa de conhecimento – Com quase 50% mais tempo de tevê do que Serra, Dilma será finalmente conhecida do grande público. O eleitor que se acostumou com a democracia e usa a primeira semana de horário eleitoral para começar a decidir o seu voto será apresentado a uma candidata com quem ele nunca teve intimidade. Mas ela surge com credenciais políticas, apoios, números e obras de um governo bem avaliado. Esse bloco de eleitores em busca de informação é integrado por um bom contingente da classe C. Menos conhecida que Serra, Dilma tem muito mais a ganhar nessa faixa do que o candidato do PSDB.

Transferência eleitoral do presidente Lula – Quando se olha os dados da consulta espontânea da pesquisa Vox/Band/iG, Lula ainda tem sete pontos percentuais no Nordeste. Sempre haverá um resíduo para a margem de erro, mas existe uma massa de cerca de dois milhões de eleitores que ainda querem Lula e saberão, ao longo dos próximos 45 dias, que sua candidata se chama Dilma. É um ataque direto a um pedaço das classes D e E. Apenas como comparação, esse universo de votos corresponde à metade do que o PSDB abriu em relação ao PT no Estado de São Paulo, na disputa presidencial de 2006.

O que sobre então para José Serra?

O problema de José Serra, como atestaram as pesquisas anteriores ao horário eleitoral, é uma taxa de conhecimento e aprovação já bastante alta. Serra largou de um patamar elevado, uma prova do bom desempenho que teve como parlamentar, ministro, prefeito e governador. Mas por isso mesmo, a propaganda eleitoral pouco lhe serve para melhorar a imagem ou ampliar o conhecimento. Sua imagem é boa e o conhecimento é amplo. Salvo um tropeço involuntário da própria Dilma ou do governo, restam agora duas opções para Serra recuperar o terreno perdido nas intenções de voto: ou aposta numa campanha mais emocional e/ou investe em ataques mais objetivos contra a adversária. A segunda alternativa é a opção de alto risco. Mas reside aí o dilema da campanha a partir de agora.

Notas relacionadas:

  1. Dilma no momento chave
  2. Aécio em busca do tempo perdido
Autor: Luciano Suassuna Tags: , , , ,

quarta-feira, 4 de agosto de 2010 Política | 16:38

Onde está o novo na campanha presidencial?

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Nada mais sintomático de que há algo de muito diferente na eleição deste ano do que o fato de o Irã ter-se tornado tema candente na campanha presidencial. Some-se a isso o calor com que se falou nas Farcs, na complacência da Bolívia com os plantadores de coca e na dependência econômica do Paraguai (e dos outros países do Mercosul) em relação ao Brasil e um eleitor desavisado chegará facilmente à conclusão de que o próximo presidente terá um governo muito movimentado: lá fora, além das fronteiras nacionais.

Ledo engano. O problema do Brasil está aqui, bem na frente dos presidenciáveis. Ele consiste no esgotamento da agenda da redemocratização. Há 25 anos, quando a Nova República mandou os militares de volta aos quartéis, o poder civil estabeleceu três grandes contratos com a sociedade. Na política, a implantação da democracia e o respeito às regras. Na economia, o controle da inflação com crescimento. No social, a montagem de uma rede de proteção que garantisse serviços básicos a todos.

O contrato político ganhou forma na Constituição de 1988 e viveu seu maior teste prático no impeachment de Fernando Collor. Tirando a emenda da reeleição proposta por Fernando Henrique Cardoso, pode-se dizer que o Brasil se ergue há mais de duas décadas sob os mesmos pilares legais. Esse é um fenômeno inexistente desde o fim da República Velha, há 70 anos. Mas se compararmos no detalhe as duas fases históricas, pode-se dizer que nunca existiu período democrático tão longevo e amplo. O sepultamento da tentativa de mudar as regras para estabelecer o direto a um terceiro mandato de Lula é a coroação desse processo.

O contrato econômico da redemocratização era a estabilidade da moeda. Atacada numa primeira fase com o Plano Real, ele se consolidou com a manutenção, pelo PT, do tripé formado por responsabilidade fiscal, câmbio flutuante e metas de inflação.

O contrato social foi aberto com medidas do PMDB nos primórdios do governo Sarney, como o seguro desemprego e a generalização de aposentadorias e pensões. Depois ganhou densidade com a universalização do ensino básico e a implantação do Sistema Único de Saúde, até ser completado com o Bolsa Família.

O que a democracia brasileira prometeu há quase três décadas foi sendo entregue a prestação pelos cinco governos do período: Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique e Lula. Mas essa agenda se esgota com a saída de Lula do Planalto. E é a partir dessa constatação que nasce a questão fundamental da eleição presidencial de 2010. O que deve ser feito a partir de agora? Quais serão os novos contratos político, econômico e social do Brasil pós-Lula? Na pré-campanha, não houve uma pálida sombra desse debate. Assim, os três principais candidatos têm, no encontro de quinta-feira, na TV Bandeirantes, uma grande oportunidade de revelar enfim ao eleitor que existe algo de novo vindo aí. É isso que irá conquistar mentes e corações de quem não deseja viver do passado.

Notas relacionadas:

  1. Dilma no momento chave
  2. Aécio em busca do tempo perdido
  3. Desejo de mudanças no DF
Autor: Luciano Suassuna Tags: , , , , , , ,

quinta-feira, 29 de julho de 2010 Política | 20:07

Desejo de mudanças no DF

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A primeira pesquisa Vox/Band/iG sobre a intenção de voto no Distrito Federal aponta um quadro paradoxal: a um só tempo, o eleitor quer o conhecido e a mudança, o velho e o novo.


Quatro vezes governador, o candidato do PSC, Joaquim Roriz, tem a preferência de 46% dos eleitores na pesquisa estimulada, contra 25% de Agnelo Queiroz, do PT. Mas agora veja o quadro abaixo.

O eleitor do Distrito Federal quer mudanças. E isso fica ainda mais patente quando se compara sua satisfação com o governo federal. Enquanto as políticas locais precisam ser totalmente mudadas para 22% dos eleitores, apenas metade deles (11%) deseja uma mudança radical nas políticas do governo Lula.

O mesmo ocorre na taxa plena de satisfação. Para 28% dos eleitores todas as políticas do governo federal devem ser mantidas. Mas apenas 18% desejam a manutenção do status quo local.

É evidente que o vídeo, divulgado em primeira mão pelo iG, do governador cassado José Roberto Arruda recebendo dinheiro foi o estopim desse desejo coletivo de mudança.

É essa a trilha que está aberta para que o candidato de Lula, o ex-ministro dos Esportes Agnelo Queiroz, consiga reverter a diferença com Roriz. E ao ex-governador só resta um caminho para escapar da contradição de ser o antigo, diante de um eleitorado que deseja o novo: mostrar
que não é Arruda.

Notas relacionadas:

  1. Dilma no momento chave
  2. Aécio em busca do tempo perdido
Autor: Luciano Suassuna Tags: , , , , ,

terça-feira, 27 de julho de 2010 Política | 19:31

Aécio em busca do tempo perdido

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O ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves é um campeão de popularidade, como mostram as pesquisas feitas nos últimos anos. Com índices de aprovação superiores a 70%, Aécio é visto por muitos em Minas Gerais como uma versão regional do presidente Lula, dado seu prestígio. Tal qual o presidente, indicou um técnico sem passado eleitoral para sucedê-lo: o então vice-governador, Antônio Anastasia, do PSDB. Na crônica política, houve quem identificasse aí um mineirocosmo da disputa presidencial: Aécio estaria para Lula assim como Anastasia estaria para Dilma.

Os números da mais nova pesquisa Vox/Band/iG sobre a sucessão mineira são, no entanto, indicativos de que essa semelhança não foi absorvida pelo eleitor — ao menos até o momento. Enquanto Dilma recebeu lenta e gradualmente a preferência do voto espontâneo em Lula, num processo de transferência visível, Anastasia ainda não se beneficiou da mesma forma da popularidade de Aécio.

Quando se observa o prestígio que Lula e Aécio poderão levar para o horário eleitoral gratuito, a mítica da semelhança parece ressurgir. Na chamada avaliação de apoios, 24% dos eleitores mineiros dizem que com certeza votariam num candidato apoiado pelo presidente, e 20% dizem que ficarão com o candidato do ex-governador. Outros 44% poderiam votar no candidato de Lula, dependendo de quem fosse, contra 47% que ficariam com o nome apoiado por Aécio.

Uma explicação para a diferença entre Dilma e Anastasia está muito mais no tempo que cada um teve para trabalhar sua escolha do que no nome do escolhido. Se o presidente teve condições de rapidamente definir, impor e carregar sua candidata, o ex-governador de Minas precisou de mais tempo para costurar a aliança partidária em torno de seu antigo vice.

Entre outras coisas, isso foi possível porque Lula não é mais candidato a nada. Mas Aécio oscilou entre a vaga ao Senado e uma tentativa de ser alternativa a José Serra. Quando o candidato enfim se impôs, ele já estava para deixar o governo. E uma coisa é trabalhar um nome pouco conhecido estando no cargo, e outra é empurrá-lo para cima ao mesmo tempo em que se batalha uma vaga para o Senado. A pesquisa mostra que Aécio tem potencial para recuperar o tempo perdido. Para isso terá de rodar o Estado com Anastasia, produzir um programa impecável na televisão e, o que é mais desafiador, fazer o presidente se manter distante da eleição de Minas.

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  1. Dilma no momento chave
Autor: Luciano Suassuna Tags: , , , ,

sexta-feira, 23 de julho de 2010 Política | 19:41

Dilma no momento chave

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A principal novidade da pesquisa Vox/Band/iG está embutida nos dados da consulta espontânea: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva praticamente completou a transferência do seu prestígio eleitoral para a candidata do PT, Dilma Rousseff. No espaço de 12 meses, entre agosto do ano passado e julho deste ano, o voto espontâneo em Lula caiu de 22% para 4% dos eleitores. Em contrapartida, Dilma subiu de 3% para 28%. O adversário de ambos, o candidato do PSDB passou de 5% para 21% das preferências.

Mas o que prova a estreita relação entre Lula e Dilma é o gráfico abaixo.

Entre janeiro e julho deste ano, há uma relação quase precisa do ponto de vista matemático: praticamente para cada ponto perdido por Lula, Dilma sobe outro. De janeiro para maio, Lula caiu nove pontos e Dilma ganhou dez. Na pesquisa seguinte, que refletiu sua exposição ao programa partidário, Dilma cresceu sete pontos, Lula emagreceu quatro. Agora, o presidente caiu mais dois pontos e Dilma cresceu dois.

Ao mesmo tempo em que mostra que o eleitor conhece os presidenciáveis de 2010, a pesquisa espontânea Vox/Band/iG, a primeira depois de oficialmente registradas as candidaturas, confirma o inabalável prestígio do presidente no Nordeste. Nessa região, Lula ainda mantém 9% da intenção espontânea de votos, ainda que esteja legalmente impedido de disputar a eleição. Em todas as outras, o presidente praticamente completou a transferência de votos para a candidata.

Para Dilma e Lula, os números da Vox/Band/iG podem ser festejados porque comprovaram a capacidade do presidente de inflar um nome – e, pela curva acima, desconfia-se que qualquer nome seria beneficiado pela popularidade dele. Mas também revelam que a partir de agora, a campanha de Dilma dependerá menos do presidente, do PT e do governo. E cada vez mais do que a candidata poderá fazer por sua campanha.

Autor: Luciano Suassuna Tags: , , ,

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