A arriscada tática de Dilma na eleição municipal
Agora que a campanha municipal começa para valer, com chapas registradas, debates entre candidatos e horário eleitoral no rádio e na tevê, vai ficar claro o quanto a presidenta Dilma Rousseff será técnica ou política. Essa definição marca a linha com a qual conduzirá o final do mandato e, provavelmente, a campanha à reeleição. Até agora, ela foi muito mais técnica do que política. E, por conta disso, o quadro que os partidos desenharam na disputa municipal não é o melhor para a presidenta.
Se alguém quiser olhar esse mapa partidário como se analisasse um projeto de infra-estrutura, o resultado parecerá muito bom para o governo. Nele está marcado um PT menos influente que há quatro anos e um PMDB capaz de preencher lacunas locais sem alterar a aliança federal, como nos casos mais notórios de Salvador e São Paulo. Há também um PSB em fase de crescimento, na sua tentativa de sair da adolescência para a maturidade e ansioso por mais espaço na Esplanada dos Ministérios. E um PSD que não vê a hora de oferecer seu apoio aos projetos do Planalto. No memorial técnico dessa construção, Dilma sairá da disputa com mais votos no Congresso e com liberdade para manejar essa maioria ora com um partido, ora com outro.
Mas partidos são bichos ariscos, que têm cismas e manhas. Os embates entre candidatos da mesma base aliada costumam gerar mágoas duradouras. E, se a disputa de 2012 já produziu algo, foram rompimentos quase irreversíveis. Em São Paulo, o distanciamento político de Dilma liberou Marta Suplicy da campanha de Fernando Haddad, facilitou a histórica foto de Lula com Paulo Maluf, deu asas a Gabriel Chalita e permitiu que Celso Russomano usasse a tevê para largar bem na campanha. Sem ter de prestar contas políticas à presidenta, o PT fez no Recife a lambança de entrar nas prévias com três líderes e sair dela com uma intervenção que jogou dois deles na oposição, em detrimento de um senador que nunca lhe faltou.
Ao decidir ser mais técnica do que política na montagem das chapas, Dilma passou aos partidos o recado de que, primeiro, cada um deve lutar por si, para depois ela premiar os vitoriosos. O problema é que confortar os derrotados é, na política, tão fundamental quanto adular os eleitos. Manter o distanciamento revela-se uma estratégia arriscada. A opção técnica faria sentido num quadro de economia em expansão segura, cujos resultados seriam capazes de dobrar resistências e superar ressentimentos. Mas se o ápice da atual fase de desaceleração acontecer nas próximas semanas, a falta de união entre os partidos da base governista pode ser ainda mais danosa para a presidenta.
E ela, de quebra, contraria a lógica da própria eleição de Dilma, quando o presidente Lula deu uma aula de política. Primeiro, ao unir o PT em torno da sua ministra da Casa Civil, depois ao seduzir Eduardo Campos e engabelar Ciro Gomes no PSB, compor com o PMDB a indicação de Michel Temer para vice e, por fim, forçar o PSDB a ficar com José Serra, o adversário que Lula tinha sonhado para o confronto com Dilma.
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9 comentários | Comentar
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9 Shirley Louzada Brasil 19/09/2012 9:48
o que eu falei, foi o que pensei. não mudo uma virgula. Shirley
8 Shirley Louzada Brasil 19/09/2012 9:46
Falta interesse pelas eleições, o que aliás que ocorrendo a cada uma, por faltar credibilidade aos políticos. Fazem propostas as quais sabem que nunca cumprirão. O interesse deles é manter as coisas como estão: a minoria sempre e cada vez mais privilegiada E O POVÃO SEM NENHUMA MELHORIA DE PESO no: TRABALHO, EDUCAÇÃO, SEGURANÇA E SAÚDE.
Medidas de peso, para alterar substancialmente os quatro tópicos citados, sobretudo emprego para os jovens para tirá-los do domínio das drogas e dos traficantes.
Para mim, continua tudo como antes: votar no menos RUIM, porque nenhum MERECE MEU VOTO SAGRADO E QUE NÃO VENDO POR PROPOSTAS FALSAS. Shirley.
7 Danilo Rodrigues 18/09/2012 19:55
O que acontece, é que o povo finalmente está acordando, quer mudar, ninguém aguenta mais uns abusos cobrança, disso, cobrança daquilo, pensa que é mole desembolsar uma fortuna para viajar 150 km dentro do estado se São Paulo, gastar mais que gasolina, enquanto pagamos o nosso IPVA super caro onde deveríamos ter a melhor estrada do Mundo pelo preço que pagamos.
Pagar taxa de inspeção veicular de algo que está cheio de corrupção, não funciona.
Eu cansei disso, espero que o povo tenha a mesma opinião.
6 MILTON 11/09/2012 13:20
DEUS TARDA MAS NÃO FALHA… ISSO É O QUE ESTA ACONTECENDO NA POLITICA BRASILEIRA, COM A DIMINUIÇÃO DO PODERIO DO PT EM TODO O TERRITÓRIO NACIONAL.
NAS PESQUISAS SOBRE A APROVAÇÃO DO PT, E PRINCIPALMENTE DO EX-PRESIDENTE LULA CAEM SEMANALMENTE..AQUI NO ABC, SOMENTE ESTA GARANTIDA A VITÓRIA DO PT EM SÃO BERNARDO DO CAMPO, PORQUE O SEU ADVERSÁRIO , NÃO TEM UM CURRICULUM A ALTURA .EM OUTRAS CIDADES O PT ESTA EM SEGUNDO PLANO.
5 Morais 02/09/2012 9:10
Acredito e espero que ela tome uma posição em favor do seu partido pois isto é o normal, pois os governadores estão diretamente apoiando os seus candidatos em seus estados, portanto o PT necessita e vai usar o apoio da Dilma que foi eleita pelo PT e é esperada na campanha pelos seus militantes.
4 Moraes 06/07/2012 20:51
Neste momento que antecede as eleições municipais, a presidente pode até exercer e demonstrar sua aptidão política, entretanto no meio de sua gestão à frente do governo, ela certamente age técnicamente diante dos graves problemas de um país contenente.
3 NFS 06/07/2012 20:46
beleza
2 Will Maudo 06/07/2012 20:33
A Presidente não parece ser “técnica”. Parece ser menos fisiologista e menos afeita a alianças com Malufs, Collors, Sarneys, etc. Também parece ser menos adepta do “é dando que se recebe”. Não fosse a presença ostensiva do ex, que tolhe a liberdade dela com sua postura de Senhor do Bem e do Mal, teríamos um governo mais sério. A Presidente precisa se livrar dos grilhões dos políticos que exigem muito dela em troca de apoio para sua governabilidade.
1 Raul F.Gomes 06/07/2012 19:50
Pois é, não deram um roteiro para ela se manifestar e está dando o que seria previsível. Aécio para presidente. Fora PT
Gustavo Moreira 03/09/2012 14:00
Para que? Voltar 20 anos no tempo? Muito investimento em propaganda e marketing e pessoas sem poder aquisitivo adequado para usufruir do que a economia pode oferecer.