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quinta-feira, 17 de março de 2011 Mundo | 19:49

Na tragédia nuclear, a segunda vítima é a informação

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Veja o vídeo abaixo. Nele, o cinegrafista filma a força do tsunami na cidade de Miyako. A câmera se desloca do mar em direção à cidade. Quando chega próxima à avenida, onde três carros se encontram no caminho da onda gigante, a imagem é cortada.

No país em que as pessoas fizeram da câmera de filmar uma extensão do olho, o terremoto seguido de tsunami foi, à primeira vista, exposto de forma ampla, geral e irrestrita: casas, estradas, aviões, barcos, carros, árvores, tudo desceu, água abaixo, nas telas do mundo.

Num olhar mais atento, contudo, nas impressionantes cenas havia de tudo, menos gente. Uma das raras pessoas a aparecer no meio do caos foi essa da imagem abaixo: pano branco à mão na segurança provisória de uma casa ilhada.

Não se trata de mostrar a morte ao vivo. No atentado terrorista do 11 de setembro, agências de notícias e emissoras de televisão optaram por não disseminar nem exibir imagens de pessoas desesperadas nos andares mais altos, fugindo do fogo num salto para o vazio. Seus corpos, estendidos ao chão, não ampliariam o drama humano, nem dariam sentido diferente ao terror dos atentados. O drama foi exaustivamente contado pelos parentes das vítimas, pela história dos bombeiros arrastados pelo desabamento, pelos sobreviventes.

Mas a escassa presença de gente nas imagens do tsunami,aliada às desencontradas informações sobre a extensão do acidente nuclear na planta de Fukushima, indica um jeito muito particular dos japoneses lidarem com suas tragédias. No caso do tsunami a omissão significa respeito aos que não conseguiram escapar a tempo. Mas o vazamento nuclear não pode merecer o mesmo tratamento. Nesse caso, omissão é irresponsabilidade.

Se governos estrangeiros indicam que a situação é pior que a informada oficialmente, as autoridades japonesas deveriam, no mínimo, abrir suas instalações para uma comissão independente dirimir a dúvida. Com o tempo, a história de Fukushima será contada em sua verdadeira magnitude. Mas se na guerra, a primeira vítima é a verdade (porque a mentira das autoridades vem antes dos embates armados), na tragédia nuclear japonesa ela é a segunda, imediatamente depois das vidas perdidas no maior terremoto da história do país.

Autor: Luciano Suassuna Tags: , , , , , , ,

15 comentários | Comentar

  1. 15 Carlos 25/03/2011 8:56

    Não vou repetir nada do que já foi corretamente dito aqui anteriormente. Apenas acrescentar que o governo japonês, diferentemente dos governos americanos e alguns europeus, tratam sua população com um respeito e seriedade de uma forma ser seguida por vários países (alô Brasil). Aqui um governante tem um compromisso muito sério com a população. Nesse sentido, é claro que notícias alarmantes que, no momento, só serve para alarmar e atrapalhar ao invés de informar e garantir a segurança da população serão e devem ser omitidas.
    Como eu disse p/ alguns brasileiros desesperados aqui “se o primeiro ministro e seus ministros envolvidos estiverem escondendo informação que comprometa segurança da população, eles serão futuramente severamente punidos pela justiça”. Mesmo que as intenções sejam boas, a sociedade japonesa não aceita atitudes que violem os seus direitos. E a pressão em cima dos políticos é tão forte que leva os mesmos até a cometerem suicídio, pois eles são mau vistos pela sociedade como um todo e não suportam a desonra (sim, aqui essa palavra ainda é forte e políticos daqui levam a sério, já os do Brasil… nem sabem o que é).

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  2. 14 Suely Y. N Takeguma 19/03/2011 23:12

    Infelizmente a mídia tem dois lados tal qual a moeda, ao tempo que ela informa em tempo real, ela também destrói em tempo real.

    Sou brasileira e por compreender o idioma japonês compreendo o que o mundo chama de omitir informação nada mais é do que a tentativa frustrada dos meios de comunicação em dar uma notícia em primeira mão, o que me deixa indignada.

    O que acontece que é que o maior inimigo em uma situação que estamos passando aqui no JP desde o ultimo dia 11, é o pânico. Uma informação mau veiculada gera boatos não confirmados, que conseqüentemente pode vir a gerar o pânico. O pânico por sua vez faz com que as pessoas hajam de forma impensada conturbando suas atitudes.

    Admiro e vejo que toda mídia japonesa, tem informado desde o início da catástrofe inúmeras informações, sempre respeitando acima de tudo uma importante regra que todos que vivemos aqui aprendemos nos treinamentos de prevenção à catástrofes, ouvir os alertas com atenção, dirigir-se a locais seguros para salvar suas vidas, agir com cautela e não gerar pânico, pois este é o maior inimigo logo após a catástrofe. O pânico gera atitudes que fazem com que o resgate de possíveis sobreviventes atrasem e o que adianta saber de notícias se não houver quem possa usufruí-la?

    Infelizmente, na minha opinião, é a mídia internacional que tem gerado o pânico nos estrangeiros locais, por mais que eu confie e acredite nos trabalhos incessante daqueles que estão arriscando suas próprias vidas, na tentativa de superar o problema da Usina de Fukushima, por mais que a impressa local divulgue que as taxas de radiação informadas em determinada áreas são em níveis que não apresentem riscos ao ser humano, por mais que todos se esforcem em salvar o maior número de sobreviventes, enquanto o mundo não compreender que o momento é de união em prol de resultados melhores, infelizmente (o mundo)não vão compreender o que esta sendo feito pelo Governo Japonês nem pelos técnicos responsáveis pela Usina. Se há alguma omissão quem iria arriscar suas vidas em tal desastre?

    Se querem uma notícia que ainda não lí em nenhuma matéria internacional, seria interessante abordar que em momento algum viu-se saques a mercados, roubo de comida, invasão desordenada e atropelos em abrigos, isto que esta acontecendo aquí e agora chama-se educação, treinamento e respeito ao próximo. Desabrigados em alojamentos comem (quando lhe chega às mãos) um oniguiri (arroz compactado) agradecendo e chorando por outro que possa não ter tido a mesma sorte, quem tem combustível deixa de fugir do local com seu veículo para dividir o pouco que tem para aqueles que precisam ser transportados, em casos de problemas médicos como parto, ferimentos e doentes que necessitam de tratamento constante como hemodiálise, estes sempre receberam e receberão prioridade, sem revolta de ninguém que vive aqui.

    Não bastasse o problema natural (catástrofe), o medo, e a privacidade dos que estão na região Tohoku, sabemos que a cada dia esta ficando mais claro que existe a possibilidade de mortes provenientes de um segundo fator que é o stresse,e esgotamento das pessoas em situações pecarias nos abrigos, a dificuldade na chegada de medicamentos a pessoas necessitadas e a necessidade de deslocamentos entre um e outro abrigo.

    Desejo do fundo do meu coração uma ponderação da mídia internacional em relação ao sensacionalismo, e desejo que ao invés de questionarem se estão ou não escondendo algo que divulguem cada palavra de conforto, cada apelo de ajuda, cada letrinha que ajude a salvar a todos, inclusive os que como eu, vivendo em área distante do acidente, derrama lágrimas a cada grãode arroz que comemos.

    Me orgulho de ser brasileira, mas pela acolhida que recebo neste país já fazem 22 anos, me sinto na obrigação de fazer este comentário, um tanto longo peço desculpas mas, que desde que senti o reflexo do sismo estando distante 870 kms, não durmo, não me alimento direito e tão pouco consigo ter resultados em tratamento que faço num hospital onde estou internada. Desde então, depois de confirmada a segurança de meus familiares (marido e filhos) permaneço no PC traduzindo os noticiários (TV JP) mais importantes na tentativa de auxiliar conterrâneos a conter o pânico. Espero que estas linhas, escritas com inúmeros erros ortográficos mas com um verdadeiro sentimento de apelo chegue a alguém que como eu compreenda a necessidade de frear boatos e noticiar verdade.

    Agradeço este espaço para comentários e peço desculpas por desabafar, mas muitos brasileiros aqui no JP passam por situações semelhantes à minha, além do medo, mesmo informando às nossas famílias no Brasil, que estamos bem, alguns entram em pânico e se desesperam para que regressemos, se afastando do JP. O momento não é este, ainda há muito para se fazer, muito para ajudar e muito para retribuir a este povo que jamais vai esquecer esta catástrofe.

    Mais uma vez obrigada pelo espaço e minhas desculpas por tão longo comentário, que Deus abençoe e proteja este tão importante trabalho que é a mídia.

    Uma Nippo Brasileira de Nome Suely.

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    • AMANDA 29/03/2011 18:34

      Nossa surpresa com tudo q escreveu.. AS mais puras e verdadeiras palavras q já li desde o acontecimento… Parabéns…

  3. 13 Ricardo Marcello 19/03/2011 14:03

    Que alguns fatos foram omissos da população japonesa e talvez da comunidade científica, eu até acredito. Porém, existem informações que realmente não devem ser levadas à público, até mesmo por questão de segurança, para não gerar pânico generalizado. Quando USA e Europa, se pronunciam, dizendo que a situação real não é essa que o governo japônes apresenta, talvez, se olharmos nas entrelinhas da história, veremos que eles se argumentam baseados em suas próprias histórias de relacionamento com seus próprios povos. Ou seja, mentiras.
    Até mesmo pelo histórico da experiência única que o povo japônes viveu no caso das bombas nucleares e pelo respeito que o governo japônes tem com o cidadão comum, não acredito que o governo esteja sendo tão omisso neste caso. Ressalto até que, o governo está de parabéns pelas suas ações diante de tão monumental catástrofe. Voces não tem ídeia de como tudo isto ficou realmente. É muito fácil atraves de vídeo e fotos analisar os fatos, dar palpites ou até mesmo sugestões. Só estando aqui para se ter a real dimensão dos fatos.
    Muito se foi dito, mas há pouca sensatez nos discursos.
    E se fosse por aí. Tem muita gente morrendo por consequencia das chuvas e não é de hoje, não é deste verão, e o que a gente vê é um total despreparo e desrespeito do governo brasileiro e da população em geral.

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  4. 12 Persio Alcauza 19/03/2011 10:32

    “autoridades politicas” dizerem a verdade ???? conversa mole, só dizem o que querem mostram o que querem que vemos, no ínicio a explosão do reator não causaria problema algum, estranho mas foi o que disseram, agora o problema passou a ser um “probleminha”, isso pq foi no japão, onde, dizem, há respeito pelas pessoas, DIZEM……….

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  5. 11 Diva Marangoni Figueiredo 19/03/2011 8:47

    Numa tragédia de tamanha proporção necessário seria um retrato fiel dos fatos, pois temos que aprender com eles e evitar repetição. Se sonegados, há agressão ao direito de informação, e, o que é pior: ao direito à liberdade de apreciação e manifestação.
    Coloco uma questão: o tsunami é um fenômeno natural, sempre existiu, por isto temos que nos resignar ? Não podemos nos defender dele preventivamente? Ele é da natureza, mas as construções na orla, objetos de sua fúria, não podem ser evitadas? Porque avançar mais e mais para o mar adentro? Por não recuar? Se o homem pode medir a extensão de uma onda gigante, porque não medir a distância para salvar vidas?
    Poder, poder ou desvalorização da vida?

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  6. 10 Rose 19/03/2011 0:26

    Por falta de informações verdadeiras quantas pessoas morreram em Chernobyl?
    E quantas ainda poderaão morrer aqui no Japão?
    Acho que não se trata simplismente se sensacionalismo barato, mas de mostrar a real proporção do risco que todos corremos aqui.
    Esconder informações, seja ela mostrando corpos mortos ou não, deixa toda uma população exposta a uma tragédia ainda maior.
    Só pra lembrar: o povo japones confia no sistema e nós estrageiros temos um um país pra onde retornar, e eles?
    Quantas pessoas perderam muito mais que suas casas e bens pessoais?
    Se as informações não forem claras e corretas quantos mais ainda vão perder?
    Quantos corpos mais ainda serão omitidos nas imagens?

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  7. 9 Vicente 18/03/2011 17:38

    Pelo que podemos observar, construir usina nuclear é como alimentar um monstro assassino. Enquanto o sistema funciona, ele se comporta de forma formidavel, insubstituivel na sua categoria; porem se algo der errado…… Assim pensamos que as usinas hidreletricas são de longe mais viavel. Mas ja parou pra pensar, uma usina do porte de itaipu, por ex:, for submetida a um terremoto de proporçoes identicas, quais as consequencias? Os lideres mundiais deviam se preocuparem mais com o planeta daqui pra frente, e considerarem que o globo é um corpo fragil no espaço, sujeito a ações do seu proprio interior e açoes que podem vir do espaço.

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  8. 8 Ton jp 18/03/2011 15:45

    Não é q as informações sobre o desastre nuclear são escassas e desencontradas, relatórios diários são transmitidos em rede televisiva todos os dias no japão. E a cada novo fato, todas as mídias japonesas os divulgam. Porém, claro tudo é em japones.
    Tudo esta sendo divulgado, acontece que a situação foi piorando com o passar do tempo…(explosões, evaporação de água, etc)
    E ainda bem que não a mídia japonesa não divulga imagens de pessoas mortas; não só por respeito mas simplesmente porque CRIANÇAS assistem tv.

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  9. 7 Cristina 18/03/2011 10:43

    Eu concordo com a matéria. Sou formada em Radiologia e estudei muito Chernobyl. Não concordo com o uso da Energia Nuclear desta maneira, em larga escala justamente por simplismente já estar mais que comprovado que não conseguimos ter o controle sobre ela. Há omissão sim das autoridades. A mídia não está exagerando neste caso, pelo contrário, está auxiliando a desmascarar quem quer encobrir o desastre nuclear.

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  10. 6 Roberto Fonseca 18/03/2011 10:30

    Os orientais, principalmente os japoneses, se dizem organizadíssimos. Entretanto, sem as devidas informações que essa tragédia nuclear requer, isso já os deixa num segundo plano organizacional como eles pretendem mostrar ao resto do planeta. Como todos nós sabemos, eles são os mestres dos segredos guardados à 07 chaves entre si. Nesse momento, eles deveriam explanar, da melhor maneira possivel, o que realmente está ocorrendo com esses reatores os quais eles querem minimizar o que poderá ocorrer com a população japonesa e, via de consequências, com os paises que serão possivelmente afetados com esse tipo de vazamento.
    RF

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    • massayuki nakayama do japão 21/03/2011 0:45

      o povo japones é a nação mais organizada do mundo, deveria conhecer essa cultura, os japonese é modelo de humildade, de sabedoria, de respeito humano, de educação, enfins melhor que muitos criticos que não tem conhecimento de causa, vive a criticar a desgraça alheia.

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