O risco de o PT virar PMDB
O nome do lugar do evento não poderia ser mais sugestivo: Centro de Convenções Brasil 21. O momento também não poderia ser mais propício: o auge das negociações para indicação dos políticos que formarão o novo governo. É com olho nesse futuro imediato que, na manhã dessa sexta-feira, 19 de novembro, o Partido dos Trabalhadores reúne em Brasília os 81 integrantes de seu diretório nacional. O encontro será aberto pela presidenta eleita Dilma Rousseff e sucedido por outro, à tarde, com os 21 membros da executiva nacional. Os dirigentes estarão lá para definir, digamos, as oportunidades estratégicas para o PT, mas a ansiedade de cargos vivida por muitos de seus líderes traduz na realidade um risco no médio prazo: o de o PT, no lugar de modificar o PMDB, começar a se assemelhar a ele.
A peemedebização do PT é um processo facilitado pelo término do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sem a constante presença do líder popular, os parlamentares do PT tendem a ver na máquina pública a melhor alavanca para, na próxima eleição, garantir os prefeitos que, por sua vez, irão assegurar o apoio à recondução de mandatos de deputados e senadores.
Assim se move a roda-viva da maioria dos partidos, mas ela é praticamente lei no PMDB: quanto mais prefeitos tem um parlamentar, mais forte ele é. Quanto mais forte ele for, mais cargos poderá pleitear. Quanto mais indicados tiver nos ministérios e nas empresas estatais, mais recursos levará para as cidades de seu Estado. E quanto mais recursos levar, mais prefeitos fará na eleição seguinte.
Há oito anos o PT desembarcou em Brasília, após uma longa vida na oposição, procurando nomes com capacidade técnica e experiência para tocar o dia a dia da máquina pública. Dilma Rousseff, por exemplo, chegou indicada por um dos grandes amigos de Lula, o ex-governador Olívio Dutra, pela sua passagem no governo do Rio Grande do Sul. Hoje, o partido tem confiança nos quadros que produziu e eles são muito mais numerosos que antes.
No PT, a presença de Lula não abrandava necessariamente o desejo por cargos, mas servia de paliativo a descontentes. Havia frequentemente uma luta pela simpatia do presidente, já que ela garantia apoio no partido, sustentação do governo e transferência eleitoral. A capacidade de articulação de Lula fabricou candidatos, como em São Paulo, e sepultou candidaturas, como em Minas Gerais. Seu nome era elemento de convencimento eleitoral: levar o presidente ao município, aparecer com ele no horário eleitoral e tê-lo como padrinho serviu de garantia para uma boa largada na eleição. Assim, podia-se ser bem sucedido nas urnas sem que para isso fosse necessário ter muitos cargos ou verbas.
Ao final do mandato, Lula estará aí, e ele já indicou que continuará fazendo política partidária. Mas sem o poder de retaliação imediata da máquina do governo, seu peso será menos decisivo nos embates internos. Ficará mais difícil convencer o PT de Minas, por exemplo, a abrir mão de uma candidatura viável em favor de um nome de outro partido.
É por isso que muita gente no PT anda tão ansiosa. Já são quatro os nomes do partido que desejam se lançar à Presidência da Câmara. E todos foram surpreendidos pela jogada do PMDB de montar um blocão com partidos menores para voltar a ter, no plenário da Casa, a maioria que perdeu nas urnas.
No manual do parlamento, ensina-se que existem os cargos de poder, de visibilidade e de dinheiro. Apenas como exemplo: ministro-chefe da Casa Civil é um cargo de poder, líder do governo no Congresso é de visibilidade e diretor financeiro de algumas estatais fica na terceira categoria. As presidências da Câmara e do Senado reúnem os três benefícios.
Ter sob seu controle o maior número de cargos e verbas passa agora a ser o melhor caminho para a bancada do PT enfrentar a queda de braço com os outros partidos da coalizão governista, especialmente PMDB e PSB. No primeiro round, o PMDB ganhou com a formação do “blocão”. Pode ser que o PT use a reunião dessa sexta-feira para deflagrar uma revanche usando as mesmas armas e apetite. Nesse caso, a derrota, além de má conselheira, será elemento catalisador do processo de peemedebização do PT.
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25 Lauro 23/12/2011 8:57
O PMDB nunca apresenta candidatos a presidente porque não quer se responsabilizar por absolutamente nada. Quer viver à sombra do poder. Sabe que tem diretórios em todos os buracos deste imenso país e que nenhum outro partido , neste sistema fajuto que aqui impera, pode governar sem seu apoio (que custa caríssimo para o país). Vide os segundos governos tanto de FHC quanto de Lula, o PMDB é a praga do Brasil, o atraso em forma de partido.
24 MARCOS GARCIA 24/08/2011 8:28
O PMDB é partido furta cor, transveste-se de várias tonalidades, cada eleição é uma cor diferente. Se um dia eles lançarem candidato a Presidente, coisa que eles nunca farão,o povo saberá julgá-los adequadamente, porque sabe quem é que habita nesse trem.
23 Domingos Augusto Luxo 07/12/2010 9:44
O PT “caiu” na armadilha do balaio de “raposas velhas” , diga-se PMDB. Vão pagar um alto preço por essa aliança, a grande maioria dos integrantes do PMDB só estão interessados em cargos e poder paralelo. Pergunto: como pode o maior partido da América Latina, há muitos anos não lançar candidato a presidência da República? O objetivo deles é outro: poder na sombra, sem dar a cara para bater.
22 Heitor Rodrigues 07/12/2010 1:47
O articulista deve estar à serviço da oposição. PT e PMDB fecharam acordo para dividir a Presidência da Câmara. Ao PT caberão os anos de 2011 e 2012, e ao PMDB os dois subsequentes. Daí que o texto – sem noticiar um fato sequer, e que não passa de elocubração do articulista – faz apenas juízo de valor sobre a atividade política, e na direção de desqualificá-la, tal como é a praxe da imprensa brasileira, que não tão espelho e não enxerga a própria cara.
21 rogerio 19/11/2010 20:02
Eu acho que a imprensa adora uma fofoca mesmo onde não há fofoca. Engraçado, não vejo ninguém falando da aliança duradoura do Demo com o PSDB. Os democratas são piores que o Pmdb!! Parabéns para o PT que assume governar em cunjunto.
20 Mário Leão 19/11/2010 19:46
Há vários anos que o PMDB somente tem coragem de lutar por cargos e não de apresentar canditado à Presidência.
Assim aconteceu nessa última eleição, notadamente, com Michel Temer, o cacique do Partido, que somente almeja cargo, apoiando tem está no poder. Ele o seu Partido não constroem nada: somente vivem à sombra de quem está no poder, nem que para isso tenham que vender a alma ao diabo.
A gula ao PT por tantos cargos está começando e não me surpreende.
Parabéns pelo artigo! Bastante elucidativo e esclarecedor!
19 Laura Simoes 19/11/2010 17:13
Eu acho que o PMDB não entrou na chapa do PT para ser o mandado e sim o mandante. Desta desputa de braço quem ganha lógica será o PMDB para ser o Partido em 2014 o candidato á Presidência. Hoje eles estão na mesma mesa e daqui 4 anos estão em lados opostos. Laura
18 Jander 19/11/2010 16:35
Essa é uma publicação de extrema qualidade e caráter jornalístico. Sem a intenção de influenciar o leitor, mas de informar. E realmente atingiu o grande objetivo, pois as informações contidas não passam da pura realidade. Parabéns pelo trabalho e obrigado pela prestação de serviço a sociedade.
17 JORGE ANTONIO DA SILVA 19/11/2010 15:47
SE O PT VIRAR PMDB É O FIM DA DEMOCRACIA.
16 Wagner Luis Weber Weber 19/11/2010 15:28
Ah como Florestan Fernandes deve estar se revirando em seu túmulo!…