O que esperar do horário eleitoral?
O primeiro programa do horário eleitoral gratuito deu a dimensão do que vem por aí. E, como nas últimas pesquisas eleitorais, o resultado é pouco favorável ao candidato do PSDB, José Serra.
Está claro que a candidata do PT, Dilma Rousseff, tem três pontos a atacar, todos eles capazes de resultar em avanço nas distintas faixas do eleitorado.
Suavização da imagem – Desde o início da campanha, sua fisionomia, figurino, postura e gestos se contrapõem à imagem de gerentona do PAC. No horário eleitoral, será popularizada a Dilma que pouca gente conhece. Apresentar uma candidata mais amigável, revelar sua face humana, é uma obrigação de qualquer campanha. Mas Serra fez isso em várias ocasiões. Nacionalmente em 2002, para prefeito de São Paulo em 2004 e para governador em 2006. Pelo grau de desconhecimento anterior, o retoque do marketing deve surtir mais efeito na candidata do PT. A suavização da imagem serve sobretudo para a conquista de um eleitor de mais escolaridade e de maior renda, as duas categorias onde a percepção positiva de Dilma é proporcionalmente menor que a de Serra.
Ampliação da taxa de conhecimento – Com quase 50% mais tempo de tevê do que Serra, Dilma será finalmente conhecida do grande público. O eleitor que se acostumou com a democracia e usa a primeira semana de horário eleitoral para começar a decidir o seu voto será apresentado a uma candidata com quem ele nunca teve intimidade. Mas ela surge com credenciais políticas, apoios, números e obras de um governo bem avaliado. Esse bloco de eleitores em busca de informação é integrado por um bom contingente da classe C. Menos conhecida que Serra, Dilma tem muito mais a ganhar nessa faixa do que o candidato do PSDB.
Transferência eleitoral do presidente Lula – Quando se olha os dados da consulta espontânea da pesquisa Vox/Band/iG, Lula ainda tem sete pontos percentuais no Nordeste. Sempre haverá um resíduo para a margem de erro, mas existe uma massa de cerca de dois milhões de eleitores que ainda querem Lula e saberão, ao longo dos próximos 45 dias, que sua candidata se chama Dilma. É um ataque direto a um pedaço das classes D e E. Apenas como comparação, esse universo de votos corresponde à metade do que o PSDB abriu em relação ao PT no Estado de São Paulo, na disputa presidencial de 2006.
O que sobre então para José Serra?
O problema de José Serra, como atestaram as pesquisas anteriores ao horário eleitoral, é uma taxa de conhecimento e aprovação já bastante alta. Serra largou de um patamar elevado, uma prova do bom desempenho que teve como parlamentar, ministro, prefeito e governador. Mas por isso mesmo, a propaganda eleitoral pouco lhe serve para melhorar a imagem ou ampliar o conhecimento. Sua imagem é boa e o conhecimento é amplo. Salvo um tropeço involuntário da própria Dilma ou do governo, restam agora duas opções para Serra recuperar o terreno perdido nas intenções de voto: ou aposta numa campanha mais emocional e/ou investe em ataques mais objetivos contra a adversária. A segunda alternativa é a opção de alto risco. Mas reside aí o dilema da campanha a partir de agora.
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12 comentários | Comentar
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12 Maura 19/09/2012 0:00
Não tenho duvida da importância da mulher nas carreiras políticas, a entrada da presidenta Dilma na campanha para a prefeitura de São Paulo deu o tom da campanha atual e até mesmo para 2014.
11 Azus 18/09/2012 20:32
Esperar absolutamente nada desse horario eleitoral, pois os candidatos que ai estão, sem excessão são todos mentirosos, incompetentes, ladrões e corruptos e não possuem planos algum de governabilidade, pois vomitam um monte de baboseiras em seus discursos ‘que não são de suas autorias , mas sim das massas encefalicas falidas de marqueteiros picaretas que estão cada vez mais milionarios, com essas campanhas mentirosas
10 m,auro rosalino leite 18/09/2012 19:42
esperar o que ? são sempre os mesmo,mesmas promessas,mesos desvios e esta lei eleitaral so favorece aos mesmos , por isso não voto anulo sempre
9 alfredo 19/08/2010 19:25
O jornalista apontou com muita precisão os vários caminhos da campanha eleitoral. Mas, ao ser opinativo quanto ao desempenho de Serra nos cargos que ocupou (considerou bom), deixou de levar em conta que a rejeição do candidato tucano se deve justamente por suas falhas na administração pública. Um de seus pecados foi mentir ao eleitorado, quando disse que seria prefeito até o fim do mandato. Não foi. E no único ano de prefeito, desdenhou alguns projetos deixados pela antecessora. Como os viadutos sobre o rio Pinheiro. Mas acabou fazendo algo igual e mais suntuoso. Como governador, deixou a segurança pública, o atendimento nas delegacias piorar. Espera-se horas por um boletim de ocorrência mesmo quando a delegacia está vazia. E na educação, criou um quadro de insatisfação entre os professores. O PSDB errou ao impor um candidato de SP ao Brasil (outra vez), quando tinha a opção do energico e jovem mineiro Aécio. Agora, a conta do erro arrogante está aparecendo.
8 José Bezerra Sampaio 18/08/2010 10:30
É muito ruim para nosso País, a cultura de um político do executivo, após ser eleito por um partido adversário do anterior, destruir tudo o que o anterior construiu, ou em alguns casos, abandonar e tentar criar um sistema novo que despreze as obras já implantadas. A nossa constituição deveria estabelecer regras para que seja aproveitado tudo de bom que os políticos anteriores construiram. Por esse motivo a maioria dos brasileiros está pronto para eleger um político que mantenha, melhore e amplie os benefícios implantados pelo presidente Lula, exatamente por ele ter feito uma administração voltada para o povo.
7 Nilton Magalhães Santos 18/08/2010 10:06
A análise que faço em relação ao PSDB ,é que um partido que não tem nehuma identificação com o nordeste, não tem projeto de governo voltado para essa região, quando governou o pais por 8 anos o que fez pelo nordeste? Absolutamente nada a não ser agradar aos coroneis da região, hoje paga o preço por discriminar essa região.
Nilton Magalhães Santos
Cientista Social
6 Rose 18/08/2010 9:36
Me desculpe, mas sua matéria me parece um tanto petista. Achei pobre o programa eleitoral ontem, num geral…mas pior foi o do pt…era Lula elogiando Dilma e Dilma elogiando Lula.
Q Deus nos proteja nessa próxima eleição
Maura 19/09/2012 0:18
Você deve fazer parte da elite burguesa de São Paulo e por isso não percebeu o quanto o País mudou na ultima década, é uma pena!
5 OTO DE BARCELOS 18/08/2010 7:20
Acho que as análises e comentários sobre as possibilidades de êxito bipolarizadas entre Serra e Dilma, são um equívoco.
Entendo que, existem eleitores que não foram pesquisados e que podem decidir esta eleição.
A colocação da candidata Marina Silva, portanto, não pode ser esquecida.
4 francisco rodrigues pedrosa 18/08/2010 1:32
Aeleição presidencial no Brasil se decide em jogos de marketing, não mais na consciência crítica do eleitor. isso é uma vergonha!
Serra e Dilma não apresentam, para mim, grandes diferenças, mas o PT adora dizer que é algo novo, como se tivesse vindo do espaço sideral.
3 edilson pereira 17/08/2010 22:00
Tal dilema exigirá sabedoria ao traçar planos de reações Tucanas dos próximos capitulos.Tamanhas serão as dificuldades que a novela da escolha do vice deixará saudades frente ao problema do, nosso suposto “Zé”.Me parece uma crise de identidade.Como fica o fiel eleitor “classe média” avesso as peripécias “esquerdistas” das quais nem se atreveram ainda a falar ? Se sentirá a vontade com um presidente que belisca churrasquinhos e toma pingados nos becos e botecos suburbanos frequentados até então pela tal “esquerda”(vão ressucitar esses termos sim,aguardem)?
Que fique registrado que bons churrasquinhos e pingados suburbanos fazem parte da minha vida.Quero assistir o desfecho dessa trama torcendo para que ,seja ele qual for, se deixe guiar pela ética e pela sabedoria.