
Fringe Science ou ciência marginal é um estabelecido método de pesquisa que foge completamente do ortodoxo, introduzindo conceitos avançados que não são oficialmente reconhecidos como “boa ciência” por falta de provas ou confirmação de sua existência. Podemos citar regeneração avançada de tecidos, telecinese, clarificação de células, controle de mente e até mesmo reanimação de cadáveres como estudos exemplares. O LiGado em Serie teve acesso ao screener da mega produção de J.J. Abrams, que tem início em um horripilante incidente ocorrido no vôo 627 que seguia de Hamburgo para Boston, onde todos os 147 passageiros apareceram literalmente derretidos e desintegrados. Na tentativa de descobrir o que aconteceu, são acionados os agentes do FBI Olivia Dunham (Anna Torv) e John Scott (Mark Valley, Boston Legal), pois aparentemente o caso se tratava de um ataque biológico terrorista.

Mas no avançar da investigação vamos descobrindo junto com Olivia que outras ocorrências bizarras como esta vêm acontecendo ao redor do mundo, no que é referido como o padrão: desde um paciente que acorda do coma revelando segredos militares até mesmo crianças que desapareceram por anos e reapareceram sem envelhecerem um só dia. Por isso, ela precisará da ajuda do Dr. Walter Bishop (John Noble), um cientista acadêmico que está internado há 17 anos em um manicômio, mas que em sua melhor época especializou-se justamente em realizar experiências no campo da ciência marginal. Para isso, ela se vê obrigada a persuadir o único parente do doutor: seu filho Peter (Joshua Jackson, Dawson’s Creek), que ressente o obscuro passado de seu pai, mas é o único que pode dar acesso a ele. Com óbvias semelhanças a LOST, a série tem um interessante começo, mas que inevitavelmente esbarra em um dos mais recorrentes clichês do gênero “drama de mistério”: uma poderosa companhia que está por trás de tudo.

A Massive Dinamics em Fringe é uma espécie de Hanso Foundation moderna e ainda mais poderosa, que sob a fachada de uma empresa multibilionária, desenvolve diversas soluções médicas e esconde informações mais sigilosas do que as do próprio governo americano. Por isso, se você não gosta de “série sem respostas” passe longe deste drama, pois durante os 81 minutos do piloto, restou imperiosa a noção de que sempre estaremos presenciando “a ponta do iceberg”. Também não teremos aqui personagens carismáticos ou doses de descontração como ocorre na ilha dos perdidos. Fringe segue um ritmo frenético, mas completamente voltado para a obscuridade, sempre com cenas intimistas e visualmente carregadas. A trilha-sonora é de Michael Giacchino e muitas vezes é exatamente idêntica a que ouvimos em LOST, demonstrando certa falta de inventividade do compositor (e não adianta vir com essa de “homenagem”).

Por fim, cumpre ressaltar que embora eficiente, a direção de Alex Graves tende a ser esquemática e mecânica, mostrando sempre o que nós esperaríamos ver em uma série como essa (inclusive na nada original seqüência que se passa em um “sonho controlado”), com exceção da excelente cena inicial do incidente no avião e das perseguições. Mesmo assim dá pra esperar que Fringe seja o grande sucesso da próxima temporada, pois possui elementos positivos suficientes para criar uma aura de cultuação – aquela concepção gráfica dos caracteres na tela é brilhante – com um clima de mistério antes visto com tanta intensidade numa série de TV somente em The X-Files. Aliás, tirando a temática extraterrestre (que não deverá ser abordada aqui) a série poderia até mesmo ser um spin-off do clássico de Chris Carter, pois assumidamente segue seus passos. Fringe estréia no segundo semestre na TV americana, ainda sem previsão de exibição no Brasil.
Cotação Bruno Carvalho: 



Fringe Preair: exibição teste e não definitiva do piloto da série. A cotação poderá variar caso ocorram modificações significativas na versão que for exibida na TV.