Dr. Linus
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(LOST “6×07: Dr. Linus”) Ainda que os flash-sideways permaneçam um mistério nesta temporada, percebi que neste excelente Dr. Linus eles serviram para complementar a narrativa na ilha e não apenas para ratificar o que sabemos sobre as personagens como acontecia nos anteriores. Benjamin Linus, o homem por trás da purgação e de grandes mortes como a de Jacob, invariavelmente é um sujeito com boas intenções. No entanto, apesar de idealista e ambicioso, vimos aqui o quanto ele também é facilmente corrompível pelo “mundo externo”. Em maior ou menor escala ou, se preferirem, dentro ou fora da ilha, Ben se guia em parte por seus ideias, mas não é forte o suficiente para seguir por sua própria conta. Daí a necessidade dele sempre se apoiar em líderes (também em maior e menor escala) que alternam de Richard Alpert a Jacob e/ou de UnLocke à Ilana. Ben, como eu disse, é um ser com boa índole, porém um ser fraco. E é justamente a influência dos “outros” que desenham a tênue linha que o leva a cuidar de seu pai ou assassiná-lo a sangue frio e, até mesmo, salvar sua filha ou permitir que ela seja morta por um mercenário. Ele é uma das peças mais complexas deste jogo, parte graças ao excepcional trabalho de construção de personagem feito pelo talentoso ator Michael Emerson.
Mas Dr. Linus foi além deste interessante estudo de caráter. Já no flash-sideway tivemos a primeira citação da ilha e da Iniciativa Dharma feita por Roger, revelando que em algum momento ele deixou a oportunidade pra trás com seu filho. Ou seja, o poderoso pedaço de terra no meio do pacífico também teve alguma importância naquela realidade (e isso pode vir, de alguma forma, a ser a chave para conectar as narrativas desconexas). O episódio ainda avançou significativamente com Jack e sua fantástica conversa com Richard Alpert no Black Rock, evidenciando que Jacob conseguiu exatamente o que queria: estabelecer o doutor como o maior dos candidatos ao posto de guardião da ínsula, agora que ele não apenas acredita, como também tem certeza que não está ali à toa (seinti nele um ar de Neo, de Matrix, por incrível que pareça). Adeus de vez ao homem da ciência. Muito bom também perceber que pequenas histórias vão ganhando seus desfechos aqui e ali como foi o caso dos diamantes de Paulo e Nikki encontrados justo por Miles através de seu dom. É claro, contudo, que o maior acontecimento deste capítulo veio mesmo em seus segundos finais (em grande parte estragado pelos créditos do início do episódio) com o submarino de Charles Widmore – o homem que retorna para reclamar o que um dia foi seu. Assim como todos os episódios de Ben, Dr. Linus foi um marco definitivo e importantíssimo nesta temporada e confesso que pela primeira vez em muitas semanas volto a ficar inteiramente empolgado com a série.
Cotação Bruno Carvalho: 






