
(LOST “6×01 LA X, Part 1, 6×02: LA X, Part 2″): Obrigado por voar com a Oceanic Airlines. Ajuste seu assento na posição vertical, trave a bandeja à sua frente e aperte os cintos. Há oito meses, quando Jack Sheppard decidiu jogar com o destino de toda a ilha convencendo seus companheiros de que a saída para o dilema temporal seria detonar a ogiva, nós perguntamos: o que acontecerá? Para a surpresa de uma imensa plateia espalhada pelo mundo, testemunhamos o início de temporada mais definitivo, determinante e surpreendente de LOST. Jack e todos os sobreviventes voltaram a ser meros passageiros de uma aeronave seguindo corretamente seu plano de vôo, até mesmo porque nunca sofreram o acidente do qual iriam sobreviver. A ilha não passa de uma ruína submersa esquecida pelo tempo, com todas as suas mitologias e mistérios confinadas pelo incomensurável peso do Pacífico. Ah, já ia me esquecendo. Para a surpresa de uma imensa plateia espalhada pelo mundo, testemunhamos também Jack, Sawyer, Kate, Juliet, Hugo, Jin, Sayid e todos os demais – agora sim, sobreviventes – de volta ao presente da ilha, que mantém viva todas as suas mitologias e mistérios. E é na maior e mais incompreendida reviravolta narrativa da série que oito meses depois passamos a perguntar: afinal, o que aconteceu?

O homem de ciência, com as suas certezas e teorias, explicará criando uma tal caixa, colocar veneno nela e um gato para expor através da mecânica quântica que estamos diante de um paradoxo cujo colapso somente virá no momento de sua medição. Enfim, ele vai tentar explicar de forma lógica que ele não sabe. O homem de fé, com seus princípios e incertezas, acreditará que “o que aconteceu, aconteceu” e que ele, em sua humildade e insignificância, também não sabe. Como o Jack prepotente e agitado pode coexistir com o Jack sereno que aprendeu a aceitar o irreparável? Em LA X ambas realidades nos são apresentadas e o que é mais ultrajante: não nos disseram qual é a que vale. E afinal, qual é a realidade mais trágica? Qual é a mais aceitável? Qual é a menos dolorosa? Até que ponto devemos nos preocupar com o desejo sanguinário de vingança de Sawyer após perder sua amada Juliet pelo plano de Jack ou sorrir com a inocência do golpista ao ajudar a morena sardenta a fugir de seu captor no saguão do Aeroporto Internacional de Los Angeles? Esqueçamos flashbacks, flashforwards, o que quer que seja.

Pelo 5º ano consecutivo, LOST não simplesmente muda ou reorganiza as peças que estão no tabuleiro, como também muda o tabuleiro! De um lado temos o “claro” e do outro o “escuro”, exclamou John Locke para o garoto Walt assim que ele posou forçadamente naquela ínsula. “Hoje”, Jacob adota a figura do bem enquanto o “homem” vestido de Locke assume a forma do mal – aquela mesmo que chamamos de monstro – e temos formado um verdadeiro campo de guerra (digno de um final de temporada, cabe ressaltar) com os lados opostos prontos para se colidirem. Mas de que adianta toda esta movimentação, seja com os novos “Outros Outros”, a ressurreição de Sayid, o descontentamento do “homem” com os sobreviventes do voo Ajira etc., se pode ser que tudo isso esteja constrito a uma realidade vislumbrada, paralela ou até mesmo esquecida? É, caros leitores, que bom não apenas que LOST retornou, como também está de volta este sentimento de inquietação sobre a incerteza e o fascínio por uma criação que instiga a vontade de repercutir cada milissegundo que se passa. Eu não apenas me recuso a descartar quaisquer das realidades apresentadas, como ainda acredito que de uma forma ou outra elas inevitavelmente vão se encontrar trazendo o sentido que todos nós estamos buscando. É até triste que nenhuma proução atual nos faça querer pensar tanto assim sobre cada pormenor, cada cena, cada fala. Sim, a melhor série da TV é esta e ela está definitivamente de volta! É o início do fim e isso nós temos que aceitar, acreditando ou não.
Cotação Bruno Carvalho: 




- Considerações Adicionais:
- Questionaram nos comentários se assim como os sobreviventes, a Kombi também viajou no tempo. Ora, me parece óbvio que o veículo permaneceu intocado no mesmo local até ser novamente reencontrado. Ou, em último caso, ela viajou sim como sempre aconteceu com os objetos “cênicos” dos sobreviventes, conforme bem apontaram nos comentários. Isso é totalmente coerente com a mitologia da série, não constituindo “fato novo” ou furo de roteiro. Eles não dariam esse ponto sem o devido nó.
- Quando assisti ao episódio esta madrugada, depois de quase 24 horas acordado, não cogitei o fato de que a “ressurreição” de Sayid poderia ter a ver com a encarnação de Jacob em seu corpo – o que explicaria inclusive sua grande importância, como estava escrito naquele pedaço de papel.
- Então, segundo Juliet, “funcionou”. Será que apenas com o tempo estas duas realidades vão se estabilizar em uma só e o objetivo pretendido por Jack irá? É uma corrente válida, não?
- Adorei rever Claire!
Outros comentários sobre o episódio que você não pode deixar de ler, de: Pablo Villaça, Ana Maria Bahiana, Davi Garcia e Carlos Alexandre Monteiro.