Locke | LiGado em Série, com Bruno Carvalho
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31/03/2010 - 00:01

The Package

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Convenhamos: após Ab Aeterno ter elevado tanto o nível desta última temporada de LOST, centrar o episódio seguinte no casal Jin e Sun soou imaturo por parte dos produtores e roteiristas da série. A história dos coreanos nunca foi de grande expressividade nestes seis anos de trama e por isso pareceu que The Package quis conferir uma importância maior a estes dois. Apenas quis e não conseguiu. Ainda que contando o flash sideway de forma eficiente e interessante, especialmente envolvendo Keamy, Mikhail, a conexão com o Sayid e o trágico final em aberto com Sun grávida e baleada, o episódio no geral atirou para vários os lados e não acertou. A trama na ilha seguiu de forma irregular, voltando a dar a impressão de que as “peças” ficam se movimentando pra lá e pra cá sem um rumo, algo que estava afastado da série desde o ótimo Sundown. E o maior momento do capítulo, que foi o inesperado encontro frente a frente entre o Homem de Preto e Charles Widmore trouxe, inevitavelmente, um anti-clímax notável pela falta de inspiração naquela conversa (e o gosto de “quero mais”?). E a Sun sem falar inglês? Aquilo foi difícil de engolir nessa altura do campeonato. Não digo, contudo, que The Package não foi um daqueles episódios inócuos de LOST como Fire+Water ou A Stanger in a Strage Land. Foi um filler, tenha sido ele necessário ou não – o que vamos saber somente nos próximos capítulos. Curiosamente, enquanto estava escrevendo esta resenha, um tweet de Damon Lindelof (um dos roteiristas principais) pulou em minha tela com os dizeres: “Em uma semana a conversa vai mudar“. Uma grande coincidência ou um sinal de Jacob indicando que eu deveria ter mais fé neles? Gosto de acreditar (e acredito) que no final das contas eles sabem é muito bem o que fazem (a história de cada temporada comprova isso), mas preciso ressaltar que o capítulo foi em parte frustrante. Ah, sim, e então quer dizer que Desmond é o tal “pacote” igual Anthony Cooper também foi um dia? Que papel fundamental teria o “brotha” nesta guerra? Agarro-me nesse cliffhanger com todas as forças até a próxima terça.
Cotação Bruno Carvalho:

Autor: Bruno Carvalho - Categoria(s): LOST Tags: , , , , , , , , , , ,
02/03/2010 - 00:31

Sundown

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Alerta de Spoiler - Brasil
(LOST “6×06: Sundown”) Sayid Jarrah é uma das personagens que mais gosto em LOST justamente por sua evidente pluridimensionalidade. Ao longo de todos estes anos, sabemos que ele é essencialmente bom, mas que é rotineiramente compelido pelo mundo externo a fazer “coisas más”. E ao contrário de um psicopata, não enxergo nele o prazer depois de matar, mas sim um senso de que o mais justo e necessário precisou ser feito. Isso tanto é verdade, que somente depois que ele morreu e ressucitou que foi “diagnosticado” por Dogen como “mal”. Antes não era. Sundown foi uma intensa jornada na ilha da desconstrução de tudo que já vimos e conhecemos de Sayid – e o melhor – tornando-o ainda mais admirável a despeito de seus atos. Agindo como um executor do correto a mando de Dogen, o primeiro grande impacto do episódio veio logo de cara quando o iraquiano cumpriu à risca o seu dever esfaqueando o “mal encarnado” de UnLocke, desencadeando o maior evento e provável game changer da temporada. A promessa do reencontro com sua amada Nadia fez com que Sayid colocasse de lado toda a razão que sempre carregou para levar a mensagem de morte e desespero ao templo, aceitando seu sombrio destino logo após a execução de seu novo objetivo. E afinal, quem é realmente bom e mau nesta história?

comment1281

Ao mesmo tempo em que vemos o UnLocke causar toda aquela destruição, temos que lembrar também que Jacob e seus pupilos são sim grandes mestres da manipulação. A ideia da ilha como um tabuleiro de gamão fica cada vez mais palpável à medida em que a temporada avança, ainda mais agora que o lado “negro” (que, repito, não necessariamente é o lado mau) está integralmente formado. Infelizmente, apesar de todos estes acontecimentos na ilha, tivemos aqui pior leva de flash-sideways até agora. Na realidade paralela de Sayid, vimos que Nadia é casada com outro e que os dois secretamente se amam. Contudo, esta história apenas choveu no molhado, pois apenas estabeleceu tudo aquilo que já conhecíamos muito bem sobre o matador. Os encontros deste com Jin e Keamy, inclusive, poderiam até mesmo ser interessantes ou reveladores, mas como não sabemos o que esperar desta narrativa, tais revelações não trazem consigo uma força dramática suficiente para nos surpreender. Não obstante, são inegáveis os méritos de Sundown desde seu início com o tenso duelo entre Dogen e Sayid, o bizarro reencontro de Kate e Claire e até mesmo a inesperada aparição do grupo de Ilana nos instantes finais (o roteiro está mais ágil). A história, grande parte uma enorme incógnita para todos nós, avançou com um largo passo esta semana e já considero este o melhor desde a premiére da temporada. Na semana que vem a contagem regressiva dos últimos 10 capítulos terá início com Benjamin Linus no centro de tudo. Estou curioso, ansioso e sem a menor ideia do que virá. É muito bom sentir isso novamente com LOST.
Cotação Bruno Carvalho: starhalf

Autor: Bruno Carvalho - Categoria(s): LOST Tags: , , , , , , , , ,
10/02/2010 - 04:01

What Kate Does

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Alerta de Spoiler - Brasil
(LOST “6×03: What Kate Does”) Ao longo destes quase 6 anos, a trama de LOST desenvolveu-se de forma não linear, fazendo com que a interpretação de seus episódios tornasse, com o passar do tempo, um exercício de memória cada vez mais exigente. Afinal, a trama que teve início na queda de um vôo em 2004 já se ramificou pelo tempo e espaço, retroagindo décadas e percorrendo boa parte do mundo. Assim, ainda que esta seja uma série com carregada dose de ficção, eventos sobrenaturais e muita filosofia, LOST também sempre teve uma estrutura narrativa brilhante. What Kate Does seguiu esta linha, avançando a história na ilha (ainda que pouco) enquanto apresentava o flash-sideway de Kate e Claire que naturalmente se encaixava em importantes momentos, pois ainda que em realidades alternativas, as personagens mantêm intactas suas essências. A jornada emocional da sardenta, que saiu da ilha, criou o filho de Claire por 3 anos e decidiu retornar para resgatá-la mostrou como o destino das duas está necessariamente selado – uma ajudando a outra em momentos difíceis. As respostas, que os mais desatentos certamente reclamarão que não vieram, começaram sim a aparecer. Pra mim está mais claro do que nunca que a ilha é mesmo um grande tabuleiro de gamão onde as peças são literalmente exoradas para lados opostos, ao bel prazer de vontades maiores.

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O líder Dogen ainda confirmou que Jack e todos os outros foram levados até lá para cumprir um propósito maior em vida. Não, a beleza de LOST não está em revelações, tiroteios e sequestros, mas sim em seus momentos mais intimistas, como quando Kate finalmente percebe que perdeu James de vez, ou quando este se dá conta que foi ele o maior responsável pela morte de sua amada Juliet, o que o levará de volta ao caminho obscuro que sempre trilhou desde que viu seus pais morrerem nas mãos de Sawyer. Eu não discordo dos que se desapontaram com o ritmo do capítulo, nitidamente menos intenso que os primeiros, mas eu continuo preferindo ver uma boa história sendo construída para chegar num grande desfecho – e isso foi sistematicamente feito em TODAS as temporadas até agora – do que simplesmente presenciar uma atribulada resolução de enigmas apenas “para constar”. Em outras palavras, prefiro que LOST continue instigando-nos a pensar e refletir: seja mostrando um “Ethan” completamente diferente do que nós conhecemos (este jamais “infectado” pelo mal da ilha) ou trazendo Claire de volta depois de uma temporada inteira afastada, aparentemente sem saber quem diabos é Jin. Enfim, tenho certeza que o que Kate faz ao abandonar Jack e o templo para continuar sua vida de fugitiva certamente trará uma importante e talvez irreversível implicação no rumo desta temporada que está apenas começando. Enjoy the ride.
Cotação Bruno Carvalho:

Autor: Bruno Carvalho - Categoria(s): LOST Tags: , , , , , , , , , , , ,
03/02/2010 - 06:01

LA X

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Alerta de Spoiler - Brasil
(LOST “6×01 LA X, Part 1, 6×02: LA X, Part 2″): Obrigado por voar com a Oceanic Airlines. Ajuste seu assento na posição vertical, trave a bandeja à sua frente e aperte os cintos. Há oito meses, quando Jack Sheppard decidiu jogar com o destino de toda a ilha convencendo seus companheiros de que a saída para o dilema temporal seria detonar a ogiva, nós perguntamos: o que acontecerá? Para a surpresa de uma imensa plateia espalhada pelo mundo, testemunhamos o início de temporada mais definitivo, determinante e surpreendente de LOST. Jack e todos os sobreviventes voltaram a ser meros passageiros de uma aeronave seguindo corretamente seu plano de vôo, até mesmo porque nunca sofreram o acidente do qual iriam sobreviver. A ilha não passa de uma ruína submersa esquecida pelo tempo, com todas as suas mitologias e mistérios confinadas pelo incomensurável peso do Pacífico. Ah, já ia me esquecendo. Para a surpresa de uma imensa plateia espalhada pelo mundo, testemunhamos também Jack, Sawyer, Kate, Juliet, Hugo, Jin, Sayid e todos os demais – agora sim, sobreviventes – de volta ao presente da ilha, que mantém viva todas as suas mitologias e mistérios. E é na maior e mais incompreendida reviravolta narrativa da série que oito meses depois passamos a perguntar: afinal, o que aconteceu?

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O homem de ciência, com as suas certezas e teorias, explicará criando uma tal caixa, colocar veneno nela e um gato para expor através da mecânica quântica que estamos diante de um paradoxo cujo colapso somente virá no momento de sua medição. Enfim, ele vai tentar explicar de forma lógica que ele não sabe. O homem de fé, com seus princípios e incertezas, acreditará que “o que aconteceu, aconteceu” e que ele, em sua humildade e insignificância, também não sabe. Como o Jack prepotente e agitado pode coexistir com o Jack sereno que aprendeu a aceitar o irreparável? Em LA X ambas realidades nos são apresentadas e o que é mais ultrajante: não nos disseram qual é a que vale. E afinal, qual é a realidade mais trágica? Qual é a mais aceitável? Qual é a menos dolorosa? Até que ponto devemos nos preocupar com o desejo sanguinário de vingança de Sawyer após perder sua amada Juliet pelo plano de Jack ou sorrir com a inocência do golpista ao ajudar a morena sardenta a fugir de seu captor no saguão do Aeroporto Internacional de Los Angeles? Esqueçamos flashbacks, flashforwards, o que quer que seja.

comment1262

Pelo 5º ano consecutivo, LOST não simplesmente muda ou reorganiza as peças que estão no tabuleiro, como também muda o tabuleiro! De um lado temos o “claro” e do outro o “escuro”, exclamou John Locke para o garoto Walt assim que ele posou forçadamente naquela ínsula. “Hoje”, Jacob adota a figura do bem enquanto o “homem” vestido de Locke assume a forma do mal – aquela mesmo que chamamos de monstro – e temos formado um verdadeiro campo de guerra (digno de um final de temporada, cabe ressaltar) com os lados opostos prontos para se colidirem. Mas de que adianta toda esta movimentação, seja com os novos “Outros Outros”, a ressurreição de Sayid, o descontentamento do “homem” com os sobreviventes do voo Ajira etc., se pode ser que tudo isso esteja constrito a uma realidade vislumbrada, paralela ou até mesmo esquecida? É, caros leitores, que bom não apenas que LOST retornou, como também está de volta este sentimento de inquietação sobre a incerteza e o fascínio por uma criação que instiga a vontade de repercutir cada milissegundo que se passa. Eu não apenas me recuso a descartar quaisquer das realidades apresentadas, como ainda acredito que de uma forma ou outra elas inevitavelmente vão se encontrar trazendo o sentido que todos nós estamos buscando. É até triste que nenhuma proução atual nos faça querer pensar tanto assim sobre cada pormenor, cada cena, cada fala. Sim, a melhor série da TV é esta e ela está definitivamente de volta! É o início do fim e isso nós temos que aceitar, acreditando ou não.

Cotação Bruno Carvalho:

- Considerações Adicionais:

- Questionaram nos comentários se assim como os sobreviventes, a Kombi também viajou no tempo. Ora, me parece óbvio que o veículo permaneceu intocado no mesmo local até ser novamente reencontrado. Ou, em último caso, ela viajou sim como sempre aconteceu com os objetos “cênicos” dos sobreviventes, conforme bem apontaram nos comentários. Isso é totalmente coerente com a mitologia da série, não constituindo “fato novo” ou furo de roteiro. Eles não dariam esse ponto sem o devido nó.

- Quando assisti ao episódio esta madrugada, depois de quase 24 horas acordado, não cogitei o fato de que a “ressurreição” de Sayid poderia ter a ver com a encarnação de Jacob em seu corpo – o que explicaria inclusive sua grande importância, como estava escrito naquele pedaço de papel.

- Então, segundo Juliet, “funcionou”. Será que apenas com o tempo estas duas realidades vão se estabilizar em uma só e o objetivo pretendido por Jack irá? É uma corrente válida, não?

- Adorei rever Claire!

Outros comentários sobre o episódio que você não pode deixar de ler, de: Pablo Villaça, Ana Maria Bahiana, Davi Garcia e Carlos Alexandre Monteiro.

Autor: Bruno Carvalho - Categoria(s): LOST Tags: , , , , , ,
02/02/2010 - 00:01

É Hoje!

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comment1259Existe outro assunto pertinente no mundo das séries nesta terça-feira 02 de Fevereiro de 2010? Impossível. A ansiedade e a expectativa começam a dar lugar esta noite ao inevitável sentimento de perda. É hora de começarmos a nos despedir da ilha, pedra por pedra, trilha por trilha. E dos amigos. Ah, os sobreviventes do vôo 815 cujas aventuras, desafios e desesperos nós acompanhamos nos últimos 5 anos. É o início do fim, o ponto sem volta. A partir desta noite em grande parte do mundo LOST começa o ensaio de seu ato final. Serão 18 episódios que culminarão no curtain call do dia 23 de Maio de 2010, quando os veremos pela última vez. E a partir de hoje o LiGado em Série fará com vocês esta jornada com data marcada para acabar, através dos comentários no blog, da cobertura das últimas novidades no Twitter e, é claro, abrindo espaço para que vocês deixem registrado todas as surpresas, frustrações, teorias e impressões destas horas finais. É hoje, galera, preparados ou não! LA X Parts 1 and 2!

Autor: Bruno Carvalho - Categoria(s): LOST Tags: , , , , , , , ,
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