A 6ª temporada de Entourage foi irregular, intercalando episódios muito bons com outros bem medianos e que desfocaram a trama com casos batidos, como a indecisão de Eric sobre Ashley para chegar na reta final “decidido” a voltar para Sloane. Também tivemos o morno romance de Turtle com a Jamie-Lynn Sigler, mais para explorar a relação que os dois mantém na vida real do que para ter algum propósito na história. Isso sem contar que mais uma vez Vince passou despercebido durante a maior parte dos episódios, relegado à 5º plano, o que pra mim é inaceitável, porque ele é escalado como protagonista da comédia. O que sobrou então do último episódio que comentei aqui no blog, The Sorkin Notes, para o final exibido no último domingo? Ora, tirando uma ou outra participação de famosos, foi a verdadeira guerra entre Ari Gold e Lloyd, num ascendente clima de tensão após o pedido de demissão do japinha, que acabou salvando o dia. O ator Rex Lee aterrisou em Entourage para uma participação pequena e pra servir de escada para Jeremy Piven e hoje ele assume um dos pilares que sustenta a atração. Pelo menos a série não perdeu a sua sutileza, nos momentos que mostra a admiração contida do dono da MGA quando seu “pupilo” consegue o contrato com Johnny Drama ou quando a frivolidade do mundinho de Hollywood vem à tona através do comportamento errático e blazé de Chase. O final foi mais um resumo de tudo que esperávamos que acontecesse, como o pedido de casamento de Eric para Sloane e a compra da agência concorrente por Ari, que deu o seu show na hora de despedir os antigos desafetos com um marcador de paintballl, estabelecendo seu reino em Hollywood. É uma pena que não podemos classificar esta entre as melhores temporadas da série, pois ficou claro que faltou alguma coisa para a comédia emplacar novamente. Às vezes a indicação de que a turma deverá começar a se separar para cada um seguir seu caminho, como o episódio rapidamente vislumbrou, não seja uma má ideia.
Cotação Bruno Carvalho: Episódios “6×09: Security Briefs”, “6×10: Berried Alive”, “6×11: Scared Straight” e “6×12: Give a Little Bit” exibidos em Setembro e Outubro na HBO americana.
Muita gente me pediu pra falar pelo menos alguma coisa sobre Hung, comédia que estreou no último sábado na HBO. Inicialmente interessante, a série conta a história de um pai de família separado que, em face a diversas dificuldades econômicas, crise mundial, pensão, casa que pegou fogo etc., acaba virando um garoto de programa já que (supostamente) o cara é bem dotado. Se eu recomendo? Bom, depois de conferir toda a 1ª temporada que já passou lá fora, posso dizer que infelizmente tudo que Hung promete ser em seu episódio piloto, acaba não sendo. Ela desanda muito a partir de seu 4º episódio e perde-se num emaranhado de tramas aleatórias e avulsas que nunca se encontram e que não são encerradas satisfatoriamente. Embora já renovada para mais uma temporada, não é nem de longe uma série com a qualidade HBO que já estamos acostumados. Se você não tem nada pra ver, dá pra dar uma conferida. Tem a ótima Anne Heche no elenco e, se você se esforçar muito, consegue dar uma risada aqui e outra ali. Err… Nem tanto.
A saga de Sookie Stackhouse e Bill Compton não acabou, é claro, já que a HBO não seria maluca de não renovar True Blood para mais uma temporada! Se você ainda não leu, acesse os nossos comentários sobre o final da 2ª temporada que foi simplesmente ARREBATADOR! Por isso, no meio de todo esse hype (merecido e justificado) em torno da série, o criador do melhor drama vampiresco já visto na telinha, Alan Ball (que por sinal é o criador da melhor série de todos os tempos, Six Feet Under) respondeu algumas questões dos fãs e do site TV Squad. Além de revelar alguns detalhes sobre a nova temporada, Ball demonstrou muita lucidez ao falar sobre sua criação e definitivamente provou porque ele está na “Categoria A” de showrunners atuais. A tradução foi gentilmente cedida pelo blog especializado em True Blood, o excelente Fangtasia Brasil, e o texto contém ligeiros spoilers, mas nada comprometedor. Apenas deixe para ler depois caso você ainda não terminou de assistir a 2ª temporada, ok?
Hoje no programa InFilm conhecemos o set do bar Merlotte’s visto em True Blood, que fica localizado nos estúdios da Warner Bros. em Hollywood. A locação fica totalmente “despida” (como eles chamam aqui) e somente é preparada com o cartaz do bar e as plantas na época das gravações. Apenas as externas são gravadas aqui, pois as internas são realizadas em um soundstage na parte da frente da Warner. A visita não fazia originalmente parte do tour da Warner, mas a jornalista Ana Maria Bahiana deu um jeitinho e o guia passou por lá e permitiu que saíssemos dos carrinhos para tirar fotos. Awesome!
Conforme já disse aqui antes, quando eu retornar contarei com calma como foram todas as experiências, incluindo as visitas que fiz nas gravações de The New Adventures of Old Christine, do Tonight Show com Conan O’Brien e do imenso set de Two and a Half Men!
O ator Jeremy Piven disse que este foi o melhor episódio de Entourage, ever. Bom, ele exagerou (talvez ainda seja o excesso de mercúrio no sangue, sei lá), mas definitivamente The Sorkin Notes foi consideravelmente superior aos últimos e muito engraçado. O tema central, claro, foi todo o imbróglio que Andrew passou com a mulher que o expulsou de casa, somente pra tentar reaver suas anotações sobre o grande Aaron Sorkin (roteirista e showrunner de The West Wing e Studio 60) para sua grande reunião na MGA. Pra piorar, diante da crise pessoal do sujeito, Sorkin se recusou a falar com Barbara Miller ou com Ari, por não suportá-los. Nem precisamos saber o que aconteceu quando estamos falando desses dois, não é mesmo? Outro major point foi a incrível decisão de Eric em literalmente abandonar a indecisa e igualmente estonteante Sloane para ficar com Ashley.
Olha, por mais adorável e encantadora que a loirinha seja, esnobar aquela morena daquele jeito não deve ser uma tarefa fácil. Algo me diz que esse caso está beeeem longe de acabar. Por fim, o downside do episódio veio justamente com a entourage e aquela baboseira do esquema de segurança de Vince. A situação toda foi tratada de forma jocosa, desperdiçando o talento incrível do convidado especial Peter Stormare (o Abruzzi de Prison Break). Como eu disse no começo, Piven errou a mão em sua afirmação, pois só na 5ª temporada (consideravelmente superior a esta) posso enumerar sem titubear vários episódios melhores que este. Pelo menos a cena de Andrew entrando com carro e tudo em sua própria casa e o revelador momento na prisão (com a consequente contratação de Sorkin) compensaram bem os pontuais problemas desse capítulo. Um bom saldo, no final.
Cotação Bruno Carvalho: Episódio “6×08: The Sorking Notes” exibido em 30/08/2009 HBO americana.
Todo o contexto necessário para compreender e aceitar o final desta ascendente temporada de True Blood estava no diálogo da Rainha Anne com Bill sobre a natureza da mênade MaryAnn. Foi tão-somente quando a milenar vampira descreveu o quão patético e simplório aquele ser é, que o véu que de certa forma cobria a maneira que os cidadãos de Bon Temps “acordados” a enxergavam caiu. Destruí-la sempre foi algo fácil e factível, bastava saber como, e isso somente ocorreu com o retorno de Bill. E ele, de fato, retornou à cidade sabendo o que era preciso fazer: dar exatamente o que ela queria – o esperado encontro com o “belzebu”. E foi com a junção das diversas naturezas (a de Sam, Andy, Sookie e Bill) que a fera foi finalmente ferida.
Por isso é com muita surpresa que li por aí comentários de espectadores e colunistas que criticaram justamente o aspecto da série que eu demorei para encarar como positivo. True Blood não é linear, correta ou necessariamente coesa. No episódio piloto eu apontei isso com grande ênfase, justamente porque se tratava de algo novo, de um contexto do qual não estávamos inseridos e que era bem diferente de Six Feet Under (obra pregressa de Alan Ball que pautava justamente no realismo). Esse foi o final necessário para a história de MaryAnn e a ascensão de uma nova trama que, pelo apresentado, será focada no questionamento da natureza daqueles habitantes: vampiros bons, maus, transformers, mênades ou garçonetes possuídas por um demônio qualquer…
True Blood precisa ser encarada como uma válvula de escape do ordinário e o “V” somente fará o devido efeito quando você se libertar destes conceitos que funcionam muito bem em outras produções, mas não nesta. A temporada, como mencionei, foi absurdamente crescente e acho que por isso qualquer final seria, de certa forma, decepcionante (justamente por ser um final). Era imperiosa a necessidade de encerrar completamente esta história para começar uma nova e o drama nos deixou literalmente viciados. Sim, concordo que eles poderiam ter feito toda a cena da derrota de MaryAnn por Sam e Bill de forma mais orgânica e não tão abrupta. Ela merecia. O final, como sempre, me deixou com aquele gosto de “quero mais” como poucas séries fazem hoje em dia. Resumindo: eu adorei.
Cotação Bruno Carvalho: Episódio “2×12: Beyond Here Lies Nothin” exibido em 13/09/2009 na HBO americana.
Com o incrível ritmo que esta 2ª temporada de True Blood adotou, eu achava que seria cada vez mais difícil para a série se superar nesta reta final, depois de tudo que já vimos. Mais eis que Alan Ball estava com uma inesperada carta na manga: a atriz Evan Rachel Wood, que não apenas chegou de supetão como a Rainha Shopie-Anne Leclerq (e que rainha!), mas também é sagaz, desbocada e uma persona interessantíssima. Além disso, ela trouxe uma luz sobre MaryAnn, a mênade. Segundo a sábia vampira que não mais curte sexo com homens desde o governo Eisenhower, a dionisíaca que está aterrorizando Bon Temps é mesmo uma adoradora do Diabo endoidecida e completamente cega por sua fé em promover rituais que a trarão mais perto de seu “Deus”. Podemos dizer que ela espera o retorno do todo poderoso da mesma forma que muita gente por aí… “Deus é uma criação humana, assim como o dinheiro e a moral”, contrapôs Sophie-Ann. Ouch!
A imortalidade, curiosamente, é o grande dilema deste bizarro ser que não consegue nem raciocinar direito de tão ávida pelo sangue derramado de outrem. Seu objetivo mor em vida é justamente o de buscar a morte que nunca vem, através de um sacrifício final – o de Sam Merlote – ao seu adorado. Segundo a mitologia grega, é esta incerteza que provoca nas mênades aquele contagiante estado de êxtase, violência, luxúria e flagelação que tomou conta de toda a cidade e inclusive do nosso querido Lafayette. Mas mesmo quando parece que todas as cartas estão na mesa e que tudo está pronto para o confronto final (que certamente envolverá Sookie e seu poder de “luz”), surge do nada um ninho com um ovo gigante dentro para nos deixar completamente perdidos. Eu já vi muitas séries com cliffhangers matadores (LOST, Dexter…), mas acho que nunca em um nível tão complexo e elevado quanto os de True Blood. O êxtase de MaryAnn me contagiou e eu estou louco para o episódio final!
Ah, e mesmo com toda essa seriedade e temas fortes, True Blood ainda consegue nos apresentar frases como “Será que Sam se transforma num cachorro e faz sexo com uma cachorra fêmea? (…) Não é bestial se não há nenhum humano envolvido”. (Jason Stackhouse) Impagável!
Cotação Bruno Carvalho: Episódio “2×11: Frenzy” exibido em 30/08/2009 na HBO americana.
Vocês sabem o tanto que eu gosto de Entourage e por isso mesmo não dá pra negar que, da mesma forma que aconteceu com Weeds, os últimos dois episódios desta temporada foram um pouco abaixo da média. Por isso mesmo que eu resolvi esperar “juntar” dois para ver se era birra minha ou se realmente tem alguma coisa errada. Infelizmente parece que por enquanto é a segunda hipótese, já que Murphy’s Lie não soube dosar bem as várias storylines que se misturaram o foco da comédia no caso da amante do sócio de Ari, no fim do relacionamento de Eric e no clichê do executivo de Hollywood que começou a sacanear Drama por causa da Jamie Lynn. Poxa, logo com Drama? De novo? Não curti. E o que dizer da guerrinha enre o Sr. Gold e Eric na nova agência que não foi nem um pouquinho bem explorada? Entourage já fez mais bonito, inclusive com as participações especiais, já que o cameo de Bob Saget em No More Drama tentando soar como um completo idiota foi realmente… idiota! Entourage também já conseguiu ser muito mais sutil e eficiente em suas piadas. Estamos no sétimo episódio ainda e certamente a série tem um saldo de créditos enorme conosco, mas não é bom abusarem. Antes sempre quando um episódio terminava eu dizia pra mim mesmo: “Já?”. Pena que desta vez não foi assim.
Cotação Bruno Carvalho: Episódios “6×06: Murphy’s Lie” e “6×07: No More Drama” exibidos em 16/08/2009 e 23/08/2009 na HBO americana.
O caos tomou conta de Bon Temps e a cidade virou o inferinho particular da sacertode do Diabo. Poucas vezes numa série de TV nós vemos a ascenção de um vilão tão forte como aconteceu com MaryAnn. Ela chegou sorrateiramente ao final da 1ª temporada como quem queria apenas “ajudar” e aos poucos foi criando um dos maiores pandemônios que já presenciamos na telinha. O exército de “loucos pelo sangue de Sam” não fez feito perante os seres macabros dos melhores filmes de zumbis do gênero, numa atmosfera assustadora e, é claro, imprevisível. O bar Merlotte’s ainda foi o palco de uma das melhores (senão a melhor) cena que já vimos na série até agora: Jason Stackhouse em cima da picape bancando o “falso Demo” com a ajuda do bêbado detetive Andy. Eu fiquei assistindo aquilo pasmo e me perguntando: “como é que as coisas chegaram a esse ponto?”. Alan Ball conseguiu de novo!
Mas no meio de toda aquelas oferendas satânicas, as dúvidas sobre os motivos que MaryAnn quer Sam Merlotte a qualquer custo permanecem. Podem até querer dizer que ela precisa “oferecer” alguém da espécie dele para o “Deus” dela, mas temos que lembrar que ela também tinha a garçonete Daphne em seu clã. Por que Sam é tão importante assim? Espero que a resposta venha logo para dar um sentido ainda maior a este brilhante episódio que assistimos. Pena, mais uma vez, que Bill e Sookie foram novamente “elenco de apoio” com a longa intervenção com Tara e aquela implicação extremamente óbvia de que a vidente deverá ser a única “arma” capaz de deter a toda poderosa bruxa (a não ser que Bill traga alguém mais poderoso que Godric daquela mansão…). Ainda assim, esta 2ª temporada de True Blood está conseguindo superar todas as expectativas que já eram altas. E olha que eu odiei esta série no início… A cada episódio estou pagando língua feio!
Cotação Bruno Carvalho: Episódio “2×10: A New World in my View” exibido em 23/08/2009 na HBO americana.
Godric falhou. Seus conceitos que pregavam a tolerância para a convivência mútua das espécies era avançado demais para seres que conseguem ser tão rasteiros. Talvez ele tenha se purificado tanto ao longo dos milênios que perdeu completamente a maldade e foi ingênuo a ponto de acreditar que o seu plano iria dar certo. Não deu. Por isso mesmo ele preferiu se exilar completamente deste mundo que não o merece, deixando humanos e vampiros se digladiarem até o fim dos tempos. I Will Rise Up pôs fim à esperança de paz e parece mesmo que o caos vai imperar, ainda mais com a presença de Maryann, um demônio que se diverte servindo “deliciosos” guisados canibais. Mas além de estabelecer o clima dark que irá imperar, o episódio foi mais além mexendo com a estrutura principal da série fundada no romance Sookie e Bill. Se antes o velho vampiro Compton tinha uma forte ligação com a telepata, este laço acaba de se transformar num triângulo amoroso e sangrento depois daquela artimanha de Eric. Eu simplesmente adorei esta reviravolta, porque não é de hoje que o casal de protagonista não mais empolgava. Em Bon Temps estou cada vez mais impressionado com a situação que vem se formando ao redor de Sam com a busca implacável de Maryann. Afinal, o que raios essa moça quer com o nosso amigo shapeshifter? Por que Sam não some de vez daquele lugar, já que sua própria existência e seu maior segredo seguem ameaçados? Poxa, aquela cena no Merlotte’s foi dignamente assustadora! Enfim, com a cessação do “auto de Godric” e sua ascenção aos céus esse bizarro mundo ficou literalmente a Deus dará! True Blood chegou num ponto em que o próximo segundo em tela tornou-se imprevisível. Fang-tástico!
Cotação Bruno Carvalho: Episódio “2×09: I Will Rise Up” exibido em 16/08/2009 na HBO americana.
Dá pra dizer que o último Entourage esteve aquém de sua média, trazendo um episódio em que a história da temporada avançou muito pouco. Aliás, qual é mesmo a história da temporada? Ah, sim, o foco na vida pessoal de cada um dos integrantes da turma e o grande problema de Johnny Drama é que ele não tem uma. Kevin Dillon é excelente, mas às vezes parece que os roteiristas prejudicam Drama só porque ele tem que ser sempre o “burrildo” da galera, o que cada vez mais impede que ele nos surpreenda. Isso ficou explícito com a participação do produtor da série, Mark Whalberg, e o tratamento que o próprio deu à personagem. Não gostei. Até mesmo a piada da aposta no golfe ficou batida e previsível ao longo de todo o capítulo, soando forçada ao final. Pelo menos, para alegrar o ambiente, Sloane novamente apareceu deslumbrante colocando Eric em mais uma sinuca de bico. O pior é que apesar da morena ser incrivelmente estonteante, a jovem Ashley é adorável. Vamos combinar também que Sloane é areia demais até mesmo pra Vince e este segue num total ostracismo nesta temporada, passando em branco por todas as cenas. Ah, e Ari também já foi mais inspirado em outras ocasiões… Foi mesmo um episódio atípico, de Entourage mas que não compromete em nada esta grande comédia.
Cotação Bruno Carvalho: Episódio “6×05: Fore” exibido em 09/08/2009 na HBO americana.
Sem absolutamente nenhuma ressalva, posso dizer com certeza que este foi o melhor episódio de True Blood. Timebomb foi espetacular, imprevisível, intenso e deveras animador para quem, como eu, esperava tão-somente um banho de sangue no desenrolar da guerra entre humanos e vampiros. Como de costume, a narrativa foi retomada do instante em que fora interrompida, com o alívio do tiro de paintball de Sarah Newlin em Jason e aquele divertido mal entendido sobre o que levou o rapaz a fugir. Eu não imaginava que o ex-combatente do Sol era tão ligado à sua irmã a ponto de abandonar Sarah daquela forma sem nem pestanejar. O trancamento veio e ninguém contava que a intervenção do milenar Godric afetaria tanto o rumo desta história. Seu discurso na igreja foi absolutamente brilhante (embora estarrecedor para os vampiros sedentos): “matar todo mundo não provaria absolutamente nada” e não traria a mudança que as duas raças precisam para coexistirem na Terra.
Seres menos avançados como Steve Newlin certamente não enxergam assim, pois está praticamente cego pelo desejo de vingar os pais (que foram mortos por vampiros na 1ª temporada), deixando claro que o único caminho que pretende seguir é o da destruição total. Quem diria que o verdadeiro “Cristão” estava do lado “errado”, já que a sabedoria de Godric não só foi a que prevaleceu, como também a que salvou o dia. Eu apenas imagino que não serão todos os noturnos que aceitarão esta aparente subversão de forma tão fácil como Bill Compton e não podemos esquecer que Godric é o xerife só naquele ninho. Funcionando não apenas como um drama vampiresco, Timebomb mergulhou também nas raízes do fundamentalismo e da intolerância religiosa, trazendo em seu fim o seu maior cliffhanger até hoje. True Blood nunca esteve tão fantástica e imperdível como agora!
P.S.: Ainda não sei o que achar daquela “agradável” cena do cozido de coração. No próximo episódio verei o desenrolar dessa história e comentarei.
Cotação Bruno Carvalho: Episódio “2×08: Timebomb” exibido em 09/08/2009 na HBO americana.
Uma coisa em Entourage me irrita profundamente: a série é tão boa que os episódios passam rápido demais e parece que cada capítulo traz apenas uma dose homeopática e aquém de seu potencial. Running on E falou do ócio de Eric e Vince, que estão em um tremendo “hiatus” em suas vidas: enquanto o pseudo-empresário não emplaca uma na indústria de Hollywood, o mimado astro está entediado e sem ter como gastar todo o dinheiro que ganhou com Gatsby. “Pobre menino rico”. Esta situação, embora frívola e superficial, me lembrou muito o filme Na Natureza Selvagem e a descoberta máxima do protagonista da película que, podemos dizer, viveu o extremo oposto de Vince. De uma forma ou de outra, os dois se deram conta de que “a felicidade precisa ser compartilhada”. Assim, não adianta em nada ter toda aquela estrutura disponível sem os amigos por perto, já que a trupe está cada vez mais separada. Por outro lado, na MGA Ari está com trabalho até demais, tendo que passar o dia apagando os incêndios causados pelo seu sócio Andrew, que inclusive quase colocou tudo a perder na reunião com o cliente David Schwimmer. Foi uma ponta divertidíssima como um “ator de sitcoms que quer achar um piloto diferente, em que ele não esteja interpretando uma versão do Ross Geller de Friends“. Ora, qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência, não é mesmo? Entourage é mestre em retratar situações extremamente corriqueiras em Hollywood como uma forma de crítica bastante simples e indireta. Como eu disse no início deste texto: é uma pena que passa tão rápido.
Cotação Bruno Carvalho: Episódio “6×04: Running on E” exibido em 02/08/2009 na HBO americana.
Algo extremamente positivo na estrutura narrativa de True Blood é o fato dos episódios serem sempre diretamente ligados uns aos outros, com os cliffhangers sendo continuados do instante em que foram interrompidos. Por isso, este novo episódio já abriu com o ritual “candomblé” de Maryann (com direito até a berimbau) e ainda bem que o bêbado Andy pôs o fim na farra, indiretamente salvando Sam do terrível sacrifício. Quer dizer então que Maryann é o Satanás em pessoa? Justo quando achei que a série não poderia ficar mais bizarra, ela fica mais interessante! Já no “núcleo” Sociedade do Sol, enquanto Sookie continuava presa, tivemos que testemunhar um novo e aborrecido flashback de Bill e sua criadora e confesso que esta historinha do vampiro boa-praça está começando a ficar batida demais. Não precisamos de uma volta no tempo para estabelecer a índole do herói da série. Isso inevitavelmente toma um precioso tempo em tela e compromete a dinâmica do episódio.
Mas pra compensar, Alan Ball continua nos presenteando com duas tramas românticas que seguem num ótimo ritmo: Barry Hoyt com Jessica e Jason com Sarah. São dois casais totalmente inusitados cujas histórias são imprevisíveis e empolgantes, porque torcemos por eles. Eu não consigo vibrar tanto assim por Sookie e Bill, e vocês? Além disso, apesar de revelado o traidor Hugo e da aparição do poderoso Godric no porão da igreja, foi aquele inexplicável tiro de Sarah que certamente deixou todo mundo de cabelo em pé até o próximo. Release Me foi um filler (muito bom, contudo), já que as atenções de True Blood agora estarão todas concentradas no “Lock Up” na Sociedade do Sol e na iminente guerra entre humanos e vampiros que deve se iniciar no próximo episódio. E aí, de qual lado você vai ficar? Eu quero ver Eric e Godric espremerem Steve Newlin até ele virar suco de vampiro!
Cotação Bruno Carvalho: Episódio “2×07: Release Me” exibido em 02/08/2009 na HBO americana.
Turtle, Turtle… Ganhou de uma vez uma Ferrari e um Porsche em seu aniversário de 30 anos! Mas os presentes não poderiam ter vindo numa hora mais inoportuna: uma baita crise de identidade o impede de aproveitar bem os novos mimos (se bem que pra mim isso não seria problema algum). Também pudera, ele passou anos na sombra de Vince e até de Eric e Drama, não emplacou uma carreira e foi zoado até pelo 50 Cent! O que ele fez? Sentiu a necessidade de “fazer algo da vida” e foi pedir ajuda à pessoa certa! Ari Gold. Certa no sentido que o cara deu uma incrível aula de negócios em forma de um sermão nada contido! Turtle mereceu. Talvez ele achou que Ari traria a solução de seus problemas, indicando alguém para investir na “grande ideia” do não tão jovem motorista da turma e foi por isso que adorei este “reality-check” brusco que a comédia trouxe. Nem tudo é o conto de fadas que Vince vive! Piven continua insuperável. O outro foco do episódio foi o estranho “E”. Ele é uma incógnita pra mim, desde a cena onde ele manda a belíssima Ashley subir porque estava de calcinha (e ele mora sozinho!) até o momento em que ele muda completamente a opinião sobre a garota sem motivo aparente. Não sei porque, mas eu não consigo torcer pelo Eric justamente porque ele não tem a garra do Sr. Gold ao conduzir seus negócios e sua vida. De toda forma, esta temporada de Entourage continua sim centralizando na vida pessoal de cada um dos integrantes da turma, mas começo a achar que falta um fio condutor para carregar a trama como um todo. E Vince (Adrian Greenier) continua como o maior coadjuvante na série em que (apenas teoricamente) é o protagonista.
Cotação Bruno Carvalho: Episódio “6×03: One Car, Two Car, Red Car, Blue Car” exibido em 26/07/2009 na HBO americana.
Que episódio foi esse, gente? Hard-Hearted Hannag foi intenso e emocionante! A primeira cena já merece nossa atenção: no lobby do hotel vimos Eric pagando para alimentar-se de uma espécie de “prostituta sanguínea” e o mais curioso foi constatar que para o milenar vampiro a satisfação não vem quando a garota finge um prazer sexual ao ser mordida, mas sim ao gritar desesperadamente por socorro como se estivesse mesmo sendo atacada. E com esse relance do poderoso vampiro contrariando seus mais primais instintos em prol de uma convivência harmônica com os humanos, me pergunto até quando isso vai durar? Alan Ball está cuidadosamente criando uma situação sem ponto de volta que só pode mesmo se desenrolar em uma guerra: os vampiros estão quietos em seu canto (na medida do possível), bebendo o sintético suco engarrafado enquanto os humanos fundamentalistas, liderados pelo inescrupuloso Steve Newlin, planejam cutucar as onças com seu exército e sua cerimônia pública que instigará o ódio contra a raça noturna. Ora, nós vimos muito bem o que o mais bem intencionado vampiro pode cometer com aquele sangrento flashback de Bill Compton nas longínquas décadas que antecederam a criação de Tru:Blood pelos japoneses, certo?
Se não bastasse isso, Sookie virou prisioneira em sua missão de encontrar Godric (quem acha que ele é quem será tostado pelo glorioso Sol?) e uma segunda facção de iluminados engatinha dentro da própria Igreja com a união de Sarah Newlin e Jason Stackhouse. Seria ele o verdadeiro salvador no final das contas? Em Bon Temps a situação não está menos complexa com a revelação sobre Maryann e sua aliança com Daphne para “capturar” Sam. Pelo que vimos, então, ela não se transforma totalmente na besta que vimos há alguns episódios, pois aparentemente ela usa uma máscara. Só não entendi muito bem ainda qual é o objetivo desse ritual todo dela e porque o pobre Sam terá que ser sacrificado. Este, ao meu ver, foi o melhor cliffhanger da série até agora e True Blood alcançou com este episódio um nível dramático nunca antes visto! Estou realmente intrigado com esta história como há um bom tempo eu não ficava! E vocês?
Cotação Bruno Carvalho: Episódio “2×06: Hard-Hearted Hannah” exibido em 26/07/2009 na HBO americana.
Este está sendo o ano das revelações bombásticas em True Blood e olha que a temporada mal começou! Como assim Daphne, a nova garçonete do Merlotte’s, também é uma shapeshifter? Uma chocante cena pra abrir o episódio logo de cara, o que as outras séries geralmente deixam pra mostrar no cliffhanger. A história de Sam que já era interessante acabou de ficar mais curiosa ainda com esse envolvimento amoroso dos dois da “mesma espécie”. Só espero que eles nos poupem de uma cena de amor com os dois transformados, não é mesmo? Quem também encontrou outro de seu tipo foi Sookie, mas continuo achando que a saga dela com Bill na cidade está maçante. É a pior das tramas, de longe. Na Sociedade do Sol não me surpreendeu nada que a Igreja está preparando soldados para uma verdadeira guerra santa contra os vampiros, recrutando Jason com a desculpa de que o tal exército de iluminados é para “defesa”. Aham, fingiremos acreditar no rapaz. Poxa, a imagem do irmão de Sookie segurando um lança mísseis no porão da igreja lotado de armas e dizendo “amém” deu o tom de como essa temporada vai ser promissora. Confesso que este não foi um dos melhores episódios (mas sem exagerar, né Claudinha?), pois a narrativa adotou um ritmo mais lento do que o normal, principalmente em sua segunda metade com aquele desnecessário flashback sobre como Eric se tornou um vampiro milenar. Já vimos esta série produzir coisas melhores do que aquilo. Mas pra mim isso tudo é a preparação para algo maior e só aquele momento da esposa do pastor na banheira com Jason já valeu. É claro também que não podemos esquecer do cliffhanger que trouxe a “criadora” de Bill chegando com as presas afiadas! Ouch! True Blood consegue sim ser excessivamente trash e cafona em determinados momentos, mas acho que essa é a intenção.
Cotação Bruno Carvalho: Episódio “2×05: Never Let Me Go” exibido em 19/07/2009 na HBO americana.
A imagem que ilustra esta resenha diz muito mais do que uma simples conversa na agência MGA entre os sócios: ela mostra como Ari Gold sempre domina um ambiente ou uma situação, desde o momento que entra até sair. Note a postura levemente inclinada para trás de Andrew Klein, como se estivesse rendido à imponência do colega e é assim que esta brilhante personagem de Entourage age quando o talentoso ator Jeremy Piven a encarna. Ari é encrenquinha, invocado e mestre na arte da persuasão para conseguir o que for. No fim das contas, todos se rendem: Lloyd, Shauna, sua mulher ou quem quer que cruze o seu caminho. Ele é o dono desta comédia, sem dúvida alguma. Na vida dos garotos, foi acertadíssima a retomada com força total do (não) romance entre Eric e a belíssima Sloan, pois os dois têm uma inegável química juntos, chegando até a ofuscar a grande noite da premiére de Gatsby. Aliás, esta temporada (pelo menos até agora) está falando menos de “trabalho” e está focando na vida pessoal não só de Vinny, mas como de todos da entourage, o que não deixa de ser bastante interessante. Tomara que o cerne desta temporada seja justamente esse, colocando os rapazes no spotlight sem estarem às sombras de alguma produção ou de algum fracasso (como foi com Aquaman e Medelin) . Este é o momento ideal para isso: com eles entre amigos curtindo esta positiva guinada na carreira de Vince, mas que, ao mesmo tempo, está evidenciando o natural distanciamento da trupe à medida que todos vão amadurecendo. E como série, Entourage também nunca esteve tão madura e ciente de seu potencial.
Cotação Bruno Carvalho: Episódio “6×02: Amongst Friends” exibido em 19/07/2009 na HBO americana.
O vídeo abaixo foi exibido há apenas algumas horas no painel da série True Blood na Comic-Con em San Diego e traz um intenso preview dos rumos que esta 2ª temporada vai tomar. Assista por sua conta e risco, pois as imagens contêm muitos spoilers!
é comentarista de TV, tradutor, advogado e fã incondicional de séries desde que foi fisgado por Friends em 1994. Hoje assistir aos melhores dramas e comédias da TV tornou-se um compromisso sério e diário. Fique liGado nas notícias, resenhas e novidades mais quentes do mundo das séries e participe com seus comentários! Não perca um só post!