O criador e roteirista de Heroes, Tim Kring, também pode ser chamado de o “mago” das entrevistas. A cada vez que ele põe a boca no microfone sai uma pérola. Da primeira vez ele disse que sua criação tinha alguns problemas. Na segunda, disse que iria melhorar o drama após despedir dois roteiristas e pedir ajuda a Bryan Fuller (Pushing Daisies), mas foi recentemente que ele deu a entrevista que pode ser um marco em sua carreira. Em um painel num evento de roteiristas, o sujeito já começou dizendo “o que eu estava pensando?”, se referindo ao processo criativo de Heroes. Primeiro ele admitiu que não escreveu um final, nem ao menos um guideline para as temporadas. Criou personagens com a intenção de descartá-los ao final de cada ano, mas precisou engavetar essa idéia por pressão do público e da emissora:
“A premissa da série me conquistou, mas assim que a idéia original terminou, os personagens não traziam mais questionamentos ou crises existenciais e aí começou a ficar difícil para eu me conectar com o texto. (…) Não temos uma ilha pra escapar.”
Em seguida, ele disse que não tem controle sobre o elenco, que acabou virando amigo de todo mundo e que é difícil separar este papel do encargo de ser chefe, pois não sabe delegar funções e acaba tendo que fazer tudo sozinho sem dar chance para os outros aprenderem. Depois ele se gabou de ter tido ótimas sacadas como o sangue de Claire que regenera e salva pessoas, mas acabou reconhecendo que isso funcionou como uma faca afiada, já que tudo passou a ficar muito fácil. “Tivemos que tirar o corte da faca”, relatou. Ele ainda aproveitou experiência que vem tendo no comando desta multimilionária produção e deu uma dica aos jovens roteiristas e aspirantes que assistiam sua palestra, sugerindo que nunca criem tramas com viagem no tempo:
“Isso é um campo minado que fará sua cabeça explodir e te deixará louco. Tentei utilizar este recurso com uma certa dosagem de regras, mas tudo tem sido muito complicado pra nós. Vamos parar um pouco com isso nos próximos 12 episódios desta temporada.”
Mesmo assim, Kring desejou ser possível que ele voltasse no tempo para corrigir todos os seus erros e que tenta não mais ficar chateado com a “ciência imperfeita que é fazer uma série“. Mas a melhor parte ficou para o final, quando ele decidiu culpar a imensa queda na audiência à crise econômica, à greve dos roteiristas e especialmente às mídias digitais (TiVo, DVD e Internet) que atraem os mais inteligentes e deixam apenas os bobos assistindo séries quando elas são exibidas na TV! É mole? Ele também não gosta do fato de Heroes ser serializada, já que um episódio não se esgota em si, dependendo de arcos. O sonho dele era fazer com que o drama dos heróis fosse mais episódico como Fringe ou como as séries policiais, por exemplo. Bom, talvez Tim Kring devesse estar do outro lado desse painel de roteiristas, tomando notas de colegas como Carlton Cuse, Damon Lindelof, Aaron Sorkin, Shonda Rhimes e, até mesmo, Josh Schwartz (sem exageros). Eu até tinha algumas esperanças com Heroes, mas depois dessa estou com medo do que está por vir.
O que você acha disso tudo? Tim Kring é incompreendido, mas muito sincero ou ele realmente é um sujeito sem as mínimas condições de levar a série pra frente?