Estreou há 2 semanas no Brasil o remake de Bionic Woman, série baseada no drama homônimo de 1976, que foi a grande aposta do canal americano NBC após o sucesso alcançado com Heroes em 2006. Porém, enquanto a série de Tim Kring usou e abusou da estilização dos heróis gerando hype em torno da série e de seus personagens, a adaptação de David Eick (produtor de Battlestar Galactica) peca pela falta de carisma e identidade. A história acompanha a vida de Jaime Sommers, uma garçonete que acaba se envolvendo em um trágico acidente e sua única chance de sobrevivência resta na pesquisa ultra-avançada de seu namorado com “anthrocites“, máquinas moleculares milagrosas. As duas pernas, um braço, um ouvido e um olho da moça foram substituídos, tornando-a biônica. Por isso, ela agora terá que “pagar” esses upgrades realizando alguns “serviços de utilidade pública”. Os primeiros problemas da série já começam pela bela e inexpressiva protagonista, a atriz Michelle Ryan, que não consegue conferir a carga dramática necessária para convencer como heroína.

O roteiro é simples com boas pitadas de clichês do gênero, mas cumpre bem o encargo de estabelecer a plausibilidade da situação. Porém, a grande surpresa da série também é a maior decepção: Sarah Corvus, interpretada pela ótima atriz Katee Sackhoff (a Starbuck de Battestar Galactica) é outra mulher biônica (e “do mal”)! Eles poderiam ter sido um pouco mais originais que isso, não? Durante toda a primeira temporada me perguntei por que Corvus não era a semi-andróide principal, já que a ambigüidade de sua personagem seria muito mais interessante de se ver em papel de destaque. A série possui um visual dark, sempre carregado com chuvas e filtros excessivamente granulados, além de contar com alguns efeitos especiais bem “mais ou menos” e cenas de luta pouco inspiradas. Infelizmente, o drama chega e vai embora sem mostrar direito a que veio, pois você consegue perceber claramente ao longo dos episódios que falta um objetivo claro no roteiro, como não acontecia com Alias, por exemplo.

O resultado é que Bionic Woman foi se tornando uma série inexpressiva e de difícil identificação, que vai piorando consideravelmente até o péssimo 9º episódio. A dinâmica entre o elenco é fraca e nem a curta participação de Isaiah Washington (ex-Grey’s Anatomy) foi suficiente para impedir o cancelamento. Por isso, não se apegue, já que foram produzidos apenas 9 episódios e não existem chances de retorno.

Cotação LiGado em Série: 

Season Pass – Bionic Woman – 1ª temporada. A&E, Domingos 19h e 21h, Segundas 00h, Quartas 21h, Quintas 14h.