Journeyman: Não. Perca. Seu. Tempo.
É bastante recorrente vermos séries com premissas absolutamente brilhantes e mal executadas, seja por falta de recursos ou de competência da equipe de produção. Contudo, é raro ver uma premissa horrível levada tão à sério como essa Journeyman que estreou ontem dublada no nosso querido canal Raposa. À primeira vista, a parte técnica do drama criado por Kevin Falls (ex-roteirista de The West Wing, Shark e North Shore) chega até a ser irrepreensível, especialmente com a sua caprichada fotografia. Mas infelizmente a série não se sustenta desde os minutos iniciais com sua trama pra lá de bizarra: um homem começa a viajar no tempo do nada e tem a chance de reencontrar sua ex-mulher falecida, que também parece estar fazendo o mesmo. Não, ele não usa uma máquina ou algo do tipo, ele simplesmente está andando, a tela ganha um brilho e bam, volta dez anos no passado e retorna ao presente da mesma forma. Uma série com um tema lúdico ou demasiadamente fictício (como Heroes ou LOST, por exemplo) precisa fazer sentido pelo menos dentro do universo criado. Essa não faz.

Ao longo de sua primeira, curta e única temporada, Dan Vassar vai ter que descobrir por que este incrível fenômeno está acontecendo com ele, enquanto ele faz as suas idas e vindas ao longo de décadas, erradicamente salvando pessoas e complicando ainda mais a sua situação. Dá um tempo, né? Muita gente que jura de pé junto que a série é excelente, que só melhora e que o final foi completamente satisfatório. Mas existem muitas razões pra se dizer isso: tem quem goste de séries B (ou C, no caso) só porque é legal ser do contra; tem quem ache que a produção é Cult (não é) e tem também quem se contente com pouco. Eu não. Juro que tentei acompanhá-la de todas as formas possíveis, mas o roteiro fraco, as atuações medianas e os efeitinhos especiais de quinta categoria excederam todos os limites do aceitável. Journeyman é uma perda de tempo e por mais que você tente se apegar não tem como fugir disso. Se for arriscar, saiba que a série irá embora deixando muita coisa em aberto e não diga que eu não avisei: você não é Dan Vassar e não poderá voltar atrás!

