Caprica: O Início do Fim
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Quando eu soube que o canal SyFy havia encomendado a produção de um prequel para Battlestar Galactica, intitulado Caprica, eu fiquei preocupado que o ótimo remake da série homônima de 78 virasse um caça níquel, para render um pouco mais de dinheiro com o fim da saga estelar. Eu não poderia estar mais errado. O telefilme que abrirá o caminho para uma futura série foi uma das melhores surpresas que tive nos últimos anos. Ambientada 58 anos antes do piloto de Battlestar Galactica, o novo drama nos apresenta logo de cara à jovem Zoe Graystone que está aparentemente perdida em uma rave onde tudo acontece sem o menor pudor gráfico: sexo explícito, drogas à vontade, mortes e até o sacrifício de virgens. Passado o susto, percebemos que ela está em um tipo de simulação virtual através de um aparelho chamado Holoband, desenvolvido por seu rico e inteligente pai Daniel Graystone, um desenvolvedor da maior empresa de tecnologia do planeta.

O Holoband é uma espécie de Second Life holográfico frequentemente invadido por hackers que criam as tais “festas liberadas” em locais clandestinos dos servidores. Apesar de tudo isso lembrar muito o filme Matrix, arrisco-me à dizer que Caprica consegue ir mais além em sua premissa. Pouco a pouco, vamos conhecendo os amigos de Zoe que fazem parte de um grupo religioso que contesta a pluralidade de Deuses e a forma com que a sociedade capricaniana vive. A trama em si tem início em um ataque terrorista no metrô de Caprica City, que acaba matando Zoe e a família do advogado Joseph Adama e este encontra no pai da falecida garota um ombro amigo. Contudo, Daniel Graystone percebe que sua filha estava longe de ser uma adolescente comum, pois não só estava conduzindo uma revolução e uma fuga para outra colônia junto ao grupo “Soldados do Um” (uma organização religiosa/social monoteísta), como também conseguiu criar uma “cópia virtual” cognitiva de si mesma na tal Internet Holoband. Sem saber, a menina fez um perfeito avatar com inteligência artificial, que se tornará a maior descoberta tecnológica do século.

É aí que mergulhamos com esses dois pais de família com ideais completamente diferentes no que virá a se tornar o escopo do início da destruição do planeta e de quase toda a raça humana. Obstinado por ter sua filha de volta, Daniel conclui o seu projeto de defesa cibernética com o avatar da menina, dando luz ao primeiro módulo cibernético life-form, batizado de Cylon! Com uma cenografia caprichada, design de arte que remete sempre ao retrô, uma bela trilha-sonora e um texto denso, corajoso e deveras interessante, Caprica já chegou mostrando que tem tudo para ser uma das melhores produções da próxima temporada. Discutindo questões morais, éticas, religiosas e científicas totalmente pertinentes nos dias de hoje, coloco todas as minhas fichas nesta série que pode ser capaz até de superar a original. Destaque para as excelentes atuações de Eric Stoltz, Esai Morales e da garota Alessandra Toreson no papel duplo. Vale/valerá muito a pena conferir.
Cotação Bruno Carvalho: 




Episódio “1×00: Pilot” disponível em DVD nos EUA e sem previsão exata de estreia na TV brasileira ou americana.
Nada. Absolutamente nada poderia ter nos preparado para este estrondoso, grandioso e absoluto final de Battlestar Galactica, motivo pelo qual eles nem tentaram (vide as resenhas dos episódios anteriores). Não vou narrar aqui o que aconteceu, porque sei que muita gente ainda não chegou ao final (ou nem começou a assitir a série). Deveriam, e logo! Digo apenas que o confronto que todos esperávamos entre humanos e Cylons, que também foi a última missão de Galactica, não deixou simplesmente nada a desejar. A primeira metade ganhou pela intensidade gráfica e pela tensão desesperadora de uma guerra que durou muitos anos, enquanto na segunda parte a emoção dominou cada frame em tela. Focando nas principais storylines, a série foi cuidadosamente se despedindo de cada um – humano ou cylon – dedicando o necessário tempo até a descoberta da paz verdadeira e derradeira em um novo lar, culminando na mais bela cena de toda a série. Adama e Roslin, enfim, descansam. Hoje, 150.000 anos depois, conhecemos muito bem aquele lar, apesar de não o tratarmos da forma que merece. Não vou ressaltar os (poucos) deméritos deste final ou algumas pontas soltas (sabem qual é) porque isso não mais importa. Battlestar Galactica contou, através da ficção científica, das guerras espaciais, dentre outras coisas, uma história que sempre foi contemporânea, levantando questões políticas e sociais importantíssimas e que terminou de forma poética, brilhante e inesquecível. Aconteceu antes e já está acontecendo novamente! Saudações a Ronald D. Moore, David Eick, Edward James Olmos, Mary McDonnel, todo o incrível elenco de uma das melhores séries já produzidas e indispensáveis na prateleira de qualquer fã de séries. Vá com os frakking Deuses, BSG!







