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22/04/2009 - 00:01

Caprica: O Início do Fim

Alerta de Spoiler US
Quando eu soube que o canal SyFy havia encomendado a produção de um prequel para Battlestar Galactica, intitulado Caprica, eu fiquei preocupado que o ótimo remake da série homônima de 78 virasse um caça níquel, para render um pouco mais de dinheiro com o fim da saga estelar. Eu não poderia estar mais errado. O telefilme que abrirá o caminho para uma futura série foi uma das melhores surpresas que tive nos últimos anos. Ambientada 58 anos antes do piloto de Battlestar Galactica, o novo drama nos apresenta logo de cara à jovem Zoe Graystone que está aparentemente perdida em uma rave onde tudo acontece sem o menor pudor gráfico: sexo explícito, drogas à vontade, mortes e até o sacrifício de virgens. Passado o susto, percebemos que ela está em um tipo de simulação virtual através de um aparelho chamado Holoband, desenvolvido por seu rico e inteligente pai Daniel Graystone, um desenvolvedor da maior empresa de tecnologia do planeta.

O Holoband é uma espécie de Second Life holográfico frequentemente invadido por hackers que criam  as tais “festas liberadas” em locais clandestinos dos servidores. Apesar de tudo isso lembrar muito o filme Matrix, arrisco-me à dizer que Caprica consegue ir mais além em sua premissa. Pouco a pouco, vamos conhecendo os amigos de Zoe que fazem parte de um grupo religioso que contesta a pluralidade de Deuses e a forma com que a sociedade capricaniana vive. A trama em si tem início em um ataque terrorista no metrô de Caprica City, que acaba matando Zoe e a família do advogado Joseph Adama e este encontra no pai da falecida garota um ombro amigo. Contudo, Daniel Graystone percebe que sua filha estava longe de ser uma adolescente comum, pois não só estava conduzindo uma revolução e uma fuga para outra colônia junto ao grupo “Soldados do Um” (uma organização religiosa/social monoteísta), como também conseguiu criar uma “cópia virtual” cognitiva de si mesma na tal Internet Holoband. Sem saber, a menina fez um perfeito avatar com inteligência artificial, que se tornará a maior descoberta tecnológica do século.

É aí que mergulhamos com esses dois pais de família com ideais completamente diferentes no que virá a se tornar o escopo do início da destruição do planeta e de quase toda a raça humana. Obstinado por ter sua filha de volta, Daniel conclui o seu projeto de defesa cibernética com o avatar da menina, dando luz ao primeiro módulo cibernético life-form, batizado de Cylon! Com uma cenografia caprichada, design de arte que remete sempre ao retrô, uma bela trilha-sonora e um texto denso, corajoso e deveras interessante, Caprica já chegou mostrando que tem tudo para ser uma das melhores produções da próxima temporada. Discutindo questões morais, éticas, religiosas e científicas totalmente pertinentes nos dias de hoje, coloco todas as minhas fichas nesta série que pode ser capaz até de superar a original. Destaque para as excelentes atuações de Eric Stoltz, Esai Morales e da garota Alessandra Toreson no papel duplo. Vale/valerá muito a pena conferir.

Cotação Bruno Carvalho:
Episódio “1×00: Pilot” disponível em DVD nos EUA e sem previsão exata de estreia na TV brasileira ou americana.

Autor: Bruno Carvalho - Categoria(s): Caprica Tags: , , ,

15 comentários para “Caprica: O Início do Fim”

  1. Jacques disse:

    Eu nem ia ver, mas agora você me deixou ansioso!!

  2. _ricardo disse:

    o vício por Lost me fez pensar na série ao ler o título do post. (”The Beginning of the End”)

    gostei do review, mas acho que não dá para sem empolgar TANTO assim

  3. Michel Arouca disse:

    Eu tb estava com o pé atrás com Caprica, mas assim como vc eu tb fiquei de boca aberta com que vi.
    Caprica chega a ser tão dark qnt BSG e talvez até mais ousada. Dever de casa obrigatorio para fãs de BSG, Sci Fi ou séries inteligentes e densas.
    Parabéns pelo texto. O melhor que eu li até agora sobre o telefilme.
    Abraço

  4. Ismael disse:

    Apesar dos exageros, concordo que foi bem bom esse piloto.

    Mas para “superar” e “ser mais ousada” que BSG tem de comer muito feijão.

    De ousadia não teve nada de mais, quem fala primeiro sobre a validade de homens bomba e ainda no período que falou tem muito mais crédito que repetirem a fórmula.

    A questão dessa “internet” e do desenvolvimento da IA pode render bastante.

    Fico com receio que se percam ao poder usar como ambiente um mundo com tecnologia futurista. A tecnologia “retrô” de BSG era um de seus trunfos. Diferenciava de outras séries de SciFi.

    Só acho que se perderam um pouco na questão do Avatar/Internet/Religiosidade . Quer dizer que a guria virtual conseguiu receber os sinais da dor da explosão, mas a mensagem de texto, algo insignificante não pode ser enviada, sendo que foi bem antes ?

    Observação de um chato, eu sei. Mas só fico com receio que comecem a deixar furos e daí partir para “explicações” tipo Lost. Onde explicam tudo com magia e dizem que você deve ter fé e não questionar nada.

  5. Gostei muito do Piloto, Ronald D. Moore está de parabéns mais uma vez, acho que veremos muita coisa boa. Engraçado como o Eric Stoltz se parece com o Michael J. Fox.

  6. Michel disse:

    Caprica foi um alívio no meio de tanta porcaria na TV. E é mto boa msm! Parabéns pela ótima review!

  7. Caio disse:

    Ainda quero gravar um podcast sobre Battlestar.

  8. Adorei a matéria sobre Caprica do @ligadoemserie vou baixar o piloto. ;) E olha que estou no comecinho de Battlestar Galactica [via Twitter]

  9. Olá, Bruno!

    Sou um dos poucos seres humanos que nunca assistiu um episódio sequer de BSG. Mas, eu sempre soube de seu valor, e por isso assisti Caprica. Fiquei de boca aberta! Achei fenomenal este piloto, mesmo não conhecendo toda a história por trás dos personagens.

    Eric Stoltz e Esai Morales estão ótimos nos papéis principais, e os efeitos especiais foram colocados na medida exata, sem exagero.

    Mal posso esperar pelos episódios do seriado!

    Um abraço!

  10. Bruno disse:

    Ei Bruno quero te fazer uma pergunta: Eu nunca assisti BSG, nunca! Tem como eu assistir Caprica e entender tuda a história? Ou tá mais pra continuação de BSG?

  11. @Bruno

    É um prequel, ou seja, a história se passa antes de Battlestar Galactica. Contudo, eu recomendo e muito que você assista BSG antes, pois senão vai boiar em muita coisa.

    No piloto é possível ver vários elementos do drama, que só os “iniciados” perceberiam. Vale pra todo mundo que nunca viu BSG e dá tempo, pois Caprica a Série só em 2010.

  12. ANDTROTY disse:

    Poxa com o fim de Battlestar Galactica, e com i iminente fim de Lost ano que vem vou apostar todas minhas fichas em Fringe e Caprica!!!
    Mas ca entre nós Battlestar Galactica foi uma das melhores series ja produzidas tenho corajem de afirmar que é melhor que Lost!

  13. Silvia_05 disse:

    Eu que não vejo sci-fi, nem sei o que é BSG, muito menos “cylon”, resolvi conferir o piloto de Caprica depois da tua indicação. Então, tô muito longe de fazer uma análise embasada. Porém, posso, sem dúvida, afirmar que foi a coisa + interessante que eu vi nos últimos tempos. Beira a perfeição. Roteiro, efeitos, técnica, dramaturgia,fotografia, … tudo. Será sem dúvida um clássico.

    PS: lamentei a morte do Ministro, depois que vi que era o Cancerman de Arquivo X. ( Saudades!)

  14. Luzo disse:

    Muito bom, tb não sou iniciado em BSG, acompanhava até então apenas Dexter, House, 24H e Lost. Mas sem dúvida após ver Caprica se BSG for no mínimo neste nível e pelos comentários parece que BSG é ainda melhor eu tenho que conferir obrigatoriamente :), roteiro muito bem amarrado, com os efeitos especiais a serviço da história boas atuações e muitos pontos de contatos para discussão com a realidade em que vivemos, com certeza muita inspiração veio das obras de Philipp K. Dick, excelente! Tá bom, chega de elogios :P

  15. Francisco-BH disse:

    Eu assisti a todo BSG !! E estou aguardando pelo episódio que sairá no fim do ano: Battlestar Gallatica: The Plan ! Mas Cáprica, após assistir, deixou minha curiosidade absolutamente aguçada !

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