24 Horas: 06:00pm – 08:00pm
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Criada por um convicto republicano (Joel Surnow), 24 sempre foi uma defensora incondicional do Direito da Lei e da Ordem, com uma clara tendência em evidenciar a américa vermelha do partido que governou o país nos últimos 8 anos. Curiosamente, com a saída de Surnow do drama por questões criativas, a série agora começou a questionar com intensa força a forma de interrogação e atos de verdadeira tortura que Jack Bauer conduziu em seus últimos “dias”. Mas como eu disse no início da cobertura desta temporada, é muito fácil para uma distante comissão parlamentar questionar tais atos sem saber, exatamente, qual é o contexto em que eles foram inseridos. Agora, nestas incríveis duas horas que mostraram a invasão de Juma e sua equipe na construção que deveria ser a mais bem protegida do mundo, o jogo virou e pode ser que aqueles que condenavam veementemente tais práticas repensem os seus conceitos. Afinal, se Jack Bauer não fosse interrompido pelo Serviço Secreto, certamente ele conseguiria ter impedido o ataque que levou a governante da mais poderosa nação do mundo sucumbir à missão suicida de um líder militar africano.

Mas a pergunta que estes dois episódios me trouxeram foi a seguinte: num país com um sistema jurídico tão avançado e ágil, não existe uma medida constitucional que faça com que as regras em um momento de exceção fossem minimamente dobradas? Afinal, nem tudo é preto no branco como ordenou a presidente Taylor e como acredita o senador Mayer. Numa situação de emergência é possível que algumas das garantias fundamentais do indivíduo sejam suspensas, mas estaria a tortura neste rol? Segundo a Convenção Contra a Tortura e Penas Degradantes, do qual os EUA são signatários, não. É proibida esta prática ou qualquer Lei que a flexibilize, não importe a situação. Foi aí que Taylor ficou numa verdadeira sinuca de bico ao ter que aturar o prisioneiro simplesmente pedir pelo aconselhamento legal e calar-se diante de toda aquela situação. Afinal, é um direito pátrio dele permanecer calado para produzir provas contra si mesmo. Chegamos na metade da temporada em mais uma das milhares de situações impossíveis que a série já proporcionou e eu somente vejo na perseverante agente Walker uma saída para tudo isso. Mas eu queria era fazer destas horas a enquete que a própria série fez a todos os reféns naquele corredor: vocês acham que existe algum tipo de exceção ou justificativa para a coerção moral ou física de indivíduos? Jack Bauer é um criminoso ou um herói?
Cotação Bruno Carvalho: ![]()
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Episódios “7×11: Day 7: 06:00PM-7:00PM” e “7×12: 7:00PM-8:00PM” exibidos em 02/03/2009 na FOX americana.


No contexto da série, é claro que Bauer é um herói. Constatar isso é fácil quando sabemos o que está em jogo e quais são as alternativas que o cara tem à disposição para fazer o que é preciso, mas se fôssemos trazer isso para o mundo real, é claro que aceitar um agente como Bauer seria mais difícil, já que no fim, suas atitudes são contrárias a quaisquer regras estabelecidas pela sociedade. Ainda assim, acho justo dizer que quando se enfrenta gente que não respeita leis ou regras, o mais salutar seria fazer o mesmo. Se isso faz de alguem vilão ou herói que as consequências dos atos sejam o melhor juiz.
Belo comentário sobre os dois episódio, Bruno.
Abraço!
Bauer é meu herói, independente do que ele faça!
Na vida real, esse tipo de situação (o tal “ticking clock scenario”), na qual é preciso extrair a informação de um suspeito para evitar uma catéstrofe iminente, e que aparece 10 vezes por episódio de 24 hs, praticamente não existe.
Além disso, tortura não funciona. É o jeito mais rápido de se conseguir informações falsas.
Além além disso, o Jack Bauer nunca erra – ele nunca tortura alguém que não sabe de nada. Pelo que eu me lembro, isso só aconteceu uma vez, com o ex-marido da Audrey. Na vida real, os enganos seriam (e são) frequentes.
Na série td bem, é ficção e tal. Mas, na real, não é uma alternativa prática. Além de ser imoral, etc.
Milhouse tirou palavras da minha boca. Na série funciona porque dá tudo certo. Mas na realidade, a tortura trás mais informações falsas do que verdadeiras. Quando alguém é torturado, fala qualquer coisa para aquela situação ter fim.
Quanto aos episódios. Adoro 24 horas, mais achei a invasão da Casa Branca fácil demais. É o lugar mais vigiado do planeta, e terroristas entram desapercebidos daquela forma. O próprio FBI não consegue mapear o lugar pelo satélite. Além disso, que agente secreto era aquele mais mal preparado que acredita num blefe e manda evacuar o prédio. Sei lá, achei um pouco demais isso, mas vou continuar assistindo, claro… rss
Bruno, excelente texto, como sempre.
Bauer é um criminoso, mas a série o coloca como o maior dos heróis, o que faz de 24 uma série fascista. Bauer sempre tortura alguém que ele sabe que é culpado ou, pior, que o espectador sabe que é culpado. Assim, aos nossos olhos, a série procura fazer a tortura parecer justificável, uma vez que o torturado está do lado errado da lei. No mundo real, essa facilidade nunca ocorreria. A série é o mais bem acabado retrato televisivo da era W. Bush.
@Roger
É complicado dizer que “a série é o mais bem acabado retrato televisivo da era W. Bush” quando o vilão da quinta temporada é um presidente bundão que inventa um incendente internacional com o objetivo de deflagrar uma guerra e garantir o abastecimento de petóleo dos EUA.
A “filosofia” de 24 Horas meio que flutua com a opinião pública. Sem dúvida é uma série mais direitista do que a maioria, mas não é tão fácil quanto parece colocar um rótulo nela.
Além disso, no último episódio, o Jack Bauer mata um telefone com um choque. Não é pra levar a série muito a sério.
Acho que Jack Bauer é herói e vilão ao mesmo tempo, assim como Juma é herói sangalês e vilão americano.
Como o personagem general Juma pode ser um herói se mandou matar deliberadamente centenas de milhares de cidadãos civis do seu país assim que tomou o poder (veja o filme pré-temporada Rendemption e os primeiros episódios desta temporada)?
O preto no branco só existe na fantasia de algum lunático ou nos contos de fada. A realidade é bem mais dura e complexa do que um punhado de leis pode fazer parecer. Os direitos individuais e as leis que os protegem não podem sobrepor-se ao bem comum.Em alguns momentos, situações desesperadas pedem ações desesperadas.
Dentro do contexto apresentado na série 24 horas, Jack é evidentemente um herói.Dizer que a série é fascista e que Jack é criminoso é ignorar a realidade do mundo em que se vive. A tortura por sí apenas é inadmissivel, mas num momento de guerra onde a vida de milhóes de cidadãos está em jogo, a tortura significa o bem maior. Os críticos míopes acima representados abririam mão da necessidade de torturar um assassino, terorista, caso suas vidas estivesse em jogo?
“I dont think so”
Ainda não engoli a péssima decisão da Fox de dublar 24 Horas e outras séries durante a exibição da última temporada. Desrespeito é pouco para definir essa atitude.
Prefiro uma fraca legendagem a qualquer dublagem. Nada justifica a perda do original.
Risquei 24 Horas e a Fox da minha programação
É só um programa, não levem a sério. Assistam e depois vivam a realidade
Carlos: concordo com vc a respeito da Fox, mas rsicar…viiixxxiii! Você não sabe o está perdendo.
Daniel: uma alma para vislumbrar a minha opinião.
” É só um programa, não levem a sério. Assistam e depois vivam a realidade”
Gente, caiam na real. Isso é filmeeeee….
11 de Setembro, atentados com gás sarin no metrô japonês, bombas em embaixadas dentre outros ocorrem, então não comentem que o negócio é apenas um filme.
A série coloca um dilema que realmente é bem maior que um punhado de palavras escrito em uma seção de comentários.
Em tempos de guerra, direitos e garantias são suspensos em busca de preservar o maior número de vidas possíveis. Podem me chamar de facista, mas eu acho que bandido não merece perdão de qualidade alguma. A partir do momento em que alguém decide agir deliberadamente contra a ordem pública e/ou atentando contra a vida de outrem(ns) não há motivos pelo qual essa pessoa deva ter todos os direitos de um civil inocente.
Porém, caso a tortura fosse liberada, lançaria-se mão dela a torto e a direito e com certeza inocentes também não seriam poupados.
Por fim, essa história de que o torturado fala qualquer coisa pra se livrar da tortura é meio balela, pois ele voltará a sofrer novamente caso as informações dadas não sejam corretas, então…
Adriana realmente foi uma decisão díficil…
Não posso negar que sinto falta…mas estou me esforçando para assistir o assim mesmo…
Primeira temporada que estou acompanhando e dificilmente volterei para ver as anteriores, mas estou adorando. É o típico programa cheio de clichês até a última película, mas que sempre vale a pena acompanhar. Me pareceu um filme de ação de 24 horas (12 por enquanto), com ótimos momentos de tensão e muita, mas muita ação, difícil não gostar. Alguns momentos bem forçados e previsíveis, mas tenho que concordar que o senhor é o cara. Creio que nesta segunda metada da temporada a ação vai se focar em conlitos internos, pois o general não vai durar nem 2 episódios mais, embora pelo que vi até agora, a qualquer momento a série dá uma guinada e tudo muda.
Correção ’senhor Jack Bauer é o cara’ ficou omitido acima.
@Milhouse
O presidente da 5a temporada pode ser inspirada em Bush e sua guerra, mas a prática de todos os governos incluindo o do supostamente democrata David Palmer parecem terem sido feitas para justificar as de Bush.
@FERNANDO
“a tortura significa o bem maior”: uma outra definição para fascismo. Essa situação de ter que torturar para salvar a vida de alguém pois a bomba está para explodir nunca acontece na vida real. Ela é usada em filmes e séries justamente para tentar justificar as torturas reais.
E a todos que insistem que isso é apenas um filme… OK, certos aspectos devem ser relevados como todos os excessos em relação ao tempo real. Porém quando uma série ou filme tenta justificar algo como a tortura é para ser levado a sério sim, não importa o quanto inverossímil a situação fictícia seja, sempre vai ter alguém disposto a traçar um paralelo com a realidade.
Tenho certeza, que em caso de extrema necessidade , falta de tempo hábil e uma ameaça grave que tenha que ser combatida, justifica-se sim a tortura.
E nesse contexto, por salvar tantas pessoas, Jack Bauer é sim um herói.
[...] O terceiro mês começou e a 7ª temporada de 24 estava bombando com o episódio em que a Casa Branca foi invadida por terroristas. Veio também a [...]