
É um pouco chato bater nesta tecla, mas há 4 anos LOST é uma série de mistérios e perguntas que geralmente tem algumas de suas respostas entregues nos finais de temporada. Por isso, após mais um incrível ano, era perfeitamente aceitável que todos nós estivéssemos ávidos por algumas migalhas de informações sobre a natureza da ilha, seus habitantes originais e sua curiosa mitologia. Sob esse prisma, exclusivamente, não posso ignorar que o final deixou muito, mas muito a desejar. Os produtores falam demais, muito hype é gerado em convenções, fóruns e afins e pouca coisa é efetivamente materializada. Parte desta sensação negativa que impera em quem terminou de assistir um ótimo episódio (olha que ironia) é culpa dos recém introduzidos flashfowards, que muitas vezes fazem com que certos acontecimentos pudessem ser facilmente inferidos ou esperados por todos nós, afastando completamente o elemento surpresa. Dito isso, reconheço que toda a seqüência de acontecimentos desencadeada já no início foi de tirar o fôlego, desde a impressionante luta de Sayid com Keamy, até a complicada jornada dos Oceanic 6 para fora da ilha, que envolveu o barco de Penny e encerrou de forma singela o importante arco de Desmond com sua amada.

Mas tomara que história do casal que começou bem antes da queda do vôo 815 (e a causou) tome novos rumos, já que o sobrenome Widmore ainda deve dar muito o que falar nos próximos 2 anos que temos pela frente. Na ilha como nós a conhecíamos uma importante mudança de poder ocorreu e a ascensão de John Locke em detrimento de Benjamin Linus, embora anunciada, não deixou de ser marcante. Foi curioso perceber também que a partir daquele momento em que Ben girou a “alavanca” da ilha ele acabou indo parar fora dela no deserto onde futuramente iria encontrar Sayid para iniciar uma nova e sombria empreitada. Mesmo com um episódio lotado de histórias que se convergeram, muita coisa ainda ficou pendente, como a situação de Claire, a missão especial de Sun e a promessa de que veríamos o Dr. Marvin Candle (ou Edgar Halliwax) na ilha e um flashback com o piloto original do avião, denotando certa falta de competência dos produtores em amarrar as pontas que eles deixaram soltas.

Contudo, vários elementos característicos de um final de temporada foram mantidos: a fumaça negra no horizonte (aqui representada pela explosão do cargueiro), um evento geológico inexplicável e algumas referências históricas como a de Hurley sobre o Sr. Eko. De volta ao futuro, a principal revelação de There’s No Place Like Home foi mesmo a do morto do caixão, John Locke. Isso sim foi chocante, já que a sua última aparição vivo demonstrava que um novo e promissor caminho estava à sua frente. Foi igualmente impactante saber também que após a saída dos Oceanic 6, coisas horríveis aconteceram na ilha, mesmo depois da destruição do cargueiro e da morte de Keamy e seu grupo de mercenários. Ainda é cedo para avaliar tudo que vimos (principalmente a controversa cena do desaparecimento da ínsula), mas reitero que este não foi um final que fez jus à 4ª temporada, apesar dos episódios em si terem sido ótimos. Felizmente o chamado de Jack deverá se concretizar e daqui a 8 longos meses estaremos todos (necessariamente) de volta à ilha. É bom mesmo que Benjamin Linus tenha um ótimo plano na manga.

Cotação Bruno Carvalho: 



Episódios “4×13: There’s No Place Like Home, Part II” e “4×14: There’s No Place Like Home, Part III” exibidos em 29/05/2008 na ABC (rede de TV americana).
Repercutindo os Episódios:
O Crescimento de Walt: Finalmente foi explicado o mistério envolvendo a previsão dos produtores sobre o crescimento de Walt na série. Depois de muita especulação se ele seria especial, se viajou no tempo etc. a resposta veio de forma simples: ele apenas será visto nos flashfowards, que acontecem 3 anos após o acidente, justificando a aparência de velho dele.
O “Searcher”: Revelado também a natureza da missão de Penelope Widmore e seu grupo de “portugueses”: ela buscava sinais de Desmond através do navio “Searcher”, que aparentemente nada tem a ver com a missão que seu pai Charles Widmore encomendou.
Nascida na Ilha: Como Miles insinuou, esta não foi a primeira vez que Charlotte Lewis pisou na ilha. Ao que tudo indica, ela é nativa do local e passou anos buscando o retorno. Provavelmente sua mãe fazia parte da Iniciativa Dharma e engravidou fora da ilha, da mesma forma que aconteceu com Claire.
A Morte de Jin e Michael? Conforme suspeitávamos, Jin supostamente morreu no barco, o que quer dizer que o túmulo visto no episódio Ji Yeon é apenas um memorial erguido por Sun. Por isso, fico na dúvida se ele realmente morreu, pois em nenhum momento vimos isso acontecer de fato. Já com Michael, a aparição de Christian Shepard deve ser o indicativo de sua morte, pois ele se sacrificou para salvar os demais, da mesma forma que Charlie fez no fim da 3ª temporada.